Pandora

24 Capítulo XXIV – Ponto Final


Notas iniciais
Hey! Eu nem iria postar esse capítulo hoje, mas faz o tempo que postei o ultimo, mesmo não terminando o capítulo que estou atualmente escrevendo (26) e percebi que já estamos chegando no final da história! Sim, estamos entrando na reta final da nossa fanfic! Então vim aqui postar esse capítulo pra vocês. Boa leitura!

E era a ultima prova do campeonato de História. E, pela primeira vez, eu não estava tão animada pra ir para outro colégio assistir a prova, mas mesmo assim, eles eram meus alunos, e eu iria torcer para eles. Arrumei minhas coisas no sábado de manhã e entrei no carro dirigindo para uma escola na cidade vizinha. O ônibus já tinha ido buscar os alunos no McKinley, então eu só tinha que chegar lá e sentar que Will me mandou uma mensagem avisando que tinha guardado meu lugar.

E eu não estava tão ansiosa para o resultado da prova, não, eu estava mais ansiosa em entrar numa sala aonde Rachel e os outros alunos estivessem para encorajá-los. Sim, a palavra-chave dessa situação é 'Rachel'. Mas ela é minha aluna, não é como se só porque tive um relacionamento com ela e nós terminamos eu poderia evitá-la. Ela ainda é minha aluna e estava concorrendo em um campeonato de História.

Cheguei no colégio, estacionei o carro e já entrei no colégio com a intenção de ir para a sala de aula que me indicaram. Parei na porta da sala, que parecia ser uma sala de biologia, e olhei pela janela da porta. Rachel estava lá dentro, sentada em uma cadeira encostada na parede conversando com Tina enquanto Artie falava sozinho e rolava a cadeira pela sala. O rapaz jogador do time de futebol fazia o mesmo que Artie, só que batendo a cabeça na parede e falando.

Respirei fundo, bati na porta e logo em seguida abri ela, colocando apenas a cabeça.

— Tudo bem por aqui? — Perguntei, não direcionando o olhar para Rachel. Eles acenaram rapidamente, tão rápido que sorri vendo o quão nervosos estavam. Entrei na sala, fechando a porta atrás de mim e me encostando nela com um sorriso reconfortante. — Não precisam se sentir pressionados, okay? O que acontecer lá, já vai ser muito bom.

— Nós queremos ganhar. — Artie disse, mas ele não parecia tão confiante. Sentei em uma mesa, passando a mão pelas coxas antes de olhar para ele e para os outros que olhavam pra mim. Rachel não era um deles.

— Se for pra acontecer, vai acontecer. — Recitei e olhei pra Rachel rapidamente, ela ainda não olhava pra mim, mas seu corpo parecia tenso. — Mas se não for pra acontecer, então não se preocupem. Vocês ainda tem mais um ano para conseguirem isso.

E pisquei pra eles, me levantando da mesa.

— Mas, você acha que... Acha que vamos conseguir? — Tina gaguejou e eu sorri com confiança pra ela.

— Eu sei que estão prontos para o que tiver lá em cima, Tina. — E enfiei as mãos nos bolsos de trás da calça. — O resultado não é algo que da pra prever, mas eu acredito que a chance de vocês ganharem é grande.

— Nós. — O rapaz que eu não sabia o nome falou. Ele tinha um rosto sério. Franzi o rosto. — Nós. Não 'vocês', mas nós. Você faz parte do time também.

Sorri carinhosamente, tentando ignorar a vontade de chorar que quis vir.

— Obrigada. — Falei pra ele séria, e esperando que meus olhos refletissem a gratidão que senti com o que ele disse. — Não importa o que aconteça lá em cima. Vocês já são vencedores por chegarem até aqui.

Era importante pra mim ser uma mentora. Principalmente para aqueles olhos brilhantes que todos tinham. Era muito importante. Porque eu sabia exatamente o que eles estavam passando, e era exatamente o que eu passei anos atrás, o nervosismo excitante, o embrulho no estômago, para logo em seguida, a sensação de ser vitoriosa.

Não, eu não tinha certeza de que eles iriam ganhar. E como professora, e mentora, eu não poderia dizer, claramente, que eles iriam ganhar. Mas confiava neles. Quero bastante que ganhem.

Depois desse momento, deixei eles sozinhos na sala e corri para o auditório. Will me esperava nas filas da frente. Me sentei ao seu lado e ele começou a falar sobre as ideias para as Nacionais que tinha. Apesar de ter bastante ideia, eu acabava dando ideias melhores e ele escolhia ficar com elas.

Não era bem uma novidade.

Dez minutos depois os grupos entraram no palco e os jurado entrou logo em seguida. O auditório ficou em silêncio enquanto eles se sentavam e conversavam baixinho acenando para os botões na mesa. Will comentou sobre Rachel, minha atenção foi toda pra ele quando ele disse.

— Ela não parece muito bem esses dias, achei que tinha voltado a namorar com o Finn, mas parece que eles brigaram feio. — Ele fofocou sussurrando e eu franzo o rosto.

— Will, sério, eu não gosto de ouvir fofoca sobre meus alunos. — E olhei pra ele, ergueu uma sobrancelha. — Se eles namoram ou não, se brigaram ou não, eu não quero saber.

Schuester pareceu chocado com o meu tom e com o que eu disse.

— Me desculpa, é que os outros professores gostam de...

— Eu não sou como os outros. Realmente. — E me voltei pra frente, ignorando qualquer coisa que ele tinha pra dizer.

—_

Com o primeiro tempo passando, não consegui pensar muito sobre o que acontecia no palco, mas sim com as coisas que Will tinha dito minutos atrás. Rachel e Finn estavam namorando? Rachel não faria isso, mesmo que fosse pra me fazer ter ciúmes, eu conhecia aquela garota, ela nunca se rebaixaria a 'me fazer ciúmes'. E esse era um dos motivos para eu admirá-la tanto. Mas sobre a outra coisa que ele disse... Ela não me parece bem também, mas ela também me parecia melhor do que antes.

Eu não sei se isso é uma coisa boa. Realmente, eu só queria conversar com ela alguma vez, saber se ela estava bem, e esperar que meus sentimentos por ela não me traiam quando me aproximar dela.

Mas eu sabia bem que isso era impossível.

O primeiro tempo acabou e meus alunos pareciam tranquilos. Estavam indo bem. Na frente por três pontos. Saímos todos para o coffe break e tentei me afastar de Will, mas ele estava disposto a pedir desculpas pra mim.

— Eu sei que você não gosta desse tipo de coisa, não deveria ter feito isso. — Ele tentou e parei, respirando fundo, olhando para o meu prato antes de continuar meu caminho até uma mesa. — Quinn?

— Deixa pra lá, Schuester. — E apontei para a cadeira na frente da minha. — Senta aí.

E ele relaxou visivelmente.

Então voltou a falar sobre seus planos para as Nacionais. Enquanto mexia no meu pedaço de bolo, levantei os olhos e olhei por cima do ombro de Schuester. Sabia que sentia um olhar vindo daquela direção, mas não deveria ter levantado os olhos.

Rachel me encarava com um olhar curioso. Franzi o rosto e abaixei os olhos para meu pedaço de bolo, suspirando antes de enfiar um pedaço na boca, mastigando lentamente e respirando fundo antes de olhar ao redor, procurando outros olhares. Tudo para evitar o olhar daquela que eu tanto queria.

—_

Antes do tempo do coffe break acabar, levantei avisando pra Will que passaria no banheiro antes de voltar para o auditório. Ele pareceu um pouco perdido, mas acenou voltando-se para seu prato e seu telefone. Aparentemente ele conversava com alguém importante pra ele. Não que fosse da minha conta, eu realmente não me importava.

Caminhei até onde eu esperava ser o banheiro, entrei nele e fui logo para uma cabine. Ao sair da cabine, não esperava encontrar alguém do lado de fora, afinal, escolhi um banheiro que fosse bem mais longe do auditório e do refeitório, apenas para não ser incomodada.

Então, sim, eu estava bastante surpresa ao ver Rachel parada de costas para o espelho, encostada na pia, de braços cruzados sobre a camisa vermelha do time do McKinley. Sua cabeça abaixada, sem encontrar meus olhos.

— Rach... el. — Gaguejei e respirei fundo andando até a pia, ao lado dela e lavando as mãos. — Tudo bem? Está se sentindo nervosa? É completamente compreensível se...

— Você me evita bastante pra alguém que disse pra seguirmos em frente. — Ela solta e levanta os olhos. Seus lindos olhos castanhos brilhando em confusão e tristeza.

— O que...

— Eu só... — Ela respira fundo, descruzando os braços e passando uma mão pelo cabelo antes de virar de frente para o espelho. Logo em seguida colocando as mãos na pia e olhando pra mim pelo espelho. — Só porque terminamos não quer dizer que não sinto sua falta.

Sua voz era amarga e triste. Meu peito se apertou e o ar pareceu diminuir. Ela não deveria falar esse tipo de coisa assim.

— Rachel isso é...

— Errado, eu sei. Você disse isso vezes demais para não tatuar no meu cérebro. — Ela rosna e bate a mão na pia, abaixando a cabeça. — Eu só queria... queria que você me desse um real motivo para não pular em seus braços agora e beijá-la. Queria que me desse um real motivo para sair daqui e nunca mais olhar na sua cara.

Eu queria gritar: SIM, PELO AMOR DE DEUS, VEM CÁ, ME BEIJA.

Mas não era algo que eu poderia fazer. Não depois de todo esse tempo fazendo o maior esforço para me manter longe dela.

— Rachel eu...

— Se você não fizer isso, — Ela levantou os olhos e me encarou pelo espelho mais uma vez. — eu vou dar um tapa na sua cara.

Engoli em seco. Eu merecia. Merecia esse tapa. Merecia qualquer coisa que ela quisesse lançar em mim, menos ela mesma. Merecia seu ódio, merecia o que fosse, mas não o seu amor.

— O que quer que eu diga, Rachel? — Perguntei, meu corpo inteiro tensionando quando ela tirou uma mão da pia e virou pra mim, com a outra ainda na pia. — Quer que eu diga que a quero de volta, que não tenho medo de que alguma coisa posso acontecer com a gente? Que eu perca meu emprego? Que eu nunca mais possa ensinar na minha vida? Que eu vá presa?

Percebi sua mão apertando a pia e respirei fundo. Passei uma mão pela nuca antes de empurrar o cabelo pra trás.

— Eu quero, sim, ficar com você, Rachel. Mais do que tudo nesse mundo, mas não da pra negar que tenho medo. — Virei pra ela mais uma vez, olhando-a profundamente nos olhos aguados da morena. Fiz de tudo para que minha voz não quebrasse enquanto falava a próxima sentença. — Eu te quero mais do que tudo, mas o medo que sinto não me deixa negar o fato de que ter você, pode destruir minha vida inteira. Posso perder meu emprego, minha família, minha vida. E até mesmo, você. Se eu a tiver agora, Rachel, eu posso perdê-la. Eu prefiro não tê-la agora e esperar para que nosso destino se cruze mais uma vez, ou perdê-la pra sempre junto com toda a minha vida.

Respirei profundamente e fechei os olhos quando percebi ela levantar as mãos para limpar algumas lágrimas. Olhei para minha mão na pia, apertando o mármore branco.

— Eu jamais iria querer que você perdesse sua vida, Quinn. — Escutei ela falando, sua voz firme atraindo meu olhar. Seus olhos ainda aguados, mas sua boca era uma linha firme. — Eu jamais iria deixar você passar por cada uma dessas situações. Eu sei que você tem medo e você não é a única, eu tenho medo também. — Ela respira fundo. Rachel parecia se controlar para não quebrar, sua mão estava ficando branca na pia e isso fazia meu coração cair em meu estômago. — E meu maior medo agora é saber que eu posso perder você pra sempre também. E a cada dia isso parece real.

— Não é real, Rachel. Você não me perdeu. — Cortei rapidamente, mas ela não me deixou continuar.

— Sim, eu perdi. Perdi no momento em que te beijei na sua sala. — Sua voz tremeu e ela conseguiu estabilizar. Engoli em seco, ela falava do primeiro beijo. — Eu poderia ter esperado você tomar o passo. Você estava confusa e eu piorei a minha situação e aparentemente aumentei o seu medo e isso é culpa minha.

— Isso não é verdade, Rachel.

— Sim, é. Se eu tivesse ficado na minha, talvez nosso relacionamento fosse mais forte e não precisaríamos ter ataques de ansiedade todas as vezes que alguém abre ou bate numa porta. — Ela respirou fundo e finalmente falou aquilo que fez meu coração terminar de partir. — Se eu nunca tivesse tido o gosto talvez fosse melhor do que sentir isso que sinto agora sei.

Engoli em seco e virei pro espelho, abaixei a cabeça e respirei fundo.

— Então se arrepende? — Perguntei baixo, sem pensar em levantar a cabeça.

— Não.

— Então...

— Eu nunca vou me arrepender de cada momento que tive com você. — E levantei a cabeça pra ela mais uma vez. Rachel tinha aquele olhar determinado. — Se você quer esperar, se você quer que eu siga em frente. Eu vou, mas não pense que vou parar de pensar em você. Isso não é possível pra mim.

— Mesmo que eu seja uma covarde? — Perguntei brincando e ela soltou uma risada leve.

— Ao menos você é uma covarde sincera. — E assentiu com um sorriso que não alcançou os olhos. — Espero que esteja certa.

Ela falava sobre nossos caminhos se cruzando novamente no futuro. E eu assenti lentamente, suspirando antes falar:

— Eu também.

—_

Foi uma grande surpresa pra mim quando minha turma perdeu o campeonato, mas fiquei bastante feliz quando vi que eles perderam bem e foram cumprimentar a outra equipe. Eles perderam por muito pouco. Um ponto de diferença. Uma pergunta de pegadinha e eles não conseguiram acertar, a outra equipe acertou e ganharam o campeonato.

Foi difícil, mas foi bom.

Olhei pra eles, procurando algum sinal de desapontamento, mas eles pareciam felizes e tranquilos. Rachel e Tina até mesmo conversavam com um membro da outra equipe. Então meu corpo relaxou e fui falar com os professores de história do outro colégio. Eles me cumprimentaram animados e cheios de elogios quando disse que apenas eu orientei todos eles. E sim, foi apenas eu mesmo, os outros professores jogaram tudo pra mim, felizmente consegui organizar tudo.

Já no estacionamento, perto do meu carro, eu conversava com Will sobre as Nacionais e lhe dava ideias, mas deixava claro que não iria poder estar lá, falando sobre um casamento que teria que ir. O casamento da Melanie que eu seria madrinha, afinal. E eu não levaria ninguém. Felizmente.

Will se afastou de mim falando que iria no ônibus com os alunos e eu acenei me preparando pra entrar no carro, destravei e abri a porta, mas antes de entrar, olhei pra o outro lado do estacionamento, para o ônibus amarelo. Will subia as escadas para entrar no pequeno ônibus e já lá dentro estava Rachel. Ela conversava com Tina tranquila, mas pareceu sentir o meu olhar, quando lançou um olhar por cima do ombro de Tina e sorriu suavemente pra mim antes de voltar para Tina, rindo com ela.

Respirando fundo, terminei de abrir a porta do carro e entrei nele.

Enquanto dirigia de volta pra casa, pensava em Rachel e na conversa que tivemos naquele banheiro. E sim, minha mente estava bem mais tranquila depois daquele conversa. Como se tivéssemos tido um ponto final. Um ponto final para aquele momento. Um ponto final para que pudéssemos passar por aquilo sem sofrer mais. Um ponto final para que pudéssemos continuar até o momento certo, aonde esse ponto se transformaria num ponto e vírgula e nós continuaríamos nossa história juntas.

Era um ponto final temporário.

—_

— Então, não vai me contar as novidades que teve enquanto eu estive fora? — Escutei Santana perguntar e dei de ombros, meus olhos ainda fixos nos quadros da sala dela. Eram vários quadros do corpo humano e cheio de setas indicando cada parte do corpo. A sala de Santana parecia ter saído de um livro de biologia. — Quinn? O que porra você está fazendo?

— Tentando entender o seu objetivo colocando essas coisas aqui. — E apontei para o quadro focando na cabeça.

Escutei seu bufo atrás de mim e olhei pra ela. Santana ainda arrumava suas coisas na bolsa antes de levantar a cabeça pra mim com um olhar tedioso.

— Eu sou cirurgiã de trauma, então sim, é profissional colocas esses quadros por aqui. E também fica fácil de explicar algumas coisas quando alguém vem aqui. E você sabe, estou estudando pra ser neuro, então sim, eu quero manter isso por aqui pra provar que sou capaz.

E ela ainda ergue a cabeça em presunção.

— Vou fingir que entendi tudo que você disse. — Falei e abri a porta da sala dela, saindo com ela para o corredor.

— É superprofissional, e fica bem mais fácil explicar para um paciente o que ele tem se eu tenho esses quadros.

— Ta certo.

— E todo mundo se interessa pelos quadros quando entram na minha sala.

— Uhum.

E ignorei qualquer coisa que ela disse depois disso. Andamos pelos corredores vazios e paramos na recepção.

— Frannie disse que vamos encontrá-la aqui daqui alguns minutos.

— Você realmente não vai falar nada?

Lancei um olhar confuso pra ela.

— Falar o quê?

Santana me lança um olhar tedioso.

— Vai fazer fazer uma semana que cheguei em Lima e só agora você resolveu que ver a minha cara é interessante, então sei que alguma coisa aconteceu enquanto estive fora.

Balancei a cabeça e ignorei qualquer coisa que ele disse. Ao menos tentei.

— Você não vai falar mesmo, né? — Ela me perguntou e eu apenas balancei a cabeça. Santana bufou. — Tá, tanto faz.

E foi quando Frannie apareceu no final do corredor, vindo até nós com um sorriso. Era noite de Natal, Santana e Frannie trabalhavam até dez horas da noite, então prometi minha mãe que iria buscar as duas de carro para irmos para casa dela. Santana e seus pais passariam o Natal com a gente na casa dos meus pais.

Estacionei o carro na frente da casa dos meus pais e saí junto com elas. Nós tremíamos na porta enquanto Frannie lutava pra tentar abrir ela, mas seus dedos estavam cheios de luvas e estava impossível de pegar a chave certa, já que, aparentemente, ela tinha mais de vinte chaves no chaveiro.

Em um milagre de Natal, minha mãe abriu a porta e abraçou cada uma de nós, apertando nossos corpos frios em um abraço quente. Meu pai e Roberto – pai de Santana – acendiam a fogueira, corretamente, dessa vez. O irmão de dez anos de Santana, Rafael, brincava com Steph na sala. Eles pareciam brincar pacientemente.

A mãe de Santana, Lina, estava na cozinha terminando de assar algumas coisas. Nós falamos rapidinho com cada um deles e Frannie foi se arrumar no andar de cima. Aparentemente ela tinha um interesse no irmão mais velho de Santana, Micah. Micah parecia uma versão bem masculina de Santana, tirando a parte óbvia dele ser um cara carinhoso e gentil. Ele era alto, forte, tinha um sorriso de matar e ainda era bombeiro e parecia ter um claro interesse na minha irmã.

Então sim, eu estava de boa com isso.

Ajudei Lina e minha mãe com a comida e depois chamamos Rafael e Santana para ajudar com a mesa. Micah se ofereceu pra ajudar e Lina aceitou enquanto ele tomava seu lugar. Ele realmente era um cara legal, e ver os olhos de Frannie pra ele enquanto os olhos dele não estavam nela, era incrível.

Sentamos pra comer depois das onze e minha irmã subiu com Micah pra colocar Rafael e Steph pra dormir. Eles demoraram um pouco mais do que o normal, então acredito que era algo positivo. Meus pais e os pais de Santana sentaram na sala pra conversar sobre alguma coisa e Santana me puxou para a cozinha, saindo pela porta dos fundos para o quintal e sentamos no banco do lado de fora da casa.

— Sabe, eu sei que tem alguma coisa errada com você. — Ela falou e eu apenas acenei lentamente. — E você não quer me dizer.

— Não tem nada de errado, Santana. Na verdade, está até tudo certo. — E acenei mais uma vez, forçando um sorriso para a noite clara pelas luzes de Natal nas casas vizinhas.

— Tem a ver com a Berry. — Ela supôs facilmente e eu engoli em seco. — Vocês conversaram mais uma vez.

Okay, então, tentar manter segredo de Santana não era algo que eu conseguiria fazer. Ela acabaria extraindo isso de mim cedo ou tarde. Então acho que o mais sensato seria falar logo.

E foi exatamente o que eu acabei fazendo. Com um suspiro pesado, fui falando o que aconteceu três semanas atrás. Explicando como encontrei com Rachel no banheiro, em como ela disse que sentia minha falta e como me senti em relação a tudo que ela me falava e Santana foi escutando atenciosamente, fazendo alguns comentários aqui e ali, é claro, ela é Santana. Se não fizesse comentários seria estranho.

Eu não me virava pra encontrar os olhos de Santana, deixava meus olhos fixos na neve que caía e me apertava no casaco enorme que meu pai me emprestou. Santana fazia o mesmo com o outro que meu pai emprestou pra ela. A neve caindo enquanto eu falava parecia deixar tudo mais leve e mais tranquilo.

Quando terminei, Santana soltou uma risada sem humor.

— Então vocês se resolveram. — Ela concluiu e eu assenti rapidamente.

— Sim.

— Isso é uma merda. — Ela ri mais uma vez.

— Diga-me algo que não sei.

— Como se em algum momento vocês fossem realmente se resolver.

Apenas suspirei e acenei lentamente.

— Eu sinto que essa pode ser a ultima vez que nós conversamos.

E Santana olhou pra mim com o rosto franzido.

— Porque vocês finalmente tiveram um ponto final? — Acenei para sua pergunta. Santana balançou a cabeça. — Não é assim que funciona, Quinn. Se vocês conversaram e você sente que é um ponto final, não necessariamente vai ser um ponto final na relação de vocês.

— E o que é, então?

Ela deu de ombros.

— É um ponto final por agora. Não é como se por causa dessa conversa vocês vão deixar de ter sentimentos uma pela outra. — Santana zomba soltando uma risada. — Não foi uma conversa ruim, como você mesma me contou. Nem mesmo pareceu que seria o fim, não é?

Respirei fundo. É, Santana estava certa. Eu, provavelmente, estava pensando demais. E isso me fazia ter ataques de ansiedade. Ainda bem que ela me forçou a falar sobre isso com ela ou ainda estaria me martirizando e pensando se aquela seria meu ultimo encontro com Rachel.

— Você pensa demais quando se trata dessa garota. — Santana comentou e eu levanto as sobrancelhas pra ela.

— Como assim?

Escuto ela respirar fundo quando me viro pra frente.

— Desde o dia em que você voltou para o McKinley pra ensinar eu percebi que seus sentimentos bagunçaram a sua cabeça. Felicidade, medo, desejo, tristeza. Tudo isso eu vi passando por você desde o momento em que voltamos pra cá. — E olhei pra ela com o rosto franzido. Santana tinha essa expressão pensativa. — É bom, mas também é muito ruim.

— Do que está falando, Santana?

Ela respira fundo mais uma vez e solta uma risada, apertando o casaco ao seu redor.

— Eu conheço você melhor do que ninguém, Quinn. Antes de voltar pra cá você não era essa pessoa que é hoje. Você não era feliz antes de voltar pra cá. Eu conseguia ver em cada gesto seu, o quanto você não se sentia bem longe das pessoas que te amam. E eu culpo Holly Holliday por isso. — Ela solta uma risada maldosa e eu reviro os olhos sorrindo para sua risada. — Depois que você veio pra cá e encontrou essa menina Berry, eu vi seu rosto colorir de diversas emoções. Mas duas delas principalmente. Felicidade e medo.

Olhei pra ela. Santana, as vezes, sabia dizer a coisa certa. E essa era uma dessas vezes.

— Eu ainda sinto medo. — Confessei e ela sorriu pra mim, sua mão indo pra minha embaixo do casaco. — Antes meu medo era direcionado pelo fato de que se alguém descobrisse o que eu sinto por ela, mas agora tenho medo de perdê-la pra sempre. Essa menina ela... — Respirei fundo,balançando a cabeça com uma risada. — O que ela fez comigo. O que ela me fez sentir em tão pouco tempo.

Então minha vista embaçou e eu tive que rir. Era irônico como eu sempre acabava nessa situação quando falava ou pensava sobre o assunto. A mão de Santana apertou a minha antes de soltar e envolver os braços em meus ombros, me puxando pra ela. Deitei a cabeça em seu ombro e respirei trêmula.

— Aparentemente, é assim que você se sente quando encontra a pessoa certa. — Escutei ela murmurar e fechei os olhos, concordando com ela silenciosamente.

— Quanto tempo vou ter até conseguir tê-la em meus braços mais uma vez? — Perguntei, não pra ela, e nem pra mim, apenas por perguntar. Era uma dúvida, e também era uma pergunta frequente na minha mente.

— Quem sabe? — Santana riu e eu ri com ela.

—_

O ano novo chegou rápido. Num momento, eu estava abrindo o presente de Natal que minha mãe me deu – um suéter com meu nome nele e um leão abaixo dele – e no outro, eu estava vestindo um suéter branco e uma jaqueta bege e vestindo um sobretudo da mesma cor e saindo de casa. Santana estava no andar de baixo com meu carro. Fui buscá-la no hospital e ela disse que me esperaria no carro até que eu me trocasse porque não queria subir as escadas – o elevador quebrou por algum motivo.

Nós passaríamos o Ano novo na grande praça de Lima. Não apenas nós, mas praticamente todas as famílias estariam lá para passar o ano novo. Eu não sabia que essa tradição ainda permanecia intacta em Lima, então foi uma grande surpresa quando minha mãe comentou sobre isso no almoço de natal no dia seguinte.

Santana escutava The Police no meu carro quando abri a porta do motorista e entrei nele. Esfregando as mãos uma contra a outra para esquentar. Santana comentou algo sobre o frio. Praticamente xingando a mãe natureza diversas vezes enquanto eu dirigia calmamente pelas ruas congeladas de Lima.

Estacionei o carro no estacionamento da praça e desci dele, dando alguns saltos para me esquentar. Percebi que Santana fez a mesma coisa e passou pelo carro parando ao meu lado antes de entrarmos na praça. Várias famílias estavam lá, e como não tinha nevado desde o Natal, a grama não estava tão congelada, portanto, algumas famílias pegavam cadeiras, toalhas de piquenique e colocavam no chão, conversando sobre coisas aleatórias.

Santana me puxou para aonde ela disse que nossa família estaria.

— Achei que usaria o suéter que eu lhe dei de Natal. — Foi a primeira coisa que minha mãe disse quando nós nos aproximamos deles. Balancei a cabeça com uma risada.

— É claro que eu não faria isso. — E a envolvi em um abraço apertado. — E nem adianta fingir mágoa que eu sei que você não borda e comprou isso em um site de bordados.

E me separei dela que fazia uma careta pra mim antes de ir abraçar Santana.

Falamos com todos e sentamos no chão, conversando sobre qualquer coisa até que fosse a hora dos fogos.

É claro que eu não deveria ter ficado surpresa quando os Berrys apareceram sorridentes na nossa frente. Eles falavam com todos e meus olhos não saiam de Rachel, que tinha se agachado pra falar com Steph – o que não precisava de muito, Rachel já era pequena – e seus olhos derivavam pra mim quando me levantei pra falar com Leroy e Hiram.

Até que chegou a vez dela. Eu teria que abraçá-la. E foi o que eu fiz. Não foi estranho, mas eu não conseguiria fingir desconforto quando Rachel enterrou o rosto em meu ombro e respirou fundo no meu casaco. Enterrei o nariz no seu cabelo e respirei fundo. Tamanho conforto que senti quando ela apertou minha cintura. Meus braços em volta dos seus ombros era algo que eu precisava fortemente.

Desde o dia do campeonato, eu nunca achei que teria Rachel em meus braços mais uma vez, mesmo com a conversa de Santana no Natal, não achei que teria aquele momento mais uma vez. E eu não a via desde a semana antes do Natal, então a falta que sentia de Rachel só fazia com que eu apertasse meu rosto contra o seu cabelo e rezasse pra que aquela não fosse a ultima vez que teria meus braços ao redor dela.

Eu fui a primeira a me separar quando percebi que já fazia mais do que um minuto que tinha ela em meus braços. Me afastei forçando um sorriso e olhando-a nos olhos. Rachel pareceu confusa por uns segundos.

Não falamos nada, apenas nos olhamos a sorrimos antes de Rachel andar para falar com Santana. Virei pra ver ela abraçando Santana rapidamente e a minha amiga me lançou um olhar do tipo 'eu vi isso' e eu balancei a cabeça, não querendo falar sobre o tempo que passei abraçando Rachel.

O resto do tempo passou rápido, então só faltavam uns vinte minutos para meia noite. Rachel sentou um pouco afastada por ser a única adolescente, ela dizia que esperava Tina para se juntar a ela, mas fazia um tempo que ela tinha ido sentar encostada numa árvore e mexia no celular sem olhar pra cima. Meus olhos iam pra ela de vez em quando. Santana conversava com Frannie sobre alguma coisa do trabalho e eu realmente não tinha interesse nisso.

Virei pra Santana, que olhava pra mim quando Frannie virou pra falar com Micah.

— Vá. — Ela disse e eu franzi o rosto. — Eu sei que você quer ficar com ela.

— Santana. — Engoli a vontade de falar mais uma vez a mesma ladainha de sempre.

— Eu acoberto pra você. Seus pais não vão ver e nem os dela. Não da pra ver ela muito bem daqui. Apenas vá. Vai dizer que não está pensando em dar o beijo da meia noite nela?

Soltei uma risada sem humor.

— É exatamente o que eu estou pensando desde que ela apareceu aqui. — Murmurei e Santana riu baixo antes de me empurrar para lá. — Acha que é uma boa ideia?

— Claro que não, mas você vai se arrepender se não fizer isso.

E eu acenei lentamente antes de andar até Rachel.

Ela não levantou os olhos pra mim, mas me sentei ao seu lado, encostando na árvore. Respirei fundo sentindo seu cheiro e percebi que ela engatou a respiração.

— Quinn? — Era uma pergunta. Seu tom baixinho e levemente trêmulo fez com que eu virasse para olhá-la. Seus olhos estavam brilhosos na minha direção. — O que veio fazer aqui?

Dei de ombros e deixei um sorriso suave crescer em meus lábios.

— Não da pra negar que eu não quero ficar lá com você aqui. — Confessei e Rachel desviou o olhar para o celular. Ela falava com alguém. Kurt. — Ele está aqui?

Ela acenou e apertou no botão do lado pra tela apagar.

— Está mais na frente com seus pais e Blaine. — Respondeu e virou pra mim mais uma vez. — Porque está aqui, Quinn?

Comprimi os lábios e suspirei.

— Eu não sei. — Respondi e dei de ombros, soltando o ar com uma risada sem humor. — Desde a nossa ultima conversa eu não...

— Eu sei. — Rachel cortou e virei pra olhar pra ela. — Eu também não.

Consigo tirar você da minha cabeça.

— Mas é menos difícil. — Comentei e ela acenou com os lábios comprimidos. Provavelmente não deveria estar olhando para os lábios dela.

— Eu percebi isso também. — Ela confessa e eu fixo meu olhar em seus olhos. — Está ficando mais fácil. E eu nem sei se isso é uma coisa boa.

Ela respirou trêmula e desviou o olhar para frente.

— É uma coisa boa.

Rachel virou pra mim.

— Que estamos nos superando?

— Não, que sabemos que não vai demorar até que tudo volte ao normal. — E ela engoliu em seco, suas expressão suavizou claramente e seus olhos brilharam com esperança.

— É, acho que você está certa. — Ela brincou e eu ri balançando a cabeça.

— Quando é que eu não estou? — Ela ri e me empurra suavemente com o ombro. — Mas como é que você está?

Rachel pareceu surpresa com a minha pergunta.

— Bem. — Ela respondeu e desviou o olhar. — Não voltei com o Finn se é isso que está pensando.

— Não era o que eu iria perguntar.

— O que ele fez foi idiota e imaturo, eu nunca voltaria com ele. Nós tivemos uma longa discussão sobre isso e eu expliquei que o que tínhamos acabou e que não tinha chance alguma de voltarmos. Ele ficou um pouco chateado no começo, mas acho que entendeu o que eu disse e... — Ela continuou falando e eu coloco a mão sobre a sua e puxando ela para o meu colo. Rachel olha para nossas mãos em meu colo e para de falar. — E eu nunca faria isso com a gente.

Seus olhos foram para os meus e apertei sua mão.

— Eu sei que não. Não era disso que eu queria saber.

— Não é?

— Não. É a sua vida, Rach. Se quer seguir em frente, eu não tenho o poder para dizer pra você não fazer. — E dei de ombros, olhando-a nos olhos. — Mas fico feliz por saber que não tenha feito isso. Finn é um cara legal, mas você é muito mais superior do que isso.

Rachel riu e revirou os olhos.

— É uma maneira sua de dizer que você é superior?

Soltei uma risada, não tinha nem ao menos percebido isso.

— Não é bem assim.

— Não é?

— Bem, eu sou superior. — E ela riu ao meu lado. Uma risada linda que me fez sorrir mais ainda. — Mas não estou ao seu alcance. Você é bem mais.

E ela parou de rir, seus lábios se curvando em um sorriso encantador.

— É incrível como você sempre sabe o que dizer.

— Isso não é verdade. Eu falo muita merda as vezes.

— É, nisso eu concordo. — Ela murmura e eu solto uma risada. Rachel ria junto comigo.

Ah, merda. Como eu sentia falta desses momentos com ela. Aonde nós apenas ríamos e conversávamos besteiras, brincando uma com a outra sem pensar nas consequências. Esses momentos com Rachel eram meus favoritos.

Nós paramos de falar por um tempo, apenas apreciando o momento que estávamos tendo ali. E de repente faltava apenas um minuto para a meia noite. Eu tinha certeza de que Rachel percebeu minha tensão quando todos começaram a procurar seus maridos, esposas, namorado, namorada, ficantes. E eu continuei ali, a mão de Rachel no meu colo e nossos dedos entrelaçados.

Então começou a contagem, e o corpo de Rachel tensionou ao meu lado. Virei pra ela e me surpreendi quando ela olhava pra mim de volta. Engatei a respiração quando vi que ela estava se aproximando e eu fiz o mesmo até que nossas testas estivesse coladas.

— Tem certeza disso? — Ela me perguntou sussurrando, seus olhos estavam fechados, fiz o mesmo com os meus.

— Não.

Os fogos estouraram acima de nós e eu me inclinei, colando nossos lábios.

Notas finais
Então? Gostaram? Teve gente que achou que o beijo e a conversa viriam de Quinn e Holly, espero que estejam felizes pelo que aconteceu aí. Spoiler do próximo: Casamento da irmã do Greg! Gente! Eu queria pedir um favorzinho pra vocês. Será que vocês poderiam ler essa minha história que postei em outro site? É pra um concurso e tal. Vou ser eternamente grata se fizerem isso. https://sweek.com/#/read/25686/1400000162 esse link acima é o link da história. Espero que gostem.