Pandora

11 Capítulo XI – Perdida Demais pra Voltar Atrás


Notas iniciais
Um fucking mês! Mas vou logo dizendo que não tenho nenhuma parcela de culpa. Algum infeliz resolveu me denunciar por causa de fanfic traduzida, então decidi apagar todas as outras fanfics traduzidas que eu tinha aqui no nyah! (na verdade só tinha mais uma). Mas em relação a fanfic, eu consegui adiantar quase sete capítulos! Espero que gostem desse daqui. Boa leitura.

— Puta que pariu! — Santana guinchou e eu me encolhi no sofá. — PUTA MERDA!

— Porfavor, Santana...

— Não porra, tu pegou duas pessoas em uma semana! E melhor ainda! Você pegou duas garotas que estavam afim de você! Puta merda!

Suspirei e passei a mão pelo cabelo. Eu estava nervosa, e Santana não estava ajudando.

— Não 'tá ajudando, Santana.

Então ela sentou no sofá, parecendo perceber que eu não estava muito bem com tudo o que aconteceu.

— Você está confusa? — Ela pergunta e eu dou de ombros.

— Na verddade, estou fodida.

— Isso é meio obvio. — E ela ri, fazendo com que eu revire os olhos, mas meu lábio se contorceu em um sorriso. — Estou perguntando o que você está sentindo com tudo isso.

Balancei a cabeça.

— Bem, obviamente, eu estou sentindo coisas por Rachel. Minha aluna, tenho que enfatizar. — Ela revirou os olhos. — E em relação a Holly... não faço ideia. Tenho raiva dela. Ela acha que só porque voltou, eu tenho que perdoá-la e escutá-la.

— Eu nem sei como te ajudar. Tu tá bem fodida mesmo.

— Valeu, minha melhor amiga! — Meu tom foi tão sarcástico que ela gargalhou e deitou no sofá, de frente pra mim com os pés frios tocando minha coxa.

— Só estou sendo sincera, você sabe. — Ela ainda sorri pra mim. — Mas sério, qual beijo foi melhor?

— Santana...

— Ah, fala sério! Tu beijou tua aluna e uma professora de educação sexual. Quero mesmo saber quem beija melhor. Diz aê!

Fechei os olhos e balancei a cabeça. Santana nunca ia ter jeito.

— Eu não vou responder essa pergunta.

Ela gemeu dramaticamente.

— Porque não? Vai lá! Eu estou trabalhando demais, preciso de algo pra me distrair. — Ela da de ombros e eu a olho chocada.

— E porque você precisa que eu fale quem beija melhor?

— Porque seria bem quente se você falasse que é a Berry.

E eu revirei os olhos mais uma vez. Era impossivel contar a quantidade de vezes que eu reviro os olhos quando estou na presença de Santana.

— Só cala a boca.

E ela riu me empurrando com o pé.

— Vai fazer alguma coisa pra gente comer que eu ocupo a minha boca com comida. — Ela sugere e eu a encaro por alguns segundos.

— E você ainda insiste em dizer que não gosta da minha comida.

— E eu não gosto! Só estou com fome.

— Claro.

E me levantei indo para a cozinha.

—_

Minha próxima aula seria com o terceiro ano. Uma aula sobre Prometheus. Alegar que eu estava nervosa era eufemismo. Não sabia se Rachel estava no McKinley, não saí da minha sala desde que cheguei aqui, e ela não veio na hora do almoço, como sempre fazia. Obviamente. Não iria culpá-la por isso.

Mas era um clássico aviso de que estava chateada.

Então passei o meu almoço comendo algo que eu mesma fiz. O que, claro, era uma grande novidade. Mas depois que comecei a fazer compras de verdade, fazer comida em casa virou um hobbie. Santana está adorando isso, e nem ela pode negar isso. Mesmo tendo seu próprio apartamento, jantar no meu, cinco vezes por semana, virou um programa para nós.

Falando em Santana, ela não parava de me perguntar sobre ambos os beijos que recebi em uma semana. E ela queria saber, a qualquer custo, quem beijava melhor. Rachel ou Holly.

Não era uma pergunta difícil, realmente. Não era difícil de responder. Mas a resposta poderia me condenar. Mesmo respondendo na minha cabeça, falar em voz alta só iria tornar tudo mais real e mais perigoso. E mesmo que as vezes fosse muito difícil não pensar nisso, eu me obrigava.

Fechei o livro que não estava lendo e apertei a ponte do nariz, gemendo irritada por não conseguir me livrar da dor de cabeça. Joguei o livro em cima da mesa e me aprumei na cadeira, olhando para a porta e forçando um sorriso para os alunos que começaram a entrar. Me lançavam um 'boa tarde' e iam para seus lugares.

Estava tudo bem comigo, até eu ver quem entrou entre os ultimso alunos com a cabeça abaixada e não me dirigiu um só olhar, apenas andou até o seu lugar na primeira fila da esquerda, terceira cadeira. Engoli em seco e respirei fundo vendo que ela não iria levantar a cabeça em momento nenhum. O ar da sala diminuiu.

— Muito bem. Qual de vocês conhecem o mito de Prometheus? — Perguntei me levantando meio tonta e pegando o livro de professor. Eles deram de ombros para a minha pergunta e eu suspirei tentando puxar ar, mas não tive muito sucesso. — Abram na página cento e três e leiam o que tem aí. — Lancei mais um olhar para Rachel enquanto os alunos iam abrindo na página. O ar da sala estava sumindo. — Eu... eu preciso sair por uns minutos. — Eles ergueram os olhos pra mim e eu forcei um sorriso mais uma vez.

— Tudo bem, professora? — Não sei bem quem me pergunteu, mas parecia ser algum dos garotos.

— Sim. — Acenei e coloquei o livro na mesa. — Só preciso de um ar. — Avisei e apontei para o livro. — Quero que reúnam perguntas sobre o assunto, e irei responder tirando suas dúvidas. Artie? Você está no comando enquanto estou fora.

Enquanto falava eu ia para a porta. Eles voltaram a cabeça para o livro e eu tentei puxar o ar mais uma vez, mas pareceu impossivel, principalmente quando Rachel levantou os olhos aguados para mim e logo abaixou quando viu que meus olhos estavam nela.

Comprimi os lábios e saí da sala, fechando a porta atrás de mim.

Estava complicado. Não poderia deixar o que eu sentia tomar conta de mim. Se ficar no mesmo ambiente que a Rachel fazia com que eu me sentisse assim, eu precisava resolver isso. E não tinha como se resolver!

Eu andava pelos corredores com as mãos no cabelo, passando de um lado de para o outro, puxando ar sempre que possível e gemendo irritada, socando a parede quando sentia vontade de gritar de raiva.

Como eu me deixei fazer isso? Como fui capaz de me apaixonar pela única pessoa que eu não podia!?

— Quinn? — Escutei e virei pra ver Holly me encarando com o rosto franzido e os braços cruzados. — Você 'tá pálida. O que foi?

Balancei a cabeça e me encostei nos armários, respirando fundo para puxar mais ar pra dentro.

— Nada, eu só... precisava tomar um ar. — Respondi qualquer coisa e olhei para o lado, procurando uma maneira de fugir de Holly.

— Quem está na sua sala agora? — Ela perguntou, sua voz soando suave e doce. Droga, eu odiava isso.

— Ninguém. Vou voltar pra lá daqui a pouco.

— Talvez você deva descansar um pouco. — Holly sugere e estica a mão para tocar no meu pulso, mas eu me desvio e passo por ela.

— Não, obrigada, mas preciso dar aula. — E volto para o meu caminho.

Viro a esquina e fecho os olhos.

Se eu tivesse, ao menos, me apaixonando por Holly de novo, o problema não seria tão grande quanto esse. E sentir nada na presença de Holly, me incomoda. Porque só está provando que o que sinto por Rachel é mais forte do que pensava.

—_

— Obrigada, pessoal. Próxima aula quero que me tragam essa atividade pronta. — Me levanto da cadeira e lanço um sorriso suave para eles. — Espero que tenha tirado a dúvidas de vocês, e se não, próxima aula vocês trazem para que eu resolva com vocês.

Eles acenaram e foram se levantando um por um, dando um boa tarde antes de sair da sala, partindo pra casa, já que minha aula é a última.

Voltei a sentar na cadeira e passei a mão pelo rosto. Foi complicado pra que eu conseguisse ter forças pra voltar pra minha aula. Tive que ir comprar um cappuccino em uma cafeteria perto do McKinley – o cappuccino não era tão bom quanto o da minha mãe – e depois voltei pra sala com o copo cheio, me sentindo muito mais calma e sentindo o ar entrar limpo nos meus pulmões.

A maioria dos alunos já tinham se levantado para ir embora, mas Rachel continuou sentada no mesmo lugar, com a cabeça abaixada. Fechei os olhos com força, tomando coragem para me levantar quando o ultimo aluno saiu.

— Srta. Berry? — Chamei. Sim, foi bem filha da puta usar a formalidade, mas era onde eu poderia me proteger.

Rachel não levantou a cabeça. Pensei se deveria ir até ela, mas antes que eu me levantasse, ela mesma o fez, olhando nos meus olhos. Não pude identificar o que enxergava neles. Ela andou até a porta, imaginei que fosse embora, então sentei na cadeira e abaixei a cabeça para meus livros, arrumando-os para poder ir embora.

Mas a porta se fechou e o som de passos continuaram dentro da sala. Levantei a cabeça com os olhos arregalados ao ver Rachel fechando a cortina das janelas. Olhei para a janelinha da porta, vendo-a fechada e exalei.

— Rachel. — Chamei com um tom de repreensão.

Ela tinha que entender que não era possível isso acontecer.

— Rachel, por favor... — Continuei insistindo, vendo que ela ia para a ultima janela da sala, fechando-a.

— Eu não vou deixar você escapar disso. — Ela murmurou, e se a sala não tivesse tão silenciosa, eu não teria escutado. Meu coração estava batendo tão forte que eu temia não conseguir escutar o que ela fosse falar. Ela tinha um olhar perdido pra janela fechada. — Pensei antes se deveria fazer isso, mas depois de ver o quão afetada você fica na minha presença, percebi que é mútuo.

— Rachel, por favor, tente entender o quão perigoso isso é. — Levantei e tentei não me aproximar dela. Toquei na minha mesa e respirei fundo. O ar, estranhamente, parecia mais leve, o que era um contraste estranho vendo que a sala estava toda fechada. Abaixei a cabeça, olhando para meus dedos. — Você precisa entender que não é questão de querer, e sim de poder.

Escutei uma risada sem humor e fechei os olhos.

— Então você vai me dizer que quer? — Levantei o rosto e encontrei seus olhos. Rachel estava mais próxima. — E que se eu não fosse sua aluna, nós estariamos nos beijando agora?

Engoli em seco e lambi os lábios, tentando recordar do beijo. Mas faziam quatro dias. Tive o meu final de semana tentando não pensar nisso, e agora eu não conseguia sentir o peso dos seus lábios nos meus.

Era incrivel como Rachel conseguia mudar a minha forma de pensamento apenas por estarmos no mesmo ambiente.

— Não posso dizer que não. — Confesso e ela ofega, seu rosto ficando sério. Os olhos cheios de algo que eu poderia, facilmente, nomear de 'dor'. — Não posso dizer que não sinto nada por você, Rachel.

— Então porque... — Ela dá dois passos, mas para de falar, me olhando séria. Então conclui: — Porque sou sua aluna.

Eu aceno, olhando para longe.

— Eu não posso me dar o luxo de querer algo desse tipo, Rachel. — Abaixo a cabeça antes de voltar a olhar para ela, ela ainda estava longe de mim, e aquilo estava me fazendo sentir uma dor irritante no peito. — Se as pessoas descobrirem isso... Se descobrirem como me sinto em relação a você...

— Elas não precisam saber! — Rachel se apressa pra falar. Seus olhos estava arregalados em desespero. — Ninguém precisa saber, Quinn.

Arfei ao escuter meu nome saindo por seus lábios. Ela sempre sabe como dizer o meu nome.

— Alguém sempre acaba descobrindo no final, Rachel. — Minhas unhas raspam na mesa, e eu suspiro. — Você deveria curtir o seu ensino médio. Tem um namorado. Finn é um bom rapaz, tenho certeza que vai ser...

— Eu terminei com ele. — Ela confessa franzindo o rosto e eu engulo em seco, arregalando os olhos. Antes que pudesse falar alguma coisa, ela continua: — Eu não poderia continuar com ele enquanto tinha você na minha cabeça.

Não consegui falar algo sobre isso. Rachel deu mais alguns passos, sorrindo pra mim. Ela pegou minha mão, acariciando a parte interna do meu pulso e eu deixei um sorriso suave escapar. Merda, ela tinha um poder fácil sobre mim.

— Porque você não deixou isso pra lá? — Perguntei, praticamente implorando pra ela fazer exatamente isso. Quando ao mesmo tempo, eu implorava pra que ela não deixasse isso pra lá. Minha cabeça estava confusa demais pra isso.

Rachel balançou a cabeça com uma risada.

— Não tinha como. — Ela dá de ombros. — Você estava se tornando constante nos meus pensamentos e na minha vida. Ficou impossivel não sentir algo.

Comprimi os lábios olhando profundamente em seus olhos, vendo a veracidade das coisas que ela falava.

— Você só me conhece à dois meses.

Rachel deu de ombros mais uma vez e ainda dando alguns passos. Ela estava tão próxima de mim, e ao mesmo tempo tão longe. Eu estava a ponto de fazer algo que poderia me condenar pro resto da vida.

— Foi o suficiente pra ficar mais forte.

Ah! Que se foda.

Ofeguei e coloquei a mão na nuca dela, enterrando meus dedos na sua pele e puxando-a pra mim. Nossos lábios se encontraram com tanta paixão que meu coração acelerou com força. Ela se agarrou na minha camisa, gemendo entre meus labios. Levei minha outra mão até sua cintura, puxando seu corpo pra colar no meu.

Suas mãos agarraram minha camisa de flanela, seus punhos se fechando com tanta força que eu achei que minha camisa iria rasgar, mas estava ocupada demais sentindo seus lábios se mexendo contra os meus. Até que senti sua língua se arrastando pelo meu lábio inferior, e o gemido que saiu da minha boca foi o resultado quando sua língua entrou na minha boca.

E puta que pariu! Rachel definitivamente tinha o melhor beijo que já experimentei.

Nossos dentes se batiam em meio a gemidos. Nossas línguas percorriam a boca uma da outra. Minha mão acariciava sua nuca enquanto minha outra mão estava na sua lombar, puxando-a mais pra mim. Estávamos tão pressionadas que eu sentia cada centímetro do seu corpo colado ao meu. E estava sendo incrivel.

Por algum motivo, nos separamos, mas ficamos com os rostos tão próximos que nossos narizes se encostavam. Ela tinha as mãos em meus ombros, firmes pra que ninguém a tirasse de lá. E eu realmente não queria que ela saísse do meu abraço.

— Parece que estou mais perdida ainda. — Murmurei ofegante abrindo os olhos e encontrando os cerrados dela.

Rachel sorria, mesmo sem ver, eu sentia que ela estava sorrindo. Seus lábios estavam próximos dos meus, qualquer movimento que ela fazia, eu sentia. E era fantástico. Sentir alguém sorrindo contra sua boca. Era uma sensação incrível.

— Só prova o quão perfeita somos uma pra outra. — Ela sussurra e eu sorrio, acenando. Seus olhos faziam com que eu quisesse me perder a cada segundo.

— Eu quero muito não estragar isso. — Confesso no mesmo tom. Ela franze o rosto e pincela o seu nariz contra o meu, aproximando-se mais e colando nossos lábios suavemente, antes de se afastar com um gemido. Eu estava perdida.

— Fique comigo e tudo vai ficar bem. — Ela sorriu preguiçosamente, inclinando o queixo e beijando meus lábios mais uma vez, só que dessa vez, seus braços cruzaram-se atrás do meu pescoço e um gemido escapou dos meus lábios quando ela enfiou os dedos no meu cabelo.

Eu estava realmente perdida nela. Sabia que bastava eu me entregar à um beijo dela que estaria de quatro por ela. Rachel tinha um poder estranho sobre mim. Algo que eu nunca tive com nenhuma garota.

— Você deveria ir pra casa seu pai já deve estar esperando. — Sussurrei contra seus lábios, tentando não me perder mais ainda.

— Meu pai não vem me buscar. — Ela devolve e beija a minha bochecha, descendo para o meu pescoço, mas não o beijou, apenas me abraçou e enfiou o rosto ali. — Você tem um cheiro tão bom. Passei tanto tempo querendo sentir você assim.

Sua voz saiu abafada, e meu corpo inteiro tremeu com a proximidade do seus lábios contra minha pele. E também com o que ela disse, porque... Sério, quem não vai se arrepiar com alguém falando essas coisas?

— Então vou te levar pra casa. — Apertei minhas mãos na sua cintura e respirei fundo antes de afastá-la de mim. Rachel piscava preguiçosamente. Seus lábios estavam inchados e um sorriso sonolento crescia em seu rosto. Essa garota era tentação demais pra ter apenas 17 anos. — Antes que eu perca o controle cedo demais.

Essa frase saiu totalmente sem intenção.

As bochechas de Rachel se avermelharam, mas ela não pareceu timida e sim, presunçosa.

— Eu não me importaria se você perdesse o controle, sabe...

— Não, ainda não. — Fiz questão de falar e virei de costas, voltando a arrumar minhas coisas.

Seus braços enlaçaram minha cintura e eu pude sentir seu corpo colando nas minhas costas, seu nariz apertou no meu ombro e tive que me controlar para não me arrepiar.

— 'Ainda' quer dizer que vai acontecer? — Sua voz tinha aquele toque maroto, que deixava bem claro que ela queria me provocar.

— Rachel, não. — Virei pra ela, segurando seus braços. Ela me encarou com o rosto franzido em confusão. — O que aconteceu aqui ainda não sabemos se vai durar...

— Como não poderia? — Ela me lança um sorriso nervoso. — Eu tenho certeza do que sinto por você, Quinn.

— E eu sei como me sinto. — Confirmo e ela sorri timidamente, não consigo evitar o sorriso, mas logo me obriguei a ficar séria. — Mas estamos em um terreno perigoso, muito. Não sabemos se daqui a uma semana ainda vai estar tudo bem. Então... vamos com calma.

Rachel abaixou a cabeça e assentiu.

— Eu entendo.

— Ótimo. — Suspirei e peguei minha bolsa. — Vamos, vou te deixar em casa.

Ela acenou mais uma vez e foi até sua mesa, recolhendo suas coisas enquanto eu a esperava na porta.

—_

Parei minha moto no meio fio e tirei o capacete, vendo Rachel saindo da moto e me entregando um capacete com pressa. Ela estava com os olhos arregalados e o cabelo assanhado. Tudo isso porque eu decidi correr mais do que o normal, apenas pra ver sua reação. E o que recebi foi um abraço extremamente apertado na minha cintura.

Guardei o capacete dela e passei a mão pelo cabelo, sabendo que deveria estar uma bagunça por causa do meu capacete.

— Não seja tão dramática. — Provoquei vendo que ela ainda tinha os olhos arregalados e abria a bolsa, parecendo procurar algo. — Perdeu alguma coisa?

— Não, só estou vendo se não caiu nada pelo caminho.

Revirei os olhos com tamanho do drama que ela fazia.

— Vai logo pra casa, Berry. — Apontei pra porta com o meu capacete e ela riu, voltando-se pra mim com um sorriso.

Rachel tinha esse olhar que ela estava dirigindo a mim desde o momento em que nos beijamos mais cedo. E ela não parece querer parar de fazer isso. Era um olhar fascinante, e eu não queria que ela parasse de lançá-lo pra mim.

— Meus pais não estão em casa, sabe... — Ela dá de ombros e eu sinto o coração acelerar um pouco com a confirmação de estarmos sozinhas. — Você poderia entrar por alguns minutinhos e comer alguma coisa...

Rachel usava um tom tão sugestivo que eu achei que ela estava sugerindo ela como alimento. E essa ideia realmente ficou na minha cabeça por um tempo. Provavelmente a culpada por meu rosto estar esquentando tanto.

— Está cedo demais pra isso, Rach. — O apelido saiu totalmente por acidente, mas Rachel pareceu amar.

— Quando então? No seu apartamento? Lá podemos ficar sozinhas... — Ela mordeu o lábio inferior e o olhar provocante se intensificou.

Arfei e desviei o olhar com um choramingo. Droga. Rachel realmente sabia como apertar os botões certos.

— Está cedo, Rachel. — Não usei o apelido dessa vez, apenas pra deixar claro que esse terreno ainda era novo para nós.

Ela acenou com um bufo.

— Certo, certo. Não vou insistir. — E sorriu docemente, dando um passo e colocando a mão na moto, traçando o desenho tribal. Instintivamente, coloquei a mão na sua cintura, puxando-a mais para perto. Rachel pareceu gostar isso, então não me censurei. — Estou gostando disso, sabe? Você estar dando uma chance pra nós.

Soltei um suspiro, acenando e engolindo em seco.

— Estamos pisando em ovos, mas pode dar certo. — Dou de ombros. — Se essa chance não existisse, provavelmente eu iria enlouquecer.

Rachel soltou uma risada, balançando a cabeça, totalmente de acordo comigo.

— E eu iria pedir transferência.

Meu coração parou por um segundo.

— Como assim?

Ela solta uma suspiro e olha nos meus olhos. Sua mão, que estava na morto, vai pra minha jaqueta, brincando com o zíper. Desvia o olhar por alguns segundos antes de voltar.

— Quando eu descobri isso, Quinn... foi complicado. Eu estava namorando o Finn, e você é minha professora. Não foi fácil aceitar que estava se tornando algo sério. — Ela dá de ombros. — Quanto mais tempos passávamos juntas, mais eu entendia que estava sentindo coisas de verdade por você.

— E se eu não...

— Eu não poderia ficar perto de você. — Ela comprime os lábios e desvia o olhar para a minha jaqueta, para seus dedos que passavam suavemente pelo couro preto. — Esse couro é falso, né?

— Claro que é! Continue.

Ela franziu o cenho e acenou, tentando recuperar a linha do pensamento.

Somente Rachel Berry pra cortar o pensamento preocupada se eu usava uma jaqueta de couro de verdade. Balancei a cabeça em descrença.

— Sempre que estávamos no mesmo ambiente o ar sumia, e tudo piorou nessa ultima aula. Estava impossivel de respirar.

— Sei como é. — Suspirei e apertei o tecido do seu suéter vermelho.

— Foi por isso que saiu da sala, não foi? — Ela me olha, preocupada. — Estava sem conseguir respirar.

— Sim. Acho que tinhamos que resolver isso de verdade pra continuarmos nossas vidas.

Rachel acena lentamente.

— E estou realmente feliz que esse – Ela se aproxima e inclina pra beijar meus lábios suavemente. — foi o resultado.

— Hmmm. — E puxei ela mais uma vez, colocando o capacete na moto antes de puxá-la pela nuca, beijando seus lábios com mais vontade.

Os beijos de Rachel eram sempre uma novidade. Ela parecia ter um beijo diferente a cada vez que eu a beijava. E isso era fascinante.

Rachel era uma garota fascinante.

— 'Tá bom. — Me separei dela com um suspiro, olhando para seus lábios hipnotizantes antes de olhar para seus olhos. — Vai pra casa antes que seus pais nos achem aqui.

— Relaxa, se eles nos acharem, não sabem que é minha professora. — Ela ainda me lança um olhar maroto.

Reviro os olhos com uma risada.

— Vai pra casa, Rach. — Mais uma vez com o apelido, ela riu acenando e se inclinando para mais um beijo.

— Te vejo amanhã? — Murmura contra meus lábios e eu aceno.

— Claro que sim, e você tem aula comigo amanhã.

— Ainda bem. — Ela fala no mesmo tom e me beija mais uma vez antes de se afastar quase saltitando. — Te vejo amanhã.

E eu a observei entrar em casa ando leves saltos. Sorri docemente. Rachel era linda. E eu estava apaixonada demais pra negar isso.

E também estava bem fodida, mas estava fodida com Rachel em meus braços. Talvez não fosse tão ruim se tomássemos cuidado.

Notas finais
Gostaram? Eu tive que vir pro internet explorer pra conseguir postar esse aqui, que o chrome tava impossível. Por algum motivo, não me deixava postar com parágrafos. Enfim, espero que tenham gostado. Fiz algumas alterações de ultima hora, mas nada muito extravagante. Comentem e me digam o que acharam que eu posto mais um capítulo na sexta. Mas claro, esse aqui terá que ter um feedback antes que eu poste o próximo na sexta. Até a próxima!