Pandora
12 Capítulo XII – Fique com Isso em Mente
Notas iniciais
Capítulo XII – Fique com Isso em Mente
— Quantos copos você já tomou disso aí? — Perguntei pra Santana que ergueu os olhos pra mim com bastante raiva.
— Cala a boca.
— Santana, tem chocolate aí, você vai acabar passando mal...
— Deixa eu tomar isso aqui em paz. — E ela virou de costas pra mim, não parando de tomar o cappuccino que eu trouxe da casa da minha mãe.
Porque, realmente, eu até tentei fazer, mas ele ficava com bastante gosto de canela e não era 'tomável'. Então fico pegando uma vez por semana com a minha mãe umas três latas de cappuccino caseiro.
Santana diz que não é tão bom assim, mas ela deve ter tomado uns cinco copos desde que chegou no meu apartamento. E só faz uma hora e meia que ela chegou.
Não, eu não tinha contado pra Santana as coisas que aconteceram entre Rachel e eu. Porque? Bem, foi um acordo entre Rachel e eu. E eu quero muito falar. Muito. Já faz uma semana que eu decidi me entregar ao sentimento que tenho por Rachel.
Claro que não 100%. Se eu me entregasse totalmente, eu me perderia completamente. O poder que Rachel tem sobre mim é muito maior do que eu imaginava. Essa semana inteira em que passamos os almoços conversando abraçadas embaixo da minha mesa com a sala completamente fechada, só provou isso. Eu estava sacrificando a minha recente profissão em um relacionamento que não tem uma base.
E isso estava me assustando.
Sabia que deveria falar com Santana sobre isso. Falar o que aconteceu uma semana atrás e como eu me sinto em relação a isso, mas eu tinha medo. Do quê? Eu não sei!
Era uma apreensão que eu sentia no meu estômago que me impedia de contar pra ela o que estava acontecendo.
E como eu estava escondendo isso de Santana, ela percebeu isso. E grudou em mim desde então. Mas algo interessante sobre Santana, é que ela não me pressionava pra falar sobre o que eu estava guardando. Ela esperava até o momento em que eu dissesse o que havia de errado.
Santana sabia ser uma boa amiga quando eu precisava.
— Não vai fazer nada pra gente comer?
Revirei os olhos. Realmente, ela só vinha pra minha casa pra isso.
— Vou ver o que tem pra fazer. — E me levantei do sofá, mas não tive tempo de chegar na cozinha, pois quando passei pela porta de entrada, a campainha tocou. Franzi o cenho e virei pra ver Santana com os olhos cerrados.
— Você tem outros amigos? — Ela me questionou com os olhos ainda cerrados e os lábios fazendo beicinho.
— Deixa de ser ridícula. — E fui até a porta, abrindo-a. — O que porra você tá fazendo aqui?
Greg me encarava com um sorriso idiota.
— Minha irmã... ela meio que pediu pra vir. — Ele enfiou as mãos nos bolso, comprimindo os lábios e me encarando com aqueles olhos azuis cintilantes. Greg tinha olhos lindos e um sorriso lindo, e provavelmente é o que me chamou atenção nele, mas agora eu acho tudo idiota.
— Porque a sua irmã iria pedir pra você sair de Connecticut e vir aqui? — Perguntei e ergui ambas as sobrancelhas.
— Na verdade, ela quer que eu te entregue, pessoalmente – ele revirou os olhos no 'pessoalmente'. — isso aqui. E eu meio que estava numa cidade aqui perto em uma conferência. Paradise? É, acho que é esse o nome. Aí ela soube que eu viria pra cá e mandou que eu trouxesse isso.
E me entregou uma caixa de madeira branca com detalhes em rosa e dourado. Tinha duas letras em cima um M e um T entrelaçados. Franzi o rosto mais ainda e balancei a caixa.
Percebi que Santana estava se aproximando de mim e parando ao meu lado. Ela olhou pra Greg por uns segundos e olhou pra caixa.
— O que é isso? — Ela perguntou e Greg acenou pra caixa.
— Convite de casamento dela. Abre. — E apontou pra o cadeado fechado na caixa com uma mini chave dentro. Abri a caixa e cerrei os olhos ao ver uma mini garrafa de vinho que eu não reconhecia (não sei nada sobre vinhos, mas parecia ser caro) embaixo dele, servindo de conforto, tinha um lenço de seda. Ao lado do vinho, tinha uma rosa vermelha com um bilhete em cima dela.
— Tem certeza de que isso é um convite comum? — Santana murmurou olhando para as coisas dentro da caixa. — Isso parece...
— Um convite para ser madrinha. É isso mesmo. — Greg bufa. — Ela decidiu que você é especial o suficiente pra ser a madrinha do casamento dela.
Arregalei os olhos.
— Melanie quer que eu seja madrinha do casamento dela com o Thomas. — Não foi uma pergunta, eu estava querendo reafirmar o que estava acontecendo. — Mas, Greg...
— Sim, eu sei que você namorou com ela antes de casar comigo, mas ela insistiu. — Ele sorriu de canto. Um sorriso apaixonante, se eu já não tivesse superado isso. — Se quiser, é só mandar uma mensagem dizendo que não vai dar...
— Nós não namoramos só...
— Transaram, eu sei. — Santana revirou os olhos, então ela fez um som suspeito. — Hmmm, e, por grande coincidência, ela é cinco anos mais velha que você...
— Cala a boca, Santana. — Rosnei e Greg olhou de mim pra ela com os olhos cerrados.
— Eu devo ir embora ou...?
Nem eu e nem Santana respondemos, eu apenas suspirei e ela continuou me lançando aquele olhar malicioso.
— Eu vou mandar uma mensagem pra ela depois. — Comentei e Greg assentiu indiferente. — Boa sorte na sua conferência.
— Eu não preciso de...
E eu fechei a porta na cara dele.
— Eu sempre me pergunto como vocês conseguiram passar um ano casados. — Santana comenta e anda pra cozinha, me seguindo. — Sério, sinto que você bateria na cara dele a cada segundo.
— Quem disse que eu não fazia isso?
— Ele não te daria aquele sorriso se você fizesse isso. — Olhei por cima do ombro e vi Santana olhando para as próprias unhas.
— Acha que Greg ainda é apaixonado por mim?
— Nah! Ele já passou dessa. Acho que ele ainda quer transar com você.
Soltei um som de escárnio.
— E eu passei muito bem dessa. — E ri mais um pouco, vendo que ela iria me acompanhar.
Coloquei a caixa branca em cima do balcão e me virei pra ver o que eu faria pra comer. Abri a geladeira e os armários, tirando alguns ingredientes.
— Você vai pra o casamento da Melanie?
— Não sei. Acho estranho ela me convidar pra ser madrinha.
— Porque?
Virei pra ela para poder responder. Apoiei as mãos no balcão e dei de ombros.
— Nós tivemos um caso antes que eu me casasse com o seu irmão e descobrisse que ela era irmã dele. — Soltei uma risada. — Fui infiel e ela foi a única que fez com que eu me separasse do irmão dela. Nós não estamos num terreno interessante para ser madrinha de casamento uma da outra.
Santana soltou um murmúrio de escárnio.
— Você era bem puta naquela época. Queria pegar qualquer garota, mesmo namorando com um cara. — Ela riu e se inclinou no balcão. — Parecia até que queria se despedir do corpo feminino antes de passar o resto da vida com o masculino.
— De certo modo, era. — Mordi o lábio e soltei uma risada curta. — Mas o mais estranho, foi que eu realmente me apaixonei pelo Greg.
Santana estremeceu.
— Eu não entendo essa de 'meio hétero' que você tem.
— Se chama bissexual. — Corrigi revirando os olhos e ela balançou a mão em descaso.
— A forma feminina é tão perfeita. Não tem como querer a masculina depois de provar o quão perfeito é.
Revirei os olhos mais uma vez.
— O que vai querer comer? — E virei para os ingredientes que tinha separado, ia começar a citar as coisas que podia fazer quando ela disse:
— Tem mais daquele cappuccino?
Suspirei pesadamente.
—_
Will falava sem parar na minha frente. Ele falava sobre as Seletivas que seria no final de semana e estava bastante ansioso. E também falava como ele tinha trocado o Finn pelo garoto novo, Sam, por ter uma voz mais forte do que a do Hudson. Eu já tinha escutado o garoto cantando, e é bem melhor e mais afinado do que Finn.
— Você vai, né? — Will perguntou e eu arregalei os olhos. Não tinha conversado sobre isso com Rachel ainda, então não tinha como afirmar isso.
— Não sei, tenho que ver. Ainda tenho que preparar as atividades para ajudar meus alunos na segunda fase do campeonato. — Dei de ombros e cruzei os braços. — Mas vou ver se tenho tempo.
Sim, eu só completei porque ele me lançou aquele olhar de cachorrinho abandonado.
— Veja mesmo. — Ele quicou no assento do sofá e se inclinou para pegar alguns papeis da mesa. Então se levantou animado. — Vou voltar pra sala do coral, tenho alguns arranjos pra fazer.
E saiu sem se despedir. Soltei um bufo animado e recolhi meus papeis, me preparando para dar aula para o quarto ano. Levantei e percebi que Holly Holliday me encarava da mesa que estava. Ela sorriu suavemente pra mim e eu acenei com a cabeça rapidamente, passando pelas mesas e saindo da sala.
Holly não se aproximou de mim desde aquele beijo. O que era compreensível já que eu não disse uma só coisa depois dele. E, por algum motivo, eu estou achando que ela pensa que isso é um tempo para que eu pense no meu futuro com ela. Sim, eu sei que aquele beijo também mexeu comigo, mas não mexeu como o de Rachel. Holly foi especial pra mim naquela época, mas agora eu perdi todo o encanto.
Só precisava falar isso pra ela. Precisava dizer que não tinha como voltar a ter um relacionamento com ela. E que o que estávamos fazendo agora, não era 'dando um tempo'. Eu só queria manter distância dela. Apenas.
Meu caminho até a minha sala foi interrompido por um movimento suspeito pelos corredores. Sinto meu corpo ficar tenso quando vejo alguns jogadores de futebol andando com slushies e passando por mim, virando a esquina e continuando seu caminho. Olho pra minha porta à três passos.
Minha consciência não ficaria nada boa se eu simplesmente entrasse na sala e ficasse lá. Poderia ser Rachel o aluno prestes a sofrer bullying. Sim, ela não vinha sofrendo tem um tempo, mas temo que esse tempo tenha acabado.
Eu não quero ver Rachel triste.
Entrei na minha sala, deixei minhas coisas na mesa e saí, seguindo os sons pelos corredores. Com sorte, não houve som de slushies sendo desperdiçados em algum aluno, por isso, acelerei meus passos.
— Hey! — Gritei vendo os jogadores se encolherem e olharem pra mim. — O que eu disse sobre essa bebida?
Nenhum deles me responderam e eu parei na frente deles, vendo que a aluna não era Rachel, meu coração bateu aliviado, mas também apertou ao ver que era Tina Cohen Chang. Amiga de Rachel.
— É uma tradição, professora. — Um dos jogadores atreveu-se.
Soltei uma risada totalmente sarcástica.
— Sabe o que é tradição aqui? — Dei um passo para mais perto dele, erguendo-me sobre ele. — O time de futebol ganhar as nacionais. Sabe o que está acontecendo? Eles estão perdendo. Tenho certeza de que não é culpa da treinadora Beiste, já que ela ganhou todos os campeonatos que participou aqui no McKinley. — Olhei para o outro jogador, ele olhava para o próprio slushie, tomando alguns goles pequenos, como se não estivesse prestes a jogar na Chang. — Vocês são apenas jogadores prepotentes que se acham bons demais por aqui, mas mal conseguem fazer um touchdown.
— Nós fomos classificados...
— E espero que não decepcionem, mais uma vez, a treinadora que tem. — Cortei o rapaz que se encolheu e tomou um gole do slushie. — Agora saiam daqui e vão pra sala de aula. Ou vão pra o campo, vê se conserta alguma coisa.
E eles saem de cabeça abaixada, fazendo-me revirar os olhos.
Olho pra Tina que tinha os olhos arregalados.
— Muito obrigada, professora.
Sorri suavemente e dei de ombros.
— Apenas fiz o meu trabalho, Tina. Agora vai pra sala de aula pra não perder mais tempo por aqui. — E pisquei pra ela, vendo-a corar e assentir antes de passar por mim e andar apressadamente até sua sala de aula.
— Isso foi impressionante.
Virei e vi Rachel parada encolhida perto dos armários. Ergui ambas as sobrancelhas e comprimi os lábios para não sorrir imensamente para a morena. Deus! Ela estava linda. Usava uma saia preta e um suéter vermelho de gola alta. Linda, como sempre.
— Que bom que acha isso, srta. Berry. — Provoquei e levei as mãos até as costas, dirigindo meu sorriso suave para ela. — Porque não está na sua sala de aula?
Rachel sorriu provocante e eu engulo em seco. Merda, ela sabia que eu queria apertá-la ali contra os armários e beijá-la loucamente? Porque seu sorriso dizia tudo.
— Ah, bem. — Ela deu de ombros. — Dei a sorte de meu professor ter faltado.
Meu estômago embrulhou confortavelmente. Tudo o que eu queria era pegar ela e levá-la para uma sala e fazer o que tenho que fazer com ela. E ela me lançava um olhar que dizia querer a mesma coisa que eu.
Engulo em seco e cruzo os braços.
— Acho que não vamos poder ficar... Conversando. — Ela soltou uma leve risada quando eu hesitei em falar a ultima palavra. Certamente não iríamos conversar. — Minha aula começa daqui a dez minutos.
Rachel ergueu ambas as sobrancelhas e andou, passando por mim. Virei pra ver o que ela queria fazer, e ela abriu uma porta. Franzi o rosto quando vi que era a sala de astronomia.
— Preciso tirar umas dúvidas, professora. — E ela se encostou na porta com um sorriso. — Essa sala tá tudo bem?
Engoli em seco e tentei acalmar a excitação que desceu pelo meu corpo. Ah, merda.
Olhei ao redor, vendo se tinha alguém ainda no corredor. Com bastante sorte – ou não – não tinha ninguém. Passei a mão pelo cabelo e lancei um olhar repreendedor pra Rachel.
— Rachel... — Rosnei respirando fundo e passei a mão pelo rosto.
— Só vem logo, professora. — Ela ergueu o queixo. — Você não tem ideia da quantidade de dúvida que eu quero tirar. — E ela mordeu o lábio inferior. — Juntei bastante dúvida no final de semana.
E isso me fez sair do lugar, empurrando ela pra dentro da sala, olhando ao redor antes de fechar a porta e fechar a cortina da janelinha.
— Você me mata, Berry. — Rosnei e virei, encontrando os olhos cerrados dela com um sorriso cheio de segundas intenções. Rosnei mais uma vez e enterrei minha mão na sua nuca, puxando-a para colar o corpo no meu. — Eu não sei o que fazer com você.
Rachel gemeu e levou as mãos até meus ombros. Virei seu corpo, apoiando-a na porta. Me senti satisfeita quando ela soltou um leve gemido quando meu corpo colou mais ainda no seu contra a porta.
— Faça o que quiser, sou toda sua. — Ela sussurrou, seus olhos estava nublados, cerrados e sonolentos. Ela sempre me olhava assim, como se seus olhos não conseguissem se sustentar abertos quando eu a tinha em meus braços. Eu me sentia tranquila com isso, provava que ela se sentia confortável em meus braços. Mesmo não devendo fazer isso.
Não disse mais nada, apenas colei seus lábios nos meus, sentindo suas mãos descerem para meu estômago e para minha cintura. Enquanto nos beijávamos contra a porta, eu tentava me manter consciente da hora. Só tinha dez minutos aqui, não poderia ser mais do que isso.
Enterrei minha língua na sua boca, sentindo ela tremer em meus braços e uma mão sua subir para o meu cabelo, apertando-o com força. Algo que descobri nessa semana que passei me pegando escondido com Rachel, foi que ela gostava bastante quando eu chupava sua língua lentamente. Ela praticamente derretia em meus braços. Era interessante.
— Você vai para as Seletivas com a gente? — Rachel perguntou quando paramos para respirar fundo.
— Hmmm. Não sei. — Separei meu rosto mais uma pouco do dela, acariciando seu rosto com uma mão e apoiando a outra na porta. Seus olhos se abriram lentamente e eu sorri para seu olhar sonolento. — Quer que eu vá?
— Precisa mesmo que eu responda. — Ela choraminga e me puxa pela camisa, beijando meu queixo e minha mandíbula. Suspirei e beijei o lado da sua cabeça, soltando o ar lentamente.
— Eu quero. — Ela se separou de mim e olhou em meus olhos. — Quero que responda.
Rachel sorriu docemente e enfiou os dedos no meu cabelo fazendo-me fechar os olhos, e desceu as mãos pela minha nuca, apertando meus ombros.
— Quero que vá. — Ela responde lentamente e eu imito o seu sorriso. — É importante pra mim que você vá. Preciso de você lá.
Meu sorriso aumentou mais um pouco.
— Então acho que vou ter que fazer esse sacrifício.
E ela riu baixinho, acenando e deixando a cabeça cair em meu ombro.
— Acho que já se passaram oito minutos. — Ela sussurrou e eu soltei um suspiro. — Você vai ter que dar aula.
— É, eu sei. — Ri sem humor e acariciei sua nuca, puxando-a para olhar para mim. — Te vejo no almoço?
Ela assentiu e ficou na ponta dos pés, beijando meus lábios suavemente.
— Trouxe algo pra você almoçar hoje.
Sorri docemente.
— É? — Ela acenou e eu também acenei. — Tudo bem então, eu tenho que ir.
Rachel suspirou e acenou mais uma vez.
— É. — E saiu de frente da porta. — Não vai fugir de mim no almoço, viu!
Soltei uma risada e destranquei a porta, passando a mão pelo cabelo e olhando pra ela.
— Não preciso fugir de você, Rach. — E pisquei, saindo pela porta e fechando-a atrás de mim.
Com um suspiro começo a andar na direção da sala de aula.
Porra, Rachel ia acabar comigo.
—_
— Quando é que você iria me contar que estava pegando sua aluna? — Santana resmungou quando entrou na minha sala e Rachel estava cochilando com a cabeça apoiada na minha mesa. Engoli sem eco vendo seu olhar passar de mim para Rachel. — O que ela está fazendo?
Me levantei rápido e passei por Santana fechando a porta e me encostando nela, virando para a latina que tinha um beicinho.
— O que está fazendo aqui?
— Estava passando e é hora do almoço, vim ver se tem comida. — Ela sorri pra Rachel que ainda cochilava tranquilamente. — Mas vejo que seu almoço foi completamente diferente.
Andei até ela, puxando-a para o final da sala e rosnei baixo.
— Ela só está dormindo. — Me expliquei e suspirei, vendo que Rachel se mexeu suavemente na mesa. — E eu já almocei.
Santana solta um som de escárnio.
— Claro que almoçou. — Ela apontou pra Rachel. — A garota está cansada!
— Nós não...
— Porque não me disse que tinha decidido se entregar aos encantos dela?
Fechei os olhos, me sentindo constrangida por ter escondido dela.
— Foi mal é que...
— Obviamente vocês estão escondendo. — Ela cruza os braços e cerra os olhos pra mim. — Só queria entender porque escondeu de mim. Nós quase somos casadas sem sermos mesmo casadas. E você devia ter percebido que não é possível esconder algo de mim.
Passei uma mão pela nuca, lançando um olhar por cima do ombro, vendo que Rachel ainda dormia tranquilamente.
— Eu sei que não deveria ter escondido, mas prometi pra Rachel que iria conversar com ela se eu quisesse contar algo pra alguém.
— Certo, certo, entendo essas coisas aí. — Ela balança a mão em descaso. — Só acho que você deveria ter me contado. Há quanto tempo isso...
— Uma semana. — Respondi e enfiei as mãos nos bolsos.
Ela arregalou os olhos.
— Você...?
— Eu sei, foi mal. É que foi complicado no começo...
— Porra, Quinn! Uma semana! — Ela balançou a cabeça em descrença. — Da ultima vez que você me escondeu algo por uma semana foi quando você descobriu que gostava de mulher.
— Eu sei, eu sei.
— Porra, você é péssima em esconder as coisas. Eu consigo manter um segredo de você por meses.
Então eu olhei pra ela. Era isso. Santana não estava surpresa por eu ter escondido por uma semana, e sim porque eu não consigo esconder. Revirei os olhos.
— Você é ridícula.
E ela riu pra mim. Santana era impossível.
— Tanto faz, tem comida aí? To com fome.
E ela vai andando pra perto de Rachel, a morena ainda dormia, então Santana não a incomodou. Vou atrás dela, esperando que ela saia logo. Rachel não ficaria nada animada em encontrar Santana andando pela sala quando eu prometi que não deixaria ninguém entrar.
— Será que você pode ir embora? Não tenho comida. — Rosnei e puxei ela pra porta. Santana resmungou e revirou os olhos.
— Eu quero comer. — E fez uma careta. — Sério que não tem nada, eu..
Rosnei e andei até minha bolsa, puxando um depósito e entregando a ela.
— Come isso, agora sai daqui.
Ela riu e abriu o depósito, gemendo baixinho com o cheiro e eu reviro os olhos.
— Beleza, vou ver se trombo com a loirinha quando estiver saindo. — E ela simplesmente sai.
Balanço a cabeça e fecho a porta, voltando pra minha cadeira e sentando. Santana era impossível, mas eu me sentia aliviada por ela ter descoberto assim. Sim, essa não era a primeira vez que ela vinha no McKinley só pra ver se eu tinha deixado almoço. Santana se tornou uma louca pela minha comida.
E eu realmente não sei se devo agradecer minha mãe por isso.
— Achei que ela não iria embora nunca. — Escutei e virei a cabeça encontrando os olhos de Rachel. A morena tinha a cabeça apoiada nas mãos que estavam na mesa. Ela me encarava com um sorriso.
Soltei uma risada e imitei sua posição.
— Você escutou tudo?
Ela lambeu os lábios e deu de ombros.
— É. — Então me lançou um sorriso grande. — Uma coisa que deve saber sobre mim: Eu tenho um sono muito leve.
Franzi o rosto.
— Porque eu deveria saber disso?
Sim, eu já sabia a resposta. Ela corou e eu tenho certeza de que também corei.
— Só guarde isso em mente.
E eu acenei, olhando profundamente em seus olhos.
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