Pandora
10 Capítulo X – Impossivelmente Enrolada
Notas iniciais
Capítulo X – Impossivelmente Enrolada
Minha cabeça estava explodindo. Meus alunos do terceiro ano falavam com muita animação para os alunos que passaram para a próxima etapa. Foram apenas cinco da minha sala, e quatro deles estavam extremamente animados. A outra pessoa era Rachel que apenas sorria para Tina – que também tinha passado – mas não parecia tão animada como todos.
E eu, bem, eu ainda tenho a minha cabeça no beijo e no que Holly disse depois.
“Mesmo que você tenha me deixado, eu nunca a deixei”
E levantou saindo da sala me deixando sentada ali, no sofá olhando para o lugar que ela estava antes e sem saber exatamente o que estava sentindo. Eu sentia um misto de confusão com irritação. E algo bem profundo dentro de mim dizia que eu também sentia felicidade, mas eu não queria sentir felicidade. Não tinha como sentir felicidade.
— Professora? — Escutei e levantei os olhos de algum ponto da mesa para ver Kurt Hummel na minha frente.
— Sim? — Me recompus e lancei para ele um sorriso suave. Falso, mas foi uma boa tentativa.
Ele me lançou um olhar irritado.
— O sinal já tocou.
Franzo o rosto e olho para os outros alunos atrás dele. Todos sentados olhando pra mim com os olhos grandes.
— Não precisam da minha permissão pra sairem, sr. Hummel. — Aponto para a porta.- Fiquem a vontade.
E ele não perdeu tempo. Se dirigiu para a porta e todos o seguiram.
Recostei-me na cadeira e passei uma mão pelos olhos. Minha cabeça estava uma bagunça com o que aconteceu mais cedo e eu não conseguia sentir o tempo passando. Meus alunos iam saindo aos poucos, se despedindo de mim e partindo para sua próxima aula e eu continuei alí sentada olhando para a porta.
— Está tudo bem?- Escutei e vi Rachel se aproximar lenta e timidamente.
— Sim, só... muita coisa na cabeça. — Terminei suspirando e estiquei os lábios com um sorriso. — E você? Não parece animada com que o aconteceu.
Rachel corou suavemente e deu de ombros.
— Eu meio que já sabia. — Ela sorri timidamente. — Você foi uma excelente professora, e todas as questões que passou eram parecidas com a da prova. Não foi difícil.
Meu sorriso se tornou orgulhoso.
— Deve ser por isso que a maioria que passou para a próxima etapa foi da minha turma.
Ela sorriu e tocou na borda da mesa, bem próximo da minha mão.
— Tem certeza de que não aconteceu nada? — Ela pergunta e eu cerro os olhos. Eu nunca falaria pra ela o que aconteceu entre mim e Holly. Porque? Bem, eu não sei, mas algo me dizia que não seria muito bom falar pra ela. — Você não parece bem.
— Só tenho muita coisa na cabeça. — Respondi dando de ombros.
— Deve ser por isso que sua cabeça não estava aqui.
Assenti lentamente e pigarreei, me sentindo desconfortável.
Ela não disse mais nada, apenas assentiu e saiu da sala, me deixando com um peso em meu peito.
—_
Eu estava sentada a meia hora ao lado de Will nas arquibancadas do campo de futebol do McKinley. Ele corrigia algumas atividades – aula de música tem atividade? — e ficava em silencio ao meu lado. Já eu, apenas olhava para qualquer lugar, vendo o treino de futebol e as líderes de torcida mais perto das arquibancadas.
Uma semana tinha se passado e minha mente ainda estava voando pelo que aconteceu entre Holly e eu. Ela não se aproximou de mim nessa semana, mas eu sentia seus olhos em mim quando estávamos no mesmo ambiente. E faço questão de ignorá-los.
Quando é que você vai parar de ficar calado? — Perguntei quando comecei a me incomodar com o silencio do Schuester. As vezes é bom ter silencio vindo dele, mas realmente, é irritante quando ele está ao meu lado e eu consigo sentir o peso das coisas que ele quer falar pra mim, mas está envergonhado ou com medo de que eu o cortasse.
— É que... bem, você não parece bem receptiva esses dias. — Ele comenta e eu balanço a cabeça. Senti seus olhos em mim, mas não o olhei. — Está tudo bem?
— Sim. Só... sim está sim.
Escolhi não falar coisa alguma sobre o que tinha na cabeça, e escutei seu suspiro. Ele sabia que eu estava escondendo coisa dele.
— Tem a ver com a Holliday? Vi que vocês não se falam mais. Nem ao menos se olham.
— Sim, infelizmente tem. — Confessei suspirando e ele murmurou algo em consentimento.
— Vocês namoraram, né? — Ele perguntou e percebi leve hesitação em seu tom. — Quando estudávamos aqui, vocês eram namoradas, certo?
Acenei lentamente.
— Sim.
— Deve ter acabado bem mal. — Ele comenta e eu aceno mais uma vez. — Você não precisa me falar nada, beleza? Eu não vou muito com a cara da Holliday, então não quero muito saber as coisas que ela fez pra você.
Soltei uma risada baixa.
— Porque acha que foi ela que fez algo?
— Porque vejo o arrependimento no olhar dela quando olha pra você.
E eu virei para encará-lo. Ele não tinha os olhos em mim, e sim numa partitura que tinha em mãos.
— O que está fazendo? — Perguntei querendo mudar de assunto e ele ficou ereto, olhando pra mim antes de voltar os olhos para o papel.
— Ainda corrigindo alguns tons para o Finn. Ele anda tendo dificuldades com os agudos, mesmo que não tenha. — Ele terminou a frase em um murmurio irritado e eu soltei uma risada baixa.
— Talvez você tenha que mudar ele e não os tons. — Sugeri e ele olhou pra mim como se eu tivesse dito algo terrivel.
— Finn é a pessoa ideal para isso.
— Aparentemente não. — Apontei para o papel e ele corou um pouco.
— É só que... ele tem algumas dificuldades com algumas coisas na música e...
— Não tem desculpas, realmente. — O cortei impaciente. — Troque o cara! Coloque algum outro que consiga atingir notas maiores sem muitos problemas. Ou coloque alguma garota.
Ele suspirou derrotado.
— Eu até queria colocar outro, mas Rachel tem uma quimica de palco incrivel com Finn, e faz com que tudo fique mais romantico e apaixonante. — Ele falava como se tivesse contando algo incrivel. Eu apenas revirei os olhos.
— Rachel é uma atriz, Schue. Ela consegue ter bastante quimica com qualquer outra pessoa. — Lhe contei e ele me olhou ofendido. — Apenas coloque alguém bom de verdade.
— Finn é muito bom.
— Pra algumas coisas, sim. A voz dele não é ruim, não me entenda mal. — Falei rapidamente para que ele não me olhasse ofendido mais uma vez. — É que algumas músicas simplesmente não dá.
E ele suspirou derrotado mais uma vez.
— Acho que vou ter que trocar mesmo. — Ele suspira mais uma vez e eu começo a me arrepender por abrir a boca. — Talvez alguns dos novatos...
— Porque não coloca aquele garoto, o Artie? — Sugeri e ergui os ombros satisfeita com a minha sugestão.
Ele olhou pra mim por alguns minutos e eu revirei os olhos.
— Não sei, tenho que pensar. — Ele estava levemente chateado.
Parece que ele não gostou de escutar verdades.
—_
Eu voltava para a minha sala quando senti olhos em mim enquanto andava. Pisquei parando de andar e olhando por cima do ombro, encontrando os olhos azuis de Holly Holliday. Engoli em seco e balancei a cabeça, voltando para o meu caminho.
Não conseguia passar muito tempo no mesmo ambiente que ela, e nem sentindo os olhos dela em mim. Tudo fazia com que meu ar acabasse.
Entrei na minha sala e joguei minha bolsa em cima de mesa. A próxima aula era a ultima do dia, e minha cabeça estava tão enrolada que não fazia ideia de qual era a turma que estaria na minha sala daqui a vinte minutos.
Encostei na minha mesa e coloquei minha mão nos olhos e respirei fundo.
Foi então que senti o movimento do lado de fora fazendo com que eu olhasse para a janela da porta com o rosto franzido.
Assisti assustada Rachel entrar na sala e fechar a persiana da janelinha da porta. Franzi o rosto enquanto observava seus movimentos pela sala, ela fechava as janelas grandes do lado direito da sala, e fechava as persianas amareladas de cada uma, mas não sem antes olhar algumas vezes para elas.
— Rachel... — Desencostei da mesa e cruzei os braços para ela. — O que você está fazendo?
Rachel terminou de fechar a ultima janela no fundo da sala e virou para mim com os olhos abixos. Engoli em seco. Alguma coisa importante iria acontecer. E era estranho como eu tinha certeza disso.
— Você e a Professora Holliday estão saindo?- Ela perguntou e meu corpo inteiro tensionou ao lembrar do beijo que Holly me deu na semana passada.
Mas Rachel não sabia disso!
— Rachel, de onde...
Mas ela me interrompeu.
— Kurt me disse que é um boato que anda correndo pelos corredores. — E ela levantou os olhos pra mim, a franja caindo suavemente por cima deles me impedindo de olhar em seus olhos e fazendo com que eu quisesse arrumar para enxergar os seus lindos olhos sem o cabelo me interrompendo a visão completa deles. — Me surpreendi por não saber disso... afinal, achei que eramos amigas.
Seu tom era um falso animados.Eu conhecia bastante esse tipo, já usei bastante com o Will e as ex-namoradas de Santana quando elas me encontravam e queriam saber se ela iria retornar algma ligação.
O que nunca acontecia, obviamente.
— Rachel. — Chamei, mas ela não me deixou contniuar, se aproximando de mim.
— Porque não me contou? — Meu corpo ficou tenso quando ela se aproximou mais ainda. Apoiei minhas mãos na mesa, fechandoos dedos na borda. Fixei meus olhos nos de Rachel, surpresa por ver a umidade neles.
— Rachel. — Chamei mais uma vez, mas ela já estava parada mais próxima do que deveria. — Rach...
O apelido saiu se intenção e ela pareceu ficar um pouco feliz com isso.
— Eu sei que não estou louca, Quinn. — Rachel disse com uma risada nervosa e baixa. O meu nome saiu estranho na sua língua, como se fosse errado e parecesse mais errado ainda simplesmente por ela estar tão perto assim de mim. — Sei que não estava imaginando aqueles olhares. Sei disso.
Não. Ela não estava imaginando. Os olhares aconteciam. Com mais frequência do que gostaria, mas aconteciam. Era inevitável. Rachel mexia comigo. E estava mexendo muito comigo agora.
— Rachel, por favor... — Tentei pedir, mas a sua mão em meu ombro fez com que minha garganta ficasse seca.
— Deixa que eu... só uma vez, por favor. — A mão em meu ombro foi pra minha nuca e eu me senti um pouco aliviada por ter prendido o cabelo em um rabo de cavalo alto hoje de manhã, não sei se aguentaria sentir seus dedos delicados em meu cabelo. Era meu ponto fraco. Já estava dificil sentir seus dedos na minha pele sem estremecer. — Só uma vez...
Meus dedos se fecharam com mais força contra a mesa quando meus olhos me traíram e foram atraídos pelos lindos lábios de Rachel. Puta merda. Eu estava fudida. Muito fudida. Não consegui falar nada, e ela pareceu levar isso como incentivo, apertando os dedos na minha nuca – ofeguei com isso, porra – e me puxando para baixo pra meus lábios encontrarem os seus.
Com um último apelo de consciência, fechei os olhos e virei o rsoto um pouco para o lado, respirando fundo e me arrependendo quando seu perfume de flor de cerejeira – não me pergunte como eu sabia — invadiu meus sentindos.
— Rachel, isso é errado. — Consegui falar, mas não soou convincente. Nem um pouco. — Muito errado.
Não custa tentar mais um pouco.
Senti sua outra mão do outro lado do meu rosto, acariciando com o dedo polegar a minha bochecha. Eu sentia leves choques com o toque da sua mão na minha bochecha. E também senti seus olhos queimando a lateral da meu rosto, mas não abri os meus olhos, se os abrisse seria mais difícil de resistir.
— Não é errado se for mútuo, Quinn.
Novamente o meu nome saiu por seus lábios. A leve onda do 'Q' no início, o suave tom anasalado para o 'uin' e por fim o som aveludado e definido no ultimo 'n'. Como se tivesse implorando. Deus do céu. Isso era errado demais!
Eu seria presa!
Mesmo assim, não consegui fazer um só movimento e ela levou isso de uma maneira positiva, colocando meu rosto rente ao seu e suspirando suavemente contra meus lábios antes de juntá-los.
E...
Puta que pariu...
Meu corpo inteiro pareceu derreter contra a mesa. Seus lábios contra os meus pareciam pequenas almofadas. Suave e quente. Meu estômago se revirava estranhamente. Foi impossivel não movimentar meus lábios contra os dela. E em algum momento, seu lábio inferior ficou entre os meus e chupá-lo era inevitável.
Ela gemeu com isso. Um som baixo no fundo da garganta que fez o meu corpo inteiro tremer, um arrepio descendo para o sul do meu corpo e sua mão apertou a minha nuca, se empolgando em meio ao beijo.
Espera um pouco... Rachel Berry é minha aluna! Minha aluna seis anos mais nova do que eu. Minha aluna! Minha inocente aluna de 17 anos! Minha inocente e virgem aluna de 17 anos, seis anos mais nova do que eu!
Esse golpe de consciência fez com que meus dedos apertassem com mais força a bora da mesa. Muito errado. Muito, muito errado. Meu estômago não deveria estar se revidando assim, meus braços não deveriam estar arrepiados assim. Nem minha nuca nem meus ombros deveriam estar arrepiados.
— Não fique tensa. — Escutei Rachel pedir contra meus lábios, massageando suavemente minha nuca com os dedos em uma tentativa para me relaxar. E esse foi um golpe de realidade maior ainda, que me fez sair do beijo, levando as mãos até as suas e tirá-las da minha nuca. — Quinn.
Abri meus olhso e encontrei os seus chorosos me encarando de volta.
— Isso é errado, Rachel. — Lembrei séra, mesmo que estivesse levando tudo de mim para não inclinar e tomar seus lábios pra mim mais uma vez.
— Eu não sinto que é errado. — Ela fala e sua voz treme junto com seus lábios levemente inchados. Seu rosto era a coisa mais linda que eu já vi, mesmo estando prestes a chorar. — Eu não sinto que é errado, Quinn.
— Mas é, Rachel. — Apertei seu pulso e afastei seu corpo cheio de tentações do meu.
— Mas como eu faço, Quinn? — Rachel perguntou, sua voz tinha um tom que fez meu peito arder. — O que eu faço com o que sinto por você?
E ver seus olhos naquele momento foi meu maior arrependimento. Ela estava tão triste e sua tristeza ecoou no meu peito.
— Vai pra casa, Rachel. — Pedi e ela franziu o rosto, uma lágrima desceu por sua bocehcha e levou tudo de mim para não enxugar com os lábios. Mas minha mão foi para o seu rosto e meu polegar recolheu aquela lágrima. — Você é nova demais pra entender o que sente.
Provavelmente foi a coisa mais errada pra falar.
O rosto dela se contorceu em raiva.
— Não venha com essa de que eu sou mais nova pra entender. — Ela se afastou de mim, soltando seus pulsos das minhas mãos e recuando como se eu estivesse em chamas. De certo modo eu estava. — Eu não sou uma criança, Quinn.
— Não, você não é.
— Me tratar assim não vai mudar como eu me sinto em relação a você. — Ela diz e eu fecho os olhos. Querendo muito que ela não tivesse dito isso.
— Queria que não tivesse dito isso.
E ela franziu o rosto mais ainda. Rachel estava com muita raiva.
— Sinto muito por sentir essas coisas por você. — Ela se afastar mais ainda, tropeçando em uma cadeira. Me movi para ajudá-la, mas ela não caiu, apoiando-se na mesa e engolindo em seco.
— Tudo bem? — Perguntei baixo, preocupada. Ela revirou os olhos.
— Não aja como se realmente se preocupasse.
Franzi o rosto.
— Só porque eu disse que é errado, Rachel, não quer dizer que não me preocupo com você.
E ela me olhou séria.
— Você ao menos... — Ela comprime os lábios abaixando os olhos para o chão e eu já sabia o que iria perguntar. — Você...
— Por favor, Rachel...
Ela ergueu os olhos pra mim.
— É mútuo? — Ela pergunta e eu respiro fundo.
Não sabia como mentir sobre isso. Fechei os olhos e passei a mão pelo rosto.
— Rachel...
— Por favor, Quinn. — Seu tom ficou mais baixo e ela cerrou os olhos. — Não mente pra mim. Não sobre isso.
Olhei profundamente nos olhos dela e engoli em seco. Eu não podia mentir.
E nem tive chance, porque os alunos do quarto ano começou a entrar na sala conversando. Eles ignoraram completamente Rachel, que se encolheu e me lançou um olhar estranho antes de sair da sala.
Pigarreei e respirei fundo antes de passar pela mesa, sentando na minha cadeira e tentando disfarçar que meu coração estava acelerado.
— Porque as janelas estão fechadas? — Um dos alunos perguntou e eu ergui os olhos assustada.
— O vento estava incomodando. — Falei e percebi que as persianas também estava fechada. — E a luz do sol também. — Apontei para meus olhos. — As vezes meus olhos irritam pela luz do sol. — E ri sem graça.
— Pode abrir? — Uma aluna que senta ao lado da janela perguntou.
— Claro. — Acenei e engoli em seco.
E foi a primeira vez que eu dei aula completamente alheia do que estava falando. Com sorte, falei coisas sobre o assunto do dia de hoje.
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