Pandora
17 Capítulo XVII - Que a Vida Fique Justa Pra Nós
Notas iniciais
Capítulo XVII — Que a Vida Fique Justa Pra Nós
A semana passou mais rápido do que eu imaginava. Talvez as noites que passei ajudando meu pai com o meu carro e dormindo na casa dos meus pais fez com que o tempo passasse mais rápido. Infelizmente eu não estava com o carro ainda, meu pai disse que talvez na próxima semana ele já estivesse funcionando. Mas a melhor notícia, era que ele ligava lindamente, só não andava.
Era indescritível a minha ansiedade para sexta à noite. Todas as aulas que Rachel tinha comigo, ela tinha aquele olhar que fazia meu corpo inteiro esquentar. Almoçávamos juntas todos os dias, mas nunca mais repetimos o que fizemos na segunda. Aquela foi a sessão de amassos mais pesada que já tive com Rachel desde que começamos isso que temos.
E é, realmente, algo que eu tenho em mente desde então.
Quando acordei na sexta, liguei para o meu pai avisando que não iria ajudá-lo naquela noite pois estaria com Santana. O que era mentira, mas meu pai não ficaria nem um pouco feliz em saber que eu estava em um encontro com minha aluna. Claro que não.
Estacionei a moto no McKinley e corri pro Lima Bean pra pegar um cappuccino. Entrei na minha sala e joguei minhas coisas na mesa. Na próxima semana teria a segunda etapa da prova do Campeonato de História, então os alunos estavam frenéticos pra tirar dúvidas comigo, então a melhor opção, era ficar na minha sala, já que sempre que um aluno entrava na sala dos professores, Sue gritava com ele até ele chorar.
Isso aconteceu algumas vezes.
A culpa não era minha, apesar de sentir culpa quando eles saiam correndo.
As primeiras aulas foram rápidas e quando chegou a hora do almoço, recebi uma mensagem de Rachel avisando que não iria poder almoçar comigo, então me levantei e fui pra sala dos professores. Soltei um suspiro aliviado quando vi que só Will estava lá no sofá mexendo em papeis.
— Schuester. — Chamei e ele ergueu os olhos pra mim tão rápido que eu iria me surpreender se ele não torceu o pescoço. Logo em seguida ele pareceu relaxar. — O que foi?
Sentei ao seu lado e ele mexeu nos papeis antes de colocá-los nos joelhos.
— Estou enlouquecendo por causa do clube do coral. Kurt, Mercedes e Rachel estão brigando para o solo das Regionais e não me deixaram em paz a manhã inteira.
Soltei uma risada que logo foi cortada quando ele lançou os olhos arregalados pra mim.
— Isso é sério?
— Claro que é!
— Mas... achei que sempre houvesse algum tipo de votação ou competição pra que isso fosse escolhido sem ter briga.
— No começo até era assim, mas depois acabou sendo uma competição pra ver quem subornava mais.
— Isso é... — Impressionante. Realmente. Mas eu tinha pena do Will, ele era um bom rapaz e ter três divas nas costas não deve ser nada fácil. — Péssimo.
— Sim, é. — Ele bate nos papeis e se joga pra trás no sofá jogando um braço nos olhos. — E eu ainda tenho que preparar partituras para a aula de música.
— Boa sorte com isso.
Ele, lentamente, tira o braço dos olhos, me lançando um olhar de suspeito.
— O que aconteceu pra você está tão feliz? — Ele pergunta com o tom cheio de acusações. Revirei os olhos.
— Hoje é sexta. Quando é que não fico feliz em uma sexta? É sexta!
Uma mentira discarada. Eu odiava sextas por motivos de 'fazer nada no final de semana me perturbava'. Sendo que ultimamente não anda acontecendo isso. Talvez voltar a entrar em contato com meus pais tenha sido algo bom pra mim.
— Eu não quero pensar. — Ele resmunga e joga o braço mais uma vez nos olhos.
— Se eu fosse você também não iria querer. — E dei de ombros, pegando meu almoço na bolsa e começando a comer lentamente, apreciando o momento de silêncio, mesmo que esses momentos fossem cortados por gemidos dolorosos de Will enquanto ele fazia as partituras.
O tempo de almoço acabou e ele se levantou se arrastando pra fora da sala, pelo que eu entendi, ele iria para a sala de música. Levantei logo em seguida e arrumei as coisas do almoço na bolsa antes de sair da sala. Mas um corpo me impediu de fazer isso.
— Quinn! — Holly sorriu pra mim, ela também parecia assustada. — Achei que não tomasse café.
Eu olhei pra xícara na minha mão.
— Está vazia, eu tomei um suco e esqueci o copo então... — Balancei a xícara vazia. Holly acenou lentamente.
— Sim, entendi. — Ela sorriu mais um pouco. — Então, pra onde vai agora?
Olhei por cima do ombro dela. Holly estava parada na porta da sala, me impedindo completamente de passar. Vi os alunos passando de um lado para o outro e suspirei.
— Tenho que dar aula agora. — Apontei pra o corredor e fiz esforço pra passar ao lado dela.
— Ah, sim, claro. — Ela deu espaço e eu passei, virando para me despedir dela.
— Te vejo semana que vem. — Falei e me preparei pra andar na direção da minha sala.
— Quinn. — Escutei e virei pra ver ela me olhando timidamente. — Posso perguntar uma coisa?
Olhei para os corredores esvaziando. Eu iria chegar atrasada para minha própria aula.
— Sim, claro. — Pigarreei e forcei um sorriso de lábios apertados pra ela.
Holly me encarou antes de perguntar:
— Será que podemos... você sabe... tomar um café, depois daqui? — Ela sorri mordendo o lábio inferior e eu cerro os olhos, confusa com o pedido dela.
— Holly...
— Não precisa ser um encontro, se você não quiser! — Ela se adiantou.
— Encontro...? — Balancei a cabeça. — Holly, acho que você não entendeu quando eu disse...
— Tudo bem! — Ela me cortou com um dar de ombros. — Quem sabe na outra semana?
Mordi o lábio inferior antes de respirar fundo.
— Holly, eu não...
— Hm? — O sorriso dela ia caindo e eu comecei a me sentir mal.
Olhei para o corredor vazio. Droga.
— Não dá, Holly. — Falei rápido e me virei pra ir andando de costas. — A gente conversa sobre isso depois.
E me virei para andar normalmente na direção da minha sala.
Holly Holliday me chamando pra um encontro era algo que eu não esperava. Claro que eu não iria para um encontro com ela, mas Holly parecia bem animada pra me chamar pra sair e ao mesmo tempo, parecia nervosa. Ela achava que eu fosse dizer que 'sim'. Talvez ela tenha entendido errado o que aconteceu na semana passada. E isso eu precisava esclarecer com ela.
—_
Depois da minha ultima aula, fui para a sala do clube do coral, mas não entrei, olhei rapidamente pela janela vendo que Rachel estava sentada nas cadeira com os braços cruzados e um beicinho. Ah, merda. Isso era fofo demais. Saí de perto da porta e fui para o campo de futebol, já sabendo que as Cheerios estariam treinando.
Enquanto a Sue gritava com elas, um pouco mais distante a Treinadora de futebol, Beiste, parecia estar dando um esporro em alguns jogadores do McKinley. Um deles era do terceiro ano, Samuel, eu acho. Um loiro que eu diria facilmente que era meu parente. O que era bem estranho. Como o cara parecia tanto comigo?
Enquanto o treino das Cheerios passava e eu esperava que Rachel me mandasse uma mensagem avisando que já tinha saído. Teríamos que ver como sairíamos do McKinley sem que todos vejam que saímos juntas. Provavelmente eu iria esperá-la na esquina do colégio.
Meu celular vibrou e era Rachel me mandando uma mensagem, exatamente como eu previ. Ela perguntava qual era a alternativa mais inteligente. Então levantei da arquibancada e fui pro estacionamento, no momento em que subi na moto e olhei pra entrada do McKinley, vi Rachel saindo.
Olhando pra ela, mandei uma mensagem rápida avisando que iria esperá-la na esquina. Rachel ainda levantou os olhos e sorriu discretamente pra mim. Puta merda, essa garota é linda demais. E de calça jeans ela ficava ainda mais maravilhosa.
Ela piscou pra mim quando coloquei o capacete e liguei a moto. Com o capacete cobrindo minhas feições, deixei que o enorme sorriso tomasse conta dos meus lábios e saí do estacionamento do McKinley. Rachel me encontrou dez minutos depois na esquina vazia, ela sorriu pra mim quando eu lhe estendi o capacete e o colocou, subindo atrás de mim e abraçando minha cintura.
O dia inteiro meu contato com Rachel se resumiu em olhares, o que me deixava ansiosa pra poder tocá-la e beijá-la. Rachel fez questão de não almoçar comigo e ainda não veio atrás de mim em seu periódo livre. Então sim, eu estava bastante ansiosa para ficar a sós com Rachel.
Como combinado, parei a moto na frente da casa dela, tirando o capacete e assistindo ela sair da moto com o capacete na mão.
— Eu não sei porque você tem que se arrumar, está perfeita assim. — Resmunguei apoiando o capacete na moto e sorrindo pra ela.
— Cala a boca e me beija. — Rachel rosnou e eu arregalei os olhos a tempo de sentir seus braços me puxando pelos ombros para um beijo de tirar o fôlego.
Puta merda! Ela estava me beijando na frente da casa dela. Segurei seus ombros, empurrando-a pra longe e lançando os olhos ao redor, procurando olhos curiosos.
— Relaxa, Quinn, não tem ninguém aqui nessa hora. — Ela tentou me tranquilizar, mas eu já estava nervosa. Porra, eu queria beijá-la? Sim, obvio, mas não assim. Não com esse risco todo. Olhei para Rachel, que ainda tinha as mãos em meus braços e me encarava com o rosto franzido – Meus pais também não estão em casa. Saíram em um encontro, provavelmente só voltam amanhã.
E eu fui relaxando aos poucos, vendo que não tinha muito risco beijá-la aqui.
— Tudo bem... — Respirei fundo e acenei. — Tudo bem. Desculpa.
Sim, eu pedi desculpa. Minha reação não foi muito boa pra alguém que estava extremamente ansiosa para tê-la em meus braços o dia inteiro. Eu simplesmente entrei em pânico.
Rachel acenou lentamente e soltou meus braços, se afastando e puxando a bolsa para tirar as chaves.
— Vem, vamos. — Ela apontou pra porta e eu travei a moto, tirando a chave e seguindo-a pra dentro.
Ao entrar, não perdi tempo, envolvi meus braços em sua cintura, virando-a pra mim e empurrando-a contra a porta da sua casa. Rachel envolveu meu pescoço e devolveu o beijo no mesmo ritmo.
Isso foi sem pensar? Sim, foi, mas eu tinha que compensar Rachel pelo que fiz antes.
O beijo me deixou sem fôlego. Eu chupava seu lábio inferior, passando a língua suavemente sem enterrá-la na sua boca. Rachel apertava os dedos em meus ombros e soltava uns sons suaves entre nossos lábios.
Eram sons tão maravilhosos que eu queria escutá-los pra sempre.
Mas durou menos do que eu queria.
— Hmmm... — Ela resmungou contra meus lábios fazendo-me separar dela e encará-la confusa. Rachel ainda me puxou para mais um beijo, seus dedos acariciando minha mandibula delicadamente antes de se afastar. — Eu quero me arrumar antes.
E ela passou por baixo do meu braço, correndo para o andar de cima gritando um 'pode ficar a vontade'. E eu já não sabia mais o que fazer.
—_
Finalmente Rachel e eu estávamos no elevador do meu apartamento. Rachel ria enquanto contava algumas histórias sobre o clube do coral no ano passado e eu tinha o meu sorriso no rosto, observando enquanto ela se perdia em meio as histórias. Enquanto ela falava, eu a guiava até o meu apartamento segurando sua mão.
Quando parei na porta, ainda escutando Rachel contar uma história sobre ela ter ficado doente e sua garganta falhado no meio de um solo no auditório, enfiei a mão no bolso e apanhei a chave do apartamento, abri a porta e entrei com Rachel, fechando-a atrás de mim.
Repentinamente, Rachel parou de falar e quando virei pra ver o que tinha acontecido, vi que ela corria os olhos pelo apartamento com a boca aberta. Franzi o rosto, deixando que um sorriso suave tomasse conta dos meus lábios.
— Tudo bem? — Perguntei e Rachel virou pra mim com giro, seu cabelo assanhando lindamente. Ela riu com as bochechas coradas.
— É que... eu nunca namorei ninguém que tivesse um lugar próprio e... — Ela mordeu o lábio inferior timidamente, olhando ao redor mais uma vez com uma risada timida. — E agora estamos sozinhas no seu apartamento.
Soltei uma risada encantada com o quão fofa ela conseguia ser.
— Sim, é isso que eu pago com o meu salário. — Sinalizei o apartamento e andei até o sofá, tirando minha bolsa e a jogando nele antes de se me sentar. Bati de leve ao meu lado e sorri pra ela. — Vem cá?
Rachel riu e assentiu vindo até onde eu estava e sentando ao meu lado, bem mais próxima do que eu estava acostumada. Envolvi um braço em seus ombros e puxei ela pra mim, beijando sua testa carinhosamente e escutando um leve suspiro dela.
— Eu gosto de ficar sozinha com você. — Ela confessa bem baixinho e eu murmuro algo em concordância. — Quero ficar assim pra sempre.
— Tenho nada contra. — Comentei sorrindo e apoiando minha cabeça na sua, sentindo sua mão no meu joelho. Ela trilhava linhas imaginárias na minha perna, fazendo-me sorrir mais ainda.
Merda, eu estava feliz.
Sim, bem contraditório.
Respirando fundo, me separei dela, que me olhou com o rosto franzido. Sorri beijando-a de leve nos lábios.
— O que quer comer?
E Rachel levantou do sofá com um pulo.
— O que vai fazer pra mim?- Ela perguntou e foi andando aonde achava ser a cozinha, mas na verdade era minha dispensa. Levantei rindo e a segui, guiando-a para o caminho certo.
— O que você quer? Faço o que quiser. — Entramos na cozinha e eu larguei seus ombros indo na direção dos armários.
— Não como carne. — Ela lembrou e eu acenei com uma risada.
— Sim, eu sei disso. — Abri a geladeira e apanhei algumas berinjelas, rindo quando vi que ela tinha subido na mesa. — Eu vou fazer algo aqui e veremos se você vai gostar. Vamos começar agora com berinjelas fritas como entrada e depois vamos para o prato principal.
E Rachel estava mais empolgada ainda. Ela subiu no balcão da minha cozinha e esperou que eu terminasse as berinjelas.
O tempo passou mais rápido do que eu imaginava. Fritei alguns cubos de berinjelas e coloquei ao seu lado para entretá-la enquanto fazia o jantar. Enquanto eu cozinhava, Rachel ficava me cutucando com o pé e me puxando para um beijo quente sempre que eu passava por ela. Foi bem interessante. Eu poderia facilmente me acostumar com isso.
No final, eu consegui fazer um macarrão oriental vegan pra gente. Rachel resmungava de fome e eu ria sabendo que ela não estava com fome, afinal, ela comeu toda a berinjela. Ela me fez não arrumar a mesa, então apenas fizemos nossos pratos e sentamos no chão na frente do sofá enquanto na televisão passava algum episódio de Unbreakable Kimmy Schmidt.
Rachel falava sobre a música que iria cantar em uma competição que Will fez pra escolher quem iria cantar o solo nas Regionais e enquanto ela falava, eu observava como ela enrolava o macarrão no garfo e enfiava na boca, mastigava rapidamente, empurrando a comida para o canto da boca pra continuar falando. Era extremamente fofo.
— Isso está maravilhoso. -Ela comentou quando enfiou mais um garfo do macarrão na boca. Sorri orgulhosa do meu próprio prato. — Aonde aprendeu isso?
— Minha mãe me ensinou, não o macarrão, mas a seguir receitas instintivamente. — Enfiei uma garfada na boca e quando engoli voltei a falar. — Ela ia me mandando receitas diárias por e-mail até que eu me acostumasse.
— E quando foi isso? — Rachel pareceu se divertir com o que eu falava, soltei uma risada.
— No mês passado. — Dei de ombros. — Aprendi rápido e depois disso Santana passou a julgar tudo que eu cozinho.
Rachel sorriu e colocou o prato vazio em cima da mesa de centro. Ela se aproximou de mim e apoiou o queixo no meu ombro. Eu sabia que ela estava me observando enquanto eu comia e, por algum motivo, isso não me incomodava, na verdade, fez com que eu me sentisse confortável.
— O que fez você e interessar por mitologia? — Rachel perguntou e eu virei a cabeça pra ver que ela estava com os olhos no meu livro que saía da bolsa.
Enrolei o resto do macarrão no garfo enquanto pensava como iria começar a explicar.
— No começo eu não dava nada pra mitologia. — Comecei e virei pra ver sua reação com essa afirmação. As sobrancelhas erguidas foram o suficiente pra me fazer continuar. — Quando eu... — Tinha a sua idade não é uma boa maneira de começar. — era mais nova — Bem melhor. — minha professora adorava pegar no meu pé sobre isso. Era o único assunto histórico que eu odiava estudar.
— Odiava? — Rachel soltou uma risada incrédula. — Sério?
Ri com ela e acenei.
— Sim, eu odiava toda a situação. Todos os detalhes chatos sobre os filhos e irmãos de Zeus, odiava que tinha que estudar as guerras e as interferências dos Deuses nelas. — Suspirando eu balancei a cabeça. — Não lembro bem o exato momento em que passei a gostar, mas... — Virei pra ver seu rosto, coloquei o prato na mesa de centro e escorreguei no chão pra apoiar os ombros no sofá e olhar melhor pra ela. Rachel colocou um braço atrás da minha cabeça no sofá e uma mão sobre meu estômago, instintivamente toquei seus dedos com minha mão. Foi confortável. Eu gostei. — Não sei exatamente a história, mas a profundidade da situação, o modo como as coisas acontecem ultimamente, jogando na mitologia, parece fazer mais sentido.
Rachel acenou lentamente, seus olhos estavam tão fixos no meu que eu sentia minhas bochechas corarem, mas não me impediu de olhar em seus olhos e ver o quão perdida eu estou.
— Então você encaixa situações reais na mitologia? — Rachel perguntou e eu acenei lentamente sorrindo já imaginando a pergunta que ela faria. — A nossa situação, aonde você vê na mitologia?
Sorri e respirei fundo. Eu tinha pensando nisso antes, ou seja, eu já sabia a resposta claramente com todos os detalhes, mas falar em voz alta sempre me deixava mais nervosa.
— Prometheu e Pandora. — Respondi e puxei sua mão pra que ela se aproximasse mais de mim. Rachel riu e beijou meu nariz antes de beijar meus lábios. Choraminguei quando ela se afastou e fiz beicinho que a fez rir.
— Eu não estudei isso ainda, então... — Ela deu de ombros mordendo os lábios e eu ri antes de puxá-la pra mais um beijo.
Um beijo lento e cheio de língua que fez meus dedos curvarem. O beijo perfeito e arrepiante.
— Você vai ter que estudar isso. — Murmurei em seus lábios e ela se afastou com um guincho.
— Isso não é justo!
— Querida, a vida não é justa, olha aonde estamos metidas. — Apontei pra mim e Rachel olhou pra nossas mãos entrelaçadas no meu estômago.
— Eu queria tanto facilitar tudo isso.
Ela estava séria e eu consegui senti a tensão em seu corpo.
— Não tem o que facilitar, Rach. — Balancei a cabeça e ela ergueu os olhos pra mim. O beicinho em seus lábio me fez sorrir. — Estamos nisso juntas. Vamos ter que nos virar de alguma maneira e, quem sabe, algum dia, isso fique mais fácil.
Rachel franziu as sobrancelhas e sorriu docemente.
— Vai ficar mais fácil. — Ela fala cheia de certeza e eu imito seu sorriso.
— Espero que sim.
— Vai ficar, eu sei disso.
— Espero que sim. — Repeti e soltei sua mão, levando-a até seu rosto e afastando o cabelo de seus olhos para olhar profundamente na imensidão dos lindos olhos castanhos. — Realmente espero que sim, estou perdida demais pra voltar atrás.
Rachel franziu o rosto e acenou lentamente. Ela me entendia. Isso que estávamos nos metendo era real. E ficava mais real com cada beijo e cada abraço. Até mesmo com olhares.
A mão dela, que ainda estava em meu estômago, apertou meu suéter quando levei minha mão até sua nuca, puxando-a para um beijo intenso e sem intenções de pará-lo. Ao menos não agora. Eu precisava beijá-la. Precisava esquecer que existia um mundo lá fora. Ao menos por agora.
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