Pandora
8 Capítulo VIII – Amor de Mãe
Notas iniciais
Capítulo VIII – Amor de Mãe
— Que merda hein. — Santana resmungou depois que eu resolvi falar do meu reencontro com Holly no início da semana. Passamos a semana inteira sem nos encontrar, então a chamei para o meu apartamento no sábado e aqui estávamos. — Logo quando você estava com a Berry.
Bufei revirando os olhos.
— Não mete ela nisso, Santana.
Santana jogou-se para trás no sofá.
— Como ela reagiu?
— Sei lá. — Passei uma mão pelos olhos. — Não me incomodo muio. Rachel já a conhecia antes porque ela tinha sido sua professora. Ela não iria entender que algo tinha acontecido antes.
— Ela não perguntou nada depois?
— Não tivemos, exatamente, uma oportunidade para conversar. O tempo que tinhamos para o almoço tivemos reunião para o Campeonato de História. — Dei de ombros e vi que ela me olhava com o rosto franzido. Merda.
— Então ela nem está namorando com você ainda e vocês já almoçam juntas? Awn, que fofo!- E ela ainda fez questão de enfatizar o 'ainda'.
— Vai pra merda, Santana.
— Ah, não vou mesmo. Mas pulando esse seu fetiche. — Ela salta para se arrumar no sofá e vira completamente pra mim. — O que mais a Holliday disse?
Ignorando completamente a parte que ela fala que eu tenho um fetiche, eu resolvo pular para a parte importante.
— O de sempre. — Suspirei e passei uma mão pelo cabelo, tentando não ficar nervosa. Santana sabia que eu não gostava de lembrar do que aconteceu entre Holly e eu. — Ela disse que eu não deveria ficar chateada por algo que aconteceu há cinco anos.
— Uma merda que não!
— E que eu deveria ter percebido que ela iria embora eventualmente.
— Ah, claro. — Santana revira os olhos. — Isso é ridículo. Ela é ridícula.
— E eu concordo com você.
— Vai ser péssimo encontrar com ela todos os dias no McKinley.
Suspirei pesadamente.
— Não vão ser todos os dias. Educação Sexual só acontece na quarta e na sexta. E são todas as aulas.
— Mesmo assim. A probabilidade de se encontrar com ela vai ser grande.
— Isso é verdade.
Ela balançou a cabeça e me lançou um olhar de pena. Revirei os olhos e apoiei o rosto na mão, olhando para a televisão que estava no mudo passando alguma série que Santana tinha colocado.
— Agora vamos falar daquela loira...
Revirei os olhos com tanta força que minha cabeça doeu.
— Ela é minha aluna, Santana.
E ela ainda soltou um som indignado.
— Não é minha aluna, Fabray. — Então deu um sorriso malicioso. — Ela é bastante flexivel, né? Aposto que é a capitã.
— Na verdade não.
— Tanto faz, ela é muito gata. Puta merda. Nos apresente, Fabray.
— Quantas vezes vou ter que dizer que ela é minha aluna?
Santana bufou e balançou a mão em descaso.
— Continua não sendo minha aluna. Não estou cometendo nenhum crime. Você, por outro lado...
Ela não termina a frase e eu esfrego o rosto nervosamente.
— Sabe que você não ajuda nem um pouco falando isso, né? — Ela ergue uma sobrancelha com a minha indagação. Revirei os olhos. — Você sabe como eu estou com toda essa situação com a Rachel, aí aparece a Holly, e mesmo assim, você continua zoando com a minha cara! Porra, Santana!
E eu levanto do sofá. Completamente irritada, saindo da sala e indo para a cozinha.
Sim, foi meio idiota me irritar com ela. Sempre era meio idiota me irritar com Santana. Santana era daquele jeito e ela realmente não mudaria por ninguém. E não era como se ela estivesse errada de qualquer maneira. Portanto, eu estava tão frustrada com toda essa situação, que escutar as verdades saindo da boca de alguém tão próximo como ela, era péssimo.
Peguei uma lata de refrigerante e subi no balcão, abrindo-o e tomando um gole. No meio do processo do gole, percebi pelo canto do olho que Santana entrava na cozinha. E ela não me deixou falar nada
— Você sabe que eu faço qualquer coisa por você, não é mesmo? — Ela pergunta com os braços cruzados. Estava séria. Raramente Santana ficava tão séria. — E você faz qualquer coisa por mim, e por esse motivo estamos morando aqui em Lima. Eu pedi, e você veio.
— Santana, eu não entendo o que...
— Você sabe mais sobre mim do que qualquer pessoa. Incluindo eu mesma. — Ela continua como se eu não tivesse falado. — E comigo é a mesma coisa sobre você.
— Ainda não...
— Eu não falei nada sobre você ter sentimentos por uma aluna, porque sei exatamente o que vai fazer. — Fiquei em silencio esperando que ela iria falar. Mesmo já sabendo. — Eu não vou falar nada sobre isso porque sei que você já está pensando nisso. Então só posso dizer que vou estar aqui por você.
— Santana...
— Nunca diga que eu não estou te ajudando porque você sabe que sempre vou mover montanhas para te ajudar a passar por isso.
E meu coração derrete com essa frase. Santana não sabe quando ela é fofa e carinhosa, então eu não posso incomodá-la com isso, por que ela iria parar. E eu gosto quando ela é fofa e carinhosa sem perceber.
— Eu sei que sim. E eu te amo por isso, você sabe. — Falei rápido para que ela não me interrompesse. E ela não fez, apenas se encostou na pia de braços cruzados. — O que eu estou sentindo é errado, sei disso mais do que ninguém, e isso está me deixando louca. — Confesso e Santana acena lentamente.
— Você sempre foi louca.
Revirei os olhos com isso. Santana voltou ao normal.
— Claro. — Pulei do balcão e voltei para a sala com ela me seguindo.
— Podemos falar da loira agora?
— Santana, por favor.
— Porque não? Você deveria ao menos descobrir se ela curte mulheres, o resto eu mesmo dava conta.
E eu revirei os olhos mais uma vez
—_
Will me encarava temeroso e eu apenas continuava tomando o meu cappuccino lenta e traquilamente. Ignorando completamente a outra pessoa sentada ao lado dele. Caso não tenham entendido, Holly Holliday estava sentada ao lado, o corpo apoiado na parte de trás da cadeira, as pernas cruzadas e um livro apoiado na mesa e na perna. Ela tinha a atenção completa no livro.
Porque ela estava sentada na mesma mesa que eu? Bem, sua desculpa era que todas as outras cadeiras estavam ocupadas. E realmente estavam. Mas algo me dizia que ela estava apenas esperando as outras duas mesas ficarem cheias para sentar aqui.
Já Will estava nervoso com isso.
Ele tinha medo da Holly. Porquê? Bem, ela fazia bastante questão de mexer com ele no passado. Exatamente como Sue fazia. E ela também cantava. Magnificamente. E ela roubou o papel dele em um musical que o clube do coral estava organizando. Sim, ela ficou com o papel masculino sem nem ao menos estudar no McKinley.
Não me pergunte nada, eu sei que é estranho.
O sinal tocou e eu juntei minhas coisas e bati no ombro de Will antes de sair da sala dos professores. Os alunos corriam para suas salas, passando por mim e tentando não trombar. Mas isso não deu muito certo com Finn Hudson.
Desculpa, Professora! — Ele guinchou e me ajudou a juntar as folhas dos trabalhos dos alunos do segundo ano. — Desculpa mesmo, eu não vi a senhora e...
— Não precisa ficar se desculpando, Finn. — Levantei e peguei os papeis da mão dele. Hudson era realente alto. — Você deveria estar voltando para sua sala. — Apontei na direção do corredor e ele acenou rapidamente.
— Sim, sim. Desculpa mesmo. — Ele ainda fala antes de sair correndo para a sala.
Balanço a cabeça e continuo andando na direção da minha sala.
— Ah, alunos... — Escutei e fechei os olhos com força, não parando de andar. — Sempre atrasados.
— O que você quer? — Joguei por cima do ombro e Holly soltou uma risada.
— Nada não.
E continuamos andando. Virei a esquina no corredor e ela continuou comigo. Respirei fundo e parei na minha porta, virando para ver se ela iria entrar comigo, mas ela se dirigia para a sala na frente da minha.
Cerrei os olhos e observei Holly virar com um sorriso para mim.
— Coincidência, não?
— Muita. — Resmunguei e abri a porta da sala, suspirando aliviada por não estar mais no mesmo ambiente que Holly Holliday. — Bom dia.
— Bom dia, professora. — Os alunos responderam e eu andei até a mesa, colocando as minhas coisas nela e me voltando pra eles.
— Fizeram o trabalho que passei? — Pergunto e alguns gaguejam para responder.
E foi assim durante a aula. As pessoas que fizeram o trabalho me apresentaram e eu lhes entreguei a tarefa passada corrigida, vendo a satisfação de alguns e o desgosto de outros. Logo em seguida fiz uma introdução sobre Mitologia Egípcia.
Eu não gostava tanto de dar aula para o segundo ano. Eles não são tão animados quanto o primeiro, e nem tão interessados quanto o terceiro. Eles são mórbidos como o quarto ano. Não era interessante.
A aula acabou e eu observei os alunos saírem enquanto me sentava e pegava os resumos sobre Mitologia Egípcia que mandei que fizessem com o auxílio do livro. Eles me entregavam e saíam da sala conversando animadamente. Suspirei ao ver alguns erros básicos, mas eram raros. Acencei e guardei na pasta do segundo ano.
Escutei uma batida na porta e ergui a cabeça para ver quem era, rezando para que não fosse Holly.
Suspirei aliviada ao ver o olhar timido e sem jeito de Rachel.
— Atrapalho? — Ela pergunta e eu nego sinalizando pra ela entrar e sentar. — Imaginei que estivesse ocupada com...
E ela não termina a frase. Franzo o rosto.
— Com o quê?
Ela se senta e não me olha no rosto.
— Com a professora Holliday. — Ela responde dando de ombros e finalmente me olha. Não consigo identificar o olhar no seu rosto, portanto deixo que um sorriso apareça em meus lábios.
— Holly e eu não temos assunto. — Admito e percebo que a expressão de Rachel relaxa. — Tivemos um passado, mas nada que possa interferir no meu presente.
Era uma mentira. Mas o que poderia fazer? Eu ainda não entendia o que Holly queria comigo depois de cinco anos e com tudo isso que Rachel me faz sentir... bem, eu não entendo exatamente aonde minha cabeça está agora.
— O que vocês tiveram no passado?- Rachel perguntou e antes mesmo que eu pudesse responder, ela completou: — Não precisa responder se não quiser! Eu entendo.
Ela tinha os olhos arregalados, como se tivesse temendo que me ofendeu com a pergunta. Sorri e balancei os ombors.
— Não precisa se preocupar. Holly e eu... bem, nós nos conhecemos quando eu estudava aqui.
Rachel franziu o rosto.
— Mas ela...
— Ela era universitária, na época. — Esclareci. Holly era claramente mais velha do que eu. — Ela fazia estágios aqui no McKinley.
— Vocês eram amigas?
Eu não deveria, mas soltei uma risada com isso. Rachel corou suavemente, mas não tirou os olhos de mim.
— Um pouco mais do que isso. — Dei de ombros e Rachel corou mais um pouco.
— Entendi. — Ela diz e seu tom dizia para que eu não desse mais detalhes. Como se fosse o suficiente. Franzi o rosto e acenei.
— Terminamos mal. — Explico rapidamente e ela acena lentamente. — E agora estamos no mesmo lugar mais uma vez. Não é muito fácil, mas não temos nada uma com a outra.
E Rachel acenou mais uma vez.
— Entendo. É complicado.
— Sim, é. — Recostei na cadeira e sorri para ela, que corou ao ver o meu olhar. — É hora do almoço.
Rachel acenou e pegou a bolsa ao seu lado.
— Trouxe o de sempre. — E ela colocou um depósito na minha frente. Era um depósito branco com a tampa rosa e florida. — Metade pra mim e metade pra você?
Dei de ombros e ela abriu o depósito, retirando metade de um sanduiche e me entregando.
— Você que fez? — Pergunto antes de dar a primeira mordida. Gemendo baixinho.
Rachel corou e acenou.
— Fiz hoje de manhã. — Ela responde e morde também, sorrindo quando viu que eu já tinha terminado a minha metade.
— É melhor do que o que seu pai faz. — Brinquei e ela riu, terminando a sua metade. Soltei um suspiro feliz. — Você deve ser a única pessoa que me convence de realmente almoçar na hora certa.
Rachel inclinou-se para frente, apoiando-se na minha mesa.
— E aquela sua amiga que é médica?
— Santana? Nah, ela tenta, mas eu sempre acabo burlando as regras que ela impõe.
— Então você passa fome. — Ela supõe e eu bufo uma risada.
— Não, eu sempre como alguma coisa quando saio daqui do McKinley. — Dou de ombros. — Gosto de passar no Lima Bean antes de voltar pra casa.
— Então quer dizer que na sua casa não tem comida.
Franzi o rosto para o que ela disse.
— Não foi isso que eu disse.
Rachel comprimiu os lábios e ergueu as sobrancelhas.
— Mas é basicamente isso. Você não compra comida para casa, apenas compra comida fora.- Ela da de ombros. — Era o que meu pai fazia antes de casar com o meu papai.
Desviei o olhar com culpa. Puta merda, eu faço algo que o pai de Rachel fazia. Ela está me comparando com o seu pai. Isso não faz com que seja melhor o modo como me sinto em relação a ela.
— É. — Murmurei e soltei uma risada meio nervosa. — Claro.
Rachel franziu o rosto.
— Você não ficou ofendida, certo? Porque...
— Não se preocupe. Não me ofendeu. — Garanti e sorri para ela, tocando sua mão suavemente.
E foi uma merda. Eu não devia ter feito isso. Uma corrente elétrica correu da ponta dos meus dedos, pelo meu braço até o meu peito. E fez com que eu ofegasse e encontrasse os olhos de Rachel, vendo que a respiração dela tinha engatado. Exatamente como a minha.
— Desculpa. — Pedi tirando a minha mão da dela, engolindo em seco ao ver um brilho de decepção em seus olhos. — Eu não queria...
— Tudo bem. — Percebo que ela força um sorriso. — Acho melhor eu ir.
Não consegui esconder a decepção ao escutar isso.
— Mas ainda...
— Tenho que pegar algumas coisas no meu armário antes de voltar para a sala de aula. — Ela explica rapidamente e solta uma risada sem humor. Levanta da cadeira e finalmente olha pra mim. — Te vejo na ultima aula.
Acenei e vi ela saindo pela porta.
—_
— Que estranho ver você aqui. Você sabia que estamos no Outono e está chovendo? — Minha mãe perguntou quando abriu a porta e me encontrou com as mãos nos bolsos e as bochechas coradas. Como eu sei que estou com as bochechas coradas? Bem, eu estou com frio e tenho certeza de que estão vermelhas. Minha mãe me puxou pela camisa para dentro de casa e me abraçou apertado. — Deus! Você está congelando!
— Eu sinto meu corpo congelando, mãe. — Murmurei contra seu ombro, sentindo seus braços me apertarem mais contra si. Fechei os olhos e suspirei. — Aqui em casa é tão quente.
— Claro que é. — Minha mãe me soltou e eu quase gemi a contra gosto. Não existe algo melhor do que abraço de mãe. — Vem, vamos ver alguma coisa pra você comer e você vai me falar o que faz aqui.
E ela foi me levando para dentro de casa, passando pela sala e entrando na cozinha. O cheiro de café invadiu minhas narinas, fazendo-me suspirar. Era o cheiro clássico da casa dos meus pais. Apesar de não gostar de café, esse cheiro me acolhia mãe do que qualquer outro.
— Aonde está o papai? — Perguntei ao ver que ela não estava na sala e nem na cozinha.
Minha mãe virou-se para mim e colocou um caneca na minha frente.
— Está trabalhando, deve chegar daqui a pouco. — Ela responde e aponta para a xícara. — Prove.
Olhei para a xícara e sentei no banco, apoiando os cotovelos no balcão.
— O que é isso? — Perguntei vendo o líquido amarronzado e me inclinando para sentir o cheiro. — Cappuccino?
— Sim. — Ela acena e coloca café na própria xícara antes de se apoiar no balcão com um sorriso. — Cappuccino caseiro.
— Caseiro? — Ergui ambas as sobrancelhas e ela acenou com um olhar animado. Inclinei para cheirar mais uma vez o cappuccino. — Isso é bom, mãe?
Ela deu de ombros.
— Seu pai gostou.
— Papai gosta de qualquer coisa que você faz, mãe. Ele te ama e nunca vai admitir que aquele doce de goiaba que você fez sete anos atrás não era bom.
Minha mãe guinchou e se inclinou para bater em meu ombro. Me encolhi para me defender, mas ela bateu mais uma vez.
— Aquele doce foi uma experiência! E mesmo assim, seu pai comeu tudo.
— Claro que ele comeu, mãe. Ele te ama. Ele não tem medo de morrer por algo que você faz. E você também não viu os olhos dele se enchendo de lágrimas a cada colherada do doce.
Minha mãe revirou os olhos.
— Apenas engole logo isso. — Ela tomou um gole do café emburrada.
Soltei uma risada bufada e tomei um gole do cappuccino caseiro que minha mãe fez. Ao tocar na minha língua eu gemido com o gosto. Era bom. Muito bom. Era cremoso e tinha um gosto muito melhor do que o que eu tomava no Lima Bean.
— Meu Deus, mãe. — Murmurei tomando mais um gole e escutando a risada maldosa dela na minha frente.
— Eu sabia que iria gostar. — Ela toma mais um gole do seu café e aponta para cinco vidros de doces que estavam cheios de cappuccino em pó. — Pode levar dois. Já entreguei alguns para sua irmã e ela vem aqui no final de semana para pegar mais.
— Você deveria vender isso. — Comentei tomando mais um gole, um longo e gemi mais uma vez. — Isso é bom demais!
— Já vendem isso, Quinn. — Ela fala e se inclina no balcão, dando-me aquele olhar materno. O mesmo olhar que ela me dava quando eu fazia alguma descoberta que não era novidade. Ou seja, ela estava me chamando de idiota, mas não quer que eu me sinta uma idiota. — Vendem nos supermercados. Me surpreende você não saber disso. Já que ama tanto cappuccino.
Dei de ombros e tomei mais um gole do cappuccino.
— Gosto de comprar pronto. É bem mais rápido. — E vou tentar tomar mais um gole, mas ele já tinha acabado. Não percebi que tinha um beicinho até que minha mãe riu e tomou a xícara da minha mão e virou de costas para preparar mais. — Eu te amo, mãe.
Ela solta uma risada e me olhar por cima do ombro.
— Claro que ama. Não te aguentei por nove meses pra você me odiar. — E ela volta com a caneca, sorrindo e colocando-a na minha frente. — Esse é o ultimo que vou fazer. O resto você leva pra casa e faz.
Acenei e tomei um longo gole. Engasgando com o quão quente ele estava.
— Merda!
— Olha a boca, menina! — Ela bate no meu ombro e eu me encolho com a caneca na mão. — Agora me fala logo o que veio fazer aqui.
Suspirei sentindo minha língua ainda queimando e pensei em como deveria falar pra minha mãe que não tenho comida em casa e queria que ela me ajudasse nisso.
Fale com o autor