Notas iniciais
*Muito obrigada pelos reviews que venho recebendo.
*Espero que gostem do capítulo.

Brittany e Santana caminhavam pela orla, praticamente sozinhas. A cabeça da latina estava a mil, ali, sozinha com seu alvo, sem nenhuma testemunha além de um cachorro.

“Esse lugar é maravilhoso, você não acha?” Brittany comentou, então Santana voltou sua atenção para ela.

“Parece até uma visão do paraíso.” Santana respondeu, mas seus olhos não estavam fixos na bela paisagem ao seu redor, e sim no incrível corpo da garota que lhe acompanhava. Aquelas pernas tão bem torneadas, e até aquele rosto tão bem desenhado, e aqueles olhos azuis tão belos como a imensidão daquele mar.

Então a latina se lembrou que há muito tempo ela não tinha nenhuma mulher. Enquanto era policial, ela teve seu tempo áureo, várias prostitutas, algumas namoradinhas de curta duração, e até mesmo algumas garotas que infligiam pequenas leis e faziam qualquer coisa para não ir para a cadeia, e naquele momento, Brittany lhe pareceu uma ótima opção para esse tipo de coisa, além do mais, ela gostaria muito de saber o que aquela garota tinha de tão especial que fez uma pessoa sangue frio como Quinn Fabray ficar de quatro por ela daquela maneira.

“Então, você pretende ficar bastante tempo por aqui?” A loira perguntou, trazendo a outra mais uma vez de volta a tona.

“Umas duas semanas.” Ela respondeu e sorriu maliciosamente. “Mas com essa companhia maravilhoso eu posso até mudar de planos e aumentar a minha estadia.” Brittany engoliu seco, e sentiu as bochechas arderem, provavelmente estavam avermelhadas também, tensa, pois aquela mulher mulher estava lhe passando uma cantada.

“É...” A loira tentou falar, mas estava sem nenhum domínio das palavras, o que fez Santana enxergar sua fragilidade e tentar tirar algum proveito disso.

“Você parece um pouco desconfortável, algum problema comigo?” A latina perguntou, aproximando-se bruscamente da outra. “Eu te deixo nervosa?” A pergunta foi praticamente num sussurro devido a curta distância entre seus lábios e o ouvido da outra, o que causou arrepios na nuca da loira.

“Pare com isso.” Brittany respondeu com tanta pressa de se afastar da ex-policial que a jovem acabou tropeçando nas próprias pernas o que causou uma queda, e por conseqüência risos da outra. “Qual o seu problema?” Ela perguntou em um tom agressivo, fazendo o riso debochado desaparecer do rosto da outra. Estava furiosa. “Quem você acha que eu sou?”

“Ah, esqueça isso...” Foi a resposta da morena, mas o que ela realmente tinha em mente eram outras. Ela queria mesmo dizer que sabia bem o tipinho de escória a que ela pertencia, que sabia muito bem que ela era a cadela de Quinn Fabray, uma vagabunda de quinta categoria e que deveria se sentir honrada por ela, Santana, querer transar com alguém tão baixo e sem importância. “Me desculpe...” Após as falsas desculpas, a latina virou as costas e seguiu de volta para a pousada.

Ter aquela garota para ela agora não era só uma questão de prazer, mas sim de honra. Nenhuma mulher, principalmente uma vadia como aquela que gostava de brincar com o perigo, lhe negava qualquer coisa.

I'm a cold heartbreaker, fit at burn

(Eu sou um frio despedaçador de corações, ajustado para queimar)

And I'll rip your heart in two

(E vou partir seu coração ao meio)

And I'll leave you lying on the bed

(E vou te deixar deitada na cama)

I'll be out the door before you wake

(Estarei fora antes de você acordar)

It's nothing new to you

(Não é novidade para você)

'Cause I think we've seen that movie too

(Pois acho que já vimos este filme também)

'Cause you could be mine

(Porque você podia ser minha)

But you're way out of line

(Mas você está um tanto fora da linha)

With your bitch slap rapping

(Com sua conversa fiada de cadela)

And your cocaine tongue

(E sua língua viciante)

You get nothing done

(Você não termina nada)

I said you could be mine

(Eu disse que você podia ser minha)

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Brittany retornou para a pousada muito desanimada e decepcionada também. Ela sentia que não podia confiar em ninguém mesmo. As pessoas eram realmente sujas.

“Que olhar é esse Britt?” Sam perguntou assim que viu a prima sentada em uma mesa sozinha e cabisbaixa. Santana estava há uma certa distância, enquanto tomava uma dose de tequila, observando a loira com certo cuidado. “Aconteceu alguma coisa?”

“Não, eu... Eu só estou pensando um pouco na vida.” Mentiu afinal o primo estava sendo tão bom, que não merecia aborrecimentos com esses problemas particulares dela.

“Tem certeza Britt? Você sabe que pode contar comigo para qualquer coisa.” O rapaz fez questão de lembrá-la e segurou em sua mão.

“Está tudo bem mesmo, não se preocupe.” Ela assegurou e sorriu para ele, e lançou um olhar rápido para a latina, o que acabou cruzando com a da latina, e apesar de tudo, lhe causara arrepios e deixara pensativa.

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FLASHBACK 20 ANOS ATRÁS

Uma Santana ainda criança estava sentada na frente de uma casa enquanto admirava duas meninas brincando com suas bonecas. A garota não passava dos sete anos, e tinha os cabelos bem longos com a franja nos olhos, e era conhecida por ser diferente das outras meninas, que amavam suas bonecas, enquanto ela, brincava com arminhas de brinquedo, carrinhos e jogar bola com os meninos, que muitas vezes não a aceitavam, e ela se tornava o alvo das piadas e brincadeiras de mau gosto.

Por sorte seu pai, Alejandro Lopez, era um homem que as pessoas respeitavam no bairro, e por isso ela era poupada de maiores problemas.

Ela o adorava, era seu modelo, seu herói, e ela queria ser como ele, literalmente. Ele não se importava com o fato de ela não gostar de bonecas ou outras coisas consideradas para meninas, na verdade ele adorava o fato de sua filha gostar de jogar baseball com ele durante algumas de suas tardes livres.

“Ei niña.” Santana olhou animada, e viu seu pai parado com uma caixa de rosquinhas de chocolate. “Hora de ir para casa.” A pequena Santana correu ao seu encontro.

“Papito.” Ela exclamou, então o homem abaixou para abraçá-la.

“Olha só, papai trouxe rosquinhas para você.” A garota pegou a caixa e abriu. Rosquinhas de chocolate eram as suas preferidas. “Já está tarde, a madrecita deve estar nos esperando.” A menina apenas sorriu e seguiu o caminho de casa, sem se preocupar em se despedir de suas primas e sua agressiva avó, ou abuela, como ela costumava chamar.

Os dois foram conversando pelo caminho até a sua casa, que ficava apenas há poucas ruas da casa de Alma Lopez, no bairro pobre de Lima Heights, predominantemente habitados por negros e latinos.

Quando viraram a esquina da rua de sua casa, o homem viu um carro de polícia distante, então ele mordeu o lábio e olhou preocupado.

“Santana, olha aqui para o papito, e escuta o que eu vou te dizer.” A menina olhou para o pai, com um olhar confuso.” Se esconda atrás daquele muro, rápido, e não saia de lá por nada, tudo bem?” Ela apenas concordou com a cabeça, então o homem lhe deu um beijo na testa. “Vai hija, vai rápido!” Ele estava aflito.

Sem escolha a menina correu e se escondeu atrás de um muro mal construído, onde podia observar através de um buraco no tijolo. Era visível o nervoso de Alejandro, mas a pequena menina não entendia direito o que estava acontecendo, até o carro da polícia parar ao lado de seu pai. De dentro dele saíram dois homens, e eles começaram a conversar , ou melhor, discutir.

A menina estava com medo, mas não iria por nada no mundo desobedecer as palavras de seu pai. A discussão começou a ficar mais intensa, e a menina começou a chorar baixinho. Só queria que aqueles homens fossem embora e ela pudesse ir voltar para casa com o seu pai, mas não foi isso o que aconteceu.

Um dos policiais tirou sua pistola e acertou seu pai com quatro tiros, a queima roupa. A pequena Santana começou a chorar mais alto, mas levou as mãos à boca, seu pai não iria querer que aqueles homens soubessem que ela estava ali.

Após os dois policiais entrarem na viatura e saíram em alta velocidade a pequena Santana saiu de onde estava e foi correndo até o pai, caído no chão e coberto de sangue.

“Papito, papito, por favor.” Ela falava entre lágrimas, ao ajoelhar-se e segurar firme na camisa de seu pai. “Papito, fala comigo, por favor.” Ela o chacoalhava, na esperança de acordá-lo, mas era em vão. Ele não movia um músculo.

“Santana, saia daí.” A menina sentiu alguém lhe puxando, era um vizinho que veio ver o que estava acontecendo, e viu a pequena menina chorando sobre o corpo ensangüentado de seu pai, o maior traficante de drogas e armas do bairro.

Santana hesitou em largar seu pai, mas o vizinho conseguiu afastá-la do corpo, quando a chuva começou a cair. A esposa do homem veio logo em seguida acolher a menina, que a abraçou forte. Não queria ficar sozinha.

Unhappy girl,

(Menina triste)

Left all alone

(Deixada totalmente só)

Playing solitaire

(Jogando paciência)

Playing warden to your soul

(Enclausurando sua própria alma)

You are locked in a prison

(Você está trancada numa prisão)

Of your own devise.

(Que você mesma criou.)

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Santana abriu os olhos lacrimejantes, e rolou na cama. Odiava esse maldito pesadelo, sempre que essas memórias apareciam em seus sonhos ela acordava chorando, tremendo e com o coração disparado.

Sentou-se na cama e viu que ainda eram três da madrugada. As lágrimas não paravam de rolar por seu rosto, e ela não conseguia controlá-las e para piorar seu copo de água estava vazio. Ela ficou ali por mais alguns minutos até que o seu choro cessasse ou pelo menos diminuísse, mas isso não aconteceu, então ela decidiu sair do quarto mesmo assim, afinal, aquela hora da manhã não haveria ninguém acordado.

Ela desceu até a cozinha e acendeu a luz, tomou dois copos de água na esperança de se acalmar.

Unhappy girl,

(Menina triste)

Tear your web away

(Rasgue essa sua rede)

Saw thru all your bars

(Arrebente todas as suas grades)

Melt your cell today

(Derreta sua cela hoje mesmo)

You are caught

(Você foi condenada)

in a prison

(a uma prisão)

of your own devise

(Que você mesma criou.)

Sentou-se próxima a janela e ficou ali, em silêncio, apenas ouvindo o som das ondas do mar e sentindo suas lágrimas escorrendo quase inaudivelmente por seu rosto.

“Está tudo bem?” A latina olhou para trás assustada, e lá estava Brittany, parada, com uma expressão preocupada no rosto. “Aconteceu alguma coisa?” Santana suspirou e voltou a olhar para frente. Não queria falar com aquela garota.

“Está tudo bem, eu só tive um... Deixa para lá.” Ela suspirou, e Brittany apesar de estar extremamente chateada com o comportamento da outra naquela tarde, mas ela detestava ver alguém sofrendo. E ela tinha certeza que aquela menina estava sofrendo naquele momento.

“ Eu posso fazer alguma coisa por você?” Santana revirou os olhos.

“Eu quero ficar sozinha.” Ela respondeu muito séria. “Me deixa sozinha?”

“Claro, mas se você quiser conversar...” Brittany começou, então Santana virou para ela e a encarou.

“Você acha que pode me ajudar em quê?” Santana perguntou em tom agressivo. “Você nem gosta de mim garota, você... “ Mas alguma coisa no olhar assustado da outra a fez parar, sem alguma explicação aparente, ela simplesmente não conseguiu prosseguir com aquilo. “Desculpa...” Essas desculpas foram sinceras. “Eu só não consegui me recuperar da morte do meu pai, é isso.” Ela explicou e levou as mãos ao rosto, cobrindo as lágrimas.

Brittany sentiu pena da outra, e não podia ser diferente, ela sabia muito bem o que era essa dor, e era extremamente terrível, e poucas palavras eram capazes de consolar uma pessoa que passava por isso, mas um gesto valia mais que tudo isso, então ela tomou uma iniciativa sem pensar duas vezes.

Ela abraçou Santana, que foi pega totalmente de surpresa, e ficou sem reação por alguns segundos, mas em seguida ela deixou seus braços envolverem o corpo da outra, e deixou seus sentimentos extravasarem ali mesmo.

Unhappy girl,

(Menina triste)

Fly fast away

(Voe rápido para longe)

Don't miss your chance

(Não perca a sua chance)

To swim in mystery

(De nadar no mistério)

You are dying

(Você está morrendo)

in a prison

(numa prisão)

Of your own devise.

(Que você mesma criou.)

Brittany não dizia nada, apenas deixou a outra garota chorar em seu ombro, até que tivesse liberado todo aquele sentimento de dentro dela.

Quando se afastaram Santana até abriu um pequeno sorriso, que a loira retribuiu.

“Obrigada, eu... É... Enfim, muito obrigada.” Ela não sabia muito o que fazer, não era de sua natureza ser uma pessoa amável ou agradável, mas ela não podia deixar de agradecer a outra por aquele gesto que a maioria das pessoas não teria em relação à ela.

“Não precisa agradecer, eu sei exatamente como é essa dor, e às vezes a única coisa que eu precisava era de alguém para me abraçar, então eu imaginei que você precisasse disso também.” Brittany explicou com uma voz amigável, mas ao mesmo tempo triste, segurando as próprias lágrimas. “Às vezes dá vontade de sair por aí quebrando tudo, xingando, gritando, querendo passar para os outros o que está nos matando por dentro, querendo se livrar da dor a qualquer custo, mas é inútil.” Era exatamente como a latina se sentia. “E é pior quando você percebe quando está sozinho, que ninguém está pouco se fodendo para você, você é só mais um número nas estatísticas, mais uma menininha que tem que se virar sozinha num mundo onde ninguém se importa com ninguém.” Parecia besteira, mas estar se abrindo daquele jeito com aquela que era praticamente uma estranha estava lhe ajudando a superar seus traumas de alguma forma que ela não saberia explicar.

Foi nesse momento Santana percebeu que o que fizera Quinn Fabray não fosse somente seu belo corpo, ou seu rosto tão bem desenhado, mas sim algo que ela tinha por dentro, uma bondade diferente da maioria das pessoas, e conhecia muito bem a dor, e provavelmente Quinn era tão sozinha quanto ela, por isso se apegara tão forte àquela menina atenciosa, talvez assim como Santana ela precisasse de alguém para cuidar dela, e daí nascera o amor.

Notas finais
*Músicas: You could be mine(Guns ´N´Roses)
Unhappy girl (The Doors)
*Opinião: Gostaria de ouvir de vocês a opinião as três protagonistas da fic, Brittany, Santana e Quinn, e também algumas sugestões para o futuro delas.
*Obrigada por lerem a fic.