Notas iniciais
*Espero que gostem do capítulo.

Santana entrou em seu quarto no exato momento em que seu celular tocou. A latina logo pensou que fosse sua mãe, afinal fazia dias que ela não ligava, mas ao ver o número seu coração gelou. Era Quinn Fabray.

Ela suspirou e atendeu o telefone após o terceiro toque.

“Fala.”

“Então Lopez, quero informações, você andou muito calado por esses dias e eu não estou gostando disso.” Quinn falou com uma voz calma do outro lado. “Vamos Lopez, me diga o que está acontecendo? Você já teve algum contato com a vadia?” Santana permaneceu em silêncio por alguns segundos. Pela primeira vez o jeito que Quinn se referiu à Brittany lhe incolodou. “Vamos Lopez, estou esperando pela resposta!” Agora o tom de Quinn foi mais agressivo e impaciente.

“Sim, eu tive, não se preocupe, logo ela estará em suas mãos.” Santana tentou manter a voz o mais firme possível.

“Quero algo concreto, Lopez, não me enrole, qual foi o seu contato com ela?” Santana revirou os olhos.

“Nós conversamos um pouco, só isso por enquanto.” A latina respondeu com certa impaciência. “Quando eu tiver algo mais concreto eu te informo, não se preocupe.”

“Acho bom, porque se você estiver me enrolando você vai se foder junto com aquela vagabunda, você me entendeu?” Nesse momento alguém bateu na porta do quarto da latina, fazendo seu coração disparar.

“Eu tenho que desligar agora.” Ela respondeu meio nervosa, e sem deixar tempo para uma resposta da traficante ela o desligou e suspirou fundo, e atendeu a porta após a segunda batida. Era Brittany com um sorriso encantador de tão inocente.

“Oi Sophie.” Ela disse, Santana sorriu em resposta. “Eu posso entrar por um minuto?”

“Claro.” A loira entrou no quarto, e em seguida olhou fixamente para a ex-policial e suas bochechas se tornaram um pouquinho mais púrpuras que o normal.

“Bom, eu não sei se você ouvir que o meu primo vai dar um showzinho essa noite, vai ser tipo um bailezinho como aquele do colégio...”

“É eu sei.” Santana respondeu. Ela odiava essas coisas. Na escola ela nunca foi, e em certa ocasião quebrou o nariz que ficou insistindo por sua companhia, o que lhe resultara em uma semana na detenção além de castigo em casa.

“Então, é...” A loira começou a tropeçar nas própria palavras e a passar a mão pelas suas madeixas douradas nervosamente. “Bom, eu pensei que , que talvez você quisesse ir comigo.” Santana engoliu seco e abriu os olhos em surpresa. Era algo completamente inesperado. “Sabe, não é como um encontro ou algo assim, afinal, você é a única pessoa além do meu primo com quem eu consigo conversar, então não se assuste com isso...” Brittany começou a se explicar apressadamente, achando que fizera uma grande merda.

“Tudo bem.” Santana concordou rapidamente, fazendo a outra se calar instantaneamente. “Eu adoraria ir com você.”

“Certo, então eu passo aqui as oito?” Ela deu um risinho nervoso, Santana assentiu com a cabeça.

“Mas eu já vou logo avisando que não vou usar nenhum vestido porque odeio essas coisas... Em mim, é claro.” Ela deixou bem claro e sorriu.

“Não esquenta com isso não, não é nada formal.” A loira disse caminhando até a porta. “Nos vemos mais tarde, então?”

“Sim, até mais.” Ela respondeu e quando a stripper deixou o seu quarto ela sentiu uma sensação horrível. Como ela poderia entregar essa menina tão doce nas mãos de um ser tão cruel como Quinn Fabray? Ela não era o tipo de pessoa que tinha ataques de consciência nem nada, porque isso atrasava a vida das pessoas, mas ela não tinha certeza se iria ter uma noite de sono tranqüila após entregar Brittany para um destino terrível nas mãos de sua sádica ex.

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Quinn podia sentir que alguma coisa errada estava acontecendo ou para acontecer. O tom da voz de Santana já não era o mesmo, ela não parecia mais tão convicta como antes.

Seja lá o que for ela não deixaria acontecer por muito tempo, Santana não teria mais muito tempo, ela teria algo concreto o mais rápido possível ou as coisas não ficariam boas para ela.

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Santana vestiu uma calça jeans e uma jaqueta, deixou seus longo cabelos negros e se maquiou um pouco e ficou esperando por Brittany por um longo tempo em seu quarto, com uma inquietação enorme que chegava a incomodar.

Ela não conseguia tirar Brittany de seus pensamentos, e até mesmo Quinn estava lhe assombrando. Ela não estava de brincadeira e coisas ruins poderiam estar vindo em seu caminho caso ela fizesse alguma coisa errada. Seus pensamentos estavam a mil por hora, mas foram interrompidos por batidas na porta. Provavelmente Brittany.

Quando ela abriu a porta teve uma surpresa inesperada, e que a deixou sem fôlego por alguns instantes. Brittany estava ali, na sua frente, com um belo vestido vermelho, os cabelos com uma tiara e uma rosa amarela nas mãos, além daquele sorriso incrivelmente lindo.

“Buenas noches.” Brittany disse a abriu um sorrisinho tímido. Santana ficou sem reação. “Tentando aprimorar meu espanhol.”

“É... Legal.” Se sentia quanto uma adolescente babaca na frente do garoto mais popular da escola, tentando evitar contato com a loira.

“Bom, isso é para você.” Ela entregou a rosa para Santana. “A cor amarela representa a amizade.” Ela explicou então Santana sorriu para ela.

“Obrigada.” Ela agradeceu timidamente, tocada por aquele gesto. Ninguém além de seus pais, e Mike, seu único amigo nos tempos de policial se importaram com ela antes.

“É só um agradecimento pelas tulipas do outro dia.” Brittany respondeu. “Você está linda, gostei da jaqueta.” A morena foi pega de surpresa.

“Você também está.” Ela sorriu para a loira. Naquele momento estava estranhamente sem palavras. “Eu não imaginei que você se vestir assim de forma tão... Tão elegante.” Brittany sacudiu a cabeça. “Você quer descer?”

“Ah sim, vamos.”

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Sam teve uma surpresa ao ver a prima chegar acompanhada daquela hóspede, mas sorriu para eles do mesmo jeito e foi ao seu encontro.

“Boa noite meninas.” Eles a cumprimentou. “Você está linda Britt, e você também Sophie.” As duas sorriram para ele.

“Obrigada Sam.” A loira agradeceu ao primo, e em seguida se afastou acompanhada da morena, que estava com as mãos no bolso e a maior parte do tempo cabisbaixa, se perguntando que diabos ela estava fazendo ali. Não podia perder o foco assim, isso iria se tornar um problema grande e ela acabaria se ferrando também. “Algum problema?”

“Não, eu só não... Não estou acostumada com esse tipo de coisa.” Ela mentiu crispando os lábios.

“Se você não estiver se sentindo bem pode voltar para o seu quarto, eu não vou me importar.” Brittany lhe disse, mas Santana sacudiu a cabeça.

“Tudo bem, eu estou bem.” A morena lhe garantiu. Por mais que quisesse se afastar da stripper, algo dentro dela estava lhe impedindo, e isso a apavorava. “Acho que vou pegar algo para beber, você quer também?” Brittany assentiu com a cabeça.

“Eu vou procurar um lugar para a gente sentar.” Ela disse, então Santana se afastou e foi até o bar onde comprou duas garrafinhas de cerveja e em seguida sentou-se na mesa que Brittany encontrara, em um canto um pouco mais isolada das outras. “Obrigada.”

“De nada.” Ela respondeu e em seguida tomou um longo gole da bebida.

“Eu posso te fazer uma pergunta?” Santana apenas assentiu com a cabeça.

“Você... Você, enfim, você gosta de mulheres?” A morena abriu um sorriso irônico.

“Acho que você sabe a resposta.” Brittany abaixou os olhos, lembrando-se do incidente na praia, e Santana soube imediatamente disso. “Sinto muito por aquilo.”

“Está tudo bem.” Brittany lhe garantiu. “Eu também gosto de meninas.” Santana mexeu a cabeça e deu um sorrisinho fingindo-se surpresa. “Na verdade, eu tive umas experiências nada agradáveis com alguns caras, então eu decidi tentar com as garotas e acabei tendo a mais desagradável de todas, mas mesmo assim, eu ainda confio mais nas mulheres.” Com certeza ela estava falando de Quinn Fabray.

“Acontece.” Santana falou e tomou outro gole de sua bebida. “talvez você só teve má sorte.” Brittany riu.

“Talvez essa sorte esteja mudando agora, não?” Santana sabia quando alguém estava flertando com ela, e era isso que Brittany estava fazendo naquele momento. “Me fale um pouco de você, você é sempre tão misteriosa.” Santana abaixou os olhos e sacudiu a cabeça.

“Não tem nada muito interessante na minha vida, sou apenas uma garota que perdeu o pai muito cedo, e era um tanto problemática na escola, nada demais.” Ela riu. “Eu tinha até dó da minha mãe, ela foi chamada tantas vezes na escola pelo meu mau comportamento, mas ela nunca me bateu nem nada, só me deixava de castigo.” As duas riram juntas. “Mas você sendo bonita desse jeito devia ser popular e talvez até boa aluna.”

“Eu costumava ser, era até líder de torcida, mas depois que os meus pais se separaram eu me tornei outra pessoa, mudei drasticamente, e não tenho orgulho disso.” A loira tomou um gole de cerveja. “Eu fiz muita merda na minha vida.”

“Você não é a única.” Santana respondeu. “Não se sinta mal por isso.”

“Não tem como, porque eu sei que se a minha mãe tivesse viva ela sentiria muita vergonha da pessoa que eu me tornei, e isso dói.” Brittany suspirou. “Eu vendi meu corpo.” Santana sacudiu a cabeça.

“Eu matei o cara que matou o meu pai.” A latina confessou, fazendo os olhos de Brittany se arregalarem. Nunca imaginou que aquela garota em sua frente havia matado alguém, e bom ela já tentara matar alguém também. “Acho que eu ganhei de você.”

“Na verdade, eu já tentei matar uma pessoa.” Brittany confessou, e Santana soube que ela estava falando de Quinn. “Também por vingança.” Era claro que Brittany teria motivos para ver Quinn morta, praticamente todo mundo que conhecia aquela mulher a queria morta.

“Eu entendo, eu cresci com raiva daquele cara por ter me tirado o que eu tinha de mais importante na minha vida, imagino que com você deve ter sido o mesmo.” Santana comentou.

“Na verdade eu só queria encontrar amor e acabei recebendo coisas terríveis, isso me destruiu por dentro, acho que a única coisa boa que restava em mim naquele período morreu, então eu resolvi jogar da mesma maneira.” Ela respondeu. “Finalmente eu estou encontrando uma saída para tudo isso, eu só espero que nada de ruim aconteça a partir de agora.” Santana sentiu uma enorme culpa naquele momento. “É terrível viver aprisionada a medos, incertezas, rancor e ódio, eu só queria um pouco de paz na minha vida e eu estou encontrando aqui.” Santana sabia exatamente como era viver assim, parece até que Brittany leu seu coração ao dizer aquelas palavras, ela estava buscando o mesmo uma vida de paz ao lado de sua mãe, longe de qualquer sentimento negativo, mas para isso ela precisaria sacrificar a vida de uma jovem mulher, pela qual ela estava começando a nutrir um sentimento diferente de todos que ela já experimentara.

Viver daquela maneira era como viver se rastejando em uma prisão fria, escura e eterna.

Prison's gates won't open up for me

(Os portões da prisão não se abrirão para mim)

On these hands and knees I'm crawlin'

(Com estas mãos e joelhos eu estou rastejando)

Oh, I reach for you

(Eu alcanço você)

Well I'm terrified of these four walls

(Bem, eu estou aterrorizado com essas quatro paredes)

These iron bars can't hold my soul in

(Estas barras de ferro não podem aprisionar minha alma aqui)

All I need is you

(Tudo que eu preciso é você)

Come please I'm callin'

(Venha, por favor, estou chamando)

And all I scream for you

(Eu estou gritando por você)

Hurry I'm fallin'

(Apresse-se, estou caindo)

...I'm fallin'

(... Estou caindo)

Mesmo sendo aquele coração de pedra, como ela mesma se intitulava, a latina sabia que o amor era capaz de mudar as pessoas. Era o seu amor pela mãe que não a deixava ser um total monstro, e não que ela estivesse amando Brittany, ela mal a conhecia, mas havia algo nela, que por incrível que pareça lhe chamava a atenção, algo que lhe fazia refletir sobre sua vida e sobre como ela gostaria de ser salva dessa prisão maldita que ela tinha dentro de si mesma desde o dia que o pai fora brutalmente assassinado, e que erroneamente ela imaginou que desaparecia quando sua vingança estivesse consumada.

Brittany poderia parecer frágil, mas ela havia passado por coisas terríveis e estava ali, de pé, sendo capaz de recomeçar sua vida, enquanto ela não conseguia se livrar de fantasmas de seu passado.

Show me what it's like

(Mostre-me como é)

To be the last one standing

(Ser o último a ficar de pé)

And teach me wrong from right

(E ensine-me a diferença entre o certo e o errado)

And I'll show you what I can be

(E eu te mostrarei o que posso ser)

Say it for me

(Diga isso para mim)

Say it to me

(Diga isso por mim)

And I'll leave this life behind me

(E eu deixarei essa vida para trás)

Say it if it's worth saving me

(Diga se vale a pena me salvar)

“Meu primo vai cantar agora.” Brittany falou assim que viu o primo com o violão subir no pequeno palco e falar alguma coisa em espanhol. “Você quer dançar?” Santana olhou para ela com grande surpresa.

“Aqui?” Brittany sorriu com a pergunta preocupada.

“Não, eu tenho um lugar melhor.” Ela se levantou e caminhou até a cozinha vazia. Santana a seguiu de perto, quando o dono da pensão começou a tocar a canção, que era lenta, Brittany a reconheceu na hora e sorriu, então ela pôs se de frente com Santana e depositou suas mãos nos ombros da latina, e quando recebeu um olhar confuso da outra ela sussurrou. “Segura na minha cintura.” Insegura, Santana tocou na cintura da loira, e sentiu seu coração bater tão rápido que pensou que pudesse ter um enfarto ali mesmo.

Wise men say, only fools rush in

(Homens sábios dizem que só os tolos se entregam)
But I can't help, falling in love with you

(Mas eu não consigo evitar de me apaixonar por você)
Shall I stay?
Would it be a sin

(Devo ficar? Seria um pecado)
If I can't help, falling in love with you?

(Se eu não consigo evitar de me apaixonar por você?)

“Adoro essa música, era uma das favoritas minha mãe.” Brittany sussurrou tão perigosamente próximo ao ouvido de Santana, que causou na outra uma incrível onda de arrepios por todo o corpo.

Like a river flows, surely to the sea,

(Como um rio que corre certamente para o mar)
Darling, so it goes some things are meant to be.

(Querida, assim algumas coisas estão destinadas a acontecer)
Take my hand, take my whole life too.

(Pegue minha mão, pegue minha vida inteira também)
For I can't help, Falling in love with you

(Pois eu não consigo evitar de me apaixonar por você)

“Desculpa...” A latina disse, pois todas aquelas sensações em seu corpo acabaram lhe fazendo pisar no pé esquerdo de Brittany. “Eu te machuquei?”

“Não, está tudo bem.” A loira respondeu, olhando fixamente nos olhos de Santana. “Não consigo parar de pensar em você, Sophie.” Uma das mãos de Brittany tocaram delicadamente o rosto de Santana, fazendo a fechar os olhos, e apenas sentir quando os lábios quentes da stripper preencheram o seu, fazendo seu corpo vibrar de desejo, principalmente quando a outra mão de Brittany tocou sua nuca.

O beijo foi quente, macio, cheio de desejo e demorado. As línguas exploraram as bocas sem nenhuma pressa e seus corpos foram se aproximando cada vez mais, mas Santana acabou cortando o momento ao se afastar bruscamente de Brittany, muito, mas muito confusa mesmo.

“Desculpa, eu tenho que ir.” Santana saiu dali o mais rápido possível sem olhar para trás. Brittany apenas cruzou os braços, sem saber o que sentir, estava feliz pelo beijo, mas receosa de que isso pudesse afastar a outra.





Notas finais
*Músicas: Savin me (Nickelback) e Can´t help falling in love (Elvis Presley).
*Já tava na hora de rolar alguma coisa né? hahaha
*Deixem reviews me dizendo o que mais vocês querem ver na fic.
*Obrigado por lerem.