Paixões Violentas
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Brittany se levantou mais cedo que o normal, na verdade, ela mal havia conseguido pregar os olhos durante toda a noite, e nos momentos em que conseguira, Quinn Fabray invadira seus sonhos, transformando-os em verdadeiros pesadelos.
Por mais que ela tentasse se distrair com os animais, ou com a TV, ou mesmo com a paisagem paradisíaca, a traficante estava em seus pensamentos a maior parte do tempo. Medo e ódio eram esses dois sentimentos que descreviam melhor o que ela sentia por Quinn agora.
Sentou-se próximo à janela, e dobrou as pernas junto ao corpo, enquanto admirava a bela paisagem da praia, e desejava sumir, ir pó aquele mar sem rumo, para algum lugar bem distante onde pudesse viver sem o medo daquela que quase destruíra a sua vida, mas ela sabia que não passava de uma ilusão.
Além de Quinn, outra pessoa assombrava Brittany quase diariamente, seu pai, ele também era culpado por tudo aquilo, por todas as merdas que acontecera em sua vida, e por mais que fosse difícil pensar nele, porque ela nem tinha idéia do que lhe tinha acontecido, se ele estava bem, se tinha se casado novamente, tido outros filhos, ou mesmo se ele estava vivo. Há mais de dez anos ela não ouvira nenhuma notícia dele. Nem mesmo uma carta, uma ligação ou cartão postal, ele simplesmente sumira no mundo sem nenhuma razão aparente, sem deixar pistas ou formas de encontrá-lo após lhe dizer um tchau sem ao menos olhar em seus olhos.
Estava chorando, era impossível conter as lágrimas, lembrava também de sua infância, daquela menina tão inocente que adorava construir castelinhos de areia junto ao seu primo, e fazia planos de um futuro brilhante como veterinária, ou professora, mas nunca como estava agora.
Quinn voltou aos seus pensamentos, e não poderia ser diferente, afinal, Brittany sabia que hoje era seu aniversário, e também aniversário do dia que elas se conheceram. Ela suspirou, não conseguia desejar nada de bom para a outra loira, e às vezes se sentia um monstro por isso, mas no fundo de seu coração ela sabia que o monstro era Quinn.
I've come to wish you an unhappy birthday
(Eu vim lhe desejar um infeliz aniversário)
I've come to wish you an unhappy birthday
(Eu vim lhe desejar um infeliz aniversário)
'Cause you're evil
(Porque você é má)
And you lie
(E você mente)
And if you should die
(E se você morrer)
I may feel slightly sad
(Talvez eu me sinta um pouquinho triste)
But I won't cry
(Mas eu não vou chorar)
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Santana estava sentada sozinha em uma mesa, tomando uma xícara de café forte e amargo, enquanto lia uma revista. Sua missão se iniciaria oficialmente naquele dia, e enquanto lia pensava e planejava formas de se aproximar de seu alvo, quando...
“Com licença.” A voz feminina tirou a atenção de Santana das páginas da revista, e ela mal pôde acreditar em quem estava ali à sua frente. “Srta Johnson?” Brittany sorriu simpaticamente, ainda com pouca dúvida se estava falando com a mulher certa, mas o sorriso que recebera em resposta lhe deu a certeza que precisava.
“Sim.” Santana apenas confirmou. Era bom demais o que estava acontecendo, seu alvo viera em sua direção, sem que ela precisasse mover um dedo.
“Eu sou Brittany, prima do Sam, e ele me pediu para ajudar você, porque eu sou nova por aqui, enfim, uma longa história.” A loira explicou de um jeito tímido.
“Claro, muito simpático de sua parte estar fazendo isso.” Santana respondeu, ainda incrédula com a situação.
“Qualquer coisa que você querer ou precisar, pode falar comigo.” Brittany lhe disse.
“Muito obrigada.” Santana agradeceu, e decidiu tentar a aproximação naquele momento mesmo. “Sente-se aqui, tome café comigo.”
“Oh, eu agradeço, mas eu tenho algumas tarefas para fazer agora, mas de qualquer forma, obrigada.” Brittany agradeceu. “Nos vemos mais tarde.”
“Sim, nos vemos mais tarde.” Santana respondeu, então Brittany deixou o local, sob o olhar da latina. Brittany era inegavelmente atraente, tinha um belo corpo, mas claro, era uma stripper, mas havia algo além, um ar de inocência e uma tristeza no fundo de seu olhar, que ela não pôde deixar de notar. Santana não era uma santa, mas também não era um monstro por completo, e bem no fundo de seu coração, sentiu um pesar por ter que entregá-la à Quinn Fabray, mas era sua vida, sua segurança e ela não poderia arriscar, mesmo que para isso fosse necessário sacrificar a vida e a segurança de outra pessoa.
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Quinn tomou café-da-manhã sozinha, como de costume desde que Brittany a deixara.
“Parabéns, Srta. Fabray.” Quinn olhou para trás e lá estava Mercedes Jones, a cozinheira de sua mansão, ela estava com um pequeno bolinho com duas velinhas brancas. Quinn muitas vezes se esquecia dela, mas Mercedes era talvez a única pessoa que se importasse com ela, talvez porque ela nunca tivesse lhe machucado de alguma forma.
“Obrigada Mercedes.” A jovem agradeceu, então Mercedes colocou o bolo em cima da mesa.
“Se você quiser eu posso cantar parabéns.” Mercedes sugeriu, Quinn apenas sacudiu a cabeça, negando essa vontade. Aquilo era humilhante demais.
“Morango e chocolate, o seu favorito.” Mercedes explicou assim que Quinn soprou as duas velinhas e ela cortou um pedaço de bolo para a loira. Estava delicioso.
“Você tem uma mão divina na cozinha, Mercedes, eu tenho sorte de ter te encontrado.” Quinn falou, fazendo sua empregada sorrir. “Sente-se, pegue um pedaço para você também.” Mercedes arregalou os olhos, surpresa, Quinn não era de convidar os subordinados à sentar-se na mesa junto com ela. “Sente-se Mercedes.”
“Sim, Srta. Fabray, com licença.” Mercedes sentou-se ao lado de Quinn e pegou um pedaço pequeno de bolo.
“Você é uma boa companhia, e você sabe que eu devo minha vida a você.” Mercedes baixou os olhos. Odiava quando Quinn falava nesse assunto, mas não podia dizer nada, afinal, ela era sua chefe. “Se não fosse por você, aquela vadia teria conseguido me matar.” Quinn crispou os lábios. “Mas ela ainda vai me pagar, muito caro!” Mercedes ficava sempre muito confusa, quando este assunto estava em pauta, porque ela se lembrava com clareza de muitos bons, e vários outros bem desagradáveis acontecimentos entre sua chefe e sua ex-namorada, e isso lhe deixava dividida.
Ela gostava de Brittany, ela era sem dúvida uma boa garota, sempre a tratara de forma gentil e amável, diferente de algumas outras que tiveram passagens curtas pela mansão Fabray , e que significaram bem menos para a traficante, mas as memórias em que a stripper tentara tirar a vida de Quinn ainda estavam forte em suas lembranças, e ela provavelmente nunca iria se esquecer daquilo.
“Acho que você deveria esquecer essa história.” Mercedes falou baixinho, mas arrependeu-se no mesmo momento quando recebeu um olhar incrédulo de Quinn.
“O quê?” Quinn perguntou muito baixo, em um tom assustador. “Você só pode estar de gozação comigo, não é Mercedes?”
“Me desculpa Srta. Fabray” A cozinheira tentou se desculpar, rapidamente se levantando, mas fora tarde demais. Quinn pegou o bolo e o jogou contra a parede, fazendo Mercedes começar a chorar.
“Saia daqui agora, antes que eu perca de vez a minha paciência, e mande as empregadas limparem essa merda!” Quinn vociferou e sem precisar de uma segunda ordem, Mercedes deixou o local.
Ela era realmente muito estúpida, ela sabia como Quinn ficava quando falava de Brittany e mesmo assim ela conseguiu abrir a boca e falar uma grande idiotice como aquela. Não podia se conformar.
Na cozinha ela pediu a uma das empregadas para ir limpar a sujeira como Quinn ordenara. Estava vivendo um pesadelo. Todos estavam, porque ela tinha certeza de onde quer que Brittany estivesse, ela também não vivia em paz, temendo por sua vida.
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FLASHBACK DOIS ANOS ATRÁS.
Mercedes estava no quintal, cuidando de uma de suas rosas, quando o Camaro prateado conversível de Quinn estacionou há poucos metros de distância. A dona do carro estava acompanhada por uma loira de cabelos longos, olhos azuis, e um belo corpo. As duas sorriam e pareciam felizes juntas.
She's my girl,
(Ela é a minha garota,)
And that's where I was last night
(e lá é onde eu estava a noite passada)
Off in a dream!
(Fora de um sonho.)
She's my girl,
(Ela é a minha garota,)
I took her away last night:
(Eu a levei embora noite passada: )
Went for a ride !
(Quisemos dar uma volta.)
That's where I was last night
(Isto é onde eu estava noite passada.)
As duas andaram de mãos dadas no caminho entre o carro e a mansão. Quinn estava mais bonita que o normal, uma jaqueta preta, calças jeans, cabelos desarrumados e óculos escuros.
“Ei Mercedes!” Ela cumprimentou a jovem, que parou o que estava fazendo e deu atenção à ela.
“Olá Srta. Fabray, olá.” Ela cumprimentou Brittany que sorriu em resposta.
“Mercedes, essa é Brittany, minha namorada, Brittany, ela é a minha cozinheira particular, e pode ter certeza que uma das mais talentosas que você já conheceu.” Mercedes sorriu com o elogio.
“Desde que minha mãe morreu, eu tenho vivido de enlatados e comida semi-pronta, não posso reclamar de nada.” Brittany respondeu “Sou péssima na cozinha.”
“Mercedes, a partir de hoje Brittany viverá conosco, então, portanto, ela é sua patroa também, os pedidos dela são uma ordem, lembre-se.” Quinn falou com certa seriedade.
“Sim, Srta. Fabray.” Mercedes concordou.
“E amanhã quero que você acompanhe Brittany até o shopping, vocês vão comprar roupas, sapatos, tudo o que acharem necessário para o recomeço de uma vida aqui comigo.” Mercedes concordou com a cabeça e sorriu para Brittany.
“Quinn, não precisa, isso é um pouco demais, você não acha?” Brittany disse, tocando no ombro da namorada.
“Eu disse a você que te daria uma vida de rainha, então, eu vou cumprir minha promessa, eu nunca volto atrás na minha palavra.” Quinn respondeu e piscou para a stripper. “Além do mais, você tem umas poucas peças de roupa, precisa de novas.”
“Tudo bem, se você acha isso, eu só não quero abusar de você.” Brittany respondeu , então Quinn riu.
“Eu não vou pensar isso de você, amor.” Quinn lhe assegurou e lhe deu um beijo no rosto.
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Brittany se preparava para mais um passeio na orla com Rex, o filhote de labrador bege quando foi surpreendida.
“Olá.” Ela olhou para trás e lá estava a morena que ela fora incumbida de ajudar.
“Algum problema, Srta. Johnson?” Ela perguntou amigavelmente.
“Me chame pelo meu nome, Sophie.” A latina respondeu, olhando fixamente nos belos olhos azuis da stripper. Ela era muito mais bonita pessoalmente, sem dúvida alguma.
“Ah sim, algum problema Sophie?” Brittany tinha certa dificuldade em segurar o agitado cachorro na coleira. “Esse cachorro é um pouco agitado.”
“Se quiser posso te ajudar.” Santana se ofereceu, torcendo para a outra aceitar. Quando fora policial trabalhara bastante com cachorros, então tinha certa experiência.
“Ficaria muito agradecida.” Brittany respondeu, com um pequenos sorriso sem-graça, quando Santana pegou a coleira e sem muito esforço deixou o cachorro bem mais calmo. “Tem toda uma forma de como pegar a coleira.”
“É, você é boa nisso mesmo.” Brittany comentou admirada com a facilidade que a outra fizera algo que durante minutos ela tentara inutilmente.
“Com um pouco de prática você fica melhor do que eu.” Santana lhe garantiu e as duas riram, e então a latina devolveu a coleira a Brittany, que não se intimidou.
“Eu vou passear na orla, você quer me acompanhar, seria muito bom ter alguém para conversar dessa vez.” Santana ficou surpresa, e não conseguiu esconder isso em seu olhar.
“Eu iria adorar.” Ela sorriu simpaticamente por fora, mas por dentro seu sorriso era o mais maníaco de todos.
Notas finais
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