Pais por acaso
47 Renesmee- Pai de menina
O céu ainda estava tingido de laranja quando cheguei ao hospital. O movimento era tranquilo, com poucos pacientes e funcionários circulando pelos corredores. Caminhei diretamente ao andar administrativo, decidida a encontrar Elizabeth antes de qualquer outra coisa. Mas, ao me aproximar do escritório, fui surpreendida pela voz familiar do meu pai
– Filha ? – Edward chamou, saindo de uma sala ao lado. – O que está fazendo aqui tão cedo?
Respirei fundo, tentando manter a compostura.
– Eu... queria falar com a Elizabeth – disse, forçando um tom casual.
Ele franziu o cenho, curioso.
– Elizabeth? Ela viajou ontem à noite. Foi para uma conferência de enfermagem. Está representando o hospital.
Meu coração apertou, mas mantive o sorriso.
– Ah, é? Eu tinha esquecido. – Disfarcei. – Na verdade, era só uma dúvida sobre alguns casos que ela mencionou. Nada urgente.
Edward me analisou com aquele olhar penetrante que sempre parecia desvendar meus pensamentos. Finalmente, assentiu.
– Se precisar de algo, posso ajudar.
– Obrigada, pai, mas não é nada importante – respondi, apressada, e me despedi antes que ele pudesse insistir.
Ao chegar à sala de reuniões, percebi que já estava atrasada. Dr. Carter estava de pé no centro da sala, com a postura impecável de sempre. Assim que me viu entrando, suspirou profundamente.
– Senhorita Cullen, bom dia. Que bom que decidiu se juntar a nós. – Sua voz carregava um tom irônico. – Espero que seu café da manhã tenha valido o atraso.
Os outros residentes se entreolharam, alguns contendo risadinhas. Eu murmurei um pedido de desculpas e me sentei na cadeira vaga mais próxima, tentando evitar mais olhares.
Antes que eu pudesse respirar, senti Seth inclinando-se para perto de mim.
– Ele não é o doutor Black para te dar mordomias, hein? – sussurrou ele, com um tom de provocação e um sorriso malicioso.
Lancei-lhe um olhar de advertência, mas ele apenas deu de ombros, divertindo-se com meu desconforto.
Tentei focar no que Dr. Carter estava dizendo, mas minha mente continuava em Elizabeth, em Joseph, e em como eu precisava encontrar respostas antes que tudo escapasse do meu controle.
...
Eu estava terminando o atendimento de uma senhora quando senti a vibração do celular em meu bolso. Olhei rapidamente a tela e vi a mensagem de Jacob: "Cheguei, estou no hospital para o ultrassom. Te vejo em breve." Um sorriso involuntário surgiu nos meus lábios. Ele sempre sabia como me fazer sentir melhor, não importa o que estivesse acontecendo ao nosso redor.
Terminei o atendimento e segui rapidamente pelos corredores, a mente ainda tumultuada com as perguntas sobre Elizabeth e Joseph. Mas, quando cheguei perto da sala de ultrassom, avistei Jacob conversando com Alice. Ele estava sorrindo para ela, mas ao perceber minha presença, seu sorriso se alargou ainda mais, como se eu fosse a melhor visão do seu dia.
– Ei, você! – Jacob disse com aquele tom de carinho que sempre me fazia sentir segura. Ele se aproximou, abriu os braços e me puxou para um abraço apertado. – Estava sentindo sua falta.
Alice observou a cena com um sorriso divertido, mas seus olhos brilharam com um toque de curiosidade.
– Sempre tão carinhosos, vocês dois – Alice comentou, com uma piscadela. – Eu já falei, você está com sorte, Nessie.
Jacob riu, ainda segurando minha mão.
– Eu sei disso. E, falando nisso, você está me atrasando para ver o ultrassom da nossa criança – Jacob disse, virando-se para Alice, com um sorriso travesso.
Alice fez uma careta fingida de desaprovação.
– Oh, claro, claro, vamos logo com isso. Eu só queria ver um pouco mais de como o futuro de vocês está se desenrolando. – Ela riu suavemente, antes de se afastar para nos dar um espaço.
– Está pronto para ver o bebê? – Jacob perguntou, com uma luz de expectativa nos olhos.
Eu só acenei, tentando conter as emoções que começaram a aflorar. Ele me guiou até a porta da sala de ultrassom, sua presença calmante me tranquilizando enquanto me preparava para o que estava por vir.
Alice sorriu para nós um último olhar antes de desaparecer pelos corredores, deixando-nos sozinhos para o momento mais importante.
Jacob me olhou com carinho, segurando minha mão enquanto entrávamos na sala, e eu sabia, no fundo, que ali estava o começo de algo muito maior do que todos os mistérios que ainda precisavam ser resolvidos.
A sala de ultrassom estava tranquila, mas a ansiedade no ar era palpável. Jacob estava ao meu lado, com os olhos fixos na tela, enquanto a enfermeira preparava o equipamento. Ele segurava minha mão com força, mal contendo a empolgação para saber o sexo do nosso bebê. Eu também estava ansiosa, mas, de alguma forma, eu estava mais calma do que esperava, sentindo a paz que vem com a certeza de que esse bebê era a nossa felicidade.
– Você está bem? – Jacob perguntou, seu olhar preocupado, mas com um sorriso nervoso no rosto. Eu sorri para ele, tentando tranquilizá-lo.
– Estou bem, só um pouco ansiosa – respondi, apertando sua mão de volta. Eu sabia que ele estava tão ansioso quanto eu para saber.
A porta se abriu e Alice retornou apos ter ido atender uma chamada, com seu sorriso alegre e contagiante. Jacob e eu havíamos escolhido Alice como minha obstetra, pois sensação de ver minha tia assumindo esse papel trouxe um pouco mais de conforto. Alice era incrível em tudo o que fazia, e eu sabia que, em boas mãos, o momento do ultrassom seria perfeito.
– Voltei minha paciente favorita – Alice disse, com um sorriso travesso ao me olhar. – Como você está se sentindo, Nessie?
– Nervosa, mas animada – respondi, tentando brincar com a situação, apesar da ansiedade.
Alice se preparou para o ultrassom, e a tela foi iluminada. A imagem do nosso bebê apareceu na tela, e o momento se tornou surreal. Eu podia ver pequenos detalhes, as mãos e os pés ainda minúsculos, mas claramente formados. Jacob estava completamente absorvido pela tela, quase como se esquecesse de respirar.
– Então, o que é? – Jacob perguntou, mal contendo sua curiosidade. – Menino ou menina?
Alice, com seu habitual mistério, olhou para a tela e deu uma pausa para aumentar a tensão. Ela parecia adorar fazer isso.
– Você está realmente impaciente, não é? – Alice brincou, com um sorriso largo. – Bem, vamos dar um suspense... Só mais um pouquinho.
Jacob olhou para Alice, e eu pude ver sua paciência se esgotando. Ele estava quase a ponto de pular da cadeira, sua mão ainda apertada na minha.
– Alice! Você vai me matar do coração – Jacob riu nervoso. – Pode me contar logo?
Alice olhou para a tela e então, finalmente, sorriu com satisfação.
– Bem, parece que vocês vão ter uma... – Ela fez uma pausa dramática, observando Jacob se aproximar da tela, quase como se quisesse ver o sexo do bebê por si mesmo. – Uma linda menina!
Jacob ficou em silêncio por um momento, os olhos arregalados. Depois, um sorriso imenso tomou conta do seu rosto, e ele me olhou, como se estivesse processando a alegria.
– Uma menina... – Ele repetiu, quase em um suspiro, claramente emocionado. – Eu vou ser pai de uma menina.
Eu sorri para ele, sentindo o coração bater mais rápido, uma onda de emoção invadindo-me. Ver o quanto ele estava feliz com a notícia era tudo o que eu precisava. Fui tomada por uma sensação de alívio e felicidade ao mesmo tempo.
Alice se aproximou de nós, com um sorriso sincero.
– Parabéns, vocês dois – disse, apertando nossas mãos. – Vai ser uma mãe maravilhosa, Nessie. E Jacob, você vai ser o pai mais orgulhoso do mundo.
Jacob sorriu, abraçando Alice rapidamente.
– Eu já sou o pai mais feliz de todos – disse ele, com uma risada alegre. Ele me olhou novamente, com uma ternura imensa. – Não vejo a hora de conhecer nossa filha.
Eu olhei para ele, sabendo que, independentemente do que o futuro nos reservava, agora éramos uma família. E esse bebê, uma linda menina, seria o nosso maior presente.
...
Após o ultrassom, nós caminhamos pelo hospital, totalmente imersos na alegria de termos descoberto o sexo do nosso bebê. Jacob parecia radiante, seu sorriso nunca deixando seu rosto, e eu não podia deixar de sentir a mesma felicidade que ele emanava. As pessoas nos observavam, algumas curiosas, outras com sorrisos de aprovação, mas nós ignorávamos os olhares. Para nós, nada mais importava além do que estávamos vivendo naquele momento.
– Eu preciso voltar para o hospital, princesa – Jacob disse, com uma expressão de leve preocupação, como se a responsabilidade de ser um bom médico nunca o abandonasse. – Tenho uma cirurgia marcada.
– Tudo bem Jake – respondi, com um sorriso suave. – Vai lá, eu me viro por aqui. A gente se vê à noite.
Ele me puxou para um abraço apertado, e me deu um beijo carinhoso na testa. Em seguida, ele me olhou nos olhos, como se quisesse me garantir que tudo estaria bem.
– Não esquece que te amo– disse ele, com um brilho nos olhos.
– Eu também te amo – respondi, acariciando seu rosto antes de vê-lo se afastar.
Ele caminhou até o carro, seus passos largos e decididos, enquanto eu o observava, sentindo uma onda de emoções. Sabia que o dia dele ainda seria longo, mas, por agora, ele parecia feliz, e isso me confortava.
Suspirei profundamente e voltei minha atenção para o celular em minhas mãos, tentando processar tudo o que acontecera nas últimas horas. Quando o aparelho vibrou, meu coração pulou. Era uma mensagem de Joseph. Eu hesitei por um momento, antes de abrir a tela. Ele queria falar comigo. Eu sabia que essa conversa era inevitável, mas isso não tornava mais fácil encará-la.
Fiz uma pausa antes de digitar.
– Onde você quer se encontrar? – respondi, tentando disfarçar a ansiedade que estava se formando em meu peito.
A resposta de Joseph veio quase imediatamente.
– Que tal a Molly Moon’s Ice Cream em Seattle? Eu vou estar lá por volta das três.
Eu li a mensagem com atenção. A Molly Moon’s era uma sorveteria famosa em Seattle, conhecida por seus sabores artesanais e deliciosos. Sempre foi um lugar acolhedor, com uma vibe descontraída. Eu sabia que ele escolheu esse lugar de forma estratégica – um local público, sem pressões.
– Está bem. Nos vemos lá – escrevi de volta, sentindo a tensão começar a crescer dentro de mim.
Desliguei o celular e olhei para o caminho que Jacob havia tomado. Ele já havia entrado no carro e estava se afastando, desaparecendo na esquina. Respirei fundo, tentando acalmar os pensamentos que estavam se atropelando em minha mente.
A conversa com Joseph estava prestes a acontecer, e eu não tinha mas como evitar.
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