Pais por acaso
21 Jacob- O inesperado
Depois de me despedir de Nessie e garantir que ela faria os exames, fui até o quarto de Bree. Desde o acidente, um peso estava sobre meus ombros, e vê-la inconsciente na emergência havia despertado um incômodo difícil de ignorar. Mas agora, ao vê-la acordada e já um pouco mais alerta, senti um alívio inesperado.
Ela me olhou e deu um sorriso, meio cansado, mas ainda Bree.
— Finalmente apareceu, doutor Black — ela murmurou, com aquele jeito que sempre usava comigo.
Respondi com um sorriso leve, tentando manter o tom profissional.
— Como está se sentindo, Bree? Teve um bom descanso?
— Na medida do possível, sim — respondeu ela, ajeitando-se na cama com um movimento lento. — Mas parece que você não dormiu nada. Andou se preocupando muito comigo, Jacob?
Percebi o jeito como ela usava meu nome, com um tom que talvez outra pessoa não notasse, mas eu sabia muito bem o que significava. Respirei fundo, mantendo o olhar nos prontuários para não encarar aquela expressão.
— Só estava cumprindo meu trabalho, Bree. Precisava ter certeza de que estava bem, como faço com qualquer paciente.
Ela riu, divertida.
— É mesmo? Porque não vejo você todo dia no meu quarto… Quer dizer, na minha ala.
Revirei os olhos, mas mantive o tom leve, sem alimentar as expectativas que Bree, claramente, tentava provocar.
— Vai ter que se acostumar, então. Porque eu, como seu médico, vou acompanhar seu quadro de perto, até que você tenha alta.
Ela franziu o rosto, sem disfarçar a frustração. Tentei ignorar, mas antes que eu pudesse me despedir e sair, ela insistiu:
— Sabe, Jacob… eu meio que esperava mais do que isso. Pensei que talvez você viesse me ver por um motivo a mais, além de “cumprir seu trabalho.”
Eu segurei um suspiro, tentando manter o tom neutro.
— Como seu médico, eu preciso zelar pela sua recuperação, Bree. Esse é o único motivo que deveria importar no momento.
Ela ficou em silêncio por um instante, mordendo o lábio como se estivesse decidindo algo. Preferi não prolongar a conversa, então concluí de forma firme, mas educada.
— Descanse, está bem? Se precisar de algo, é só chamar a enfermagem.
Dei um leve aceno, e antes que ela pudesse tentar retomar o assunto, saí do quarto e fechei a porta atrás de mim. Soltei um longo suspiro. Bree sempre conseguia me tirar do eixo, mas agora, com tudo o que estava acontecendo, esse tipo de distração era o que eu menos precisava.
Caminhei até a sala dos médicos, guardando os últimos prontuários e respirando fundo. Já era hora de ir para casa, e o plantão pesado da noite começava a pesar nos meus ombros e nas pálpebras. Mas enquanto organizava meus papéis e me preparava para sair, meu pensamento foi inevitavelmente para Nessie. Esperava que os exames dela não indicassem nada sério, mas parte de mim queria saber se eu teria notícias dela ainda naquela noite.
Ajeitei o jaleco pela última vez, pronto para deixar o hospital e, com sorte, a avalanche de responsabilidades por algumas horas.
.....
Cheguei em casa e senti o cansaço do plantão inteiro pesar sobre mim. Após um banho rápido, peguei o celular e tentei ligar para Nessie. A preocupação me incomodava, mas, após várias tentativas sem resposta, decidi que talvez ela estivesse apenas descansando. Me joguei na cama, e em questão de minutos, o sono me venceu.
Quando acordei, já era noite. Eu me sentia renovado, mas ainda inquieto pela falta de resposta de Nessie. Enviei algumas mensagens, sem receber qualquer sinal dela. Nenhuma mensagem visualizada. Ela nunca demorava tanto assim. Resolvi que no dia seguinte conversaria com ela e tentaria entender o que estava acontecendo.
Na manhã seguinte, cheguei cedo ao hospital, decidido a esclarecer tudo. Enquanto cruzava o saguão, minha secretária, uma jovem dedicada e sempre atenta, me parou.
— Doutor Black, estão aguardando o senhor na sala de diretores.
Suspirei, contendo um pouco da frustração. Procuraria Nessie logo depois. Assenti, agradeci, e me dirigi ao andar da direção, organizando mentalmente todas as pendências do dia.
A reunião foi mais rápida do que eu esperava. Assim que saí da sala e caminhei pelos corredores em direção ao elevador, minha mente já estava organizando o próximo passo: encontrar Nessie e esclarecer aquela ausência e o que a estava incomodando.
Assim que as portas do elevador abriram, dei alguns passos e a avistei ao lado de Seth, mais ao fundo do corredor. Ela parecia desconfortável, enquanto ele gesticulava de maneira um pouco agressiva. Apertei o passo e me aproximei.
— O que está acontecendo aqui? — perguntei, tentando manter um tom de voz neutro.
Nessie abriu a boca para responder, mas Seth foi mais rápido, cruzando os braços.
— Nada, estamos discutindo assuntos de trabalho, só isso doutor Black— disse ele, com um olhar que me desafiava a questionar.
Observei Nessie por um momento e percebi que ela evitava sustentar o olhar, o que apenas aumentou minha preocupação. Mantendo a calma, virei para ela.
— Senhorita Cullen poderia me esperar em minha sala? — pedi. Ela assentiu, parecendo aliviada, e se afastou, desaparecendo pelo corredor.
Quando ficamos a sós, me voltei para Seth, que parecia apenas mais irritado.
— Deixe-me ser bem claro, Seth — comecei, mantendo meu tom firme. — Se você continuar incomodando Renesmee, não vou hesitar em denunciá-lo por importunação.
Seth riu, um sorriso cínico surgindo em seu rosto, e deu um passo na minha direção.
— Denunciar? — ele disse, com uma pitada de sarcasmo. — Parece que você esta muito mais interessado em proteger sua "querida" Nessie do que em manter a equipe profissional. Afinal, todo mundo já percebeu como você olha para ela.
A provocação me irritou, mas respirei fundo. Não deixaria Seth me tirar do sério no meio do hospital.
— Olha, Seth, se não estivéssemos no hospital, você já estaria no chão por essa insinuação ridícula. Agora, não me faça ter que repetir esse aviso — disse, controlando meu tom, mesmo que o sangue fervesse em minhas veias.
Seth me encarou, mas recuou ligeiramente, parecendo avaliar as consequências.
Após meu embate com Seth eu segui para minha sala, ao entrar vi Nessie sentada e com o rosto inchado que denunciava que ela havia chorado.
— Nessie… você está bem? — perguntei, forçando uma calma que não sentia.
Ela levantou o olhar, os olhos vermelhos e as lágrimas escorrendo silenciosamente. Eu me aproximei, hesitando em tocá-la, tentando entender o que a deixava tão abalada.
— O que aconteceu? — Minha voz saiu mais suave, mas carregada de uma urgência impossível de esconder. — Seth fez alguma coisa? Por que você está chorando?
Ela balançou a cabeça rapidamente, e meu alívio foi instantâneo. Mas a tensão ainda pairava no ar.
— Não... não é o Seth. Ele não fez nada.
Eu respirei fundo, observando cada expressão em seu rosto, esperando que ela se abrisse comigo. Finalmente, com um gesto hesitante, ela tirou algo do bolso do jaleco. Naquele instante, meu coração começou a bater mais rápido, antecipando o que estava por vir.
E então eu vi: três testes de gravidez. Todos positivos.
Minha mente tentou processar a informação, mas tudo parecia um borrão. Como assim? Desde quando? Nessie desviou o olhar por um momento, parecendo reunir coragem para falar.
— Eu… eu fiz alguns testes. Ontem, quando cheguei em casa, lembrei que… estou com dois meses de atraso na menstruação.
Ela continuou, sua voz quase um sussurro, mas as palavras chegaram a mim como um golpe.
— E… todos deram positivo, Jacob. Eu… estou grávida.
A revelação reverberou no meu peito. Uma mistura confusa de sentimentos — surpresa, medo, uma dor aguda de ciúme — começou a surgir. Eu queria apoiá-la, mas parte de mim estava atormentada pela incerteza. Quem seria o pai?
Eu esbocei um sorriso cauteloso, tentando acalmar o ambiente, mas uma inquietação me corroía por dentro.
— Vai ficar tudo bem, Nessie… — murmurei, embora minha mente estivesse a mil.
A pergunta escapou antes que eu pudesse controlar:
— Você vai contar ao… pai?
Ela me encarou, claramente surpresa pela pergunta, e percebi a provocação que, mesmo sem querer, havia deixado transparecer.
Minha voz ficou tensa enquanto tentei ser direto:
— É o Seth?
Uma faísca de riso quase atravessou seu rosto, mas, ainda séria, ela balançou a cabeça, descartando minha suposição.
— Não, Jacob. Não é o Seth. — Ela hesitou, prendendo meu olhar com uma intensidade quase desarmante. — Eu… não estive com nenhum outro homem depois de… depois de nós.
Fiquei paralisado. Era como se o ar tivesse sido sugado da sala. O que ela estava dizendo? Não era possível. Mas, ao mesmo tempo, tudo fazia sentido. Um misto de alívio e choque começou a se formar dentro de mim, até que finalmente uma certeza surgiu, embora ainda difícil de acreditar.
— Então… — murmurei, quase sem voz, enquanto a realidade me atingia em cheio. — Eu sou o pai.
A confirmação me deixou atônito. Eu seria pai, de um filho meu… e de Nessie. A mulher que sempre esteve ali, ao meu lado, e que agora carregava algo tão precioso nosso.
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