Pais por acaso
52 Jacob- Meu filho
O silêncio na sala era quase ensurdecedor, mas a tensão parecia vibrar entre nós. Elizabeth negava, mas seu corpo traía a verdade, enquanto Esme olhava para ela com uma mistura de choque e desapontamento.
– Elizabeth... isso é verdade? – perguntou Esme, a voz baixa, mas carregada de gravidade. – Você teve um filho com Jacob?
Elizabeth balançou a cabeça com veemência, mas eu vi a hesitação em seus olhos antes da resposta.
– Não! Claro que não! Isso é uma loucura, mãe!
Esme deu um passo à frente, o olhar dela se estreitando.
– Então explique, Elizabeth. Porque, agora que Jacob está dizendo isso, faz sentido. Você passou quase um ano fora, viajando, sem dar muitos detalhes sobre o motivo. Disse que precisava de um tempo, mas nunca explicou realmente o que estava acontecendo.
Elizabeth congelou por um momento, antes de dar um suspiro pesado.
– Sim, eu tive um filho. Mas eu não escondi nada! Eu escrevi para Jacob assim que soube da gravidez. E sabe o que ele respondeu? Que eu devia me livrar da criança!
As palavras dela eram afiadas, mas não carregavam o peso da verdade. Senti o sangue ferver.
– Isso é mentira. – Minha voz saiu firme, quase como um rugido baixo. – Eu nunca recebi nenhuma carta sua, Elizabeth. Nunca!
Ela revirou os olhos, tentando manter a postura.
– Claro que não. Você nunca quis nada comigo depois que terminamos, Jacob. Era óbvio que eu seria apenas um problema para você.
– Problema? – Repeti, dando um passo à frente, minha voz carregada de incredulidade e raiva. – Esse "problema" é um garoto incrível que você abandonou em um orfanato. Ele não merecia isso, Elizabeth. Ele não merecia crescer sem saber quem era o pai dele.
Antes que ela pudesse responder, o som da porta se abrindo ecoou pela sala. Carlisle foi o primeiro a entrar, seguido por Edward e Renesmee.
– O que está acontecendo aqui? – Carlisle perguntou, os olhos analisando a cena diante dele.
Renesmee parou ao lado de Edward, mas seus olhos estavam fixos em mim, preocupados e nervosos.
– Jacob? – A voz dela saiu suave, hesitante. – O que está acontecendo?
Eu virei para ela, sentindo o peso da decepção apertar meu peito.
– Eu já sei, Nessie. – Minhas palavras saíram firmes, carregadas de dor. – Eu sei sobre Joseph.
Renesmee congelou, o rosto dela empalidecendo. Edward franziu a testa, o olhar confuso. Carlisle olhou para Esme, buscando respostas.
– Jacob... – Renesmee começou, mas sua voz falhou.
Eu a encarei, a raiva misturada com um profundo senso de traição.
– Você sabia. – Minha voz cortou o silêncio como uma lâmina. – Você sabia que ele era meu filho e não me contou. Você mentiu para mim.
Renesmee deu um passo à frente, tentando falar, mas as palavras pareciam travadas. Eu só conseguia pensar no garoto que havia conhecido há poucas horas e em como a pessoa que eu mais amava havia escondido isso de mim.
O silêncio dominou a sala após minha última declaração. Renesmee permanecia em choque, os olhos fixos no chão, incapaz de me encarar. Carlisle foi o primeiro a quebrar o silêncio, a preocupação evidente em seu rosto.
– Do que você está falando, Jacob?
Eu respirei fundo, sentindo a raiva e a dor se misturarem em meu peito. Olhei diretamente para Carlisle.
– Elizabeth teve um filho meu, Carlisle. – Minhas palavras foram diretas, sem rodeios. – E o entregou a um orfanato sem nunca me contar.
O choque no rosto de Carlisle e Edward era visível, como se a realidade fosse difícil de processar. Edward cruzou os braços, franzindo o cenho.
– Isso é verdade, Elizabeth?
Elizabeth permaneceu calada por alguns instantes, mas finalmente suspirou, jogando as mãos para o alto, como se estivesse cansada de carregar o segredo.
– Sim. É verdade. – Ela evitou meu olhar, focando no chão. – Quando descobri que estava grávida, eu não sabia onde você estava, Jacob. Então procurei Leah.
Meu coração quase parou ao ouvir o nome.
– Leah? – repeti, incrédulo. – O que Leah tem a ver com isso?
Elizabeth finalmente me encarou, os olhos carregados de uma mistura de dor e desafio.
– Leah foi quem eu procurei porque ela era a pessoa mais próxima de você. Contei a ela sobre a gravidez, e ela disse que avisaria você. Alguns dias depois, Leah voltou com uma carta sua, dizendo que você não queria assumir a criança e que eu deveria fazer o que quisesse.
Senti o chão desaparecer sob meus pés. Minha mente girava com a revelação. Leah? Isso não fazia sentido.
– Isso é mentira. – Minha voz saiu dura, quase um rugido. – Eu nunca recebi essa notícia. E nunca escrevi nenhuma carta!
– Eu guardei a carta, Jacob. – Elizabeth balançou a cabeça, lágrimas começando a se formar em seus olhos. – Se você quiser, eu posso mostrar.
Carlisle e Esme trocaram olhares decepcionados, claramente tentando processar o que estavam ouvindo. Carlisle cruzou os braços, sua expressão sombria.
– Elizabeth, como você pôde tomar uma decisão tão drástica sem verificar isso diretamente com Jacob?
Elizabeth começou a chorar, os ombros tremendo enquanto tentava justificar suas ações.
– Eu... eu estava perdida! – confessou, a voz falhando. – Eu era jovem, estava sozinha, e tudo o que eu tinha era aquela carta. Eu acreditei nela!
– Isso não justifica o que você fez.
Minha voz estava mais baixa agora, mas ainda carregava um peso. – Onde está essa carta? Quero vê-la.
Elizabeth acenou com a cabeça, ainda soluçando.
– Está no meu quarto. Eu posso pegar para você.
Esme olhou para mim, a tristeza estampada em seu rosto.
– Jacob, isso é terrível... Não consigo imaginar como você está se sentindo agora.
Eu não respondi. Meu coração estava dividido entre a raiva por Elizabeth, a mágoa por Leah ter se envolvido, e a dor de saber que meu filho, Joseph, havia crescido sem um pai.
Elizabeth tentou enxugar as lágrimas, mas desabou em soluços novamente.
– Desde que você voltou, Jacob, toda vez que olho para você, sinto essa dor. A dor de ter tomado aquela decisão. Eu carrego isso comigo todos os dias.
Eu cerrei os punhos, tentando controlar minha própria emoção.
– Essa dor é algo que você causou, Elizabeth. Mas sabe quem realmente sofreu? Joseph. Ele cresceu sem saber quem eram os pais dele. Isso não é algo que eu posso simplesmente perdoar.
Carlisle deu um passo à frente, colocando a mão no ombro de Elizabeth.
– Vamos esclarecer isso de uma vez por todas. Traga a carta, Elizabeth. Precisamos saber a verdade.
Ela assentiu e subiu as escadas, deixando todos nós na sala em um silêncio pesado e desconfortável. Eu olhei para Renesmee, esperando que ela dissesse algo, mas ela permaneceu calada, parecendo ainda mais abatida do que antes.
Elizabeth desceu as escadas com passos hesitantes, segurando um envelope amassado em mãos. Sua expressão era de completo desespero, como se cada passo fosse um peso difícil de carregar. Quando chegou à sala, ela parou diante de mim, o olhar fixo no chão, antes de me estender o envelope.
Peguei o papel, minha respiração pesada. Ao abrir o envelope, encontrei a carta. O papel estava amarelado pelo tempo, e a caligrafia era familiar, mas ao mesmo tempo estranha. Comecei a ler em voz alta até chegar no trecho:
"Elizabeth, faça o que achar melhor com essa criança. Eu não posso assumir essa responsabilidade agora."
As palavras cortavam como uma faca, mas não pelo conteúdo em si — era a caligrafia que me deixou intrigado. Meu olhar percorreu a carta novamente, e então, ergui os olhos, fixando-os em Elizabeth.
– Essa não é a minha letra. – Minha voz saiu firme, carregada de certeza. – Essa carta é falsificada.
Elizabeth, sentada no sofá, começou a soluçar descontroladamente.
– Eu... eu não sabia! – ela murmurou entre lágrimas. – Eu era jovem, estava desesperada. Acreditei no que Leah disse. Pensei que você realmente não quisesse o bebê...
Carlisle, Esme e Edward ficaram em silêncio, todos visivelmente impactados pela revelação. Carlisle cruzou os braços, os olhos cheios de decepção ao olhar para Elizabeth. Esme colocou a mão no peito, como se tentasse conter a própria dor.
– Elizabeth – disse Carlisle, sua voz calma, mas carregada de autoridade –, você confiou apenas na palavra de Leah e não procurou o Jacob diretamente?
Elizabeth balançou a cabeça, as lágrimas escorrendo livremente pelo rosto.
– Eu confiei nela... E naquela carta. Sinto muito, Jacob. Eu não sabia que era falsificada.
Respirei fundo, tentando conter a raiva que borbulhava dentro de mim.
– Não posso acreditar que Leah fez isso. – Minha voz estava carregada de frustração. – Ela tem muito a me explicar.
– Jacob... – Elizabeth tentou se justificar, mas eu levantei a mão, pedindo silêncio.
– Não. – Olhei para ela com firmeza. – O que você fez mudou a vida do meu filho. E eu nunca vou entender como você pôde abandonar Joseph sem ao menos ter certeza da verdade.
Esme finalmente se manifestou, a voz trêmula.
– Jacob tem razão. Isso foi um erro terrível, Elizabeth. E agora meu neto tem que lidar com as consequências de algo que ele não causou.
Edward permaneceu calado, mas seu olhar severo para Elizabeth dizia mais do que qualquer palavra. Renesmee, ao meu lado, parecia incapaz de dizer qualquer coisa, apenas segurava sua barriga, visivelmente desconfortável.
– Eu sinto muito... – Elizabeth repetiu, a cabeça baixa.
– Sentir muito não vai mudar o que aconteceu. – Meu tom era firme, mas ainda assim controlado. – Agora, vou conversar com Leah. Essa história ainda não acabou.
Olhei para a carta em minhas mãos mais uma vez antes de guardá-la no bolso. Sem dizer mais nada, caminhei até a porta, minha mente já trabalhando no que precisava ser feito. Mesmo com o choque e a raiva, havia uma coisa clara: Joseph era meu filho, e eu faria tudo o que fosse necessário para reparar o que havia sido tirado dele.
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