Pais por acaso
53 Jacob- Um difícil dia
Ao sair da mansão, ainda com a carta guardada no bolso, caminhei direto para o carro. Cada passo parecia ecoar no silêncio da noite. Meu peito estava pesado, e minha mente girava em torno do que Elizabeth havia confessado. Leah... Eu nunca teria imaginado algo assim vindo dela.
Abri a porta do carro, mas antes de entrar, ouvi a voz de Renesmee me chamando.
– Jake, espera!
Me virei e a vi descendo os degraus da entrada com cuidado, segurando a barriga. Ela parou a poucos passos de mim, os olhos cheios de preocupação.
– Para onde você vai?
Suspirei, cruzando os braços enquanto tentava conter a mistura de emoções que borbulhava dentro de mim.
– Preciso falar com Leah. Ela tem muito a explicar.
– Eu vou com você. – A voz dela saiu firme, mas eu balancei a cabeça imediatamente.
– Não, Ness. – Me aproximei, tentando suavizar meu tom. – Você já se envolveu demais nisso. Quero que fique em casa e descanse.
Ela abaixou os olhos, visivelmente magoada, mas então os ergueu novamente, encarando-me.
– Jake, me desculpa. Eu só... Eu estava tentando proteger você e o Joseph. Eu queria achar o momento certo para contar.
Estendi a mão, segurando seu rosto com cuidado. Apesar de toda a decepção que sentia, não conseguia afastar o amor que tinha por ela.
– Nós vamos conversar sobre isso, Nessie. Mas em casa, com calma. – Inclinei-me e depositei um beijo na testa dela, deixando meus lábios descansarem por um instante ali. – Agora, por favor, vá para casa.
Ela assentiu, mesmo relutante.
– Tudo bem. Mas, Jake... Tenha cuidado, por favor.
– Sempre. – Soltei um pequeno sorriso antes de entrar no carro.
Fechei a porta, liguei o motor e parti, com um último olhar para Renesmee no retrovisor. Mesmo com toda a confusão e o turbilhão de sentimentos, eu sabia que nossa conversa em casa era inevitável. Mas antes disso, Leah precisava encarar a verdade, e eu precisava de respostas.
Subi as escadas do prédio de Leah sentindo uma mistura de indignação e descrença. Eu mal conseguia entender como ela havia tido coragem de fazer algo tão desprezível. Quando cheguei à porta, bati com força. Não demorou muito para ela abrir, com uma expressão surpresa e confusa ao me ver ali.
– Jacob? O que está fazendo aqui a essa hora?
Entrei sem pedir permissão, fechando a porta atrás de mim com firmeza.
– Precisamos conversar. Agora.
Leah franziu o cenho, cruzando os braços.
– Sobre o quê?
– Sobre a carta. – Minha voz estava baixa, mas carregada de raiva. – A carta que você entregou para Elizabeth.
Os olhos dela se arregalaram, mas logo ela desviou o olhar.
– Não sei do que você está falando.
Me aproximei dela, minha voz subindo um tom.
– Não se faça de desentendida, Leah. Você sabe exatamente do que estou falando. A carta em que você fingiu que eu dizia para Elizabeth se livrar do nosso filho. Você falsificou minha letra e destruiu vidas com isso!
Ela ficou imóvel, e por um momento achei que fosse negar novamente. Mas então Leah suspirou, desviando o olhar enquanto lágrimas começavam a brotar em seus olhos.
– Jacob, eu...
– Por quê, Leah? Por que você fez isso? – Minha voz tremia de fúria. – Você sabia que Elizabeth estava grávida de mim, e mesmo assim decidiu esconder isso. Qual era o seu objetivo?
Ela hesitou, tentando falar, mas a voz saiu fraca.
– Eu fiz isso pelo Seth.
– Pelo Seth? – Eu ri, mas era um riso amargo, cheio de incredulidade. – Que diabos o nosso filho tinha a ver com isso?
Leah finalmente me encarou, as lágrimas escorrendo pelo rosto.
– Eu fiz isso para proteger ele, Jacob. Pensei que, se você assumisse aquele bebê, o foco mudaria. E o Seth...
Eu a interrompi, incapaz de conter minha indignação.
– Não use o Seth como desculpa para o que você fez, Leah! Você fez isso por dinheiro, não por ele. Não tente transformar isso em algo altruísta.
Antes que Leah pudesse responder, Seth apareceu na sala, atraído pelo barulho. Ele parecia confuso e preocupado.
– O que está acontecendo aqui?
Apontei para Leah, incapaz de esconder minha fúria.
– Sua mãe falsificou uma carta para esconder de mim que eu tinha outro filho, Seth. Ela fez isso para garantir que eu nunca descobrisse.
Seth ficou paralisado, olhando de mim para Leah com os olhos arregalados.
– Isso é verdade, mãe? – perguntou ele, a voz cheia de incredulidade e dor.
Leah começou a chorar, cobrindo o rosto com as mãos.
– Seth... eu só queria proteger você. Pensei que estava fazendo o melhor para nós.
Seth deu um passo para trás, balançando a cabeça em choque.
– Proteger? Você está dizendo que sacrificou o filho do Jacob por... dinheiro?
Ela tentou se explicar, mas Seth a interrompeu com a voz mais firme.
– Não importa o que você achava que estava fazendo, mãe. Isso não justifica o que você fez.
Eu olhei para Seth, tentando conter minha própria raiva para não piorar ainda mais a situação.
– Agora você sabe a verdade, filho. Ela sabia de tudo e mesmo assim escondeu de mim.
Seth passou as mãos pelos cabelos, visivelmente abalado.
– Eu não acredito que você fez isso, mãe.
Leah tentou se aproximar dele, mas Seth se afastou, claramente incapaz de lidar com o que acabara de ouvir.
Olhei para Leah mais uma vez, a fúria ainda queimando dentro de mim.
– Isso não acaba aqui. Você vai responder por isso.
Sem esperar por uma resposta, saí do apartamento, deixando Leah e Seth lidando com o estrago que ela havia causado.
Saí do prédio de Leah, minha mente fervilhando de pensamentos enquanto caminhava em direção ao carro. O mundo parecia girar em câmera lenta, e eu mal conseguia processar tudo o que acabara de acontecer. Meu filho, Joseph, fora tirado de mim de uma maneira cruel e egoísta. Leah... Eu não podia acreditar que ela fosse capaz de algo assim.
Liguei o motor do carro e comecei a dirigir pelas ruas de Seattle. O silêncio dentro do veículo era quase ensurdecedor, até que meu celular tocou, me arrancando dos meus pensamentos. Olhei para o visor e vi o nome de Bella.
– Bella? – atendi, já sentindo o nó na garganta apertar.
– Jacob! – Sua voz estava carregada de preocupação, o que fez meu coração disparar. – É sobre a Nessie.
Um frio percorreu minha espinha.
– O que aconteceu?
– Ela passou mal, Jacob. Disse que estava tonta e com uma dor estranha no abdômen. Estamos a caminho do hospital agora.
Pisei no acelerador sem nem perceber, tentando manter a calma, mas a preocupação já tomava conta de mim.
– Ela está consciente?
– Sim, mas está pálida e ofegante. Edward e Carlisle acharam melhor não arriscar esperar. Alice já está no hospital e vai nos encontrar lá.
Respirei fundo, tentando me controlar.
– Estou a caminho.
– Só... venha rápido, Jacob.
– Estou indo.
Desliguei o telefone, meu coração batendo como um tambor. Nessie. Meu amor. Minha esposa.
Acelerei ainda mais, o barulho do motor ecoando pelas ruas vazias. Enquanto dirigia, uma única frase ecoava em minha mente: Nada vai acontecer com você, Nessie. Eu prometo.
...
Cheguei ao Cullen Medical em poucos minutos, estacionando o carro de qualquer jeito e saindo quase correndo em direção à entrada principal. A adrenalina tomava conta de mim, e eu mal sentia o peso dos passos enquanto seguia pelos corredores. Tudo o que eu queria era ver Renesmee e me certificar de que ela estava bem.
Logo avistei Edward parado no corredor próximo à enfermaria. Ele parecia tenso, os braços cruzados e o olhar fixo no chão. Assim que me viu, ele veio na minha direção.
– Jacob – chamou, sua voz baixa e controlada.
– Onde ela está? – perguntei sem rodeios, parando à sua frente.
– No quarto 4 da enfermaria. Bella está com ela agora.
Eu me virei para ir, mas Edward continuou:
– Antes de você entrar, precisa saber que Nessie e Elizabeth discutiram.
Aquilo me fez parar no mesmo instante. Virei-me para ele, sentindo a raiva voltar à tona.
– O que Elizabeth fez agora? – perguntei, com a voz carregada de irritação.
Edward suspirou, claramente incomodado.
– Parece que ela tentou justificar as decisões do passado, e Nessie não reagiu bem. Carlisle e Esme estão lidando com Elizabeth agora.
Eu balancei a cabeça, frustrado.
– Eu já disse, Edward: se vocês não colocarem um limite nessa mulher, eu mesmo vou fazer isso. E não me importa que ela seja mãe do meu filho.
Edward me encarou, seu olhar mais calmo do que eu esperava.
– Eu entendo como você se sente, Jacob. Mas Carlisle e Esme já estão cuidando disso.
Bufei, tentando controlar a vontade de explodir.
– Melhor que estejam. Agora, vou ver a minha esposa.
– Claro. Ela está no quarto 4.
Passei por ele sem mais uma palavra, atravessando o corredor apressado. Assim que alcancei a porta da enfermaria, empurrei-a com cuidado e entrei.
Nessie estava deitada na cama, os cabelos espalhados no travesseiro e o rosto mais pálido do que eu gostaria de ver. Ela parecia tranquila, respirando devagar, mas claramente exausta. Bella estava sentada ao lado da cama, segurando a mão dela com cuidado.
Bella levantou o olhar ao me ver entrar e me deu um sorriso fraco.
– Jacob – disse, mantendo a voz baixa para não acordar Nessie.
– Como ela está? – perguntei, me aproximando da cama e me inclinando para olhar melhor para Nessie.
– Melhor. Alice já examinou e disse que foi apenas uma queda de pressão, provavelmente pelo estresse. Mas ela precisa de repouso absoluto.
Assenti, aliviado, mas ainda preocupado. Acariciei de leve o rosto de Nessie, sentindo o coração apertar.
– Ela está segura agora – disse Bella, como se tentasse me tranquilizar.
– Espero que sim. – Minha voz saiu mais dura do que eu pretendia, mas era inevitável depois de tudo o que havia acontecido naquele dia.
Sentei-me na cadeira ao lado da cama, determinado a ficar ali até que ela acordasse. Bella não disse mais nada, apenas ficou ao meu lado, em silêncio.
Fale com o autor