Pais por acaso

55 Jacob- La Push


A estrada para La Push trouxe uma onda de nostalgia que eu não sentia há anos. Cada curva, cada árvore, cada cheiro do mar me transportava para memórias que eu tinha deixado enterradas no passado. Contudo, junto com a familiaridade vinha uma pequena preocupação: Billy. Não nos falávamos há anos, desde que meu relacionamento com Leah terminou de forma tão conturbada.

Ao estacionar na frente da casa de Rachel, senti o nervosismo começar a tomar conta. Não era só sobre Billy, mas também sobre como Rachel e Paul reagiriam a todas as novidades que eu estava trazendo comigo. Olhei para Renesmee ao meu lado, que segurava a mão de Joseph com um sorriso encorajador.

Rachel abriu a porta antes mesmo de eu chegar ao batente. Seus olhos se arregalaram assim que me viu.

– Jake? – Sua voz soou incrédula antes de um sorriso tomar conta de seu rosto. – Não acredito que você está aqui!

Ela desceu os poucos degraus correndo e me puxou para um abraço apertado.

– Surpresa – respondi, rindo enquanto retribuía o abraço.

Paul apareceu na porta, parecendo tão surpreso quanto Rachel.

– Ei, cara, finalmente decidiu aparecer, hein?

– Algo assim – eu disse, soltando Rachel.

Rachel olhou para Renesmee e Joseph, claramente curiosa.

– Acho que você tem algumas explicações para dar – ela disse, cruzando os braços e sorrindo.

– Rachel, este é Renesmee, minha esposa – eu disse, colocando uma mão no ombro de Nessie. – E esse é Joseph... meu filho.

Rachel ficou boquiaberta.

– Seu filho?!

Renesmee riu, estendendo a mão para Rachel.

– É um prazer finalmente te conhecer. Jacob fala muito de você- Rachel pegou a mão dela, ainda parecendo processar a informação.

– Igualmente. Ouvi falar de você, mas... uau, isso é inesperado.

Paul deu um passo à frente, olhando para Joseph.

– Então, moleque, você é filho do Jake?

Joseph assentiu, sorrindo.

– Sim, senhor.

Paul riu, balançando a cabeça.

– Senhor? Cara, eu gosto desse garoto.

Rachel finalmente recuperou a compostura e olhou para mim.

– Ok, Jake. Você definitivamente tem algumas histórias para contar.

– Muitas histórias – eu confirmei, olhando para Renesmee e Joseph.

Enquanto entrávamos na casa, senti uma mistura de alívio e nervosismo. Era bom estar de volta, mas eu sabia que isso era apenas o começo de muitas conversas difíceis que estavam por vir.

Enquanto Rachel levava Renesmee e Joseph para os quartos de hóspedes, Paul e eu ficamos na sala. Ele me olhou de lado enquanto tomava um gole de sua cerveja.

– Então, Jake, o que te trouxe de volta? – perguntou direto, como sempre. – Não que não seja bom te ver, mas... você nunca faz nada sem motivo.

Suspirei, sentindo o peso da conversa que estava prestes a ter.

– É complicado, Paul. Eu precisava voltar, não só por mim, mas por minha família.

Ele inclinou a cabeça, curioso.

– Você em menos de um ano construiu uma família, isso é inacreditável vindo de Jacob Black.

– Sim – confirmei. – Você viu que muita coisa mudou, né? Renesmee está grávida, e Joseph... bom, descobri que tinha um filho que eu nem imaginava existir.

Paul deu um leve sorriso.

– Isso eu percebi. O garoto tem seu jeito, Jake. Não precisava nem de um teste para provar.

Soltei uma risada curta.

– É, parece que eu virei pai da noite pro dia, embora eu tenha Seth, mas é diferente agora. Estou tentando me conectar com ele agora, mas... tem mais coisas que eu preciso acertar.

Paul me observou com atenção.

– Como o Billy?

Assenti lentamente.

– Eu não falo com ele desde... desde o que aconteceu com Leah. Não sei nem por onde começar, mas acho que é hora. Não posso continuar fugindo.

Paul se inclinou para frente, descansando os braços sobre os joelhos.

– Jake, eu sei que o velho sente sua falta. Ele nunca diz nada, mas dá para ver. Ele só não sabe como quebrar o gelo.

Eu bufei, passando a mão pelo cabelo.

– Bom, eu também não. Mas vou tentar. Tenho que tentar, por mim e pelo Joseph.

Nesse momento, Rachel entrou na sala, ouvindo a última parte da nossa conversa.

– Você vai falar com o papai? – perguntou, surpresa e animada.

Olhei para ela e assenti.

– Vou.

Rachel veio até mim, o rosto iluminado por um sorriso emocionado.

– Jake, isso vai ser incrível. Ele sente tanto a sua falta. Esse vai ser o melhor Natal da família Black.

Paul levantou a cerveja, erguendo-a em um gesto de celebração.

– Eu concordo. Se alguém pode fazer isso acontecer, é você, Jake.

Apesar de sentir o peso do que estava por vir, não pude deixar de sorrir. Pela primeira vez em anos, parecia que as coisas estavam se encaixando.

...


A noite caía suavemente sobre La Push, tingindo o horizonte com tons de laranja e púrpura. O cheiro do mar misturava-se ao aroma de lenha queimada vindo das casas vizinhas. Estava parado na varanda da casa de Rachel, observando a paisagem, quando Joseph se aproximou e se apoiou na grade ao meu lado.

Ele olhou para o horizonte, parecendo pensativo, antes de se virar para mim.

– Então... como foi crescer aqui?

Sorri, tentando organizar as lembranças que surgiram de repente.

– Era simples. A gente não tinha muito, mas isso nunca pareceu importante. Passava boa parte do tempo com meus amigos, correndo pela praia, pescando com meu pai... ou construindo alguma coisa que quase sempre acabava desmoronando.

Joseph riu baixinho.

– Parece divertido. Eu tenho mais tios, além da Rachel?

– Não, só a Rachel e o Paul, que agora é parte da família. – Parei por um instante e depois continuei: – Minha mãe faleceu quando eu era pequeno, então era só nós três.

Joseph ficou em silêncio por um momento, absorvendo a informação.

– E meu avô? Como ele é?

Parei de olhar para o horizonte e me virei para encará-lo.

– Seu avô é... teimoso, às vezes. Mas é um homem bom, com um coração enorme. Ele sempre fez de tudo por nós, mesmo quando as coisas ficavam difíceis.

Joseph pareceu refletir sobre isso e, pela primeira vez, notei um brilho curioso em seus olhos.

– Você acha que ele vai gostar de mim?

A pergunta me pegou de surpresa, mas respondi sem hesitar:

– Tenho certeza que ele vai. Você é parte da família, Joseph. Isso nunca vai mudar.

Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, a porta da varanda se abriu e a voz de Renesmee nos chamou.

– Vocês dois vão ficar aí a noite inteira ou vão vir jantar?

Joseph riu e se virou para ela.

– Já estamos indo!

Eu sorri enquanto Joseph passou por Renesmee, animado, deixando-nos sozinhos por um momento. Ela estava parada na porta, um sorriso suave no rosto enquanto me observava. Sem pensar muito, caminhei até ela e a puxei gentilmente para o meu peito.

– Você está bem? – perguntei, olhando em seus olhos cor de chocolate que brilhavam à luz suave do interior da casa.

– Estou. E você? – respondeu, colocando as mãos no meu peito.

– Agora estou – murmurei antes de inclinar a cabeça e selar meus lábios nos dela.

O beijo foi calmo, cheio de carinho, como se o tempo tivesse parado ali para nós. Segurei seu rosto com cuidado, sentindo sua respiração misturar-se à minha.

– Só nós dois aqui na varanda, enquanto todo mundo lá dentro deve estar se perguntando o que está demorando tanto – ela disse, rindo contra meus lábios.

– Deixe que perguntem – brinquei, sem pressa de me afastar.

Ficamos assim por mais alguns instantes, aproveitando a tranquilidade daquele momento, antes que ela puxasse minha mão.

– Vamos, antes que sua irmã ache que decidimos morar aqui fora.

– Talvez não fosse uma má ideia – comentei, arrancando outra risada dela.

De mãos dadas, entramos juntos, prontos para nos juntarmos à família. Apesar de tudo, a sensação de que estávamos onde deveríamos estar era inegável.