Pais por acaso
56 Jacob- Serena Black
Deitado ao lado de Renesmee, com a luz suave da lua entrando pela janela, eu observava o teto enquanto sentia os dedos dela traçando círculos preguiçosos em meu peito. Havia um silêncio confortável entre nós, mas minha mente estava inquieta.
– Você está tenso – ela comentou, a voz baixa e tranquila.
Virei a cabeça para encará-la, o brilho carinhoso em seus olhos sempre me acalmava, mas dessa vez senti que precisava dividir o que estava pesando em mim.
– É... talvez um pouco – confessei, soltando um suspiro. – Estar de volta em La Push trouxe muitas memórias, principalmente sobre meu pai.
Ela permaneceu em silêncio, esperando que eu continuasse.
– Meu relacionamento com Billy... nunca foi fácil. Ele sempre teve expectativas altas, e quando me separei de Leah, ele ficou furioso. Para ele, foi como se eu estivesse jogando fora o que ele considerava "o futuro perfeito". Nós discutimos feio, e desde então, nunca mais tivemos uma conversa de verdade.
Nessie apoiou o queixo em minha mão, olhando para mim com ternura.
– Jake... sei que é difícil, mas às vezes as coisas só precisam de tempo e um empurrãozinho. Você está aqui agora, com Joseph, comigo... e com nossa filha. Talvez isso possa ser o começo de algo novo entre vocês dois.
Sorri levemente, a sinceridade em sua voz sempre me tocava.
– Você tem razão. É que... não sei como ele vai reagir.
Ela se inclinou e me beijou na bochecha.
– Confie em mim, tudo vai dar certo. E, se não der, estarei ao seu lado, não importa o quê.
As palavras dela eram exatamente o que eu precisava ouvir. Passei os dedos por seu cabelo macio e a observei por um momento.
– Falando em nossa filha... – mudei de assunto, querendo algo mais leve para focar. – Como você está? E ela? Aconteceu tanta coisa nesses últimos dias que mal tivemos tempo para conversar sobre isso.
Nessie sorriu, colocando a mão sobre a barriga arredondada.
– Estamos bem, prometo. Ela está forte, saudável... mas tem algo que ainda não falamos.
– O quê?
– O nome dela.
Levantei uma sobrancelha, surpreso.
– É mesmo. Não discutimos isso ainda. Você já tem algo em mente?
Ela assentiu, o sorriso crescendo em seu rosto.
– Sim... Serena.
Repeti o nome em voz baixa, deixando-o ecoar em minha mente.
– Serena – murmurei. – É lindo. Tem algo especial nesse nome?
Nessie me olhou com doçura.
– Sempre imaginei nossa filha com um nome que representasse paz. E depois de tudo o que passamos, acho que Serena é perfeito.
Inclinei-me e a beijei suavemente.
– É perfeito. Assim como você.
Deitei minha mão sobre a barriga de Nessie, sentindo os pequenos movimentos de Serena, e não pude deixar de sorrir. Mas havia algo mais que eu queria naquele momento.
– Acho que Serena precisa descansar – sussurrei, com um tom de brincadeira. – Porque agora eu quero a mamãe dela.
Nessie riu, antes que ela pudesse responder, girei-a delicadamente na cama, posicionando metade do meu corpo sobre o dela. A surpresa em seus olhos se transformou em um sorriso quando capturei seus lábios em um beijo lento e cheio de carinho, deixando-nos perdidos no momento, minhas mãos percorreram pela lateral de seu corpo até chegar a barra da sua camisola e a puxei lentamente.
Minutos depois não havia mãos camisola me impedindo de fazê-la minha.
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Na manhã seguinte, acordei antes do nascer do sol. O silêncio da casa era reconfortante, com todos ainda mergulhados em sonhos. Saí do quarto sem fazer barulho e caminhei para fora. O ar fresco da manhã e o som distante das ondas me chamaram para as trilhas do bosque, onde tantas memórias da minha infância estavam guardadas.
Enquanto caminhava pelas trilhas, flashes de momentos felizes surgiam em minha mente – as corridas com Embry e Quil, as histórias ao redor da fogueira, as lições de vida que meu pai sempre tentava me passar, mesmo quando eu achava que sabia tudo.
Mas, à medida que me aproximava do fim da trilha, um peso começou a se formar em meu peito. Não sabia como Billy reagiria ao me ver depois de tanto tempo. Será que ele ainda estava magoado? Será que ele sequer queria me ver? E, mais importante, como eu lidaria com a rejeição, caso ela viesse?
Segui adiante, meus passos me levando até a velha casa vermelha. Ela estava exatamente como me lembrava – simples, mas cheia de história. Parei por um momento, observando a entrada, tentando reunir coragem. Respirei fundo e me aproximei devagar, cada passo mais pesado que o anterior.
Quando alcancei a porta, estendi a mão e toquei a campainha. O som ecoou baixo dentro da casa, e o tempo parecia desacelerar enquanto esperava. Alguns minutos depois, a porta se abriu.
Billy estava lá, sentado em sua cadeira de rodas, seus olhos surpresos ao me ver.
– Jacob? – sua voz carregava uma mistura de incredulidade e emoção.
Engoli em seco, sentindo minha garganta apertar.
– Oi, pai – respondi, minha voz mais baixa do que esperava, mas cheia de sinceridade.
Billy ficou em silêncio por um momento, mas seus olhos não saíram dos meus, como se estivesse processando tudo. E, naquele instante, percebi que, não importa o que acontecesse a seguir, eu precisava ter aquela conversa com meu pai.
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