Pais por acaso
51 Jacob- Enganado
Eu permaneci imóvel, sentindo meu coração martelar no peito enquanto aquelas palavras ecoavam pela minha cabeça. Filho. Ele disse que era meu filho. Cada fibra do meu corpo gritava para eu dizer que aquilo não era possível, que ele devia estar enganado. Mas a semelhança era inegável. Olhando para Joseph, era como olhar para uma versão mais jovem de mim mesmo. Meu corpo inteiro estava em alerta, mas minha mente se recusava a processar.
Joseph permaneceu em pé, visivelmente nervoso, mas determinado a falar.
– Eu descobri há um mês que sou adotado. – Ele começou, sua voz hesitante, mas sincera. – Meus pais adotivos nunca esconderam que eu era adotado, mas também nunca souberam muito sobre a minha história. Só agora eu consegui algumas informações...
Eu engoli em seco, tentando acompanhar as palavras enquanto o choque me paralisava. Joseph continuou:
– Descobri que fui deixado em um orfanato quando nasci. Quem me deixou lá foi Elizabeth Cullen. – Ele hesitou, como se estivesse tentando medir minha reação.
O nome dela me atingiu como um soco no estômago. Elizabeth Cullen. Memórias que eu preferia esquecer começaram a ressurgir, desordenadas, confusas.
– Elizabeth... – Minha voz saiu baixa, quase rouca. – Elizabeth Cullen?
Joseph assentiu lentamente.
– Sim, ela é minha mãe biológica. – Ele disse, olhando para mim com intensidade. – E ela me abandonou no orfanato.
Eu me afastei, passando a mão pelo cabelo, tentando organizar os pensamentos. Elizabeth... Elizabeth tinha engravidado de mim? Como eu nunca soube disso? Como ela pôde esconder algo assim?
– Isso... isso não faz sentido. – Eu murmurei, mais para mim do que para ele. – Elizabeth nunca disse nada. Nunca me contou que estava grávida.
Joseph me observava com atenção, mas ele parecia compreensivo. Ele respirou fundo antes de continuar.
– Eu conheci Renesmee no hospital. – Ele revelou, e isso me fez olhar para ele novamente, confuso. – Foi durante uma visita escolar com a minha turma. Eu estava lá para conhecer a rotina de um hospital. Ela me reconheceu imediatamente.
– Renesmee... sabe? – Perguntei, minha voz saindo mais forte do que eu pretendia.
Joseph assentiu.
– Sim, ela sabe. – Ele admitiu. – Ela estava tentando encontrar uma forma de contar para você. Queria fazer isso do jeito certo, mas... eu não consegui esperar. Eu precisava te conhecer. Eu precisava saber quem era o meu pai biológico.
Eu me sentei, sentindo minhas pernas fraquejarem. Era muita coisa para processar de uma vez. Joseph ficou em silêncio, respeitando meu tempo, mas seus olhos transmitiam uma urgência que eu não podia ignorar.
– Isso é... – Eu não consegui terminar a frase. Elizabeth. Joseph. Renesmee sabia. E eu? Eu estava aqui, completamente no escuro, até agora.
A revelação era como um peso esmagador sobre mim, e eu sabia que minha vida nunca mais seria a mesma depois desse momento.
Eu respirei fundo, tentando processar tudo o que acabara de ouvir. Joseph me observava, como se estivesse esperando uma explosão ou alguma reação que ele não podia prever. Mas eu não tinha forças para reagir como imaginava que deveria. Ele era só um garoto, inocente nisso tudo, e agora estava diante de mim, buscando respostas que, até então, eu mesmo não tinha.
– Joseph, eu... – Minha voz falhou, mas consegui continuar. – Eu realmente não sabia. Nunca soube sobre você.
Ele assentiu, parecendo aliviado.
– Renesmee me disse isso. Ela confirmou que você nunca soube. – Ele deu um pequeno sorriso, tímido, mas genuíno. – Eu acredito em você.
O peso que essa frase tirou dos meus ombros foi imenso. Apesar de tudo, ele não me via como culpado.
Joseph continuou, com os olhos brilhando de uma maneira que me desarmou completamente:
– E... bom, eu sei que é muita coisa para você, mas eu estou feliz. Não só por ter te conhecido, mas por saber que vou ter uma irmã. Sempre quis ter irmãos.
Eu não consegui conter um pequeno sorriso, mesmo com o turbilhão que ainda agitava minha mente.
– É verdade. – Respondi, tentando encontrar algum equilíbrio. – Você vai ter uma irmã.
Ele riu de leve, e por um momento o ambiente pareceu menos tenso. Mas a realidade ainda pairava sobre nós. Eu precisava de respostas, e só havia uma pessoa que poderia me dar todas elas.
– Eu preciso esclarecer isso, Joseph. – Falei, a seriedade voltando ao meu tom. – Elizabeth. Eu preciso falar com ela.
Joseph pareceu entender imediatamente.
– Ela chega de viagem hoje à noite. – Ele comentou, quase como se estivesse me encorajando a agir.
Eu me levantei e coloquei a mão em seu ombro, olhando para ele com sinceridade.
– Escuta, garoto. – Comecei, minha voz mais firme, mas cheia de emoção. – Não importa o que eu descubra com Elizabeth, quero que você saiba que você não tem culpa de nada disso. Você foi a maior vítima dessa história, e eu não vou te deixar de lado.
Joseph sorriu, e eu percebi a coragem que ele tinha para enfrentar tudo isso. Apesar do choque que eu sentia, aquele garoto era parte de mim, e nada poderia mudar isso agora.
Dirigi até a casa de Joseph em silêncio, perdido em pensamentos. Durante o trajeto, conversamos sobre sonhos, planos, e até mesmo sobre assuntos triviais, como filmes e esportes. Ele era esperto, cheio de vida e sonhos, e cada palavra que saía de sua boca fazia com que eu visse ainda mais de mim mesmo nele. Era impossível não sentir orgulho, mesmo no meio de toda a confusão.
Quando parei em frente à casa dele, Joseph me olhou e sorriu, como se estivesse esperando minha aprovação, minha validação.
– Foi bom te conhecer, Jacob– Ele disse com um sorriso tímido, mas cheio de significado.
Respirei fundo, tentando ignorar o peso das palavras dele, e respondi:
– Foi bom te conhecer também, Joseph. Nós vamos conversar mais, ok?
Ele assentiu e saiu do carro, acenando antes de entrar. Eu fiquei ali por um momento, observando a porta se fechar, e uma mistura de emoções tomou conta de mim. Quando finalmente dei partida, escrevi uma mensagem para Renesmee.
"Espero você na casa de Carlisle."
A decepção queimava no meu peito. Agora fazia sentido o comportamento estranho de Nessie, os desaparecimentos, as desculpas esfarrapadas. Ela sabia. E ela tinha escondido isso de mim.
Cheguei à mansão dos Cullen e estacionei o carro, respirando fundo antes de entrar. Esme foi a primeira a me receber, com seu habitual sorriso caloroso.
– Jacob! – Ela disse, aproximando-se. – Que bom te ver. Nessie está bem?
– Está, sim. – Respondi, tentando manter a calma. – Ela está vindo para cá.
Esme franziu a testa, percebendo algo estranho no meu tom, mas não insistiu. Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, Elizabeth apareceu no topo da escada.
– Ora, ora, se não é o homem do momento. – Disse ela, com aquele sorriso provocador que sempre usava para me irritar. – O que o traz até a nossa humilde casa?
A piada dela foi a gota d’água. Eu senti a raiva subir e não consegui mais conter.
– Por que você escondeu de mim que teve um filho meu? – Minhas palavras saíram como um trovão, enchendo o ambiente com uma tensão pesada.
Elizabeth congelou no lugar, seu sorriso desaparecendo instantaneamente. Esme levou a mão à boca, chocada, enquanto o silêncio dominava o espaço.
– Do que você está falando? – Elizabeth tentou disfarçar, mas sua voz tremia.
– Não minta para mim! – Minha voz ficou ainda mais alta, e dei um passo em direção a ela. – Joseph. Ele é meu filho, não é? E você o abandonou em um orfanato sem sequer me contar que ele existia.
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