Notas iniciais
Olá minhas crianças.. chegou a parte divertida da história.. Ryan mereceu isso, então não me julguem se ele foi fraco e idiota u.u Ele agora terá que planejar muitas coisas, pois ele voltou e encontrou alguém que, assim como ele, quer se vingar de Copérnicus... Mas este alguém é um aliado ou um inimigo? Estaria ele levando Ryan para uma armadilha? Hares e Copérnicus estão trabalhando juntos e disso Ryan sabia.. mas sua preocupação ainda é sobre Luna e Kattarine que estão desaparecidas ha muito tempo e cada segundo que passa poderia ser fatal á elas.. isso se elas não estivessem mortas. Boa leitura!!

Quando acordei senti uma leve dor no ombro, mas o ferimento era extremamente grave, pois havia atravessado meu corpo, porém a dor não me atrapalhava. Talvez por ser minha espada, ela não poderia me ferir, mas aquilo nos conectou de forma que pude sentir seu grande poder espiritual fluindo em mim. Puxei a espada de meu ombro de bruscamente tingindo o chão com meu sangue negro. Meus músculos cresciam e aquilo se tornou uma dor á altura para me tornar um monstro poderoso. Senti minha marca na testa se rasgar e meus olhos sangrarem. A rainha se assusta com a transformação e chama todos os guardas disponíveis no palácio para protegê-la. Vejo a espada transformada, ela emanava uma energia positiva – para mim – parecia ansiosa para lutar. Encarei seriamente a rainha das piranhas ironizando-a.

–Sua filha, não é? – sorri – Quer saber como eu a matei?

–CALE A BOCA! – gritava ela.

–Primeiro eu cortei todos os seus membros, um por um com esta espada – levantei a lâmina negra para que ela observasse bem – Eu me diverti com cada grito de dor estampados na feição de horror daquela criatura fraca e insignificante – sorri demonicamente para ela – E este foi o sorriso que ela viu antes que sua cabeça fosse arrancada de seu corpo pela minha espada. Ela gritou por misericórdia e chorou como uma vadia, e tudo isso me divertiu muito. Olhe bem para esta espada, pois será por ela que você irá morrer.

–DESGRAÇADO! – gritou ela – MATEM-NO!

Os guardas monstros de diversas formas atacaram-me de todos os lados. Concentrei uma grande energia espiritual e girei a espada que lançou um grande semicírculo de fogo tão poderoso que além de atingir a primeira linha de defesa, atingiu também a cápsula que nos protegia da água, provocando uma enorme rachadura fazendo a água entrar pelas suas brechas. Logo percebi que era perigoso outro ataque desses. Poderia ser um imortal, mas a sede me deixava cada vez mais humano, então a esta profundidade do oceano eu poderia me afogar. Que humilhante. Deveria me focar no principal alvo: a rainha.

Monstros me atacaram usando poderes marinhos trazendo para dentro do palácio criaturas com tamanhos anormais como polvos e uma espécie de estrela-do-mar a qual mexia seus tentáculos procurando me agarrar. De repente fui pego de surpresa por esta criatura e descobri que seu tamanho e força não eram as únicas coisas descomunais, eles possuíam poderes eletrizantes. Senti os raios me atingirem. Meu corpo molhado piorava tudo, pois estava aquilo estava me queimando e meus gritos não foram contidos e minha força diminuía, porém segurei firmemente a espada. Não tinha outra escolha. Lancei outra chama sobre os tentáculos da estrela-do-mar e derrubou outros guardas acabando com a maioria deles. As sereias tentavam recuperar o controle da situação lançando suas armas em minha direção, mas tudo foi desintegrado no ar, foi tempo suficiente para que o polvo lançasse uma bomba de tinta em mim. Não. Não era apenas tinta. Aquilo era veneno e estava adentrando meu sistema nervoso e penetrando em cada célula imobilizando-me. Caí no chão sem poder me mover, mas ainda segurava a espada. Olhei-a e vi o reflexo da rainha se aproximando atrás de mim com um sorriso sarcástico em sua feição.

–Não era pela sua espada que eu iria morrer? – zombou ela, o que me fez sorrir. Sua expressão mudou conforme meu sorriso se transformou em uma risada diabólica e incessante.

–Que ingênua – disse me levantando como se nada tivesse acontecido direcionando minha espada em sua direção resgando uma tira de suas vestes, em seguida segurei seu pescoço com força. Eu a queria viva – Sangue de domadores não pode ser infectado, em especial um sangue puro como eu.

A verdade é que eu não entendi o motivo do veneno não ter me afetado. Isso era mais uma pergunta a qual eu lutava por respostas, mas não queria deixar a dúvida invadir a mente aguada daqueles monstros marinhos.

–Sabe jovem príncipe, você me lembra da insignificante Vianna – comentou a rainha se referindo a sua filha, a qual ela protegera minutos antes – Ela queria me derrotar e seduzir todos os homens do meu reino. É algo sujo para uma rainha ter uma filha vadia do jeito que ela era.

–Está querendo dizer que baniu sua filha porque ela queria companheiros?

–Entendeu rápido. Ela fez com que meu reino entrasse em grandes guerras, principalmente entre os homens. Ela lançou magia negra em meus soldados para que eles se voltassem contra mim. Ela tinha que morrer, pois matar a rainha do oceano é um gravíssimo crime e a punição é a morte, mas eu fui piedosa demais e simplesmente a bani, no entanto você fez o serviço completo. Parabéns jovem príncipe.

Ela tocou minha mão e sorriu. Uma grande explosão vinda da rainha destruiu grande parte da cápsula tornando a entrada de água mais rápida. Restava-me pouco tempo. O palácio ficou completamente destruído quando a poeira abaixou e á alguns metros a rainha havia se transformado em uma serpente marinha de duas cabeças que mantinham uma aparência de dragões azuis com couraças de prata, rugia com raiva. Sem perder tempo uma de suas cabeças tentou me engolir e enquanto eu desviava de seu ataque inútil a outra cabeça soprava uma bola de gelo, desviei novamente, porém a primeira cabeça faz o mesmo com uma velocidade surpreendente, atingindo meu braço o qual segurava a espada congelando-o em uma pressão esmagadora. Podia sentir meus ossos sendo esmagados e o peso que o gelo fazia, mesmo com meus poderes, me imobilizava. Porque aquele gelo não quebrava ou derretia?

–Gostou do truque? Mistura perfeita entre o mais resistente gelo e o diamante. Boa sorte com suas tentativas fúteis de quebra-lo – comentava-a rindo.

Podia sentir o poder se acumulando em meu corpo, estava prestes a explodir. A piranha se viu em vantagem e covardemente desferiu um golpe fatal usando as duas cabeças criando uma gigantesca esfera de seu gelo combinado com diamante. Essa mistura de elementos me deixava inquieto. Quanta ousadia dessa vadia insolente. Não tinha mais opções de fuga, decidi confiar naquela pressão espiritual em meu corpo antes que o ataque dela me atingisse, porém ainda tinha consciência de que estava muito parecido com um humano e não poderia adivinhar os estragos que surgirão em meu corpo logo após esta batalha. Meu poder pode me ajudar e ser extremamente grande, mas mesmo assim ele me custava muitos danos.

–Se não confiar em nós, quem irá salvá-las? – perguntou a voz em minha mente fazendo-me lembrar de Luna e Kattarine – Você tem medo de mim? Tem medo do seu poder?

–Não! – Encarei o monstro marinho á minha frente libertando aquela ansiedade espiritual da espada causando uma explosão maior ainda provocando várias rachaduras na cápsula a qual estava prestes a ser rompida.

No momento em que a poeira abaixou e ela pode ver do que sou capaz ficou espantada. O gelo sobre meu braço havia sido quebrado e apesar dele estar sangrando e doendo muito, eu podia lutar sem nenhum problema, mas sentia a marca em minha testa sangrar e arder como fogo infernal.

–Como...?

Ela desfere outro golpe de gelo, porém é dividido ao meio pela minha lâmina. Não sabia que era capaz de fazer isso, mas aprendi uma lição valiosa. Sempre confie em seu poder, e foi o que eu fiz. Entendi o mistério que dividiu seu gelo ao meio: minha espada estava rodeada de um fogo místico negro. Emanava uma sensação consumidora. Uma sede demoníaca por almas.

De repente sou arremessado pela cauda da piranha, e vou de encontro à cápsula provocando uma imensa rachadura. Era o fim.

–Isso ainda não acabou herdeiro da maldição.

Quando a cápsula explodiu, a água entrou com toda sua força engolindo tudo em seu caminho, inclusive me jogou em direção aos escombros os quais se chocaram contra meu corpo me fazendo perder a consciência. Minha cabeça doía, muito sangue negro tingia a água. Afundei entre as rochas mais escuras do oceano. Não conseguia ver mais nada, apenas um imenso vulto se aproximando, porém minha consciência se tornou escura... E fria.

Abri meus olhos, um pouco cego, mas podia ver uma fogueira acesa ao meu lado refletindo sua luz no teto daquele lugar. Onde estava? Não conseguia ouvir nada. Meus músculos não se moviam e estavam extremamente doloridos. O que houve com a minha voz? Não podia nem reclamar pelas feridas. Levantei-me tão rápido que uma tontura insuportável me obrigou a deitar de novo. Observei minha mão, a qual segurou a espada com tanta força e sentiu todo aquele poder fluir em cada partícula do meu corpo como se eu o possuísse durante minha vida inteira. Afinal, o que estava acontecendo? Esta guerra já não faz mais sentido. São tantas perguntas e nenhuma resposta.

Meus sentidos voltaram pouco a pouco e pude ver melhor as ataduras envoltas em minhas feridas, principalmente em minha mão. Ela estava queimada. O buraco em meu ombro foi costurado e enfaixado. Quem fez isso? Logo senti uma bufada feroz ecoando atrás de mim. Novamente me levantei rápido demais vendo um imenso dragão vermelho de dentes afiados e olhos sérios que me encaravam passando a intenção de que não iria me atacar, mas por precaução coloquei-me em posição de ataque desembainhando a espada. Não, espera! Onde estava minha espada? Não demorou muito para que as dores me sufocassem e me derrubassem na parede daquele lugar. Era uma caverna grande que me protegia do sereno infernal. Sereno infernal? Eu havia voltado para o Inferno? Senti os pontos em meu ombro se abrir causando hemorragia.

–Já está em pé? Você não está curado ainda – comentou um sujeito encapuzado entrando na caverna com um cheiro reconhecível, era peixe.

–Quem... É você? – esforcei-me para falar, pois as pontadas de dores que me atingiam quase me calavam.

Ele deixou os peixes perto da fogueira e pegou de dentro de uma mochila de pano perto do dragão alguma coisa e veio em minha direção trocando as ataduras.

–O que é aquilo? – apontei para o dragão. É claro que eu sabia que era um dragão, mas eles estavam extintos e era muito curioso ver esta raridade de perto.

–Aquele é Azuki, agora cale a boca se não quiser que eu te fure.

Azuki. Nome de feijão. Isso soou engraçado. O sujeito costurou novamente meu ferimento que estava mais assustador do que o normal. A coloração dele me lembrava da mordida que Kattarine recebeu em seu ombro por aquele Doll na cidade fantasma, porém não estava infectado com a podridão daquela criatura, era apenas o meu sangue. Sangue de cor negra. Nunca me perguntei isso, mas porque mesmo meu sangue possuía aquela cor se minha família era normal? Eu sou o único imortal da cidade em que morava, porque minha família também não era? Seria isto uma... Maldição?

Ao terminar, ele foi preparar a refeição em silencio por alguns segundos até me pedir para deitar novamente. Eu não iria chegar perto de um monstro daqueles. Que confiança é essa? Quem iria me garantir que eles não são inimigos e que aquela besta fera não iria me devorar? Sentei-me perto da fogueira esperando a janta, mas estava preocupado com tantas coisas que invadiram minha mente. Ouvi a risada do meu demônio interior, mas não era uma risada normal. Ele parecia esconder alguma coisa. Que pensamento ridículo. Meu próprio poder saber de coisas que eu não sei. Eu realmente precisava de um descanso.

Devorei minha refeição em minutos. Minha fome me controlava e por mais que eu comia me sentia fraco e faminto. Precisava de sangue puro e virgem.

–Imaginei que estivesse faminto. Qual é seu nome guerreiro e de onde vem?

–Ryan. Vim da cidade Submundo, filho mais velho de Copérnicus. Quem é você?

–Seu pai... Matou minha mãe. Irei vinga-la mesmo que isso signifique matar você também.

–Se fosse tão ruim assim, teria me deixado afogar no oceano, além disso, eu também quero mata-lo. Vingar a morte do meu irmão e provar minha inocência.

Fez-se silêncio enquanto ele se alimentava jogando alguns peixes para seu feijão, quer dizer, dragão. Levantei-me e fui cuidadosamente para a entrada da caverna. O ar estava frio e úmido e aquelas árvores tombadas me lembravam da experiência estúpida de Otávio. Espere. Era a mesma caverna. Porque aqui? Aquele sujeito estava tentando me levar para uma armadilha? Se eu voltasse, Copérnicus estaria me esperando com um exército e provavelmente iria fazer de tudo para me derrubar, inclusive pedir ajuda para... Hares, mas estava cansado demais para pensar nisso agora. Encostei-me à parede da caverna e adormeci.

Senti arrepios. Senti-me sozinho. Estava preocupado. Não. Não era isso. Que sentimento é esse de repulsa que me sufocava me obrigando a ficar atento? Medo? Olhei para trás e vi o espelho místico de meu subconsciente, mas estava vazio.

–Você está me enojando, humano – comentou quase como um sussurro a voz reconhecida do meu demônio atrás de mim. Virei-me rapidamente surpreso ao encará-lo materializado.

–O que faz fora do espelho?

–Está com medo? Posso senti-lo. Está cada vez mais humano e isso está lhe deixando fraco. Devore a alma daquela humana – ele apontou para o espelho que refletiu a imagem de Luna quando abaixou as alças de seu vestido para que eu me alimentasse do seu sangue – É isso o que você deseja, é isso o que seu corpo deseja. São seus instintos. Sua fraqueza está vencendo você. Está me vencendo. Seu reinado neste mundo está morrendo, como você a cada dia que passa está se tornando um misero humano por causa do seu orgulho inútil sobre sua promessa fajuta de não a feri-la. Beba de seu sangue, ela entenderá.

Notas finais
Se chocaram? O demônio interior de Ryan materializado.. hoho Esperem-me até o próximo.. (: