PRÍNCIPE DAS TREVAS
7 Fraquezas - Parte 2
Notas iniciais
–Eu lutei contra guerreiros, monstros, sereias, ceifadores de almas e demônios para estar aqui e provar minha inocência no Inferno e recuperar minha honra novamente – dizia.
–Sereias? – perguntava Abby interessada.
–Sereias não existem, minha filha – respondeu a mãe.
–Não, não existem sereias realmente, pelo menos do jeito carinhoso e meigo que pensam. Sereias são monstros marinhos que seduzem e devoram suas vítimas e sugam da sua alma para viverem eternamente jovens e atraentes. Tome cuidado com os rios e lagos, pois existem vários portais por onde essas criaturas aparecem.
A noite chuvosa se aproximava trazendo uma brisa gelada e úmida. O rio se movimentava conforme o vento soprava sobre ele e os peixes pulavam migrando para outros rios. Deixei minhas roupas na margem do rio e adentrei-o apenas com uma cueca preta quando uma luz fluorescente surgiu brilhando o rio. Uma sereia emerge na superfície – era linda como todas as outras – e me encarou com um olhar desafiador. Lembrei que havia matado sua amiga no jardim alguns dias atrás. Talvez estivesse com remorso. Preparei-me para atacá-la, porém ela não parecia querer brigar.
–Você é Ryan Sanchez? – perguntou ela – Minha rainha deseja vê-lo.
–Tenho coisas mais importantes a fazer.
Notei que Maria e Abby estavam recolhendo as roupas do varal e me avistaram no rio incandescente com aquela criatura. Ficaram confusas e assustadas, mas não tomaram nenhuma atitude brusca para que a sereia as visse. Logo um redemoinho se formou dentro da água me sugando para dentro de uma espécie de túnel. Não pude reagir. Cai no chão de algas curtas que amorteceram a minha queda, um pouco. Levanto-me cuspindo toda a água que havia engolido nesta viagem e deparo-me com várias mulheres belas, vestidas como humanas. Estava no fundo do oceano, dentro de um palácio aberto, de colunas de pedras cristalinas decoradas com algas marinhas e muitas flores. O lugar era protegido contra a água por uma cápsula gigante. O trono principal era trabalho no cristal, fazendo formas de cavalos-marinhos e estrelas do mar e brilhava como magia. Uma mulher de cabelos escuros refletindo o azul do fundo do oceano me fitava com seriedade. Pelas suas vestes percebi que era a rainha, coberta de pedras preciosas e uma coroa bem evidente e extravagante de prata.
Fui empurrado por dois monstros com corpos de humanos e cabeça de tubarões para se curvar á rainha, mas me neguei a me ajoelhar para qualquer praga que entrar em meu caminho.
–Deixe-o – ordenou ela aos guardas.
A sereia que havia me trazido aqui estava agora com pernas e entregou algum objeto para sua majestade que o observou por alguns segundos, maravilhada com aquilo. Logo reconheci o brilho da lâmina a qual me chamava, convidando-me para uma dança sangrenta. Não. Estava me pedindo para recuperá-la. Seu poder espiritual me seduzia e quando acordei daquele chamado, estava caminhando em direção a ela, sendo puxado pela espada. Sabia que seu poder era grande demais para qualquer monstro suga-lo para se tornar jovem para sempre. Isso era um desperdício de poder e não permitiria que isso acontecesse, pois eu desejava minha espada, e ela a mim. Uma bela história de amor entre um guerreiro e sua arma.
–Realmente você é o jovem príncipe – comentava a rainha – Imaginei que seria um pouco mais poderoso. Não é nada sem isto, não é mesmo? – perguntava ela mirando para a espada.
–O que quer de mim, piranha? Insultei-a e os guardas direcionaram-me um soco forte o suficiente para que meu sangue esguichasse de minha boca me fazendo cambalear.
–Você matou minha guardiã, uma sereia importante para nós, você matou uma princes-
–Eu não me arrependo – interrompi-a.
Um dos guardas tentou desferir outro golpe, mas foi impedido quando segurei seu braço o jogando de costas no chão, enquanto o outro envolveu seu braço em meu pescoço me enforcando. Senti meu coração acelerar e meu sangue ser pressionado em minhas veias. Não conseguia respirar, apenas ouvi a rainha se levantar e gritar:
–EU VOU MATÁ-LO COM SUA PRÓPRIA LÂMINA!
Foi a última memória antes de a minha visão escurecer e os espelhos do meu subconsciente eram as únicas coisas que eu via naquele lugar, porém eram milhares e pareciam não ter fim. Meu reflexo, digo, o reflexo monstruoso de meu poder surgiu em todos os espelhos com um olhar de decepção apesar de seus olhos serem completamente negros e assustadores.
–Você está me envergonhando. Como ousa deixar ser abatido por insetos como aqueles? Quem é você agora Ryan?
Mirei um soco no espelho, mas ao invés de se quebrar, ele vibrou como ondas sonoras e depois se reconstituiu.
–Esta é sua raiva? Fraco. Onde está seu ódio por aquele que roubaram sua preciosidade? O seu sentimento mais obscuro é o que está conectado aos seus poderes com ou sem espada – provocava ele logo me mostrando uma imagem no espelho, era a rainha escamosa que havia encravado a espada em meu ombro. Ouvi o som atormentador de sua risada demoníaca – Mate-a.
Quando acordei senti uma leve dor no ombro, mas o ferimento era extremamente grave, pois havia atravessado meu corpo, porém a dor não me atrapalhava. Talvez por ser minha espada, ela não poderia me ferir, mas aquilo nos conectou de forma que pude sentir seu grande poder espiritual fluindo em mim. Puxei a espada de meu ombro de bruscamente tingindo o chão com meu sangue negro. Meus músculos cresciam e aquilo se tornou uma dor á altura para me tornar um monstro poderoso. Senti minha marca na testa se rasgar e meus olhos sangrarem. A rainha se assusta com a transformação e chama todos os guardas disponíveis no palácio para protegê-la. Vejo a espada transformada, ela emanava uma energia positiva – para mim – parecia ansiosa para lutar. Encarei seriamente a rainha das piranhas ironizando-a.
–Sua filha, não é? – sorri – Quer saber como eu a matei?
–CALE A BOCA! – gritava ela.
–Primeiro eu cortei todos os seus membros, um por um com esta espada – levantei a lâmina negra para que ela observasse bem – Eu me diverti com cada grito de dor estampados na feição de horror daquela criatura fraca e insignificante – sorri demoniacamente para ela – E este foi o sorriso que ela viu antes que sua cabeça fosse arrancada de seu corpo pela minha espada. Ela gritou por misericórdia e chorou como uma vadia, e tudo isso me divertiu muito. Olhe bem para esta espada, pois será por ela que você irá morrer.
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