Capitulo 33 — Velório

O dia estava acinzentado. Mahogany tinha um clima fúnebre e gélido. O inverno batia a porta, mas mesmo que não batesse a tristeza das pessoas que estavam naquela cidade cuidaria para que o clima fosse aquele. Eram mortes demais para que eles pudessem se recuperar.

A tristeza e a comoção pela morte de alguém gerava aquele tipo de clima no ambiente. Eu sabia, melhor do que ninguém, como era duro enfrentar a morte. Talvez fosse uma cina da minha curta vida, de que os seres vivos ao meu redor fossem sempre correr riscos de vida. Mas, o que eu poderia fazer? Isso começou muito antes de eu ter consciência. Antes mesmo de eu nascer.

Após tantos ataques da Estilo de Poder a cidade de Mahogany já havia feito tantos velórios que ninguém diria que mais um os afetaria daquela forma. Mas, homenagear os mortos naquele dia era mais do que necessário. Mortos que eram heróis, mortos que eram promissores e que talvez fossem surpreender ao mundo.

- Estilo é quando você pega habilidades distintas e as condensa em algo novo. — As palavras pararam de sair da boca da minha boca. Respirei fundo para tentar continuar, mas a pausa fez apenas meus olhos enxerem-se de lagrimas. — Pryce era uma das provas vivas. -

Não era preciso que eu falasse sobre a vida dele. Todos conheciam a vida daquele homem de mais de 80 anos que ao final morrera como herói. As lembranças e o carinho que o mundo sentia por aquele homem era estampado no rosto das pessoas que vinham lhe prestar uma última homenagem. Uma última homenagem, mesmo que significasse ser preso por causa daquilo.

Eu não os reconhecia, mas via que as Oficiais Janes encaravam um pequeno grupo com uma insistência que eu sabia, aquelas pessoas não deveria estar ali. Reservadas e escondidas em meio as outras, distantes o suficiente para poderem desaparecer da mesma forma que apareceram a Equipe Rocket, mesmo que traída por ele, prestava sua homenagem.

O velório de Pryce havia comovido e movimentado muitas pessoas. Pessoas das mais diversas partes do mundo. Rivais e pessoas antigas. Treinadores que um dia o desafiaram pela insignia e pessoas que apenas tinham ouvido falar que ele se sacrificou na tentativa de salvar quatro jovens das mãos da Estilo de Poder. Pryce não tinha família, mas seu velório possuía uma multidão comovida e digna de quem muito era respeitado.

Se todos esses tinham algo a dizer, por que eu não teria? Por que as palavras não conseguiam sair da minha boca naquele momento?

Estavam todos me olhando esperando minhas palavras. Simplesmente o prefeito me chamou esperando que eu falasse algo. Simplesmente os líderes de ginásio me olharam. Como eles chegaram tão rápido a cidade? Eles acompanharam meu caminhar tropego e sofrido até o ambão, ao lado do caixão do velho Pryce. Uma de minhas pernas estavam com pontos eu precisava me apoiar na outra para não fazer muito esforço.

- Talvez eu seja o, que aqui está, que menos o conhecia. Mas, aprendi a valorizar a vida por meio de seus ensinamentos. — Consegui proferir mais algumas palavras e evitava olhar nos olhos de algumas pessoas.

Como encarar os habitantes daquela cidade? Como encarar os olhares dos líderes? Eu não conseguia sequer olhar-me no espelho. Eu não gostava de fazer discursos. Eu não gostava de estar no centro do mundo. Eu não era herói. Eu não era herói. Eu não era herói.

- Eu não era herói. — Minha boca pronunciou o que meu pensamento repetia diversas vezes. Céus, o que eu queria dizer com aquilo? — Ele era... Ele foi... Ele é... — Apontei para o caixão de forma trêmula. — Sei que todos esperam que eu diga algo... — Minha mente navegou até o momento de sua morte. Por horas eu tentei evitar rever aquela cena na minha cabeça. Mesmo tendo sido forçado dizer as autoridades como tudo havia ocorrido. — … todos viam em mim um herói... mas ele é o verdeiro herói. -

Ele havia aparecido sorrateiramente. Pedra Noturna só percebeu que ele estava ali após ser confinado no esquife de gelo criado, possivelmente, por um raio de gelo ou talvez o Soco de Gelo. Ele se apressou em verificar como eu estava, assim como os outros dois pokemons caídos. Nesse meio tempo ele percebeu que Tyranitar havia rompido o esquife de gelo. Mas, ele jamais poderia imaginar que Pedra Noturna já estaria atrás dele com uma faca na mão.

Foi tudo tão rápido que ele não teve chances de saber que Pedra Noturna estava atrás dele, até que tudo havia acontecido.

Um corte no pescoço e seu sangue esguichou. No mesmo momento a serpente de pedra, Onix, que estava caída e derrotada, surgiu atrás de Beartic, o urso polar, que me carregava nos braços, enrolando-se nele para esmagá-lo. O urso ainda me jogou um pouco para frente, para que eu também não fosse preso e estraçalhado pela pressão.

Ele nem soube o que o atingiu antes de conseguir virar e olhar no fundo dos olhos de seu agressor. Pedra Noturna parecia não ter sentido nada com seu ato assassino. A poça de sangue dele aumentava gradativamente enquanto aquele monstro caminhava em minha direção, pronto para fazer mais uma vitima.

- Eu não posso dizer tudo que aconteceu naquele momento. Eu perdia muito sangue pelo ferimento da perna e já não conseguia raciocinar direito. Sei que apenas por causa dele, de seus pokemons e do pokemon de meu pai, estou vivo. — As pessoas continuavam me olhando, enquanto algumas pessoas choravam o que me dava ainda mais vontade de chorar.

Eu olhei para Trevor e Cowboy que estavam com muitas feridas, mas faziam questão de estar ali. Eles haviam sido teleportados para a base de uma das Montanhas. Meu Pidgeot os encontrou primeiro que Golem. Seguindo as instruções de Barreira o pokemon os levou até o topo onde, como que por milagre, uma oficial Jane monitorava a tentativa de Pryce de nos resgatar, enquanto ela esperava os reforços. Ela não havia percebido-os na base da montanha, certamente era impossível vê-los pela posição. Todos foram resgatados, sendo que o de pior estado era Barreira e sua perna.

Enquanto eles eram resgatados, eu olhava e sentia a morte se aproximar.

Foi uma epifania que me veio enquanto eu sentia o frio da lamina encostar no meu e pescoço. Não teria como ter sido outra coisa já que o que ocorreu a seguir era impossível. Quando toda a minha vida e o aprendizado passou diante dos meus olhos eu escutei a voz de meu pai dizendo para que Poliwarth levantasse e que eu o comandasse condensando tudo o que eu havia aprendido.

Eu estava tão perto do outro mundo que já podia escutar a voz do meu falecido pai. Fechei os olhos e senti que a faca afastou-se do meu pescoço. Tão indolor quanto a brisa que passava.

Abri os olhos escutando alguns grunhidos. De repente Poliwarth estava na minha frente e havia quebrado a lâmina da faca. Pedra Noturna calmamente andou para trás um tanto quanto insatisfeito, mas nada surpreso. Ele conhecia o poder do pokemon de meu pai melhor do que ninguém. O triste era que eu não conhecia.

Olhei para trás e Beartic estava ficando meio arroxeado. Ele estava ficando sem ar e sem força. Eu tinha que dizer que aquele pokemon era realmente incrível, estar resistindo todo aquele tempo, que na verdade eram poucos instantes.

Eu não sabia o que fazer. Mas, as palavras de meu pai continuavam repetindo para que eu condensasse o que eu havia aprendido. As ultimas coisas que eu havia aprendido, e me lembrava pelo rápido flashback de minha vida, era o que aprendi em alguns ginásios. Usar poder total o mais próximo possível do adversário era o que os dragões faziam, no ginásio do gelo a usar o gelo pelo livro que ganhei e no ginásio lutador só lembrava daquele maldito direto de direta.

Eu sentei e apontei para Beartic e Onix. Poliwarth olhou para mim em dúvida. Tyranitar e Pedra noturna estavam próximos e se ele saísse dali eu poderia ser atacado novamente. Mas, eu não poderia deixar o pokemon de Pryce morrer depois dele ter morrido para me salvar. Poliwarth pareceu entender meu olhar e correu na direção da serpente de pedra.

Concentre no punho direito Soco de Gelo, interrompa corrida fazendo base firme com a perna esquerda e gire abdomem, com ombro direito e soque com tudo. Os três aprendizados condensados em um único movimento.

- Com um ataque condensado Onix caiu com sua face trincada. — Eu ainda tentava acreditar que meu ataque não havia matado aquele pokemon. Eu achava que ele havia morrido afinal nunca vi uma rachadura como aquela, era como houvesse despedaço o crânio. — O que aconteceu depois foi estranho. Um outro General apareceu, Venon Hidráulico. Ele falou algo para Pedra Noturna que pareceu alarmado. Os dois me olharam e logo eu estava sozinho, junto com os pokemons e o corpo de Pryce. -

Foi algo completamente inusitado. Contra qualquer lógica possível. Eu estava acabado. Um pokemon deles possivelmente havia morrido e eles iam embora como se nada estivesse acontecendo, sem levar nenhum único pokemon? Resolveram me deixar ali, sozinho com os meus ferimentos, com os feridos e o corpo. A única coisa que entendi que Venon disse foi “cinco deles”. Fosse o que fosse, parecia que era mais urgente do que eu. Então eu desmaiei e só acordei no hospital.

E se alguém me perguntar eu não sei responder o porque não se teleportaram levando o restante de nós junto. Era tão simples que parecia ridículo de não ser feito.

- Eu poderia falar de vingança e de muitas outras coisas, mas nada disso honraria Pryce. — Olhei para os lideres que continuavam esperando que eu dissesse algo. Ainda pareciam insatisfeito com minhas palavras. Eu não entendia o que eles esperavam de mim, até que passei os olhos pela multidão, da direita para a esquerda. Depois da esquerda para a direita e percebi que três figuras haviam surgido do nada em meio a multidão. — Maninha... — Balbuciei ao vê-la, surrada e toda suja, mas parecia estar bem. Ela estava ao lado de Thor e Agatha. Eles haviam aparecido, via teletransporte, do nada. Algumas pessoas chegaram a se virar para entender e talvez identificaram-na, ou talvez sequer a perceberam. Mas eu estava pronto para sair correndo dali e abraçá-la.

- Talvez não haja forma de honrar tudo o que ele fez por mim e pelos demais. Mas, se um dia eu descobrir eu o farei. — Dei um passo para sair de perto do caixão. Senti a perna doer. Me desequilibrei e foi então que eu vi, atrás dos três recém-chegados, o ginásio.

Fiquei parado observando o ginásio. Era um sentimento estranho. Algo que precisava ser feito, mesmo que eu não tivesse a menor ideia de como. Eu via o ginásio e nele eu via mais do que um ginásio. Eu via a imagem de Pryce e a voz dele me convidando a ser seu substituto. Olhei os líderes continuavam com a mesma expressão, no entanto, um pouco mais decepcionados. Olhei o prefeito que continha algumas folhas nas mãos, provavelmente como cronograma do velório.

- Bem... — Eu voltei ao microfone. — Há algo que eu possa fazer para honrá-lo. Atender a seu ultimo pedido. — Eu parei incerto. — Pelo menos o que ele me fez antes de eu deixar Mahogany a quase um mês atrás. — Eu suspirei. O que eu estava fazendo? Eu não tinha a menor capacidade para aquilo, sequer possuía um pokemon do tipo gelo. Mas, eu estava em divida com ele. — Pryce havia me convidado a substituí-lo no ginásio durante um ano. Eu recusei porque não sou, nem de perto, sábio o suficiente para ser líder de ginásio. Mas... — Eu parei olhando para os líderes que estavam agora, cada qual com um sorriso de satisfação. Eles estavam esperando que eu aceitasse aquilo. Eles estavam todos cientes do pedido de Pryce. Todos aprovavam aquela loucura. — … se a cidade, os líderes e a associação de batalhas aceitarem e me ajudarem, farei o possível para que dentro deste um ano o ginásio seja bem cuidado. — Eu me virei para o caixão e me curvei, reverenciando-o enquanto eu escutava alguns choros maiores e uma comoção ocorrendo.

Quando me virei, lá estava Morth, de pé, a minha frente. Fiquei me perguntando quanto tempo passei curvado para o caixão para que ele fosse tão rápido a estar ali ao meu lado.

- Um líder de ginásio precisa saber valorizar a vida acima de tudo. Precisa de conhecimento sobre o tipo de pokemon que treinará e um estilo para avaliar seus desafiantes. — Morth disse isso a todos. — O desafiante que conquista todos as insignias é um candidato a líder, por vencer todos esses desafios. — Morth nesse momento esticou-me a insignia do seu ginásio. Eu fiquei parado sem entender nada. — Essa é a insignia do ginásio de Ercuteak, para o qual você rumava. Sem ela você não pode se tornar líder em Jotho, já que todos os líderes precisam te aprovar como tal. — Naquele momento ele pegou a insignia colocando em minha mão e e fechou-a rapidamente.

Eu fiquei sem entender. Eu sabia o que estava acontecendo. Eu havia vencido o ginásio dele, provado e superado os desafios, sem a necessidade de uma luta, mas eu estava completamente perdido para conseguir entender.

- Lidar com pokemons fantasmas, nesse ponto você já havia provado, mais do que merecidamente que sabe o que fazer. Recentemente começou a valorizar a vida e isso lhe dá o segundo desafio. No terceiro eu espero que a pessoa novamente me mostre o valorizar da vida de uma forma única... — Morth me encarou e eu pude ver nos seus olhos o que ele queria dizer.

Na luta que Juliana teve com ele, onde ele não a atacou a nenhum momento e interrompeu a luta quando ela não podia mais, ele esperava que ela desistisse da luta. O terceiro desafio é abdicar do que deseja. Quando desisti de minha jornada para ficar em Mahogany durante um ano, eu cumpri o terceiro desafio.

Possivelmente, em uma luta eu jamais teria conquistado essa insignia. No meio da luta abrir mão da minha estratégia ou de um golpe em nome da vida é muito mais complicado. Ainda mais que eu já estaria medindo os ataques para não preservar a integridade de todos. Seria impossível eu perceber isso. Mas, ali no velório eu percebia.

Eu não aguentei mais e chorei.

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O corpo de Pryce foi cremado e espalhado pelas saídas de Mahogany. Eram três saídas e eu queria ter acompanhado todas, mas os ferimentos ainda me afetavam de tal forma que pude apenas sair do tablado, caminhar até minha irmã e abraçá-la antes que um oficial Jane e uma Joy viesse me encaminhar de volta ao hospital.

Fiquei hospitalizado ainda uma semana. E foi uma semana longa e com acontecimentos muito esquisitos. O primeiro foi Jasmine me falando sobre os resultados das apostas e eu agradecido aos céus por ter conseguido vencer. Desde o momento em que o Onix Surgiu no vale eu havia esquecido completamente daquilo. Era difícil imaginar como o dinheiro perde o sentido se você está para perder sua vida.

O segundo foi a despedida de Trevor, Barreira e Cowboy. Não houve nem mesmo um tipo de conversa entre agente. Um obrigado rápido trocado entre os quatro e um “Nos vemos na liga!” quase que sem emoção. Não parecia que haviamos passado por uma luta onde quase morremos. Não parecia que Cowboy deveria me odiar pela questão da aposta.

Os quatro treinadores mais promissores de suas idades. Certamente esqueceram que minha mana tinha a idade de Barreira. Ou será que o nível da minha irmã já era tão alto que não poderia ser comparado aos demais?

Talvez ela não pudesse, afinal ela fez o que ninguém teve coragem para fazer. Julia me contou sobre sua luta como Caçador das Sombras e como ela derrotou os seis pokemons que ele tinha e quando estava para atacá-lo diretamente, Lugia surgiu dos mares retirando o Caçador de lá, sem que ela descobrisse nada a respeito dele, a não ser o fato de que ela realmente poderia ter o vencido das outras vezes.

Era estranho como os pokemons lendários estavam atendendo ao chamado daquela praga das sombras. Mas, ele não era problema por hora. Ele viria atrás de Pidgeot, mas teria que derrotar a ave primeiro e minha irmã em sequencia, ela ficaria comigo em Mahogany para me ajudar com a tarefa de líder de ginásio, e claro que eu pretendia melhorar um pouco minhas habilidades, afinal seria um líder de ginásio.

Líder de ginásio. Eu não tinha ideia do que iria fazer mas o documento, amassado, sujo e quase destruído, que Pryce havia me dado, me dava todas as informações possíveis. Acho que o que faltava era com coisas muito idiotas para precisar estar escrito ou muito raras de acontecer.

- Está bem movimentado lá fora. — Diz Julia observando pela janela do quarto enquanto minha sessão de fisioterapia, ou qualquer coisa parecida que a Joy local estava tentando fazer. — Em uma hora receberá o titulo de líder de ginásio de Mahogany. — Ela sorriu. — Meu irmãozinho, um líder de ginásio. — Ela riu. — Nada mal para quem não queria sequer sair em jornada, não é? -

Eu sorri meio sem graça. A enfermeira Joy ficou me olhando devido aquele comentário e eu percebia que havia alguém na porta, me aprecia outra enfermeira Joy, mas menor.

- Você por acaso é filho do Pryce? — Joy perguntou meio assustada. — Essa sua recuperação não é possível. -

Minha irmã observou o ferimento da minha perna e foi olhando os ferimentos do meu corpo. Realmente estavam em um estágio de recuperação bem avançados. Pelo que Joy dizia eu deveria levar pelo menos um mês para que a ferida chegasse a aquele ponto de cicatrização e naquela altura eu já não deveria ter os pontos. Pelo visto poderia caminhar sem grandes problemas para a posse.

Pryce tinha aquela recuperação espantosa graças ao seu DNA alterado. Por isso seu corpo foi cremado, para que ele pudesse descansar em paz e ninguém viesse a violar seu corpo. Mas, porque meu corpo estava se recuperando daquele jeito?

- Preocupado com isso? — Perguntou minha irmã sentando-se perto de mim enquanto Joy saia para buscar as ferramentas para retirar os pontos.

- Não se preocupem, isso é normal para quem foi ferido pelos demônios. — A voz de Agatha tomava conta do recinto.

Eu fiquei calado lembrando-me de seu anel. Ela não falou muito apenas caminhou até nós e afagou tanto os meus cabelos quanto os da minha irmã. E de fato, minha recuperação aos ferimentos recentes que tive em Jotho eram espantosos, mas eu não parava para pensar muito naquilo. Não sabia sobre tempo de recuperação para os ferimentos e não teria como dizer realmente se era algum tipo de milagre.

Quem era ferido por um demônio tinha sua vida mudada completamente. O ferimento demorava bastante para cicatrizar, felizmente o meu havia sido um pequeno arranhão, mas mesmo assim doeu por um bom tempo. Mas, conforme Agatha dizia, daquele momento em diante, os ferimentos normais eram cicatrizados muito mais rapidamente. Eu não saberia dizer o quanto, mas sabia que era apenas cicatrização e não cura, pois no vale Charizifico os ferimentos do caminho foram infeccionando.

Eu não estava com cabeça de dar uma de pesquisador naquele momento para entender como aquilo funcionava. Resolvi somente agradecer.

- Sinto por não ter podido ajudar durante a batalha contra Pedra Noturna. — Dizia Agatha. — Eu vi isso acontecer muito tempo atrás, mas algumas coisas mudaram. Na minha visão você e sua irmão enfrentavam Pedra Noturna juntos, e não você sozinho. — Ela pareceu menear com a cabeça. — Mas... se a minha visão mudou é porque o destino mudou. -

- Por isso você está aqui, não é? — Minha irmã parecia mais inteirada do que eu sobre visões. Eu não sabia do que elas falavam exatamente, mas fiquei quieto apenas escutando. — Algo vai acontecer com agente, não é? -

- Já está para acontecer. — Dizia Agatha. — Por isso Thor e eu estamos aqui. Enquanto vocês estiverem na posse, ele e eu estaremos lutando contra um demônio que está se aproximando de Mahogany. — Agatha suspirou e eu me arrepiei junto com minha irmã. — Nosso responsável pelo monitoramento disse que ele está vindo pelas montanhas e seguindo para a cidade como se estivesse com um alvo especifico, o que jamais vimos acontecer até agora. -

- Ele está seguindo o cheiro de um de nós. — Eu falei e as duas me deram atenção total. — Eu não sei bem ainda, mas sei que eles costumam perseguir aqueles que eles atacaram. Como ocorreu com o Schyther que prendi junto com Sabrina. -

Elas compreenderam a ideia de imediato. Perto das duas eu me sentia um idiota. Elas eram muito inteligentes e pegavam tudo muito rápido.

- Mas, talvez não seja atrás de ninguém vivo. — Comentei. — Pryce me falou que enfrentou os demônios por duas vezes mas conseguiu afugentá-los ou fugir. Entao, quando ele morreu e suas cinzas ganharam o ar.... Pode ter facilitado o cheiro dele, que estava oculto pelo gelo ao redor. -

Teorias. Mas que não faziam o menor sentido. Eu rezei para que Thor e Agatha pudessem parar o demônio antes dele chegar a minha nova cidade. Julia estava alerta. Eu estava atento e tentando participar da cerimônia, mas estava pronto para sacar Pidgeot e Gastly. Um para atacar o pokemon o mais rápido que pudesse e outro para enganar as pessoas usando o transformar, que eu ainda não tinha muitas ideias de como.

O problema era que o demônio estava tão longe de ser o problema maior durante a posse que eu cheguei a achar que realmente tudo ia terminar bem, em especial quando eu já estava oficialmente como líder de ginásio.

Uma explosão. Gritaria. Correria. Inúmeras explosões. Inúmeros membros da Estilo de Poder correndo pela cidade junto a pokemons tão poderosos que eu duvidei que eles existissem. Eles haviam vindo para terminar o que que começaram. Me matar!

- Rápido! Vamos proteger as pessoas. — Uma oficial Jane virou-se para mim como se eu soubesse o que fazer naquela situação. — Líder? — As oficiais ficaram me olhando ainda tentando sair do meu estupor.

Só então me lembrei de algo importante sobre o líder de ginásio de uma cidade. Os líderes de Jotho passaram a ser responsáveis por atuar junto a policia na proteção da cidade.

Líder de ginásio, policial e caçador de demônios. Não tinha como ser pior.

- Júnior... — Minha irmã tocou o meu ombro. — A estrada pela qual Thor e Agatha passaram desmoronou. Eles estão presos daquele lado e as outras entradas e saídas da cidade estão para ser soterradas também. -

Ficou pior!

Notas finais
No próximo episódio... Quarta Feira... SAGA 3! AEEEEEEEE