Pérolas e Safiras

10 Revelação do Passado Hyuuga – Parte I


Notas iniciais
Olá, leitores! Aqui vai mais um capítulo de P&S saído direto do forno! Rs. E como vocês estão vendo, sim, é um capítulo dividido. Por favor, me perdoem, mas não tinha como não dividir. Tenho uma notícia para dar a vocês, ruim para uns, mas ótimas para outros. Depois do próximo capítulo a fic vai estar entrando na sua finalização. Talvez dure mais uns cinco ou seis capítulos, não muito mais que isso. Então quem quiser recomendar é essa é a hora ;p (brinks galera!). Rs. Já dei meu recado, então chegou a parte onde eu agradeço a quem comentou, fiquei muito satisfeita com os comentários, muito obrigada e nunca deixem de dar suas opiniões, eles são o meu caminho das pedras amarelas do qual devo seguir. Sendo assim, aproveitem a leitura! Beijos ;)

“Você poderia ser minha sorte. Mesmo que o céu esteja caindo, sei que estaremos sãos e salvos” — Capital Cities, Safe and Sound.

Hinata teve a completa certeza de que trabalhar para o clã nunca foi tão chato e irritante como estava sendo.

Ela não sabia se sentia isso devido ao fato do seu pai estar, irritantemente, de olho nela ou a promessa que Naruto havia feito. Talvez fosse às duas coisas. Porém, a garota nunca pensou que ao voltar para casa aconteceria coisas tão... Espetaculares e inacreditáveis!

Pela primeira vez em sua vida tinha um encontro e justamente com o homem que ama. Tudo bem que era às escondidas, já que Hiashi andava sondando a morena como se ele já imaginasse sobre ela e o louro. A jovem não entendia o motivo dessa fiscalização constante. Seu pai agora a proibia de sair da mansão principal sem estar fortemente escoltada, era tão enervante. Ela tinha a sensação de estar presa numa alta torre de marfim, onde nem o príncipe de armadura brilhante poderia salvá-la.

Ao pensar em seu príncipe dos contos de fadas, Hinata permitiu que um suspiro apaixonado escapasse de seus lábios rosados. Nunca imaginou que Naruto a convidasse para sair, era mais do que podia sonhar, estava completamente perdida em nuvens coloridas e fofinhas...

– Anda muito distraída, Hinata. – A voz fria de seu pai a acorda de seus pensamentos.

Ela eleva seu olhar para frente e dá de cara com Hiashi a observando com uma xícara de chá na mão, sentado de maneira confortável em uma das cadeiras do escritório. Dava para perceber que ele tentava descobrir seus segredos apenas lendo seu olhar, sendo assim, a morena iria impedir que conseguisse decifrá-la. Não permitiria que seu pai estragasse seu bom momento, o único que teve depois de tanto tempo chorando e divagando sobre o passado.

– Deve ser o cansaço. – Mentiu abrindo um sorriso fraco, um sorriso tão ensaiado que fez um nó se formar no estômago do homem.

O velho Hyuuga teve de concordar, estava pressionando muito a garota desde que voltou de viagem, mas aquele era o seu castigo por ela ter ido a uma missão perigosa sem uma escolta. Quantas vezes precisaria repetir que, como líder, deve levar consigo Koichi e os outros? Eles trabalham exatamente para isso e não para proteger o ex-líder, como a morena havia ordenado para que escoltassem seu pai em segurança de Suna.

Mesmo com todos esses pensamentos, Hiashi apenas deu de ombros e continuou a tomar seu chá. Já estava tarde e o sono misturado ao cansaço de um dia amontoado de trabalho, cobrava o seu preço para os dois.

Não aguentando mais permanecer sentado, o Hyuuga encerra o castigo e permite que a garota vá descansar.

Já era tarde da noite e a madrugada se aproximava, então depois de um rápido banho, Hinata pensou seriamente se dormia ou se preparava para ir à entrada do clã. Como combinado com o Uzumaki. Ela queria dormir por um curto período de tempo, mas tinha medo de não acordar no tempo certo... Então para não haver problemas futuros, abre o seu guarda-roupa e decide qual roupa vestiria.

Ah, a mortal decisão do que iria usar.

O que agradava a ele? Um vestido? Não, eles precisariam correr. Vestidos estavam fora de cogitação. Shorts? Não, ela não se sentia bem usando aquela peça curta, mostrava pele demais. Seria uma calça, tinha de ser confortável para fugir e diferente das suas calças ninjas.

Sendo assim, pegou uma calça de tecido justo e fácil locomoção, tão leve que parecia ser uma segunda pele. Garimpando seu guarda-roupa, acabou por encontrar uma blusa de manga comprida da discreta e neutra cor preta. Ao se vestir, Hinata não sabia se deveria usar algo mais diferente ou menos justo. Ela estava simples de mais e simplicidade não combinava com as emoções animadas que coloriam seu dia. Mas não podia exagerar da sorte, tinha de ser invisível para sair do clã. Koichi e os outros guardas são muito bem treinados para estragarem as felicidades das filhas do patrão. Não conseguia contar em seus dedos os encontros perdidos de Hanabi e das quantas vezes que precisou ficar acordada para consolar a garota...

Já prontamente vestida, olhou para o relógio em cima do criado mudo e se assustou ao ver que passou muito tempo decidindo o que vestir e que se não despistasse os guardas iria possivelmente perder o encontro.

Com o coração batendo acelerado em seu peito, Hinata abriu lentamente a porta do seu quarto e olhou para todos os lados do corredor. Ao ver que não havia ameaças a sua grande noite, deslizou silenciosamente para o corredor e decidiu atravessar o pátio de treinamento e ir pelos fundos, talvez Koichi ainda não tivesse feito sua ronda por lá.

Já estava no meio do pátio e confiante de que nada daria de errado, quando a voz do seu pai fez com que tudo desmoronasse e um balde de água fria varresse seus sonhos para o mais longe de suas mãos.

– Aonde pensa que vai, Hinata? – Perguntou fazendo com que a menina parasse de andar imediatamente.

Respirando fundo para acalmar toda frustração e raiva que sentia, a morena se virou lentamente para o corredor e encarou seu pai que a observava de maneira dura e séria. Os braços cruzados indicava que ele estava com raiva.

Agora, estou ferrada... – pensou temerosa daquela expressão, vista nos raros momentos em que treinava com ele. O olhar da decepção.

Hiashi estava decepcionado com a morena, nunca imaginou que a doce e submissa garotinha iria fugir de casa. Esse comportamento era mais óbvio em Hanabi, que tinha o espírito livre e indomável. Por sorte, não sabia o motivo para sua primogênita estar fugindo de casa O que evitou uma fúria incontrolável. Mas isso não significava que permitiria aquele deslize.

A jovem até pensou em abrir a boca para pedir permissão ou inventar uma história, mas se seu pai colocasse alguém para segui-la, aí teria um problema bem maior que esse.

– Volte para seu quarto. – Hiashi ordenou com a voz dura e severa, o que fez uma repentina e perigosa raiva fluir pela garota. Mesmo que seu lado submisso tenha a feito encolher seus ombros. Ela odiava aquele tom de voz.

Teve de segurar sua língua para não dizer algo que ocasionasse um desfecho triste. E sem possuir mais o que fazer ou possibilidades, restou para moça engolir o choro e voltar submissa para seu quarto.

Mas quando ela jurava que as coisas não podiam piorar, foi ai que tudo se tornou um completo caos.

As coisas aconteceram de maneira rápida, mas para ela foi como se estivesse assistindo um filme em câmera lenta. Seus olhos se arregalaram ao ver Ghost por trás da figura altiva do pai e sem pensar duas vezes correu para impedir que ele o machucasse. Entretanto teve de parar sua corrida para esquivar de um chute que vinha direcionado ao seu rosto. Por sorte conseguiu se agachar e rolar para trás para poder encarar o inimigo a sua frente.

Ativou o Byakugan e se preparou para a luta. Sua mente não acreditava no que via. O ninja que a atacara usava o protetor de testa da Aldeia Oculta da Nuvem.

O que? – pensou entrando em desespero, aqueles ninjas estavam se tornando seu pior pesadelo. – Pensei que isso já tivesse acabado!

Não teve mais tempo para pensar, ela teve de pular para o lado no exato momento que seus olhos captaram o golpe vindo por trás do seu inimigo. O ninja da Nuvem, que a atacara, caiu morto ao seu lado e quando elevou seu olhar assustado e confuso para cima, viu que, mesmo gravemente ferido, seu pai havia golpeado o inimigo. Ghost rosnou irritado por não poder acabar com a vida daquele homem, ele era insistente e tentava a todo custo salvar a filha.

Não vou permitir que a leve! – Hiashi pensou enquanto se soltava do inimigo e corria para ficar ao lado da morena.

– Não se preocupe comigo. – Ele alertou a morena assim que parou ao seu lado. – Lute!

Decidida a obedecer ao pai, Hinata novamente se prepara para lutar, mas suas defesas se desarmam assim que escuta Hiashi gemer de dor e ajoelhar-se ao seu lado. A morena não conteve o impulso em apara-lo e com os olhos lacrimejantes viu a dor estampada no rosto pálido do velho. Ele estava perdendo muito sangue devido a uma ferida em no peito que manchava o kimono branco, com um doentio tom escarlate.

– Desista minha querida. — Ghost disse se aproximando dos Hyuuga com seu sorriso vitorioso. – Acabou.

Quando ele terminou de dizer isso, outros shinobi da Nuvem apareceram com os braços carregados. Eles jogaram displicentemente os corpos maltratados de Koichi e os guardas no chão. Hanabi também havia sido capturada e imobilizada pelos inimigos. Ela ainda lutava para se libertar das mãos firmes que a restringiam enquanto era arrastada para o centro do pátio.

Ao notar o desespero nas feições da morena mais velha, Ghost aproveitou que a caçula da líder estava presente e socou a garota que gemeu de dor, parando imediatamente de se contorcer.

Hinata soltou um soluço de medo e desespero. Aquilo era demais para seu coração, não podia fazer mais nada, havia sido vencida pelo inimigo. E como castigo, ia assistir suas mortes. A sensação que dominou sua alma era fria e desgastante.

– Nee-chan... – Hanabi sussurrou para a irmã que continuou paralisada ainda a observando.

– O que você quer? – A líder gritou furiosa por ter as pessoas que conhece machucada. As lágrimas agora deslizavam por suas bochechas livremente, não tinha medo da morte, mas a temia devido aos outros.

Ghost gargalhou friamente, estava se divertindo com o sofrimento da garota. Um sofrimento que não duraria por muito tempo. Isso era para a sua felicidade, depois de décadas tentando, agora iria conseguir e ninguém iria para-lo.

– Achei que já tivesse deixado isso claro no nosso último encontro. – Disse se aproximando da morena que o olhou com fúria e ódio. – Me odiar não vai melhorar as coisas... – Falou passando o indicador pelo rosto da moça. Hinata virou o rosto, ficando enojada com seus toques. – Não seja assim... Ah, tanto faz. Você vai ser minha mesmo!

Ao rir vitoriosamente virou-se para o grupo de ninjas subordinados e ordenou que largasse a pequena Hyuuga. A garota caiu no chão sem ter forças para se levantar. Sem paciência para aquilo e com seu tempo reduzido, ordenou que amordaçassem Hinata e a carregassem para fora dali.

E antes de seguir o grupo, ele se agachou perto do velho Hyuuga e sorriu perversamente ao ter aqueles olhos frios do Hyuuga sobre si. Ele adoraria ser caçado pelo Hiashi, como também ficaria satisfeito em destroça-lo.

– Parece que você perdeu dessa vez, velho. – Disse olhando triunfante para o derrotado oponente.

O velho Hyuuga tentou protestar, não podia permitir que aquilo acontecesse novamente. Mas tudo que saia de sua boca eram gemidos de dor. E pela primeira vez, desde que prometeu jamais derramar uma lágrima após a morte de Himiko, começou a chorar com medo do futuro que haviam preparado para a filha. Ele era um inútil...

Imobilizado e fraco demais para lutar, assistiu a partida de Ghost, o seu pior inimigo e causador da sua desgraça.

*****

Naruto corria com muita empolgação para a entrada do clã Hyuuga, exatamente como havia combinado com Hinata.

Ele estava vestindo roupas especialmente escolhidas para aquela noite. Não queria usar a seu típico uniforme jounin. O momento necessitava de um traje especial e devido a isso, acabou por se atrasar, pois como nunca teve experiência para esse tipo de coisa teve de pedir ajuda a Konohamaru – já que os dois agora tinham um segredo em comum. O Satutobi demonstrou ser mais indeciso e inútil do que o louro previa, traduzindo, uma péssima escolha. Ele culpava, com toda indignação possível, o rapaz pelo seu atraso.

Contudo, ficou aliviado ao ver que a morena não havia aparecido no ponto de encontro e no horário marcado. Nervoso pelo encontro, esperou por ela do lado de fora, até que perdeu sua curta paciência e colocou a cabeça para dentro da entrada do clã. Ele olhou para cima e para baixo na tentativa “discreta” de certificar que ninguém poderia encontra-lo ali.

Ele franziu o cenho quando viu dois guardas desmaiados ao lado da entrada e isso alertou seus sentidos. Naruto não sabia o que pensar, mas uma sensação inquietante de que algo ruim estava acontecendo com a morena, o forçou a correr mais rápido até a casa principal.

Ao chegar na frente da casa, viu que não havia guardas e a porta estava escancarada. Totalmente diferente das vezes em que entrou ali. O clã parecia deserto de tão silencioso. Alertado do perigo, ele correu de maneira desenfreada para dentro da casa e ao entrar no corredor principal se deparou com uma terrível cena. Vários Hyuuga estavam espalhados pelo pátio, todos demonstravam estar machucados e necessitar de tratamento médico com urgência.

O Uzumaki escutou um gemido e virando para o lado esquerdo, viu uma figura encurvada no corredor que tentava a todo custo continuar andando. Mesmo estando escuro e conseguir distinguir quem era a pessoa no escuro, ele ajudou, o que pareceu ser um homem e o aparou justamente quando, sem forças, caiu.

– Naruto? – A figura desconhecida perguntou com o choque transbordando em sua voz enfraquecida.

– Hiashi? – Naruto questionou com a voz esganiçada e se desesperou ao sentir o sangue escorrer por suas mãos.

– Você tem que salvá-la... – Ele falou com dificuldade, o esforço em se manter acordado o deixou ofegante. – Impedir que ele a machuque...

– Ele quem? – Perguntou frenético, não tinha um bom pressentimento sobre isso. – Cadê a Hinata?

Ele olhou ao redor a procura da morena e esperava que estivesse trancada no quarto, dormindo, sã e salva. Mas não era tão ingênuo quanto pensava...

– Ghost a levou... – Hiashi respondeu e observou o semblante pálido do Uzumaki, o garoto agora não reagia as confirmações de seus pensamentos. – Você tem que impedir... O ritual...

Dizendo isso começou a tossir sangue, ele amaldiçoava Ghost por ter se aproveitado de sua distração e fraqueza do Byakugan, o machucando de maneira fatal. Mas aquela não era hora para lamentações, tinha de conseguir sua filha de volta antes que seja tarde. E como que restava de suas forças agarrou a blusa do louro, forçando-o a encará-lo com firmeza. A camiseta escura ficou manchada de rubro.

– Você precisa ir! – Disse energeticamente apenas para resmungar de dor. Ele se sentia tão ridículo por não poder proteger a própria filha.

Naruto travou a mandíbula com força. Dessa vez ele não teria pena do Ghost, tinha de derrota-lo a todo custo. Sendo assim, o louro depositou o velho – agora inconsciente — no chão de madeira com cuidado, levantou-se e formou dois clones seus em seguida.

– Você. – Apontou para o clone da esquerda. – Vá atrás da vovó e relate tudo que aconteceu... – O clone concordou e prontamente correu para fora da casa, o louro virou-se para o clone restante. – Você vá ao hospital e peça para virem imediatamente.

Concordando com as ordens, o clone rumou para fora do clã.

O que você vai fazer? – Kurama questionou o louro que tinha as feições endurecidas.

– Trazê-la de volta. – Respondeu a Kurama em voz alta e partiu para fora do clã.

No caminho até a saída de Konoha ativou o modo Sennin, não precisou nem se concentrar direito, pois de longe sentiu o chakra do inimigo, não muito distante. Ele estava escondido na floresta ao redor da vila.

Com mais pressa, Naruto rumou diretamente para a força sentida.

*****

– O que você disse? – Explodiu a Quinta Hokage de maneira espantada e irritada.

Não suportando ficar sentada, levantou da cadeira num pulo e encarou o clone do louro que conversava com ela de maneira calma, era tão distinto do verdadeiro Naruto. Tsunade sabia que a situação não estava calma, tinha de agir com urgência, a situação exigia urgência.

Aquilo não pode acontecer novamente... – pensou preocupada.

– Shizune! – Gritou o nome da moça que correu apressada para dentro da sala.

– Sim, Tsunade-sama? — Perguntou solicita, se assustando com o semblante sério e tenso da loura.

– Chame o Sasuke com pressa e vá até o clã Hyuuga com a Sakura, leve os melhores médicos da equipe. Ocorreu um ataque por lá, então tomem cuidado.

– Certo! – Falou já saindo da sala indo diretamente para o prédio da ANBU.

Tsunade bateu o punho na mesa, tentava segurar suas lembranças horríveis, seu passado sempre seria manchado por sangue. Não podia imaginar como Hiashi estava se sentindo, mas tinha certa noção, ela mesma não conseguia segurar a dor em seu coração. Era como se aquela cena triste e horripilante estivesse sendo novamente executada...

– O meu eu verdadeiro está se aproximando do inimigo... – Avisou o clone fazendo a Hokage olhá-lo com preocupação.

– E como ele está? – Questionou temerosa da resposta. Tudo o que mais desejava era que Naruto estivesse controlado.

– Disposto a trazê-la de volta a qualquer custo.

Aquilo não surpreendeu a Senju, era um comportamento típico do rapaz. Fazia parte do que Naruto era. Apenas desejava que o final próximo não acabasse com suas convicções...

Deixe de pensar asneiras, velha tola! – disse para si com muita raiva. – Confie nele, ele irá salvá-la.

Nesse meio tempo, Sasuke entrou apressado na sala, sabendo superficialmente do que ocorria. Ficou intrigado ao saber que o Uzumaki estava presente, mas então percebeu que era apenas um clone.

O verdadeiro Naruto já está em ação...

– Sasuke! – Tsunade chamou sua atenção com a voz tensa e dura. – Convoque Kakashi e Kurenai. Não permita que Kiba ou Shino entrem nessa luta e se um deles insistir peça para que Sakura os incapacite. Ninguém deve entrar naquela luta fora vocês e a mim. Estamos entendidos?

As ordens surpreenderam os dois rapazes.

– A senhora vai lutar? – Perguntou o Uchiha que o trocou um olhar preocupado com o clone. Eles estavam curiosos com a decisão.

– Sim... – Disse enquanto contornava a mesa. – Preciso me envolver nessa briga. Vamos!

Chamou os rapazes que prontamente concordaram e a seguiram para fora da sala. Logo em seguida o clone desapareceu, havia sido chamado pelo Naruto.

*****

– Espero que a Hinata-chan esteja bem... – Shizune confessou pesarosa para Sakura ao seu lado que curava um dos guardas Hyuuga.

A Haruno nada respondeu, mas estava preocupada e ao mesmo tempo confiante de que Naruto a traria de volta. Sã e salva. Entretanto tinha algo dentro de si... Uma parte negativa que tentava a todo custo abrir seus olhos...

Ela sabia como era o estilo de luta do Ghost, tinha uma queimadura em seu punho devido a uma névoa venenosa, que ele havia soltado sobre si no combate. O inimigo tinha muitas artimanhas, mas sempre se demonstrou contido. O que eles enfrentaram há dias atrás não seria nada comparado a agora. Queria poder ajudar os amigos, só não podia, tinha de comandar a equipe médica.

– É verdade... – Um dos paramédicos resmungou para o outro perto das ninjas médicas. A conversa tinha um tom tão escandalizado que isso atraiu suas atenções. – A Hokage-sama saiu em ação junto com o Uchiha-san, Kakashi-sensei e Kurenai-sensei... A coisa está séria para precisar de dois ninjas especialistas em selamento...

Shizune e Sakura se entreolharam, em seus rostos estava à mesma expressão de seriedade e temor. Elas apenas puderam rezar para que nada de ruim acontecesse. A Haruno não parava de se perguntar o motivo de sua sensei convocar dois ninjas seladores. Havia um real motivo para isso?

– Sakura...

A rosada rapidamente parou o que estava fazendo para virar-se e encontrar Sasuke a olhando com frieza. Os olhos negros pareciam mais calmos e serenos do que o normal. Era o indício de que ele se preparava para um processo delicado e perigoso.

– O que aconteceu? – Perguntou ansiosa por novidades, queria acalmar seu coração que repentinamente parecia estar pesado.

– Onde estão Kiba e Shino?

– No hospital, por quê? – Ela estreitou seus olhos e esperou o Uchiha demonstrar alguma reação atípica. Entretanto, ele continuava calmo e introspectivo.

– Não os deixe sair de lá... Ordens da Hokage. – Dizendo isso se virou para sair, mas a voz da Sakura o impediu.

– Tome cuidado. – pediu a meia voz e decidiu acrescentar algo que talvez a aliviasse. – E não deixe o Naruto se machucar...

O moreno parou por um segundo pensando no que a rosada havia pedido. Entendia o significado real daquelas palavras. Ela estava pedindo para que ajudasse o amigo caso tudo dê errado. Antes de voltar a correr, o rapaz deu uma breve olhada para a rosada e saiu dali em disparada.

A Haruno sabia que aquele olhar era uma promessa silenciosa do moreno. Seu amado estava prometendo proteger a si e ao melhor amigo. Com o coração mais calmo, ela voltou a trabalhar e silenciosamente voltou suas preces para a Hyuuga.

Que tudo fique bem... – desejou com força e convicção.

*****

Hinata não chorava mais, estava mais calma do que pensava poder estar. Sentia-se mais leve e aceitava sua morte eminente com uma facilidade que a assustava.

Ghost havia a depositado no chão, sentada na grama. Estavam em alguma parte da floresta aos arredores de Konoha. A luz da lua rescindia diretamente sobre o corpo delicado da garota. Ele a olhava triunfante, ansioso para que o ritual desse certo. Aquela ambientação, a imagem da Hyuuga amarrada sob aquela luz prateada, os ninjas da Nuvem ao seu redor preparando o ritual... Suas feições pálidas e calmas da aceitação da morte o traziam de volta para o passado.

Não fazia muito tempo que havia acontecido... Elas eram tão parecidas...

– Agora entendo o motivo do seu pai ter te trancado a sete chaves, naquela Vila imunda. – Falou para a morena que levantou seu olhar, que surpreendeu a ele pelo ódio encravado naquelas pérolas tão preciosas.

– Do que você está falando? – A voz estava fria e endurecida.

– Da sua semelhança com Himiko... – Hinata arregalou seus olhos não acreditando no que ouvia. – Aquele velho mataria qualquer um que te ameaçasse. Vocês são tão idênticas... O cabelo, o tom de pele... Até mesmo a voz e cheiro... Isso não surpreende, mas explica a obsessão que ele tem pela filha mais velha. – Falou abrindo um sorriso frio e fraco. – Você é a única lembrança viva da Himiko.

– Como você a conheceu? – Dessa vez morena se demonstrou hostil e ferida. O assunto era perigoso.

– Ele não te contou, não é mesmo? – Retrucou sarcástico. – Hyuuga Himiko foi minha primeira vítima. Tenho de dizer que seu pai foi um pé no saco... – Rosnou irritado pelas lembranças. – Se não fosse por ele, o ritual teria dado certo e você não estaria aqui.

– Que ritual é esse? – Hinata ofegou em desespero, ele havia abalado qualquer sensação pacífica ou controlada da moça. – O que aconteceu com a minha mãe? O que eles têm haver com isso? Era por causa do Byakugan?

– Ei, ei... – Ghost tentou acalmar os ânimos exaltados da garota que nem respirava direito. – Uma pergunta de cada vez.

– Você é louco!

A garota rosnou levemente enfurecida tentando se livrar das restrições postas em seus braços e pernas. Contudo estava muito bem fixada no chão. Os inimigos não pareciam brincar em serviço.

– Se continuar a me ofender não te explicarei o que está acontecendo. – Disse em tom repreensivo, o que fez a morena trincar os dentes, mas controlar seu lado irracional e assustado. – Muito bom... – Murmurou satisfeito. Ele andou para perto da garota e se sentou ao seu lado. – Vamos responder as suas perguntas, sim?

Hinata grunhiu exasperada por estar nas mãos dele. Queria voltar para casa ou pelo menos receber notícias de sua família.

– Você primeiramente me perguntou o que é este ritual. Bom, o que posso lhe dizer é que ele se chama em ritual da Lua Nova. E sobre o que Himiko e seu pai têm haver com isso? – Perguntou para si virando seus olhos cinzentos para a garota que tremeu com medo da resposta. – Sua mãe fez parte disso. Ela era necessária como você está sendo. – Ele respondeu ainda a olhando, o vento gélido da madrugada balançou seus cabelos escuros. – Se não fosse o Hiashi, hoje eu teria minha amada de volta... Mas não. Ele teve de atrapalhar...

– Você amava minha mãe? – Ela questionou sentindo seu estômago revirar com a ideia.

– Não. – Ele riu da ideia da garota e isso a deixou ainda mais confusa. – Você ainda não entendeu? Então vou esclarecer as coisas... – Disse virando-se totalmente para ela. – Você e sua mãe são as cascas perfeitas para o ressureição da minha querida amada... Você deixará de existir a partir de hoje...

– Não...

Hinata ofegou tentando se afastar apressada do homem, mas foi impedida pelas amarras fixadas no chão. Ghost riu da ação exagerada e desnecessária da morena e se levantou indo para fora do círculo formado ao redor da Hyuuga.

– Senhor, — Chamou um de seus subordinados que parecia preocupado e inquieto. – sentimos um chakra forte e estranho vindo nessa direção. Tomamos alguma ação?

Perguntou para Ghost que sorriu animado. Ele não esperava que ele aparecesse tão rápido.

– Iniciem o ritual. – Ordenou confiante indo na direção apontada pelo subordinado anteriormente. – Eu cuido do nosso intruso.

Sendo assim, só restou ao ninja da Nuvem seguir seus companheiros para o círculo e iniciar o ritual da Lua.

*****

Naruto corria feito um relâmpago na floresta. Devido ao seu modo Sennin anteriormente utilizado, tinha a localização do Ghost.

Sabendo da localização, pelo caminho se fundiu ao chackra da Kyuubi o que permitiu a quebra de percurso com uma velocidade impressionante e assustadora. Ele estava preparado para aquele embate, estava focado e concentrado, não se permitiria perder.

– Pelo visto você nunca sabe quando parar... – Uma voz risonha ressoou pelo lugar o forçando a parar de correr.

O louro olhou pelo lugar e tentou enxergar seu inimigo.

– Eu sei que é você Ghost. – Falou com seriedade. – Pare de se esconder, que isso já me tirou do sério.

O ninja da névoa riu debochadamente das palavras rudes e frias do rapaz. Ele saiu da sombra de uma árvore e se mostrou para o oponente.

– Você é o Naruto, não é? – Ele questionou lembrando-se da força que seu oponente tinha. – Sinto lhe dizer, mas você não vai avançar.

– É mesmo? – Naruto abriu um sorriso debochado e cruzou seus braços encarando o inimigo com firmeza. – Eu duvido você me parar.

Repentinamente Ghost viu Naruto se tornar um raio alaranjado e desaparecer. Ele arregalou os olhos sem poder acreditar no que havia acontecido, até que sentiu o chackra do garoto passar ao seu lado. Então com muita agilidade se impulsionou para trás e ergueu sua kunai gigante para impedir o progresso do Uzumaki.

A ação dos dois aconteceu em milésimos de segundos. Naruto parou seu progresso e olhou irritado para o Ghost que sorriu em ironia parado a sua frente.

– Eu disse que você não ia passar.

– Você não me deixa escolha... – Naruto avisou com pesar e fechou os olhos para se concentrar.

Tem certeza que não quer utilizar o modo Biju? – Kurama questionou seu hospedeiro que negou mentalmente.

Tenho uma ideia bem melhor! – disse para a raposa que rosnou em concordância.

Decidido a ganhar do inimigo, Naruto se lembrou de tudo que aprendera com Hagoromo Otsutsuki e utilizou a Técnica Sábia dos Seis Caminhos.

Ghost novamente ficou impressionado com a força repentina que emanava do louro. Ele viu o rapaz receber o manto de chackra, a Esfera da Busca da Verdade arrodearem suas costas e os bastões. Não havia dúvidas, tinha a certeza de que aquela era a verdadeira técnica do Hagoromo.

Aquele poder opressor o irritou de formas absurdas, odiava com todas as forças o homem que há muito tempo destruiu sua vida...

– Você vai morrer garoto! – Rosnou irracionalmente, o que fez Naruto abrir seus olhos de repente. – Você e essa técnica irão desaparecer para sempre!

Gritou furioso e levantou sua kunai atacando-o em seguida com velocidade e muita força. O louro ao ver tal investida juntou chakra nas plantas dos seus pés e se impeliu para frente.

O choque do bastão e da kunai produziu um impacto poderoso que pode ser sentido a quilômetros de distância. Com muita força, Naruto impulsionou suas pernas. Isso fez com que Ghost recuasse ainda mais. Os dois rosnavam e duelavam suas forças. Por onde seus pés tocavam, o chão rachava devido à opressão de seus poderes.

– Naruto-kun! – Hinata gritou assim que viu a figura já conhecida do louro entrar na clareira.

Naruto desviou um segundo sua atenção para a garota atrás de seu oponente. Vendo o desespero cravado nas feições delicadas da morena, a raiva do louro aumentou e o motivou a usar mais força para derrotar aquele homem.

Levantando o seu bastão junto com a arma do inimigo, o jovem Uzumaki libertou sua mão direita e com os braços de chakra formou um Biju Rasengan. Ghost ao ver aquela acumulação maciça de poder se esquivou do oponente chocando sua kunai no bastão e pulando para trás, bem no exato momento em que o ataque iria acertar o alvo, seu peito.

O Biju Rasengan foi desviado para o chão provocando uma explosão de poeira. Naruto se virou para o Ghost que estava ofegante e impressionado com o poder imenso do ataque. O buraco que estava formado atrás do louro significava sua aniquilação completa, se algum golpe dessa magnitude acertá-lo, seria o fim de tudo.

Antes que ambos novamente continuassem o duelo, o grito visceral da Hyuuga atrai suas atenções para o ritual que dera início.

Ao redor da Hinata repentinamente ficara coberto por uma luz prateada que se assemelhava a lua. Dentro dele, a garota era tragada, como se sua alma tivesse sendo arrancada de seu corpo e sendo substituída por outra. A dor era insuportável. Sua mente e corpo gritavam em agonia, sua alma ainda lutava para se manter firme. Entretanto era uma batalha perdida...

– HINATA! – Naruto gritou em agonia, sua alma também estava sendo maltratada pelos gritos. Era como se ele estivesse sendo rasgado por eles. O louro tinha de salvá-la.

Se esquecendo por completo do duelo, Naruto correu em direção a morena, pronto para retirá-la de dentro daquela luz e acabar com todo aquele sofrimento. Ele tentou se aproximar, mas não previu a tempo o ataque do inimigo que com três clones o seguraram no lugar. O Uzumaki estava preso, tentou se soltar das mãos que o prendiam, entretanto aqueles não eram clones da névoa comuns. Eles estavam sugando seu chakra.

Garoto! – A Kurama chamou sua atenção. – Eles vão tomar todo o nosso chakra dessa maneira, se você não recuar...

Dane-se! – Naruto retrucou com fúria. — Peça para aos outros Bijus que substituam o chakra perdido! Tenho de salvá-la!

E foi com esse pensamento que ele continuou a se debater. Mesmo sentindo suas forças serem sugadas, não se permitia a desistir. Com impotência viu o corpo da Hyuuga sendo erguido a metros de distância do chão, liberta de suas amarras que haviam sido desintegradas. Com horror observou aquela energia prata sugar a vida dos dez ninjas ao redor do círculo, justamente os ninjas da Nuvem que haviam realizado o ritual.

Ghost ria animado, apreciando o que estava ocorrendo. Dessa vez tudo estava ocorrendo tranquilamente bem, ele a teria de volta... Depois de tanto tempo poderiam ser um, suas almas errantes se juntariam como deveria ser.

E foi assim que o fim se iniciou.

Notas finais
Comentários? Nos vemos na parte dois! ;*