Pérolas e Safiras

7 Reunião: Time Kakashi e Time Kurenai


Notas iniciais
Galera! Me desculpem! Eu demorei demais para postar, mas essa minha demora veio devido a minha vida que de repente ficou agitada e me impediu de abrir o word para escrever. Sorry... Entretanto estou aqui postando o sétimo capítulo, agradeço aos comentários passados, mesmo não sendo muitos. Fico feliz que ainda tem pessoas que estão acompanhando e favoritando. Então como pedido de desculpas vou logo acabar com esse blá-blá-blá. Vou dar um aviso que decidi que irei postar religiosamente toda segunda para evitar problemas como esse. Já dei meus recados, então divirtam-se e por favor deixem comentários, quero saber se ainda estão gostando da fic! Beijos e até mais! ;)

Kiba corria a toda velocidade para a entrada de Konoha com Akamaru em seu flanco. Como o combinado, todos deveriam se reunir em frente à saída às três da tarde e partir de imediato assim que os times estivessem completos. Os Inuzuka estavam animados, afinal não era todo dia que ele e seus colegas de time se reuniam novamente para uma missão desde que se tornaram jounin.

O moreno tinha de estudar para se tornar um veterinário, passava o dia inteiro com sua irmã Hana para aprender a medicina veterinária. Shino trabalhava para o ANBU, passa muito tempo fora da Vila para realizar missões e era uma raridade ele estar ali naquele dia. Hinata, como líder de um clã, fez com que a equipe se separasse por tempo indeterminado, suas atribuições e tarefas eram incabáveis e impossíveis de serem deixadas de lado.

Devido a isso tudo, o momento merecia essa animação do belo rapaz. Eles seriam uma equipe novamente!

Quando faltavam metros para chegar ao seu destino, o moreno viu Naruto e Shino que pareciam conversar, ou melhor, o louro monologava já que o Aburame se mantinha frio e introvertido. O Uzumaki tentava a todo custo tentar fazer o Shino sair de sua imobilidade e risse de alguma de suas piadas, entretanto ao escutar uma saudação exagerada do Kiba decidiu deixar isso de lado e conversar com uma pessoa mais extrovertida e menos sinistra.

– Ora, vejamos se não é o Naruto! Quanto tempo? Pelo visto você tentou ganhar de mim em altura, mas como sempre perde não é mesmo!

Kiba provocou o louro que apenas sorriu ironicamente e rapidamente os dois entraram em uma discussão sobre quem vencia quem, era uma competição saudável que renovava a amizade entre eles. E por sinal, o jovem Inuzuka não era muito mais alto que o Uzumaki, era uma diferença mínima de dois centímetros.

E foi dessa maneira que Hinata os encontrou, ela vinha correndo apressada por achar que tinha saído tarde demais do clã, mas ao ver que o Uchiha e a Haruno ainda não estava entre o grupo diminuiu seus passos e foi andando até os três com calma. Estava temerosa e animada com a convocação do seu antigo time, como também a presença do time Kakashi.

Akamaru que estava sentado ao lado do Aburame — que ignorava os outros dois se mantendo de braços cruzados, ao ver a aproximação da Hyuuga logo abanou seu rabo e latiu feliz avisando da presença da moça. Era um pedido para que os rapazes se comportassem. Ao escutarem o latido, Naruto e Kiba param instantaneamente o que estavam fazendo para observar o que havia atraído à atenção do cachorro. O Inuzuka ao ver que sua amiga se aproximava abriu um sorriso charmoso e a abraçou quando ela chegou perto do grupo.

– Hinata! – Exclamou alegre e prontamente Akamaru veio ao encontro dos dois, excitado pela presença da morena. Ele gostava da morena. – Eu e o Akamaru sentimos sua falta! Deveria ir nos visitar, sabe?

A recriminou bem humorado se separando da garota que tinha as bochechas coradas de vergonha, mas sorria amavelmente para o amigo, jamais se sentiria intimidado por ele. Diferente de quando estava perto do louro...

– Acho que andamos muito ocupados esses meses. – Ela respondeu docemente enquanto acariciava a cabeça do cachorro que não parava de abanar o rabo, satisfeito com o carinho da bela moça.

– Sabe... – Kiba murmurou mais perto da amiga transformando a conversa mais secreta. Mesmo que a garota ficasse meio avermelhada pela repentina aproximação, tinha curiosidade o suficiente para se manter por perto. – O Naruto está aqui... Você não vai desmaiar né?

– K-kiba-kun! – Ela o recriminou corando envergonhada devido à provocação do garoto. Não conseguia mais encará-lo devido ao seu histórico vergonhoso de sucessivos desmaios.

Em resposta àquela típica reação da morena, o Inuzuka gargalhou deixando a morena levemente irritada por ter caído na provocação do rapaz. Ás vezes ela adoraria ter menos vergonha e aproveitar a brincadeira. E decidida a ignorar suas bochechas quentes, foi cumprimentar o Aburame que olhava a cena em silêncio, recriminava as ações exageradas de seu amigo devido ao fato de deixar sua amiga irritada. Não gostava de atritos.

Mesmo que Shino nunca sorrisse ou demonstrasse qualquer emoção, Hinata o conhecia o suficiente para saber do quanto o jovem é especial. Ele é um grande companheiro, aliado. Um ótimo amigo.

Enquanto o time Kurenai se cumprimentava, Naruto observou a reunião com interesse. Era curioso ver em como a morena se comportava diferente com os companheiros. Tão íntimos. E não pode deixar de se sentir um pouco possessivo quando Kiba abraçou Hinata. Um sentimento amargo e nada agradável o deixou azedo e isso só piorou ao ver aquele entrosamento entre eles, aquela aproximação...

Naruto achava que estava ficando louco por estar sentindo essas coisas, não podia ficar dando uma de dono dela e a impedir de falar com seus amigos. Contudo, se a atenção da morena não estava apontada a ele sentia esse mesmo sentimento o dominar. A vontade dele era de separá-los...

– Quer um açúcar pra ver se melhora essa cara? – Naruto tem seus pensamentos interrompidos pelo Sasuke que acabara de chegar ao ponto de encontro. E mesmo depois de ter cumprimentado seus companheiros de missão, acabou por ser ignorado pelo amigo já que estava trancado em seus pensamentos.

O Uchiha ficou extremamente curioso ao perceber a cara azeda do amigo e não pode deixar a oportunidade de irritá-lo escapar. Se o louro soubesse do papel de tolo que estava fazendo, talvez não estivesse ali parado e sim investindo na Hyuuga.

Irritado pelo comentário do amigo, o Uzumaki rosnou e decidiu que o melhor seria ignorá-lo. Mas o que ele queria mesmo era ignorar a cena de confraternização ao lado, entretanto cá está sua mente colocando a morena sob um holofote e o impedindo de esquecer um pouco as imagens pervertidas que tivera enquanto dormia...

– Onde está a Sakura-chan? – Naruto perguntou mais para si desviando seus pensamentos nada puros. Entretanto Sasuke escutou seus resmungos e respondeu negativamente a pergunta.

O louro franziu o cenho, ficando curioso ao perceber um sorriso esquisito no rosto do Uchiha ao se referir a Haruno. Tinha alguma coisa estranha ali...

E tinha mesmo. Sabendo que não dariam para fazer qualquer coisa sem evitar a consequente descoberta, a rosada e o moreno decidiram retirar o atraso. O que ocasionou na perda do horário do encontro e bochechas coradas por parte da Haruno que estava nas nuvens. O Uchiha havia exagerado dessa vez...

– Hey! – Sakura gritou para o grupo enquanto corria ao seu encontro. – Não vão sem mim!

E terminando de dizer isso conseguiu alcançar o grupo. Com a sua chegada à confraternização do time Kurenai se encerra. Shino, Kiba, Akamaru e Hinata cumprimentam os novos companheiros e assim partem para a nova aventura.

Naruto viu que a Hyuuga organizava alguma coisa em sua mochila e quando a colocou sobre seus ombros quase perdeu o equilíbrio devido ao peso. Sem pensar duas vezes, o louro prontamente se ofereceu para carregar a pesada mochila, mas a moça recusou sem jeito admitindo estar meio enferrujada para essas coisas, mas que se adaptava rápido a situação e que ele não precisava se preocupar. Mesmo resignado com a resposta negativa, o rapaz balançou a cabeça concordando com ela e se manteve por perto para evitar qualquer problema.

Percebendo essa ação exagerada por parte do Uzumaki, Kiba decide por provoca-lo dizendo que ele não suportaria o peso da mochila da Hinata e que por ser amigo dela deveria carregar a mochila. A morena novamente discordou com o amigo e negou sua ajuda muito constrangida, coisa que não evitou o ataque de nervos do louro que prontamente entrou em uma amistosa discussão entre quem carregava mais peso.

Desta maneira se iniciou a caminhada até o País dos Vegetais. Sakura estava feliz e eufórica, sentia que essa missão traria bons frutos.

*****

O grupo ninja decidiu que a caminhada já estava durando muito tempo e por fim pararam para montar um acampamento perto de um rio que ficava localizado próximo ao destino.

Depois das barracas montadas, as meninas decidiram fazer o jantar. Devido à falta de habilidade da Haruno em culinária, tal tarefa ficou para Hinata que cumpriu sua missão com muito louvor. E com muita insistência, Sakura conseguiu fazer com que a morena lhe prometesse ensinar a cozinhar quando tivesse tempo livre, é claro.

Com o avanço da escuridão, Sasuke pediu para que todos fossem dormir enquanto ele ficava acordado para vigiar o local e evitar dar de cara com o inimigo antes mesmo de se encontrarem com Fong. Naruto também se voluntariou para ficar de tocaia, contudo o moreno friamente recusou e disse que depois trocaria de posto com quem mais quisesse ficar em seu lugar.

E mesmo sobre muitos protestos – por parte do louro – a equipe entrou nas barracas (as meninas em uma barraca exclusiva) e logo adormeceram. Bom, quase todo mundo adormeceu.

Em algum ponto da madrugada, Sakura saiu de sua barraca sorrateiramente e como haviam combinado, foi diretamente se encontrar com o moreno que mesmo depois de terem passado a tarde juntos não conseguiam se separar. Ela o encontrou encostado numa frondosa árvore perto do rio com o semblante sério e braços cruzados, apenas a sua espera.

Sem muita demora aproximou-se do rapaz e ali em baixo daquela árvore voltaram a se beijar como queriam ter feito na frente de todos.

*****

Naruto observava tudo sem ser detectado pelos amantes. Ele sabia que não seria detectado, afinal, eles estavam muito ocupados se beijando...

O louro estava em cima de um pequeno morro que ficava perto o suficiente do rio e tinha uma boa visão da árvore onde Sasuke e Sakura estavam. Ele não sabia dizer o que sentia naquele momento, era uma mistura confusa de sentimentos que o deixava de coração apertado. Sentia-se traído, mas não sabia se era devido ao fato de ter descoberto o segredo ou se por agora ter a certeza de que jamais conseguiria ter algo com a Haruno.

Ele se arrependia amargamente da ideia que teve em tentar surpreender o amigo, chegando de surpresa para ajudar na vigilância do grupo. Deveria ter ficado dentro da barraca escutado os roncos do Kiba e o silêncio do Shino. Seu coração estaria menos dolorido se tivesse permanecido na ignorância...

Entretanto havia algo libertador nessa descoberta, não sabia como dizer, mas era como se tivesse finalmente pondo fim a alguma coisa. A um ciclo que demorara muitos anos para ser completamente concluído. Como se estivesse abrindo seus olhos para o que realmente sente pela rosada. Ele se perguntava o motivo de não ter ido até o casal para atrapalha-los, mas se sentia um enxerido por ao menos estar ali os observando. Seu orgulho estava ferido, mas ainda tinha o suficiente para apenas se manter parado nas sombras...

Seus pensamentos são interrompidos ao sentir um chakra estranho passar não muito longe de onde estava. Prontamente o rapaz deixou a cena de lado e silenciosamente decidiu seguir o rastro estranho. Suas intuições apontavam que aquele chakra provinha de algum inimigo e para evitar qualquer confronto desnecessário sem ter uma certeza absoluta, decidiu apenas seguir o rastro.

E antes mesmo que ele avançasse muito, no mesmo instante em que ele pulou para o galho de uma árvore foi pego distraído. Apenas sentiu as mãos o arrastarem para se esconder atrás do grosso tronco. Justamente quando o rapaz ia iniciar uma batalha com quem seja a pessoa que o agarrara, a voz conhecido o fez parar de imediato sua tentativa de pegar uma kunai.

– Fique aqui. – Hinata sussurrou para o louro que ficou confuso ao mesmo tempo em que aliviado.

– O que está acontecendo? – Ele perguntou no mesmo tom que a morena.

Com a luz pálida da lua, Naruto conseguiu enxergar um pouco o rosto tenso da Hyuuga. Ela perecia mais séria que o normal, a preocupação tornando suas feições suaves endurecidas, como se a situação a transportasse para outro mundo, uma nova personalidade.

– Tem alguém rondando o acampamento. – Respondeu com firmeza e olhou para o rapaz que de repente ficou mais sério. Os músculos de seu corpo ficaram repentinamente tensos.

– Não deveríamos enfrenta-lo? – Hinata percebeu que ele estava trincando os dentes, parecendo se segurar para não atacar o inimigo sem seu consentimento.

– Não, — ela respondeu com seriedade e calculada frieza. – temos uma missão para concluir e não sabemos se ele realmente é um inimigo.

– Então vamos apenas deixa-lo ir embora? – O rapaz estava se segurando para não correr para o ataque, estava sem paciência e se tinha um provável inimigo ameaçando a segurança dos seus amigos, então tinha de resolver essa situação.

Sabendo exatamente o que o rapaz estava sentindo e pensando, Hinata tocou levemente o braço do louro, que se intimidou com aquele toque suave. Assustado pelo repentino contato físico, Naruto fitou a morena e viu o quanto ela estava odiando em não poder agir.

– Precisamos ser cautelosos, Naruto-kun. Ele pode não ser nosso inimigo.

– Você tem razão... – Ele murmurou chateado. – Vamos observá-lo, é o mínimo que podemos fazer.

– Certo.

Sendo assim os dois logo trataram de procurar o rastro do espreitador. Naruto decidiu que o melhor seria seguir a morena já que ela é a única que poderia dizer exatamente o que o inimigo estaria fazendo. Hinata guiava o louro com muito cuidado e silêncio. Ele jamais deixaria de se impressionar com o tamanho poder que aqueles olhos tinham.

Depois de algum tempo esperando em uma árvore próximo as barracas, os dois decidiram conjuntamente que o melhor para todos seria que eles ficassem ali quietos, apenas a espera do espreitador. Tinham de montar uma estratégia.

– Eu perdi o rastro ao leste daqui... – Naruto reportou para Hinata que o olhou com preocupação, ela não sabia o que pensar da situação. – Será que ele foi embora?

– Talvez... Também não tenho certeza. – Sussurrou chateada por não poder fazer mais nada.

– O que você fazia acordada? – Ele a questionou o que se segurou para não perguntar antes, ficou curioso por vê-la seguindo o mesmo rastro que ele.

Hinata soltou um suspiro imperceptível, seu rosto escondido pelas sombras não revelava nenhuma expressão. A jovem parecia estar finalmente cedendo ao cansaço da viagem.

– Eu meio que não consegui dormir e senti que algo estava errado, quando ativei o Byakugan vi que tinha alguém perto da minha barraca...

– O que? – Naruto falou alto de maneira exaltada. Hinata o reprimiu pedindo para que ele fizesse menos barulho. O rapaz estava sendo descuidado. – Desculpe! – Disse envergonhado por sua ação anterior. – Por que você não chamou o Kiba ou o Shino?

Ele perguntou meio enraivecido por não ter estado perto do acampamento exatamente nessa hora. Sentiu-se culpado por não ter estado perto da barraca, por ela novamente ter estado perto do perigo e ele tão longe.

– Não tinha necessidade em acordá-los... Ele parecia apenas curioso... Não ia atacar.

– Pare de dizer isso com tanta certeza! – Ele falou com severidade, a repreendia por estar sendo tão... Despreocupada com sua segurança! Chegava a ser irritante.

Hinata o olhou com os olhos estreitos por irritação, como também surpresa por estar sendo severamente repreendida pelo louro. Aquilo era novidade...

– E você? O que estava fazendo acordado? – Desconversou na tentativa de fazê-lo esquecer de sua imprudência. Mudar de assunto sempre demonstrou ser uma ótima estratégia para evitar assuntos conflituantes.

– Eu queria fazer uma surpresa ao teme... – Ele respondeu de maneira triste ao se lembrar da cena protagonizada entre seus companheiros de equipe.

– Ah! – Hinata falou com pesar. – Você viu...

Ela o olhou começando a ficar preocupada com a reação do louro. Mesmo que seu coração doesse por saber que ele ainda amava Sakura, não poderia permitir que fosse egoísta a tal ponto de deixa-lo sofrer. Tinha de fazer alguma coisa para diminuir a dor dele.

– Você também viu? – Ele questionou voltando a observá-la. Parecia temer que a resposta fosse positiva.

– Não, mas deu para imaginar quando não vi a Sakura-san na barraca. – Falou com suavidade sem deixar de olhá-lo. O rapaz baixou o olhar e soltou um suspiro. – Como está se sentindo?

Ele se surpreendeu com a percepção da jovem. Hinata evitava encará-lo, sentia que seu coração estava meio machucado por notar nas feições do louro o sentimento de tristeza por descobrir o romance entre Sakura e Sasuke. Ela estava chateada por se sentir egoísta por pensar em si mesma quando o seu amado tinha o coração quebrado. Era injusto para os dois. Naruto não entendia direito o que sentia, sabia que estava chateado, mas não gostou de ver a expressão triste no rosto da morena. Odiava saber que a estava machucando.

– Vamos esquecer isso e continuar o nosso trabalho. – Ele falou docemente para a Hyuuga que concordou sem ainda olhá-lo.

E foi dessa maneira que passaram por um bom tempo, silenciosos e atentos para qualquer perigo ou movimentação estranha na noite prateada.

*****

Já havia amanhecido no acampamento dos jovens shinobi.

Naruto e Hinata decidiram que manteriam segredo sobre a noite passada – que foi infrutífera — e com isso cada um se isolou do outro, entretanto ás vezes trocavam olhares que diziam tudo ao mesmo tempo em que nada. Eles não sabiam o que seria de seus futuros...

Sasuke tinha sua expressão leve e menos fria que a habitual, se sentia renovado como em todas as vezes que tinha uma noite com a Sakura. A rosada estava estonteante e belíssima, seu sorriso era vivo e contagiante. A Hyuuga e o Uzumaki olhavam para aquelas expressões e tentavam ao mínimo esconder os pensamentos tristes e desanimadores que passavam por suas cabeças. Eles nunca saberiam como era ter aquela sensação de estarem completos.

E foi dessa maneira que o grupo seguiu até uma pequena casa que ficava na fronteira do País dos Vegetais. Os times olharam para a casa e se impressionaram com a quantidade de plantas ao redor dela. Era como se aquela construção feita de tijolos vermelhos tivesse sido erguida por trepadeiras, onde nas quais pequenas flores rosa floresciam na primavera. A ambientação era mágica e magnífica, os sons dos animais, os cantos dos pássaros e o som do rio que percorria o silêncio do lugar tornava tudo pacífico. Um ótimo lugar para ficar e descansar.

Sakura sorriu animada ao ver uma figura meio encurvada que aguava alguns vasos de plantas que ficavam expostas no parapeito das janelas frontais.

– Fong-chan! – A rosada gritou atraindo a atenção da pequena mulher, que se virou apressadamente para a entrada de sua casa.

Yamamoto Fong arregalou os olhos ao perceber quem havia a chamado e se impressionou com o grandioso grupo que se aproximava pela estradinha de terra abatida.

– Sakura-san. – Fong a cumprimentou na mesma hora em que a Haruno atravessou o seu cercadinho e a abraçou com força. – O que faz aqui?

Questionou olhando curiosamente o grupo atrás da jovem que se soltou da amiga e a olhou com mais seriedade.

– Sinto muito ter vindo te visitar dessa maneira, mas precisamos de sua ajuda.

Ela falou com culpa sobressaindo de suas palavras, haviam feito uma amizade depois da missão em que a Haruno deveria protegê-la e escolta-la para casa em segurança. Sakura gostou muito da jovem Yamamoto pela aparência, dos gestos sutis e calmos. Fong transmitia pacificidade, coisa que combinava com o local onde mora.

Sem pedir mais explicações, a sensitiva pediu para o grandioso grupo entrar em sua casa. Por educação, Kiba pediu para que o Akamaru ficasse do lado de fora. O cachorro ficou um pouco chateado por ter sido excluído, entretanto não lamentou o seu destino pelo fato de ter encontrado diversão ao tentar caçar borboletas no jardim florido da Yamamoto.

Dentro da casa, Fong servia chá com biscoitos para seus convidados. Naruto com fome e animação atacou com voracidade as guloseimas e em troca recebeu uma reprimenda da Sakura, que ficou envergonhada com a falta de modos do seu amigo. Tendo a certeza que estavam todos confortáveis, a jovem anfitriã pediu explicações para a longa viagem dos shinobi e com muita calma, Sasuke explicou a necessidade e objetivo da missão.

– Então vocês precisão contatar uma alma... – A jovem Yamamoto raciocinou com sua fala mansa e doce. – Quem seria?

Perguntou para o Sasuke que prontamente respondeu com frieza.

– Alguém que conheça o Ghost.

– E qual o nome dessa pessoa? – Ela questionou enquanto servia mais chá para Hinata, que agradeceu envergonhada.

– Você não conhece alguém próximo a ele? – Fong parecia preocupada com o êxito da missão e ao receber a confirmação negativa teve de suspirar, então deu as más noticias. – Sinto muito, então não posso ajuda-los... Eu preciso de alguém que seja próximo a ele ou então não poderei contatá-lo.

– Como assim? – Dessa vez foi o Shino que perguntou intrigado com o relato calmo da jovem.

– Meus poderes funcionam de maneira com que sinta e converse com as almas, entretanto apenas posso contatar as almas perdidas neste mundo. – Explicou olhando firmemente para o Aburame. – Se a alma já estiver entrado no que chamo de Cidade das Almas, então não posso falar com elas, pois estão em outro plano. Mas consigo expelir chakra suficiente para transportar no máximo duas pessoas para a cidade. – Disse pensativa. – Contudo alguém tem de ter algum sentimento com a alma procurada, senão a viagem não ocorrerá.

– Você está me dizendo que para termos informações sobre o Ghost vamos ter de precisar de alguém que o conheça? – Kiba perguntou com a boca cheia de biscoitos.

– Sim, é isso mesmo.

– Infelizmente não conhecemos ninguém. – Sasuke falou meio irritado por ter dado uma viagem perdida.

– Na verdade conhecemos... – Hinata se pronunciou pela primeira vez. Ela olhava para o chão e isso impedia que todos os outros descobrissem os sentimentos conflitantes que atravessava seus belos olhos. – Eu conheço.

Concluiu elevando sua cabeça e olhou firmemente para Fong que a fitou demoradamente. A jovem Yamamoto conseguiu ler todos os sentimentos que os olhos perolados transmitiam, nada escapava de seu exame minucioso. Ela conseguiu decifrar a Hyuuga em apenas três segundos e já soube do quanto àquela garota era especial.

– Neji? – Sakura pensou em voz alta e recebeu a confirmação da Hinata que se manteve calada por completo.

– O que? Você vai tentar falar com o Neji? – Naruto perguntou exaltado espirrando farelos pela sala. – Acho que isso não é uma boa ideia.

Afirmou com severidade, não querendo deixar que a morena se envolvesse em algo desconhecido. Ele não sabia o que era tudo aquilo, mas não podia permitir que ela passasse por perigos. Como o Neji antes de morrer havia confidenciado, a vida da Hyuuga estava em suas mãos e ele seria um imbecil em não protege-la com ferocidade.

– Neji? Como ele morreu e quem é ele? – Fong perguntou para a morena.

Hinata engoliu em seco ao escutar tais palavras. Não estava preparada para responder a jovem Yamamoto, que ao notar sua hesitação se aproximou da garota e colocou as mãos dela nas suas. Com essa conexão, a Hyuuga sentiu que todos os sentimentos conflitantes e negativos desapareceram de imediato, sobrando apenas uma serenidade que deixou seu corpo relaxado e leve. Naruto grunhiu irritado por sua objeção ter sido ignorada e intrigado olhou para a cena que se desenrolava no sofá a sua frente.

Fong que estava sentada no centro de mesa da sala ficou frente a frente com a tímida kunoichi e esperou as respostas de suas perguntas. Sem hesitação, Hinata contou tudo o que a jovem perguntara. A sensitiva lamentou o passado sangrento e obscuro da morena.

– Sendo assim você a candidata perfeita para essa missão, sua conexão com ele
terá mais êxito do que com qualquer um dentro dessa sala. – Fong afirmou tentando animar o espirito machucado da jovem.

– Eu estou pronta para o que acontecer...

Hinata disse com seriedade, tentando ao máximo transmitir calma e certeza em suas ações. Queria ajuda-los e apenas ela poderia entrar em contato com seu primo, estava qualificada para aquilo...

Agora entendo o motivo da Tsunade-sama querer a minha presença na missão. – concluiu mentalmente.

Entretanto se surpreendeu com a repentina explosão do Uzumaki, que irritado por ter sido ignorado admitiu em sua maneira hiperativa e irritada que não gostava daquela ideia da jovem ser mandada para um lugar desconhecido, sem ninguém para auxilia-la. Era suicídio!

– Ela não vai sozinha, Naruto. – Shino respondeu as exclamações do louro que o olhou de maneira esquisita. – Alguém deve ir com ela. Eu me candidato para isso.

– Você? – Naruto perguntou exagerando em seu tom de voz.

– Algum problema? – Shino perguntou sombriamente virando sua atenção fria e sinistra para o rapaz que tremeu de medo.

– N-nada! – O louro respondeu acuado encolhendo-se no sofá. Não conseguia compreender em como a Hinata suportava aquele ser sombrio e esquisito ao seu lado.

– Tenho que avisar algo. – Disse a Yamamoto que teve a atenção de todos sobre si. – A Hinata-san e seu companheiro devem ter uma conexão forte, se não a possuírem pode acontecer de acabarem se separando naquele local e se perdendo. Suas almas serão enviadas para lá e a perda delas significa a morte. Por isso os dois precisam estar conectados de alguma maneira.

– E quem seria o candidato prefeito? – Kiba questionou a moça.

– Um parente, melhor amigo ou até mesmo um namorado seria o suficiente para manter a conexão estável. – Hinata corou ao escutar a palavra namorado. Quantas vezes ela não sonhara em poder chamar o louro de seu namorado... – Eu posso manter as almas deles fixas em seus corpos por dois dias ininterruptos, entretanto para que não ocorra nenhum problema no envio, a segunda pessoa também deve sentir alguma coisa pelo Neji. Ter algum sentimento forte relativo a ele.

– Eu vou com a Hinata.

Todos se viraram para o Naruto que olhava para a morena com firmeza. Ele se voluntariou sem pensar duas vezes, sabia que ele tinha uma conexão com a morena. E ela era tão forte que foi o suficiente para que ele sentisse seu pedido de ajuda na batalha contra o Madara depois que lançou sobre o mundo no genjutsu do Tsukuyomi Infinito. Eles dividiam o pesar da morte no Neji e se apoiaram no outro para evitar que fraquejassem na luta. Estavam ligados para a eternidade e apenas eles poderiam enfrentar aquele desafio.

Todos os outros tentaram protestar, entretanto Fong e Hinata já sabiam daquilo. Sabiam da existência daquela conexão que ligava os destinos dos dois shinobi. Então a jovem Yamamoto prontamente convenceu aos outros da necessidade da participação do louro e sem muita demora guiou o grupo pela casa, até dentro de um quarto que possuía um grande círculo desenhado no meio da vazia sala.

– Eu apenas posso permitir a presença da Sakura-san, vocês três devem esperar lá fora. – Fong explicou para os carrancudos rapazes que logo trataram de protestar.

Entretanto um gesto severo da Haruno impediu que qualquer resmungo saísse da boca dos morenos, que indignados saíram da sala para esperar do lado de fora.

Ao ter o espaço livre, Fong encaminhou Naruto e Hinata para se deitarem lado a lado dentro do enorme círculo. Explicou a rosada que sua presença era para mantê-la alerta de qualquer problema, pois ficaria um pouco desconectada da realidade. Com sua função designada, a Haruno foi sentar-se perto de uma parede e esperou pelo inicio da abertura.

– Hinata-san e Naruto-san, — Fong chamou suas atenções enquanto se sentava perto de suas cabeças. – eu necessito que vocês pensem em sentimentos, lembranças fortes sobre o Neji. Elas serão o suficiente para que o portal abra e eu possa enviar suas almas para lá. Entendem?

– Sim. – Eles responderam em uníssono.

– Mantenham a calma e não demorem muito naquele lugar... Eu não sei o que habita por lá e ainda existe o fator que meu jutsu não durará por muito tempo.

Ao escutar isso, Hinata sentiu seu corpo estremecer de medo e ansiedade, não conseguia controlar seu coração que batia acelerado e angustiado pela situação. Se continuasse dessa maneira iria estragar tudo, por a vida do Naruto e a sua em risco...

– Eu vou estar do seu lado, ok? – Naruto disse para a morena que se voltou para ele e encarou as safiras do louro com muita firmeza. – Não precisa ter medo.

E dizendo isso, o rapaz pegou discretamente na mão da moça que sentiu um arrepio dominar seu corpo ao mesmo tempo em que se sentia reconfortada e segura. Se Naruto estava ali, então não havia motivo para temer ou ficar com medo. Ele a protegeria.

E com essa certeza firmou o contato de suas mãos e fechou os olhos começando a pensar nas lembranças que tinha do seu primo. Uma em especial dominou sua mente, a lembrança de quando Neji que de maneira quase desesperada enfrentou os maiores perigos para conseguir uma flor que poderia curar a fadiga dos olhos da morena, que ficou cega por quase um mês por ter usado seu Byakugan em excesso. Seu primo não conseguiu a flor, mas fez de tudo para que conseguisse uma recuperação rápida e ela pudesse ir assistir aos fogos de artifício com Naruto e Sakura. Ele a ajudou e protegeu de tudo por estar incapacitada. Aquilo foi um gesto de amor tão grande quanto o seu sacrifício...

Naruto sentia muitas coisas por Neji, eram tantos sentimentos que apenas uma se destacou. Admiração. O louro o admirava pelo poder e capacidade que o ninja possuía. Como uma vez havia dito, Hyuuga Neji era um gênio, mas toda essa genialidade se sobressaiu exatamente no momento em que suas palavras ditas antes de seu último suspiro tocaram profundamente o coração do rapaz. Eles não eram iguais, mas ansiavam pela mesma coisa. Paz. Eles eram guerreiros e lutaram por isso. E a lembrança que melhor definiu seus sentimentos foi a de sua batalha na segunda fase do Exame Chunin. Com estas lembranças ele se permitiu fechar os olhos e esperar.

Recebendo tanta força daqueles sentimentos, Fong – impressionada pela energia sentimental que os dois emanavam – iniciou o jutsu. E depois de fazer alguns selos de mãos, chocou as palmas no chão fazendo com que palavras se espalhassem ao redor do círculo. Quando as palavras estavam formadas, um fogo azul contornou as linhas desenhadas do círculo, fazendo com que Hinata e Naruto permanecessem presos dentro dele.

Sakura ofegou impressionada com a opressão que aquele jutsu transmitia, ela sentiu seu corpo todo vibrar do tamanho poder que o ambiente estava sendo pressionado. E foi dessa maneira que o desafio se iniciou.

Notas finais
Comentários?