Pérolas e Safiras
13 Fuga
Notas iniciais
“Não tenho muita certeza de como me sentir quanto a isso. Algo no seu jeito de mexer faz com que eu acredite não ser possível viver sem você. Isso me leva do começo ao fim. Quero que você fique.” – Rihanna, Stay.
Hayato e Kaguya tentaram por quase cinco meses fazer algo mais do que beijos quentes e abraços sensuais.
Ele queria sentir o prazer da carne do qual lhe fora renegada por muito tempo. Sentia falta de fazer sexo com sua amada, não aguentava mais de ansiedade. Entretanto, ela era sempre o empecilho. O maldito corpo não a obedecia, tudo o que ele fizera estava indo as ruínas.
A Otsutsuki começava a se irritar com o corpo em que estava presa, a Hyuuga ainda tentava sobreviver e impedia qualquer progresso em seu corpo. Não dava para conseguir seus poderes, sua concentração estava bem escassa devido aos incessantes gritos da garota dentro de si. Por vezes conseguia ela tomar consciência, mas a alma da Kaguya sempre acabava por retomar o controle. A Deusa Coelho se questionava o motivo da alma da garota não ter se desintegrado no ritual. Era para ter acontecido. Como ela conseguiria seus poderes de volta com a outra ainda os protegendo?
Ela se sentia tão frustrada e a cada segundo que se passava ganhava um ódio profundo de sua descendente. Se pudesse acabaria com a vida dela sem hesitar...
No outro lado da história, já que não podia ter nada com sua mulher, Yokoyama montara um pequeno exercito de guardas para escolta-los em uma jornada disseminando o terror. Ele estava tentando demonstrar a Kaguya que ainda era eficiente e não havia perdido o jeito em comandar muitas pessoas.
O grupo não se utilizava de violência, ao menos quando não era necessário. Bastava apenas mencionar o nome da matriarca dos Otsutsuki que ele causava medo e pavor. Ou seja, eles tinham métodos mais eficazes. O mundo seria deles.
Eles estavam hospedados temporariamente em uma mansão próxima a Vila Oculta da Lua Vermelha, localizada no País do Chá. Não era um lugar digno de uma rainha, mas para Kaguya, dava para dormir e descansar antes de continuar sua jornada. Mesmo que estivessem próximos do País do Fogo, não tinha como eles a pegarem. Seu corpo sendo um Nukenin de Konoha significava um nível alto de procurado, mas nada que não possa ser contornado.
Numa tarde abafada naquele país, Kaguya lia as notícias da atualidade, passara muito tempo presa na lua e agora que voltava precisava estar a par da situação. Hayato estava sentado ao seu lado limpando uma de suas armas ninja.
Ia tudo muito bem, tranquilo. Até que a Otsutsuki é tragada para dentro da mente do corpo da morena. Entrara numa paisagem onírica e barulhenta, repleta de memórias e pensamentos gritantes. Kaguya encarou com muita fúria a Hyuuga que repentinamente apareceu a sua frente.
Então teremos uma conversinha? – pensou e ficou surpresa ao ver seus pensamentos amplificados pelo lugar.
Claro que sim. – Hinata respondeu com muita seriedade. – Você vai sair e é agora! Me deixe em paz!
Kaguya gargalhou debochando da garota.
E quem é você para fazer algo? – questionou enquanto se aproximava lentamente da garota. – Primeiramente, para que você quer voltar? Você sabe da história toda, sabe das mentiras de seu pai... Para que voltar? Não tem nada para você por lá. – avançou ainda mais para perto da morena que demonstrou estar abalada por aquelas palavras. – Você é uma fugitiva de Konoha, sua vila está te caçando queridinha.
Hinata fechou fortemente seus punhos, não suportava a dor daquelas palavras. Estavam a abandonando... Mas por que não se sentia totalmente abandonada? Por que sua alma ainda batalha na perspectiva de encontrar algo?
Eram muitas perguntas e poucas respostas, mas nunca deixava de desistir, era um desejo tão intenso e forte que a mantinha ali.
Responda-me Hyuuga... – Kaguya chamou a atenção da morena com impaciência. – Seu pai lhe contou como sua mãe morreu? – Ela nem esperou a resposta, pois já a tinha em apenas encarar a desolação e confusão nos olhos da moça. – Não? Oh, tenho um pouco de pena de você. Conviveu todos esses anos com um assassino, o tratando com respeito e temor. É de dar pena.
O que você está insinuando? – dessa vez Hinata demonstrou estar furiosa, sempre ficava assim quando o assunto era sua mãe.
Eu não estou insinuando nada, sua garota boba! – Kaguya retrucou com firmeza. Ela passou a mão em seu cabelo longo e claro, tentando se recompor. – Apenas encare os fatos. Há treze anos voltei a Terra no corpo de sua mãe... Mas a desgraçada é igual a você, forte e independente. Jamais deixaria alguém dominá-la. – Falou com irritação enquanto rolava seus olhos. – Devo dizer que fora uma tola, já que não tinha como me tirar de dentro dela, mas... A única coisa que podia me mandar de volta era a morte e ela sabia disso.
Não... – Hinata ofegou chorosa, se afastava da mulher que infligia uma aflição que martelava sua cabeça.
Ah, você já entendeu não é. – Ela falou abrindo um sorriso maldoso e cruel. – Seu pai tem as mãos sujas, querida. Ele mesmo cravou uma kunai no peito de Hyuuga Himiko. O líder Hyuuga matou a própria esposa...
Cala a boca. – Hinata ordenou a mulher que continuou a falar a ignorando. A morena sentia umas vibrações estranhas e poderosas dominarem sua alma. A raiva profunda que tinha da Kaguya estava se acumulando. – EU DISSE PARA CALAR A BOCA!
E foi assim que tudo explodiu dentro da mente da morena numa onda maciça de poder. Kaguya nunca imaginou aquilo ser possível, nem mesmo Himiko conseguira expandir seu poder tão intensamente. Como se houvesse algo preso nessa garota, um poder tão forte, que permitiria a ela lutar bravamente pelo controle de seu corpo.
Um rugido alto e forte ressoou por toda a imensidão que agora tomava tons vibrantes e claros. O som chacoalhou a alma da Deusa Coelho e reverberou por todo seu ser.
Otsutsuki Kaguya não acreditava no que via ou ouvia. O som ensurdecedor a fazia mal. Ela estava se sentindo fraca, dominada...
Até que tudo explodiu.
*****
Hayato não havia percebido o repentino silencio da mulher. Ele estava perdido em pensamentos das estratégias que tomariam daqui para frente...
Sua atenção foi roubada no exato momento em que sentiu a onda opressora de poder. Ele se questionou de quem era aquele chakra tão forte. Tardiamente percebeu que ele estava sendo emanado pela mulher sentada ao seu lado. Ao olhar para a Hyuuga, Hayato conseguiu enxergar o corpo todo envolto de chakra.
A garota se levantou da cadeira e começou a andar para longe dele. O Yokoyama logo tratou de impedi-la e confuso com aquela repentina explosão, questionou a Kaguya o que estava ocorrendo. Só que a Otsutsuki não respondeu. Em troca de sua intromissão, a morena atravessou sua mão no peito do homem que ofegou surpreso pelo repentino golpe.
Hayato encarou a mulher com o choque travado em suas feições, seus olhos arregalados viram que não havia nada além de imensidão branca nos olhos da Hyuuga, parecia até ser uma outra pessoa. Aquilo assustou o homem de uma maneira que ele jamais achou ser possível.
– O... Q-q-que v-você... E-está... Fazendo? – Ele a questionou com dificuldade enquanto sentia a dor excruciante da movimentação da mão da morena em seu peito.
– Tirando sua imortalidade... – Uma voz desconhecida que mais lembrava o rugido de um leão falou pela garota.
Os dedos da Hyuuga tocaram o coração pulsante de Hayato, que grunhiu horrendamente. O sangue escorria entre os dois, sujando não apenas ele, mas como também o imaculado kimono branco da garota. Ele sentiu que com aquele pavoroso toque, as suas forças estavam sendo drenadas. Era como se ela tivesse retirando uma capa invisível que o protegia da morte.
Ao considerar seu trabalho terminado, a morena retira a mão do corpo mole e quase desgastado do homem e se afasta dele no exato momento em que cai lentamente aos seus pés. Ela queria ter feito mais, talvez até mata-lo, mas ainda não podia fazer aquilo, ainda sobrava alguma consciência de Kaguya no corpo. Entretanto era um controle tão fraco e mesmo com as atitudes mesquinhas, as chances do seu retorno estavam basicamente anuladas.
Vendo que não poderia mais manter o corpo da Hinata ali, ele decidiu se movimentar e deixar-se guiar. Tinha de protegê-la ou morreria junto com seu corpo.
*****
A nova guarda Otsutsuki rondava pela velha e acabada mansão, sem preocupação ou motivos para lutar. Estavam meio que indignados por permanecer naquele país insignificante, queriam mais poder, um país grande e de um poderio bélico bem mais forte do que aquele onde estavam.
Entretanto, como ordens eram ordens, esperariam, impacientes a decisão da Deusa.
O soldado mais novo do grupo se impressionou com a aparência fria e macabra de Kaguya ao passar por ele. Não podia dirigir a palavra a ela, apenas com ordens expressas de seu capitão, mas sentiu a necessidade de desobedece-lo e tentou questioná-la se ocorria algum problema.
Não teve chances ou condições de reagir. O poder da mulher invadiu seus ossos, ele não conseguia se mover, era tão opressor aquele chakra que apenas soltou um grunhido antes de desmaiar. Os outros soldados viram a cena e permaneceram estáticos, apavorados com a ação nada comum da mulher. Se for assim que os poderes dela agiam, quem poderia detê-la?
Seus pensamentos e questionamentos desapareceram, foram exterminados pelo ataque da morena. O corpo envolto por chakra emanou um intenso clarão que acabou por provocar uma explosão.
Os soldados foram mandados para longe, todos inconscientes e foi assim que o corpo da Hinata se permitiu a fugir.
*****
Estava frio, muito frio. Desde que acordara não entendia onde estava. O vento batia em sua roupa molhada fazendo-a tremer até os ossos. O queixo batia e os membros ficaram congelados e tremeluzentes.
Ela olhou ao seu redor e viu que se encontrava em um pequeno quarto, diga-se de passagem, bem bagunçado. A janela atrás de si batia fervorosamente na parede, escancarada. Não sabia se foi aberta por ela ou pelo vento. Mesmo observando aquela acomodação, não conseguia se lembrar de já ter visto aquele cômodo, a cama grande e que parecia ser nova. Não tinha muitos móveis ali que identificassem o dono do lugar, mas sobre uma prateleira, acima da cama, havia algo bem pessoal. Um porta-retratos, onde na foto havia três adolescentes e um homem. Dois sorridentes e dois irritados. Uma garota e três garotos.
Não pode ser... – pensou desolada ao reconhecer aqueles rostos.
Nunca imaginou estar ali. Aquilo só podia ser brincadeira, uma ilusão criada por sua mente debilitada e desgastada pelos cinco meses de detrimento mental. Sonhava acordada, não tinha outra explicação...
A porta sendo aberta de maneira repentina a assustou. Virou seu corpo para lá e deu de cara com quem pensou que nunca mais poderia ver. Um rosto único. O único que mesmo nas piores condições fariam seu coração querer pular fora de seu peito.
– Hinata...
O sussurro que saiu de sua boca foi o suficiente para afugentar o frio. Um calor abrasador acalentou sua alma perdida. Era apenas o suficiente para morrer feliz, ver aquele rosto... Se morresse agora estaria no paraíso. Não percebendo quando havia começado a chorar, acordou de seus pensamentos sofridos ao escutar seu próprio soluço desesperado.
Naruto olhava para ela com uma expressão pálida e tensa. Parecia ter encontrado um fantasma dentro de seu quarto, mas as lágrimas e o soluço foram o suficiente para entender que a morena estava ali de verdade. Não era uma ilusão criada em sua cabeça, achava que estaria ficando enlouquecido, mas não estava...
Cuidado garoto... – a Kurama rosnou dentro de si. – Lembre-se que pode ser uma armadilha. Kaguya pode estar tentando te enganar! – avisou para o rapaz e voltou a ficar em silêncio, apenas observando a cena prosseguir.
O louro até que tentou dar razão a Kyuubi, mas não conseguia. Permanecia estático olhando para ela, sem saber como reagir, ou melhor, se reagia...
A morena se movimentou reagindo por ele. Naruto se preparou para entrar em combate, entretanto teve suas defesas desarmadas por ela, que ignorando qualquer feição preocupada e hostil do rapaz, se aproximou e com muita lentidão tocou seu rosto.
Tinha de se certificar que ele era verdadeiro. Com as pontas dos dedos tocou aquelas marquinhas nas bochechas dele e suspirou aliviada. Se tocava não era uma ilusão. Ele era material, estava ali com ela...
Mas isso é um absurdo! Como isso aconteceu? – sua consciência resmungou, mas ela foi ignorada.
Hinata não tinha mais forças para segurar todos os sentimentos em seu peito. O choro veio fácil e sem timidez ou constrangimento, abraçou o rapaz que não se moveu um milímetro se quer. Ele estava tão perdido...
– Hinata? – A pergunta saiu meio hesitante de sua boca. Tinha medo de falar e ela desaparecer em uma nuvem, como um sonho ruim ou bom demais...
– Desculpa! – Ela falou frenética, seus braços se apertaram ao redor dele. – Eu tentei! Juro que tentei, mas ela era forte demais! Me perdoa...
Não pode mais continuar a falar devido aos soluços que chacoalhava seu corpo e alma. Ela tinha suas esperanças renovadas, queria tanto ter sido mais forte por ele...
Até que para sua surpresa foi rechaçada pelo louro. Ele há afastou um pouco, estava desconfiado, confuso... Aquela poderia ser uma encenação de Kaguya. Como teria certeza de que ela era a Hinata que pedia desculpas? Por que seu coração não queria aceitar suas desconfianças?
– Me dê uma prova de que você é a Hinata. – Ele pediu com a voz fraca, sentindo uma dor excruciante no peito por estar desconfiando dela.
A morena ficou novamente com o semblante abatido e lívido. Ele não confiava mais nela.
– É justo... – Disse com a voz amarga e se afastou dele, como se afastasse do fogo.
Estava decepcionada, afinal, o que falaria para ele? Kaguya estava em sua mente todo esse tempo, poderia descobrir o seu pior e mais profundo segredo e contar para o louro. Não tinha o que falar. A indecisão endureceu suas feições, ia embora ou tentava algo?
– Oh, meu Kami! – Naruto exclamou aliviado. – É você mesmo!
Sorriu alegre e correu para abraça-la antes que ela pulasse a janela. A morena ficou confusa com o comportamento dele.
– Como é? – Ela perguntou com a voz esganiçada. O rapaz riu da careta que a moça havia feito.
– Vi em seus olhos sua indecisão. – Ele explicou enquanto olhava atentamente o rosto delicadamente belo da garota. – Se fosse a Kaguya já teria me dito qualquer coisa e tentaria me convencer que era você. – Disse sorrindo alegre por ver que havia chocado a morena. – Estou tão feliz que esteja aqui!
Falou emocionado. Sua visão ficando embaçada devido às lágrimas estúpidas que queria a todo custo segurar. O alivio que sentia era tão grande e libertador que só percebeu o quanto a morena tremia de frio tardiamente.
– Oh, cara! Você vai ficar doente se continuar assim!
Sem pensar duas vezes, pediu para a garota ir tomar um banho e avisou que prepararia alguma coisa para que ela comesse. Hinata pensou em rejeitar as ofertas, mas estava tão cansada, faminta, que não pode negar a ajuda e depois de pegar uma blusa emprestada (só uma blusa mesmo, já que a ultima calça velha que tinha no guarda-roupa ainda estava com a Sakura) rumou para o banheiro do louro.
Repentinamente ele se sentiu nervoso com a situação. Não sabia o que preparar para que ela comesse...
Caramba! O que eu faço agora? – se questionou andando em círculos pelo quarto.
Quando escutou o chuveiro do banheiro ser ligado, decidiu que o melhor a fazer era dar privacidade a morena e partir para a cozinha. Ao chegar ao seu objetivo, abriu apressadamente a geladeira. Encontrou leite, ovos, frutas...
Seu imbecil, você não sabe nem cozinhar! – sua consciência exclamou maldosamente, motivando ainda mais seu nervosismo. – O que vai fazer para ela?
Decidido a não estragar mais nada, pegou as frutas que tinha e as expôs na mesa. Hinata decidiria o que iria comer... Enquanto preparava mais café e chá – já que não sabia a preferencia da garota, colocou o leite na mesa e quando levantou a cabeça viu a Hyuuga parada no portal da cozinha. Ela parecia estar desconfortável com a falta de roupa. O Uzumaki não pode deixar de encarar – quase babar – as pernas dela.
Se continuar assim ela vai perceber... – sua consciência resmungou o fazendo acordar do transe. – É um pervertido mesmo...
Naruto não pode deixar de rolar seus olhos para aqueles pensamentos e tentou se comportar. Mas ficava meio complicado, principalmente agora que havia se lembrado daquele sonho, que mesmo depois de ter passado tanto tempo, ainda se mantinha vívido em sua cabeça.
Limpando a garganta, educadamente pediu para que ela se sentasse a mesa e perguntou as preferências da morena. Ele faria de tudo o necessário para agradá-la e se isso significasse acordar o padeiro para comprar rolos de canela, o faria sem hesitar.
Enquanto esperava que ela terminasse de comer, ele decidiu que iria alertá-la das novidades, exatamente como havia feito minutos atrás. Só que dessa vez, ele sorria animado por poder finalmente estar contando tudo com sua presença, de corpo e alma... Era mais do que ele desejou nesses cinco meses.
Hinata ficou surpresa com a gravidez e o noivado da rosada, mas demonstrou estar animada. Ficou feliz sobre a nova profissão do louro e demonstrou tristeza ao escutar a situação de sua família. Sentiu toda a sua fome desaparecer, estava cansada, seu corpo todo demonstrava exaustão. Mas seu coração era a única coisa incansável, sempre batendo acelerado e irradiando emoções tristes, ao mesmo tempo, que felizes. A felicidade em estar de volta cobria boa parte de sua tristeza e infelicidade.
– Como conseguiu voltar... Melhor... Como sabia que aqui era minha casa? – Naruto a questionou enquanto a observava atentamente.
– Eu... Eu não faço a menor ideia. – Falou com um vinco se formando entre as sobrancelhas. – Uma hora estava discutindo com Kaguya e do nada acordei dentro do seu quarto... Isso faz sentido?
– Sinceramente... – Ele suspirou e continuou a olhá-la. Hinata sustentava o seu olhar. – Não faz nenhum sentido. Quando foi essa discussão?
– Há quase quatro dias, eu acho...
– E você passou esse tempo todo aonde? – Ele questionou exaltado, a preocupação tomava de conta dele.
– Não faço a menor ideia. Tudo está em branco. – Respondeu desviando o olhar para a mesa. Suas mãos apertaram com força a barra da camisa.
– Onde está Kaguya? – O Uzumaki perguntou com hesitação e temor.
Hinata suspirou e deu de ombros. Não escutava mais a voz da Kaguya ou sentia as tentativas dela tentar tomar o controle de seu corpo. Mas sabia que ela ainda estava ali dentro, a espreita de um deslize seu. Deslize que a morena lutaria para que não acontecesse.
Vendo o semblante abatido da Hyuuga, Naruto decidiu que seria melhor deixa-la descansar. Ofereceu sua cama e se levantou da mesa para acompanha-la até seu quarto. Como de costume, a morena recusou constrangida a oferta. Não queria mais atrapalhar a vida do louro, mais do que já estava e alegou não achar ruim ficar no sofá. O louro se demonstrou indignado com a recusa e quase a arrastou para o quarto. Vendo que se continuasse a insistir feriria o orgulho do amado, Hinata aceitou a oferta e o seguiu pela casa.
O caminho não era longo e nem muito complicado de se fazer. Mas a morena não queria se afastar dele. Ele a acalmava e era tudo o que mais necessitava no momento.
Naruto fez todo o caminho, tenso com a situação. Ele não queria ter ficado assim, mas não conseguia relaxar. Quando entraram no quarto, o louro foi prontamente fechar a janela que esquecera por completo de fechar e a chuva começava a salpicar água no chão de madeira. Depois de ter a certeza de que a janela não abriria mais, voltou-se para a Hyuuga e a encontrou parada perto da cama, igualmente tensa. Ela olhava para todo canto, menos para ele.
– Hum, — ele iniciou sua fala, mas ao perceber que sua voz saiu meio esganiçada, pigarreou e retomou o seu pensamento. – desculpa se o quarto está meio bagunçado. Faz um bom tempo que não arrumo as coisas por aqui.
Terminou rindo nervosamente enquanto coçava sua nuca. Hinata acompanhou sua risada, mas se perguntava o motivo do seu coração estar batendo tão acelerado. Mais que o normal... A risada foi morrendo, restando apenas uma tensão, uma densidade elétrica que os atingiu fazendo seus corações bater freneticamente. Os pensamentos estavam em desordem, as bocas secas e respirações ofegantes.
Ah, foda-se! – pensaram em conjunto, perdendo por completo as estribeiras. Não suportavam aquela sensação.
E como imãs, seus corpos se atraíram. O beijo se iniciou calmo, mas sem saber como, ele acabou se tornando em sua perdição. Eles sentiam seus rostos corados, entretanto o calor e desejo apossaram de seus corpos e com isso veio o afastamento do constrangimento e da vergonha. Suas mentes pediam para parar, só que no momento deixaram–se guiar pelo coração e ele batia, não, exigia algo muito mais intenso do que beijos ou abraços.
Hinata não sabia direito o que estava fazendo, tinha uma noção básica do que se tratava e por isso deixou ser guiada por ele. Queria aquilo com toda vontade existente em seu ser.
Naruto a guiou até sua cama parecendo desesperado, então de repente se lembrou de algumas lições que Jiraya lhe dera. Mesmo que na época o rapaz ficasse com o rosto em brasas por causa das dicas, agora ele agradecia ao seu Erro-Sennin por ter insistido em colocar essas dicas em sua cabeça. O louro não tinha nenhuma experiência, mas faria de tudo para deixar o momento perfeito para a morena.
Não seja afobado. – a voz do Jiraya ecoou em sua cabeça. – Tenha paciência e se certifique de que é o que ela quer.
Tentando manter sua sanidade, quebrou o lascivo beijo e observou o rosto da Hyuuga. Ele não precisou questioná-la, ao encarar seus olhos perolados teve a completa certeza da realidade. Ela também o desejava e isso estava tão claro e límpido em seus olhos, que apenas o impulsionou a continuar. Voltou a tentar lembrar as lições.
Tente deixa-la confortável... – Lembrou-se e não sabe da onde tirou a ideia de mordiscar o lábio inferior da morena. — Vá lentamente a deitando em sua cama. – E foi o que ele fez, com uma lentidão quase irritante. Hinata nunca se sentiu tão seduzida... Hipnotizada pelos olhos azuis, que não tinham mais aquela cor azul inocente e pura.
As lições desapareceram por um instante enquanto ele a seguia para cima da cama. Ele a beijou novamente enquanto pairava sobre ela. Dessa o beijo se iniciou vez com mais desejo e voracidade que antes. Naruto tentava apaziguar o calor que sentia, mas apenas a aumentava...
Agora você chegou ao momento mais importante. – Jiraya disse em sua cabeça. – Não precisa ser apressado, faça-a enlouquecer, tente deixa-la muito relaxada e aí sim pode começar as coisas boas!
Naruto quase riu sozinho ao relembrar do quão vermelho ficou quando escutou aquilo. Mas no momento o que mais importava a ele é seguir os conselhos do Ero-Sennin. Guardou a risada e voltou a se concentrar na morena, que suspirava deleitada com as carícias do louro. As mãos dele contornavam todas as curvas que ela possuía e se deleitava com a fartura. Hinata queria tocá-lo, mas não sabia se isso era bom ou não, tinha medo dele não gostar. Estava decepcionada por não ter coragem suficiente para agradá-lo...
Percebendo tanta hesitação na garota, Naruto pegou as mãos da morena e inverteu as posições, fazendo-a ficar sentada em seu colo. A Hyuuga corou violentamente ao sentir o volume do Uzumaki. Ela não sabia mais como reagir, estava nervosa demais. Entretanto não iria perder a oportunidade, então ignorou suas reações exageradas e deixou que ele guiasse suas mãos até a barra da blusa que ele usava. Entendendo o que era para fazer, retirou a blusa dele e não conteve o ofego ao senti-lo abraçar sua cintura encostando seus narizes. Ela desviou seu olhar faminto da boca dele e encarou aquelas safiras que estavam tão escurecidas... Decidida, empurrou toda a sua timidez e hesitação para um lugar obscuro de sua mente.
Em conjunto retiraram o que sobrou de suas roupas e voltaram a se beijar, enquanto o louro invertia novamente as posições. Hinata não conteve o gemido baixo no momento em que sentiu a boca ousada do rapaz em seu pescoço. Era uma área sensível e ele a castigava com mordidas e sucções, da qual ficariam marcas na pele leitosa da morena. Ela não conseguia mais manter nada coerente em sua cabeça, perdeu o controle completo do que saia de sua boca. Estava perdida no intenso prazer que era ter o contato elétrico de suas peles sem empecilhos.
Sem conseguir mais aguentar por muito tempo, Naruto consumou o ato e quase se arrependeu ao escutar o resmungo de dor da morena. Hinata cravou suas unhas nos ombros tensos e largos do rapaz, deixando um rastro avermelhado na pele bronzeada. Ela sentiu a dor, mas tinha algo em si que exigiu para que ele continuasse, não importando a dor. O louro voltou a estocar, dessa vez em um ritmo lento e calmo. Com o tempo os resmungos se tornaram suspiros e depois se elevaram para gemidos baixos, quase ofegantes.
Eles não suportaram mais ficar naquele ritmo, então as estocadas do louro se tornaram mais rápidas e profundas. Os dois não se lembravam mais do que suas bocas falavam ou expressava. Estavam envoltos em uma bolha intensa de prazer indescritível. O suor de seus corpos se misturou, as respirações se encontravam no mesmo ritmo duro e acelerado. Não conseguiam nem manter um beijo decente devido aos rosnados e gemidos que insistiam em sair de suas bocas.
E como em uma explosão branca e densa os dois se perderam em um violento orgasmo. Estavam perdidos, mas juntos e era isso que os interessava.
Naruto após se recuperar, deitou-se ao lado da morena que ainda tentava sair da névoa que cobria sua mente.
– Apenas durma. – Foi à última coisa que ele disse para ela, antes de acomodá-la em seu peito e cair no sono.
Aconchegada, Hinata soltou um resmungo feliz e adormeceu em seus braços.
*****
A morena acordou de supetão, assustada por um trovão que ressoou não muito longe da casa do louro.
Ela sentia sua cabeça ainda aérea e corou ao lembrar os acontecimentos passados. Com extremo cuidado, levantou sua cabeça e encontrou o louro dormindo profundamente, com os braços e pernas espalhados pela cama. Ela ainda continuava deitada confortavelmente no peito desnudo e bronzeado do rapaz, que ressonava baixinho.
Parou um tempo para admirar a beleza dele de perto e com discrição sem ter medo em ser flagrada por ele. Um sorriso doce se abriu em seu rosto, eram as típicas sensações que ele provocava nela. Com suavidade contornou as feições do rosto bronzeado com a ponta dos dedos. E lentamente o sorriso foi morrendo, até que sumiu por completo. Odiava pensar, mas não pode evitar a melancolia ao lembrar-se do que estava fazendo com seu amado. Ficar ali, conversar com ele, dormir, fazer amor... Tudo isso causaria uma renovação de esperanças e isso o machucaria quando algo ruim acontecesse a eles...
Não, ela poderia aguentar sozinha ter seu coração destroçado. Mas com ele envolvido... Não podia permitir. Permanecer ali seria um erro, um crime inafiançável. Jamais se perdoaria em perder aquele sorriso puro e aberto que ele sempre fazia questão em abrir. Hinata viu o quanto Naruto estava progredindo sem ela por ali para complicar a vida dele. O louro agora tinha um time para comandar, um sonho a realizar...
Permanecer ali, sendo caçada e considerada uma traidora – fora o fato da Kaguya presa em si – iria por o Uzumaki em condições complicadas. Se ela o ama, se realmente gosta dele, tinha de ir embora.
Mesmo que seu coração não quisesse aquela fuga, que a chamasse de covarde, a morena se empertigou a sufocar o nó em sua garganta e foi vestir suas roupas sujas e gastas. Estava dando as costas para o Naruto, mas seria para o bem dele.
Ele iria continuar a vida sem ela, se tornaria um Hokage aclamado por sua nação, encontraria uma garota que o fizesse se apaixonar e eles se casariam, constituindo uma família em seguida... Doía pensar dessa maneira, mas tinha de pensar, talvez assim, ficasse mais fácil ir embora. Sentia-se uma mulher suja por tê-lo utilizado daquela maneira, justamente quando tinham sua primeira noite juntos, como um casal de verdade...
Quando pulou pela janela, não fez questão nem de olhar para trás, sabendo que se acovardaria e voltaria para os braços quentes e reconfortantes do Uzumaki. As lágrimas a deixaram cega por um instante, mais do que a própria escuridão que tomou a cidade devido às nuvens de chuva que permaneciam insistentes sobre o céu de Konoha. Ela sentia raiva do que estava fazendo, mas odiava ainda mais Kaguya por existir e atrapalhar sua vida daquela maneira.
Hinata não soube como teve cabeça para fugir da vila, mas quando viu já estava fora dela. Seu coração era a única coisa que permaneceu. Entretanto, jurou a si que descobriria uma maneira de destruir a Otsutsuki, esse seria seu objetivo e missão daqui para frente.
Impelida pela dor e o ódio, Hinata correu pela floresta sem um rumo certo a seguir. Só que no meio do caminho, seus sentidos alertaram um ataque iminente e quando ativou o Byakugan, teve tempo o suficiente para escapar do golpe poderoso que destrinchou o galho da árvore em que ela estava momentos antes.
A Hyuuga pousou no chão e encarou a pessoa que havia a atacado e deu de cara com o Sasuke. O moreno havia feito questão em colocar a máscara ao lado do rosto. Precisava encarar, sem empecilhos, a morena. Ele pulou para o chão e ficou alguns metros de distância dela.
– O que está fazendo por aqui? – Questionou friamente fazendo a morena trincar a mandíbula. Ela sentia a água da chuva escorrer por suas costas, causando arrepios incômodos pelo corpo. – Não sabe que aqui é um território proibido para você?
Hinata não queria responde-lo e com essa intensão se virou e tentou correr, mas o Uchiha apareceu a sua frente e impediu a fuga.
– Eu lhe fiz uma pergunta. É falta de educação não me responder. – Falando isso puxou sua espada da capa protetora e a apontou na direção da Hyuuga que permaneceu imóvel.
Com um grito, Sasuke novamente atacou Hinata que desviou. Ele a atacava com força, mas nunca conseguia atingi-la e aquilo despertou os sentidos da morena. Se ele demonstrava tanta raiva, por que não a acertava? Ela sabia do quanto habilidoso o moreno era.
– Por que não me ataca? – O Uchiha perguntou com a voz irritadiça.
– Eu não vou atacar você! – Hinata respondeu alto, o barulho da chuva deixava aquele combate secreto aos ouvidos de qualquer outro shinobi. – Não tenho motivos para fazê-lo!
Então repentinamente o moreno parou de ataca-la e guardou a espada, sem nunca deixar de observá-la. Hinata ficou confusa com a ação do rapaz, mas não baixou sua guarda, estava preparada para escapar de qualquer movimentação estranha ou ofensiva. O Uchiha parecia dividido, sua boca e sobrancelhas formaram uma linha fina e tênue, o que evidenciava sua indecisão. Agora que tinha suas respostas, não possuía a certeza do que suas ações implicariam.
Faça isso pelo Naruto... – sua consciência resmungou.
Respirando fundo duas vezes, tomou sua decisão.
– Vai embora. – Disse e abriu espaço para que a morena passasse.
Hinata franziu seu cenho, surpresa e confusa com a ação repentina do Uchiha. Ela permaneceu estática, os pés repentinamente pareciam imersos em concreto seco.
– M-mas, eu sou sua inimiga... – Tentou alegar, mas foi calada com a resposta seguinte.
– Você não é minha inimiga. – Retrucou carrancudo, odiava o que estava fazendo, mas se não fizesse teria arrependimentos o suficiente para uma vida inteira. – Kaguya é minha inimiga. Agora fuja daqui antes que mude de ideia!
Falou com irritação e isso pareceu acordar a morena e antes de passar pelo Uchiha agradeceu com fervor a ação. Iria atrás de derrotar sua pior inimiga.
Sasuke permaneceu parado por um bom tempo e quando viu a figura confusa e perdida da morena desaparecer no horizonte, refez seu caminho para a vila. Ele havia visto o momento em que a morena fugira da casa do amigo. Lembrou-se da preocupação que teve ao pensar que Kaguya havia o matado, mas ao entrar pela janela e ver que Naruto havia feito tudo, menos ter sido morto, saiu da casa aliviado e seguiu a morena.
Por sorte conseguiu afugentar todos os guardiões da vila e assim não permitiu que ninguém encontrasse a Hyuuga. Quando estava longe suficiente, decidiu que testaria a morena. Tinha de ter certeza que era a garota... E quando teve sua confirmação agiu da maneira que julgou ser mais correta.
Agora que sabia da volta da Hyuuga, iria fazer outra coisa pelo amigo. Devia tudo a ele e tentaria ao máximo entregar a felicidade nas mãos dele. Sendo assim, apressou seu passo e foi conseguir o futuro do amigo.
Então calmamente se dirigiu ao escritório da Hokage.
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