Pássaros
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Pássaros
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Escrito por Amanur e Noel Blue
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Capítulo 25
É na felicidade que mora o perigo, e de alguma forma Sakura sabia muito bem disso. Por que agora que a reencontrara, corria o risco de perdê-la novamente...
Sakura estava no meio daquela estrada conhecida, correndo sem um rumo certo. Era noite, e o asfalto era iluminado somente pela lua crescente e os postes de luz que contornavam a via. Tudo a sua volta estava silencioso e solitário e escuro e sombrio. O vento soprava um ar gélido e uivava em seu ouvido, como um espectro dando voltas em seu corpo. Um calafrio percorre por sua espinha, e ela olha para os lados, na sensação de estar sendo vigiada. Para piorar a situação, à sua volta havia somente o canto dos grilos e o farfalhar dos arbustos dos canteiros. Ela ouvia sua própria respiração e os dentes que batiam por que o vento ficava cada vez mais frio, num mau presságio, e levara todo o calor que se habituou a sentir. Sua sombra, sua inimiga, lhe perseguia como uma cobra que rasteja hábil e sorrateiramente no chão, pronta para dar o seu bote a qualquer momento de descuido seu. E então, de repente, um foco de luz forte e brilhante surge a sua frente. Ela se assusta e fica ali, parada, olhando para aquela luz até seus olhos se habituarem a ela. E então, ouve o ronco do carro, alguém pisa do acelerador, e os pneus traseiros cospem poeira. Ela sente seu corpo paralisado pelo medo, pelo frio, mas também pelo encantamento que a morte à sua frente lhe envolvia.
O carro avança, e num estalo, Sakura dá a volta e começa a correr em direção contrária. Sem pensar, ela coloca toda sua força em suas pernas, pois sabe que não há tempo a perder. Nem um único segundo. Os pneus no automóvel continuam cantando, a buzina gritando, e sua voz vocalizando — ela grita para tirar todo o ar dos pulmões que pareciam ter lhe infectado com aquele feitiço sombrio e lhe paralisado. Seu batimento cardíaco acelera subitamente, e a angustia, agonia e o pavor correm em suas veias. Mas quanto mais ela corre, mais os faróis se aproximam e mais aquela luz se intensifica em suas costas. Aquela estrada parece não ter fim, e nenhum lugar para fugir aparece. Suas pernas já estão prestes a sair do seu corpo, e Sakura toma consciência de que seu fôlego não resistirá por muito tempo. Ela ainda ouve alguém chamar seu nome, mas tudo parece acontecer rápido demais. Distraída pelo som da voz, ela olha para os lados, tropeça, e a luz toma conta de todo o seu corpo. Não há tempo para responder à voz, à emoção, ao medo...
De solavanco, ela senta na cama, de testa suada e peito ofegante. Ao seu lado, Sasuke acende o abajur, e senta ao lado dela passando a mão em suas costas.
— O que foi? Outro pesadelo?
Ela balança a cabeça, afirmativamente.
— Quer falar sobre isso? — ele pergunta.
— Agora estou no meio da estrada, e eu causo o acidente... — ela murmura.
— Como assim?
— Estou no caminho do carro, e ele me atropela... Eu acho...
— Quer que eu prepare um leite, para você?
— Não... — ela resmunga, passando as mãos no rosto — Você nunca mais teve pesadelos com o seu acidente?
— Não... Acho que consegui chutar o passado para bem longe. Você deveria tentar fazer o mesmo.
— Bem que eu queria...
Voltaram a se acomodar embaixo das cobertas e ficaram abraçados pelo resto da noite, um aquecendo o outro. Três meses se passaram tão rápidos, que não conseguia acreditar. Os momentos de sossego não duravam o tempo que deveriam, embora tudo parecia caminhar para frente. Seus pesadelos continuaram, e pareciam mais frenquentes, mais reais.
Estranhamente, quanto menos ela pensava em seu falecido marido, mais atormentada ela se sentia. Tendo sua mente sempre ocupada pelo trabalho com Sasuke, que sempre a surpreendia com sua força de vontade em que o romance entre os dois o inspirava, tudo parecia se encaminhar muito bem.
Em uma noite de chuva forte, os ventos uivavam e batiam com força contra a janela. Era passara das três da manhã, Sasuke dormia em sua cama, mas ela se encolheu numa poltrona em frente à janela da sala, enrolada num cobertor. O sono não estava querendo lhe dar descanso, e isso a deixava apreensiva. Ela olhava distraída para a vidraça, observava as gotas da chuva escorrer, enquanto alguns raios iluminavam o céu.
— Sakura... Por favor...
Aquele sussurro parecia ter vindo de dentro de sua alma, e lhe arrepiou dos pés a cabeça. Ela se assustou e olhou em sua volta, para encontrar um vulto emergindo do escuro.
— O que está fazendo acordada a essa hora? — Sasuke estava enrolado num lençol, com os cabelos bagunçados, na ponta da escada.
— Não estou com sono...
Ele suspirou. Com passos lentos, meio travados, ele se aproximou dela e sentou no encosto de braço da poltrona em que ela estava. Ele se acomodou ali, ao lado dela, e ficou observando-a. Os pesadelos freqüentes dela estavam começando a lhe preocupar, e ele não sabia o que fazer para ajudá-la.
— Já pensou em falar com aquela sua colega psicóloga?
— A Tenten? Não... Não posso falar com ela agora, depois de tanto tempo... Fui uma péssima amiga. — lamentou.
— Mas se ela é realmente sua amiga, ela vai entender.
Eles não disseram mais nada, mas Sakura ficou com aquela idéia na cabeça, até cair no sono.
O pesadelo veio mais uma vez naquela noite.
Desta vez, no entanto, ela estava sozinha no meio da estrada, ouvindo aquelas vozes chamar seu nome, sopradas ao vento. Ela olhava desesperadamente para todos os lados, mas não havia mais ninguém. Achou que estava ficando louca.
No dia seguinte, acordou ao lado do rapaz, na cama. Mordiscou o lábio, tanto enternecida quanto agradecida, ao pensar no trabalho que ele teve ao levá-la para o quarto sem acordá-la, e tirou uma mecha de cabelo que caia sobre o rosto dele. Sentou-se na cama para se espreguiçar, passou as mãos pelo rosto e deu um leve sorriso ao lembrar-se de Sasuke e seu sorriso bonito, pedindo para ela ficar em sua casa naquela noite. Mas precisava fazer algumas coisas em casa, portanto, dirigiu-se até o banheiro. Ligou o chuveiro e desligou a água morna. Estava se sentindo estranha, como se não fosse ela mesma naquela manhã. Entrou debaixo da água e suspirou; embora gelada, a água estava uma delícia. Ela encostou a testa no azulejo a sua frente e deixou a água escorrer pelo corpo. Estava mais corada e havia engordado um pouquinho nesses dias.
Quando saiu do banheiro, Sasuke continuava dormindo e, sem dizer nada, pegou suas coisas e saiu. Jiraya fez questão de levá-la de volta para casa. Como ela passava mais tempo na casa do Sasuke, suas coisas começaram a se amontoar em pilhas na cozinha, quarto e banheiro. Entretida, não viu o tempo passar, e quando finalmente conseguiu ver ordem em sua casa, se jogou no sofá da sala para descansar, mas o telefone ao seu lado parecia lhe chamar. Ela sentia falta das amigas, e gostaria de poder fazer com que tudo voltasse a ser como costumava, mas sabia que seus atos tinham surtido em conseqüências. Embora não soubesse como desatar aquele nó que dera em suas relações, precisava fazer algo.
— Tenho que tentar, não é mesmo? — disse a si mesma, pegando o telefone.
No entanto, quando discou o terceiro número, sua campainha tocou.
Ao abrir a porta, deu de cara com um Sasuke sorridente. Ele vestia uma camisa branca de mangas compridas, dobradas até os cotovelos, com um colete de risca por cima, compondo com uma calça social e sapatos. Sakura não teve nem tempo de dizer algo, e ele já foi entrando no apartamento dela, a puxando escada acima. Para caminhar, ele ainda precisava do apoio de uma muleta — que apesar de ainda incômodo (sempre a esquecia em algum lugar), já o satisfazia pelo grande progresso que fizera. Sasuke parecia outro homem, completamente diferente daquele cara ranzinza mal humorado que conheceu no hospital. Havia um bom tempo que ela não o via fechar a cara para algo; estava sempre de bom humor, e se mostrara um grande companheiro.
— Eu sei que você vai me xingar, mas prometa não dizer nada até chegarmos lá, ok? — ele disse, pegando no braço dela.
— Como assim, o que está fazendo? — ela reparou, então, que ele carregava também uma sacola no ombro, enquanto a puxava e se apoiava na muleta.
Ao chegarem no quarto, ele jogou a sacola sobre a cama dela e foi despindo-a.
— Ahm, Sasuke?
— Apenas faça o que eu digo por enquanto, ok? Confie em mim.
— Por que estou sentindo um frio na barriga, então?
— Por que você me ama, e está muito feliz em me ver! Agora vá. — ele foi até a sacola, e tirou duas caixas e um pequeno estojo que o entregou a ela — Quero que você tome o melhor banho da sua vida. Demore o quanto quiser, que estarei esperando aqui. — ele foi empurrando-a até o banheiro, e fechou a porta.
No estojo, ela viu que continha sabonetes, cremes , sais de banho e hidratantes especiais. Ela suspirou, embora confusa, aliviada. Realmente precisava de um bom banho para relaxar. Resolveu acatar com seus caprichos e não disse nada. Ligou a torneira morna de sua banheira, que há muito não usava, e foi preparando seu banho enquanto Sasuke parecia ocupado no celular, sussurrando coisas para ela não ouvir. Com certeza, ele tramava algo, e sorriu com a idéia. Adorava suas surpresas.
Mas enquanto se banhava, a curiosidade não a deixou em paz.
— Sasuke?
— Hum? — respondeu do outro lado da porta.
— Vamos sair?
— Sim... Mas não temos horário marcado, então, não se preocupe. Quero você mais linda do que nunca, descansada, relaxada, pronta para aceitar qualquer loucura minha.
Ela sorriu, brincando com a espuma na água.
— Então por que você não está aqui, tomando esse banho comigo?
— Por mais tentado que eu esteja, acho que devo respeitar sua privacidade. Esse é um daqueles momentos em que você precisa ficar sozinha, relaxada, pensando no quanto me ama.
— Eu não preciso pensar no que eu já sei...
Ele ficou em silencio um tempo, pensando no que responder. Eles ainda não haviam trocado juras de amor, e não sabia bem como responder. Então, se levantou da cama, abriu a porta do banheiro, e se agachou ao lado da banheira.
— Tem certeza? — perguntou.
— Absoluta. Você me faz feliz. Me faz sorrir, me acalma... Você é tudo o que preciso.
Ele se inclinou, e a beijou terna e demoradamente. Enquanto as línguas se aqueciam uma na outra, ela tinha vontade de agarrá-lo para dentro da banheira, mas antes disso acontecer, ele se afastou.
— Ok, então saia logo dessa banheira!!! — e sem dizer mais nada, ele fechou a porta.
— Achei que pudesse demorar o quanto quisesse! — ela resmungou.
Ao sair do banheiro, enrolada numa toalha, Sasuke, prontamente, lhe entregou as duas caixas. Numa delas, um vestido branco de cetim, simples, de alças finas. Na outra, uma sandália rasteira, de tiras brancas, que combinavam perfeitamente com o vestido.
Enquanto ela o vestia, Sasuke saiu do quarto para atender outra ligação em seu celular, mas antes de dar as costas, ele fechou a porta, para ela não ouvi-lo. E, de fato, ela conseguiu captar apenas algumas palavras soltas. Quando apareceu nas escadas, pronta, Sasuke desligou imediatamente o celular e sorriu como nunca. Sakura havia prendido o cabelo num coque meio solto, destacando seu pescoço nu. Usava uma maquiagem discreta, com um par de brincos pequenos, delicados. Estava exatamente como ele imaginara.
Então, ele se levantou, tirou do bolso de sua calça mais uma pequena caixa de veludo, e a abriu para ela. Havia um delicado colar de prata, com um pingente de pérola.
— Posso colocá-lo?
— Uhum...
Ele deu a volta por ela, e o pôs. Ao fechar a corrente, beijou seu pescoço, e lhe deu o braço para que ela o acompanhasse.
— Está pronta?
— Uhum...
Ela não disse mais nada. Seguiu atrás dele, até o carro. Jiraya foi dirigindo em silencio, por uma estrada que saia da cidade. Durante todo o trajeto, que levou mais de uma hora, Sasuke não tirou a mão dela da sua. Quanto mais o carro andava, mais ansioso e nervoso ele se sentia. Ele já balançava a perna, na inquietação, quando o carro finalmente parou no meio de umas dunas. Num piscar de olhos, ele saltou para fora do carro, e abriu a porta para ela.
— Que lugar é esse? — ela indagou.
Havia dunas em meio a vários arbustos verdes, e mais alguns carros espalhados pela areia. O cheiro de mar a inundou, e o vento começou a bagunçar seu cabelo. Ela achava que ele fosse levá-la a algum restaurante, ou talvez em alguma festa... Mas a praia estava completamente fora de cogitação.
Sasuke sorriu, e pegou o braço dela, enquanto Jiraya, de repete, parecia ter evaporado. Antes de caminharem, ele pegou no rosto dela, olhando atentamente para cada detalhe daquela mulher, e sorriu. Não como costumava a fazer, no entanto. Esse foi um sorriso diferente, meio sério, terno, como se houvesse alivio.
Ele não sabia bem ao certo quando havia realmente se apaixonado por ela; poderia ter sido na primeira vez em que se viram, ou quando ela o levou no topo do prédio do hospital e seus cabelos voavam junto com os lençóis brancos. Poderia ter acontecido ainda antes, quando ela disse que não desistiria dele, mas o sentimento estava lá e era forte, e o fazia feliz e leve. O fato é que ele queria sorrir a todo momentos em que ouvia sua voz ou estava perto dela. E queria estar com ela em todos os momentos. Nunca estivera tão apaixonado antes, e aquele sentimento era tão espontâneo que ela sentia ao olhá-lo nos olhos, tão expressivos eram.
E olhando em seus olhos, com todo esse sentimento à flor da pele, Sasuke perdeu completamente a linha do seu raciocínio, lhe restando somente ser direto.
— Me perdoe por toda a estupidez que já cometi com você, ok?
— Por que está me dizendo isso agora? — ela pergunta.
— Me perdoe por ter agido meio irracional nos momentos críticos, me perdoe por ter sido teimoso quando você me ordenava para descansar. Perdoe-me por te desobedecer, e sair para pilotar mesmo sem seu conhecimento...
— Como é que é?
— Conversaremos sobre isso mais tarde. O que estou tentando dizer é que nesses últimos meses tanta coisa aconteceu que sinto como se tudo não passasse de um sonho, de uma ilusão. Primeiro, eu me acidento, depois te conheço e tem toda aquela confusão, aquela dor, aquela angustia... Os tapas, as brigas... As fisioterapias, a cirurgia... E agora estamos aqui. Tudo aconteceu tão rápido, e estamos tão bem, não achas? Estamos tão bem que... Que acredito que, talvez, devêssemos manter nossa vida nesse ritmo, não concorda? — ele fez uma pausa, olhando nos olhos dela, e mordeu o lábio inferior — Acho que não devemos parar de cometer loucuras, para não cairmos na rotina e estragarmos tudo. Por que esse é o meu maior medo agora, Sakura... Me distanciar de você. — e então, ele tirou do bolso mais uma caixa. Desta vez, a menor de todas. Quadrada e preta.
Ao abri-la, duas alianças simples e douradas brilhavam singelamente, mas cheias de significado.
Então, Sasuke não disse mais nada; ficou apenas observando-a. E Sakura olhava para aquilo sem saber o que dizer, como se as palavras tivesse escapado de sua boca e evaporado. Por um momento, sentiu-se meio tonta, e pareceu perder um pouco de cor na face. Ficou olhando para aquelas duas pequenas argolas, sem saber o que fazer, e o tempo pareceu correr a sua volta num vulto oculto que queria levá-la para longe dali.
— Sakura... — o som daquela voz a desperta, como se a acordasse de um transe.
— O quê? — de repente, ela o olha.
— Você está bem?
— Estou...
— Me diga se isso é um erro meu, um equívoco, ou que estou perdendo meu tempo...
— Não, não é...
— Tem certeza?
Apesar da estranha sensação de que estivesse sendo vigiada ou julgada por estar ali, diante daquelas alianças, ao mesmo tempo ela se sentia bem, em paz consigo mesma, como se estivesse fazendo a coisa certa.
— Sim... Absoluta. — então, ela tentou recompor sua postura com um suspiro profundo, e sorriu para ele.
Sasuke resolveu acreditar nela, e guardou a caixa de volta em seu bolso. Pegou o braço dela, para envolvê-lo em seu, e a guiou por entre os arbustos. Em seguida, conseguiram ver o mar calmo e sem ondas mais a frente. À esquerda, de onde saíram por entre as dunas, um arco florido se erguia e, em volta dele, algumas cadeiras brancas ocupadas pelos familiares do Sasuke. Sakura deixou seu queixo cair, ao se dar conta de que ele havia preparado tudo, e que todos estavam ali, a espera deles. Seus próprios pais, com quem não falava há meses, Naruto, Tenten, Ino... Jiraya, Tsunade, Itachi também estavam lá. Todos estavam de pé, os aguardando. Havia uma pequena mesa de madeira, colocada no centro do arco, e atrás dela um padre sorridente. O pôr do sol pintava o céu e o mar, e todas aquelas cores, de repente, pareceram inundar o peito de Sakura com emoção.
— Gostou? — ele sussurrou ao ouvido dela.
— Desde quando você estava planejando isso, hein? — sussurrou de volta.
— Há algumas semanas. — deu de ombros, orgulhoso por ver a surpresa estampada na cara dela. —Ainda bem que a chuva foi embora... Hoje parece o dia perfeito para fazer promessas, não é mesmo?
— Isso é loucura, Sasuke.
— Bom, então, prepare-se, pois depois de escapar da morte, pretendo levar uma vida plena de loucuras. E eu quero que você faça parte disso...
Ela sorriu, em resposta.
Os arranjos eram simples, mas muito bem preparados e colocados. Havia flores brancas por todos os lados, e mais um pequeno grupo musical, com violão, tumbadores e um pandeiro meia lua para criarem o som acústico, misturado naquele luau. Um pouco mais afastado, havia uma fogueira acesa, e uma enorme mesa cheia de frutas, bebidas e tortas. A cerimônia seria discreta, simples e pequena, mas perfeita para eles.
O pai de Sakura tomou o braço da filha, mas não puderam trocar palavras, por que Sakura não parava de chorar vendo todos aqueles rostos sorridentes. Lágrimas rolavam por seu rosto, como as gotas de água rolaram pela sua janela na noite anterior, numa mistura de melancolia e felicidade. Mas apesar disso, ela sorria, com aquela estranha sensação de que algo estava prestes a acontecer.
Sasuke retomou o braço da noiva em frente ao padre, que logo deu inicio à cerimônia. Mas enquanto os lábios daquele senhor não paravam de mover, ela apenas ouvia o som do mar, apenas enxergava os olhos de Sasuke. Ele estava mais incrível do que nunca, de barba feita, cabelo penteados para trás, cheio de orgulho por estar ali, com ela, e de pé sem ajuda da muleta (por que não quis usar aquela porcaria naquela ocasião, por isso a deixou no carro, sem que ela se desse conta). Ela estava orgulhosa pelo progresso que havia atingido com ele, embora já soubesse da cirurgia do Dr. Kabuto. Ela mergulhou na escuridão daquele olhar, como se mergulhasse nas profundezas do mar, e, então, nada mais viu.
Ela tentou nadar para fora daquele negrume que a envolvia. Ela tentava gritar, se desvencilhar do que quer que a prendesse ali, mas nada parecia adiantar. Tentou encontrar algum nome a quem pudesse chamar por socorro, mas então se deu conta de que não havia mais nada na sua memória. Como se tudo, de repente, tivesse sido apagado e ela não soubesse mais onde estava. Seu ar começou a ficar escasso e o desespero tomava conta do seu corpo como se estivesse se esquecendo de algo importante, algo que havia deixado para trás, em algum lugar. Mas não sabia o quê, onde, ou quem. Nada mais fazia sentido, e ela apenas queria sair da escuridão.
— Sakura...
E, então, Sasuke está novamente a sua frente, com uma triste expressão.
— Sim! — ela diz, sem pensar.
— Sim, o quê, querida? — ele pergunta, cuidadosamente.
— Sim, eu aceito. Aceito viver com você até que... Até que a morte nos separe. — as últimas palavras lhe foram difíceis de dizer. Pareciam querer entalar na garganta, como se fossem proibidas de serem ditas em voz alta. Ou por que tinha medo de que a historia se repetisse.
Mas Sasuke abriu o sorriso novamente. Em seguida, sua aliança foi posta em seu dedo e, sem pensar, ela colocou a outra argola no dedo dele e sorriu. Todos ficaram de pé, e aplaudiram o casal, enquanto a banda começava a tocar. Ele a beijou e Sakura se agarrou àquele beijo com todas as suas forças, com medo de deixá-lo escapar de suas mãos, do seu abraço. As lágrimas salgadas se misturaram ao beijo, até que ele precisou se afastar para recuperar o fôlego que ela parecia ter perdido. Mas sorridente, ele segurou a cabeça dela e encostou sua testa na dela, olhando em seus olhos. Sem vocalizar, apenas com o movimento dos lábios, ele perguntou se ela estava bem, e Sakura fez que sim.
E então, se deram as mãos. Mas enquanto caminhava ao lado dele, em direção aos convidados, ela teve que dar mais uma olhada em sua aliança. Coubera perfeitamente; era fina e delicada, mas ao mesmo tempo parecia pesar toneladas em sua mão.
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