Notas iniciais
Hey

Blaine mal conseguia esconder a sua curiosidade.

– E quando eu irei conhecê-lo? – O moreno perguntou enquanto contemplava as belas asas do amigo. Um anjo pode se tornar arcanjo caso mereça tal posto e Blaine, com certeza gostaria que um dia, suas asas atingissem aquela coloração magnifica.

– Esse negócio de anjo da guarda é diferente. Quando ele mais precisar de ajuda, você simplesmente vai sentir uma corrente magnética te levando até ele. E quando perceber ele estará na sua frente. – Sebastian brincava com o seu colar prateado.

– Posso pelo menos saber o nome dele? E por que ele precisa de mim? – Blaine agora olhava para a imensidão azul sobre si.

– Todo mundo precisa e tem um anjo da guarda Blaine. O anjo desse garoto era a sua mãe, mas por ter sido parente dele, ela pensa que não consegue ajuda-lo. Então ela me chamou e disse que você seria o anjo perfeito. E o nome dele é Kurt. Kurt Hummel. – O castanho era calmo.

– Entendi. Bom, então quando ele precisar de mim, eu simplesmente estarei lá?

– Basicamente. – O arcanjo deu de ombros.

– Seb... Por que eu nunca encarnei? Por que eu nunca fui um humano? – Fazia muito tempo que o moreno guardava aquela pergunta para si. Depois de tudo o que havia lido nos livros, ele achava a ideia de ser um humano, fabulosa.

– Você não precisa aprender nada Blainey. Você foi criado à apenas alguns anos. Você não precisa desenvolver nada na terra ainda. A terra, para nós, nada mais é do que uma escola. Você foi criado com perfeição como os outros, logicamente, mas você não irá para a terra se não estiver preparado.

– Então, algum dia eu posso ter a chance de ser um humano?

– Depende. Eu não sei lhe responder isso. – Sebastian sorriu amavelmente.

– Eu fico pensando... Até onde eu sei e estudei, nós somos criados em pares... Todos têm almas gêmeas e mais cedo ou mais tarde somos levados até ela... Você acha que vai demorar para eu encontrar a minha? Como vou saber que é ela? E por que eu ainda não a encontrei? Quero dizer, tudo bem que eu sou novo, mas eu acredito no amor e acho que ele mereça ser vivido em todos os momentos possíveis. – As perguntas apenas fluíam da mente do anjo. Elas estavam sendo retiradas de dentro do seu peito apenas pelo olhar acolhedor do arcanjo.

– Ah querido – Sebastian o abraçou com os braços e logo suas asas também o envolviam. O castanho sabia a resposta. Sabia o motivo de o moreno estar tão agoniado pensando em sua alma gêmea. Ele sabia que a alma gêmea de Blaine não estava ali com ele, mas existia em algum lugar do universo. – E-eu nunca encontrei a minha também e olha que sou bem mais velho do que você. – Ambos sorriram fracamente. – Isso só me leva a crer que eu não tenho uma. Fomos criados com o propósito de servir. Apenas isso.

– E você nunca quis amar?

– Nós amamos. Eu amo. Eu amo você. Eu amo todas as criaturas vivas. Eu amo o nosso Criador. Esse é o nosso amor. O amor que nós, anjos, sentimos. Nosso jeito e sentimento de amor é diferente dos humanos e você sabe disso. – Com a mão no peito do moreno, o castanho sorriu.

– Eu consigo ver todo esse turbilhão de perguntas dentro de você, o que é normal para uma criação nova¹. Mas essa confusão vai cessar com o tempo e você atingirá a serenidade. Você vai ver. Você precisa confiar na força maior que te criou. E você precisa se acalmar. Como espera conseguir ajudar alguém se não consegue se manter calmo e sereno? É desse tipo de vibração que Kurt precisa. E agora, eu preciso ir. Quando quiser conversar comigo, basta pensar em mim... – O castanho sorria.

–... Que você estará aqui. – Blaine sorriu de volta, completando a frase e foi com grande admiração que viu o arcanjo bater suas asas graciosamente e voar para dentro das nuvens. Depois de contemplar o voo do amigo, o moreno deitou-se na grama.

Existia uma escola para onde os novatos são mandados antes de conhecerem Sebastian. Lá eles são preparados para as suas funções e aprendem coisas como chamar uns aos outros pelo pensamento. Blaine sempre se destacara como o mais dedicado, o que mais perguntava, o que mais procurava saber de tudo e tirar todas as suas dúvidas.

Seu primeiro “emprego” era ficar dentro de salas medicas quando algum paciente estava sendo operado e lhe enviar vibrações de cura e de relaxamento. Isso era fácil. Depois passou para intermediário onde estava até então. Blaine adorava trabalhar e seu tempo livre, ou ele estava na praia, ou estava com Sebastian aprendendo mais e mais. Mas conforme ia adquirindo conhecimento, o turbilhão de perguntas seu aumentava em seu coração. Ele fora criado com qual propósito? Ele sentia no fundo do seu coração celestial que a sua alma gêmea existia. Onde ela estaria?

Depois de refletir, ele se concentrou em Kurt. Kurt seria o seu protegido. O garoto estava com problemas e o mínimo que ele esperava era que seu anjo da guarda fosse devidamente equilibrado, certo? Blaine gargalhou ao pensar nisso. Provavelmente Kurt era mais um adolescente que não acreditava em Deus e muito menos em anjos da guarda. Ele não sabia pelo o que o castanho passava. Então, resolveu adotar uma técnica que havia aprendido em um livro. Ele “imaginou” o nome de Kurt e forçou o seu pensamento nele.

Ele realmente fazia um esforço danado. Tudo o que havia em sua cabeça era Kurt Hummel.

“Leve-me até ele”.

Quando se deu por vencido e percebendo que não saia do lugar, Blaine abriu os olhos. E foi com certo espanto seguido de curiosidade extrema, que ele percebeu que já não estava mais na praia. O lugar estava numa penumbra, exceto Blaine que irradiava energia branca, mas claro, um humano não veria aquilo.

Blaine caminhou calmamente até a cama e viu um garoto pálido dormindo um sono agitado. Aquele era Kurt. Como um susto, sentindo algo estranho agitando seu espírito, de alguma maneira o anjo sabia que o conhecia. Mas de onde?

Aquele garoto que não parava de se mexer na cama era o seu novo protegido e era nisso que ele deveria se concentrar.

Ao observar melhor, o moreno constatou que ele tinha um olho roxo e um grande corte na boca. Blaine sentiu compaixão e pena do rapaz, mesmo não conseguindo vê-lo direito, pois a penumbra impedia isso – era totalmente errado pensar que anjos tinham superpoderes – E mesmo sabendo que era meio que proibido tocar os humanos saudáveis (você nunca sabe quando vai encontrar um médium que irá lhe assustar ao dizer “obrigado” depois de um abraço. Não, anjos não podem correr o risco de serem vistos em sua forma celestial) Blaine deitou ao lado de Kurt e o abraçou pensando em boas vibrações. Paz, serenidade, amor, carinho... O castanho mesmo inconsciente foi absorvendo todas aquelas boas vibrações e logo dormia um sono profundo e calmo.

Depois de constatar que ele dormia tranquilamente, o moreno levantou-se, mas tomou um grande susto quando ouviu uma voz totalmente estranha, mas ao mesmo tempo familiar – por saber se tratar de outro anjo – atrás de si.

– Meu querido, eu não faço ideia de como você chegou, mas você não deveria estar aqui ainda. Não enquanto eu estiver.

Notas finais
¹ Criação nova = Anjo criado a pouco tempo. E então? Xx