Outlaws Of Love

3 The Talk About Him.


– M-me desculpe e-eu... – Blaine parecia apavorado ao olhar a mulher na sua frente. Cabelos longos e compridos, rosto delicado, olhos azuis como o mar e um vestido florido, estava sentada na janela do quarto e antes de olhá-lo, ela admirava a lua.

– Não precisa se desculpar. Eu não quis assustar você. Eu me chamo Elizabeth. Elizabeth Hummel. – A mulher sorriu docemente e caminhando até o moreno lhe estendeu a mão que ele apertou timidamente. – E eu sei que você é Blaine. Então me responda: Como você chegou aqui? Por que eu tenho certeza que Sebastian não lhe enviou e não lhe disse como chegar até ele. – Elizabeth olhou com verdadeira adoração para o seu filho.

Blaine engoliu em seco. Ele nunca havia feito nada errado ou contra as regras. Na verdade ele não fazia ideia de que uma simples ideia de um livro pudesse realmente funcionar. – B-bom... Eu apenas pensei nele – O moreno deu um olhar sugestivo para o garoto que continuava adormecido profundamente – e quando abri os olhos estava aqui. – Blaine foi totalmente sincero. Claro que ele sabia quem era Elizabeth. Sabia que ela era a mãe de Kurt e sabia que ela ainda era o anjo da guarda dele.

– Apenas pensando no nome dele você conseguiu se tele transportar para cá? – A mulher parecia interessada no que ele falava. Convidando-o com o olhar ela sentou-se no chão ao lado da cama do castanho e esperou Blaine sentar de frente para ela. – Isso é realmente interessante.

– S-sim... Bom, me desculpe de qualquer maneira. Eu já vou. – O moreno fez menção de ir embora, mas a voz tranquila da mulher o segurou ali, sentado no chão.

– Ei, não se apresse. Vamos conversar sobre Kurt. Vou contar-lhe tudo o que precisa saber. Até por que eu só ficarei com ele até o amanhecer de hoje. – Elizabeth pegou as mãos do moreno e após constatar que ele realmente estava prestando atenção, ela começou a sua narrativa.

– Kurt é filho único. Eu sempre tive problemas para engravidar e Burt, meu marido, nunca havia me cobrado nada, ele sempre disse que estava feliz em apenas ter-me ao seu lado – Um sorriso emocionado surgiu nos lábios do anjo – Mas eu sempre quis um filho, queria um bebê fruto do nosso amor. Com o passar do tempo eu entrei em depressão por conta disso, deixando meu marido muito preocupado. E então, num belo dia, eu acordei com fortes enjoos e mesmo não tendo feito teste nenhum, eu sabia que estava grávida. Quando Kurt nasceu foi uma alegria imensa! Ele preenchia o vazio que eu sentia todas as vezes que sorria para mim ou me abraçava. Ele me salvou, literalmente. – A mulher estava mais emocionada do que antes. Talvez não fosse tão fácil recordar.

– Tudo começou quando Kurt tinha cinco anos em um belo e ensolarado dia quando fazíamos compras pela cidade. Ele viu uma boneca na vitrine de uma loja e enquanto eu não a comprei, ele não parou de chorar. Eu pensei que fosse coisa de criança e ele, por ser menino, assim que colocasse as mãos na boneca, a destruiria. Mas não. Ele cuidou com todo amor e carinho daquela boneca, sem contar que me fez comprar mais algumas pra fazer companhia para a primeira. – Elizabeth nesse momento sorriu deixando uma lágrima escapar de seus olhos. – Ele queria uma boneca que vinha com um par de sapatos de salto alto. E depois de muito insistir, eu a comprei. Só então, vendo meu filho desfilar de salto alto pela casa, sentindo-se a Rainha Elizabeth, como ele mesmo dizia, foi que eu e Burt soubemos que ele era gay. – Os olhos de Blaine arregalaram-se.

– E sabe? Estava tudo bem. – A mulher ignorou a cara de pavor do outro anjo.

Claro que ele já havia ouvido falar de gays e todo o mais, mas ele só tivera contato com um gay em toda a sua existência, um homem chamado Josh que morreu vitima de câncer nos pulmões. Quando Blaine o ajudou a fazer a passagem, Mark – o amor e alma gêmea de Josh – o esperava do outro lado.

– Meu filho era tão lindo, educado, carinhoso, gostava de tomar chá com as outras meninas, brincava de casamento onde ele organizava, mas jamais era o noivo. Ele demonstrava seu amor por nós e nós por ele. Não importava se ele era gay ou não. Ele continuava sendo o meu filho querido.

A emoção tomava conta do anjo que agora tremia levemente, tentando em vão, pegar a mão do filho adormecido ao seu lado.

– Por diversas vezes ele chegava em casa aos prantos e jogava-se no meu colo reclamando dos outros meninos que pegavam no pé dele só por ele ser mais delicado do que o normal, por não gostar de se sujar. Eles não queriam brincar com Kurt e depois de um tempo, eu o via triste em seu quarto, organizando casamentos entre as bonecas sem companhia alguma. Só deus sabe o quanto eu quis acabar com o sofrimento do meu filho. O que mais me aterrorizava era pensar em quando ele virasse um adolescente. As coisas seriam muito mais difíceis.

– Crianças sabem ser cruéis às vezes. – Blaine falou sorrindo em compreensão para a nova amiga. Tudo bem, ele não sabia se aquilo que havia dito era verdade, mas foi o que pareceu certo dizer no momento.

– Ele cresceu solitário, sem amigos, apenas eu e seu pai éramos suas companhias tanto para brincar quanto para conversar. Então quando ele tinha dez anos, eu fui diagnosticada com câncer. Fiquei um ano em tratamento e depois de sofrer, mais por ver meu filho pedindo-me todas as noites para que não o abandonasse, do que pela dor insuportável que eu sentia, meu corpo físico não aguentou.

Sua voz agora estava um tanto neutra, como se a parte mais difícil já houvesse sido dita. – Eu fiquei algum tempo naquele hospital “no céu” em tratamento até estar pronta para poder voltar a terra e ver minha família. O susto que eu tomei foi que quando eu finalmente retornei, como anjo, Burt estava casado com uma moça aparentemente simpática que cuidava de meu marido e meu filho e ao olhar para o meu pequeno garotinho, o espanto foi ainda maior: Kurt já tinha quinze anos. Eu perdi os melhores anos da vida de meu filho. – Elizabeth suspirou dolorosamente.

– Então eu tenho estado com ele desde seus quinze. Agora ele conta com dezessete anos. – E admirando o filho, ela completou. – Ele se tornou um lindo rapaz.

– Realmente. Ele é lindo. – Blaine disse dando um pequeno suspiro, sem notar, enquanto também observava o garoto. Elizabeth fingiu não perceber. – Mas por que eu? Por que você não pode mais cuidar dele?

– Por que Kurt está indo por um caminho obscuro. Ele parou de ouvir minhas sugestões. Eu já não tenho efeito algum sobre ele. – Elizabeth dizia aquilo com visível pesar.

– Ele conseguia te ouvir?! – O moreno parecia abismado.

– Nossos protegidos registram nossas sugestões. Eles acham que é ideia deles quando na verdade somos nós sussurrando. – Começava a amanhecer do lado de fora do local. – Bom Blaine, eu preciso ir. E já que está aqui, fique ao lado dele durante o dia todo para conhecer a sua rotina. Você vai entender o que eu estou dizendo. – A mulher caminhou até o filho e lhe beijou a testa sussurrando-lhe algo como “eu te amo pequeno.” O que havia deixado Blaine deveras emocionado.

Elizabeth estava pronta para desaparecer quando Blaine a deteve. – Espera. Você não me respondeu. Por que eu? – A curiosidade gritava dentro dele.

– Além do seu lindo, amoroso e bom coração, do seu empenho e cuidado com a humanidade, se você fosse humano teria mais ou menos a idade do meu filho agora. E também há um outro motivo que você mesmo irá descobrir. – A mulher o abraçou e antes de sumir completamente, sussurrou algo no ouvido de Blaine que o deixou sem palavras. – Quando pensar em desistir disso, lembre-se de que você é o único que pode ajudar o meu filho. Por favor, não o deixe. Não o abandone. Ele precisa de você assim como você precisa dele.

E assim, ela sumiu junto com o primeiro raio de sol que adentrava o quarto. Blaine ainda estava perdido em seus pensamentos quando o barulho de algo o assustou.

Kurt esticou o braço para fora da cama e desligou seu despertador. Depois de sentar-se ele esfregou os olhos, abrindo-os olhando rapidamente pelo quarto e logo em seguida dando de ombros ao se espreguiçar. Blaine por um momento parou de pensar e se concentrou nos olhos daquele garoto.

Para ele, os olhos de Kurt eram excepcionalmente os olhos mais lindos que ele já havia visto. Para Blaine, eles pareciam refletir as belas aguas turvas do mar.

Notas finais
Até semana que vem :3 Xx