Outlaws Of Love
6 Don't Do This.
Naquela manhã em especial, Kurt acordou indisposto. Depois de terminar seu ritual matinal enquanto certo anjo explorava a casa conhecendo o resto da família de Kurt, o castanho desceu para o café da manhã. Impulsionado por Blaine, o castanho perguntou como todos estavam e mesmo surpresos, Burt, Finn e Carole responderam com gosto, também ouvindo a Kurt tornando aquele café da manhã agradável para todos.
Depois de arrumar seu quarto e o grande quadro com as fotos de algumas pessoas mais importantes na vida do castanho, deitando-se na cama ele pensou em Elliott. Seu único e melhor amigo que havia se mudado deixando-o completamente sozinho. Kurt odiava aquilo. Odiava sentir falta das pessoas, mas principalmente daquelas que nunca voltariam, como sua mãe. Por um segundo o castanho suspirou colocando alguma musica pra tocar no seu celular. Era melhor do que ficar pensando em besteiras.
Blaine subia e descia as escadas da casa enquanto ficava pensando. Até aquele momento, tudo bem, Kurt tinha aceitado bem as suas sugestões, mas e se quando o castanho realmente precisasse e Blaine não conseguisse ajudar? Como faria?
Quando estava quase dormindo, Kurt sentiu seu celular vibrar em sua barriga. Depois de ler a mensagem e pensar se iria ou não, o castanho levantou-se indo trocar de roupas.
“É melhor ver o que ele quer e resolver isso logo.” Kurt pensou entrando no banheiro. Ao notar a movimentação no andar de cima, Blaine dirigiu-se para lá e ao notar que Kurt iria sair, tentou descobrir para onde. Quando o castanho pegou o celular e leu a mensagem novamente, o anjo aproveitou o momento.
“Venha até o Casarão. Agora.
Preciso falar com você, boneca.
Puck.”
Sentindo-se apreensivo, Blaine aproximou-se de Kurt e tentou persuadi-lo daquela decisão de ir até o garoto de moicano.
– Não vá. Puck não é boa companhia para você. Você sabe do que ele é capaz. Fique em casa com a sua família. Por favor. – O anjo só parou de insistir quando teve que seguir Kurt até a rua já que o castanho estava se dirigindo até o local marcado por Puck.
Temendo que fosse uma cilada e Puck lhe desse uma surra deixando-o em coma, Kurt seguiu até o local indicado firmemente. Em seus planos ele pediria para Puck deixa-lo em paz, falaria que envolver-se com ele e com o seu tipo de trabalho sujo havia sido um erro e iria embora tranquilamente.
Era um plano perfeito na cabeça de Kurt.
Mesmo com um grande medo, o castanho – que havia ficado parado na porta com uma estranha e imensa vontade de ir embora, sem saber que era um certo anjo da guarda que estava lhe dizendo aquilo – acabou entrando pela porta totalmente aberta da casa abandonada.
– Puck? – Kurt odiou o quão instável sua voz saiu. Mas ele não podia se ajudar. Ele estava apavorado. Varias pessoas estavam ali, usando drogas. Ele precisou tampar as narinas com o seu casaco para que não tivesse uma crise de tosse. Só o cheiro daquele lugar já estava deixando-o tonto.
Enquanto procurava o amigo no meio daquelas pessoas, ele viu algumas fumando algum tipo de cigarro fedorento que ele imaginou ser maconha, outras injetando coisas em si mesmo, alguns rindo sozinhos e apontando para o nada, na outra parte da sala tinha pessoas deitadas com o corpo estremecendo uma vez ou outra e bem isolado havia mais ou menos cinco pessoas em volta de uma mesa com os narizes colados na superfície aspirando algo. Entre elas, estava Puck.
– Oi? – Caminhando até o garoto que agora ria, o castanho o chamou tendo a atenção de Puck completamente voltada para ele.
– Hey boneca, não é que você veio mesmo? – O tom usado pelo garoto fez tanto Kurt quanto Blaine se arrepiarem e terem vontade de sair correndo daquele lugar.
– Por que você me chamou?
– Primeiro, por que eu quero pedir desculpas pela surra. Sabe como é. Alguém tão bonito quanto você não merece marcas roxas. A não ser que sejam chupões, aí eu aprovo completamente. – Agora abraçado em Kurt, Puck sorria maliciosamente, fazendo com que o castanho automaticamente se afastasse totalmente corado. – E segundo por que eu queria que você conhecesse meus amigos e talvez você fizesse algumas amizades por aqui já que não tem amigos.
– E quem são seus amigos? – Kurt estava confuso. Ele só estava vendo pessoas completamente fora de seus raciocínios ali.
– Todas essas pessoas. Somos amigos por que eu sou o fornecedor deles. E posso ser o seu também, se você quiser. – O garoto com as pupilas dilatadas sorriu doentiamente para seus “amigos” e depois para Kurt.
Entendendo o que Puck queria dizer, Kurt logo se desviou daquilo, educado, porém firme. – Eu não tenho interesse e você sabe disso. De qualquer maneira, obrigado.
Blaine deu um pulo de alegria naquele momento. Kurt estava reagindo.
– Qual é Porcelana. Você mesmo me disse que queria experimentar. Você vive reclamando que a sua vida é uma merda e eu tenho aqui algo que vai lhe servir como distração por um tempo. É só me dizer que você quer e eu consigo para você. Não seja covarde. – Puck realmente sabia fazer as pessoas agirem da maneira que ele queria.
Quando Kurt começou a ponderar a ideia, Blaine mais uma vez, colou-se nele, apavorado. – Não Kurt. Você não pode. Pare de pensar isso. Usar isso vai te fazer muito mal. Você vai sentir muitas dores. Vamos para casa. Por favor, vamos para a sua casa.
O castanho sofria um conflito interno. Algo dentro dele gritava para que ele fosse embora daquele lugar o mais rápido possível. Mas alguma pequena outra parte sussurrava algo que, infelizmente, estava levando a melhor. Afinal ele realmente tinha curiosidade sobre qual era o efeito daquelas substâncias nas pessoas. Sempre teve vontade, mas nunca coragem.
Ele não iria morrer se usasse apenas um pouco, certo? O que ele tinha a perder com aquilo? Sua vida já era uma completa bagunça mesmo, ele não perderia muita coisa. Apenas algumas horas de lucidez, talvez.
Vendo que Kurt realmente ponderava a ideia e que o seu lado racional estava perdendo para a curiosidade, Puck deu sua cartada final para conseguir convencer o castanho indeciso.
– Você sabe o que tem que fazer. E já viu vários outros aqui usando isso e ninguém morreu. Qual é Porcelana, vai por mim, a sensação que isso aqui vai te causar, é a melhor coisa que você vai sentir na sua vida. Você vai esquecer tudo o que te atormenta por alguns momentos. E olha que eu nem vou cobrar nada, é um presente meu para você. Basta experimentar. – Puck falou com um sorriso de vitória no rosto enquanto Kurt pegava o pequeno pacote com o pó branco que ele lhe oferecia, para o desespero de Blaine que assistia tudo.
[...]
Kurt sentia-se realmente estranho. Ele não conseguia pensar direito e muito menos se mover, enquanto uma parte sua queria levantar e ir pra casa, a outra parte lhe obrigava a ficar ali sentado, rendido às sensações estranhas. Ele continuava sentado no chão, com as costas na parede olhando aquela movimentação de pessoas ao seu redor quase que em câmera lenta. Ele se arrependia de ter aceitado a ideia de Puck, mas ao mesmo tempo sentia-se bem com aquele topor. E o que eram todas aquelas coisas coloridas e distorcidas em sua volta? Será que ele tinha ingerido uma dose maior do que o recomendado? Colocando as duas mãos na altura dos olhos, Kurt começou a rir da maneira que seus dedos se moviam. Eles estavam bem estranhos e pareciam qualquer outra coisa, menos dedos, na opinião de Kurt.
Blaine, com os olhos marejados sentindo-se completamente impotente. Ele era realmente uma porcaria como anjo da guarda, ele tinha quase certeza de que quando Elizabeth cuidava do filho, ele nunca havia usado drogas. Já com o moreno, no segundo dia protegendo o garoto, ele já estava lá, usando algo realmente perigoso.
Ele estava sentado ao lado do castanho vendo aquela substância fazendo efeito em seu corpo a mais ou menos quarenta minutos. Kurt tinha as pupilas dilatadas e tremia levemente. Suas oscilações de humor iam desde a uma agitação enorme, que faziam o castanho querer pular até sentir seus pés exaustos, até um topor e uma dormência por todo o seu corpo. Sem contar que quando não estava rindo de algo que só ele enxergava, ou falando coisas sem sentido estava chorando por motivo nenhum.
Dando uma olhada em volta, Blaine percebeu que todas aquelas pessoas encontravam-se como Kurt: Drogadas. Percebeu também que aquela era uma casa abandonada a julgar pelas condições precárias da estrutura praticamente sem janelas o que deixava o ar ainda mais poluído do que já se encontrava, e por um momento teve uma ideia. Uma ideia que ajudaria Kurt e todos os pobres coitados que estavam deitados no chão. Flutuando até a saída, o anjo entrou na primeira casa ao lado do casarão onde uma senhora assistia tv totalmente alheia ao que acontecia na casa vizinha.
Sentando-se ao lado dela, Blaine começou a sussurrar-lhe coisas. – Chame a polícia, eles estão todos em perigo. Há pessoas inocentes lá dentro. Eles precisam de ajuda e você pode ajuda-los. Chame a polícia. – O anjo sorriu ao ver que a velha senhora havia registrado mesmo que inconscientemente suas sugestões e estava indo até o telefone telefonar.
– Alô? É da delegacia? Sim, eu tenho uma denuncia. Eu não sei bem o que estão fazendo na casa do lado da minha, mas eu tenho certeza de que é ilegal. – A mulher sentia-se atordoada, sem saber explicar o que estava acontecendo. – É uma intuição moça. Todos os dias eu vejo várias pessoas entrando ali e menos da metade elas sai lá de dentro. Eu sei que estou certa. Venham logo. Vou lhe passar o endereço.
Com um sorriso vitorioso no rosto, Blaine voltou até o seu protegido encontrando-o com os lábios trêmulos. Voltando à antiga posição, o moreno sentou-se ao lado do garoto que tinha os olhos vidrados na parede, como se estivesse hipnotizado.
– A ajuda está a caminho, Kurt. Não se preocupe. Eles vão cuidar de você. De todos vocês. – Com um olhar penalizado, Blaine viu o castanho deitar no chão de lado, abraçando-se como se sentisse frio. – Acho que seria uma boa ideia você dormir agora. – O anjo tentou de todas as maneiras possíveis induzir Kurt ao sono, mas aquela substância em sua corrente sanguínea estava bloqueando qualquer tentativa por parte do moreno. Então ele continuou ali, com a mão em cima da cabeça do castanho, observando outros anjos da guarda com o mesmo olhar que o dele, sob seus protegidos.
Aquela não era uma função fácil.
OL
– Alô? Sim, ele é meu filho. Eu sou Burt Hummel. – Sentindo seu coração se apertar, a preocupação começou a tomar conta do homem assim que a pessoa do outro lado da linha se identificou como sendo da polícia. – Kurt? Ele está bem? Como é? Drogado? Como assim? Onde ele está? – Com as mãos trêmulas Burt anotou o endereço no primeiro pedaço de papel que encontrou. – Ok, eu estou indo agora mesmo para aí.
Com o coração acelerado, tentando se acalmar, Burt entrou em sua picape e dirigiu para a rua que ficava a quatro quarteirões da sua casa. Em dez minutos, Burt estacionou seu carro em frente à um casarão abandonado que tinha duas viaturas de polícia em volta. Descendo quase correndo do automóvel, o homem correu até a porta de entrada, sendo barrado pelo primeiro policial que lhe viu.
– Eu preciso entrar. M-meu filho está aí. V-vocês me ligaram. – Tentando controlar as lágrimas, Burt conseguiu passar e foi direto para a sala onde alguns policiais tentavam falar com os usuários de drogas.
Burt deu uma boa olhada no local e não reconheceu seu filho de imediato. O que ele reconheceu foi um pedaço do casaco marrom que Kurt usava pela manhã, envolto em alguém que tinha o rosto virado para a parede enquanto seu corpo estremecia de vez em quando.
– Oh meu Deus, Kurt! O que você fez? – Correndo até o filho, o Hummel mais velho ajoelhou-se e colocou a cabeça de Kurt em suas pernas enquanto deixava suas mãos passearem pelo corpo do garoto a procura de ferimentos. – Ok, você consegue me ouvir, certo? – Vendo o castanho acenar positivamente com a cabeça, Burt continuou.
– Ok, vai ficar tudo bem Kiddo, eu vou te levar para o hospital. Venha comigo. – Esforçando-se mais do que podia, o homem pegou Kurt no colo, saindo com ele de dentro da casa e colocando-o deitado no banco traseiro de seu carro sem se importar com os policiais o chamando. O que importava ali era levar Kurt para o hospital. Talvez alguém conseguisse ajuda-lo lá.
Dirigindo perigosamente rápido Burt suava frio. Vendo o velho homem muito nervoso, Blaine, que ate então estivera sentado ao lado do corpo agora adormecido de Kurt, mudou-se para o banco do passageiro e esticando-se colocou sua mão sob o peito de Burt vendo que de suas mãos saiam pequenas luzes brancas que atingiam o coração do homem enquanto ele se acalmava instantaneamente com um longo suspiro.
OL
– Você mesma viu o que Kurt acabou de fazer! Eu não acho que Blaine consiga ajuda-lo. É melhor você voltar para o seu posto de anjo da guarda e devolvê-lo para os hospitais. Blaine não está preparado. Ele sequer teve um treinamento. – Sebastian conversava com Elizabeth, sentados em uma praça perto do hospital onde Kurt, Blaine e Burt se encontravam.
– Blaine pode. Ele é o único que pode. Ele não precisa de treinamento. Ele precisa apenas aprender a como persuadir Kurt sem medo. Ele tenta convencer Kurt com carinho e compaixão, como eu estava fazendo. Ele vai perceber que meu filho não vai ser convencido assim. Ele precisa de mais do que isso. Se funcionasse, eu ainda estaria com Kurt. – A mulher estava séria. – Mas talvez não em forma de anjo. Talvez, eu não sei, mas se Blaine não conseguir ajudar Kurt agora, talvez, ele possa tomar forma humana e se juntar ao meu filho. Você sabe que isso vai ser bom para os dois. Você sabe do que eu estou falando Sebastian. Você finge que não sabe, mas na verdade você sabe o que liga esses dois.
– Blaine precisa ser protegido. Tenho medo que ele entre em um caminho que não consiga mais sair. Eu só quero ajuda-lo. Sem contar que essa sua ideia vai contra as leis do nosso Criador. – O arcanjo estava sendo sincero. Ele queria apenas proteger Blaine.
– E Kurt? Você não vê onde ele está se metendo? Você acha que eu quero ver meu filho morrendo por culpa de uma overdose ou por uma tentativa de suicídio? Indo para um lugar de onde eu não vou conseguir tirá-lo caso ele realmente consiga isso? – Elizabeth começava a se alterar, demonstrando que alguns traços de sua humanidade ainda gritavam dentro dela, principalmente o instinto maternal.
Com os olhos vidrados no arcanjo, a mulher continuou: – Você sabe que ser um anjo caído, ainda que incomum, não vai contra as leis do Criador, já que ele mesmo nos deu essa opção. Vai me dizer que não se lembra de Brittany? Ela está tão feliz agora. Você sabe que não é impossível e sabe também que Blaine não recusaria já que está tão envolvido com o seu protegido. E assim que Kurt ficar bem, Blaine pode voltar ao mundo espiritual, você sabe que isso não é permanente se o anjo não quiser, Sebastian. Mais cedo ou mais tarde isso vai acabar acontecendo. É só questão de tempo. Agora, eu preciso ir. Sinto que Blaine precisa de companhia. E antes que você se intrometa, sou eu quem irá conversar com ele. – E ao terminar de falar, Sebastian viu a mulher sumir.
Sebastian tentava de todas as maneiras convencer Elizabeth a liberar Blaine. Ele era apenas uma criação nova com tantas dúvidas e questionamentos internos, que o arcanjo temia que ele sucumbisse à isso.
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