Outlaws Of Love
7 I'm sorry
Notas iniciais
Elizabeth deixou que a corrente magnética que a envolvia lhe levasse lenta e suavemente por entre as paredes e portas do pequeno hospital de Ohio. Ela adorava sentir como tudo no mundo estava conectado. Todas as coisas vivas estavam conectadas por Ele e Elizabeth só conseguia sentir-se grata por tudo. Por sua passagem terrena, por sua vida eterna, pela vida do seu filho, do seu ex marido, pela vida de Blaine e por estar fazendo algo significativo por Kurt.
Depois de tudo o que o garoto teve que abrir mão para fazer a mulher feliz, ela sentia-se como se estivesse em dívida com Kurt.
Ela devia isso a ele.
Quando chegou ao quarto de hospital onde um Kurt adormecido repousava de um lado e um cansado e preocupado Burt encontra-se escorado na janela, a mulher viu Blaine deitado ao lado do filho e a cena a deixou emocionada.
Com uma das mãos acima de sua cabeça e outra em seu peito na altura do coração, o anjo emanava energia em vários tons prateados, tons de azul e também violeta sobre o castanho, enquanto deixava lágrimas silenciosas escorrerem por seus olhos.
Blaine se sentia culpado. Sentia culpa e tristeza por ver o que o garoto havia feito consigo mesmo e por todos os que o rodeavam naquele ambiente de drogas e escuridão. O anjo viu diversas sombras e formas estranhas aproximando-se do seu protegido cada vez que ele usava mais daquela substância tóxica. O moreno sentiu medo, mas conseguiu manter-se firme e dispersar aqueles que queriam colar-se à Kurt. Blaine sabia que ele não precisava de mais isso.
Como ele poderia lidar com uma alma problemática como o castanho? O anjo se sentia fraco e decepcionado. Com certeza Elizabeth sentia o mesmo em relação a ele.
— Blaine? – Sussurrando temendo assustar o outro, a mulher chamou enquanto o via levantar os olhos lacrimejados em sua direção.
— Elizabeth, eu sinto muito. E-eu só... Eu s-sinto muito. – E endireitando-se na cama, o anjo sussurrou de volta, colocando o rosto entre as mãos dando vasão às suas lágrimas. E então, copiosa e dolorosamente o moreno chorou.
Ele não queria que Kurt sofresse. Não queria que Kurt pensasse nas coisas horríveis contra si mesmo como ele estava fazendo. Mesmo sabendo que tudo o que as pessoas passam tem um propósito e motivo maior e que Ele sempre sabe o que é melhor para seus filhos, o anjo sentia-se inconformado.
Como que aquilo poderia fazer sentido? Como alguém que já tinha sofrido tanto em sua vida terrena poderia continuar sofrendo e cogitando o suicídio?
Elizabeth que até então mantivera-se distante, sentiu o desejo maternal tomando-lhe o espírito. Blaine era só um adolescente em sua visão. Um adolescente puro e angelical que transferira totalmente para si uma culpa e responsabilidade que não eram dele.
— Querido, não chore. Não é sua culpa. Kurt tem suas provações e suas responsabilidades. Todos temos o livre arbítrio, você lembra? Nós vamos conseguir ajuda-lo, então por favor não perca sua fé. – Abraçando o garoto como quem abraça um filho, a mulher afagava os cachos rebeldes e bonitos do anjo enquanto o embalava em seus braços fazendo-o serenar quase por completo depois de um tempo.
— Kurt está em um sono induzido por remédios. Nesse momento poderemos falar com ele. Claro que ele não vai lembrar disso ao acordar, mas tudo ficará registrado, acho que podemos dizer assim, em seu subconsciente. – Elizabeth resolveu dizer assim que Blaine enxugou as lágrimas, recebendo um olhar espantado do garoto.
Blaine não sabia se queria encarar Kurt naquele momento. Como se explicaria? Como diria que era seu novo anjo da guarda e que no primeiro momento em que o castanho realmente precisou dele, ele havia falhado?
— Blaine, não faça isso com você mesmo. Você não teve culpa e tanto eu quanto Kurt sabemos disso. – Como se pudesse ler os pensamentos do outro, o espirito respondeu. Ajeitando o cabelo, a mulher sorriu e completou. – Você vai adorar Kurt.
Resolvido à não dizer mais nada, o anjo mais novo apenas assentiu e rapidamente fez uma prece pedindo luz e serenidade tanto para si quanto para Kurt e também Elizabeth.
— Mamãe?
Instintivamente os dois espíritos viraram para onde aquela voz tremida, insegura e sonolenta estava vindo. Kurt estava sentado em sua cama esfregando os olhos. O castanho deu uma olhada em volta e viu seu pai dormindo desconfortavelmente na cadeira e ao olhar para o local onde estava viu seu corpo deitado inconsciente e também o fino fio prateado que o ligava ao corpo.
— Ah, um daqueles momentos que eu não vou lembrar quando acordar. Certo? – Kurt questionou sério, mas logo abriu um sorriso vendo a mãe aproximar-se para lhe envolver em um abraço apertado e saudoso. – Eu senti tanto a sua falta mamãe. Por que demorou tanto para vir me visitar novamente? – Afundando o rosto no abraço acolhedor de sua mãe, o castanho apenas retribuía sentindo-se grato por aquele momento.
Sentia tantas saudades da mãe, da sua voz, do seu perfume, mas principalmente daqueles abraços que emanavam amor.
— Kurtie, você sabe que se sua frequência vibratória estiver baixa, eu não consigo me comunicar com você. E é exatamente por isso que estou aqui hoje. Na verdade, também é para lhe apresentar alguém. – E dando um passo para o lado a mulher completou com um sorriso atento. – Esse é Blaine. Seu novo anjo da guarda.
Blaine levantou os olhos e encontrou os olhos azuis do garoto castanho o olhando curiosamente, talvez até um pouco vidrados. O anjo sentiu seu estômago pesar e depois ficar leve como se houvessem borboletas nele.
Resolvido, o moreno caminhou lentamente até Kurt e estendeu a mão para cumprimenta-lo sorrindo, tentando não parecer tão nervoso. – Oi Kurt.
Kurt, por outro lado estava praticamente hipnotizado. Não conseguia piscar ou falar alguma coisa, apenas ficou olhando para o espirito na sua frente pensando no quão bonito ele era. Ele era perfeito. Tinha uma beleza angelical. Como podia existir um ser tão bonito como aquele? Com aqueles olhos de cor indefinida que Kurt logo assimilou a cor de mel, os cachos negros e rebeldes, mas bem definidos e o sorriso... O sorriso era com certeza a coisa que mais havia chamado a atenção do outro adolescente.
— Eu sou Kurt. Muito prazer. – O castanho sorriu pegando a mão do outro e a sensação que teve foi como se conhecesse aquele toque e aquele garoto há muitos anos. – Primeiramente eu gostaria de me desculpar pelo o que houve e pela possível raiva e frustração que eu possa ter causado à você. Eu sei que não é fácil lidar comigo, na verdade eu acho que as coisas seriam bem mais fáceis se quando eu acordasse eu me lembrasse dessas conversas que tenho com a minha mãe. – E virando-se para Elizabeth, Kurt sorriu e piscou. – Você não poderia ter me arrumado um anjo da guarda mais bonito do que esse.
Blaine sentiu uma sensação que ainda não tinha sentido. Parecia que suas bochechas pegavam fogo e se ele pudesse, teria se escondido depois do comentário que o outro garoto fez.
Mas, reagindo à vergonha, ele deu um passo à frente e instintivamente enlaçou Kurt em seus braços em um abraço acolhedor. – Você não tem o que se desculpar. Eu quem devia por não cumprir meu papel direito e não conseguir te ajudar quando você precisou de mim. Eu sinto muito Kurt. Eu sinto muito mesmo. – Blaine desabafou enquanto sentia os braços e mãos de Kurt o circulando retribuindo o abraço. O anjo podia sentir como se tivesse tirado um peso das costas.
Blaine e Kurt sentiam seus espíritos vibrando naquele momento e só havia uma palavra que pudesse descrever o que aquele abraço transmitia para os dois:
Lar.
Elizabeth assistia tudo com lágrimas nos olhos e uma felicidade imensa. Sabia que se reconheceriam assim que se vissem e interagissem no mesmo plano. Ela sabia que, mesmo que os dois ainda não tivessem se dado conta, eram almas gêmeas se reencontrando depois de muito tempo.
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