Notas iniciais
Oi Gente! Finalmente o Primeiro Capítulo! Espero que gostem!

Julia

Eu estava na Prius de minha mãe indo conhecer o Acampamento Meio-sangue. Eu olhava pela janela vendo bosques passarem por mim e se distanciarem cada vez mais. Eles me lembravam das vezes em que meu pai ainda estava vivo e nós íamos fazer um piquenique no meio de alguns bosques do Brooklyn.

Eu nunca fui de ficar pensando no passado, mas agora que eu estava tão perto de saber parte de meu futuro, eu não resisti de pensar no meu passado e em como tudo teria sido se fosse diferente. Desde que a deusa Íris visitou minha família, nada fora mais normal. Quando eu tinha cinco anos, Íris apareceu em minha casa com um vestido verde longo enquanto eu e meus pais jantávamos. Ela tinha asas que ficavam mudando de cor junto com seus olhos, seu cabelo preto longo estava preso em um rabo de cavalo. Ela estaria totalmente fantástica, se não estivesse com uma cara tão preocupada.

Ela nos disse tudo: Sobre os deuses olimpianos, que os monstros existiam e realmente os deuses tinham filhos com mortais. Mas tudo isso tinha mudado. Há alguns anos os deuses tinham se cansado de depender de heróis e feito um pacto em que nenhum deus podia ter filhos. Isso foi um grande erro. Agora alguém tinha aperfeiçoado um mal antigo e o tinha despertado depois de tanto tempo. Então ele atacara os deuses. Ele era esperto e perigoso até mesmo para os deuses.

Passou-se pouco tempo até que vários dos deuses menores sumissem. Depois disso os deuses olimpianos se reuniram para decidir o que fazer. Eles não tinham mais semideuses que pudessem derrotar os monstros. No desespero eles escolheram uma alternativa arriscada: Dar parte de seus poderes aos mortais que mais se parecessem com eles, para que eles, no futuro, pudessem derrotar o terrível monstro e livrar os deuses.

Então Íris disse que eu era sua escolhida. E que faria um importante papel na luta, pois devia encontrar e reunir os outros. Ela tocou em minha testa e uma luz forte emanou de sua mão. Eu adormeci e quando acordei meus pais me trataram de forma diferente. Eles começaram a me ensinar mitologia grega e a me treinar em lutas para que eu sempre derrotasse os monstros que viessem pelo caminho. Mas quando o primeiro monstro apareceu na minha casa, eu fraquejei. Então minha mãe me levou para meu quarto para me esconder do monstro, enquanto meu pai lutava. Ele o derrotou, mas morreu na batalha, desde então eu jurei nunca mais fraquejar diante de um monstro.

A partir daí eu tive a certeza de uma coisa: Eu era Julia Stewart. A escolhida de Íris. Uma guerreira que nunca iria desistir da vitória e batalhar até a morte.

....

– Chegamos! – avisou minha mãe, Ella Stewart, saindo do carro e subindo uma colina com um pinheiro no alto.

Eu a segui meio relutante. Chegamos até o pinheiro no alto da colina e minha mãe voltou a falar:

– Eu não posso atravessar mais a partir daqui. Então me escute bem: Você entrará aí e verá rapidamente o Acampamento. Depois que você voltar, nós vamos para casa.

– Mãe, por que temos que fazer isso? Quer dizer, sei que viemos porque eu precisava aprender o caminho, mas por que temos que vir para cá tão cedo? Eu pensei que ainda faltassem oito anos para realizarmos a profecia! – Eu só tinha dez anos e estava muito assustada e despreparada para começar a luta.

– Quanto mais cedo você aprender, melhor. Eu sei que você não gosta, mas ás vezes são necessários sacrifícios em uma batalha, filha – Ela disse e eu via lágrimas caindo de seus olhos. Ela beijou minha testa – Eu te amo, Julia! Agora vá! Se apresse!

E eu fui. Eu não entendi o porquê dela ter ficado tão sentimental em apenas alguns minutos, mas não queria que ela continuasse a chorar. O Acampamento estava vazio como disse a deusa. Não havia mais semideuses para morar lá. Continuei caminhando. Passei por uma Arena, um campo de morangos, uma floresta, um lago, até que finalmente cheguei aos chalés. Cada um era diferente do outro e eu os olhava admirada. Então cheguei ao chalé 14. Suas paredes tinham várias cores lindas que se destacavam naquele Acampamento. As janelas eram meio estranhas e tinham um arco-íris em cada. Eu toquei a ponta de meu dedo na sua superfície e toda a janela começou a ondular como uma poça d'água. Eu tinha certeza que aquele era o chalé de Íris.

Eu estava pronta para entrar no chalé até que um grito familiar soou nos meus ouvidos. Era o grito de minha mãe. Desembainhei minha faca que eu sempre carregava pendurada em meu cinto e corri até as fronteiras do acampamento. Cheguei a tempo de encontrar minha mãe morta aos pés de uma fúria. Eu não acreditava naquilo. Eu perdera meu pai para aquele monstro, minha liberdade por causa do egoísmo dos deuses e agora minha mãe para uma fúria.

A raiva me invadiu. Eu comecei a andar em direção à fúria, que me notou e começou a dar um sorriso torto para mim. Aquilo me dava calafrios e um pouco de medo, mas a raiva me dominava. Eu tinha que fazer aquilo. Ela foi rápida e investiu pulando para cima de mim. Mas eu tinha treinado para isso e sabia exatamente o que fazer. Na sua primeira investida eu me esquivei para o lado e fiz um corte em sua perna. Ela urrou de dor e se virou para mim e deu uma segunda investida. Eu tentei esquivar para o lado de novo, mas ela foi mais rápida e deu um corte em meu braço com suas garras. Meu braço estava ardendo, mas eu não notei muito porque minha raiva era maior. A fúria se preparou para uma terceira e última investida. Enquanto ela vinha eu pulei alto e dei um mortal, caindo em cima da fúria. Ela caiu no chão e eu prendi suas asas como tinha aprendido com meu pai.

– Agora você vai aprender a não se meter com minha família – eu disse dando uma facada em sua cabeça e fazendo com que ela virasse pó.

Com a luta acabada eu fui ver minha mãe. Mas já era tarde demais. Ela estava morta. Coloquei dois dracmas que eu sempre carregava comigo em seus olhos e fiz um enterro na base da colina para ela.

Voltei a subir a colina e vi uma coisa que eu ainda não tinha percebido na frente do chalé de Íris: Um arco e flecha da cor do arco-íris junto com um bilhete dourado.

Levei-os para a floresta e comecei a ler o bilhete:

“Querida Júlia,
Se você está lendo este bilhete é porque você já está sozinha em sua caminhada. Peço desculpas pelos seus pais, eles eram nobres e corajosos guerreiros, algo que percebi desde o momento em que te escolhi como herdeira. Eu os alertei que o risco de morte era grande para aqueles que eram apenas mortais e eles sabiam que cedo ou tarde iriam morrer, mas não se importaram já que era para mantê-la viva e, assim, você os orgulharia e salvaria o mundo.
Mas eles pediram que eu desse um pouco de minha ajuda nessa sua caminhada. Eu queria poder te ajudar mais, mas como você sabe eu devo ter sido incapacitada pelo monstro que causou esta destruição. O máximo que pude fazer foi dar-lhe este arco-e-flecha para que você treinasse e se tornasse a melhor. Desejo-lhe o melhor nesta batalha!
Com amor, Íris”

Acabei de ler a carta e comecei a chorar. Meus pais sabiam que iam morrer e por minha culpa! Eles podiam ter simplesmente me abandonado em um orfanato, mas cuidaram de mim e me protegeram todo este tempo.

– Olha só quem eu encontrei por aqui! – disse um homem que eu percebi estar na minha frente. Eu peguei minha faca para me defender e comecei a analisar o inimigo. Ele era alto, tinha um nariz achatado e lábios grossos. Tinha uma barba pequena em seu rosto e seus olhos castanhos me analisavam. Tentei ver se ele estava do meu lado ou se era um monstro, o que eu achava improvável já que ele tinha atravessado as fronteiras do Acampamento. Mas ele vestia uma calça jeans, uma camisa branca com uma jaqueta de couro (falso) preta por cima e calçava um tênis preto. Não era exatamente o estilo de roupa de uma pessoa moralmente correta. Isso fazia pensar que ele não era tão bom assim. Eu estava pensando em ataca-lo até que vi pequenos chifres em sua cabeça e então relaxei. Ele era um sátiro, e sátiros ajudavam os semideuses gregos.

– Percebeu que sou um sátiro não? – disse ele como se adivinhasse meu pensamento – Meu nome é Etnos. – Ele disse estendendo a mão.

– O meu é Julia – eu disse apertando sua mão. E limpei os vestígios das lágrimas que tinham escorrido pelo meu rosto.

– A escolhida de Íris, não? – Etnos disse mais em tom de afirmação que pergunta – E vejo que você ficou sozinha há pouco tempo, está se sentindo abandonada. Sinto muito por isso! – eu fiquei espantada por ele adivinhar aquilo, mas então lembrei que sátiros podem ler emoções. – Mas olhe pelo lado bom: Agora você precisa de alguém que possa treiná-la e eu estou com a agenda livre!

– Vamos começar seu treino – Etnos falou sorrindo para mim. E eu sabia que aquele seria o começo de uma grande amizade.

Notas finais
Só para esclarecer: Vou tentar fazer com que todos narrem, mas não prometo nada; Se eu conseguir eu posto um capítulo a cada dois dias ou, quem sabe, a cada dia; Vou começar contando as histórias de cada um dos escolhidos, e se puder, posto a história de dois escolhidos em um só capítulo. Mas enfim, o que acharam? Mandem reviews com elogios, críticas ou sugestões. Obrigado!