Os Últimos Hérois - Fic Interativa
3 Faço uma visita ao Fun Fate
Notas iniciais
Jason
Eram quase oito horas da manhã e eu ainda não tinha saído de casa. Minha aula começaria em cerca de dez minutos e levariam pelo menos vinte para se chegar até lá a pé.
Fui para o meu quarto, peguei minha mochila e corri até a porta. Não que eu estivesse interessado em não chegar atrasado à aula, mas para que meus tutores não pedissem mais algum “favor”. Eles eram simplesmente insuportáveis! Antes, eu morava em um orfanato infernal que, acredite ou não, era pior que os meus tutores. Eles me adotaram quando eu tinha oito anos e desde então me fizeram trabalhar de empregado enquanto eles ficam assistindo televisão e bebendo cerveja deitados no sofá.
Eles arranjaram um emprego horrível para mim (apesar de não terem arranjado nenhum para eles nos últimos três anos), nunca me pagaram a escola e fizeram com que eu desse todo meu salário a eles. Mas eu dei a volta por cima. Eu arranjei um novo emprego de estagiário em uma empresa de tecnologia, ganhei bolsa de estudos em uma escola e só dou o meu antigo salário para eles, ficando ainda com uma boa quantia.
Chego até a porta de casa e abro a maçaneta lentamente para que ninguém ouça. Depois empurro a porta e ela range. Não sei se eles me escutaram ou não, então volto a abrir a porta.
– Jason! – Droga! Billy me escutou e vai pedir alguma coisa. Eu poderia fingir que não escutei, mas eles não cairiam nessa. Agora eu preciso responder senão terei tarefas dobradas para mim mais tarde.
– O que é Billy? – eu pergunto sem muito entusiasmo.
– Já fez nosso almoço? – ele sempre faz essa mesma pergunta. Por mim, ele é mais parecido com uma baleia que por acaso encalhou no sofá dessa casa do que com um humano. Aquele gordo só pensa em comer e dormir o dia inteiro.
– E limpou a casa? Botou o lixo para fora? – disse Chloe. Sua voz irritada vem do quarto de Billy, que fica a vários metros da porta, e ainda assim, ela chega alta e estridente em meus ouvidos. Provavelmente ela ficou com raiva por ter sido acordada por gritos.
– Sim, sim e sim. – eu disse em um tom monótono – Tenho que ir trabalhar agora! – e sai da casa antes que me fizessem qualquer outra pergunta.
Olhei para o relógio e me espantei. A minha aula começaria em cinco minutos! Pensei em ir correndo para chegar lá a tempo, mas isso não adiantaria em nada. Então decidi matar aula. Eu era um dos mais inteligentes da sala e estava mais avançado que os outros alunos. Um dia de aula não faria a mínima diferença para mim (N/A. Leitores, por favor, não sigam o exemplo de Jason. Ele é meio ignorante de vez em quando mesmo).
Não sabia o que fazer então eu comecei a caminhar sem um destino específico. Enquanto andava eu me deparei com um parque de diversões no qual havia uma placa colorida e gigante com letras que eu não consegui ler por conta de minha dislexia.
– Vai entrar? – perguntou um homem ao meu lado.
– O que? Hã? – minha mente estava viajando e eu não tinha escutado o que o homem tinha falado.
– Vai entrar no Fun Fate? No Parque de Diversões? – perguntou-me o homem já ficando meio aborrecido – Eu tenho um ingresso para vender? Vai querer ou não?
– Quero! Claro!
Paguei pelo ingresso e entrei no Parque. Procurei os melhores brinquedos e fui a todos eles. Comecei indo nas montanhas russas que me faziam gritar até perder a voz. Depois fui à casa do medo. Eu não me impressionei muito por lá. Minha professora de Álgebra dava bem mais medo que um cara vindo com uma motosserra na sua direção. Você acha que é mentira? Isso é porque você nunca a viu gritar que vai arrancar seus braços com os dentes (ela quase tentou uma vez, mas o diretor chegou lá a tempo para dar um comunicado importante e ela teve que fingir não estar mordendo o braço de um aluno). Tirei esse pensamento da cabeça e fui para a próxima atração: A casa dos espelhos.
Eu sempre tinha achado incrível como cada pequena curvatura em um espelho poderia distorcer completamente uma imagem. Comecei a andar pela casa de espelhos até que, por causa de uma pequena curvatura no meio de um espelho, eu me vi mais baixo do que o normal. Em outro espelho minha cara estava toda distorcida. Meus olhos cinzentos estavam muito longe um do outro. Meus lábios pequenos estavam curvados para baixo como se eu estivesse triste. Meu cabelo loiro era a única coisa que parecia normal em meu rosto deformado.
Sai da casa e comprei uma pipoca. Eu estava morrendo de fome. Olhei ao meu redor para procurar um último brinquedo antes de ir embora e vi meu pesadelo entrando no parque: O diretor da minha escola. Ele entrara junto com sua namorada e eles vinham em minha direção. Porque eu não tinha pensado nisso? O diretor sempre sai mais cedo do trabalho para “resolver problemas”. E o pior é que ele sabia quem eu era. Ele me conhecia muito bem, já que eu o visitava em seu escritório uma vez por semana.
Por um momento de desespero, eu joguei minha pipoca para o lado e corri para o primeiro brinquedo que pudesse me esconder: A roda-gigante. Quando eu cheguei à fila só havia duas crianças na minha frente já entrando com seu algodão-doce em mãos. Entrei logo em seguida no outro banco e me agachei para que o diretor não me visse. A roda-gigante começou a girar e eu continuei agachado, até que meu diretor saiu do meu campo de visão. A partir daí, eu relaxei e comecei a apreciar o movimento da roda e a sua estrutura.
De repente eu ouvi o barulho de uma explosão e a roda-gigante parou. Eu estava no alto dela e não podia fazer nada além de esperar que voltasse a funcionar. Eu me aconcheguei o máximo possível e comecei a admirar a paisagem. Estava quase dormindo até que ouvi os gritos:
– Mamãe! Mamãe! – Eram as crianças pequenas que estavam sentadas no banco da minha frente. Elas gritavam para sua mãe que estava no chão tentando acalma-las. Mas as crianças estavam realmente com medo. Elas apoiavam quase que todo seu peso na barra de segurança a sua frente. Aquela barra não tinha sido feita para aguentar tanto peso assim. Tentei advertir as crianças a minha frente, mas elas não me escutavam. Essa era uma das consequências do pânico. A barra não iria aguentar muito mais tempo.
Então eu tive a ideia mais absurda e louca da minha vida: Eu iria até lá antes que algo acontecesse. Apoiei minhas mãos um pouco à frente, no ferro frio que ligava todos os bancos e fazia com que os mecanismos da roda-gigante funcionassem, e enrolei minhas pernas, ainda no ferro, um pouco atrás para que eu não pudesse cair. Então direcionei toda minha força para meus músculos dos braços e comecei a me arrastar para frente de um jeito nada elegante. Naquela hora eu tinha certeza de uma coisa: Quem estivesse no chão me vendo agora, pensaria que eu era um bocó.
Continuei me arrastando até chegar ao banco da frente onde as crianças ainda gritavam. Eu estava prestes a subir no banco quando a barra se soltou e as duas crianças caíram para frente. Sem pensar duas vezes eu soltei meus braços e segurei as duas crianças antes que fosse tarde demais. Agora eu estava em uma enrascada. Eu estava pendurado de cabeça para baixo, sustentado apenas pelas minhas pernas que agora seguravam na barra de maneira não muito segura. Eu estava segurando duas crianças que se movimentavam apavoradas querendo descer.
Eu não sabia o que fazer. Eu poderia simplesmente nunca ter salvado as crianças. Poderia tê-las soltado agora e salvado minha vida. Mas sei que nunca seria capaz de fazer tal crueldade. Fizesse o que fizesse, eu tiraria aquelas crianças de lá vivas.
Então eu tive uma ideia arriscada: eu teria que jogá-las de volta no banco. Respirei fundo e comecei a balançar a primeira criança (que ainda não tinha parado de movimentar). Calculei onde ela iria cair e joguei-a com a medida de força certa. Bingo! Ela tinha caído no banco, apesar de parecer ter se machucado ao fazer aquela aterrissagem. Segurei a outra criança com as duas mãos e comecei a fazer o mesmo que eu fiz com a primeira. Acertei de novo.
Voltei a pendurar meu corpo inteiro no ferro da roda-gigante e fui até o carrinho das crianças. Falei para elas não segurarem na barra de segurança e que ficassem quietos em seus lugares até que a máquina fosse consertada. Eles me obedeceram e depois de cinco minutos a roda-gigante já estava girando de novo. As crianças saíram dos bancos e foram abraçar a mãe que retribuía o abraço e cochichava em seus ouvidos que aquilo tinha acabado. Depois desse reencontro a mãe se levantou e gritou apontando para mim:
– Prendam esse homem! Ele tentou matar meus filhos! – depois dessa eu senti vontade de gritar de volta para ela e chama-la de vários palavrões. Eu arriscara minha vida ao salvar aquelas duas crianças e ela pedia para me prenderem? Eu ia até ela para lhe dar uma lição de gratidão, mas dois policiais começaram a vir em minha direção e eu tive que correr outra vez.
Comecei a correr e me escondi bem a tempo. Os policiais não me viram e acabaram voltando para o parque. Suspirei aliviado. Pensei em voltar para o Parque, mas os policiais ainda deviam estar lá. Então decidi esperar.
– Olá! – disse uma menina que tinha se materializado atrás de mim. Tomei um susto e dei um pulo para frente.
Olhei atenciosamente para ela. Ela era morena e tinha olhos que pareciam mudar de cor, mas geralmente estavam verdes. Ela vestia uma calça jeans e uma camiseta laranja simples que dizia: Acampamento Meio-Sangue.
– Quem é você? – perguntei ainda com dúvida se devia confiar ou não nela – O que você quer?
– Eu sou Julia Stewart! – Ela se apresentou sorrindo – E vim aqui para te levar ao Acampamento Meio-Sangue!
Jason: http://www.myspace.com/bella_edward_jacob/photos/2618518#%7B%22ImageId%22%3A2618518%7D
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