Os homens do futuro
14 Loucura de amor. Autobiografia
Notas iniciais
Após oito anos vivendo no Brasil, e depois do nascimento de minha filha Ana Gabriela, eu tive uma depressão pós-parto. Foi algo tão avassalador, que terminei sendo internada na ala psiquiátrica do hospital Santa Catarina em Blumenau. Eu fui medicada com remédios fortíssimos, que bagunçaram meu cérebro de vez.
Mas, afinal, o que é a loucura?
Quem já passou pela experiência sabe. Quem assiste desde fora sequer consegue imaginar o que seja. Porque a loucura é algo SURREAL. Passa-se a viver numa dimensão paralela, onde a fantasia é aquilo que está certo, e a realidade é uma mentira, um sonho, ou, algo detestável, desagradável ou insuportável.
No meu caso singelo e especial, eu entrei em contato com “extraterrestres”. Eu jurava para mim mesma que a nave dos ETs estava em Santa Catarina, voejando lá no alto, se comunicando comigo através da telepatia. Todos os dias eles me tiravam do sono, acordavam, e me contavam “coisas”. E eu pedia mais explicações, perguntava de volta, às vezes de boca fechada, outras de boca falante, voz alta, voz baixa, seja de dia ou de noite. Deitada, sentada, ou caminhando pela casa, ou pelas ruas.
A primeira coisa que os ETs me pediram foi que lesse alguns livros, vários. Depois disso me pediram que escrevesse uma nova Bíblia, atualizado, e de acordo com a literatura contemporânea. Achei que fosse piada, é claro. E em seguida falaram que eu devia lembrar minhas vidas passadas. Devia viajar pelo tempo. Afinal, havia aprendido a fazer “viagens” graças aos ensinamentos rosa-cruzes, fazia já alguns anos. E cheia de fé, deitei no chão, entrei em “Alfa” e fui lá. Para trás. Como uma locomotiva.
Eu estive na Pré-história muitas vezes. Fiz várias viagens astrais. Eu me sentia caminhando entre o mato, nua, entre árvores gigantes, como uma troglodita. Deitava sobre o chão da selva, na terra duríssima, mas em lugar de desconforto eu me sentia agradavelmente descansada, respirava o ar puro, sentia a magia do calor e da humidade sobre meu corpo e adormecia. Só que na vida real, eu fazia tudo igual. Minha mente estava na Pré-história. Meu corpo estava em qualquer lugar. Ficava pelada dentro de casa, ou no jardim, e teve uma vez que tirei as roupas no trabalho.
Aliás, foi por isso que perdi aquele emprego! Droga! Tirar as roupas no serviço é coisa de louco, e doido tem que ficar trancado no hospício. Tudo bem. Meus colegas riram por longo tempo, e teve os que inventaram “piadas”, as mais variadas, eu entendo.
As vivencias posteriores foram cheias de tragédias. Vi a mim mesma aos prantos aos pés de Jesus, enquanto era descido da cruz, vivo! Nossa! Eu já tinha lido um livro sobre isso, mas nessa "viagem ao passado" eu vi claramente Jesus gemendo muito, e eu tentava no desespero evitar a sua morte. Aliás eu tinha subornado um soldado romano para salvá-lo. E ainda eu não sei quem é que eu era nessa história. Afinal, havia muitas mulheres. Muitas! Mais sinistra ainda, foi a vivência de outra vida, quando me senti sendo queimada viva, numa outra retrospeção. Não doía nada, mas sentia a fumaça e o barulho do fogo ao redor. E vivenciei outras mortes. Porque o que se enxerga primeiro em cada "viagem ao passado" é o fim daquela existência, sobre o resto se enxerga no máximo algo da vida adulta. Vi-me sendo empurrada pelas encostas de uma montanha, e em outra vida fiquei soterrada por uma casa que desabou por cima de mim. Isso foi durante a revolução francesa. Eu era nobre na ocasião e tinha meia dúzia de filhos. Meus filhos e eu conseguimos uma fuga para Inglaterra, mas na hora da partida eu trocava de lugar com meu marido, pois o alvo era ele. Ele estava sendo procurado para a guilhotina. Por tanto, ele se vestia de mulher, e partia com as crianças. E nessa noite, eu morri. Na minha casa. Bombardeada pela multidão.
Mas teve também uma viagem erótica. Eu vi minha noite de núpcias com um árabe, todo vestido de branco, numa tenda lindíssima no meio do deserto. Ano? Antes de Cristo! Éramos nômades. Ele era lindíssimo, magnífico, um verdadeiro príncipe dos desertos. Eu deitava em almofadas delicadas, e ele me beijava com doçura, e, fazíamos amor. Quando eu regressei dessa viagem, os ETs me falaram que ESSE homem era meu marido verdadeiro. E me disseram que durante milênios e através da história, a gente encontrava-se novamente, ficava junto, ou casava, e nossos filhos eram milhares, no mundo todo. E, que nesta vida eu não o tinha encontrado, mas ele era apaixonado por mim e me procurava em desespero.
Bem, depois disso eu pedi o divorcio! Mas como meu marido da vida real desejava que eu regressasse para a vida verdadeira, ele contratou uma psicóloga para fazer psicanálise e terminar com a palhaçada.
Enquanto isso, na vida paralela, na conversa com os ETs, eu pedia por mais detalhes, pois queria descobrir quem é que era o “cara”. E, numa tarde, os Aliens me gritaram: — tá bom, vamos mandar ele para ti! Vai te preparando!
E a experiência mais surreal de todas me aconteceu!
Eu achava que o “cara” ia bater na minha porta, então comecei a gritar para todo mundo: — Ele está chegando, tenho que limpar a casa, preparar tudo, me ajudem! Afinal, minha casa estava cheia de gente tentando me amparar. Até fiz uma coroa de folhas, pois ELE fora campeão de olimpíadas na Grécia antiga, ou, algo parecido. Mas, meus amigos me levaram de volta ao Psiquiatra! Fiz sonoterapia desta vez. Dizem que dormi durante 7 dias seguidos. Só que, durante esse tempo todo ELE veio!
Numa tarde, sozinhos em casa, meu marido foi ver televisão, enquanto eu dormia a sesta. Enquanto isso, eu, no dormitório ao lado, escutava os ETs falando comigo: — está chegando, mas, não abras os olhos, pois o encantamento vai desaparecer. Vás conhecer como é o amor entre vocês dois. Aguenta firme. E imediatamente eu senti a porta se abrindo! Meu marido real entrou que nem zumbi em dia claro, nu, sentou-se na cama e me disse: — vem cá! E eu, olhos fechadíssimos, sentei por cima dele de frente, e senti uma boca me beijando, mãos percorrendo minhas costas, enterrando dedos com firmeza, só que essa boca não era de meu marido. Sequer as mãos. Eram dedos longos, delicados, como de um músico, sei lá. E um orgasmo iniciou-se imediatamente, longo, subindo até a testa, enevoando minha cabeça. Senti música ao longe, luzes, dia claro de floresta. Como uma fazenda distante. Esse amor era tão diferente, que comecei a chorar, gritar, dando o maior susto no marido verdadeiro. Ele me largou, saiu do quarto furioso, enquanto começava a gritar: — vou te internar!
Minha depressão terminou com a psicanálise. Recomendo. Durante meses eu deitei no sofá para chorar pela morte de minha mãe, a morte de meu pai e de meu cachorro.
Separei-me de meu marido, pois algo que nunca mais recobrei foram meus sentimentos por ele. Eu sequer conseguia mais dar-lhe um beijo. Muito menos transar. Do dia para noite meu marido era um estranho, alguém que eu nunca conhecera, uma pessoa que eu via pela primeira vez, com outro rosto, outra expressão. Parecia que eu abrira os olhos para a realidade, mas, uma triste realidade.
E depois disso tudo, sem trabalho, sem marido, eu comecei a escrever. Desde o ano 83 até hoje, eu já escrevi a mão, a máquina, e com computadores 2.550 páginas com tudo aquilo que os extraterrestres têm dito para mim. Tem vezes que são miragens. Documentários de alguns segundos. Já outras vezes faço minhas viagens astrais como me ensinaram os rosa-cruzes. Visitei vários planetas desta maneira. Eu fui até lá. Eu vi seres de outras galáxias.
No decorrer do tempo, também tentei o Espiritismo para falar com as almas. E eu viajei para o "outro lado da vida" para visitar amigos que já se foram.
Hoje, é como se minha mente tivesse vontade própria. Recebo notícias o tempo todo. E, é claro, continuo tentando descobrir quem é que é meu “marido verdadeiro”.
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