Os homens do futuro

5 Cap. 4. Nos tempos da Pré-história


Notas iniciais
Um calafrio correu pelas costas de Ajiu. Lembrou-se da última vez que os canibais invadiram seu povo e ela ficou 10 dias escondida num buraco até que eles partissem. Naquela ocasião morreram seu pai e seu irmão mais velho, sua mãe e sua irmã foram levadas prisioneiras. Quem a criou foram os sobreviventes como ela, que cresceram e se multiplicaram, cuidando uns dos outros. Agora, ela estava pronta para a vingança. Sabia matar com rapidez uma onça selvagem, e matar um homem não ia ser tão diferente assim. E esse terrível ataque tão esperado aconteceu quando Ajiu completou seus 18 anos. Os homens mais velhos enviaram os melhores atiradores de arco e flecha para interceptá-los escondidos entre as árvores, enquanto os outros guerreiros protegiam a aldeia numa luta corpo a corpo com faca e lanças. Os menores de 10 anos foram escondidos em covas, aos cuidados de mulheres velhas.

No longo tempo da Pré-história da Terra, na Amazônia brasileira, Ajiu, uma índia muito bela estava pronta para enfrentar a maturidade. Naqueles anos as mulheres também guerreavam e faziam proezas diante dos adultos para mostrar que a infância havia terminado. A primeira prova que o grupo de jovens teve que fazer foi na beira do rio. Esperaram com paciência a chegada de uma cobra gigante, e quando a avistaram todos os jovens se lançaram na água atrás do monstro. Pegaram-na no colo, todos ao mesmo tempo, e depois saíram com ela para levantá-la no ar mostrando-a para a tribo. Em seguida, a devolveram para as águas.

No dia seguinte os meninos tiveram que enfrentar as formigas guerreiras. Ajiu, entrou numa cova, sentou-se com os joelhos abraçados e protegeu a cabeça. As formigas picaram seus braços, suas pernas, mas seu rosto saiu limpo de qualquer picada. Quem cuidou da febre que chegou depois dessa prova foi sua mãe. Colocaram-lhe nas feridas inflamadas folhas quentes com uma pasta de lama negra, e no dia seguinte ela estava pronta para sair trás da onça, a prova mais difícil de todas.

Ajiu esperou a onça em cima de uma árvore com a lança pronta. Empurrou-a com força sobre o animal, cortando o pescoço da besta, com um golpe certeiro com sua faca de pedra afiada. Puxou-lhe a pele, e entrou na tribo como uma guerreira triunfante. Foi pintada com cores vermelha e branca, na sua cabeça foi colocado um cocar de penas maravilhosas, e depois, sentou junto dos amigos para receber a bênção do feiticeiro. O mágico entoou muitas canções em homenagem aos novos guerreiros e pediu aos espíritos dos ancestrais que os protegessem contra o inimigo. O chefe da tribo falou para todos, lembrando-os que os canibais podiam aparecer a qualquer momento para matar a todos. Disse que as guerras contra eles aconteciam de tempos em tempos, e os motivos eram desconhecidos. Eles simplesmente invadiam tribos pacíficas e as arrasavam com requinte de crueldade. Matavam os homens, e levavam as mulheres. Depois comiam os cadáveres um a um, até não sobrar ninguém. Com sorte as índias mais lindas se salvariam e fariam parte do séquito de algum guerreiro. Era dessa maneira que muitos povos haviam desaparecido da selva. Por mais que migrassem, os comedores de homens os seguiam e um dia chegavam para disseminar o horror.

Um calafrio correu pelas costas de Ajiu. Lembrou-se da última vez que os canibais invadiram seu povo e ela ficou 10 dias escondida num buraco até que eles partissem. Naquela ocasião morreram seu pai e seu irmão mais velho, sua mãe e sua irmã foram levadas prisioneiras. Quem a criou foram os sobreviventes como ela, que cresceram e se multiplicaram, cuidando uns dos outros. Agora, ela estava pronta para a vingança. Sabia matar com rapidez uma onça selvagem, e matar um homem não ia ser tão diferente assim.

E esse terrível ataque tão esperado aconteceu quando Ajiu completou seus 18 anos.

Os homens mais velhos enviaram os melhores atiradores de arco e flecha para interceptá-los escondidos entre as árvores, enquanto os outros guerreiros protegiam a aldeia numa luta corpo a corpo com faca e lanças. Os menores de 10 anos foram escondidos em covas, aos cuidados de mulheres velhas.

Ajiu ficou na espera do inimigo com o arco pronto para o lançamento. Assim que eles entraram pela mata, ela disparou direto ao pescoço do primeiro homem. Ele caiu de joelhos no chão, ficou estendido com os braços em cruz olhando para ela, incrédulo. Depois, ela perdeu a noção do tempo, pois esteve no alto disparando suas flechas contra os inimigos até a noite chegar. Infelizmente, um dardo envenenado a atingiu no pescoço, e ela curvou-se sobre os galhos da árvore, como uma morta.

Quem ressuscitou Ajiu e muitos outros guerreiros foram “Deuses” vindos das estrelas. Eram de outros mundos, vestidos de ouro e de prata, que desceram atraídos pelas lutas no meio do mato em enormes naves intergalácticas. Medicaram os feridos com uma agulha no ventre, e deram de beber uma bebida estranha. E em alguns mortos realizaram cirurgias de ressurreição.

Nos dias seguintes, Ajiu e sua tribo ficaram sabendo que os “Deuses” estavam de visita à procura dos melhores guerreiros para formar um exército e enfrentar uns bandidos terríveis, no outro lado do Universo. Nesse esquadrão só poderiam ir adolescentes fortes que se preparariam para o combate numa “Escola de guerra intergaláctica”. Em recompensa, o resto da tribo ficaria numa ilha no meio do mar, longe de todas as tribos assassinas da Terra, numa cidade onde poderiam evoluir como uma grande nação. Eles deixariam 10 robôs para ajudá-los na agricultura e para cuidar da saúde do povo durante 3.000 anos, que era o tempo de vida de todas as máquinas dos alienígenas.

Como os índios amazônicos estavam agradecidos, todos os guerreiros solteiros e sem filhos concordaram em partir. Subiram numa nave gigante e cruzaram o céu com destino ao espaço. Enquanto isso, os adultos, os velhos e as crianças partiram para uma ilha maravilhosa no centro do Mar Atlântico onde lhes foi erguida uma cidade protegida por uma cúpula de cristal.

Quando Ajiu observou à Terra desde o espaço, uma lágrima desceu pelo rosto. Todos seus seres queridos haviam ficado para trás. Um Comandante vestido de ouro a abraçou para consolá-la, e pela primeira vez ela viu que esse estranho era como todos eles, um homem forte, musculoso, mais tão belo que parecia ter rosto de mulher. Ela sentiu um arrepio, pois, ele era tão esplêndido que ela podia lutar contra uma horda selvagem só para tê-lo perto de si. Sentiu em seu rosto um calor ardente com seus pensamentos, enquanto ele sorria para ela, como se estivesse lendo sua mente.

Dentro dessas naves, em grandes ginásios de luta, Ajiu e seus amigos da Amazônia demonstraram serem os melhores guerreiros na luta com espada, com lanças gigantes e no enfrentamento do corpo a corpo. Depois desses treinos ela estava transformada numa guerreira que podia matar 100 soldados, um a um, sem cansaço. E seu lindo Comandante nomeou-a seu tenente principal. Ela marcharia para a batalha ao lado dele, e ambos abririam os combates diante do inimigo.

Quando Ajiu fez 25 anos, eles chegaram finalmente ao “Mundo dos horrores”, no outro lado do Cosmos. Os homens eram horripilantes, peludos, grunhiam palavras sem nexo, e invadiam todos os povos pacíficos armados com porretes de madeira, pedras lançadas com um pano que lhes dava impulso, e que, depois, comiam os homens abatidos, feridos e mortos, a mordidas, sem assar no fogo como faziam os canibais da Terra. Eram homens que mais pareciam bestas do que homens. E eram tantos, mas tantos, que quando surgiam nos vales parecia um bando de formigas. Uma mancha escura que avançava sem piedade. Ajiu os viu desde o ar numa nave voadora, quando os bárbaros se preparavam para invadir uma aldeia, bem parecida à sua tribo terrestre.

Desceram lentamente, e se posicionaram entre as árvores, interceptando-os.

A uma ordem do Comandante, Ajiu e os guerreiros lançaram as flechas, em seguida as lanças. E finalmente foi a luta corpo a corpo com esses seres enormes, que grunhiam com olhos avermelhados, cheiro forte, assustadores só pelo olhar. Ajiu matou tantos com sua espada de aço, que perdeu a conta. De preferência, dava um toque no coração, e se falhava, cortava a garganta, pois era mais rápido para deixar o inimigo fora de circulação.

Mas, teve algo que a fez parar, no meio à batalha ela viu seu lindo Comandante estendido e sangrando, suando, tremendo, com uma lança de madeira enterrada bem perto do coração. Assou o nariz, limpou as lágrimas e pegou uma faca afiada bem pontuda. Abriu a roupa e depois foi puxando a lança com cuidado, ajudando com a faca. Costurou-o com um fio de seu cabelo, rasgou sua blusa para tampar o sangramento da ferida e depois o carregou nos ombros para longe dos combates.

Nos dias seguintes o Comandante ficou numa tenda improvisada, entre a vida e a morte, dando-lhe instruções para terminar essa batalha. Emocionada, Ajiu colocou o uniforme dourado de Comandante e voltou para guerra. Teve que fazer distribuição dos suprimentos, repartir uniformes limpos, nomear novos tenentes, formar os grupos de luta, e estudar o que haveria de ser feito.

Quando as tribos selvagens foram desmanteladas, eliminadas da face daquele mundo, pois não sobrou nenhum assassino para contar sua história, o Comandante já estava fora de perigo, vestindo novamente seu uniforme. Percorreram as tribos pacificas curando feridos, e depois deixaram trezentos robôs espalhados em duzentas tribos, para cultivar o chão e cuidar de todos os sobreviventes.

No exército interestelar a sensação do dever cumprido tomou conta de todos, pois as baixas eram mínimas. Apenas quem perdera a cabeça não pôde ser ressuscitado. E com felicidade começaram a contar os dias que faltavam para regressar aos seus mundos de origem. O Comandante desenhou a rota para percorrer todas as Galáxias, e fez a viagem descendo de planeta em planeta e agradecendo aos guerreiros o serviço prestado em favor da paz universal.

Ajiu desceu na Terra com lágrimas nos olhos. Beijou seus amigos que ficaram, abraçou sua família do coração, que cuidara dela durante toda uma vida, e depois voltou para a nave para seguir viagem com destino desconhecido. Afinal, seu lindo Comandante não era mais seu chefe de guerra. Era seu marido, e em seu ventre havia dois guerreiros para nascer.

Notas finais
Mas, teve algo que a fez parar, no meio à batalha ela viu seu lindo Comandante estendido e sangrando, suando, tremendo, com uma lança de madeira enterrada bem perto do coração. Assou o nariz, limpou as lágrimas e pegou uma faca afiada bem pontuda. Abriu a roupa e depois foi puxando a lança com cuidado, ajudando com a faca. Costurou-o com um fio de seu cabelo, rasgou sua blusa para tampar o sangramento da ferida e depois o carregou nos ombros para longe dos combates. Nos dias seguintes o Comandante ficou numa tenda improvisada, entre a vida e a morte, dando-lhe instruções para terminar essa batalha. Emocionada, Ajiu colocou o uniforme dourado de Comandante e voltou para guerra. Teve que fazer distribuição dos suprimentos, repartir uniformes limpos, nomear novos tenentes, formar os grupos de luta, e estudar o que haveria de ser feito.