Os homens do futuro

9 A paixão do Sol e a Terra


Notas iniciais
A Terra olhou para o par de sem-vergonhas e ficou pasma. O Sol começou a queimá-la com seu calor. Ela girou a cabeça ignorando o mulherengo. Depois foi dar um passeio, bem distante de Marte. O Sol abriu um olho para ver a Terra nanica fugindo para longe. Ela era tão pequena que nunca lhe dera atenção. Soltou Marte de seu abraço e ficou examinando a Terra.

O Sol acordou agitado, pois havia sonhado com algo estranho. Isso já estava se tornando uma rotina. Ele sonhava com mulheres lindas, redondas, com seios exuberantes e ele sentia vontade de correr atrás delas. Nossa! Tudo assinalava que a infância havia ficado longe e ele estava entrando na adolescência com toda a fúria e, seu corpo parecia que ia explodir de tanto calor. Estava um homem pronto para ir atrás de uma amada e para isso era só olhar no redor. Planetas quais lindas fêmeas se contornavam à sua volta, olhando-o e sorrindo com ar insinuante de paquera.

Saturno girava com uma corrente dourada em volta dela, que a fazia parecer uma dançarina rodopiando ao compasso de uma música celestial. Orgulhosa de sua grandiosidade, ela era semelhante a uma borboleta encantada, belíssima! Ele poderia casar com ela e ter filhos lindos, dourados, talvez prateados ou cristalinos. Sorriu e olhou para a mais velha de todas, Plutão, sábia nas artes do amor. Mas indiferente aos apelos amorosos de um macho como ele. Piscou um olho para ela, mas foi em vão. Ela estava fria demais. Consolou-se girando a cabeça para Urano, outra velha do espaço, sedutora, girando deitada, se oferecendo para ele, com certeza sabia de tudo para iniciar um novato como ele nas artes do amor. Depois de trocar olhares sedutores com Urano, ele concentrou-se nas mais baixinhas. Mercúrio, que sempre fora esquentada e briguenta, falou-lhe que tirasse o cavalinho da chuva, pois não queria nem pensar em namorar, pois estava a fim de outra Estrela da Via Láctea bem mais brilhante. Desprezado, olhou para Vênus, lindíssima, mas muito infantil, ela só queria brincar e brincar com uns Asteroides que cruzavam próximos. Marte, reluzente com sua cor vermelha chamou sua atenção. Esticou um braço e lhe fez cócegas nas planícies desertas. Depois tentou um beijo de longe e ela respondeu com ardor. E começaram uns longos jogos amorosos, próprios de quem se apaixona.

A Terra olhou para o par de sem-vergonhas e ficou pasma. O Sol começou a queimá-la com seu calor. Ela girou a cabeça ignorando o mulherengo. Depois foi dar um passeio, bem distante de Marte. O Sol abriu um olho para ver a Terra nanica fugindo para longe. Ela era tão pequena que nunca lhe dera atenção. Soltou Marte de seu abraço e ficou examinando a Terra. Puxa! Estava uma bela jovem com seios firmes e umas quebradas profundas. Tinha duas crateras nas entradas Polares, enormes e umas bocas de vulcão fervendo de lava. Nossa! Ela era fria e azul por fora, mas por dentro era um vulcão tão quente quanto ele mesmo. Imaginou-se atravessando esse corpo, chegando nesse calor interno e sentiu um arrepio. Seria um namoro delicioso, não havia dúvidas. Deu um beijinho de adeus em Marte e foi atrás da Terra.

A Terra sentiu a boca do Sol grudada nos seus picos nevados e se derreteu inteira. Em seguida, ele entrou com línguas de fogo na quebrada do Canyon e sentiu que ela ia desmaiar. Mas, o que é que esse “cara de pau” estava imaginando? Ela era virgem, uma donzela em plena adolescência, ele tinha que ter mais respeito. Amor para a Terra era coisa muito séria que envolvia casamento, fidelidade; e o Sol namorava a todas. E soltou-se do Sol falando que não queria nada, mas nada, com um “colecionador de mundos” como ele.

O Sol ficou ofendido com a pequena ciumenta. Quem é que a Terra pensava que era, afinal? Uma baixinha que nenhuma outra estrela enxergava e ele era o Sol, uma estrela pela qual muita mulher babava! Melhor seria apaixonar-se por Marte, Netuno, Saturno, namorar todas elas, uma por uma, e ter muitos filhos. Nossa! Ele podia ter o maior Harém da Via Láctea. Era só querer!

E a maratona sexual do Sol começou.

Namorou Mercúrio, Urano, Marte, Júpiter, Saturno, Plutão, Netuno, Vênus, que perdera a virgindade com ele, mas, os milênios e os anos se passaram e nenhuma delas lhe dera um filho. Os ovos e sementes que chegavam do espaço, para serem germinados e convertidos em plantas e bichos, queimavam ou congelavam na superfície de todas elas. Ele soprava ventos suaves para fertilizá-los, mas suas mulheres os matavam seja de frio, seja de calor.

A Terra inundada de água nas quebradas, formando Oceanos turbulentos, mais uma vez chamou a atenção do Sol. De onde tinha brotado tanta água, afinal? E ficou pasmo. Ela havia chorado de amor por sua causa. Nossa! Era gamada nele até a alma e durante todo esse tempo havia sofrido da maior dor de cornos do Universo. E o Sol foi trás dela para pedir perdão.

A Terra sentiu novamente a boca do Sol grudada no monte Everest e de novo se derreteu. Junto aos beijos, ventos profundos barrearam suas areias brancas do deserto e mexeram seus cabelos dourados. Depois, línguas de fogo entraram em todas as crateras de vulcão, num encontro íntimo, que a pegou de surpressa. Todas as bocas de vulcão jogaram detritos sobre a superfície da Terra com um magma fértil, que ao secar começou a dar flores, dando início ao nascimento do reino vegetal. Sementes vindas do espaço há milênios brotaram magicamente com os ventos vindos do Sol e os tremores ardentes de amor da Terra.

Sorrindo de amor e paixão, o Sol jurou fidelidade eterna a Terra, e declarou que nunca mais sequer olharia para outro planeta, e que o amor deles acabaria no dia em que ambos morressem muito, mas muito velhinhos.

Como prova de amor a Terra amadureceu ovos de cobrinhas, formigas, caracóis bem pequeninos, e mostrou para o Sol o nascimento dos primeiros filhinhos do reino animal. O Sol, convertido em pai coruja, saiu à busca de outros ovos, em Asteroides e Cometas, para trazer a sua amada Terra. Soprou todos eles com um vento suave, para não machucar as crianças, e depois ajudou a Terra a formar a camada de ozônio para proteger os ovinhos de seu calor. A Terra fez subir as ondas do mar para esfriar a superfície de seus vales e com lágrimas nos olhos viram os nascimentos de bichinhos maiores como tartarugas, cobras corais, escaravelhos e lagartos, muitos lagartos que entraram nas águas a se refrescarem.

E foi assim que a história deles e da evolução de seus filhos começou.

Na verdade, cada vez que acontece um terremoto, é porque ambos estão se beijando, e ficam muito empolgados com tanta paixão...

Notas finais
Como prova de amor a Terra amadureceu ovos de cobrinhas, formigas, caracóis bem pequeninos, e mostrou para o Sol o nascimento dos primeiros filhinhos do reino animal. O Sol, convertido em pai coruja, saiu à busca de outros ovos, em Asteroides e Cometas, para trazer a sua amada Terra.