Os descendentes e o segredo

28 Eu nunca deixaria...


Notas iniciais
Boa tarde, meus amores. Como vocês estão? Espero que bem... Hoje, trago mais um capítulo narrado pela Ceci. Estamos rumo ao final dessa temporada, com menos de 10 capítulos para acabar. Espero que gostem...

P.O.V. Cecília Mason

Muita coisa aconteceu no dia que revelamos nosso segredo aos Weasleys adultos. De alguma forma, Nathan descobriu sobre a reunião, não o seu conteúdo, mas a ocorrência dela. Então, quando saímos da sala, ele estava parado na parede ao lado e não demorou nada para começar a tentativa de descobrir. Dylan, com sua natureza mais pacífica do que a minha, ignorou, mesmo irritado; eu, por outro lado, perdi a paciência.

“-Alguém pode me dizer o que a diretora queria?? Ouvi sobre a presença dos Potters em Hogwarts isso é verdade? — Essa era a décima tentativa de retirar algo, mesmo ignorando, conseguia perceber o maxilar travado de Dylan. — Vocês são surdos?

Essa foi a gota d’água, com um simples movimento, ele bateu contra a parede e eu encostei meu braço em seu peito, prendendo-o contra as pedras. Eu sei que ele era mais forte e poderia me empurrar se quisesse, mas não me importava.

—Nós não somos surdos, mas, quanto a você, deve ser bem burro, não percebeu que não vamos te falar nada? E sabe o motivo? Você não tem nada a ver com o que aconteceu naquela sala, ouviu? Ninguém te deve satisfação nenhuma. — Meu olhar, provavelmente, estava bem duro e minha voz era cortante. — Agora, seja um pouquinho inteligente e cala a boca, Dylan e eu estávamos falando com a diretora, temos permissão para andar pelos corredores nesse horário, você por outro lado...

—Eu não me importo. — Ele me empurrou.

—Então continua assim e eu te deixo preso em alguma dessas paredes, quem sabe você não tem a sorte de encontrar um dos monitores e falar isso na cara dele ou dela?

Mesmo totalmente contrariado, ele ficou quieto por poucos minutos, algo que possibilitou a chegada até a Torre da Grifinória. Eu sabia que uma pequena parte da minha raiva ainda era pelo Natal, ele estava dando muita opinião em algo que não dizia respeito a ele ou à familia”.

Depois desse episódio, ele realmente desistiu de descobrir, mas passou alguns dias bem emburrado. E eu me questionei diversas vezes e de maneira diferentes se a decisão tomada tinha sido a mais inteligente.

De qualquer forma, os adultos decidiram nos apoiar, tornando-se nossos aliados. É verdade que não sem algumas surpresas e até certos espantos, mas, no final, tudo acabou bem dentro do possível. Suspirei, enquanto me relembrava. Essa pode foi uma das mais complicadas escolhas já feitas. Vale ressaltar que a lealdade deles não é para com os Masons, apenas para comigo e Dylan, esticando-se, ao máximo, a nossos pais.

O tempo passou sem muitas novidades, a rotina de aulas, trabalhos e lições se mantinham, a cada dia findo, as provas se aproximavam mais. Tudo estava relativamente tranquilo e, logo, o fim de Abril chegava trazendo mais uma pausa para o ano escolar.

Passada a Segunda Guerra, Hogwarts, palco da batalha final, decidiu dar uma semana em casa aos alunos, dentro dessa semana estaria o dia 2 de Maio, o dia final de Voldemort e o primeiro de uma paz mais curta do que o desejado. O objetivo era permitir que os estudantes passassem um tempo com pais e familiares, a fim de fazerem suas homenagens aos que partiram e se apoiarem.

Nós partiríamos amanhã logo cedo, por 2 de Maio cair em um Sábado, nós iríamos em uma Quarta, retornando na Terça seguinte. Não era muito tempo, mas é o bastante.

Guardei os últimos itens no malão antes de, finalmente, deitar. Os professores passaram mais lição do que de costume, porém menos do que nos demais feriados. No próximo dia, iria confirmar tudo uma última vez. Deixei meus olhos vagarem pela paisagem da janela, conseguia ver o céu escuro da noite repleto de estrelas. Assim, logo adormeci.

O dia amanheceu mais quente, com a chegada da Primavera, o calor era possível de se sentir nas primeiras horas de cada dia. Primavera era uma estação quase que bela demais para a guerra que aconteceu. Mas as piores coisas vêm das mais belas; a mais bonita amizade pode esconder a pior traição; o mais perfeito dos romances pode camuflar as brigas mais intensas e a pessoa mais amada é a que a perda mais machucará. O mundo precisa desse equilíbrio cruel.

Levantei-me, suspirando. Mesmo sob um tempo mais quente, o piso ainda era frio se comparado ao colchão e isso sempre ajudava a ativar a mente para um novo dia desafiador. Na mesma velocidade de sempre, caminhei até o banheiro para a rotina matinal, a qual envolvia, dentre muitas outras coisas, um banho agora morno e uma roupa apropriada.

Eu amava a praticidade da calça jeans, mesmo em tempos quentes; nenhuma preocupação com luta, forma de sentar, movimentar, nada disso. Apesar disso, por ser um dia “diferente”, escolhi um simples vestido bege justo até a cintura e com um caimento igualmente simples depois; ele era fechado na parte de trás, trazendo um acabamento levemente prateado. Para acompanhar, escolhi uma sapatilha preta. O cabelo já seco ficou preso em um coque firme, aprendizado de minha avó.

Já pronta, conferi se tudo estava certo e reduzi o malão de forma a caber em um bolso da mochila em meu ombro. Desci as escadas até o salão para esperar o Dylan, porém encontrei alguém diferente, o Potter estava na janela olhando a paisagem e se virou, quando cheguei no local. Percebi uma leve oscilação de raiva em seus olhos castanhos-esverdeados, mas ignorei assim que ele se virou para a janela novamente. Caminhei até uma mesa vazia, sentando até que a pessoa desejada descesse.

Essa semana era muito complicada, muitos perderam pessoas realmente queridas e a dor de não as ter por perto é quase insuportável. Todos que eu conhecia haviam perdido alguém naquele 2 de Maio de 1998. Minha linha de pensamentos foi interrompida por sentir um par de olhos me encarando.

—Perdeu algo, Potter? — Minha voz saiu ríspida. Ouvi seu suspiro ao longe e seus passos em seguida.

—Estava pensando sobre Lily... Do que aconteceu quando você chegou, eu nunca perdi ninguém, sabe? Não desde que nasci, senti muito medo do que poderia ter acontecido. — Ele se interrompeu por um momento, parecendo se dar conta de algo.

—Você está bem? — Ele riu com desdém.

—É claro que não, estou falando com você. — Ele disse em um tom óbvio.

—Então...

—Meus pensamentos estavam meio afetados pelo clima, precisava falar com alguém para desviá-los e você era o único ser vivo do local. — Eu sabia que o “clima” não era a temperatura amena de uma Primavera, mas a aura da data, se é que eu podia chamar assim.

—Porque obviamente você é uma ameba. — A raiva voltou para seus olhos, mas ele podia, simplesmente, falar com ele mesmo.

—Eu me questionei se era são falar com você. Pelo visto, não. — Ele se afastou na direção dos quartos e pude voltar a minha tranquilidade.

Não sei se alguém colocou algum feitiço ou poção em seu jantar, mas aquilo era o mais distante possível de algo previsto. Meu irmão desceu as escadas no momento em que concluía esse pensamento, ele trajava calças beges e uma camiseta verde de manga curta, seu tênis preto completava o visual.

—Aconteceu alguma coisa? O Potter subiu irritado.

—Ele disse que eu era o único ser vivo do local, claramente se excluindo, então eu disse que ele era uma ameba. — Disse com pura sinceridade e pude ver um misto de diversão e incredulidade em seus olhos.

—Por que razão isso não me surpreende? Venha, vamos comer. — Ele fez um sinal para que eu levantasse. — Esse vestido fica bem em você, não só por ele, mas seus olhos parecem mais vivos.

Os corredores eram preenchidos vagamente por estudantes-zumbis, uma espécie mista entre estudante feliz por folga da escola e estudante com sono pelas poucas horas dormidas; no meio do pessoal, pude ver os cabelos de John e Elizabeth. O comentário feito por Dylan ainda na sala comunal anteriormente me excluía desse grupo.

As horas se passaram rapidamente até o momento de partir, o transporte seria testrálio, mas eu não estava querendo ter companhia, enquanto erámos puxados por cavalos alados invisíveis a quem nunca presenciou uma morte. Por esse motivo, saí um pouco mais cedo para ir a pé; diferente do retorno para o Natal, não tive companhia dessa vez.

A temperatura mais alta não era tão agradável como o frio nem a paisagem florida, apesar do encanto, era tão bela quanto a neve. O inverno era mesmo minha estação favorita. Alguns acreditam que gostamos do clima no qual nascemos... eu não sou assim, nasci em pleno verão e gosto da paisagem branca.

Quando finalmente cheguei na locomotiva, alguns estudantes começavam a aparecer e como a probabilidade de ser alguém conhecido era baixa, simplesmente, adentrei o vagão em busca de uma boa cabine.

Como previsto, passou um tempo considerável até que a Jennyfer abriu a porta seguida de perto pelos dois garotos Mason. Sua camiseta regata de gola alta branca e seu short preto, combinavam com a roupa de Nathan, o qual trajava camiseta da mesma cor da irmã e calça preta. Todos se sentaram, como sempre, Dylan ao meu lado.

As conversas passaram por vários assuntos, incluindo a final Grifinória versus Sonserina que seria no final do semestre, o qual deixou Nathan realmente animado. Cansada de toda essa agitação, levantei-me sob o pretexto de ir no banheiro.

O corredor ficava congestionado como sempre, porém a animação estava menor do que a última vez e, pelos comentários de muitos, era a época um pouco mais calma dali. Sempre que ouvia sobre isso, imaginava os corredores incrivelmente vazios, mesmo contatando uma verdade diferente.

Eu já me encontrava bem próxima do banheiro, quando alguém trombou comigo. A pessoa começou a se desculpar, mas parou de repente; erguendo o olhar, pude entender o motivo, a pessoa era o Potter. Antes que ele tivesse tempo de fazer qualquer outra coisa, eu lancei um olhar irritado e segui até meu objetivo. Não tinha exatamente a intenção de usá-lo ou qualquer coisa, então olhei-me no espelho, percebendo que meu coque continuava no lugar e isso era bom, então abri a torneira, deixando acumular um pouco de água nas minhas palmas, jogando-a no meu rosto.

Algumas coisas ainda me incomodavam, mas eu ignorei, já revivera elas mil vezes sem ainda achar uma solução. Na verdade, sempre pensava demais sobre alguns pontos, pontos que não me afetavam há muito tempo, afinal eles tinham desaparecido de minha mente, porém o retorno e a agitação pareciam piorar. Parecia ironia, a fria Cecília Mason se importando com algo além da guerra.

Estando um pouco mais calma, decidi retornara para a cabine, assim que saí quase bati em uma garota loira.

—Ceci? — A voz de Elizabeth saiu surpresa.

—Oi.

—Eu não esperava te encontrar aqui. Você faz o tipo que prefere ficar mais na cabine.

—Fiquei com vontade de vir no banheiro. — Disse simplesmente, decidindo sair para que a corvina pudesse passar, mas ela segurou meu braço.

—Vocês vão passar o verão com a gente, né? — Ela parecia animada, concordei antes de retornar.

Tradições. Mesmo não existindo há muito tempo, desde que nos fixamos novamente em Salazar’s Town, algumas delas foram implementadas. Todas as festas de fim de ano seriam passadas na companhia dos Masons, em sua casa de campo; enquanto todas as férias de verão seriam compartilhadas com os Whites. A verdade é que tradições Mason sempre surgiram antes das tradições White, sendo assim, mesmo quando mais jovem, Nathan e Jennyfer me viram mais vezes.

—Ouvi dizer que o treinador da Grifinória está exigindo muito de seus jogadores também. — Dylan dizia.

—Será uma partida inesquecível. — A única garota comunicativa comentou.

—Mas eles não terão a mínima chance. — O sonserino parecia confiante.

“-Ceci. — Nathan corria atrás de mim, tínhamos discutido mais uma vez, pois ele pegou um livro que eu lia, mamãe tinha me dado para estudar e, agora, eu só queria ficar tranquila.

—Sai, Nathan. — Subi em uma pedra, perto da correnteza vinda da cachoeira da casa no campo. — Você entra no quarto e não me deixa ler, toma os livros de minhas mãos, porque eu não escutei o que você falou? Se eu estou irritada? Claro, você fez um discurso enorme desprezando 90% do mundo só por não serem sonserinos, humanos e sangue-puros. — Eu ainda me movimentava, graças ao tamanho daquela rocha.

—Eu ia conversar com você.

—Deixa eu te dar uma dica: não tome nada da minha mão, se esse é o objetivo. — Conforme ele se aproximava, eu ia me afastando até eu chegar no fim da pedra, isso não era problema, eu pulava e retornava à corrida, porém um barulho alto me fez pular e, com isso, perdi o equilíbrio. A água na qual eu cairia estava extremamente gelada por ser inverno e era bem funda para mim.

Já esperando contato com o gelo, eu me surpreendi quando uma mão segurou meu pulso direito e a outra, segurou minha cintura, fazendo com que eu descesse da pedra em segurança. Esperando alguns minutos para confirmar a estabilidade, eu ergui os olhos, vendo que quem havia me tirado de lá era o Nathan.

—Obrigada, achei que precisaria de um banho quente. — Ele riu de leve.

—Eu não deixaria isso acontecer.”

—Ceci? — Aquele que participava da minha lembrança chamou-me. — Você está bem?

—Sim.

—Você parecia meio distante. — Apenas o olhei por um instante.

—Estava me lembrando das suas derrotas para mim durante as férias. — Jenny esboçou um sorriso cúmplice.

—Você tem que tomar muito cuidado com isso, a Ceci não entende muito de Quadribol e te fez comer poeira. — Nathan fez uma careta, ele não gostava de perder, ainda mais no seu território.

—Duvido que o metido do Potter vai se jogar de uma vassoura. — Seu tom foi contrariado.

—Pode não se jogar, mas quem sabe ele tenha tinta vermelha para te distrair. — A sonserina voltou a provocar o irmão que começou a se irritar.

—Não seja má, Jennyfer. Dará tudo certo, Nathan. — Dylan tentou acalmar os ânimos, no momento em que a locomotiva parava.

—De qualquer forma, você não estará sozinho, Dylan e Ceci estarão lá para ver o resultado. — Mesmo gostando de provocar o irmão, Jenny tinha apostado mais de 20 galeões que ele pegaria o pomo antes do Potter ver a cor.

Após seu comentário e um olhar irritado do mais velho, Jennyfer decidiu que já era hora para parar, sendo assim, percorreu a locomotiva falando sobre assuntos mais leves.

Ao crescermos do trem, reparei, perto da passagem para o mundo trouxa, meus tios; eles estavam parados, tia Emmanuelly usava um vestido preto comprido, porém leve e seu marido trajava uma calça escura, camiseta cinza e óculos escuros. Caminhei a passos firmes para lá e não fiquei surpresa ao ver que fui a primeira dos adolescentes a percorrer a distância.

—Cecília. — Meu tio cumprimentou. — Onde estão os demais?

—Em algum lugar. — Eu me encostei na parede, dali eu podia observar uma quantidade considerável de pessoas, divididas entre adultos e adolescentes. Um pouco afastado, pude reconhecer Dylan conversando com Nathan, enquanto a garota, que já nos acompanhava, se virava procurando por um rosto conhecido.

Logo, ela sorriu ao olhar em minha direção, provavelmente, com a quantidade crescente de pessoas no local, acabamos nos separando. Em poucos minutos, eles chegaram, primeiro Jennyfer, depois Dylan e, por último, Nathan. Todos cumprimentaram os mais velhos antes de partirmos rumo a Salazar’s Town.

Não podia dizer que os Masons tiveram grandes perdas há alguns anos, da qual faço parte, ligada ao meu avô, Peter Mason, não participara, ao menos, não com permissão. Sobre os demais, não os conhecemos exatamente bem, mas considerando o fato de ser uma família antiga, eu não duvidaria caso tenham auxiliado em algo.

A sensação de aparatar tomou conta de mim e a vista de um beco escuro em plena Londres foi substituída pela já conhecida cidade de casa sonserinas, quando nossos pés tocaram o solo da praça principal. Não tinha como negar, Salazar’s Town tinha seu encanto.

Com uma despedida rápida, o grupo separou-se seguindo para suas respectivas casas. À distância, era possível ouvir o som de novos moradores chegando.

Abrindo a porta, pudemos ver os móveis já conhecidos, mas sem sinal de pessoas. Dylan tomou a frente, caminhando com extremo cuidado, sabíamos que seria difícil uma invasão, porém também esperávamos encontrar alguém.

Com silêncio e todo cuidado possível, verificamos os cômodos, um a um até entrarmos na biblioteca, sussurrou vinham do fundo e não ficamos surpresos ao ver os dois adultos parados nos olhando. Minha mãe tinha o cabelo caído sobre o ombro esquerdo, sua mão esquerda apoiava seu rosto, enquanto segurava uma linda pena branca, pois sua mão direita estava apoiada contra um livro grosso, provavelmente, eles discutiam algo; seu rosto ainda virado na direção do marido, encontrava-se concentrado bem como seus olhos, ao nos observar. O homem apoiava-se contra a mesa, no mesmo momento em que sua mão esquerda estava no encosto da cadeira, já conhecendo o casal, sabia que ela devia encostar de leve nas costas da parceira; o rosto dele nos encarava de forma analítica, totalmente voltado em nossa direção. Apesar de nada ali demonstrar, caso fosse um comensal no nosso lugar, eles estavam mais do que preparados para lutar.

Percebi que meu companheiro respirou aliviado ao vê-los ali. E, olhando um pouco melhor, vi um mapa na mesa, a cima do livro. Aparentemente, todos acabaram relaxando.

—Cecília e Dylan, vocês chegaram. — A mulher se aproximou, colocando a mão em nossos ombros, a camiseta regata vinho e a bermuda branca formavam um conjunto bem bonito, em especial, se combinado com a rasteirinha enfeitada com algumas pedras.

-Desculpem não termos ido. — Papai se apoiou contra a mesa. — Ficamos tão concentrados aqui — Ele indicou o livro. — que quando percebemos, meu irmão se ofereceu para ir. — Ele deu um sorriso levemente envergonhado, sorriso... difícil, mas não impossível de se ver no rosto dele, era diferente comigo.

Eu os observei e fui na direção do livro, ele era novo e em latim, rapidamente, percebi que tinha algo no que estava ali, o escrito parecia ter um poder a mais, nada se parecia com um simples feitiço ou simples instruções, tal sensação podia ter ligação com o fato da linguagem ser rebuscada.

—Aonde conseguiram? — Indiquei o objeto.

—Foi... meu padrinho. — Mamãe falou.

Isso acabara de tornar tudo um pouco mais interessante.

—Querem se juntar a nós? — Papai movimentou as mãos, indicando a mesa.

-Por que não? — Pude notar um tom de diversão na voz de Dylan, exatamente no momento em que fazia o perfeito movimento com as mãos para que duas cadeiras entrassem pela porta da biblioteca.

—Lectio, autem videat, vim doloris minime, scientia praesentium challenges et facultatem donum est... (Ao ler, tome cuidado, poder significa dor, conhecimento representa desafios e dom não é capacidade...) — A voz da mais velha pronunciava cada palavra firme. — Hoc est maxime momenti nuntius, non conscientiamm, tuo periculo... Si continue, ad notitiam receperint, proinde rationales esse et studium sciscitandi cohibere manere. (Esse é o recado mais importante, estando ciente, é seu risco... Caso continue, bem-vindo ao conhecimento, seja racional e que sua curiosidade se mantenha.) — A mulher parou. — É assim que começa, não fiquem assustados. — Algo ali a deixava mais feliz, um brilho incomum surgia.

—Pelo que vimos, tem muita coisa aqui, é bem organizado e a divisão é boa. Foi um belo presente.

Mamãe levantou as mãos, um livro conhecido pousou nelas, “Magia, feitiços, poções, uma saga para feiticeiros de alto nível”. Esse era mais simplificado, enquanto aquele, bom, o início já dizia “conhecimento representa desafios” não só pelo que acontece quando o adquire, mas ele estava presente durante. Um verdadeiro enigma.

As horas se passaram, enquanto começávamos a desbravar aquele livro. Basicamente, o processo de criar um feitiço é bem complexo e, mesmo nós sabendo sobre ele, algo não dava certo quando o assunto era Locus Obumbratio.

Naquele dia, fomos dormir um pouco antes da meia-noite, pedido de mamãe, pois ela queria retomar os estudos assim que o Sol nascesse ou até antes e, para isso, precisava da nossa melhor forma. Era possível ver o relógio em cima do meu criado-mudo marcando 23:55, quando eu me cobria. Ainda demorei um pouco para dormir, mas continuou sendo bem mais cedo do que o normal.

Um barulho ao longe me fez abrir os olhos, algo estava errado, eu podia perceber. Aquele som... eram feitiços. Mal me dei conta do fato, já peguei minha varinha e disparei para fora do cômodo, se eu estivesse certa, Salazar’s Town estaria sob ataque pela segunda vez desde que entrei em Hogwarts.

Ainda no corredor, Dylan se juntou a mim, saindo primeiro da casa. Pelo canto de olho, tive a impressão de ver uma luz esbranquiçada, porém ignorei. Tantas luzes eram possíveis de se ver que pareciam fogos de artifícios, não tinham muitos moradores ali ainda; de qualquer forma, não esperamos muito para formarmos a resistência inicial dali, meus pais se juntaram a nós, estranhamente, minha mãe carregava uma mochila nos ombros. Dez moradores contra um grupo de comensais, acho que os habitantes da cidade realmente precisam se preocupar um pouco mais com a segurança deles.

Meu feitiço atingiu um dos inimigos e, logo, os quatro estavam em um semicírculo lutando. Um Avada Kedavra se dirigia a Dylan, enquanto ele lutava, correndo em sua direção, bati na sua perna fazendo-o cair e ainda meio de joelhos, nos protegi da magia fatal, revidando com outra magia imperdoável, um cruciattus.

Depois de derrotar ele, comecei a lutar com outro comensal que me atingiu com um feitiço, provocando um corte em meu braço esquerdo. Eu me movimentava o máximo possível. Meu irmão procurava se manter o mais seguro possível, enquanto lançava uma das sequências. Alguns galhos estavam caídos no chão e eu os convocava em nossa direção para surpreender o inimigo; porém uma luz nos chamou atenção e eu pulei para o lado, quando uma explosão ocorreu muito próximo de onde estava; olhei para o lado, Dylan tinha feito o mesmo.

Chega. Eu cansei da brincadeira. Com um movimento, derrubei meu antigo inimigo. Uma nova luta começou, se já não me preocupava com os feitiços usados, se eles eram magia negra ou não e nem se era proibido, agora, isso tinha uma importância ainda menor. Rolei para o lado, quando um comensal atacara e fui atingida por outro nas costas. Estuporei o primeiro, virando-me para o segundo, mas alguém chegara na minha frente, uma figura de estatura média e cabelos negros, Jennyfer Mason o atacara.

A essa altura, minha prima era a única parente próxima, ela não lutava com tanta agilidade quanto ao Dylan, não analisava tão bem quanto mamãe ou tinha a fuga perfeita do papai, mas era boa, melhor do que a maioria. Muito comensais ainda estavam ali e nem todos os sonserinos da cidade queriam lutar, com um suspiro, comecei a lançar alguns feitiços, não queria utilizar o fogo maldito novamente, a pior coisa a se fazer seria criar um padrão.

Ao longe pude ver Nathan lutando com um pouco de dificuldade, ele não venceria ali sozinho. Criando uma corda na ponta da minha varinha, corri em sua direção, deslizando pelo solo no final, o fio esticado contra os comensais a minha direita; aquilo os derrubara. Já no destino, reparei que o do meio lançava uma magia poderosa e joguei-me entre os dois, a varinha um pouco a cima da minha cabeça, enquanto ainda abaixada; no momento do choque, um estrondo pôde ser ouvido e fomos jogados para longe. Colocando-me de pé rapidamente, estuporei os três.

No lado direito, uma mulher estava cercada; reparei um pedaço de uma grande pedra no chão próximo, então corri e a usei como impulso para chocar-me contra um de seus inimigos. Mesmo cuidando dele, os demais lançaram feitiços que cortaram minha pele, em sua maioria, exposta; sem pensar muito, segurei a mulher nos protegendo, enquanto lançava um Bombarda contra os demais.

Minha adrenalina estava alta, eu desviava de feitiços e lançava outros, não parando um minuto sequer. Sabia que minha família se espalhara, mas não conseguia ver nenhum deles, até que, em um momento, mãos tocaram minha cintura, guiando-me até a Praça central, eram as mãos de Dylan que falara meu nome para não ser atacado, eu entrei em sua mente para confirmar. Lutamos durante o caminho e, em nosso destino, ele conjurou um anel de fogo para nos proteger, enquanto ele me segurou ainda mais firme e tive a sensação de aparatar.

—Dylan, onde estamos? – Perguntei ainda desnorteada pelo silêncio do local, meus ouvidos, ainda acostumados com a luta, zumbiam e meu coração batia acelerado.

—Mamãe pediu para virmos para cá. – Ele respirava ofegante e foi aí que notei, em suas costas, a mesma mochila que a progenitora estava na luta. Eu o olhei um pouco confusa. – A situação está piorando, Ceci, não podemos morrer.

— E não vamos, porém não precisamos fugir, temos que treinar e quer oportunidade melhor? — Queria agitação, ainda acostumada com a luta. Dylan me lançou um olhar de advertência. — Ok , mas é estranho fugir. – Fiz uma careta, entretanto, fui surpreendida, quando ele acariciou minha bochecha antes de me puxar para um abraço, tudo parecia ocorrer em um universo paralelo, fuga, abraços... nada estava muito normal. Por mais que quisesse negar, sabia que, em algum momento, seria inevitável fugir, já fizemos raramente no passado.

— Eu nunca vou deixar você se machucar, maninha. – Ele sussurrou a última parte, antes de se afastar para procurar algo no objeto carregado. – Aqui, vista sua capa. – Dylan esticou o tecido para mim, reparei que ainda vestia meu pijama de camiseta azul de manga curta e calças cinza finas, não eram exatamente um conjunto, mas partes de dois pijamas diferentes, no tecido cinza, tinha marcas pretas e alguns cortes, devido ao acontecimento.

Assim que terminei o pedido, ele pegou minha mão e saímos do local inicial, caminhando por entre ruas do que percebi ser uma cidade, uma cidade que visitei recentemente. Minha memória ainda estava bem vívida, quando meu irmão parou em uma casa e bateu na porta que logo foi aberta, fazendo-me entender menos ainda a situação.

— São vocês, entrem, eu recebi o recado do seu pai. – O senhor Potter disse liberando a passagem.

Notas finais
Estou de volta e vamos para as nossas queridas perguntas/ comentários. 1. Nathan, Nathan, por que não me surpreende você se intrometer mais uma vez? 2. O que acham, Ceci tomou a decisão mais inteligente? 3. Parece que os Masons conseguiram o desejado: aliados. Isso será importante... Qual será a diferença entre ser aliado de toda família e ser aliado apenas dos dois irmãos? 4. Gostaram de ter uma semana de homenagem em 2 de Maio? 5. O James pareceu realmente mal com o quase destino de Lily, hein? Admito que eu também... 6. Gostaram do flashback da Ceci e do Nathan? 7. Por que acham que os Masons não tiveram permissão para participar da guerra contra Voldemort? 8. O que acharam da cena com os pais de Ceci e Dylan na biblioteca? 9. O livro parece ser bem difícil, hein? 10. Alguma suspeita para a luz esbranquiçada? 11. Parece que os comensais estão se aproximando... Gostaram da luta? 12. O que acharam da cena de Ceci e Dylan? 13. Qual é a relação de Érick Mason com os Potters e por qual razão os irmãos foram mandados para a casa deles? 14. O que acharam do cap? Qual foi a parte favorita de vocês? Até a próxima...