Os descendentes e o segredo
29 E que venham as provas
Notas iniciais
P.O.V. Cecília Mason
Aquela cena foi bem estranha, meus pais já esperavam um ataque, não que fosse algo totalmente inesperado, porém não imaginava que seria rápido; o que considerava pior, foi nos mandar para os Potters, isso foi estranho, podiam nos mandar para os Whites.
“- O que eles estão fazendo aqui? – O mais velho dos filhos perguntou olhando com raiva, assim que entramos na sua visão.
— Olha, Potter, eu estou tão feliz quanto você. — Rebati.
— Cecília não esperava, mamãe me pediu para pegá-la e vir para cá. – Meu irmão procurou esclarecer. – Salaza's Town encontra-se sob ataque. – James Potter riu.
—Salazar's Town, sério?
— Por que só Godric pode ter uma cidade? – Perguntei desafiadora e recebi um olhar contrariado em troca.
— Vocês podem tirar as capas. Lily, mostre a casa para a Cecília Mason. – O mais velho pediu.
Dylan me olhou como quando vinha me pedir calma e tiramos nossas capas, guardando-as na mochila. Essa fora a primeira vez que vi o conteúdo, em sua maioria roupas, mas conhecendo quem fizera, podia ter certeza que havia muito mais do que peças para vestir.
Agora sem a capa, pude ver que minha roupa possuía cortes ao longo de sua extensão, sabia que, assim como meu braço ainda sangrava, outros cortes estariam assim também. A pequena ruiva me aguardava pacientemente na escada. Olhei ao redor e resolvi seguir, após pegar a mochila.
— Você está bem? – Sua voz parecia preocupada. Balancei a cabeça concordando, após uma longa espera. – Você ficará no meu quarto. – Ela disse na sequência e suspirei. Eu ainda tinha esperanças de dormir na sala com o Dylan, podíamos ter eles como aliados, mas amizade era exagero.
Apenas com uma pequena parte da minha atenção, eu registei a localização de cada cômodo, a outra, eu usava para entender como mamãe mudara, no fim do ano passado, enviara uma carta para eu não me aproximar deles e, agora, nos manda para onde moram? Algo está acontecendo, tenho certeza e não vou ficar no escuro total, ao menos, vou tentar; afinal, a mais velha era boa nisso.
Chegávamos no quarto de Lily, quando um barulho atrás de nós me fez virar, a varinha já em mãos e um pouco à frente da garota, os reflexos da luta ainda não totalmente desligados, mas logo percebi que era apenas um Teddy Lupin sonolento.
—Mason. O que faz aqui?
—Salazar’s Town foi atacada, meus pais nos mandaram para cá.
—E você se importa? — Uma nova voz se juntou, não fiquei surpresa ao constatar que era James Potter.
—Você acha que eu sou tão fria a esse ponto? — Eu me aproximei dele. — Meus pais estão lá, Nathan, Jennyfer, os outros Masons... Existem vidas, Potter. — Meu tom foi cortante.
—Seus primos lutaram? — O metamorfomago perguntou.
—Primos? — Uma voz menina soou. — James, achei que tinha dito que eram irmãos.
—Desculpa. — O Lupin comentou.
—Achei que não podia falar. — A raiva era visível no rosto do grifinório.
—Não fui eu quem contou, Potter. — Minha voz ainda estava fria.
—Então quem?
—Alice. Prima dela. — O garoto de fios azuis explicou.
—Potter, — Chamei a pequena. — eu ameacei o seu irmão. — Voltei minha atenção para o de olhos castanhos-esverdeados. — Pode contar para sua família, você e a Weasley estão livres... — Comentei tudo fria. — Não acho que isso vai ser o mais importante quando a guerra começar... — Completei sussurrando.
—O que disse?
—Era para distrair alguns comensais infiltrados... de qualquer forma, não acho que vá resolver mais.
Caminhei até a porta indicada como o quarto da caçula.
—Posso? — A menina assentiu.
O cômodo era simples, bem diferente dos quartos Masons que tinha contato. A primeira coisa era um corredor, com duas portas à esquerda que imaginei serem para um guarda-roupa e um banheiro. Seguindo um pouco, o quarto chegava, a parede que marcava o início dele era lilás com três faixas horizontais finas roxas, contornadas de branco; logo no contorno superior da primeira, quatro delicadas luminárias com formato de flores.
Rente a essa parede, saía o criado-mudo, um móvel quadrado com duas gavetas, ambas com a abertura no centro do móvel, um pequeno quadrado, onde se coloca a mão na parte de cima para abrir a primeira e na parte debaixo para abrir a segunda; era possível visualizar um fina linha roxa separando as duas. Na sequência, tínhamos a cama, essa, de solteiro – algo raro nas casas sonserinas – com dois travesseiros e uma fina coberta violetas apoiados contra o lençol branco; também era perceptível uma abertura que seria uma segunda cama ali. Do outro lado, tinham mais dois móveis idênticos ao criado mudo.
Ainda na parede violeta onde a cama estava, tinha uma enorme moldura que preenchia seu comprimento quase inteiro, a estreita moldura encontrava-se no centro da parede e possuía várias fotos nela. Era possível ver vários momentos em família.
Do lado oposto, o padrão da parede lilás com faixas roxas se mantinha, com mais dois de aproximadamente um metro, intercaladas por uma parte branca – a mesma cor presente no corredor – com uma luminária idêntica às quatro anteriores. Nessa parte, tinha uma poltrona branca com um padrão de folhagem roxas e uma mesinha circular de vidro, nela, estavam alguns livros e uma luminária prata simples. E, no chão de madeira levemente acinzentada, possuía alguns tapetes circulares lilases. O quarto era bonito, mas alguém devia ser apaixonada pela cor.
Abri uma das portas do corredor, a segunda, e era o banheiro. Ele não era muito grande, tinha um chuveiro com boxe de vidro do lado oposto ao da entrada, um conjunto de três gabinetes com a pia no do meio e um vaso sanitário ao lado. Isso seria útil, entrei, colocando a mochila em cima do vaso e me olhei no espelho, os cortes ainda estavam visíveis. Suspirei e retirei a camiseta com um pouquinho de esforço, minha pele parecia bem pálida no reflexo. Peguei a varinha, fechando os ferimentos. Alguém bateu na porta.
—Mason, você está aí? — A voz infantil soou.
—Sim. — Sem esperar nada, ela abriu a porta e peguei a camiseta.
—Calma. — Ela levantou as mãos. — Você está mais machucada do que imaginava. – Ela me observou um pouco — Quer ajuda?
—Não precisa, Potter. — Minha voz saiu um pouco mais ríspida do que esperava, ela acenou e saiu.
Colocando a minha blusa perto da mochila continuei fechando os ferimentos, os superficiais foram bem rápidos, enquanto terminava os mais fundos a ruiva voltou com alguns frascos de poções.
—Se passar nos machucados, vai ajudar. — Ela os colocou no gabinete. — Ah, seu irmão quer a mochila quando você acabar. — Ela tinha se virado.
—Potter. — A ruiva se virou. — Obrigada. — Ela sorriu.
—Vou te deixar terminar. — A porta se fechou.
Peguei as poções, espalhando o líquido nos cortes mais fundos, ardia um pouco, mas eles se fecharam. Não demorou muito para consertar as roupas e substituí-las por uma calça igualmente fina preta e uma regata branca. Guardei o que usei, trocando-os por uma escova de dente e fui para o cômodo lilás.
—Você sabe onde o meu irmão está?
—Acho que no quarto do James. — O Dylan dormindo no mesmo cômodo do Potter, acho que o grifinório não gostou muito.
Por Lily Potter ter me apresentado a casa toda, soube me localizar muito bem. Na frente da porta certa, eu bati, esperando uma resposta, resposta que veio por um Potter bem irritado.
—Ótimo. Você chegou. Agora, tira seu irmão do banheiro.
Caminhei até a porta que ele indicou com a mochila em meu ombro e bati. Rapidamente, Dylan abriu a porta me dando espaço para entrar, mas parei na porta.
—Eu pedi para você tirar ele daí, não para demorarem ainda mais. — Eu o encarei.
—Você sabe que não manda em mim, certo? Mas já que quer... — Fiz sinal para o meu irmão, o qual pegou sua camiseta da beirada da pia e me seguiu até o meio do quarto do Potter.
Ele tinha arranhões nas costas, acredito que tenha sido um dos galhos que usei. Como eu tinha pego a poção restante no banheiro da mais nova, entreguei para Dylan. Ele tinha um corte na barriga que uma pequena faixa de sangue escorria.
—Bom, Potter, já pode usar seu banheiro, mesmo que isso signifique, possivelmente, sujar seu quarto de sangue. — O dono do cômodo nos olhou incrédulo. — A mochila está aqui, maninho. — Joguei o objeto na cama de casal do local e saí.
Como já estava de pijama, decidi me preparar para voltar a dormir. Desci até a cozinha para beber um copo de água, só tinha um problema: eu não sabia onde eles ficavam. Olhei ao redor da cozinha, a geladeira, bancadas e armários estavam ao lado esquerdo; enquanto do lado direito, possuía armários — um indo do chão até o teto –, bancadas e, aparentemente, a despensa. Suspirei nem a ilha com fogão do lugar dava dicas.
—Accio co... — Quando eu estava quase terminando o feitiço, uma figura apareceu, abrindo a porta do meio e me estendendo um copo. Era Alvo Severo Potter. Fiz uma leve careta.
—Não queria que tudo fosse quebrado. Que bom que salvou, Alvo. — O mais velho dos três filhos.
—James. — Uma voz repreendeu o irmão que chegara. — Olá, Mason. — Acenei com a cabeça. — Fiquei sabendo do que aconteceu, espero que todos estejam bem. — Eu o olhei por uns minutos, analisando-o, eu não o vira até o momento, mas ele não tinha a aparência do alguém acordado recentemente.
—Não tenho notícias. — Minha voz indicava a falta de interesse na conversa. Ignorando-nos, o de olhos castanhos-esverdeados terminou a pouca água que colocou em outro copo.
O mais velho passou por onde eu encontrava-me, abandonando o local após dar “boa noite” para o outro. Eu mesma continuei apenas por tempo o bastante para terminar de beber a minha água e arrumar o que tinha usado.
—Sabe, vocês deram sorte, hoje, foi o dia em que chegamos, temos o costume de dormir tarde nele. — Lily comentou, no momento em que me cobri, já tinha encontrado a matriarca no corredor e ido no banheiro. Então o único ponto da lista era dormir na parte debaixo da bicama, isso se a ruiva deixasse.”
Eu lembrava que os dias seguintes haviam sido incrivelmente tediosos, apesar dos esforços, eu e Dylan ficávamos mais deslocados do restante da família, geralmente, líamos alguns dos livros colocados na mochila pela mamãe ou conversávamos. Mas eu sabia reconhecer que, exceto James Potter, eles pareciam um pouquinho animados com o fato de terem convidados; até mesmo o Lupin se esforçava para não ter atitudes ríspidas, ele mudara o jeito de agir, quando descobriu a minha outra família ou, ao menos, tentava.
Como esperado, o pior dia no lugar foi o 2 de Maio...
“Conforme descia as escadas, era possível sentir o clima de enterro, passando a impressão das mortes terem sido hoje e não há anos... eu entendia isso. Na cozinha, os presentes estavam tristes, relembrando dos que já não estavam mais aqui; com tanta tristeza no local, eu peguei um pedaço do bolo e fui para a sala, apoiada contra o sofá, observava o quadro dos marotos com curiosidade, apenas dois morreram em 2 de Maio, mas todos foram mortos pela guerra. Participar de guerra tinha um preço muito alto e o inimigo de quem começava nunca queria estar no meio; mas pensando bem, como seria minha vida sem isso? Antes de poder responder, uma voz curiosa e levemente irritada surgiu ao meu lado.
—Qual é o seu interesse por esse quadro? — Teddy Lupin encontrava-se ajoelhado no sofá, as mãos cruzadas e os braços apoiados no encosto. Percebi os Lupins observando o filho com carinho, desviei o olhar.
—Os Potters foram importantes. — Dei de ombros, ele me analisou por um momento.
—Meu padrinho pediu para perguntar se você irá ao cemitério com a gente.
Antes que eu pudesse responder, a campainha tocou e a caçula da família correu para abrir, uma loira de cabelos cacheados e olhos azuis-claros estava parada.
—Victorie. — A ruivinha abraçou a recém-chegada.
—Oi, Lily. — A menina parte veela tinha os cabelos semi-presos, ela usava um vestido florido de base azul clara e uma sapatilha branca, com um colar com uma delicada pedra. — O Teddy está?
—Sim, na sala, Vic, ele vai ficar feliz de te ver.
Passos leves soaram e, em instantes, a loira pôde ser vista, ela continuou até estar ao lado do sofá.
—Olá, Mason. — Seu tom foi bem cordial. — Oi, má cherie. — Ela deu um beijo no namorado, decidindo dar privacidade aos dois, segui para o quarto onde Dylan dormia.
Bati na porta, aguardando até o “entre” do garoto ser audível; ao invés disso, a porta se abriu, a cama improvisada que Dylan insistiu para ele dormir estava cheia de pergaminhos.
—N.O.M.s chegando – Ele deu de ombros. — Tenho que demonstrar algum interesse. — Respondeu ao meu olhar interrogador.
—Quer ajuda?
—Não precisa. — Seu tom foi leve. — Você vai ao cemitério?
—Não sei, mesmo querendo ver se encontro alguém conhecido, eu sinto que vou invadir um momento pessoal. — Fiz uma careta.
—Dificilmente vamos. — Ele comentou.
A porta voltou a se abrir, provavelmente o dono do quarto acabara de entrar. Ao olhar, percebi que era o filho mais velho dos Potters mesmo, porém ele parecia ter se esquecido das visitas, já que entrou tirando a camiseta. Virei-me para Dylan.
—Talvez você tenha razão, mas é a primeira vez desde que... — Não terminei a frase, meu irmão já entendeu.
—Droga. Vocês estão aqui? — O recém-chegado comentou, após emitir um som assustado estranho.
—Então vamos. — Dylan finalizou nossa conversa, ignorando a fala do outro grifinório.
Nós realmente fomos com eles, mantendo-nos afastados e caminhando por entre os túmulos e pessoas, não foi exatamente com a aprovação dos adultos, mas eles perceberam que não poderiam nos fazer mudar de ideia. Para evitar maiores problemas, não nos afastamos por muito tempo, retornamos a tempo de vê-los nos túmulos de Lily e James Potter.
Suspirei, convocando um buquê de lírios para ambos, afinal, era a primeira vez que alguém que não nos conhecia desde jovens fora gentil ou o mais próximo disso e eu já ouvira história sobre o casal enterrado, imaginei que seria adequado demonstrar algum sinal de simpatia; mesmo não tendo certeza sobre como me sentia quanto a isso. O senhor Potter me olhou agradecido.
Longas horas se passaram até o retorno para casa, o clima tinha amenizado de forma bem leve. Isso me permitiu perder-me nos meus pensamentos, não era nada específico, apenas repassava o que acontecera durante o tempo de Hogwarts; minha vida já agitada parecia ter sofrido uma piora.
—Cecília. — Olhei a mais nova de todas com raiva, como sempre que alguém não tão próximo pronunciava meu nome. — Obrigada pelo presente, eu amei.
Presente. Aparentemente, eu tive um sucesso de 100%, Lorcan Scamander gostara do livro sobre animais e seu irmão agradecera o espelho de inimigos. Como retribuição a ruiva mandara uma pulseira com enfeites dos animais símbolos de Hogwarts; enquanto os gêmeos enviaram, respectivamente, um livro de magia avançada e um moletom.
Também me recordo da carta de tia Alyssa, nela, a bruxa agradecia o vestido azul claro dela, o diário de John, a pena de repetição rápida de Elizabeth, o conjunto formado por livro de contos, sapatilha e corrente de beija-flor da caçula, Jannete e o livro de magia avançada do marido.
Em um encontro, Alice também citara o quão feliz a enciclopédia tinha a deixado, comentou que as pulseiras dos pais já eram usadas diariamente, sendo assim, tia Beatrice podia saber se estivesse em perigo, enquanto o tio Mike teria seus caminhos seguros.
—Não precisa agradecer, Potter. — Minha voz saiu de forma sincera.
—Como você adivinhou as formas animagas dos marotos? — Percebi o cuidado para não deixar escapar que Remo Lupin era um lobisomem.
—Livros. — Dei de ombros.
Ela não pareceu acreditar muito, mas se conformou e isso foi o suficiente.
Outro pensamento tomou conta de minha mente, eu não entendia muito as configurações para dormirmos, acho que os Potters podiam ter mudado durante nossa visita, como deixar irmãos — James Potter e a ruivinha ou eu e Dylan – dormir no quarto do primeiro e os outros dois no quarto da caçula. Mesmo acreditando que o primogênito não concordaria.”
O tempo passou bem rápido depois e não consegui falar com meus pais sobre algumas dúvidas até nosso retorno, no qual minha mãe respondeu unicamente que “a professora Minerva me mostrou pontos bem interessantes sobre isso e, com a aproximação de tudo, preciso pensar mais em estratégias do que meus desejos como mãe”.
Suspirei. Amanhã era Segunda-feira e também o primeiro dia dos exames finais. Seriam de duas a três provas a cada dia, uma no período da manhã e outra, após o almoço. Não sabia que horas eram, apenas que queria terminar de revisar antes de dormir. Estava sozinha na Sala Comunal, Dylan já tinha ido descansar, os N.O.M.s eram mais puxados e consistiam em exames teóricos e práticos, diferentemente dos meus que seriam unicamente do primeiro tipo. Sem mencionar o fato dele já ter começado.
Já devia ser bem tarde, quando subi e deixei-me cair sobre os lençóis. Eu não tinha dúvidas de que iríamos bem, era só tomar cuidado com as informações, diria que esse foi o único motivo de “estudarmos”. Aos poucos, fui me deixando levar pelo cansaço.
O Sol estava nascendo, quando abri os olhos e, mesmo assim, ainda fui a primeira a acordar. Com o uniforme de calor, basicamente composto pela camisa branca, saia de pregas, gravata com as cores da casa, além da meia e sapatos pretos; fui para o banheiro. Depois do banho, peguei o robe com o símbolo da casa vermelha e dourada em cima da minha cama, juntamente com os materiais necessários para as avaliações do dia.
Percorri o espaço até a Sala Comunal de forma normal, era possível ver muitos alunos completamente ansiosos e sentindo a pressão dos exames. Na verdade, parece que o único ponto tranquilo era Dylan, apoiado na parede próximo à janela.
—Oi. — Ele se virou, olhando-me.
—Bom dia. Preparada?
—Faz tempo. — Movimentei meus lábios em uma resposta silenciosa. Compreendendo, ele fez um sinal com as mãos para irmos.
Os corredores estavam cheios de pessoas desesperadas, eu não entendia a razão de tanta coisa era apenas uma prova; se você se importar um pouco, terá um conhecimento considerável. De qualquer forma, não imagino que essas provas são mais difíceis que as feitas pelos nossos pais; para ser sincera, eu tenho certeza disso.
As mesas estavam com uma quantidade de alunos maior do que o normal para o horário, em especial, os do quinto ano; afinal, pelos comentários de Dylan, eles e os do sétimo ano farão as provas teóricas aqui.
Ao longe, era possível ver duas ruivas muito nervosas, uma delas era a Potter, enquanto a segunda era sua prima, Rose Weasley. A primeira, provavelmente, por nunca ter realizado uma avaliação na vida. Os primos, apesar de tensos, procuravam distraí-las.
Terminei o café e segui até a sala de história da magia. Essa seria a primeira matéria do dia. Se eu me preparei? Foi basicamente o que vi nos materiais do Dylan e o que li ontem, mas estava confiante. As mesas de dupla foram substituídas pelas individuais, os parceiros deviam ficar longe e membros da mesma casa não podiam se sentar em cadeiras adjacentes; amizades entre casas existiam, mas, pelo contato com as pessoas no local criado pelo mesmo fundador, o professor decidiu evitar riscos maiores.
Ele chegou bem mais pontualmente do que o normal e já costumava se encontrar na sala após poucos minutos do início. O pergaminho com as questões foi colocado na nossa frente, porém não podíamos começar por enquanto.
—Muito bem, os senhores têm duas horas para realizar o exame, o tempo se inicia agora.
Olhei para a primeira pergunta. “Disserte sobre os Goblins e a importância de sua espécie para a sociedade bruxa.”. Comecei com uma descrição de suas características, sua inteligência, o modo de convivência com os bruxos; partindo para os comentários sobre a língua falada, a Gobbledegook. Em um novo parágrafo, discorri sobre a capacidade de artesanato metálico, em especial, prata e moedas; eles também são responsáveis pelo banco bruxo, devido à habilidade em finanças.
Pergunta dois: “Discorra sobre as chamadas rebeliões Goblin”. Séculos XVII e XVIII. Comecei com uma linha do tempo, localizando as rebeliões nas respectivas datas, então comecei a descrevê-las pela ordem cronológica, focando nas causas, nos lados participantes, conflitos em si, localidades e consequências.
A resposta ficou bem grande, mas acredito ter abordado tudo de importante. As demais perguntas foram mais legislativas, incluindo o Estatuto internacional do Sigilo em Magia – origens, fatos causadores e consequências – e proibição da criação de dragões com os dois primeiros tópicos.
A prova foi composta por cinco questões escritas e, como previsto, mais tranquila do que as provas feitas em casa. Mamãe, provavelmente, perguntaria detalhes minuciosos, detalhes como nome de cada goblin participante, anos corretos, consequência atual, ela pediria cidades e não uma localidade mais básica; sobre as legislações, ela pediria as letras minúsculas e os poréns.
Com tudo respondido, levantei-me, segurando a avaliação no caminho para o professor fantasma. Ele sorriu, pedindo para deixá-la em sua mesa. Durante o intervalo, muitos alunos iam para as salas comunais ou para a biblioteca, mas eu decidi ficar perto do lago, observando o movimento da água.
Para passar o tempo, eu havia encontrado o pedaço de pergaminho no qual listava o nome dos comensais presentes no primeiro ataque a Hogwarts. Repassei por um bom tempo cada palavra dali, relembrava de cada invasão de forma bem vívida, por isso, decidi fazer uma continuação para a segunda.
Quando percebi, já era hora do almoço e precisava comer para seguir até a sala de feitiços. Hoje, seriam apenas duas provas, então eu não me preocupei muito. Dylan estava no almoço e parecia um pouco mais cansado do que eu, sentei-me, pegando arroz, um pedaço de carne, pedaços de abóbora e um pouco de molho.
—Ceci. Como foi a primeira prova? — Ele me olhou curioso.
—Esperada. E as suas?
—Sem novidades. — Ele deu de ombro. — Vou ter teste prático de DCAT agora, não estou muito preocupado.
Eu o entendia, também não me preocupava com o exame de feitiços, era uma matéria obrigatória, portanto nosso conhecimento era mais consolidado, além de que era algo usado com frequência maior do que história da magia, por exemplo; afinal, são importantes nas lutas.
Ao terminar de me alimentar, eu me levantei, seguida por Dylan, ele me acompanhou por um tempo até que nossos destinos levaram a caminhos separados. Desejando uma boa sorte, eu segui o resto do percurso até feitiços sozinha.
A sala estava com uma quantidade razoável, é incrível o que uma avaliação não faz, no dia a dia, sempre chego com elas vazias, mas, hoje, a história foi diferente. Esse cômodo seguia o padrão do anterior, devia ser normal para as avaliações.
O professor demorou um pouquinho ainda para chegar e, mais uma vez, as provas foram distribuídas sem que pudéssemos começar.
—Muito bem. Duas horas para terminarem. Boa prova. — Flitwick anunciou.
‘Questão 1: Diga as funções do accio e depulso e o movimento correto da varinha.
Questão 2: Diferencie o feitiço avifors do avis.
Questão 3: Disserte sobre colloportus e o feitiço considerado seu oposto.
Questão 4: Escolha 4 feitiços vistos em aula, diferentes dos já citados, e redija sobre eles, abordando as principais informações.
Questão 5: Qual é a função da magia lumus? Diga, também, suas variações.”
As perguntas eram simples, exigiam conhecimento sim, o professor pertenceu à Corvinal e, segundo minha experiência com membros já formados dessa casa, a correção ia ser rígida, porém não era impossível.
Deixei a pena passear pelo pergaminho, enquanto escrevia as respostas para cada item. Accio e depulso, o primeiro atrai objetos e o segundo os arremessa, essa era a base. Avifors transforma o alvo em pássaros, enquanto avis conjura pássaros, ambos tinham aves, mas não podiam ser mais diferentes. Colloportus tranca portas, o oposto seria alohomora, o qual as destranca, se fechadas por chaves ou feitiços simples.
Quatro feitiços vistos em aula... analisei a avaliação, fala sobre lumus, mas não nox, pensando por uns minutos a mais, decidi por nox, immobilus – fazendo uma comparação com petrificus totatulus – evanesco e arestum momentum — também fazendo uma comparação, porém essa era com ascendio. Essa questão foi a maior, abordando funções, movimento de varinha, utilidades, possíveis problemas, além de variantes e “feitiços opostos”. Eu tomei o máximo de cuidado para não colocar informações além das do conhecimento de um aluno do 4º/5º ano, considerando o efeito Mason nessa área.
Lumus, lumus maxima e lumus solem, essas eram as variações desse feitiço utilizado para criar luz, a intensidade era de acordo com o nível dele, sendo o primeiro o mais fraco e o último, o mais forte. Eu fui a primeira pessoa a se levantar para entregar a prova e o professor sorriu, pegando a prova.
O caminho de volta para a Grifinória foi tranquilo, como todas as turmas tinham provas, os alunos eram bem poucos, permitindo um trajeto livre e rápido. Conforme eu passava pelos corredores, alguns pensamentos vinham em minha mente, lembranças sobre minha infância até o começo de Novembro, eu realmente nunca achei que estudaria aqui, fico feliz por estar, mas foi uma surpresa.
Tão vazia quanto, estava a sala comunal e, por isso, decidi sentar-me no sofá em frente da lareira, agora, desligada. O quadro de Godric dava a impressão de me observar e eu o olhei de volta por um tempo até decidir subir para o quarto. Dylan demoraria, pelo que soube, os exames práticos são feitos individualmente e na ordem escolhida pelos avaliadores, os quais selecionavam a avaliação em si.
O tempo passou e eu fiquei lendo as anotações de mamãe sobre o livro que líamos antes do ataque à Salazar’s Town, o ataque... a cada dia a guerra se aproximava mais e esse era um indício bem sólido disso.
Quando imaginei que o jantar havia começado, levantei-me e segui até o salão principal, o caminho agora, com mais alunos, me permitia pensar em algumas informações do material lido. Eu não cheguei em nada conclusivo ainda, mas sabia que aquele livro ajudaria muito.
No jantar, peguei um pouco de legumes, arroz e peixe, acompanhando com um copo de suco de laranja, a comida estava boa e leve, acompanhando o ritmo das provas que ocorriam. Dylan chegou mais ou menos na metade do jantar e sentou-se ao meu lado, como sempre.
—Como foi?
—Bem básica, na verdade. E DCAT?
—Simples. Ao menos, para quem sempre luta e utiliza feitiços. — Ele deu de ombros.
—Eu continuo esperando Hogwarts me surpreender com assuntos novos nas matérias obrigatórias ou provas difíceis.
—Desiste, Ceci.
Mesmo acabando, eu enrolei para retornar à sala vermelha e dourada, meu irmão me olhou questionador.
—Você já leu alguma das anotações? — Murmurei.
—Claro.
—O que você achou?
—Eu ainda não sei, mas posso dizer que o começo traz informações importantes que achamos só em livros avançados e incomuns.
—Eu concordo, mesmo não tendo achado nada útil para o necessário. — Ele me observou, enquanto terminava a comida.
O resto da noite passou sem nada de interessante e, logo mais, eu acabava de comer meu café da manhã que foi um pedaço pequeno de torta de frango, caminhando para a sala onde ocorreria a prova de trato de criaturas mágicas, ali, os dois professores, Firenze e Hagrid, já se encontravam, observando todos os que entravam.
A sala com a mesma configuração estava cheia, escolhi um lugar na fileira a direita para me sentar. A algumas fileiras de distância, pude ver Lorcan Scamander. Em pouco minutos, a prova foi entregue e começamos a resolvê-la.
A primeira questão foi dividida em partes, na qual trazia características para que nós identificássemos sobre qual criatura se tratava. A segunda, pedia para dissertar sobre hipogrifos, características, cuidados e especificidade. A próxima era para descrever as classificações dadas pelo Ministério, apresentando um exemplo. A última pergunta era escolher seu animal favorito e fornecer informações básicas para o cuidado, como alimentação e clima; provavelmente, essa questão fora feita por Hagrid.
Quando escrevi minha última palavra e me levantei para entregar o pedaço de pergaminho, vi alguém já com os professores, esse alguém era Lorcan Scamander. Aparentemente, o corvino puxara o interesse pelos animais do bisavô. Ele acenou com a cabeça antes de partir.
—Senhorita Mason, imaginei que seria a próxima. — O meio-gigante sorriu, no momento em que o centauro pegava a avaliação de minhas mãos.
Assim que saí, segui rumo à sala de herbologia, minha próxima prova. Eu ainda tinha um tempo antes de começar, mas decidi já esperar na frente por precaução.
Aparentemente, nesse castelo, os estudantes tinham a tendência de terminar as provas no limite do horário. Apesar de que eu consigo mais pela experiência do que pela agilidade em si.
Assim que se passou o tempo, o movimento aumentou e os demais integrantes da minha casa começaram a chegar na entrada; com a sala fechada, todos estavam fora, aguardando o professor. Em especial hoje e amanhã, temos três provas marcadas, mas, para mim, será apenas no dia atual.
—Muito bem, alunos. Com licença. — O senhor Longbottom pedia, conforme atravessava o mar de estudantes.
Com uma dificuldade considerável, ele percorreu a distância até a porta, abrindo-a. Com poucos segundos antes de ser atropelado por vários adolescentes, alguns ansiosos, outros, desanimados, o ex-grifinório se jogou para trás da porta. Esperando a multidão avançar, eu continuei sentada no chão e, quando me levantei, eram poucos os lugares disponíveis, por causa disso, eu escolhi um mais afastado, no canto inferior esquerdo.
O mais velho passou em cada carteira, distribuindo os pedaços de pergaminhos para cada estudante, desejando uma “boa prova” para eles. Esperamos pacientemente até ele nos liberar.
“1. Disserte sobre o guelricho e suas propriedades.
Quais são as características que permitem rápida identificação da mandrágora? Cite também os cuidados necessários ao manuseá-la.
Redija sobre as duas plantas complementarese parentes vistas durante nossas aulas com todas as informações importantes.
Qual planta é muito usada em poções e calmantes? Diga, também, como reconhecê-la e os cuidados.
Faça uma lista contendo cinco plantas pertencentes aos grupos mais perigosos.”
Não era nada complicado, mas eu diria que essa prova era a mais exigente até o momento, em especial, as últimas três questões. A terceira trata da almeideira e da magnanda; enquanto a primeira absorve tudo do solo, a segunda, absorve minérios, tal característica se refletia nas copas de cada árvore. A quarta era a erva de anis, a qual pode causar queimaduras e dormências. Para a última, eu escolhi a beladona, a venenosa multihead, a suffocatio canadense, bocas-de-guincho e helébero negro do agreste; plantas cujo envenenamento consistia no nível 5 a 7, os três maiores.
Terminando de escrever, eu entreguei a prova e segui para o almoço. Segundo ao cronograma entregue, a próxima seria runas antigas. Comendo rapidamente, eu segui para a sala da matéria, no sexto andar. Fiquei surpresa ao ver que ela já se encontrava aberta, mesmo que vazia; adentrando, escolhi um lugar na fileira central e na frente, eu não me sentia desconfortável ou intimidada com a proximidade de um professor.
Quando a senhora Babbling chegou, a sala já estava lotada e eu, bem menos ligada com a avaliação anterior. Ela tão logo apareceu, a tensão ficou bem evidente na classe; essa, assim como tratos das criaturas mágicas, sempre se mantia mais vazia, por ser opcional.
—Assim que receberem a prova, não a iniciem, esperem meu sinal.
A mulher caminhou por todo local, distribuindo os pergaminhos até se pronunciar, ainda esticando o último para o estudante do fundo à direita.
—Podem começar.
As questões eram basicamente trechos de textos escritos com runas e que precisávamos traduzir, algumas runas para se dizer os significados e um parágrafo a ser escrito por nós com o uso desses símbolos.
Essa foi uma das avaliações mais tranquilas, se for analisar de forma geral. Então, após minha terceira prova hoje, eu aproveitei que já estava no sexto andar e voltei para o quarto apenas para guardar o material, por fim, caminhei para o jantar, não encontrei muito o Dylan nesses dias, pelo menos, não o bastante para podermos conversar o suficiente. Geralmente, o pouco que conseguimos é durante cada refeição, o tempo curto que separa uma prova de outra.
Foram momentos assim que tivemos na noite da Terça e na manhã da Quarta, os assuntos não variaram muito do normal, ou seja, das avaliações em si e dos planos para a batalha que se aproximava, o último sempre em voz baixa.
Assim que terminei de comer as panquecas pegas, encerramos o assunto e nos levantamos para seguir nas direções das salas. Por coincidência tanto a sala de DCAT na qual faria a prova quanto a sala em que meu irmão faria o exame de transfiguração eram no mesmo andar. Então posso dizer que esse era o dia com mais tempo passado um ao lado do outro.
Despedimo-nos antes de eu adentrar a sala, o professor estava lá, apoiando na parede contra a porta, cumprimentando todos que adentravam o local. Ainda tinham muitas mesas vazias, eu me sentei em uma aproximadamente no meio do lugar.
A primeira pergunta era sobre lobisomens, modos de identificação e características que os diferenciavam dos lobos comuns. A segunda, tratava sobre os modos de se transformar nessa criatura. A próxima consistia em explicar o motivo pelo qual as Maldições Imperdoáveis possuem esse nome. As últimas duas questões tratavam sobre dissertar sobre cada umas das Maldições, abordando a função de cada uma e sua história.
Com o fim da prova, eu caminhei para a minha casa, a prova que se iniciaria após o almoço era adivinhação, a qual não faço; por esse motivo, eu só teria mais uma prova, astronomia, durante a noite. Aproveitando que a maioria dos estudantes sem avaliação estariam na biblioteca ou mesmo no salão comunal, peguei o livro roubado de Hogwarts, agora, disfarçado para ler; o livro tentava trazer informações de todas as famílias, ele era bem inferior ao dos Masons, mas, para algo comum, era interessante.
Passei as horas restantes folheando o livro e as anotações da minha mãe, saí apenas para as refeições; enquanto aguardava a meia-noite, a professora Sinistra pediu para que a avaliação fosse aplicada no mesmo horário de suas aulas.
Um pouco antes do início, eu saí da Torre da Grifinória, caminhando até a Torre de Astronomia, aparentemente, eu fui uma das primeiras alunas a chegar, pois o local estava consideravelmente vazio. A mais velha esperou até meia-noite para distribuir um pedaço de pergaminho para cada um.
—Muito bem. A prova é simples, observando o céu, quero que os senhores e as senhoritas desenhem o que vejam com o máximo de detalhes possível, não se esqueçam de identificar todo o conteúdo visto. Boa prova, podem começar.
Aquela avaliação me surpreendeu um pouco, esperava alguma questão envolvendo o céu noturno, pelo menos, a partir do momento em que vi o período dessa prova; porém não esperava que seria unicamente isso.
Tentando prestar o máximo de atenção possível, eu comecei a reproduzir o céu e seus detalhes, identificando imediatamente cada astro, constelação ou demais elementos astronômicos dali. A avaliação foi demorada, mas ainda assim acredito ter sido uma das primeiras a terminar.
O restante da noite, envolvendo o retorno para meu quarto e um bom banho antes de adormecer, foi quase automático; da mesma forma, o café da manhã no dia seguinte. Ouvi alguns estudantes do quarto ano agradecendo, na mesa, por já ser Quinta-feira.
Eu peguei três torradas, passando a geleia mais próxima, aparentemente, ela era de framboesa. Não demorei muito para comer e, menos tempo ainda, para chegar na sala de transfiguração. Logo após o horário de início da aula, a prova começou a ser distribuída.
“Pergunta 1: Disserte sobre as semelhanças e diferenças entre Abelharus e Avis, identificando a relação do feitiço Oppugno com o primeiro.
Pergunta 2: O que são animagos e qual a sua relação com a matéria?
Pergunta 3: Diga o que é Homorfo.
Pergunta 4: Redija sobre o feitiço de mutação facial com todas informações importantes.
Pergunta 5: O que é Lapifors? Comente os pontos importantes.”
A única questão rápida de responder era a terceira. Para a primeira, eu decidi descrever cada um dos feitiços, a semelhança era que ambos conjuravam animais com o objetivo de controlá-los; porém esses eram diferentes e o Abelharus tinha um controle que era facilitado pelo Oppugno.
A próxima foi literalmente o escrito, trazendo informações sobre bruxos capazes de se transformar em animal sem uso da varinha, dissertei um pouco mais sobre isso até iniciar a definição da matéria Transfiguração para, por último, unir as duas.
As duas questões finais foram respondidas com nomes, definições e movimentos, enfatizando os cuidados e durações de cada um.
A saída foi tranquila e, mais uma vez nessa semana, eu aguardei o almoço no jardim de Hogwarts. Observando o movimento das árvores e do lago com o vento primaveril.
Algo naquele lugar específico me trazia à memória campos que eu já conhecia. Joguei a cabeça para trás, sentindo a brisa contra meu rosto. Aprendi a gostar dessa sensação logo quando meu pai me ensinou a voar. Uma sensação boa tomou conta de mim, assim que me lembrei da primeira luta intensa em uma vassoura comandada por mim, quase matei meus pais por pular do objeto.
Fiquei assim por um tempo. O almoço chegou fazendo-me levantar, não registrei muito o período no Salão Principal, apenas que a comida estava gostosa. Minha próxima prova seria de poções e isso era o bastante para desanimar muitos. O professor não criticava tanto a Grifinória quanto o anterior, mas ele era bem exigente.
Encontrei Dylan na porta do Salão Principal — enquanto eu saia rumo às masmorras, ele chegava para se alimentar –, eu acenei com a cabeça em sua direção e recebi sua resposta do mesmo jeito.
Como muitos ainda comiam, o percurso para o andar mais gelado foi rápido, aproveitei o clima mais ameno dali já que a sala estava fechada. Caminhei por um tempo relativamente curto, pois, assim que virei em um dos corredores dali, o professor surgiu, cumprimentando-me, sorrindo, ele me acompanhou até a sala.
Com a sala vazia, eu escolhi um lugar na fileira mais à direita, para evitar possíveis problemas no futuro, o homem evitou qualquer tipo de conversa e eu agradeci por isso. Assim que todos chegaram, ele distribuiu as provas e pude analisá-la.
“1. O que é amortentia e qual a sua característica mais marcante?
Descreva detalhadamente o passo-a-passo da poção acima mencionada.
Caracterize a poção do morto-vivo.
Sobre a poção FelixFelicius, diga a função e preparação.
Escolha uma poção vista em aula e diferente das já presentes na prova para dissertar sobre todas informações relevantes.”
As respostas das duas primeiras perguntas estavam afiadas em minha mente, a poção do amor não é algo que treino diariamente em minha casa, mas realizei sua preparação tantas vezes nas aulas que a deixou dentre as que tinha mais facilidade de preparar.
Para a pergunta seguinte, eu iniciei falando sobre a função dela e, depois, passei para as características físicas. A quarta foi uma questão tranquila para responder também. Por último, eu escolhi a poção veritasserum, uma das que o professor me apresentou na minha primeira aula aqui.
Acabando tudo, eu passei um tempo caminhando pelos corredores do castelo até a hora do jantar. Não me importei com muitas coisas que aconteceram nesse tempo, por isso, quando percebi já estava me cobrindo com lençol.
Quando acordei no dia seguinte, eu percebi que já era Sexta e isso me fez registrar o quão perto o meu primeiro ano em Hogwarts estava do fim. De qualquer forma, levantei-me a fim de fazer minha rotina matinal e colocar o uniforme.
Com tudo já pronto, desci para o Salão Principal, sentando-me em um lugar na mesa vermelha e dourada. Hoje, seria o último dia de avaliações, pelo que sei, para todos os estudantes; então o local possuía um misto de felicidade e tristeza.
Terminando a refeição, caminhei até a sala de aula de aritmância, a sala estava aberta, mesmo sem a presença da professora. Aguardei pacientemente, enquanto os demais matriculados nessa matéria chegavam, acomodando-se nas cadeiras.
—Muito bem, alunos. Desculpem o atraso, bom, como os senhores sabem, hoje é o último dia de avaliações, porém não facilitarei na correção, exijo a mesma dedicação aplicada na Segunda-feira. — Alguns lamentos foram audíveis. — Lamento se nem todos concordam. Dito isso, iniciarei a distribuição das provas, assim que o último receber, podem começar. Prestem atenção e tenham uma excelente avaliação.
Em um tempo razoável, eu estava fora da sala, a prova consistiu basicamente em dizer significados dos números, resultados aplicados nas situações exemplificadas e indicar o número ideal para o que estava descrito.
Com um suspiro, eu me dirigi para a Sala Precisa, a próxima e última prova seria de estudo dos trouxas e, como não faço essa matéria, eu encerrara oficialmente todas as avaliações necessárias.
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