Os Winchesters & Os Olimpianos - O Deus Perdido
14 XIII. Sam
Notas iniciais
CAPÍTULO 13: Os deuses escolhem meus acompanhantes
– CARAMBA! – exclamou Kurt por fim e todos olharam para ele. – O que foi isso?
– Uma profecia – respondeu Annabeth e se virou para Quíron, parecendo assustada. – Deus perdido? O que isso significa? Outro deus foi feito refém pelos gigantes? E que história é essa de inimigos distintos?
Quíron não respondeu, seus olhos escuros estavam pregados no chão como se achasse as pedras ao redor da fogueira bem interessante naquele momento. Mais uma vez o caos se instaurou ao redor da fogueira, todos murmurando e falando ao mesmo tempo. Todos faziam milhares de perguntas de uma vez. As chamas da fogueira crepitaram com mais intensidade se tornando cada vez mais púrpura e escura.
– Silêncio! – pediu Quíron batendo os cascos nas mesmas pedras que ele estivera encarando. Ele suspirou quando todos começaram a se calar. – Todos sabem quem é o meio-sangue indefinido da profecia – Ele olhou de relance para Sam. – Você será o líder dessa missão, jovem. Precisará encontrar o deus perdido, seja quem for.
Os olhares foram direcionados a Sam, que se sentiu ainda mais desconfortável. Ele fazia tanta ideia quantos os demais campistas, mas ainda assim os jovens olhavam para ele em busca de respostas. Annabeth meneou a cabeça ao seu lado.
– O deserto entre los e las? – murmurou ela franzindo a testa. Então a loura ergueu o rosto e por um momento os olhos cinzentos que estavam púrpuros sob a luz da fogueira pareciam brilhantes de satisfação. – Mas é claro! Só pode ser o Deserto de Mojave, o deserto da Califórnia, a Interestadual 15 fica entre Los Angeles e Las Vegas.
– Annabeth, sempre um gênio! – exclamou um dos campistas ao lado de Kurt e Bela. Sam achou que fosse alguma piada, mas ninguém riu, apenas menearam a cabeça em concordância. Então ele lembrou que ela era filha da deusa da sabedoria, é claro que ela devia ser sempre um gênio.
– “Acompanhado da magia e do ladrão” – prosseguiu Annabeth recitando os versos da profecia.
– Isso significa Hécate e Hermes – observou Jason, que estava ao seu lado segurando a mão de Piper. – A deusa da magia e o deus dos ladrões.
Dessa vez os olhares foram direcionados para um pequeno grupo de campistas sentados à esquerda sob uma bandeira roxa com duas tochas como brasão, e para o maior grupo de campista do acampamento com quem Kurt e Bela estavam sentados, a bandeira deles era gasta com um caduceu como brasão. A maioria dos campistas ali era diferente entre si, alguns mais baixos e outros mais altos, alguns mais fortes e outros mais magros, mas todos eles tinham aquele mesmo olhar astucioso e malandro como se estivessem planejando pregar alguma peça em alguém.
O mesmo menino que havia chamado Annabeth de gênio se levantou com as mãos enfiadas nos bolsos da bermuda. Ele era alto e tinha cabelos castanhos despenteados.
– Bom, nesse caso como sou o conselheiro-chefe do chalé de Hermes – disse ele, visivelmente desconfortável. – “Eu me ofereço como tributo”.
Outro jovem que estava sentado ao seu lado também se levantou. Ele era igualmente alto e tinha os mesmos cabelos castanhos despenteados, era tão parecido com o outro que Sam deduziu que fossem gêmeos.
– Não, tudo bem Travis, eu também sou conselheiro-chefe – disse ele. – E me ofereço como voluntário nessa missão.
– Ei, Connor, não se preocupe, eu me ofereço.
– Tudo bem, deixa comigo cara. Você sabe que ninguém faz armadilhas melhor do que eu, e pode ser que precisemos delas, e também sou mais furtivo...
– Você se acha furtivo? – Travis tirou um relógio prateado do bolso e balançou-o entre os dedos. – E então o que me diz disso?
Um dos campistas do mesmo chalé se levantou indignado.
– Ei, este relógio é meu!
Então um pandemônio começou. Os campistas do chalé de Hermes iniciaram discussões sobre quem era o mais furtivo e melhor em trapaças do chalé. Todos gritavam e se debatiam entre sim. Alguns aproveitavam para demonstrar suas habilidades no furto, assaltando carteiras, relógios, pulseiras e um monte de outros objetos. Os demais campistas revidaram com praguejamentos e resmungos indignados.
Quíron mais uma vez pediu silêncio, batendo com os cascos nas pedras. Aos poucos os campistas pararam de brigar entre si.
– Sam é o líder da missão. E de acordo com as regras do acampamento, ele é quem deve escolher – Quíron virou-se para Sam. – Você pode escolher dois acompanhantes para essa missão, meu jovem. E, bom, de acordo com a profecia, precisa ser um filho de Hermes e um filho de Hécate.
Sam engoliu em seco encarando os gêmeos Travis e Connor, que embora estivessem discutindo para ver quem iria à missão minutos atrás, agora pareciam incrivelmente desinteressados. Travis girava um anel nas mãos e Connor chutava o chão distraidamente. Os demais campistas também pareciam distraídos, remexendo nos bolsos, devolvendo os pertences das outras pessoas, olhando para todas as direções menos para ele. Excerto talvez por Kurt que o encarava com os olhos âmbar arregalados – Sam nunca sabia se era por surpresa ou espanto.
Antes que ele pudesse escolher qualquer pessoa, uma luz ofuscante quase o cegou seguido pelo arquejo coletivo dos campistas. Ele piscou algumas vezes até seus olhos se adaptarem e identificou de onde vinha à luz.
Ainda sentados com os campistas de Hermes, Bela e Kurt brilhavam. Aliás, algo como uma espécie de holograma brilhava acima de suas cabeças. Um enorme caduceu resplandecente pairava acima da cabeça de Kurt que começou a bater na própria cabeça tentando acertar aquilo. Bela estava envolta numa névoa branca, bem parecida com a névoa que Sam vira na Casa Grande mais cedo, e duas tochas brilhavam imponentes acima de sua cabeça.
– O que é isso? – perguntou ela encarando as tochas com os olhos bicolores arregalados.
– Bem, parece que os deuses escolheram seus acompanhantes, Sam Winchester – disse Quíron sombriamente.
O centauro então se virou para Kurt e Bela fazendo uma pequena reverência.
– Ave, Kurtance Oliver, filho de Hermes, deus dos ladrões – disse ele com voz grave. – Ave, Abby Talbot, filha de Hécate, deusa da magia.
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