Os Winchesters & Os Olimpianos - O Deus Perdido
15 XIV. Bela
Notas iniciais
CAPÍTULO 14: Faço uma escolha
BELA ESTAVA ENCARANDO A FOGUEIRA púrpura e incandescente a sua frente quando ouviu aquela voz sinistra sussurrando mais uma vez em seu ouvido: Encontre-me. Aceite a missão. Se quiser descobrir a verdade sobre a morte de seu pai...
Ela olhou ao redor contendo o impulso de se levantar. Sabia que o dono da voz não estava ali, não adiantaria procurar. Ela sentiu seu coração acelerar. Descobrir a verdade sobre a morte de seu pai? O que a voz queria dizer com isso?
Os campistas pareciam ocupados discutindo sobre a tal profecia que a menina ruiva, Rachel, fizera. Annabeth estava dizendo alguma coisa sobre o deserto da Califórnia e a Interestadual alguma coisa, mas Bela só prestou atenção quando Annabeth e Jason mencionaram outra parte específica relacionada à profecia.
– “Acompanhado da magia e do ladrão” – dissera Annabeth ponderando.
– Isso significa Hécate e Hermes – concordou Jason ao lado de sua namorada, Piper. – A deusa da magia e o deus dos ladrões.
Nesse momento uma confusão aconteceu, os dois conselheiros-chefes do chalé onde ela estava começaram a discutir entre si e de repente todos no chalé estavam brigando. Kurt olhou para ela com os olhos âmbar brilhando sob a luz da fogueira e um meio sorriso no rosto, que ela não gostou nenhum pouco. O menino apontou com o queixo ao redor e deu de ombros logo entrando numa discussão com outra pessoa também.
Bela tentou ignorá-los segurando seu colar com firmeza, até Quíron bater com os cascos nas pedras em volta da fogueira e todos ficarem em silêncio novamente.
– Sam é o líder da missão. E de acordo com as regras do acampamento, ele é quem deve escolher – Ele virou-se para Sam. – Você pode escolher dois acompanhantes para essa missão, meu jovem. E, bom, de acordo com a profecia, precisa ser um filho de Hermes e um filho de Hécate.
Sam olhou para o pessoal do chalé parecendo nervoso e nem um pouco feliz em ter que escolher alguém. Foi nesse momento que uma luz ofuscante brilhou em cima da cabeça de Kurt que se levantou dando tapas no alto parecendo assustado. De repente ela percebeu que uma névoa branca a envolvia dos pés a cabeça e havia uma luz brilhando acima de sua cabeça também, pareciam duas tochas em chamas. Ela olhou para cima de olhos arregalados.
– O que é isso?
– Bem, parece que os deuses escolheram seus acompanhantes, Sam Winchester – respondeu Quíron encarando-os com os olhos escuros que mesmo sob a luz da fogueira não mudavam de cor e nem brilhavam.
Ele fez uma pequena reverência dobrando as patas dianteiras.
– Ave, Kurtance Oliver, filho de Hermes, deus dos ladrões – disse Quíron com voz grave. – Ave, Abby Talbot, filha de Hécate, deusa da magia.
A primeira coisa em que Bela conseguiu pensar foi: o nome dele é Kurtance? Pelos deuses, que nome ridículo! E segundo, como o centauro sabia o seu nome verdadeiro? E por último, o que ele quis dizer com aquilo de “filha de Hécate, deusa da magia”?
Bela encarou as duas tochas incandescentes que se apagavam acima de sua cabeça. Então aos poucos a ficha caiu. Ela quase sentiu dor de cabeça ao processar as informações, seus pensamentos estavam a mil enquanto ligava uma coisa à outra. “Acompanhado da magia e do ladrão. O deus perdido, juntos eles encontrarão”, dizia a profecia. E então a voz sussurrando em sua mente: “Aceite a missão. Sua hora está chegando. Faça o que precisa ser feito. Encontre-me”.
Filha de Hécate, deusa da magia. Então sua mãe, a mesma que a deixou com seu pai assim que Bela nasceu, que ela nunca chegou a conhecer e que nunca apareceu em nenhum de seus aniversários, que nunca ligou ou fez qualquer contato, sua mãe era a poderosa deusa da magia, Hécate? Fazia todo o sentido é claro, considerando sua história de vida, que deusa mais sombria poderia combinar com ela? Se ela não fosse filha de seu pai, talvez Hades fosse à opção mais óbvia.
Os campistas ao redor começaram a murmurar entre si. Uma das meninas do outro lado, que tinha cabelos escuros como a noite e olhos azuis brilhantes acenou timidamente, ela estava sentada com um grupo pequeno de campistas ao lado de uma bandeira roxa com o brasão de duas tochas – o símbolo de Hécate, Bela percebeu. Isso significava que aquelas pessoas eram, tipo, seus meios-irmãos. Ela sentiu um aperto na garganta, sempre foi filha única e de repente descobria que tinha meia dúzia de irmãos. Aquilo poderia ficar pior?
– Pode ter sido coincidência – disse Piper se pronunciando por fim, ela não parecia muito certa disso. Bela queria que ela estivesse certa.
– Não parece coincidência – disse Quíron soando pesaroso. Aparentemente o centauro também queria que Piper estivesse certa. – Mas vocês sempre podem escolher.
E ele olhou para Bela e Kurt ao dizer isso. Bela percebeu que ele estava lhe dando uma alternativa, ela poderia aceitar a missão ou não. Ela olhou para Sam do outro lado da fogueira, mas ele estava encarando o fogo com a testa franzida perdido em pensamentos.
Ela respirou fundo lembrando-se da voz: “Se quiser descobrir a verdade sobre a morte de seu pai”. Sim, ela queria muito descobrir o que acontecera de fato e se o deus dono daquela voz podia lhe oferecer isso... Ela precisava aceitar a missão.
Bela respirou fundo mais uma vez e estava prestes a se levantar, quando Kurt se levantou primeiro.
– Eu topo – disse ele. – Eu vou com o Sam... Mas, qual é a missão mesmo? O que eu tenho que fazer?
Um dos gêmeos conselheiro-chefe do chalé de Hermes também se levantou. Ela não sabia dizer se aquele era o Travis ou o Connor.
– Será uma missão complicada, cara – disse ele seriamente ou tentando parecer sério, com o brilho brincalhão nos olhos era difícil levá-lo realmente a sério. – Repleta de perigos mortais, sofrimento, monstros e coisas do tipo.
O outro gêmeo, se é que eram realmente gêmeos, também se levantou. Esse seria o Connor?
– Sim, possíveis mortes, perdas de membros, dor, bastante cicatrizes – completou.
– Travis, Connor – interrompeu Annabeth. – Chega.
Bela engoliu em seco. Pensando bem, eles conseguiam ser bem convincentes. Ela não pensara sobre isso, achava que seria apenas uma viagem até a tal Interestadual, encontrariam o tal deus que estava desaparecido e pronto, ela descobriria o que queria. Ela não sabia nada sobre todos esses perigos mortais. Mas, pensando bem, se deuses e semideuses existiam é claro que os monstros também existiam e deviam estar por aí apenas esperando para matar semideuses desprevenidos.
Ela estava começando a repensar se valia realmente a pena se arriscar tanto. Talvez ela pudesse descobrir de outra forma, talvez ela nem precisasse descobrir nada, talvez fosse melhor deixar tudo isso pra lá. Não, ela jamais conseguiria, quando colocava alguma coisa em mente, era difícil tirar e naquele momento ela estava determinada a descobrir a verdade, fosse qual fosse.
Se alguém tinha pensado que o menino desistiria depois de todos aqueles alertas, ele pareceu ainda mais interessado em ir. Seus olhos brilharam e Bela só pôde constatar que ele era louco ou algo do tipo.
– Estou dentro – disse ele e se virou para Sam. – Se você quiser que eu vá é claro.
Sam ergueu os olhos da fogueira. Ele parecia hesitante, mas por fim meneou a cabeça resignado.
– Se é mesmo preciso – disse ele e olhou para Bela. Ela percebeu que todos olhavam para ela, esperando sua resposta.
Ela se levantou e pigarreou. Tinha que tomar uma decisão e o fato do Winchester liderar a missão não ajudava muito, principalmente com aquela história que Quíron contara sobre ele estar “sem memória”. Bom, isso explicava tudo e nada ao mesmo tempo. Agora ela entendia por que ele estava agindo feito um bocó. Mas como ele perdeu a memória? Que história louca era aquela? Por que ele lideraria a missão se estava desmemoriado? O que ele tinha a ver com Hécate e o deus perdido? E onde estava o Dean? Cara, o Winchester mais velho devia estar pirando naquele momento, caçando o irmão em cada canto do mundo. Pelo pouco que esteve com eles, ela sabia que essa era uma grande possibilidade.
Bela então pensou em seu pai e naquela noite terrível, a pior de toda sua vida. O sangue. O corpo. O grito desesperado que se formou no fundo de seu ser. Ela jamais esqueceria daquilo, jamais conseguiria ter uma noite de sono tranquilo depois daquilo. Ela precisava entender o que aconteceu. Aquela noite havia sido tão confusa, os gritos de acusação de sua madrasta ecoaram pela casa, quase tão perturbadores quanto à cena a sua frente.
Ela respirou fundo, concentrando-se no momento e não no passado doloroso. Não podia mais fugir disso.
– Eu aceito – disse ela por fim, arrependendo-se quase que imediatamente. – Aceito participar da missão.
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