Os Três Dovahkiin
1 Helgen
Notas iniciais
A carroça seguia determinada para oeste, na direção de Cyrodill. O clima estava frio, como sempre estava na terra montanhosa de Skyrim. A estrada que ela seguia descia as montanhas, seus ladrinhos fazendo sua carga saltitar levemente de tempos em tempos.
Carregava cinco prisioneiros, todos eles sentados e amarrados. A maioria usava trapos sujos e desgastados, embora houvessem dois equipados com roupas mais dignas. Um deles usava uma couraça metálica leve com uma faixa de pano azul que lhe cobria o corpo em diagonal, passando pelo ombro esquerdo.
Ele era, como a maioria dos escandinavos, forte e em boas condições físicas. Os cabelos loiros caíam-lhe aos ombros em tranças finas, e a barba loira e curta sugeria que, normalmente, ele não a usava. Foi o primeiro a falar com o prisioneiro mais recente, quando este acordou.
-Finalmente acordou, urso dorminhoco — ele cumpimentou numa risada — Tentando cruzar a fronteira... Que nem esse velhote aqui — ele fez um aceno de cabeça para um outro prisioneiro, que deu de ombros.
-Olá, velhote — grunhiu o prisioneiro que acabara de acordar, numa voz rouca e áspera. Ele também era escandinavo. Sua cabeça doía... Ele se lembrara da captura, mas, não entendia o motivo...
-E então você passa a fronteira e tropeça na emboscada Imperial! — continuou o loiro — Como nós... E esse ladrãozinho aqui do meu lado.
-Malditos Stormcloacks — ele respondeu olhando de esguelha para o loiro — Se não tivessem se metido no meu caminho, eu teria pego aquele cavalo e estaria a meio caminho de Hammerfell. Skyrim estava bem até vocês aparecerem.
Ele olhou para Nordock, zangado.
-Você e eu. E esse camarada do meu lado, não devíamos estar aqui. São esses Stormcloaks que o Império quer. Se eles fossem tão justos quanto dizem ser, escutariam o que temos a dizer! — ele acrescentou alto o bastante para que os guardas ouvissem. Não houve resposta, contudo.
-Estamos todos juntos nessa agora, ladrão — tornou o loiro — A propósito, meu nome é Ralof.
-Nordock — respondeu o outro escandinavo num bocejo.
Ele olhou para o ladrão ao lado de Ralof com interesse. Jovem, cabelos castanhos e olhos escuros, ele realmente parecia o tipo de pessoa que deveria estar presa por roubo. Os traços fortes e determinados de seu rosto, no entanto, não deixavam dúvidas de que nascera em Skyrim. Os músculos que apareciam sob os rasgos das mangas da camisa amarelada e manchada eram rígidos, mas não eram os músculos de um lutador.
-Calem a boca aí atrás — mandou o condutor, vestido com o peitoral de placas de couro da Legião.
O ladrão, que se chamava Lokir, olhava ao redor freneticamente, como que procurando uma chance de escapar. Não que parecesse haver alguma. Outra carroça carregada de prisioneiros, todos vestindo uma armadura idêntica à de Ralof, seguida à frente deles. Havia um guarda montado num cavalo de cada lado de ambas as carroças, mais uma sentinela que cavalgava solitária alguns metros atrás da formação para vigiar a retaguarda. Seria pego por pelo menos dois deles se tentasse pular — além disso, as mãos de todos estavam amarradas por grossas cordas.
-Qual o problema com ele? — Lokir perguntou de repente. O rosto de Ralof adquiriu uma expressão indignada.
-Olha como fala, ladrão! — ele retrucou num tom ameaçador — Você está falando com Ulfric Stormcloak, verdadeiro Rei Supremo de Skyrim!
Agora Nordock virou-se para encarar o prisioneiro que viajava ao seu lado, curioso. E a figura curvada coberta com uma pesada — e aparentemente muito cara — capa de pele preta e cabelos ruivos penteados para trás era ninguém menos que o próprio Ulfric. Nordock, como praticamente toda pessoa naquela terra gelada e escarpada, sabia muito bem quem ele era.
Isso, é claro, incluía Lokir. Seu rosto adquiriu uma expressão ainda mais pálida do que o normal.
-Ulfric? — ele repetiu, como que não acreditando no que ouvia — O jarl de Windhelm? Mas você... Você é o líder da rebelião!
Ralof sacudiu a cabeça numa risada. Lokir respirou fundo.
-Se eles pegaram você... — ele arregalou os olhos — Pelos deuses... Pra onde eles estão nos levando? Pra onde estamos indo?
-Eu não sei, mas Sovngarde nos espera — Ralof respondeu em tom tranquilo.
Sovngarde era o lugar para onde as almas honradas iriam, segundo a crença escandinava. Era a maior honra que uma pessoa poderia alvejar em Skyrim — não somente ali, mas também em outros países de Tamriel. No entanto, estava claro de que Lokir ainda não se considerava exatamente pronto para receber tal honra. Sua boca começou a tremer, seus ombros se curvaram e seus olhos escureciam de medo.
Mas Nordock não olhava para aquele rosto, e sim para o de Ulfric. De onde estava, podia ver o perfil do jarl. Mesmo ali, preso a caminho da morte, segundo Ralof sugerira, ele mantinha um olhar firme e até desafiador. Ele provavelmente tinha barba, mas ela estava coberta por um lenço firmemente preso atrás de sua nuca, como uma bandana de assaltante. Nordock achou que o fato não era tão estranho assim — fazia sentido com alguma coisa, mas ele não conseguia dizer o que era. Sacudiu a cabeça, frustrado. Sua cabeça ainda doía, e de qualquer forma, não era do tipo que gostava de se ocupar com questões complicadas.
Passaram-se longos minutos até Ralof quebrar o silêncio.
-Então... De qual vila você vem, ladrão?
-De que isso importa? — ele respondeu com rudeza. Ralof, sabendo que a resposta tinha tido aquele tom por causa da situação e não por indelicadeza do outro, respirou fundo.
-A última coisa em que um escandinavo pensa é seu lar — ele disse. Lokir assentiu, baixando a cabeça.
-Rorikstead — engrolou. Tossiu e engoliu em seco — Vim de Rorikstead.
-E qual é a sua história? — Nordock perguntou para o homem mais velho, ao lado de Lokir. Também usava roupas rotas e rasgadas. Os cabelos e a barba curta eram grisalhos, e seu rosto exibia sinais claros de que passara um mau bocado ao ser capturado.
-Meu nome é Halten — disse. Seu tom suave surpreendeu o escandinavo. Esperava uma voz diferente para alguém com idade para ser seu pai.
-E de onde você vem, Halten? — Ralof perguntou um tanto sarcástico — Imagino que não seja daqui de Skyrim, eh?
Halten deu um leve sorriso. Nordock franziu a testa sem entender o porquê da expressão de Ralof, mas as palavras seguintes do estrangeiro logo esclareceram o motivo.
-Nasci em Leyawiin, sul de Cyrodill. Fui criado por um casal Khajiit, já que meus pais estavam longe na guerra. Contra elfos — acrescentou significativamente para Ralof.
-Eu não disse nada — Ralof inclinou a cabeça para um lado — Não tenho nada contra quem nasce em Cyrodill, só contra os que seguem o mau caminho de se aliar ao Império. E se você fosse um deles — ele sorriu desanimado, lançando um olhar para os guardas que os escoltavam — Essa carroça não estaria tão apertada.
A carroça continuou descendo as montanhas, sempre a oeste. Ainda levaria um bom tempo até chegarem à capital do Império. Os presos conversavam entre ocasionalmente entre si, e o guarda que reclamara antes não lhes dissera mais nenhuma palavra. Talvez achasse melhor deixá-los se entreter enquanto ainda podiam — ou talvez simplesmente soubesse que não teria como silenciá-los.
Chegaram numa ponte acima de um portão que bloqueava a estrada, a entrada de um vilarejo. As portas duplas de madeiras foram abertas quando entraram e fechadas quando saíram. Ralof rosnou como um animal com raiva ao reconhecer uma figura montada em armadura completa, observando silenciosamente os prisioneiros.
-Olhem quem está aqui... General Tullius, o governante das tropas! — então ele viu três vultos distantes montados mais à distância e sua expressão endureceu — E os Thalmor! Malditos elfos...
Ele olhou ao redor com tristeza.
-Estamos em Helgen — contou — Conheci uma garota muito legal aqui. Será que Vilod ainda faz aquele hidromel com juníperos? — ele sorriu ao se lembrar de uma cena no passado, uma lembrança há muito acabada. Passaram por uma rua e seu sorriso sumiu.
-Estranho... Quando eu era pequeno, muralhas de pedra me traziam uma sensação de segurança. Sentia-me protegido dos bandidos, ladrões e... — seu rosto se contorceu com a ironia — Rebeldes.
-Se você fosse tão bom na espada quanto é com a língua, ainda poderia pensar assim — Nordock disse divertido para ele.
-Tirem o lixo das carroças! — ordenou uma voz feminina. Lentamente, o veículo desacelerou até parar.
-Por que estamos parando? — Lokir perguntou, assustado. Ralof o olhou.
-Por que você acha? Fim da linha, meu amigo.
-Não, espere! Não somos rebeldes! Vocês não podem fazer isso...
-Encare sua morte com dignidade, escandinavo — Ralof disse para ele, empurrando-o firmemente com uma perna. Lokir hesitou, mas se levantou e desceu da carroça.
Os outros prisoneiros os imitaram. Estavam no que parecia ser uma praça pública circular, onde deviam ser realizados eventos do povo e onde anúncios gerais eram feitos. Naquele momento ela estava preenchida por quase uma dúzia de Stormcloaks sem contar Ulfric e Ralof e um número pelo menos três vezes maior de legionários do Império. Comerciantes, viajantes e moradoras da cidade observavam em silêncio atrás dos guardas ou das janelas das casas mais próximas.
Destacando-se no centro da praça estavam uma mulher de robe e capuz amarelo-escuros e o homem que Ralof introduzira como Tullius. Parado próximo a eles, ao lado de um bloco baixo de madeira, estava um homem imenso, largo e musculoso como um urso, usando uma máscara de couro preta. Um longo, pesado e afiado machado estava levantado ao seu lado, à espera.
-Juntem-se aos outos quando ouvirem seus nomes. Um de cada vez — instruiu a mulher. Estava de frente para eles, vestida numa armadura de aço. Ao lado dela estava um outro soldado, usando armadura de couro leve. Ralof soltou um profundo suspiro.
-Eles amam suas malditas listas — comentou.
-Ulfric Stormcloak — chamou o homem ao lado dela com clareza — Jarl de Windhelm.
-Tem sido uma honra, jarl Ulfric — Ralof lhe disse respeitosamente, quando o homem vestido com as peles caminhou até seus soldados. Ele logo o seguiu, era o próximo na lista.
No entanto, nisso aconteceu uma coisa estranha. Quando Ralof deu os primeiros passos à frente, parou por um leve momento para encarar o homem que o chamara. Eretos um de frente para o outro, eles tinham a mesma altura e foi então que o homem notou que o legionário também era escandinavo. Ele não podia ver a expressão de Ralof já que este estava de costas para os outros, mas a expressão do guarda se endureceu, e Halten reconheceu uma série de emoções misturadas ali. Havia raiva, amargura, e... Decepção? Bem no fundo de seus olhos, ele pôde enxergar o sentimento, que beirava uma tristeza amarga.
Então Ralof deu um passo para o lado e a impressão se foi.
-Lokir, de Rorikstead — chamou.
Lokir se adiantou, parando logo em seguida.
-Eu não sou um rebelde! — protestou. A capitã suspirou.
-Ande, prisioneiro. Não nos faça perder mais tempo.
-Não... Não! — Lokir gritou — Eu não sou um rebelde! Sou um cidadão comum... De Skyrim e... Vocês não podem fazer isso comigo! Não podem!
-Pare! — a mulher mandou, mas Lokir era ágil. Com as mãos amarradas, empurrou-a para um lado e correu desabalado pela rua.
Recuperando o equilíbrio, a mulher deu um grito, e eles viram um dos guardas puxar uma flecha, calmamente, sem pressa... Ele a soltou e quase no mesmo instante Lokir gritou e caiu, debatendo-se por alguns segundos antes de ficar completamente imóvel.
-Mais alguém a fim de correr? — a mulher sorriu para eles, e Nordock teve vontade de esmagá-la. Falava de forma autoritária, como se fosse superior a pessoas como ele. O escandinavo apenas grunhiu, condenando-a ao pior lugar do Oblivion que existia.
-Continue — ela disse para o guarda, que ergueu as mãos num getso impotente.
-Acabou a lista — ele disse sem muito pesar — E ainda temos dois prisioneiros. Quem são vocês? — questionou, em tom mais alto.
-Eu sou Nordock, e nasci aqui em Skyrim. Que eu saiba, não estou em nenhuma chamada imperial para morrer — ele acrescentou com aspereza.
A mulher fez um gesto de displicência para o guarda.
-Esqueça a lista, eles vão para o machado. Podem se aproximar.
O guarda assentiu.
-Às suas ordens, capitã. Desculpe — ele olhou para Nordock com simpatia — Pelo menos você vai morrer em casa.
Nordock mostrou os dentes, prestes a fazer um comentário mordaz... Mas se interrompeu. O guarda olhava fixamente para a capitã, que mirava o posto de execução com ar tranquilo. O rosto do homem, no entanto, exibia uma expressão que não era nada senão repulsa, uma indignação que fervia claramente em seus olhos.
Eles eram inocentes. E o guarda que o chamara sabia disso. Pensou em Lokir, em como ele fora morto sem ser ouvido, sem ter tido qualquer chance de se defender. De repente, Nordock sentiu um imenso respeito por aquele guarda, não importava o que Ralof parecia ter contra ele.
-Encontraremo-nos novamente em Sovngarde — ele disse para o homem. A mulher deu-lhe um forte tapa com a mão coberta de metal.
-Ulfric Stormcloak — disse o general Tullius quando todos estavam reunidos, no tom firme e decidido de quem estava acostumado a ter as ordens cumpridas — Alguns aqui em Helgen consideram-no um herói, bem como muitos em toda Skyrim. Mas um herói usaria um poder digno e antigo como a Voz para assassinar seu próprio rei e usurpar seu trono?
Ele estava exatamente na frente do jarl, que grunhiu obviamente em protesto. Aquilo explicava o motivo de ele estar com a boca coberta, para Nordock: algumas pessoas podiam treinar sua voz até um ponto em que ela se tornava realmente um poder tangível, capaz até mesmo de ser usado em batalhas. Isso, no entanto, levava anos de treinamento e dedicação, e eram pouquíssimos os que conheciam essa arte.
-Você mergulhou Skyrim no caos, comprometendo a segurança de seu país e de todo o Império — continuou Tullius — Você desonra seu posto de jarl, sua cidade e as pessoas que morreram em seu nome. Sua última honra será morrer para restaurar a paz, que prejudicou em todo o continente.
Assim que ele acabou de falar, um barulho fez-se ouvir como que vindo do céu. Parecia algum tipo de animal. As pessoas olharam para cima, nervosas e assustadas.
-O que é isso? — perguntou a capitã, alarmada.
-Não é nada. Continuem — o general olhou para ela e fez um gesto de cabeça. Ela imediatamente se recompôs.
-Sim, general Tullius! Dê-lhes os ritos finais — acrescentou para a mulher de robe, que se adiantou erguendo as mãos.
-Como nós recomendamos suas almas ao Aetherius, as bênçãos dos Oito Divinos os cubram em vossa piedade, ò sal e terra de Nirn, nossa amada...
-Pelo amor de Talos, cala essa boca e vamos logo com isso!
-Como quiser — disse a mulher, afastando-se parecendo um pouco ofendida.
O homem que a interrompera, um Stormcloak ruivo com pinta de briguento, já se aproximara até ficar ao lado do carrasco. Cuspiu em seus pés, gesto respondido com um intenso resmungo vindo do grandalhão. Mas ele não se moveu. Acertaria as contas em poucos momentos.
-Vamos aí, não tenho a manhã toda! — gritou. Sentiu o pé da capitã em suas costas e ajoelhou-se. Uma risada escapou de sua boca.
-Meus ancestrais sorriem para mim e aguardam minha chegada, Imperiais — ele dizia enquanto sua cabeça era encaixada num suporte de madeira — Vocês podem dizer o mesmo?
Ninguém respondeu. O carrasco levantou o machado lentamente...
E então, acabou. Ouviu-se um som chupado e a cabeça caiu dentro de uma cesta. O corpo foi empurrado displicentemente pelo pé da capitã. Gritos e suspiros se fizeram ouvir ao redor.
-Seus desgraçados! — gritou uma mulher Stormcloak. "Justiça!", gritou um morador da cidade.
-Morte aos Stormcloaks! — berrou a capitão, acompanhada por vários integrantes da tropa Imperial.
-Tão destemido na morte quanto foi em vida — Ralof disse em voz baixa, os olhos fixos no camarada morto.
-Próximo, o escandinavo em trapos! — mandou a mulher, logo interrompida pelo som que ouviram antes.
Desta vez, soara mais alto, como se a coisa estivesse mais perto. O general sussurrou para um capitão, que assentiu e saiu a galope com alguns companheiros. O guarda escandinavo olhava para o céu, assim como a maioria.
-Aquilo de novo — ele disse com certa preocupação — Vocês ouviram?
Mas a capitã olhou-o com raiva, sem querer ser contrariada.
-Eu disse... Próximo prisioneiro!
O guarda hesitou mais alguns instantes e olhou para a frente.
-Para o bloco, prisioneiro. Sem movimentos bruscos.
-Bom, adeus — Nordock deu de ombros e olhou para Ralof e Halten, então caminhou para a frente.
A mulher o empurrou sem delicadeza com um pé, e logo ele estava ajoelhado com a cabeça no suporte. Olhou para o lado e viu o carrasco, erguendo seu machado. Seus olhos se encontraram. Nordock viu apenas um leve prazer selvagem ali, mas nada além disso, como se aquilo fosse apenas uma coisa divertida, um leve quebra-galho no tédio. O escandinavo jamais diria isso a alguém, mas sentiu um certo medo naquele momento. Não de morrer, isso era inevitável, mas seria uma experiência nova que acabaria com tudo o que ele havia conquistado, interromperia tudo o que queria fazer. O que aconteceria a ele depois? Iria para Sovngarde, como sempre desejou? Ou sua alma seria clamada por algum lorde daédrico porque ele não havia morrido com uma arma nas mãos, mas docilmente deixando arrastar-se para a morte como uma vaca para o abatedouro?
Ele havia pensado em fugir, mas achou que o gesto seria uma desonra pior. Além disso, ele pensou com ironia, ser decapitado era mais rápido e indolor do que sangrar até a morte por uma flecha. Queria que o carrasco fosse mais rápido — aquela espera toda era inquietante. Estava prestes a gritar para que se apressasse quando ouviu o grito pela terceira vez.
O barulho agora era muito mais alto, como se a coisa estivesse ali ao lado deles. Ouviu espadas sendo desembainhadas e quase sentiu a tensão tomar conta do local. Todos olhavam para cima — o que quer que fosse, tinha que vir do alto. Mas não havia nada, e o céu estava tão limpo e azul quanto antes. Apenas o carrasco olhava para baixo, o machado já acima da cabeça, mirando o pescoço grosso do alvo.
-Sentinelas! O que é? — Nordock ouviu a capitã gritar, provavelmente para algum Imperial numa das torres.
-Está nas nuvens! Mas não dá pra... Santos cabelos de Arkay!
-O quê? O que foi?
Então Nordock o viu — um vulto negro, escamoso e espinhoso, tão grande quanto um pequeno castelo. Gritos de surpresa e horror se fizeram ouvir em todo o vilarejo agora. E então ele viu a boca se abrir, quando a criatura gritou novamente.
-O quê em Oblivion é essa coisa? — gritou o general Tullius, seguido pelo som da própria espada saindo da bainha. Nordock podia sentia a criatura chegando cada vez mais perto... Mas ela não parecia tão estranha, todos ali tinham uma idéia do que poderia ser aquela coisa, estavam todos esperando que alguém pronunciasse em voz alta aquela palavra que sibilava nas mentes de todos, apavoradas demais para verbalizar tal pensamento... E ela veio, da Stomcloak que gritara antes, num berro alto e cheio de medo.
-Dragão!!!!!!!!!!!
Ela caiu no chão que estremeceu sob o pouso do dragão numa torre, exatamente a que ficava a poucos metros de onde Nordock estava. E então ele gritou, e o som os atingiu com toda a força dos pulmões do dragão.
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