Os Trinta Colares de Pedra

13 Kidokawa Seishuu - Parte 3


Notas iniciais
É, lá vou eu trocar a capa da história de novo, fazer o quê? Não resisti, quis fazer algo que se parecesse mais com a história (quase coloquei o Isozaki nela, mas desisti). Eu não li de novo o cap. então talvez tenha uns errinhos :) Boa leitura.

~POV Izumi~

(momentos antes)

— Viemos pegar o colar de vidro que está com você — Hyoudou fala.

— Ah? — Izumi se levanta com dificuldade, percebendo que agora só estavam eles no campo. Estava tão fixado em seus pensamentos que nem percebeu que alguém se aproximava. Aliás, quem eram aqueles dois? Devia já ter os visto antes na televisão alguma vez, não sabia, não era de ver essas coisas. Mas não importava, sua cabeça revirava e nesse momento só queria ir para casa e ficar sozinho.

A quadra da Kidokawa Seishuu, onde estavam, ficava perto da saída da escola. Izumi ignorou a presença dos dois estranhos e começou a andar nessa direção.

Kariya correu e imediatamente barrou seu caminho.

— O que você quer? — Izumi perguntou, recuando um passo.

— Não estava prestando atenção ou ficou surdo? — Kariya respondeu de modo irônico e impaciente. — Acabamos de contar o que queremos.

— Seja mais educado, Kariya — Hyoudou repreendeu o outro. — Pôr não explica direito o que precisamos fazer?

Kariya bufou.

— Okay, vou repetir: QUEREMOS. O. SEU. COLAR. — falou pausadamente enquanto estendia a mão, esperando que o meio-campista da Kidokawa Seishuu entregasse o colar.

“Entregar meu colar?” Izumi pensou e cerrou os olhos. “Por quê?”. Uma vaga lembrança de acordar no dia anterior usando um colar veio em mente, claro que tinha estranhado naquela hora, mas depois simplesmente se esquecera. As palavras de Kariya o fez levar a mão ao peito, como se quisesse conferir se ainda estava ali, e estava. Uma curiosidade o fez reparar mais profundamente o colar: carregava uma pedra tão linda, lisa e transparente como o ar. “Tão vazia, gelada e sem cor” Foi só que Izumi conseguiu pensar ao vê-la. “ Mas por que querem isso… e como sabem que eu a tenho?” era o que quera perguntar, mas não conseguiu. Isso acontecia as vezes: não conseguir falar o que queria, não conseguir revelar o que sentia.

“Kanaaki, sou seu amigo, então não tente fingir que não tem um”.— As palavras de Tobisawa rodeavam em sua cabeça. — “Sei que ainda não confia em mim, tudo bem, eu entendo. Mas estender isso para todo mundo, Izumi, quer se matar? Todos precisam ter em quem contar, você não é exceção. Pare de ficar se prendendo.”

“Avoado” Kariya pensou, já tinha cansado de deixar a mão estendida, “Já vi que está sempre distraído”.

— Hello — Kariya balançando a mão na frente de Izumi e esse pulou de susto. — É falta de educação não prestar atenção no que os outros estão falando.

Izumi fez uma careta de raiva.

— É sério, um dia desses pode ser atropelado — Kariya brincou.

— Me deixem em paz — Izumi repentinamente dá a volta em Kariya e corre dali, mas Kariya facilmente o alcança e impede sua passagem.

— Opa — Kariya fala. — Não vai passar.

— Sai da minha frente — Izumi se altera. “Só quero ir embora” grita mentalmente.

— Infelizmente não podemos antes de pegar o colar — Hyoudou fala firmemente enquanto se aproxima dos dois. — É importante, espero que entenda — além força da voz, falou suave e lentamente, atraindo a atenção do acizentado. Hyoudou começou a contar um breve resumo da história dos colares enquanto Izumi pareceu se acalmar para ouvir.

Estranho. Impossível. Maluco. Izumi se limitou a arquear uma sobrancelha no fim da história. Poderia até lhes dar o colar para poder sair dali agora, mas lembrou-se de hoje de manhã, quando viu a curiosidade de Kishibe quando viu que o meio-campista também tinha um colar. Pela primeira vez depois de muitos encontros com poucas palavras, o azulado estava interessado em algo que ele tinha a dizer, pela primeira vez tinha algo que Sousuke não tinha. Não iria entregar aquele colar.

Hyoudou e Kariya esperavam alguma ação do acizentado, ação essa que não veio. Kariya revirou os olhos, cada vez mais impaciente.

— Só entregue o colar, simplesmente — implorou Kariya com um olhar de ‘entregue logo para eu ir até o Kageyama’.

— Deixe ele pensar — Hyoudou fala, sabia que não era fácil entender e processar essa história maluca, ele mesmo ainda não sabia se era possível.

— Huff — Kariya fechou a cara e chutou o chão. — É só entregar, oras bolas, qual é a dificuldade nisso?

— Kariya — Hyoudou novamente o repreendeu.

— Não vou entregar — Izumi fala.

Hyoudou e Kariya o encararam perplexos.

— Nunca fala nada, e quando fala, fala besteira — Kariya revira os olhos novamente.

Izumi o fitou, finalmente mostrando alguma emoção que não tristeza, mágoa ou arrependimento. Kariya se surpreendeu com aquela mudança de semblante, o acinzentado parecia estar com raiva.

— Não vou entregar — repetiu.

— Por que não quer entregar? — Hyoudou perguntou calmamente enquanto ficava de olho para que Kariya não partisse para cima do menor.

Izumi levantou os olhos para fitá-lo e logo abaixou novamente.

— Não é da sua conta — respondeu baixinho.

— Depois eu que sou o mal educado — Kariya disse sarcasticamente e depois mudou de assunto. — Vamos pegar logo o colar.

Izumi sobressaltou-se e recuou vários passos quando Kariya avançou rapidamente em sua direção. Bloqueou como pôde a mão que tentou pegar seu colar, em seguida tentou se desviar da próxima tentativa do azulado. Kariya era mais rápido e Izumi tinha dificuldades de desviar, dando o tempo todo grandes passos para trás.

Hyoudou observava pensando se interferia ou não, decidiu não fazer nada por enquanto.

Izumi consegue se afastar o suficiente para correr, mas Kariya novamente o alcança.

— Qual é o seu problema? — Kariya pergunta fitando o menor.

— O quê? — Izumi o olha confuso.

— Não vê que precisamos levar o colar? Ele precisa voltar pro dono, senão os elementos vão ficar fora de controle.

— Não é da minha conta! — fala.

— É claro que é — Kariya grita. — Isso afeta muita gente e de alguma forma vai voltar para você.

— Não me importa... — Izumi fala hesitante. — Não importa o que acontecer, as coisas não vão melhorar para mim, nada vai mudar. Entregar ou não esse colar… não faz diferença, ninguém vai ligar para mim — soltou, mas logo arrependeu-se de ter falado demais.

— O que aconteceu com você? — Hyoudou pergunta, preocupado, se aproximando dos dois.

Izumi balançou a cabeça, como se para dizer que não diria mais nada.

— Ele não vai dizer — Kariya diz. — Mas sei o que é — revela.

Izumi olha para ele com os olhos arregalados, como assim Kariya sabia se nem mesmo ele sabia? Só sentia um vazio, uma tristeza, como se precisasse de algo… ou alguém. Kariya não devia estar falando sério.

Hyoudou olha para Kariya, curioso.

— Eu percebi desde o início, oras, você se sente sozinho — Kariya foi ao ponto. Sabia o que dizia por que já tinha estado nesse barco antes e reconhecia pessoas na mesma situação.

Izumi arregalou os olhos

— Não é isso — defendeu-se.

— É sim — Kariya rebateu. — Só uma pessoa nesse estado pensa mais em si mesma do que nos outros, nem vê quem está em sua volta. Pensa tanto nos seus próprios problemas que nem vê que tem gente passando por uma situação pior — Kariya sabia que se tinha alguém que podia falar isso, era ele. — Você deve pensar que não tem amigos, mas aposto que está enganado, a Raimon jogou contra a Kidokawa Seishuu na Holy Road e lembro de você jogando junto com seus companheiros. No final, só quer atenção.

— Cala a boca — Izumi gritou, tapando os ouvidos para não ouvir mais. — É mentira — Sabia que não era, era por isso que se rebaixara tantas noites ao dormir com seu capitão, não o amava, sabia, só queria… que alguém lhe desse alguma atenção, que alguém gostasse dele do jeito que é, quem alguém o amasse. Não conseguia suportar isso, não tinha amigos e nem seus pais ligavam para ele, ninguém ligava. Ninguém.

Hyoudou e Kariya se afastaram um pouco quando perceberam a aura do prateado mudar. Izumi abaixou o rosto, fazendo as sombras cobrirem seus olhos. O meio-campista gritou, fazendo as janelas da escola (que se encontrava distante) quebrarem e ir em direção a eles, cercando-os em todas as direções. Os dois jogadores não conseguiram se mexer, em todo lado estavam cacos pontiagudos de vidros que brilhavam com a luz do sol.

— Abaixe isso — Kariya falou, tentando lembrar qual era o nome do prateado, não tinham perguntado o nome dele.

— Não preciso de amigos — Izumi disse, começando a fazer os cacos atacarem o defensor e o goleiro.

Hyoudou e Kariya tiveram que se desviar, sem conseguir escapar de fato. Diferente do

ácido que Hayabusa atacava freneticamente para todo lado, Izumi organizara os pedaços quebrados de vidro de um modo que formasse um meio círculo em volta dos dois, sem dá-los uma chance de correr, nem ao menos desviar direito.

— Ahhhhh — Kariya gritou alto quando um caco raspou em sua perna direita.

— Kariya, você está bem? — Hyoudou pergunta, Kariya acena com a cabeça e então o goleiro olha para Izumi. — Você não quer fazer isso.

Izumi apertou os olhos, atordoado. Os cacos continuaram aonde estavam, de vez em quando atacando.

— Izumi — gritou Kishibe, que se aproximava com Shindou. Logo vieram Sousuke, Yoshihiko e Mitsuyoshi atrás deles.

— Capitão? — murmurou Izumi, quase num sussurro.

Notas finais
Tadinho do Izumi, eu sei, ainda não sei se faço o par dele com o Tobisawa ou com o Hyoudou (se alguém quiser opinar, to ouvindo tudo). Bjos