Os Trinta Colares de Pedra
14 Kidokawa Seishuu - Parte 4
Notas iniciais
— Ahhhhh — Kariya gritou alto quando um caco raspou em sua perna direita.
— Kariya, você está bem? — Hyoudou pergunta, Kariya acena com a cabeça e então o goleiro olha para Izumi. — Você não quer fazer isso.
Izumi apertou os olhos, atordoado. Os cacos continuaram aonde estavam, de vez em quando atacando.
— Izumi — gritou Kishibe, que se aproximava com Shindou. Logo vieram Sousuke, Yoshihiko e Mitsuyoshi atrás deles.
— Capitão? — murmurou Izumi, quase num sussurro. Os cacos pararam de atacar, permanecendo estáticos onde estavam.
— Izumi, queremos ajudar — repetiu Kishibe, receoso. — Abaixe-os — se referiu aos cacos. Sousuke olhava perplexo para o garoto acinzentado, todos olhavam, nunca o tinham visto neste estado.
Atordoado, Izumi só o encarou, tentando organizar os pensamentos embaralhados, mas não conseguia. Era difícil pensar. O que era aquilo no olhar de seu capitão... era pena? preocupação? Não queria ser olhado desse jeito.
— Recomponha-se, Kanaaki — Sousuke o chamou, temeroso e aflito com a situação do colega. Apesar de tantas diferenças, ainda eram companheiros de time.
Izumi voltou o olhar para ele, sem ouvir suas palavras. Esse era aquele que o capitão amava, alguém que sabia o que era amar e ser retribuído, sabia o que era ser amado. Queria chorar, precisava fazê-lo, mas não na frente deles. Sentia raiva, angústia. Não aguentou mais, explodiu.
— Vocês não entendem — gritou. — Parem de fingir que se importam comigo por que sei que é mentira. Ninguém se importa. Podem ficar com sua felicidade, eu nunca a tive e não preciso dela — apontou os cacos para o grupo recém chegado e os atacou hostilmente.
Shindou interviu e construiu um escudo sólido de areia com seu colar, protegendo-os dos cacos. Izumi continuou atacando, tonto e sem saber direito o que fazia.
Hyoudou e Kariya não estavam dentro da barreira de areia, mas não eram mais os alvos. Os dois trocaram olhares rápidos e calculistas. Em um sinal discreto, os dois correram para o menor e o jogaram no chão. Kariya arrancou-lhe o colar e os disparos de cacos pontiagudos cessaram, caindo todos no chão. Pouco tempo depois, a barreira de areia se desfez.
Hyoudou e Kariya se afastaram do acinzentado, que permanecia no chão, as lágrimas caindo com força. Izumi gritou, frustrado e abatido. Kishibe se aproximou, mas logo parou, não sentia que podia ajudá-lo naquela hora, só o faria piorar.
Mitsuyoshi entendia, sabia que o compreendia. Conseguiu ver-se através daquele garoto e lembrou-se do que acabara de passar. Logo soube, Izumi estava do mesmo jeito que que ele estava antes, só que por outra razão. Se sentia sozinho, sem amigos, sem apoio, sem motivo... sem amor. A única diferença era que ele não tinha sido magoado por alguém que amava, se é que amava alguém.
Yoshihiko não mediu pensamentos, aproximou-se do companheiro e perguntou-lhe se estava bem. Izumi não conseguiu encará-lo, ao invés de tentar responder, levantou-se cambaleante e desajeitado, recuou alguns passos, sentindo-se vulnerável sem o colar. Correu dali, disparando na direção da saída, com as lágrimas embaçando-lhe a visão. Yoshihiko assustou-se e se perguntou se fizera algo errado.
Mitsuyoshi quis segui-lo, precisava conversar com ele, mas seu ombro ardeu com o golpe anterior do elemento corrosão de Yoshihiko, e não pôde fazê-lo.
Kariya olhou para a pedra incolor com pesar, será que tinha exagerado nas palavras que dissera para o acinzentado? Hyoudou estava pensativo, não podia deixar alguém sair correndo nesse estado, mas segurou-se onde estava, sabendo que por ele estar assim é não iria ouvi-lo.
— Ele vai ficar bem? — Shindou quebrou o silêncio.
— Espero — Kishibe revelava-se apreensivo, sabia que tinha culpa pelo estado do colega, devia tê-lo perguntado mais e ouvido melhor. — Ele precisa ficar um tempo sozinho... E vocês, o que farão agora? — perguntou para o grupo de Shindou.
— Vamos ver se os outros precisam de ajuda, já tem tempo que não mandam mensagem.
Kishibe acenou com a cabeça. Os dois grupos despediram-se e o capitão da Kidokawa Seishuu os conduziu até o final da escola, onde separaram-se. Shindou levou seu celular ao ouvido, tentando ligar para alguém para saber se precisavam de reforços.
Mitsuyoshi tentou disfarçar o ombro, mas estava impossível. Sindou não demorou a perceber.
— Está machucado? — perguntou, atraindo a atenção de todos para o violeta.
Mitsuyoshi suspirou.
— Sim... estou — confirmou. -, foi quando o elemento de Yoshihiko saiu de controle.
Shindou acenou com a cabeça.
— Aoi foi com Kirino e Kurumada para Seidouzan, e Nishiki já deve estar lá, mas... acho que você deveria ir para sua casa — Shindou disse. Aoi tinha o elemento cura, podia ajudar, mas temia que aquele lugar estivesse perigoso para o violeta e para qualquer um, preferia não arriscar.
— Mas... — Mitsuyoshi queria retrucar, mas não encontrou argumentos.
— Você já fez bastante até agora, já passou por muita coisa. Pode deixar com a gente agora — Shindou sorriu. — Quando terminarmos com Seidouzan, vou falar para Aoi ir até sua casa para curar seu ferimento.
Mitsuyoshi acenou com a cabeça, relutante, e deu meia volta, em direção a sua casa enquanto Shindou e os outros continuaram com o que faziam.
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