Os Sobreviventes

17 Surpresa ruim.


Notas iniciais
Apenas chorei com as ultimas linhas, espero que consiga tocar seus corações.
*Dica: ouçam uma música bem triste para chorar de vez, assim como eu fiz.
(usei talking to the moon- Bruno Mars, acho que funciona)
http://letras.mus.br/bruno-mars/1683317/traducao.html#legenda

Espero que gostem, até as notad finais.

Eu corria aos prantos, não sabia o porquê, mas estava apavorada, e, acima de tudo, com muita raiva. Dobrava muitas ruas e varava no deserto, onde as areias misturavam-se com o vento e enrolavam-se em minhas roupas. Alguem estava atrás de mim, eu só via a esfera prateada em seus olhos, onde deveria estar a cor, a saúde da vida humana. Eu sentia dor, corroía por dentro, ardia, sangrava, devastava. Não reconhecia o rosto, estava escuro, mas sabia quem era. Ele não me atacava, não me feria, não fazia nada além de me olhar.

- me desculpe – pedi.

Chorei ainda mais, puxei a faca e pulei na pessoa, pronta para arrancar seu ultimo suspiro de vida.

Senti dedos carinhosos afagando minhas costas, despertando-me delicadamente de meu sonho terrível, livrando-me da agonia em meu momento de descanso.

- Jamie? – sussurrei

Ele me olhou, parecia surpreso e um pouco culpado.

- desculpe, eu não queria te acordar – falou baixinho.

Funguei, ele percebeu que eu não estava nada bem e mordeu o lábio de preocupação.

- o que houve? – perguntou

Fechei os olhos, as imagens passando na minha mente.

- pesadelo – respondi por fim.

Ouvi seu suspiro, abri os olhos, Jay me observava, esperando.

- eu sonhei com Daniel – falei

- ah – disse apenas.

Ah foi o ideal, sentei na cama, ele ficou me observando.

- Jamie, eu o matava – ofeguei

Ele arfou, senti seus braços me envolvendo, minha cabeça tombou em seu ombro.

- sinto muito – falou – foi só um sonho.

- eu sei – falei – mas foi tão real.

Ele soltou uma expiração pesada, respirei fundo e aconcheguei-me melhor em seus braços, curtindo contato que gerava um calor agradável.

- não quero mais falar disso – falei – e você, dormiu bem?

Ele deu um sorriso levemente malicioso, sorri da mesma forma.

- dormi muito bem – respondeu – foi um belo de um boa noite.

Ri, ele sorriu e colocou uma mecha de meus cabelos para trás da minha orelha, seu polegar afagou minha bochecha enquanto eu lembrava do dia de ontem e corava.

- por que está corando? – perguntou

Lancei-lhe um olhar sugestivo, ele tambem corou.

- ah, isso – respondeu sua própria pergunta – você gostou?

- claro – respondi – teria gostado mais se tivéssemos concluído a missão, mas foi uma boa abordagem.

Ele riu do meu modo de falar, foi o jeito que eu achei para descontrair um pouco, apesar da vergonha que eu sentia no momento.

- se queria concluir a missão – falou – por que paramos?

Olhei em seus olhos, ele parecia estar se divertindo com o diálogo.

- antes que seu soldado invada o território hostil, é preciso uma varredura de segurança, para saber se a área é segura – respondi – pode ter armadilhas ou minas terrestres, não queremos baixas, queremos?

Ele riu, sorri.

- não se preocupem, meu soldado está no caminhão, só esperando o chamado do mestre – falou

- chefe – corrigi

Ele riu e me beijou, foi um beijo rápido, porém agradável e doce. Separei nossos lábios, Jamie estava com a expressão divertida de sempre.

- vamos? – perguntou – temos que deixar tudo pronto, a colheita á na semana que vem.

Assenti, ele levantou e estendo a mão para mim, aceitei-a de bom grado. Jamie me deu um puxão, acabei indo parar em seu peito, com seus braços em volta da minha cintura.

- um beijo não vai matar ninguem – falou – embora, atice meu soldado.

Ri, ele sorriu e me beijou, muito mais intensamente desta vez, com sua lingua sendo mais voraz do que doce. Separei nosso labios, quem disse que ele queria? Jamie me puxou outra vez, beijando com ainda mais força e intensidade.

- eu te amo – falou por entre meus lábios, ainda me beijando.

- eu também te amo – respondi da mesma forma.

Ele sorriu no beijo, seus lábios repuxaram-se sobre os meus, fiz o mesmo e ele me apertou pela cintura, como amava fazer. Ele separou nossos lábios, suspirei com um sorriso no rosto, amava mesmo Jamie.

- tem certeza de que precisamos ir? – perguntei – seu soldado não quer fazer uma vigia antes do terreno ser liberado para o combate?

Seus olhos brilharam, ele sorriu ainda mais.

- sabe, acho que eles vão se virar bem sem dois ajudantes – falou – e quanto ao meu soldado, ele adoraria fazer uma visita á área antes do combate.

Ri, ele me jogou na cama e começou á me beijar vorazmente, atacando-me com seus beijos irresistíveis. Suas mãos passeavam por meu corpo, seus dedos corríam na minha pele, sentindo a textura macia que eu mantinha só para ele. Senti seu coração batendo como um louco contra seu peito, o meu estava no mesmo passo, talvez pior, Jamie não sabia o que provocava em mim, e estava bem perto de saber. Jamie mordia devagar meus ombros, passando a mão nas minhas nádegas, acariciando minhas extremidades, quase chegando ao orifício. Ajeitei-me na cama, jogando a cabeça para trás enquanto Jay beijava meu pescoço, devagar e com carinho, provocando-me com seu soldado ganhando vida.

- Jamie! Bonnie! – chamou Jered do lado de fora – venham trabalhar, tiveram a noite inteira para isso, podem parar um segundo.

Jamie tirou as mãos da minha bunda bem no momento em que sua irmã e seu cunhado entraram no quarto sem o menor senso de etiqueta, jogando água em nós.

- hey! – protestei

- eu não entro no quarto de vocês quando ouço barulhos! – reclamou Jamie – não pensem que eu não sei o que fazem!

Melanie ficou rosa, literalmente, seu rosto podia ser comparado á pele de um boto cor de rosa.

- Jamie! – ralhou – onde aprendeu essas coisas?

Jamie lançou um olhar conspirador á Jered, ele fechou a cara, mas logo aparentou um pouco de medo quando Melanie deu dois passos em sua direção com as mãos fechadas em punhos bem apertados.

- disse isso á ele? – perguntou

- o que? Você não diria – protestou – queria que ele ficasse para trás? Jamie namora agora, precisa saber algumas coisinhas.

Melanie arregalou os olhos, corei furiosamente enquanto Jamie avançava para tentar matar Jered.

- não consegue calar essa sua boca enorme? – rosnou

Não me contive, ri um pouco, escondendo o rosto na mão enquanto assistia a cena. Jamie, quase da altura de Jered, tentando mata-lo, Melanie tentando avitar, e Jered, tentando não rir.

- chega disso – disse Jered – não precisa encândalo, todo mundo sabe o mistério da cegonha, ninguém aqui precisa de lembrete.

Todos me olharam, arregalei os olhos e adquiri a cor dos raios solares.

- Hey, não me olhem! – protestei – acho melhor irmos todos para a plantação.

Jamie se acalmou um pouco, Melanie respirou fundo e olhou para Jamie e para mim em um único movimento, tentando decidir se seu garotinho ainda era um garotinho mesmo. Jered apressou-se á sair, com Mel em seus calcanhares. Jamie bufou e fechou a porta e me olhou, pareceu relaxar ao ver que eu estava á ponto de explodir em risadas.

- desculpe por isso – falou – gostaria um pouco mais deles se não tentássem me envergonhar na frente de todos.

Dei de ombros, ele sentou na cama.

- eles te adoram – falei – faz parte do manual, sempre precisamos de alguém para tirar onda.

Ele revirou os olhos, levantei e peguei roupas limpas para depois do banho.

- se não formos logo, eles podem voltar – falei

Jamie estava pensativo, encarando o chão, em silencio.

- Jay? – chamei

Ele levantou o olhar, pereceu hesitar antes de sorrir.

- tudo bem? – perguntei

- sim – respondeu – eu vou te ajudar.

Ele levantou e pegou uma roupa para ele também, deixando-me com a obrigação de arrumar a cama (um dia meu, outro dele, hoje era meu dia). Terminei, Jamie estava olhando para o nada, pensativo.

- ei – estalei os dedos, chamando sua atenção – o que foi?

Ele negaria, mas eu fiz uma carinha.

- é que eu to com um pouco de dúvida – resmungou – somos jovens demais?

Suspirei, Jamie parecia mesmo ter dúvidas.

- para falar a verdade, eu não tenho a mínima ideia – respondi – eu queria guardar para o meu casamento, mas, você sabe, não vou ter um nesse mundo.

Ele me olhou, encarei o chão.

- não gosto muito de falar nisso – resmunguei – acho que quando chegar a nossa hora, ambos vamos estar prontos.

Ele assentiu e sorriu um pouco, aproximei-me dele e entrei no meio de seus braços, deitei a cabeça em seu ombro, fechei os olhos enquanto ele me apertava delicadamente, abraçando-me com ternura. Ele me embalou lentamente, como em uma dança sem música, apenas com o ritmo de nossos corações como sonoplastia.

- eu amo você – falei bem baixinho.

- eu também amo você – falou no mesmo tom de voz.

Abri os olhos, ele encostou a cabeça na minha, descansando seu rosto em minha testa, esquentando meu rosto de uma maneira agradável.

- sabe, se continuarmos assim, eu vou dormir – falei

Ele riu e me soltou, sorri, ele beijou a ponta do meu nariz.

- vamos lá – chamou

***

O resto do dia passou rápido, passamos o dia todo cuidando da plantação, em breve colheríamos, deu um bom trabalho, mas garantiu um sorriso de Geb no fim do dia. Jamie estava suado e cansado, assim como eu, então decidimos tomar um banho, juntos. Foi um evento um tanto comportado, depois daquela conversa, Jamie parecia ter esquecido disso. Comemos junto com os outros na cozinha, depois, Jamie me levou á caverna dos vagalumes, onde estamos agora.

Ele está com as costas encostadas á parede de pedra, eu estou deitada em suas pernas, com seus braços ao meu redor, gerando um calor agradável e bem vindo.

- sabe, eu acho que estou apaixonada – falei

- por quem? – perguntou, fingindo estar indiferente.

Fiz um biquinho, ele se segurou para não rir.

- não sei, acho que pelo Ian – brinquei – ou talvez o Jack, ele é bonito.

- jura? – ele estava se segurando de ciúmes, eu sabia pela forma como ele me apertou mais, usando seus braços como camisa de força.

- talvez – ironizei – por quem acha que eu estaria? Você?

Ele deu de ombros, depois sorriu.

- eu sei que é por mim – falou

Olhei para ele, fingindo ser mentira.

- não diga nada que não pode provar – falei

Ele riu, prendi o sorriso insistente em um bico.

- sabe de uma coisa? – perguntou

Neguei com a cabeça, ele aproximou o rosto do meu.

- eu posso provar – sussurrou

- pode? – perguntei

- posso – respondeu

Sorri para provoca-lo, Jamie sorriu, aceitando o desafio.

- então prove – sussurrei

Ele não perdeu um segundo, puxou-me em um beijo apaixonadamente carinhoso, tão carinhoso que eu suspirei no ato. Ele sorriu no beijo, claramente satisfeito ao me fazer suspirar, provando para mim que era ele o dono do meu coração. Separei nossos lábios, ele sorria, assim como eu.

- teve provas suficientes? – perguntou

Fingi pensar, ele riu.

- acho que preciso de mais uma – respondi

Ele riu.

- linda – falou, puxando-me para perto.

- perfeito – respondi, sorrindo para ele.

Beijamos-nos, com tanto amor quanto eu pensei ser possível. Sua lingua movia-se de forma incrivel na minha, formando um beijo tão perfeito que a a palavra perdeu seu sentido. Não teríamos separado nossos lábios se não ouvissemos uma balbúrdia (ainda usam essa palavra?) irritante, Jamie suspirou e me soltou, suspirei e olhei para a entrada da caverna.

- o que será isso? – perguntou Jamie

Ouvi diálogos, meu nome no meio. Senti um calafrio.

- eu ouvi Bonnie? – perguntou Jamie

- vamos lá ver – chamei

- vamos – respondeu

Levantamos rápido, eu estava tremendo de nervosismo, pedindo á Deus que fosse quem eu achava que era.

- não podemos... – ouvi relances da voz de Ian

- Bonnie, preciso vê-la – disse alguém, a voz me deu uma tremedeira tão grande que eu pensei que tivesse virado uma vara de bamboo.

- Jake! – gritei

Silencio, disparei pelos corredores com Jamie aos meus calcanhares, minhas lágrimas misturavam-se com minhas risadas aliviadas. O caminho parecia infinito, minhas pernas fizeram um esforço extra, pulei umas caixas em um único impulso, correndo para vê-los. Entrei pulando na caverna central, onde eu entrei pela primeira vez, meu coração parou ao vê-lo.

- Jake! – repeti

- Bonnie! – chamou

Corri e pulei em seu pescoço, Jake me apertou com tanta força que pensei que seria partida em duas, mas nem ligava. Beijei várias vezes seu pescoço, não ligava para nada agora, sentia que meu coração bombeava mais do que meu sangue, bombeava força para abraca-lo. Senti seus lábios beijando meu pescoço, ou melhor, devorando minha pele, com força e saudades. Fechei meus olhos, soluçando alto demais, tão alto que formava ecos nas cavernas, o som se propagando muito, fazendo todas as atenções voltarem-se para nós, não liguei. Respirei fundo, aspirando seu cheiro, sentindo seu corpo, digerindo o que estava acontecendo, era como se eu assistisse um filme. Jake me apertava muito, devia estar de olhos fechados, assim como eu, de tanto alívio. Ninguem disse nada, ninguem podia dizer nada, nada precisava ser dito, apenas sentido. Jake ofegou e me soltou, suas mãos seguraram meu rosto, seus olhos devoraram meu rosto, absorvendo o quanto eu estava feliz em vê-lo.

- Bonnie – chamou

- eu estou aqui – falei, as lágrimas que soltei desfizeram o bolo que estava formado em minha garganta desde a ultima vez que o vi – eu estou aqui com você.

- oh Bonnie – ele ofegou e me puxou em outro abraço.

Acariciei sua nuca, Jake beijou meu pescoço e afagou minhas costas, quase desesperado, assim como eu. Pensei que nunca mais iria solta-lo, não me importava se fosse assim.

- Bonnie – chamou outra voz.

Soltei Jake, Heather andara chorando, assim como eu.

- Heather! – exclamei

Ela soltou um arquejo/risada e me abraçou, a frágilidade dela não a impediu de me apertar como se não houvesse amanhã. Fiz o mesmo com ela, rindo alto, estéricamente.

- eu pensei tanta coisa – ela disse

- eu também Heather – falei

Ela me soltou, sorri muito para os dois.

- eu estou tão feliz em ver vocês – falei

Eles sorriram, Jake parecia ter acabado de tirar o peso do céu de seus ombros. Olhei em volta, faltava um.

- cadê o Daniel? – perguntei

Seus sorrisos se desmancharam, o meu também. Senti um aperto terrível no peito, como se uma mão de ferro estivesse apertando meu pobre coração.

- Bonnie, eu sinto muito – disse Heather

- precisamos te contar algo – disse Jake

Mas eu já havia entendido, afastei-me dos dois, agarrando minha própria garganta, que parecia ter se fechado.

- não – gaguejei

Jake deu um passo á frente, engoli em seco, escancarei a boca, como em um grito silencioso.

- NÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! – gritei tão alto que o deserto todo devia ter ouvido.

Caí de joelhos, ferindo-o. Meu pior pesadelo tinha se cumprido, e única coisa que eu temia me abalou, chocando-se contra meu coração como se tivessem me dado um tiro. Meu irmão se fora.

Eu perdera meu Daniel.

Notas finais
Acabou para mim, fiquei reduzida á um poço de lágrimas. Snif... Snif...
Nãooooo! Por que?
Tá, parei.
Beijos.