Os Sobreviventes
18 Despertando
Notas iniciais
Mandando aqui um beijo especial á Sparckla, que favoritou e me deixou louca gritando pela casa, e á Kathleen Constantino Ferreira, que comenta sempre. Vocês são uns anjos, grande beijo.
Até as notas finais.
POV Daniel.
Eu tive um sonho bem louco, era como se tivesse apagado e acordado dentro de um simulador de realidade.
Eu não senti quase nada, era como estar assistindo á um filme em primeira pessoa, como em um game de Survivor Horror, estava acostumado.
Continuei jogando no simulador de realidade, devo ter imaginado tudo aquilo, Bonnie devia estar no quarto dela conversando com as amigas no celular, esse devia ser um novo jogo, um que aliens invedem o planeta, eu estava controlando um sobrevivente.
Meu avatar andou para a frente, parou na frente de um espelho, vi meu próprio reflexo no espelho, assustando-me um pouco.
Esse jogo é muito louco – falei comigo mesmo.
Meu avatar arregalou os olhos, parecia muito assustado, ou muito surpreso.
- quem está aí? – perguntei, não, não fui eu, foi a minha voz, saiu sozinha.
Cara, que sonho louco – falei outra vez – esse jogo deve ter vendido muito.
Minha mão agarrou minha garganta, mas eu não senti, estranho.
- eu não acredito, meu primeiro hospedeiro, e ele não foi suprimido – resmungou minha voz.
Espera aí, eu era um hospedeiro?
Cara, você roubou o meu corpo! – gritei dentro da minha cabeça – eu quero estrangular você, seu verme inútil de meia tigela!
- ai! Para isso dói! – ele disse, colocando as mãos na minha cabeça – para de gritar!
Só pode ser brincadeira, logo agora que eu beijei a... – forcei minha mente á deletar a imagem, não podia entrega-la.
Parei de gritar, fiquei caladinho, apenas observando o parasita agir com medo. Reclamei meu próprio braço, foi dificil, mas eu fiz minha mão encontrar-se com meu rosto com toda a força.
- ai! – resmungou a minha voz – isso doeu!
Mas eu não senti – comemorei – seu otário, eu posso te bater!
Espera, ainda é o meu corpo, por mais que eu não sinta. Droga, era bom demais para ser verdade.
- fique quieto, logo vou te vencer – disse ele
Vai sonhando – resmunguei – seu ladrãzinho de corpos, seu sujeito imundo!
- ei, ei, ei – disse dando um soquinho na minha cabeça – cale-se, não consigo pensar!
Devolva meu corpo! Eu quero ele de volta! – imaginei-me socando as paredes do bloqueio, forçando-o á sair.
Fiz toda a força que consegui, senti meus horizotes se expandindo, as barreiras se quebrando.
- yeahhhhhhh, eu tô de volta – gritei com minha própria voz – eu mando nesta merda!
Seu palavriado me assusta – disse a voz irritante no fundo da minha mente – a violencia dos humanos me deixa enjoado.
- calado – resmunguei – qual é o seu nome?
Silencio, estalei a lingua e imaginei Bonnie matando uma alma.
Para – implorou aos berros – eu me chamo neve, floco de neve.
- fala sério! – gitei – você roubou o meu corpo, e mudou meu nome para floco de neve? Ficou louco? De que gênero você é?
Sou macho – respondeu – você é o meu primeiro hospedeiro.
- é uma grande honra – ironizei – eu tenho que sair daqui. Onde estamos?
Ele não respondeu, devia estar em algum canto da minha mente, chorando de medo. Suspirei, sentei na cama, muito elegante por sinal e tentei me acalmar, estava no controle mesmo.
- ei cara, eu não sou como você pensa – falei – não vou machucar você
Silencio, olhei o relógio em cima de uma escrivaninha, eram dez da manhã.
- olha, eu vou tentar seu o mais gentil possivel – falei – não precisa ter medo.
Como posso confiar em você? – perguntou
Sorri, silencio dentro da minha cabeça.
- eu te dou a minha palavra – falei – eu só preciso achar minha família.
Ele vasculhou minha mente, vi a imagem da Bonnie aos cinco anos de idade passando lentamente.
Sua filha? – perguntou
- minha irmã – respondi
Silencio, levantei.
- onde estamos? – perguntei
Em um hotel em Detroit – respondeu – vim ser curandeiro aqui.
- boa escolha – aprovei – você tem algum carro?
Tenho algo na garagem – falou – sou um grande fã das engennhocas humanas.
Desci as escadas, algums almas me sorriram. Sorri de volta, sempre fui gentil, a Bonnie que é a cabeça de vento.
Bonnie? – perguntou
- minha irmã – pensei, estava em público, não iria falar sozinho.
Ele vasculhou minha mente outra vez, a mesma imagem da Bonnie voltou á minha mente.
Essa? – perguntou
-sim – falei.
Algumas almas me olharam, disfarcei e fui á garagem. Vários carros bonitos estavam parados, abertos e sem chave, Bonnie faria a festa aqui. Um imagem veio á minha mente, uma moto preta.
- fala sério – encontrei a moto – ela é demais!
sem resposta, estava fazendo o jogo duro comigo.
- cara, eu não preciso de você o tempo todo – falei – pode ficar em silencio, mas é bom responder quando eu falar com você.
E se eu não responder? – perguntou
Sorri de maneira homicida enquanto imaginava a Bonnie matando e espancando outra alma, senti um desconforto, ele deve ter extremecido.
- acho que estamos entendidos – concluí – pode dormir, vou achar a minha irmã.
Subi na moto e liguei-a, o ronco do motor me deu arrepios, que maquina incrivel. Acelerei pelas rua de Detroit, aproveitando a potencia da maquina, me senti o próprio Motoqueiro Fantasma. O vento açoitava meus cabelos, percebi tarde demais que não estava vestindo nada além de uma calça de pijama listrado e uma camiseta azul clara. Definitivamente, hoje não é o meu dia.
Depois de quase uma hora de estrada, resolvi parar para comprar roupas novas, nada melhor do que olhos prateados para arrumar coisas de graça. Entrei em uma loja de artigos esportivos, fala sério, almas jogam golfe?
- boa tarde senhor – disse a moça do caixa.
Forcei um sorriso, lidei como se estivesse em uma entrevista de emprego.
- boa tarde senhora – respondi – belo dia, não?
- realmente, um belo dia – respondeu – posso ajuda-lo?
- pode, procuro algo mais apropriado – apontei para minhas roupas.
- ah – ela entendeu, ficou um pouco alarmada, mas fiz meu melhor olhar inocente.
- posso olhar? – perguntei, indicando as araras de roupas com os dedos.
- fique á vontade – respondeu com um sorriso enorme.
Era facil gostar das almas, mas tentei não deixar isso me atrapalhar. Remexi nas roupas até achar algo que gostei, uma calça jeans azul, uma camisa preta e uma jaqueta de couro que faria inveja até á Bonnie.
Inveja? – perguntou a alma
- um sentimento muito feio – respondi
Ah – disse – como é?
- é querer algo que não te pertence – respondi – tipo, um corpo.
Muito engraçado – suspirou – acho que vou enlouquecer aqui, por que não me deixa ver suas memórias?
- muito pessoais – respondi com os dentes cerrados – agora, por que não fica quieto?
Silencio, suspirei agradecidamente. Levei as roupas ao caixa, não precisei pagar, e ainda ganhei um sorriso enorme da mulher.
- obrigado – falei para os dois, a moça e á Floco de Neve.
- não á de que senhor – respondeu a mais educada – volte sempre.
Acenei e saí da loja, procurei a moto e não perdi um segundo sequer, tinha que achar minha irmã.
Como vamos acha-la? – perguntou Floco de Neve
- eu vou ao deserto, procurar por ela, não vai ser tão dificil agora que não preciso mais me esconder – pensei – acho que vou te usar como uma vantagem.
Bom saber que sou útil – falou, foi sincero, almas não sabem usar ironia – mas pode, por favor, usar o “nós”? Somos um só agora.
- isso me soou meio suspeito, mas ninguem vai saber que estou dividindo minha mente com você – falei – tudo bem, vamos ao deserto.
Achar nossa irmã? – pude imagina-lo sorrindo
Sorri de forma ironica, ninguem viu através do capacete da moto.
- calma garoto – falei – ela não é a sua irmã, não vou dividi-la com você.
Não é como se eu fosse ter envolvimento físico com ela – falou com calma – deveria parar de ser autoritário.
- calado verme – resmunguei – a irmã é minha, não sua.
Mas, eu estou no seu corpo, sinto o mesmo que você – ponderou – também vou amar a sua irmã quando vê-la.
Trinquei os dentes, não queria que Bonnie tivesse contato algum com uma alma.
Isso não foi muito gentil – resmungou
- dane-se – respondi
Pode, por favor, melhorar seu palavreado? – pediu – eu não gosto dessas palavras.
- dane-se – repeti – dane-se e dane-se outra vez, silencio, estou dirigindo.
Silencio, suspirei de alívio. Era horrivel ter que dividir sua própria mente com alguem, ele poder ler seus pensamentos, revirar suas memórias.
Realmente, sua Heather é muito bonita – falou
Vi o rosto sorridente de Heather passar em minha mente, seu sorriso lindo me acalmou, mas não me livrou de ficar com ciúme.
- não te quero revirando minhas memórias – rosnei
Silencio, devo ter passado o recado.
Se vamos passar um tempo juntos, quero saber mais sobre você – falou inocentemente
- quer saber de mim? Beleza – falei
Resumi a minha vida em quinze minutos, cortei a minha família, não confiava totalmente nele. Evitei pensar em Bonnie, caso ele recuperasse o controle, não reconheceria ela se a visse.
Sua mãe era realmente muito gentil – comentou
- era, até um de vocês roubar seu corpo – resmunguei
Estrelas não deve ser tão má – ponderou – é uma alma, deve estar muito bem.
- isso não importa, ela tirou minha mãe de mim – rosnei de irritação – não pode ver isso?
Silencio mental, ele deve estar refletindo.
- deixa isso para lá, você já sabe quem eu sou – falei – agora, não revire mais minhas memórias. E a Heather não é para o seu bico.
Calou-se, respirei fundo e acelerei até a moto atingir sua potência máxima.
Devo estar muito longe dela, mas vou encontra-la, nem que morra tentando.
Notas finais
* Vou fazer uma nova fic, aviso quando tiver postado. É uma original, completamente inventada por mim. O que acham, posto?
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