Notas iniciais
Olá Demorou mais saiu. Ficou difícil agora, porque vou começar os estágios na clínica e tenho que estagiar de noite ¬¬ E tbm (como se fosse pouco) tenho quatro finais de semanas aulas de Libras. Haha sim, vc nao leu errado. Mas enfim, às minhas tres leitoras fofas, incluindo vc Catherine (desculpe se escrevi errado), desculpas pelo atraso. Vou tentar postar no tempo certo os proximos. Embora esteja difícil haha Enfim, boa leitura.

Cap. 36

Biloxi, Mississipi

Casebre abandonado

1902

Alice estava tremendo em pavor. O suor escorria pela lateral de seu rosto, bem em sua têmpora. A luz que adentrava as janelas altas a proporcionava claridade o suficiente para conseguir ver todas as fissuras do rosto daquele homem asqueroso.

Estava à milímetros de seu rosto.

Alice sentia-se humilhada e envergonhada. Estava exposta daquela forma àquele homem e nada podia fazer a respeito. Queria desesperadamente se cobrir. Queria mandar ele parar de olhá-la da forma maliciosamente selvagem como o fazia.

Seus busto não era apreciação pública para que ele ousasse pousar seus olhos ali.

Se sentia-se enojada apenas com seu olhar, o que faria quando ele fizesse coisa pior?

Um soluço alto escapou da garganta dela, e então ela percebeu que chorava descompassadamente.

Neste momento, sentiu o frio da lâmina do punhal dele bem em seu pescoço.

_ Se fizer qualquer movimento, minha preciosa, vou afundar esse punhal em seu pescoço e fazê-la sangrar até morrer – ele sussurrou docemente em seu ouvido, antes de aspirar com força o cheiro que ela tinha ali.

Alice estremeceu novamente, mas não era como aconteceia quando era Jasper quem fazia aquilo.

O que havia nela era puro e cruamente o medo.

_ Por favor... por favor não.... – ela escutou a própria voz sair em um fio quase morto.

Ele riu em seu pescoço, afundando um pouco mais a ponta da faca em sua carne. Alice se encolheu pela dor que começara a sentir ali. Seu sangue começou a correr em suas veias e artéria com tanta força que ela começou a pensar que não precisaria que ele lhe furasse a pele para que ela começasse a sangrar.

Enquanto uma das mãos dele segurava fortemente o punhal em seu pescoço suado, a outra ele encostou em seu braço. Tamborilou seus dedos ásperos por sua pele, como se a quisesse reconhece-la, para depois marca-la.

Alice soluçou outra vez.

O coração voltou a bater forte no peito.

Ele parou sua mão em seu torso desnudo. Espalmou seus dedos, como se quisesse abranger uma maior área de sua pele pálida.

Alice tentou se retesar, mas quanto mais ia para trás, mas a ponta do punhal adentrava ali. Quando ele desceu um pouco mais a mão, ela voltou a chorar compulsivamente, sentindo sua pele queimar dolorosamente.

Era quase um ardor de asco.

Ele emoldurou seu seio com a mão, apertando-a em seguida. Ela ouviu ele murmurar um gemido por detrás da boca encoberta de uma barba grossa e grotesca.

Ela grunhi de ódio, apertando a mandíbula tão fortemente que temeu quebrar seus dentes.

Enquanto ele a tocava nos seis, sua boca veio de encontra à dela.

_ Não! – ela tentou protestar, mas ele já estava com a vantagem há muito tempo. Colou sua boca na dela com força, e ela sentiu sua carne doer. Manteve os lábios fechados, colados um contra o outro a fim de não permitir que adentrasse em sua boca. Sentiu quando ele passou a língua ali, tentando fazê-la abrir-se para ele. Por alguns momentos, Alice pensou na possibilidade de deixar que ele lhe cortasse o pescoço de uma vez.

Ao longe, ela podia escutar os zunidos incessantes das balas cortando os ventos. Fechou os olhos, desejando que uma delas a encontrasse.

Mas quem não estava desejando o mesmo era Peter, embora seus desejos não fizessem diferença, pois via alguns cartuxos caírem bem perto deles. Olhou para Jasper por todas as vezes, mas este estava concentrado demais em sua procura pelas pequenas perolas coloridas dispostas pelo caminho que tomavam, para se importar com as balas que zuniam no céu acinzentado.

_ Mais uma – disse ele para si mesmo. Havia outra pequena perola colorida no caminho que eles tomavam. Reluzia à luz do sol, enfeitando de verde a amarelada decoração do capim seco.

Já estava seguindo o caminho feito pelas pérolas há cerca de meia hora, e ambos esperavam que dessem em algum lugar plausível. Que realmente existisse a lógica que eles viam, e que não fosse apenas a mente desesperada deles lhes pregando uma peça.

Mas seus pensamentos duraram apenas mais algumas passadas, pois ao desviarem de um amontoado de galhos retorcidos e podres, adentraram em um novo espaço, um pouco mais aberto. O capim ali era mais baixo, mal ultrapassando os joelhos dos dois homens.

Porém, o que realmente lhes roubou a atenção fora a construção um pouco mais à frente. Era um galpão velho, com telhas aos pedaços e janelas penduradas, de tão enferrujadas que estavam suas dobradiças. O matagal já crescia em torno da carcomida construção, ameaçando consumi-la.

_ Aquilo é um galpão de ferramentas? – Peter indagou olhando para Jasper, que havia parado, observando a situação.

_ Me parece – fez Jasper, a voz austera. Ao fundo, os zunidos de balas iam ficando mais próximos gradativamente.

_ Bem, eu acho que.. Hey! – Peter exclamou de repente, e apontou com o dedo levemente torto para um ponto um pouco à frente deles – Outra!

Jasper olhou abruptamente para onde o amigo apontava, enxergando a pequena pérola rósea que descansava na terra árida. Andaram rapidamente até lá, recolhendo-a também. Jasper voltou a olhar para a frente, onde havia apenas a velha construção e muito mato morto. Algo em um ponto de sua cabeça fervilhante lhe disse algo.

Toda a sua jornada tinha algo a ver com aquele local em que estavam.

Assim, Jasper recomeçou a andar, os passos mais rápidos, porém mais astutos e silenciosos. Não demorara para encontrar outra pérola, que a guiara mais para perto do ponto em questão.

_ O que acha que há ai? – Peter disse com a voz baixa. Jasper reconheceu um Peter cauteloso.

Era um lugar desconhecido em tempos perigosos. Haviam certos cuidados a se tomar.

_ Não sei – Jasper murmurou em resposta, semicerrando os olhos – Talvez haja alguma pista de Alice ali.

_ Ou talvez – o outro se inclinou um pouco em sua direção – Talvez seja uma armadilha – o olhar de Jasper vacilou um pouco – Talvez hajam macacos ai esperando nós chegarmos.

Jasper pareceu refletir, pensando que, se fosse mesmo do jeito como falava o soldado, eles teriam pouquíssimo tempo de reação. Talvez, ele pensou, até já os tivessem visto.

_ Vamos nos aproximar, Peter – disse ele – Vá com cuidado – segurou a pistola fortemente, tomando cuidado em onde seu pé pisava – E fique preparado para tudo.

Peter assentiu silenciosamente, erguendo um pouco sua pistola à altura do queixo, semicerrando os olhos para as fendas entres as madeiras.

Não escutava nenhum barulho vindo de dentro do galpão maltratado, o que parecia reforçar em suas mentes que era apenas um lugar abandonado.

As balas pareciam seguí-los.

Com cuidado, passadas astutas e os sentidos em alerta total, Jasper e Peter alcançaram uma das paredes laterais. Não havia acontecido nada, o que, de certo modo, era bom.

Assim, sabiam que aquilo não poderia ser uma tocaia.

Peter se apoiou na madeira, olhando em volta. Parecia compenetrado mais na guerra que acontecia em algum ponto além do matagal e das árvores altas que haviam por ali.

Porém, Jasper não estava se importando com o que acontecia ao seu redor. Se apoiou em uma das madeiras e se aproximou da pequena fenda que jazia entre uma tábua e outra. Um de seus olhos verde-envelhecido se prostrou ali para que ele pudesse ver o que havia lá dentro.

Se havia algum sinal de Alice.

Porém, o que viu fora muito mais do que um simples sinal de Alice. Sentiu quando instantaneamente todo seu corpo enrijeceu. Primeiramente fora pela excitação em reconhecer Alice ali dentro.

Porém, meio segundo depois, a excitação dera lugar a uma fúria assombrosa.

Peter escutou um rosnado ameaçador ao seu lado e viu que vinha do amigo.

_ Jasper? – indagou ele, mas viu que o amigo não estava em estático. Estava em choque com algo que via pela fenda – O que diabos... – ele praguejou baixo, imitando-o. Mas percebeu, no minuto seguinte, que havia motivo para o comportamento de Jasper.

Dentro daquele galpão velho e empoeirado, estava Alice e Fortunato. Ele viu o momento em que o homem emoldurava uma das mãos em um dos seios dela que estava descoberto. Alice chorava descompassadamente, um punhal fincado na pele branca de seu pescoço. Estava imóvel, enquanto Fortunato estava afundado em sua clavícula, beijando sua pele com desespero.

E suas mãos a tocavam de modo indecente e bruto.

_ Oh meu...Deus! — ele exclamou tropegamente. Mas não podia se dar ao luxo de se importar com a sua indignação. Pois, ao olhar para Jasper, vira que teria ser rápido.

_ Alice... – Jasper conseguiu sussurrar para si mesmo. Parecia completamente em choque. Mas Peter sabia que esse choque de momento acabaria antes de uma piscadela, e então temia o que viria à seguir – Minha Alice...! – sua voz aumentou de entonação e, dessa vez, a fúria chegou à sua expressão como um relâmpago. Outro grunhido feroz saiu de sua garganta e ele trincou os dentes. Peter vira os dedos do amigos se apertarem com força no gatilho da pistola dele, a ponto de quebra-los.

E tudo aconteceu rápido demais.

Antes que Peter pudesse diz qualquer coisa que fosse, viu Jasper correr, contornando a parede em que estavam até alcançar a porta entreaberta do galpão. Seguiu o amigo de imediato até que este irrompesse pela porta com toda a força que não sabia que ele possuía.

_ Seu desgraçado imundo! – Jasper gritou à plenos pulmões, apontando a pistola para a cabeça de Fortunato – Tire essas mãos asquerosas dela!

_ Alice, abaixe-se! – Peter gritou por cima da voz de Jasper enquanto Alice e Fortunato viravam-se assustados para a porta.

Alice mal escutou as palavras de Peter e abaixou-se no mesmo segundo, caindo no chão. Acima de sua cabeça, escutou as balas disparadas por Jasper irem em direção à Fortunato. Escutou um grito ensurdecedor e vira quando ele cambaleou e caiu, engatinhando-se para trás de um enorme armário podre.

Ela assustou-se com o que via. Jasper ia atrás dele, disparando balas em sua direção. Mas não demorou para que ela escutasse Fortunato atirando também.

Ele também era suficientemente armado.

_ Jasper! – Alice gritou do chão por cima dos zunidos agudos das balas e os gritos altos que eles davam. Parecia uma luta de ursos. Desesperou-se em ver Jasper e Fortunato trocando tiros.

Temeu que algum deles acertassem o soldado.

_ Alice!

De repente, ela sentiu mãos ásperas e duras apertando seus ombros e tentando movê-la de seu lugar. Ela olhou para o lado de imediato, pronta para tentar se defender de quem quer que fosse.

Mas quando seus olhos focalizaram no rosto à poucos centímetros dos seus, ela o reconheceu rapidamente.

_ Sr. Collins! – ela exclamou, com um alívio tão obvio que ela quase riu. Em volta deles, uma nuvem de poeira se erguia, escurecendo a visão.

Peter rolou os olhos rapidamente pelo corpo dela, verificando algum ferimento urgente. Alice percebeu como seus olhos passaram sem realmente olhar para seus seios descobertos e ela gradeceu por isso. Havia um modo muito respeitoso na forma como ele se referia á ela, mesmo diante do desespero da situação. Ela entendeu aquilo como respeito ao amigo.

E neste momento ela se virou para alguns estrondos de coisas caindo ao chão e se quebrando.

_ Está ferida? – Peter indagou, enquanto pegava um punhal afiado e cortava as cordas de arame que rodeavam seus pulsos e tornozelos.

Alice meneou a cabeça, preocupada com seu marido.

_ Jasper! – ela o chamou por cima do barulho, porém sem muita esperança de seu ouvida. Sua voz estava embargada e sua garganta rouca.

_ Alice? — Alice se virou para a voz de Peter, estremecendo quando uma bala acertou o pé da mesa, próximo demais da onde eles se encontravam. Peter tirou o casaco que ele próprio usava e o entregou à Alice – Pegue Alice, vista isso – disse ele atenciosamente, sabendo que ela deveria estar se sentindo desconfortável por estar nua daquela maneira.

Sabia, também, que Jasper esperava aquilo dele.

Alice assentiu de imediato e pegou a vestimentas das mãos dele. Se vestiu e sentiu-se muito melhor, pois cobria-lhe muito de seu corpo.

Peter era tão alto quanto seu marido.

_ Precisamos ajudar Jasper! – ela se dirigiu para ele em desespero – Fortunato é um monstro, Peter, ele fará alguma coisa com ele!

_ Eu preciso ajudar Jasper, Alice – ele a intercalou, segurando-a pelos ombros – Você precisa encontrar um lugar seguro e se esconder!

_ Não! – ela negou aquela hipótese no mesmo segundo, sentindo o peito doer apenas de imaginar não podendo ajudar seu marido – Eu preciso ir ajuda-lo! – ela fez menção de se virar e se erguer, mas Peter a fizera voltar com as mãos fechando-se mais em seus ombros.

_ Você não irá ajudar Jasper colocando-se em perigo! – ele a repreendeu, enquanto ela soluçava. Alice, automaticamente, lembrou-se que já havia feito aquilo ao ir atrás de Fotunato para saber a verdade. Agora, ali estavam eles.

_ Mas...

_ Mas nada, Alice – ele meneou a cabeça para ela – Como acha que ele vai ficar se acontecer alguma coisa com você? — Alice sabia que aquilo era verdade. Distrairia muito à ele se ele precisasse protege-la – Jasper me disse o quanto é inteligente e ousada – ele sorriu ternamente para ela, e Alice se sentiu horrível outra vez. Isso porque se afeiçoara á Peter, principalmente, e também o colocara naquela situação – Ousada já percebi que é – ele riu, e ela o acompanhou inevitavelmente, ambos sabendo que ele se referia à sorte bastarda da situação em que se encontravam – Agora seja inteligente como ele tanto diz que é e faça o que estou lhe mandando!

Alice engoliu rapidamente as palavras, pois quase o retrucou petulantemente, dizendo que ele não mandava nela.

Era uma reação automática, pois sempre detestou que mandassem em si.

Mas aquele não era o momento para ataques de birra. Haviam coisas demais em perigo ali para ela se importar com um orgulho estúpido.

_ Por favor, Peter, ajude ele – ela murmurou, enquanto ele preparava a pistola dele – E tome cuidado.

Peter assentiu e dirigiu-lhe um sorriso cúmplice. Então, acenou para um amontoado de madeira velha, que Alice reconheceu como sendo um armário destruído e abandonado. Assentiu rapidamente e engatinhou até lá, escondendo-se entre o amontoado de coisas.

A única coisa que poderia denunciar sua presença ali era o brilho de cólera presente em seus olhos naquele buraco escuro.

Ao fundo, começou a escutar gritos altos e agudos, e o zunido de balas que pareciam que não acabariam mais. Parecia que havia uma manada inteira de elefantes se aproximando rápido dali.

Alice se encolheu um pouco mais dentro no casaco de Peter e do armário quebrado e rezou baixinho para que tudo acabasse rápido.

_ Morram, malditos macacos! – ela começou a escutar urros vindo do lado de fora, enquanto podia sentia os conjuntos de passos se aproximando. As balas passaram a acertar o velho galpão, quebrando algum resto de vidro de alguma janela, acertando a madeira das paredes que rodeavam ela, Jasper, Peter e Fortunato ali dentro.

Ela gritou de susto quando a porta mal pendurada do armário que estava escondia teve seu trinco estourado por uma bala e caiu largado ao chão. O barulho fora oco, e a poeira não tardou a subir, empesteando as roupas e grudando-se como cola nos cabelos e no rosto.

Ali dentro, Alice viu o momento em que Jasper jogara a pistola em algum canto, provavelmente por que as munições haviam se esgotado. Fortunato atirou em sua direção repetidas vezes.

_ Jasper! – ela gritou em desespero, porém tentou manter a calma, pois aparentemente nenhuma das balas havia acertado-o.

De repente, Peter chegara por trás de Fortunato, agarrando-lhe o pescoço com uma chave de braço.

Fortunato rosnou como pôde, mas Alice deduziu que ele não poderia fazer mais do que aquilo, uma vez que o ato de respirar parecia ter sido tirado abruptamente dele. No mesmo segundo, Jasper o desarmou, jogando a pistola para longe de seu alcance. E, então, deferiu-lhe um golpe no estômago, roubando-lhe o restante do ar já em falta em seus pulmões. Mas não esperou que ele se recompusesse e seu punho já ia de encontro ao rosto barbudo do homem.

_ Oh meu Deus! – Alice sussurrou para si mesma com a força e a brutalidade do golpe. Poderia ter jurado que havia escutado o estalo de alguma coisa se quebrando dentro da boca de Fortunato. Algo pingava de lá quando ele caiu sobre a mesa, tentando se segurar quando Peter o soltou.

Sangue?

Alice se assombrou. Nunca tinha visto Jasper daquela maneira. Nunca havia visto ele bater em alguém.

Ao menos, não com aquela crueldade.

Obviamente que também nunca havia visto tanta raiva nos olhos do marido como havia visto quando ele entrara ali dentro. Anos no exército certamente lhe havia dado uma destreza e uma frieza que não poderia ser medidas.

Um arrepio involuntário passara por seu corpo.

Era o lado soldado furioso que não conhecia de Jasper. Porem, ela temeu por sua integridade, também, pois Fortunato poderia não ser um exímio lutador como Jasper e Peter, mas dava dois em tamanho, força e crueldade.

E se fizesse alguma coisa para ele?

Fora neste exato momento que alguém adentrou abruptamente o galpão, apontando a pistola na direção deles. Alice o reconheceu quase que imediatamente.

Era um dos homens que havia levado ela até Fortunato.

_ Olha o pipoco dos tiros! – ele gritou, afinando a voz propositalmente e dando um riso débil. Parecia extasiado com tudo que acontecia. Disparou três tiros em direção aos três, mas a intenção era acertar Peter ou Jasper.

Jasper conseguira se abaixar à tempo, porém Peter não fora tão rápido e um dos tiros pegou em seu braço.

_ Maldição! – ele grunhiu entre os dentes, caindo ao chão com a mão contrária ao tiro segurando seu braço ferido.

_ Peter! – Jasper gritou para o amigo, do outro lado do galpão. Fortunato parecia trôpego ao chão, ainda, e, por causa desse fato, Jasper correu abaixado até o amigo – Deus, Peter, como está? – perguntou com a voz firme, porém um tanto preocupada.

Não podia perder nenhum dos amigos que lutava naquele dia. Apenas assim se sentiria vitorioso.

_ Estou sangrando e estou com dor, tonto! – riu ele entre uma lufada de ar e outra – Pegou apenas de raspão – disse ao tirar a mão de cima do ferimento, olhando-o do mesmo modo que Jasper – Eu e esta sorte maldita – murmurou ainda abaixado, enquanto o homem atirava na direção que eles estavam, porem sem poder acertá-los, pois estavam atrás de uma mesa quebrada.

_ Tem mesmo uma sorte maldita, não? Caso o contrário, teria sido no seu traseiro– Jasper riu junto com ele, aliviado em ver que era apenas mais tiro de raspão. Ele e Peter faziam coleção de cicatrizes de tiros como aqueles, pois sempre ganhavam um de presente em todas as lutas em que participavam.

Neste momento, ouviram os passos do homem se aproximar rapidamente. Quando ergueram as cabeças, ele os olhava com seu olhar alucinado e seu sorriso perverso.

_ Puta merda – Peter murmurou no segundo que o viu. O cano da pistola estava apontado para sua cabeça. Jasper arregalou os olhos, tentando se preparar para reagir de alguma forma e impedir que morressem.

O homem riu alto e então apertou o gatilho. Tanto Jasper quando Peter sentiram o coração parar por segundos dentro do peito. Peter por antecipar a dor da bala perfurando sua cabeça; Jasper estarrecido em estar prestes a ver aquele homem estourar os miolos do amigo à sua frente.

Porem, escutaram apenas um tic oco.

Os três pararam em suas posições, tentando entender o que acontecera. Até que o entendimento pairou sobre eles e souberam. Não havia mais balas naquela pistola.

O homem havia as gasto atirando descontroladamente desde o momento em que entrara.

_ Oh, filho de uma égua! – rosnou o homem, jogando a pistola inútil em algum canto. Mas antes que conseguisse alcançar outra de suas armas que pendiam em seu cinturão dentro do casaco puído, Peter avançou para cima dele, caindo com ele ao chão forrado de estilhaços de madeira quebrada.

Jasper então se preparou para ir ajudar o amigo. Mas Alice viu o momento em que Fortunato se aproximava das costas dele com seu punhal em mãos.

_ Jasper, cuidado! – ela gritou, levantando-se trôpega de seu lugar para fazer alguma coisa.

Ao escutar a voz inconfundível de Alice, Jasper se virou para trás, tentando encontra-la, e apenas assim vira o enorme e furioso homem atacar-lhe pelas costas.

Fortunato e ele se embolaram ao chão, em uma intensa luta corporal.

_ Oh não! – Alice começou a jogar algumas madeiras podres do redor do armário velho onde estava escondida para ir até lá ajudar seu marido.

_ Alice, fique aí onde está!- ela o escutou ordenar-lhe com uma voz gutural, enquanto lutava contra as mãos pesadas de Fortunato que tentavam se fechar em torno de sua garganta.

Alice bateu o pé, inconformada em ter que ficar escondida enquanto os dois lutavam ali. Porem, voltou-se rapidamente para seu lugar quando o corpo de um homem fora jogado logo ali, na entrada do galpão, bem próximo do canto onde ela estava. Seus olhos estavam arregalados e fixos, e seu corpo encoberto de um sangue sujo.

Estava morto.

_ OH! – Alice tapou a boca com força, estalando os olhos e encolhendo-se em seu lugar.

Começou a rezar com ainda mais intensidade. Deseja ter seu terço inteiro novamente.

Do lado de fora, todos os homens que haviam restado do Bando dos Vingancistas lutavam contra o grupo de Soldados de Jasper.

Estavam em uma verdadeira guerra.

Alice puxou o ar com força, sentindo as extremidades gelarem, enquanto os dedos tremiam descontroladamente. Ali, na quietude do escuro, ela podia escutar tudo com mais clareza, mais intensidade.

E aquilo era assombroso.

Alice fechou os olhos marejados por alguns segundos. Quando voltou a abri-los, eles focalizaram em pequenas fendas de claridade que antes não havia percebido. Eram as brechas que haviam entre uma tábua e outra na parede.

A jovem se inclinou até uma das fendas, aproximando o olho dali. A intensa claridade que vinha do lado de fora incomodou um poucos seus olhos, acostumados com a falta de luz que havia ali. Mas quando viu o cenário do lado de fora, assombrou-se ainda mais.

Alguns homens estavam caído ao chão, gemendo. Alice podia distinguir o grupo do mato dos amigos de Jasper apenas pelas roupas. Vários dos amigos dele estavam ensanguentados, com as roupas rasgadas e cortes mais do que visíveis.

Alguns caídos ao chão, enquanto respiravam com dificuldade.

Mas haviam alguns homens do bando caídos ao chão também, parecendo tão ou mais feridos do que o grupo dos soldados. A experiência que eles tinham era a única coisa que reconfortava o coração perturbado de Alice, e acalmava suas emoções descontroladas.

Ao longe, perto da entrada do matagal, onde as árvores mais secas começavam a despertar, ela via um homem enorme, que lembrava muito os enormes índios, desferindo socos certeiros em outro, que tentava golpeá-lo com um punhal, porém sua figura franzina era um enorme empecilho para conseguir algum feito.

Mas haviam tantos cortes na extensão de seus enormes braços que pareciam uma teia de aranha feita de sangue.

Enquanto observava cerca de cinco a seis duplas ou trios de homens embolados, alguém fora atirado de uma vez contra a parede onde ela os olhava. A tábua estremeceu, enquanto ela se retesou para trás em um rompante. Só não foi pior do que o estrondo que ecoou por todos os lados daquele galpão.

E vinha de algum ponto de lá de dentro.

Imediatamente Alice se agachou até a abertura quebrada do armário rústico e rolou os olhos pelo galpão. A nuvem de poeira ainda pairava, mais ela podia enxergar tudo ali de dentro.

_ Maldito! – alguém gritou de um canto mais escondido – Vou estourar seus miolos podres! – Alice reconheceu a voz de Peter por debaixo dos estrondos de coisas sendo quebradas, tiros perfurando as paredes corridas pelos cupins.

_ Filho de uma égua! – rosnou o homem, segurando os punhos de Peter, enquanto este se forçava para cima dele, que tinha um enorme corte na testa, de onde escorria uma grossa linha de sangue, cujo caminho já chegava ao pescoço. Alice vira um enorme punhal caído à poucas passadas dos pés de Peter. Certamente, havia desarmado-o, porém não dispunha de oportunidade para alcança-lo.

_ Corra, seu verme imundo! – uma outra voz gritava do lado de fora. Eram tantos rosnados e gritos ocos que Alice estava ficando desorientada.

_ Vou mata-lo! Vou mata-lo!

Em um momento, havia até mesmo o galopar de um cavalo. Pensando estar ficando louca, Alice meneou a cabeça. Porem, um sonoro relincho também se fez ouvir.

_ Saia daí, Benjamim! – alguém gritou por cima dos relinchos. O animal certamente estava assustado com tanto barulho.

_ Malditos sejam! – outro rosnado e logo em seguida um grito agudo.

Alice se encolheu, não querendo pensar no cenário do lado de fora. Rezou pelos amigos de Jasper, ali. E foi inevitável não procurar desesperada por ele.

Jasper pegava uma enorme madeira quebrada que estava sore o alcance de sua mão. Estava caído ao chão, de bruços. Fortunato o havia dado um rasteira. Alice só teve tempo de reparar nos inúmeros arranhões que Jasper tinha pelo rosto. E, na lateral de seu pescoço, bem próximo da jugular, um corte grande que banhava seu pescoço de sangue fresco. O coração de Alice disparou no peito.

_ Seu moleque desgraçado – ela distinguiu a voz grossa e ameaçadora de Fortunato. Ele ergueu as duas mãos e seus dedos seguravam uma faca enorme, puída e recoberta de ferrugem. Certamente era uma das que pendiam na parede, lembrança de um passado distante.

Então ele desceu os braços para afundar a lâmina enferrujadas nas costas de Jasper. Alice gritou até quase perder o ar dos pulmões. Suas pernas bambearam tanto que ela caiu ajoelhada no chão, olhando a cena.

Mas Jasper alcançou a madeira que tentava à tempo. Girou o corpo com rapidez, conseguindo apenas o tempo de colocar a madeira pesada frente ao peito. No segundo seguinte, a enorme faca afundava na madeira grossa. Fortunato havia imposto tanta força naquele ato, a sede de matar Jasper lhe era tão crua e intensa, que a madeira retesou e bateu no peito de Jasper. Porém, a faca não havia transposto a madeira, e Jasper não se feriu. Mas não evitou a careta de dor quando a madeira grossa bateu em seu peitoral.

Aquilo deixaria um roxo nada bonito.

_ Vou fazê-lo sangrar até secar, seu maldito – Fortunato vociferou, pressionando a pesada madeira contra a peito de Jasper. Fortunato sendo muito maior e mais pesado, contribuía para Jasper sentir os ossos das costelas quererem quebrar – E já que Alice o estima tanto, dou sua cabeça para ela guardar de recordação!

Jasper trincou os dentes, encarando os olhos doentis do homem.

_ Não ouse falar de Alice, seu asqueroso! – ele grunhi e, tirando forças sabe-se-lá da onde, Jasper consegui empurrá-lo para o lado com força, fazendo-o bater as costas no chão. Jogou a madeira com a faca longe, antes de sentar sobre a barriga de Fortunato, fincando os joelhos no chão, um de cada lado, e acertar-lhe um golpe no queixo – Nunca mais ouse chegar perto dela! – vociferou ele, desferindo outro soco em seu rosto. Alice pôde ver uma bola de cuspe de sangue sair pela boca de Fortunato – Nem de machuca-la, nem de tocá-la! – a última constatação pareceu ter irritado um pouco mais à Jasper, pois o golpe que ele desferiu pareceu ter quebrado mais alguma coisa na boca de Fortunato.

Porem, quando se preparava para dar outro, Fortunato fechou as mãos no pescoço dele, apertando os dedos em seu corte.

Jasper gritou de dor, perdendo momentaneamente as forças. Fortunato se aproveitou neste momento e se levantou, levando Jasper consigo.

_ Eu espero que me mate, Witloock – murmurou ele rente ao rosto contorcido de dor de Jasper – Porque se não o fizer, eu matarei sua preciosa Alice – afirmou suas palavras com um enorme teor de sinceridade – Pois se ela não for minha, não será de mais ninguém!

Então, jogou Jasper rente a uma pilha de telhas velhas de barro. A mesa onde estavam as pilhas de telhas partira-se por conta do tempo de vida e do peso extra de Jasper sobre suas pernas fracas. As enormes telhas também espatifaram-se, piorando a camada de pó. As roupas de Fortunato eram uma mistura de sangue e poeira. Parecia respirar com dificuldade.

Estavam se cansando.

Alice sabia que não tardaria para aquilo acabar. O possível resultado daquilo é que a preocupava.

Ela viu Jasper se levantar com dificuldade daquela pilha de estilhaços. O viu segurar um dos braços na altura do ombro, respirando com tanta dificuldade que Alice se perguntou o que havia de errado.

Mas não especulou muito, pois no instante seguinte vira seu marido desferir uma joelhada no estômago do enorme homem. Fortunato se curvou, cuspindo mais sangue do que já havia feito.

Alice se perguntou como ele ainda estava de pé depois de ter cuspido tanto sangue?

Do canto esquerdo, Alice via Peter desferir repetidos golpes com o punho fechado ao homem, quase inconsciente já sob seu corpo.

Alice respirou aliviada por ele. E, também, por saber que, agora, Peter poderia ajudar Jasper, que ainda segurava o ombro com força.

No momento seguinte, Alice também vira vários outros homens ensanguentados e maltrapilhos adentrarem o galpão aos passos pesados.

Ela podia reconhecer o índio dentre eles.

Alice sorriu com um alívio tao grande que quase chorou. No segundo seguinte saiu de trás do amontoado velhos e quebrado que era o armário onde estava escondida, e se pôs de pé, perto da entrada do galpão.

Viu o momento em que Fortunato ajoelhou-se ao chão e se encurvou para si. Jasper estava um pouco à sua frente, tentando manter-se firme sobre os pé.

A batalha estava ganha.

Alice apertou o casaco de Peter sobre o corpo e andou até os amigos de Jasper.

_ Por favor, ajudem ele – Alice pediu para um deles, o que parecia mais simpático, com suas bochechas – aparentemente – rosadas e os olhos azuis claros como o céu.

Ela segurou a mão do rapaz entre as suas gélidas mãos, e virou-se para Jasper de novo. Ele se abaixava e pegava algo do chão, e Alice deduziu que fosse seu punhal.

Ele daria o golpe final.

Ela virou-se para frente novamente, afundando o rosto no peito do rapaz, mesmo que nem ao menos o conhecesse. Não gostava de ver coisas como aquela.

Mesmo que fosse Fortunato Black.

Mas as coisas aconteceram muito mais rápido do que ele poderia fazer idéia. Enquanto esperava que Jasper terminasse o que havia começado, ela escutou os gritos.

_ Jasper, não! Olhe a sua mão! – um coro de vozes surpresas e apressadas serpenteou junto à poeira.

E então o que ela escutou á seguir fora o estalido de um tiro.

_ Oh Meu Deus! – alguém gritou, e eles começaram a andar apressadamente. Alice se virou para trás com os membros rígidos. Viu Fortunato correndo para os fundos do galpão, deixando sua pistola cair ao chão no caminho. Quando ele havia agachado ao chão, encontrou a sua própria pistola que havia caído ali quando Jasper o havia desarmado.

Havia pegado a todos com uma assombrosa surpresa.

E, enquanto Fortunato fugia pelos fundos, Jasper caía ao chão com uma enorme mancha de sangue fresco em sua barriga, colorindo sua camisa gradativamente, como se deslizasse por ali em câmera lenta.

_ Mantenha esses olhos abertos, homem de Deus! – alguém gritou, enquanto todos corriam ate ele.

_ Você está bem? – Peter o alcançou antes de todo mundo. Conseguiu chegar antes que ele se desse por vencido e despencasse rumo ao chão duro. O pânico na entonação das vozes era claro e evidente.

Era algo deveras sério.

Os músculos de Alice levaram alguns segundos ainda para reagir. Porém, quando o fizeram, ela não vira mais nada em sua frente senão o corpo de Jasper apoiado por Peter.

Ele se contorcia em dor.

_ JAZZ! – ela gritou sob um fôlego, correndo para chegar até ele. Empurrou um amontoado de soldados sangrentos e sujos para abrir caminho até ele.

_ Coloquem no lugar – ela chegou próximo a ele e conseguiu escutar o que ele murmurava com a voz embargada – Coloquem.... coloquem no lugar!

Alice levou um tempo ainda para se dar conta do que ele falava. Mas quando viu, arregalou os olhos, desesperando-se.

_ Oh Jesus Cristo! – exclamou ela ao olhar o ombro que ele tanto segurava. Estava com uma assustadora torção, fora de seu lugar. Certamente, havia deslocado no momento em que fora jogado com a pilha de telhas de barro. – Jasper! — ela murmurou, afetada.

_ Mike – Jasper sussurrou sob o fôlego. O suor de sua testa misturava-se com o marrom da poeira que havia espalhado-se por seu rosto e com o vermelho do sangue de seus ferimentos – Mike, tire Alice daqui – ele terminou de falar com dificuldade.

_ O que? – ela indagou, contrapondo-se de imediato — De jeito nenhum! Não vou sair daqui, Jasper! Não adianta voc.

_ Alice – ele a interrompeu, franzindo as sobrancelhas de dor – Alice, não quero que veja isso – ela abriu a boca para contrariar aquela decisão – Por favor, Alice, faça o que eu digo ao menos uma vez – ao terminar de falar sua voz tornou-se apenas um fio sôfrego.

_ Jazz.... – ela ainda quis se opor ao seu pedido, mas ele não estava em condições de discutir.

_ Venha, Alice – Mike murmurou, levantando ela, ainda a contra gosto, e afastando-a um pouco da cena.

Peter, Sam e Billy encostaram as costas de Jasper em uma parede e se ajoelharam ao seu redor.

_ Isso vai doer – disse Billy para o amigo, que olhava para o teto. Jasper engoliu saliva, acenando com a cabeça – Pronto? – indagou o homem com as duas mãos sobre o ombro deslocado de Jasper.

Este, por sua vez, acenou com a cabeça outra vez, dando permissão para que o amigo fosse em frente.

Ele estava realmente sério, aquilo iria doer. Iria doer muito.

Fora tão rápido quanto piscar. Billy contara até três e então rodou o ombro do amigo com rapidez e precisão. Eram acostumados à colocar membros deslocados em seu devido lugar.

Acontecia o tempo todo com eles.

Jasper gritou entre os dentes, a mandíbula trincada. Seus olhos se fecharam por alguns segundos, enquanto ele tentava acalmar a dor.

Alice soltou um muxoxo nos braços firmes de Mike, olhando a cena de longe. Não conseguia suportar a dor no estômago ao ver Jasper sentir dor aquela maneira.

Enquanto ele respirava com força, acalmando-se, o restante dos homens ficaram aguardando-o decidir se queria prosseguir.

_ Vão em frente – murmurou ele firme. Finalmente abrira os olhos, e encarava os três amigos – Tirem isso.

Os três assentiram, começando a preparar-se. Billy pegou a camisa de Jasper pelo colarinho e arrebentou seus botões, expondo todo seu tronco. Alice assombrou-se novamente ao ver a pequena fenda por onde o sangue de Jasper saía despreocupadamente. Era um pontinho preto ao meio do vermelho, um pouco mais à direita do umbigo.

_ O que vão fazer? – ela indagou, remexendo-se um pouco nos braços de Mike – O que vão fazer!?

_ Eles vão tirar a bala, Alice – respondeu Benjamin naturalmente. Ninguém ali parecia assombrado com aquele ato.

Pareciam apenas se compadecer com a dor dele.

Alice tapou a boca, reprimindo a vontade de ir ate lá segurar a mão dele. Mas ficou por ali, perto de Mike e dos outros, observando. Viu o momento em que Sam retirou um canivete no bolso. Ao seu lado, Billy tirou o cinto que usava envolta da cintura e o estendeu frente à boca de Jasper.

_ Vamos lá burguês – disse ele sorrindo. Alice não vira, mas Jasper lhe fizera um gesto pouco cortês com o dedo médio. Aquele sempre fora seu apelido irritante.

_ Espere um pouco – disse Peter, abaixando a mão de Billy e levantando um pequeno cantil do bolso traseiro — Companheiro, você vai precisar disso – lhe dera um sorriso vagabundo, enquanto a abria a garrafa e despejava um pouco de seu líquido sobre a ferida de Jasper.

Jasper grunhiu de dor, fechando as mãos em punhos. As veias da têmpora pulsavam com o sangue desgovernado que passava por ali. Soltava lufadas de ar repetidas, e Alice bem imaginou que aquilo que Peter despejara ali não era uma pura e inocente água.

E teve certeza quando dera para Jasper beber.

Ele fizera uma leve careta, enquanto Sam passava o canivete para Peter.

_ Isso sim vai doer um pouquinho – Billy murmurou, enquanto levava o cinto dobrado de volta à boca de Jasper – Morda, Major.

Assim que Jasper o fez, Peter e os outros soldados começaram a difícil tarefa de retirar a pequena bala da carne do amigo. Jasper mordia o cinto com tanta força que Alice pensou que quebraria sua mandíbula. O som dos grunhidos de dor transpassavam as paredes do galpão, as janelas, as fendas entre uma tábua e outra.

Sam precisou segurar os ombros do homem, que se remexia inconstante. Ele tinha certeza que nenhuma dor no ombro machucado poderia estar sendo percebida enquanto eles cavoucavam sua ferida. Depois de um tempo, Alice não suportou mais olhar, de modo que virou-se para quem a segurava, deixando que apenas os urros abafados de Jasper pudessem ser ouvidos.

Durou quase 10 minutos. Quando finalmente haviam conseguido tirar a pequena bala ensanguentada, Peter despejou um pouco mais do líquido de seu cantil sobre o ferimento antes de colocar um pedaço da camisa de Jasper por cima.

Jasper começou a fechar os olhos, querendo se entregar à inconsciência que a fraqueza trazia.

_ Acorde, homem – Billy bateu duas vezes em sua bochecha, a fim de acordá-lo. Não precisavam de Jasper desmaiado.

_ Fechem — disse ele com a voz embargada pela dor e pela fraqueza. Parecia que morreria a qualquer momento.

_ Ele está bem? – Alice perguntou, sua voz abafada pela camisa de quem a abraçava.

_ Bem, está fraco por que perdeu sangue e está sentindo muita dor. Mais está tudo bem, já ví homens passarem por maus piores, inclusive o próprio Jasper – Mike sorriu tentando acalmar a pobre moça – É apenas um ferimentozinho de bala.

_ Sim, deixe-me furar sua barriga com a bala de uma pistola — um dos homens que estavam por ali zombou, fazendo o restante do grupo que observava rir, inclusive o rapaz que a abraçava.

_ Certamente quando for comigo me importarei muito mais – disse Mike, rindo com eles.

_ Vai chorar como um mariquinhas.

Eles começavam a brincar entre si, e Alice se sentiu um pouco mais aliviada. E com isso ela decidiu que poderia virar-se e se aproximar dele.

_ Hey, é melhor voltar aqui – disse Mike, puxando-a de volta pelo cotovelo.

_ Mas porque? – ela indagou.

_ Bem... por que eles vão costurar agora – disse ele dando de ombros – Não é bonito de se apreciar, também.

_ E vão costurar aquilo com o que, meu Deus do céu? – ela jogou as mãos para o céu, encabulada.

_ Preciso de um pedaço de arame, alguém tem por aí? – Peter pediu, enquanto todos buscavam algo parecido para poder iniciar o procedimento.

_ Bem, nesta corda há arames embutidos – disse Benjamim, levantando a corda que estava amarrada à Alice mais cedo.

_ Deve servir – disse ele.

Em pouco tempo, Peter havia pêgo um pedaço do fino arame e amarrado uma fina linha de roupa nele.

_ Bem, lá vamos nós de novo – disse Billy, devolvendo o cinto à boca de Jasper, que voltou a morde-lo com força.

E os gemidos grasnados de agonia iniciaram outra vez.

Com o coração apertado, Alice ficou olhando de longe. As caretas dele denunciavam a dor agonizante que deveria estar sentindo. O suor descia por sua pele. O seu sangue manchava seus amigos.

E a força com que mordia o cinto deixaria suas marcas.

Depois de mais alguns poucos minutos, Peter terminou.

_ Pronto, vai ficar tudo bem agora, Major – disse ele, jogando o canivete ensanguentado ao lado. Parecia cansado como o inferno, porém satisfeito.

Jasper abriu os olhos lentamente, parecendo grogue. Tirou o cinto da boca, limpando a mesma logo em seguida,

Podia sentir o gosto de sangue.

Rolou os olhos pelo próprio tronco, que tinha tanto sangue que ele duvidou um pouco que fosse tudo dele.

_ Droga, Peter – disse ele com a voz arrastada – Costurou isso aqui como se fosse um pedaço de bacon – reclamou ele cansado, fazendo uma careta.

_ Ah, cale a boca – disse o amigo, rindo.

Logo depois Jasper riu também.

Alice não ousou se aproximar, temendo que ele lhe brigasse.

Mas queria tanto tocá-lo.

_ Venha aqui, Alice – ela o escutou chama-la, enquanto seus olhos sonolentos a encaravam. Ele sempre parecia saber o que ela sentia. Mordendo o lábio ela andou apressadamente até seu lado, tirando um pouco de sangue de sua bochecha – Ele fugiu – disse ele para ela, como se lamentasse demasiadamente aquele fato – Aquele maldito asqueroso fugiu.

Ela sorriu, segurando seu rosto entre as mãos.

_ Mas você está aqui, é o que importa – ela murmurou, o olhos marejados. Havia rezado o suficiente, afinal. Ele havia vindo por ela. Ele a havia salvado mais uma vez.

Não partira dela, mas sim dele. Ele a puxou delicadamente pela nuca até que seus lábios encontrassem com os dela.

E a beijou singelamente.

Um beijo que havia gosto de saudade, carinho, ansiedade, tensão, medo, sangue, suor e inúmeras batidas de coração.

Notas finais
:O O que será que vai acontecer com Fortunato?? Bom, muito longe ele nao vai ne, afinal tá todo arrebentado kk Até o próximo! :*