Os Opostos Se Atraem
8 É Mais Fácil Te Odiar
Notas iniciais
As oito estavam sentadas no chão da sala com várias pizzas apoiadas na mesa de centro. Ninguém estava afim de cozinhar e não tinham a mínima idéia de como fariam isso. Estavam comendo antes de saírem, em grupos separados, para conhecer a noite da Riviera. Clara estava sentada longe de Marina, e de vez em quando se via encarando a garota, que parecia fazer questão de olhar pra qualquer pessoa que não fosse Clara.
– Marina... — Clara disse e todas a encararam, inclusive Meirelles .
– Hum... – Marina respondeu com a boca cheia e fingindo indiferença. Clara rolou os olhos.
– Me dá um copo? – Clara perguntou apontando para a pilha de copos descartáveis que estava ao lado de Marina.
Marina encarou os copos, olhou para o rosto de cada amiga e voltou seu olhar pra Clara, engolindo seco.
– Porque eu faria isso? – Meirelles respondeu e Clara arregalou os olhos, sem entender.
– Porque os copos estão do teu lado, talvez? – Clara disse com a voz confusa e Marina riu baixo. Todas olhavam pra Marina.
– Você quer? Então você vem pegar, docinho. – Marina disse simplesmente com um tom debochado e voltou a comer seu pedaço de pizza como se nada tivesse acontecido. Clara sentiu o rosto queimar de raiva. Não sabia por que Marina estava agindo daquela maneira, mas realmente tinha conseguido a irritar. Odiava aquelas respostas. Odiava aquele apelidinho maldito. Robby estendeu a mão para o copo, mas Clara a encarou com um olhar bravo e ela parou onde estava. Meirelles ainda parecia estar mais interessada na pizza do que em qualquer outra coisa. Clara engatinhou calmamente até onde os copos estavam, e Marina olhou discretamente. Clara ajoelhou e pegou uma garrafa de refrigerante ao lado de Vanessa, colocando calmamente no copo enquanto Marina sorria maliciosamente. Então Clara a encarou e começou a entornar o refrigerante no short que Meirelles estava usando, rindo alto.
– CARALHO, VOCÊ TÁ MALUCA? – Marina gritou e Clara riu escandalosamente.
– Talvez se você tivesse sido gentil uma vez na sua vida, isso não teria acontecido! – Clara disse com um sorriso encantador e voltou para onde estava, vendo que as amigas riam e enquanto Fê, Gi e Van a encaravam amedrontadas, mas que queriam rir. Marina rolou os olhos e levantou, saindo dali rapidamente, sem dizer nenhuma palavra.
Clara estava sentada sozinha no enorme sofá da sala de TV. Estava arrumada e esperava que Robby e Luuh ficassem prontas. Flavinha estava com ela até minutos antes, mas fora apressar as garotas. Marina entrou na sala e Clara percebeu isso, mas não tirou os olhos da televisão. Marina se jogou no sofá de uma maneira rude e pegou o controle remoto, mudando de canal como se ninguém estivesse ali. Clara resmungou alto e virou para ela.
– eu estava assistindo, me dá essa porcaria de controle!
– Ah, nem vi que você estava aqui, docinho! – Marina respondeu e Clara bateu com a mão fechada no sofá, fazendo-a rir alto.
– Pára de rir sua idiota, me dá esse controle!
– Nossa, quanta revolta! Fica quieta aí e assiste futebol que é melhor... – Marina disse calmamente e Clara levantou, xingando baixo.
Quando estava prestes a sair da sala, Gisele e Fernanda chegaram. Clara parou no meio do caminho e voltou até onde Marina estava sentada. Apoiou suas mãos nos joelhos de Marina, e aproximou seu rosto do dela, tão perto que podia sentir a respiração de Meirelles falhar e ela desviar o olhar. Levou uma das mãos até seu rosto delicadamente e levantou seu queixo, fazendo com que olhasse em seus olhos.
– Sabe, Marina... Você já foi muito melhor nisso! – Clara dizia com a voz doce, e Marina respirava com dificuldade – Nossas brigas já foram tão mais... Adultas, sabe? Ah, você perdeu o jeito! Negar pegar um copo pra mim? Mudar o canal da TV enquanto eu assisto? – Clara parou e riu alto. – Quantos anos você tem, nove? Se for pra ser assim, eu prefiro não brigar, tá? Ignorar você me parece bem mais sensato, e sabe do que mais? – Clara perguntou acariciando o rosto de Marina com um olhar malicioso – É isso que eu vou fazer! Volte a ser mulher suficiente e depois venha falar comigo, docinho...
Clara deu um tapinha leve no rosto de Meirelles , e saiu rebolando da sala, ignorando os olhares de Fernanda e Gisele . Assim que saiu pelo corredor, ouviu as duas gargalharem lá dentro e riu sozinha. Se Marina queria voltar a agir como uma idiota, problema dela. Clara sempre seria melhor.
– Já vão? – Fernanda perguntou vendo as quatro garotas arrumadíssimas passarem ao lado da piscina em direção ao portão.
– Já, queremos sair cedo e voltar cedo... – Clara disse Fernanda a encarou – Tipo umas sete da manhã, sabe? Cedo! – Claracompletou e a amiga gargalhou.
Marina apareceu do lado de fora e encarou Clada que ria enquanto conversava com Fernanda. Clara estava com uma saia jeans curta, uma baby-look preta com uns desenhos e um scarpin. Extremamente e irritantemente linda. Sentiu raiva ao lembrar do que acontecera momentos antes, e do quanto tinha sido zoada por aquilo. Vanessa e Gisele apareceram atrás de Marina também prontas pra sair.
– Vamos à caça? – Gisele passou o braço nos ombros de Marina, que riu.
– Com toda certeza, amiga! – Marina respondeu e viu as amigas de Clara já saírem, seguindo com as amigas para o lado oposto de onde iam.
Depois de darem voltas pela Riviera, Marina e as amigas acabaram no mesmo lugar onde as meninas estavam. Vanessa as avistou de longe e acenou, pegando uma mesa com as amigas. Marina viu Clara rindo com uma garota, e fez careta. A raiva ainda não tinha passado, e ela queria se vingar. A cada centímetro que a garota se aproximava, Marina ficava mais apreensiva, dando goles gigantescos em sua cerveja. As garotas mal perceberam as reações de Marina, estavam mais interessadas em vigiar um grupo de garotas que estava na mesa ao lado. Meirelles olhou para o lado e viu as quatro garotas bonitas chegarem perto, cumprimentando-as e sentando junto com Gisele, Vanessa e Fernanda. Chacoalhou a cabeça e fixou o olhar no decote de uma ruiva, por mais que isso incrivelmente lhe parecesse bem menos interessante do que ficar se torturando ao assistir Clara e uma outra menina.
– Vou pegar mais cerveja, quer alguma coisa? – Marina perguntou alto, devido a música, e a garota da qual Marina não lembrava o nome sorriu, assentindo.
– Traz uma pra mim também! – Ela disse e Marina sorriu, já um pouco alterada pela bebida.
Seguiu até o bar e pediu duas cervejas para a garçonete. O pub estava cheio e Marina estava tendo dificuldade para conseguir voltar para onde estava sentada. No meio da multidão, avistou Clara e Luuh.
– O que você disse Clara? – Luiza gritou e Clara riu.
– Eu vou pra casa buscar a máquina! – Clara gritou e Luiza fez careta.
– AGORA? Deixa pra depois, a gente tira foto amanhã! – Luuh disse alto e Clara negou. Marina ainda tentava passar, mas de alguma forma queria ficar presa ali.
– Não, eu quero registrar nossa primeira noite na França! – Clara respondeu e a amiga riu. – Temos quatro câmeras e esquecemos todas, lerdas!
– É A EMPOLGAÇÃO DA FRANÇA, UHUL! – Luiza gritou e Clara riu alto, saindo por entre as pessoas.
Marina olhou Clara e teve um estalo. Riu sozinha e abriu caminho para passar, com um sorriso malicioso nos lábios.
Clara abriu o portão da mansão e entrou calmamente. O pub em que ela estava com as amigas ficava apenas dez minutos dali, talvez menos, mas ela pegou um táxi mesmo assim. Subiu as escadas devagar, e seus ouvidos estavam zunindo, ainda desacostumados com o silêncio repentino. Entrou em seu quarto e encarou as malas, desanimada. Não tinha a menor idéia de onde havia guardado a câmera e aquilo poderia demorar mais do que ela esperava. Fez uma careta pensando nisso, quando lembrou que ela e as garotas tinham tirado fotos no avião com a câmera de Roberta, e foi para o quarto da amiga, diretamente até a bolsa da garota. Pegou a pequena câmera rosa e sorriu, virando-se para ir embora.
– AAAAAAAH! – Clara gritou alto e Marina desatou a rir. – Marina? Porra, quer me matar de susto? – Clara ainda berrava e segurava o peito, ficando irritada ao ouvir a risada de Marina. – O que diabos você tá fazendo aqui?
– Ué, eu também estou hospedada aqui, esqueceu? – Marina respondeu indiferente, encostando na parede.
– Ah é, quase esqueci desse pequeno detalhe. – Clara respondeu debochada e Meirelles rolou os olhos. – Vou nessa, até depois Meirelles !
Clara disse quase passando pela porta quando Marina a segurou pelo braço, a puxando para dentro novamente. Meirelles a puxou com força e seus corpos involuntariamente se colaram. Marina respirou fundo e a encostou na parede, prendendo-a entre seus braços. Clara sentia sua respiração falhar a medida que seu coração acelerava.
– O que... O que você tá fazendo? – Clara conseguiu dizer com a voz fraca, e Marina sorriu maliciosa, a apertando novamente contra a parede. Meirelles encostou o nariz no pescoço de Clara e pode perceber que ela se arrepiou com o toque. Sorriu, aproximando sua boca da orelha dela.
– Repete o que você disse. – Marina disse com a voz baixa, e Clara suspirou alto.
– Do que você tá falando, garota? – Clara respondeu quase sussurrando, enquanto Marina brincava com seu pescoço e ela sentia sua pele arrepiar.
– Que eu não sou mulher suficiente. – Marina disse simplesmente, mordendo o lóbulo da orelha de Clara que num reflexo, apertou sua cintura.
– Você tá maluca? Pára com isso, Marina... – Clara tentava parecer autoritária, mas sua voz saía fraca, suas pernas estavam moles.
– Repete. – Marina insistiu, ainda sussurrando, enquanto entrelaçava as mãos no cabelo de Clara, próximo a nuca, e ela fechou os olhos, respirando fundo.
– Marina, já te disse pra me largar! – Clada respondeu, em um tom de ameaça muito baixo. Marina riu próximo ao seu ouvido.
– Engraçado. Você diz uma coisa, mas age de outro jeito... – Marina parou de falar e encostou a testa na de Clara. A única luz vinha da varanda, e Marina suspirou alto ao encará-la tão de perto. – Se você quer tanto que eu pare, porque está apertando minha cintura com tanta força, docinho? – Marina continuou maliciosa e Clara bufou, sentindo seu rosto queimar.
– Meirelles , é melhor você me largar...
– Pede por favor... –Marina respondeu maliciosa e Clara riu sarcástica.
– Me erra, Marina!
– Pede! – Marina apertou a cintura de Clara com força, roçando o nariz no da mesma.
– Por favor... Por favor! – Clara respondeu baixo e Marina riu.
– Tudo bem, se é isso o que você quer... – Marina soltou os braços que prendiam Clara e riu. Clara respirou fundo e abriu os olhos, estava irritada, mas mais do que isso, estava tentada a fazer algo que sabia que iria se arrepender depois. Marina sorriu ao olhar pra Clara totalmente desnorteada e saiu do quarto, fechando a porta. Clara escorregou na parede com a respiração completamente falha, não sabia o que fazer. Respirou fundo novamente e levantou, girando a maçaneta. Mas a porta não abriu. Girou mais algumas vezes e nada aconteceu. Deu um soco na porta, com a raiva já consumindo seu corpo.
– Marina! – Clara gritou, mas ninguém respondeu. – Puta que pariu!
Clara correu até a varanda e viu Marina rindo, sentada na grama.
– O QUE DIABOS VOCÊ TÁ FAZENDO? – Clara berrou, e Marina se contorcia de rir. – Me tira daqui, Meirelles ! – Ela continuou gritando.
– Engraçado, não é Clara? – Marina levantou, andando de um lado para o outro – Achei que você fosse boa nisso, mas vejo que não! Só foi eu encostar em você – Marina riu presunçosa – Que a mulher decidida foi pelos ares, né? – Marina riu e Clara gritou descontrolada, fazendo com que Marina gargalhasse ainda mais alto. – Novidade pra você: Sinto informar, mas você não é tão boa nisso quanto pensa, docinho. Tenha uma ótima noite presa no quarto!
Marina riu alto e jogou um beijo no ar, caminhando em direção ao portão. Clara gritava descontroladamente. Marina parou e olhou para trás.
– Tá gritando porque, maluca? – Ela disse e a Clara bufou.
– Marina, me tira daqui AGORA! – Clara gritou autoritária.
– Ah, tá afim de sair? – Marina sorriu. – Pula! É baixinho! – Marina disse cheia de si, mesmo sabendo que aquilo tinha sido uma tremenda maldade. Ela sabia que Clara nunca pularia.
– Marina, você sabe que eu tenho medo! – Clara disse com a voz chorosa e Marina respirou fundo. Tinha prometido a si mesma que não daria para trás.
– Bom, isso já não é problema meu! – Respondeu com a voz meio baixa e saiu dali, sem olhar pra trás, porque sabia que mudaria de idéia.
Marina voltou andando devagar até o pub onde estavam. Por mais que aquilo fosse uma grande lição para Clara, estava se sentindo mal por ter feito isso. As imagens da garota frágil entre seus braços, quase cedendo a suas carícias, faziam seu coração acelerar. Não conseguia entender o como tinha sido forte o suficiente pra levar o plano até o final, e por mais que se sentisse orgulhosa disso, aquela sensação ruim não a abandonava. Avistou Fernanda com Roberta e Luiza do lado de fora do pub e foi até elas.
– Onde você tava, Mari? – Fernanda rapidamente perguntou e Marina passou as mãos nos cabelos, nervosa.
– Por aí. – Respondeu simplesmente.
– Meu, eu tô preocupada com a Clara, tô falando sério! – Luiza dizia apreensiva, andando de um lado pro outro – Eu não agüento mais esperar, já era pra ela ter chegado, Fernanda! Eu vou atrás dela!
– Eu também vou! – Robby disse rapidamente e Marina sentiu as mãos gelarem.
– Não! – Marina disse rapidamente e as duas a encararam, confusas.
– Como não, Marina? A minha amiga pode estar em perigo! – Luuh disse e Marina forçou um sorriso.
– A Clara tá bem, eu estive com ela agora a pouco. – Respondeu contra a vontade e Fernanda arregalou os olhos.
– Você tava com a Clara? – perguntou e Meirelles assentiu.
– E onde ela tá? – Roberta perguntou.
– Ela foi buscar a câmera pra tirar fotos com vocês, mas conheceu uma garota no meio do caminho e ficou conversando com ela. – Meirelles respondeu do nada e Luiza a encarou, sem acreditar nenhum pouco.
– Fala a verdade, Marina. – Ela disse e Marina sentiu o rosto queimar.
– Eu tô falando, Luuh. Foi isso mesmo. Eu juro pra vocês que a amiga de vocês tá bem segura. – Marina disse – Até demais. – Sussurrou mais para si mesma, sentindo-se uma completa idiota. Roberta encarou Luiza.
– Tá, Meirelles . Se algo acontecer com a minha amiga, a culpa é total sua! – Luiza disse autoritária. – Vem Robby, vamos entrar. – A garota puxou Roberta pela mão de volta para o pub. Antes que Fernanda perguntasse alguma coisa, Marina começou a falar.
– É verdade, . Agora eu preciso fazer uma coisa. – Marina disse rapidamente e saiu dali, ignorando a amiga e tudo o que ela pudesse lhe dizer.
Marina pegou um táxi e chegou rapidamente na mansão. Sabia que Clara iria tentar a matar, e estava preparada pra isso. Tinha pegado pesado demais dessa vez. Subiu as escadas quase correndo e respirou fundo antes de virar a chave na maçaneta. Acendeu a luz do quarto e não viu ninguém.
– Clara? – Perguntou, com a voz fraca. Ninguém respondeu e Meirelles tremeu. Abriu a porta do banheiro, mas também não havia ninguém lá dentro. – Merda. – Sussurrou, indo até a varanda.
Ao chegar à varanda, Marina olhou para o lado e viu Clara sentada no parapeito que interligava as varandas de Robby e Vanessa. Clara estava sentada, de olhos fechados e com o rosto vermelho.
– Clara, o que você tá fazendo? – Marina perguntou com os olhos arregalados e Clara abriu os olhos, olhando para o lado. Meirelles pode perceber que seus olhos estavam vermelhos e sentiu o peito apertar por isso.
– O que você acha, idiota? – Clara respondeu secamente, tentando enxugar as lágrimas.
– É perigoso, você não pode, você tem medo, você... – Marina começou a gaguejar e a se sentir péssima. Nunca havia se sentido daquela maneira antes.
– Cala a boca! Eu vou chegar do outro lado, sai daqui! – Clara respondeu se movimentando muito devagar, ainda sentada e de olhos fechados.
– Clara, deixa eu te ajudar... – Marina disse colocando uma perna no parapeito, mas sendo interrompida por um grito.
– Fica aonde você está, Meirelles . Eu não quero e eu não preciso da sua ajuda. – Clara respondeu ainda sentada, e Marina podia ver que ela tremia. – Eu não quero nada que venha de você.
Marina sentiu o estômago revirar quando Clara disse isso. Respirou fundo, mas não estava se sentindo nada bem daquela forma. Não tinha imaginado que aquilo pudesse acontecer, sabia que tinha colocado tudo a perder. Colocou a perna pra dentro novamente, e encarou Clara, que mantinha os olhos fechados.
– Desculpa, Clara. Eu não queria ter feito isso, eu...
– Eu disse pra você calar a boca.
Marina sentiu os olhos queimarem e cruzou os braços, virando de costas.
– NÃO! – Clara gritou e Marina virou para trás rapidamente, assustada.
– O que foi? – Marina perguntou, a voz falha e tensa.
– Não vai, me ajuda! – Clara disse chorando e Marina ficou em silêncio, subindo no parapeito sem questionar. Andou devagar e estendeu a mão pra Clara.
– Vem, me dá sua mão. – Marina disse baixo e Clara abriu os olhos, olhando pra cima.
– Eu vou cair. – Respondeu baixo e Marina sorriu.
– Confia em mim.
– Tá meio difícil, ultimamente... – Clara disse baixo e Marina sentiu o coração apertar de novo, mas não disse nada, porque sabia que era verdade.
Clara segurou a mão de Marina e ela a puxou para cima. Clara envolveu sua cintura rapidamente e fechou os olhos. Marina sorriu.
– Ei... – Marina disse baixo e a Clara a olhou nos olhos – Tá na hora de vencer seu medo. Vem, anda. – Marina disse a puxando pela mão, mas a garota continuou parada e Marina riu baixo. – Clara, vem.
– Eu te mato, eu te mato! – Ela murmurava andando pé ante pé até a varanda.
– Não olha pra baixo. – Marina disse com a voz doce e Clara sorriu, mesmo sem querer, olhando nos olhos dela, que andava de costas. – Só mais um pouco, continua olhando pra mim, só pra mim – Marina disse e pulou pra dentro, ajudando-a a voltar pra varanda.
Clara respirou fundo e sorriu.
– Não foi tão difícil. – Clara disse e Marina sorriu largamente, vendo a garota tremer.
– Eu disse que era fácil. – Meirelles sorriu. – Você está tremendo! – Marina disse aproximando-se de Clara e apertando seus braços ao redor da menina. Clara respirou fundo, tentando organizar os pensamentos. Rapidamente lembrou de tudo o que acontecera minutos antes, e soltou o abraço, irritada.
– Me larga, Meirelles . Sai de perto de mim! – Clara disse áspera e entrou para o quarto, pisando firme. Marina passou as mãos nos cabelos, respirando fundo. Doce ilusão a dela. Nada era fácil com Clara Fernandes.
Marina entrou em seguida de Clara, andando um pouco mais rápido para alcançá-la.
– Clara, deixa eu falar com você... Eu te pedi desculpas, eu... – Marina dizia quando fora interrompido.
– Não é suficiente, Marina. Você pegou pesado dessa vez! – Clara disse alto e virou-se de frente para Marina, que ficou em silêncio.
– Eu sei, mas o que você quer que eu faça? – Meirelles respondeu com a voz baixa e Clara bufou, rolando os olhos.
– Faça o que você quiser. Nada vai mudar. – Disse rapidamente e continuou andando.
– Eu sei que não. Eu ouvi o que você disse. – Marina falou e Clara parou de andar, em frente a porta de seu quarto.
– Eu não sei do que você tá falando, lindinha. – Clara respondeu sarcástica e Marina rolou os olhos.
– Então deixa eu refrescar sua memória, meu bem... – Marina disse com a voz já alterada e chegando perto novamente. Era impressionante como Clara a tirava do sério. – Você disse pra Flávia que me odeia.
Clara arregalou os olhos e não conseguiu esconder o espanto e a vergonha que sentiu. Marina não podia ter ouvido aquilo, não podia.
– Marina, eu... – Clara ia se desculpando, quando parou de falar. – Espera aí! Você anda ouvindo minhas conversas atrás da porta? Ah, só o que faltava! – Clara reclamou e Marina riu debochada.
– Vocês estavam berrando, quem passasse a quilômetros daquela cozinha ouviria o que diziam. E do que adianta? Não muda de assunto, Clara. Você me odeia e eu ouvi isso.
– Eu não te odeio, Marina. – Clara disse com a voz baixa e olhando para os pés, e Marina sorriu de canto ao perceber que tinha a deixado desconsertada.
– Então porque você disse que...
– Não sei. Sinceramente eu não sei.
Clara disse a encarando nos olhos e Marina sorriu. Deu um passo adiante e puxou Clara, apertando-a com força contra seu corpo. Clara sorriu largamente e envolveu a cintura de Marina, sentindo o cheirinho bom que Marina tinha, e sentindo-se incrivelmente bem enquanto Marina acariciava seus cabelos devagar. As duas passaram incontáveis minutos assim, e Marina deu um longo beijo na bochecha de Clara, e sem largar sua cintura, encostou a testa na dela.
– Eu sei. – Marina disse baixinho e Clara arqueou a sobrancelha, sem entender absolutamente nada.
– Sabe o que, criatura? – Clara disse engraçadamente e Marina riu alto, fazendo com que ela risse junto. Era inevitável.
– Porque você disse que me odeia. Eu tenho uma teoria. – Meirelles disse e quando percebeu que a menina ia se manifestar, silenciou seus lábios com um toque suave de seu dedo, fazendo com que Clara sentisse a nuca arrepiar sem querer.
– Fala. – Clara disse com os lábios quase colados e Marina riu de novo.
– Porque, pelo menos pra mim, é muito mais fácil odiar você, do que... – Marina parou e sorriu, tímida. – Do que gostar de você.
Clara sorriu largamente e sentiu borboletas fazerem festa em seu estômago. Aquilo não estava acontecendo, era tão impossível, tão surreal, tão maravilhoso. Ao ver o lindo sorriso de Marina se formar em seu rosto, tocou o rosto de Marina devagar e levantou nas pontas dos pés, roçando o nariz no de Marina e a olhando de uma distância tão minúscula que parecia deixá-la perfeita. Perfeito. Aquele momento era exatamente isso.
– Você tem razão. – Clara disse baixo, sentindo Marina levantá-la um pouco pela cintura até que estivessem da mesma altura. – Parece que você leu minha mente. Era exatamente isso que eu queria dizer.
Marina a puxou pra tão perto que Clara sentiu que a respiração ia falhar. Respirou fundo e sorriu, mordendo a bochecha de Marina .
– Não. – Clara disse, percebendo o que Marina iria fazer. – Não agora.
– Por quê? – Marina perguntou com um olhar fofo e um tanto decepcionada e Clara quase acabou ela mesma com tudo aquilo.
– Muito fácil pra você. – Clara disse e riu da cara confusa de Marina. – Brigue por mim. Me conquiste. Mostre que você não é como nenhuma outra ou outro. Eu estou cansada de me dar mal com as pessoas . – Clara sorriu de um jeito encantador. – Se você realmente quer, você vai achar um jeito de me fazer acreditar.
Marina sorriu maliciosa e Clara riu alto. Por mais que quisesse terminar com aquilo agora, aquele desafio lhe parecia mais tentador do que qualquer outro. Clara estalou um beijo perto da boca de Marina, que sorriu derrotada ao vê-la saindo em direção as escadas.
– Ei! – Marina disse e Clara virou para trás, olhando em seus olhos.
– O que foi?
– Eu aceito o desafio. Sabe de uma coisa? – Marina disse encostada na parede e Clara negou, mas sorria – Você vai ser minha, docinho. Pode esperar.
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