Os Opostos Se Atraem
9 O Jogo do Amor
– ACORDA GAROTA! – Luuh pulava na cama de Clara, que colocou o travesseiro na cabeça.
– Ah Luiza, vai se foder! – Clara reclamou, fazendo a amiga rir.
– Levanta daí mulher! – Dessa vez Roberta se pronunciou e Clara abriu os olhos devagar. Flavinha também estava lá.
– O que aconteceu, suas loucas? Que horas são? – Clara perguntou com a voz arrastada e as três riram.
– Duas da tarde. – Flávia respondeu rapidamente – Agora a senhorita pode explicar onde esteve ontem a noite? Ou melhor... com quem esteve?
Clara coçou os olhos e sentiu um nó na garganta. Dizer que estava presa num quarto por culpa da Marina era completamente inaceitável. Abriu a boca, mas não conseguiu emitir nenhum som.
– Sabemos que você encontrou uma garota... A Marina nos contou! – Robby bateu palminhas e Clara fez uma careta para a desculpa que Meirelles havia dado. Bom, pelo menos ela não tinha dito a verdade.
– É, encontrei. – Clara respondeu sem empolgação e foi andando em direção ao banheiro.
– Aonde você vai? Fala pra gente, ela era gata? Ah Clara! – Luiza disparou a falar e Clara riu alto. Amava esse jeito maluco da amiga.
– Nada demais, gente. Só encontrei com ela e ficamos conversando. Ela era de Londres, também. Mas não era muito bonita. – Clara inventou e Luiza arqueou uma sobrancelha, fazendo a menina desviar o olhar. Maldito poder que Luiza tinha de desvendar os pensamentos de Clara. – Agora vou tomar um banho e já desço... Vocês deviam se trocar, a gente podia almoçar na praia, que tal?
– Tô super dentro! – Flavinha deu um pulo e saiu correndo em direção a seu quarto. Robby fez o mesmo e Luuh foi andando devagar.
– Mentirosa. – Ela sussurrou e Clara rolou os olhos. – Depois quero saber a verdadeira história. – Luiza sorriu e piscou, deixando Clara com cara de nada olhando para a porta.
Clara demorou um tempo até assimilar os fatos do dia anterior. A bendita frase: “Você vai ser minha, docinho.” martelava em sua cabeça o tempo inteiro. Marina tinha a capacidade de ser idiota e de fazê-la ter sensações estranhas ao mesmo tempo, e ela nunca entenderia isso, mas estava no mínimo curiosa com o que estava por vir. Será que Marina dizia a verdade? Tentou se arrumar depressa e desceu as escadas rapidamente, encontrando apenas Gisele ali.
– Hey, ! – Clara disse com a voz trêmula. Se Gisele estava em casa, o resto das meninas provavelmente também estavam. – Viu as garotas?
– Elas estão esperando você, acho. Lá fora! – respondeu indiferente enquanto jogava as almofadas do sofá para o alto. Clara riu baixo e confusa com a cena.
– O que você tá fazendo?
– Procurando minha carteira. – Gisele disse e Clara riu, e Gisele acabou fazendo o mesmo.
– Belo lugar pra se procurar, hein? – Clara riu. – Suas amiguinhas estão por aqui também? – Clara perguntou ansiosa e negou.
– Não, estão na praia... Eu só voltei pra buscar a carteira mesmo e... ACHEI! – Gisele gritou e Clara gargalhou muito alto. Roberta apareceu na sala e fez uma careta absurda para a cena.
– Clarinha, anda logo! A gente quer almoçar na praia, não jantar! – Robby disse virando os olhos e Clara riu da careta que Gisele fez.
– Tudo bem, vamos lá! – Ela pegou no braço da amiga e as duas saíram, com Gisele apenas a alguns passos de distância.
– Clarinha, você anda estranha hein? De papinho com a Marina... Agora com a Gisele! – Robby disse um pouco alto demais e Gisele chegou perto delas.
– Eu ouvi isso.
– Dane-se.
– Ai senhor! – Clara rolou os olhos teatralmente e quase riu. – Calem a boca as duas! Vamos comer que eu tô com fome!
Ao chegarem na praia, as garotas logo se direcionaram para o quiosque, onde por acaso Van e as amigas estavam, mas ninguém ligou. Pegaram uma mesa bem distante e fizeram seus pedidos, enquanto observavam a bela paisagem e as belas surfistas. Clara olhou para a mesa da irmã e percebeu que Marina a encarava. Os olhares se cruzaram e Marina sorriu de canto, fazendo a menina desviar o olhar, um pouco sem graça e talvez um tanto abalada por aquele sorriso incrível.
– Eu estou vendo isso... – Luuh sussurrou e Clara quase deu um pulo.
– Quer me matar do coração, sua maluca? – Clara disse e a amiga riu baixo.
– O que há entre você e a Meirelles? – Luiza disse o mais baixo possível, aproveitando que Flávia e Roberta tiravam fotos um pouco mais adiante. – Eu sei que não tinha garota nenhuma ontem.
Clara sentiu o estômago revirar e quando ia abrir a boca, Robby voltou para a mesa mostrando suas novas fotos. O olhar de Luiza para Clara foi bem desafiador, mas apenas as duas entenderam o recado. Poucos minutos depois, o almoço foi servido e as quatro estavam comendo e rindo de qualquer besteira quando o garçon se aproximou novamente.
– Com licença senhoritas. – O garoto simpático disse e todas sorriram. Ele estendeu a mão para Clara e lhe entregou um guardanapo. – A senhora ali do bar pediu para que eu te entregasse. A bebida também é sua, chama-se Orgasm. – Ele finalizou e Clara arregalou os olhos, soltando uma risada alta com as amigas.
– Abre logo esse guardanapo! – Flavinha quase gritou e Clara ainda ria.
– Calma mulher! – Ela respondeu e as quatro riram.
Clara desdobrou o papel devagar e começou a ler a mensagem, com um sorriso se formando em seu rosto e uma vontade imensa de rir.
Espero que goste da bebida... Agora leia isso fingindo que quem te enviou foi a moça de vermelho que está do meu lado: “Você é linda, espero te proporcionar muitas bebidas dessas” Faça cara de indignada. Jogue o papel fora. Te encontro em cinco minutos atrás da sorveteria. xxx Marina.
Clara gargalhou muito alto e olhou para o bar. Viu que Marina a encarava também rindo e chacoalhou a cabeça de um lado para o outro. Aquilo seria divertido.
– O que diz o papel, sua maluca? – Luuh perguntou e Clara riu.
– Você é linda, espero te proporcionar muitas bebidas dessas. – Clara repetiu rindo alto da cara de espanto das amigas.
– Nossa, mas que pedreiro! – Robby dizia rindo e Clara tomou um gole do drink, que era realmente bom.
– Quem é a pessoa, Clarinha? – Flávia perguntou e Clara apontou com a cabeça.
– A loira de vermelho ali do bar. Aquela da bebida azul. – Respondei e Flavinha arqueou a sobrancelha.
– Parece bonitinha... – Ela abaixou a haste do óculos e Clara segurava o riso. – Vai responder?
– Claro que não, tá louca? – Clara fingiu indignação. Tinha que admitir que as instruções de Marina eram realmente boas – Muito pervertida essa cantada! Aliás, vou dar um pulo no banheiro e já volto!
– Vou com você! – Robby disse e Clara gelou.
– Não! – Respondeu rapidamente e as amigas a encararam, confusas.
– Porque não? – Luiza arqueou uma sobrancelha, sempre desconfiada.
– Porque... Porque... – Clara gaguejou e tentou não ficar corada. Odiava não ter resposta para as coisas. – Porque aquele surfista gatinho da prancha azul tá te encarando há horas, Roberta. Acho que ele tá ensaiando vir aqui! Fique, eu volto em cinco minutos! – Clara disse por fim e Roberta olhou para trás, admirada.
– Nossa, que gato! – Ela exclamou – Vou ficar por aqui mesmo! – Robby respondeu marota e Clara sorriu aliviada, evitando olhar para Luiza ao deixar a mesa e amassando o papel para jogá-lo no lixo mais próximo.
Caminhou lentamente até a sorveteria, mas sentia suas mãos geladas. Odiava quando isso acontecia, mas estava ansiosa. Sabia que Marina realmente não estava brincando quando disse que iria conquistá-la, e isso a fazia sentir coisas estranhas. Deu a volta no lugar e parou atrás, olhando para os lados e vendo que ninguém estava ali. Xingou Marina mentalmente pensando que aquilo tudo era outra brincadeira estúpida, e quando virou para ir embora, a viu parada atrás dela.
– Hey. – Marina disse abrindo um sorriso gigante que quase a fez desmontar. Marina tinha o sorriso mais bonito que ela já tinha visto, mas é claro que nunca admitiria isso. Sorriu breve.
– Pensei que não viesse. – Clara deu de ombros.
– Gostou da bebida? – Marina gargalhou e Clara fez o mesmo.
– Você é uma pervertida, sabia? Ninguém merece! – Clara disse rindo e Marina respirou fundo.
A primeira parte do que Marina queria estava completa: Clara estava ali, difícil era saber lidar com isso. Nenhuma garota – pelo menos para Marina – era tão complicada como Clara. E de certa forma, ela adorava isso.
– Vai dizer que a bebida não era boa? – Marina arqueou uma sobrancelha e Clara admitiu, sorrindo.
– Realmente tenho que concordar. – Clara sorriu – Mas o que queria comigo?
– Dar uma volta e conversar... – Meirelles respondeu com um sorriso quase tímido e Clara sentiu a nuca arrepiar. Era engraçado vê-la sem jeito.
– Tudo bem, mas eu não posso demorar... As meninas vão desconfiar.
– Você se importa? – Marina apoiou os braços na parede em volta de Clara, prendendo-a ali. Clara sentiu os joelhos amolecerem. Maldita distância mínima.
– Me importo, claro. – Clada respondeu rapidamente – Se elas acharem que eu aceitei aquela cantada de pedreiro da suposta moça de vermelho, vai ficar muito ruim para a minha reputação. – Clara terminou e Marina gargalhou.
– Faz sentido. Agora vem! – Marina a puxou pela mão e as duas saíram correndo para algum lugar que Clara não tinha idéia de onde era. Clara apenas ria, sem fôlego, e Marina fazia o mesmo. Nenhuma das duas sabia o que era aquela sensação.
– Marina, eu vou morrer, você quer parar de correr por favor? – Clara disse ofegante e Marina riu, a encarando de frente. Clara estava simplesmente linda e Marina riu.
– Você disse que precisa ser rápido, a culpa é toda sua! – Marina retrucou colocando as mãos no joelho e Clara riu baixo.
– Não quero mais ir... Tô cansada. – Ela reclamou e Meirelles fez careta.
– Ah não, agora você vai!- Marina disse com a voz autoritária e Clara fez uma careta, quase rindo.
– Me dê um bom motivo. – Retrucou rapidamente e Marina coçou a cabeça, sem saber o que dizer.
– Não seja chata, só me acompanhe. – Marina disse mais baixo e Clara gargalhou.
– Péssimo argumento.
Marina riu.
– Sobe e não reclama. – Marina mostrou as próprias costas e Clara arqueou a sobrancelha.
– Você realmente tá disposta a me carregar? – Ela exclamou em total surpresa e Marina sorriu.
– Você reclama demais, pergunta demais. Dá pra subir logo? – Marina disse sorrindo e Clara fez o mesmo, pulando em suas costas.
– Parabéns, isso foi surpreendente Meirelles. – Clara disse rindo e Marina começou a andar, sorrindo.
– Eu sei que eu sou foda! – Marina disse e as duasgargalharam.
– Eu não te mereço, juro! – Clara rolou os olhos e estapeou a cabeça de Meirelles, que riu ainda mais.
– Outch! Eu já te disse que eu não sou saco de pancadas?
– Ah não? – Clara interrompeu rindo. – Desculpa, confundi. – Clara disse e Marina olhou para cima, gargalhando.
– Nem vou comentar.
As duas chegaram em um lugar onde o mar extremamente azul se misturava com um lago. Era simplesmente deslumbrante.
– Wow. – Clara disse e Marina sorriu.
– Acho que aqui tá bom... – Marina disse olhando em volta – Que lugar lindo!
– Você não conhecia isso aqui? – Clara virou confusa e Marina negou com a cabeça.
– Eu só queria te trazer pra longe... – Marina riu – Tá, eu devia ser esperta e ter dito: Sim, conhecia, pensei em você pra te trazer aqui! – Meirelles estapeou a própria testa e Clara gargalhou com isso.
– Seria romântico. E bem estranho. – Clara rolou os olhos.
– Porque estranho? – Marina disse sentando perto do lago e Clara fez o mesmo.
– Porque Meirelles e romantismo na mesma frase não é algo que combine muito. – Ela disse rindo e Marina fez uma careta.
– Você não me conhece. – Marina deu uma piscadinha e Clara riu ainda mais.
– Acho que conheço o suficiente pra crer que historinhas românticas não sairão da sua boca. – Clara retrucou e Marina abriu a boca, mas não emitiu nenhum som. Clara sorriu vitoriosa.
– Ninguém nunca reclamou. – Marina deu de ombros e Clara rolou os olhos, encarando a paisagem.
– Sempre tem a primeira, fica a dica. – Foi a vez de Clara dar uma piscadinha e Marina gargalhou.
– Falou a super romântica agora. Quase uma Julieta buscando um Romeu! – Marina disse a encarando nos olhos e rindo alto. Claria arqueou uma sobrancelha.
– Quem disse que eu estava me referindo a mim?
– Mesmo assim.
– Cala a boca, Marina. – Ela disse mexendo na areia e as duas ficaram em silêncio por um minuto. – Fala logo o que você quer comigo.
Clara disse Marina continuou muda, já que ela tinha a mandado calar a boca. Marina sabia exatamente como irritá-la. Clara bufou.
– Retardada! Nem sei porque eu to aqui... – Ela disse levantando e Marina a puxou pra baixo, rindo.
– Tô brincando, tô brincando! – Marina levantou as mãos perto do rosto e Clara quase riu. – Você é muito alterada, docinho...
– Ai Deus do céu, dai-me paciência com essa criatura e seus docinhos... – Clara rolou os olhos e as duas riram em conjunto. – Mas o que você queria, afinal?
– Conversar, ué. Eu sei que perto das meninas é quase impossível... – Marina disse olhando em seus olhos – E outra, quero te convidar pra sair.
Marina disse simplesmente e Clara a encarou nos olhos, confusa.
– Eu e você? – Ela perguntou e Marina riu, assentindo – Tipo um encontro?
– Se você gosta de nomear assim. – Marina sorriu de canto e sentiu suas mãos gelarem. Estava com medo do que Clara poderia responder. Mas iria conquistá-la, tinha prometido isso a si mesma. Clara ficou em silêncio e encarou o mar.
– Como você pretende fazer isso sem que ninguém note? Marina, é óbvio que todo mundo vai perceber que a gente sumiu! – Clara parou de falar e pensou melhor – Se eu aceitar, claro.
– Se você aceitar... – Marina riu baixo da confusão da garota – Pode ficar tranqüila que eu sei exatamente como fazer. Você só precisa confiar em mim e fazer exatamente o que eu disser.
Marina virou-se de frente pra Clara e ela a encarou nos olhos. Sentiu um misto de medo e excitação na proposta. Marina estava apreensiva com a demora de Clara pra dizer alguma coisa, era impressionante como só ela conseguia fazer suas mãos suarem de ansiedade. Não sabia se aquilo era algo bom, mas definitivamente era constrangedor. Clara mordeu o lábio.
– O que eu tenho que fazer? – Ela perguntou e Marina sorriu largamente, aliviada.
– Presta muita atenção no que eu vou te falar. – Marina começou, e Clara a escutava atentamente. Nada poderia dar errado.
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