Os Opostos Se Atraem
21 União do ultimo casal
Notas iniciais
Do jeito que poderia ter sido ..
– O que diabos você ta fazendo aqui? — Clara gritou para Meirelles, que estava jogada no sofá, vendo um jogo de futebol na televisão.
– Fazendo malabares com fogo, não reparou não? — Marina riu, sarcástica
– Marina, se manda daqui! Essa tarde suas amigas tem que SAIR porque a casa É NOSSA! — Clara disse séria — Esse era o combinado!
– Eu não combinei nada com ninguém. — Marina disse calma, percebendo que Clara ficava vermelha de ódio. Marina amava fazer isso. Sabia que só faltava um pouco para que explodisse.
– Combinou sim, merda! Tá escrito no papel da geladeira! Nessa semana a casa é só nossa na quarta feira! Por que você não age como uma pessoa madura uma vez na vida e respeita isso?
Marina bufou, sentando-se no sofá.
– Eu saio daqui se você me fizer um favor.
– Eu não vou fazer nada pra você, Meirelles. — Clara rolou os olhos.
– Então acostume-se à minha presença. — Marina sorriu, vitoriosa, jogando o corpo pra trás de novo. Clara xingou algo desconexo e a puxou pelo cabelo, fazendo-o gritar: — Outch! Mas que porra!
– O que você quer, idiota?
– Puxar o cabelo não vale tão a pena quando a pessoa não ganha um chupão no pescoço depois — Marina resmungou e Clara gargalhou.
– Nem que eu estivesse muito louca.
– Você sabe que me quer, docinho — Marina murmurou, e Clara bufou.
– QUANTAS MIL VEZES EU VOU TER QUE FALAR PRA VOCÊ NÃO ME CHAMAR DE...
– Docinho? — Meirelles riu. — Te acho tão sexy nervosinha, docinho.
– Marina! O que diabos você quer pra sair daqui? FALA LOGO!
– Nossa, pra que você quer tanto que eu saia? Vai trazer algum francês fedorento pra cá? — Marina riu.
– Melhor perfume francês forte do que esse bafo de cerveja, queridinha... — Clara sorriu vitoriosa, vendo a cara que Marina fez. — Só pra constar: isso está influenciando no seu corpo, dou dois anos para você estar super...
– Cala a boca, eu não vou ficar gorda em dois anos. — Marina rolou os olhos. — Você é insuportável.
Clara deu de ombros.
– Só estou sendo realista.
– Cala a boca! — Marina resmungou.
– Fala logo o que você quer, Marina, e vá se juntar aos demais losers!
– Ah, sim! — Marina sorriu. — Só quero uma coisinha. Que você dê dois passinhos pro lado.
– Quê? — Clara exclamou, e Marina fez sinal com a mão.
– Você tá bloqueando a TV.
Clara tacou uma almofada na cara de Marina assim que ouviu o que ela disse, fazendo Marina gargalhar. Marina tinha feito com que perdesse todo aquele tempo? Mas isso não ficaria assim, isso Marina podia ter certeza. Marina achou estranho Clara não ter dito nada e partido escada acima, mas o pensamento logo lhe fugiu da cabeça por causa da TV.
– Amiga, se toca, eu já disse que não tem como você ser amiguinha de uma daquelas losers! — Flavinha disse e Luuh rolou os olhos, entediada.
– Por Deus, Flávia ! Não é como se eu fosse melhor amiga de infância da Fernanda, eu só conversei com ela por 15 minutos!
– Inaceitável — Robby disse, fazendo a amiga bufar.
– Inaceitável eu ter uma conversa?
– Não, inaceitável A idiota da Marina NO NOSSO SOFÁ QUANDO O DIA É NOSSO! — Robby berrou, mas Marina mal se movimentou.
– Shiu, tá atrapalhando meu jogo!
– Era pra você estar na praia com o restante da sua turminha, não é mesmo? — ela disse.
– Você não manda em mim, Roberta. — Marina rolou os olhos. — Fica quieta.
– Mas por que você quer ficar em casa com um sol desses mesmo? Não tinha nenhuma biscatinha francesa pra você... — Flavinha ia dizendo quando foi interrompida.
– Ela quer testar minha paciência, amiga — Clara disse, descendo as escadas. — Mas não vou cair nessa.
Marina soltou uma sonora gargalhada no sofá.
– Como se eu me importasse tanto assim com você, Clara — disse, olhando pra tela. — Se enxerga.
Clara sorriu, caminhando até a cozinha.
– Eu já disse pra você não mexer comigo, Meirelles — disse calmamente.
– Cala a boca, tá nos pênaltis! — Marina disse, e ela riu baixo.
– Eu sei — murmurou.
Esse pode ser o gol decisivo do jogo. Se o Vasco não marcar, o campeonato é do Flamengo. Se marcar, a torcida do vasco comemora. Partiu diretamente para o...
– MAS QUE PORRA FOI ESSA? O grito de Marina ecoou pela casa inteira. Clara começou a rir descontroladamente, ainda com uma das mãos no quadro de luz da casa. Tinha assistido àquele jogo babaca por meia hora, mas sabia a hora certa de fazer Marina ter uma síncope. Tudo que ouvia era um palavrão atrás do outro na sala, e eles começaram a ficar mais próximos da cozinha. Rapidamente, fechou o quadro de luz e sentou na bancada, tentando prender o riso.
– FOI VOCÊ! — Marina entrou gritando, e Clara sorriu de canto, cínica.
– Tô limpa, oficial Meirelles! — Colocou as mãos pra cima e Marina a segurou pelos ombros.
– Você vai me pagar muito caro! — disse entre dentes, Clara podia ver o ódio em seu olhar. Marina a soltou com força, fazendo a garota quase tombar de costas. Suas amigas já estavam por perto.
– A culpa é minha que a luz acabou agora? — disse Clara com cara de anjo, vendo Marina caminhar até o quadro de luz e subir a alavanca, fazendo com que todas as luzes da casa acendessem.
Marina não respondeu. Apenas correu para a sala para ver a televisão.
– E O FLAMENGO É CAMPEÃO! — Ouviu o narrador gritar, e xingou mais meia dúzia de palavrões. Estava tão puta que nem conseguia raciocinar.
Viu Vanessa, Gisele e Fernanda entrarem na sala, cabisbaixas, e teve certeza que a porcaria do Vasco tinha perdido. Sem pensar, correu até a cozinha, sentindo a fúria que percorria seu corpo.
– NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FEZ ISSO! — berrou, apertando o braço de Clara, que gemeu, mas não disse nada.
– Eu te disse pra não mexer comigo... docinho — Clara soltou a palavrinha que Marina tanto amava usar para irritá-la, junto com uma piscadela que a deixou furiosa. Como Clara conseguia ter aquela carinha de anjo o tempo todo? Filha da puta!
– Você foi longe demais! — Marina disse alto. — E vai me pagar caro por isso!
– Vai fazer o que? Me bater? — Ela sorriu com todos os dentes, sabendo que mesmo para Marina, que a odiava, aquilo não era uma possibilidade.
– Mari, o que você ta fazendo? — Vanessa chegou na cozinha, acompanhada do resto da casa.
– Fica fora disso, Fernandes — Marina disse, com o olhar fixo no de Clara.
– Repito: você vai me bater, queridinha? — ela provocou, e Fernanda chegou perto das duas.
– Clara, para com isso! — Fernanda disse e puxou Marina pelo braço. — Você vem comigo.
– Eu não vou pra porra de lugar nenhum! — Meirelles disse baixo, mas com a voz quase falha. — Aliás... — Marina riu maliciosa. — Vou sim.
Marina disparou para fora de casa. Todos ficaram sem entender, Roberta brigava com Gisele no canto sobre “a culpa ser toda da Meirelles”, e Clara fez um único movimento: levar a maçã à boca, como se nada tivesse ocorrido. Marina voltou — Clara podia perceber sem se virar — mas o estranho foi ouvir o grito de pavor que Flávia deu. Pensou que Marina estivesse com uma faca ou coisa do tipo. Quando virou o corpo pra olhar, viu que Marina tinha uma lata de tinta em spray verde limão nas mãos. E suas sandálias Louboutin nas outras. Antes que conseguisse gritar algo, elas estavam totalmente manchadas com tinta de grafite.
– EU VOU MATAR VOCÊ, MARINA! — Clara gritou, pulando da bancada e indo em direção a Meirelles.
– EU AJUDO! — Flavinha se solidarizou, e logo uma gritaria se instalou na cozinha. Fernanda tentava segurar Clara, antes que socasse Marina, mas não deu muito certo. Todas discutiam em volta deles.
– VOCÊS SÃO MALUCAS!
– VOCÊS QUE SÃO UM BANDO DE PATRICINHAS MIMADAS!
– ESSA É A PIOR VIAGEM DE TODAS!
– PODE TER CERTEZA QUE...
A gritaria cessou com o barulho de algo de vidro caindo no chão.
Marina segurou a testa, como uma cena que não havia acontecido tanto tempo antes, e sentiu o sangue escorrer.
– EU ODEIO VOCÊ!
Marina e Clara gritaram juntos, fazendo todas arregalarem os olhos.
(...)
– PARA, PARA, PARA! — Marina gritou. — Não gosto de pensar em “como seria” — ela fez aspas com os dedos, abraçando Clara pelas costas. — Eu gosto muito mais de como é agora — disse, e todas entoaram um “awnnn”, fazendo-a corar e Clara rir.
– Eu também prefiro muito mais como está agora, namorada- Clara sussurrou, fazendo Marina sorrir abobalhadamente e beijá-la.
– Eu gosto quando você me chama de namorada — Marina disse, sorrindo.
– Eu gosto de ser sua namorada. — Ela riu.
– Ah, que nojo, já aumentou minhas diabetes de novo! — Luuh disse, fazendo todas gargalharem.
– Fala sério, aposto que você e a Fernanda são super melosas uma com a outra. — Clara desafiou.
– Eca, jamais. — Luiza riu. — Ser melosa é para os fracos. Os fortes curtem umas coisas mais picantes que isso.
– NOSSA! — Gisele gritou, fazendo todas rirem. — Quer dizer então que vocês são o casal made in México? — disse, e todas gargalharam.
– Estamos mais pra um casal made in vulcão — Fernanda se gabou, fazendo todas gargalharem.
– Menos, Fernanda , quase nada, vai — Luiza disse, fazendo Gisele se contorcer na cadeira.
– Tá rindo do que, senhora “eu sou a pessoa mais linda que você já viu?” — Marina sacaneou. — Pelo amor, hein Gisele, não foi assim que eu te ensinei...
– Cala a boca aí, vai, docinho! — soltou e todas riram.
– Gente, isso é muito divertido! — Robby bateu palmas de uma maneira que fez Marina pensar em uma foca, e rir.
– O quê, Robby? — Clara indagou.
– Você namorando a Marina. O casal mais quente que pimenta Fernanda e Luiza e bom... Eu e essa coisa aqui — ela disse, corada, fazendo Gisele rir.
– Obrigado pelo coisa.
– Não há de quê — ela respondeu, rindo baixo.
– Pra ser mais perfeito, só faltava... — Luiza começou a dizer, quando Flávia entrou pela porta.
– Gente, vocês não vão acreditar! Fiquei duas horas na fila do mercado, e quando cheguei lá, tava sem sistema pro meu cartão! QUE ABSURDO! — ela disse, enquanto todos riam baixo. — Do que vocês estão rindo?
– De nada — Fernanda disse, segurando o riso.
– Só estávamos conversando sobre como teria sido, caso a Marina e a Clara ainda se odiassem — Robby disse naturalmente.
– Ah... — Flavinha fez cara de pensativa, como se ainda calculasse a hipótese. — Estranho, não consigo mais pensar nelas separadas! — riu. — Vou pôr essas coisas na geladeira.
Todas se entreolharam, tentando rir baixo, mas assim que Luiza ia abrir a boca pra prosseguir, Vanessa desceu as escadas.
– Cara, dormi demais! — ela disse, e Luuh bufou.
– Nunca vou terminar meu raciocínio — ela disse e Fernanda riu baixo, beijando-a.
– Alguém quer dar uma volta na praia? — Vanessa perguntou, mas todas negaram. Ninguém queria sair dali, e se saíssem, Luiza mataria uma a uma com as próprias mãos. — Ok então. Qualquer coisa, tô no celular.
Vanessa bateu a porta, e todas encararam Luiza.
– Acho que minha fala perdeu a graça de tão óbvia — ela disse e Clara riu, maliciosa.
– Sei bem o que está pensando.
Gisele arqueou a sobrancelha, marota.
– Declaro aberta a “Operação União do último Casal” — disse, e todas riram, batendo as mãos.
**
As coisas estavam bastante claras para aquelas seis amigas. Oito pessoas, quatro garotas para um lado, quatro garotas para o outro lado, a matemática é simples. Quatro casais. Não podiam ser três, Vanessa e Flávia ficariam juntas nem que fossem amarradas. Tudo bem que todas desconfiavam que isso não seria preciso, afinal, assim como os demais, a estranha magia da viagem pra França também tinha os tornado bem amigas,o que facilitava o processo.
– Ok, o que vamos fazer? — Marina fechou a porta atrás de si, certificando-se que Flávia tinha realmente ligado o chuveiro no quarto ao lado — Precisamos de um plano.
– Ou de vários, porque a Vanessa é meio lerda... — Fernanda disse e as garotas riram.
– Ei! Vocês tão falando da minha irmã! — Clara fez careta, segurando o riso.
A- Gente, cadê o foco? Tudo bem que a Flavinha demora três horas no banho, mas no ritmo que vamos, não teremos nada quando ela sair!
– É, e a Vanessa pode voltar e estragar tudo.
– Andei pensando em algumas coisinhas... — Luuh fez cara de intelectual. — Algo simples, como... Verdade ou desafio?
– Ah, não! — todas disseram juntas
– Luuh, isso só é solução se você está no pré e quer dar seu primeiro... selinho! — Marina fez careta e Fernanda riu.
– Me diz que você não brincava de verdade ou desafio no pré! — Clara indagou e Marina riu.
– Com garotas da quarta série — se gabou, e Clara fez careta, dando um tapa em seu braço.
– Sua puta! — Clara riu , e Marina a acompanhou.
– Ok, e se nós fizéssemos um encontro pra elas? — Robby disse, com os olhos brilhando. Marina fez careta de novo.
– O que foi dessa vez, Meirelles? — Luiza bufou e Clara riu.
– Nada não. Marina ainda anda traumatizada com encontros — Clara disse, rindo baixo.
– Você devia estar também. — Marina fez bico.
– Não podia ter acabado de melhor forma, eu já disse isso pra você. — Ela sorriu, e Marina sentiu a nuca arrepiar. Como ela era boa nisso!
– Bom, eu acho muito digno um encontro! — Luiza concordou com Roberta.
– Também acho! — Clara se manifestou.
– Mas e se... — Fernanda interrompeu.
– E se nada, Fernanda! Você não vai dar ideia melhor! — Luiza disse e todas a sacanearam por pelo menos cinco minutos.
– Patroa, deixa a Fernanda continuar, vai? — Marina riu e Luuh mostrou o dedo do meio pra ela.
– Hoje, quando eu e a Clara acordamos, tava passando Friends na TV... — Fernanda disse, pensativa. — Era um episódio que a Phoebe e o Joey tentam juntar o Ross e a Rachel.
– Nossa, Fernanda, genial! — Clara bateu palminhas e Gisele riu.
– E o que elas fazem? — Luiza perguntou.
– Vocês sabem que se inventarmos um encontro pra elas, elas jamais vão aceitar. Só se for obrigado mesmo. Então no seriado, eles marcam dois encontros terríveis, pra que no final o Ross e a Rachel descubram que são perfeitos um pro outro.
– Eu amei! — Luiza sorriu.
– Pra quem não queria me deixar falar... — Fernanda fez bico, e Luuh riu, beijando-a.
– Tá, mas no seriado não dá certo! — Gisele disse. — Eu lembro do episódio.
– Ok, mas o nosso vai dar! — Clara disse, decidida. — Somos muito fodas. Faremos tudo perfeitamente. Milimetricamente calculado.
– Meio CSI esse papo...
– Cala a boca, Gisele!
– Tá, beleza... — Clara sorriu, maliciosa. — Vamos arrumar um encontro terrível para a Flávia . E a Vanessa vai tomar um bolo.
– Encontro terrível pra Flávia ? Hmmm... O cara pode vir buscá-la a pé! — Marina riu. — Vamos arrumar um cara pobre que venha de ônibus!
Todas riram da idéia, sabendo que ela fazia muito sentido.
– Foda é arrumar alguém pobre na Riviera Francesa! — Fernanda disse.
– JÁ SEI! — Luuh deu um pulo da cama — Robby, como era o nome daquele ator que bonitão que veio na nossa festa?
– Luiza, é pra ela odiar o cara!
– Eu seeeei! — Luuh rolou os olhos. — Mas ele é ator, durd! Ele pode ser bonito, mas pode estar fedido e atuar que é pobre!
– BRILHANTE!
– Eu sei, sou foda.
– Quieta! — Clara riu. — Esse povo ta muito pretensioso ultimamente! Convivência com você, docinho? — Ela riu da cara que Marina fez.
– Você vai pagar por essa hein?
– Adoro pagar meus pecados — respondeu, maliciosa.
– AI, JESUS, eu sou muito nova pra ouvir essas coisas! — Gisele fez cena e todas gargalharam, enquanto tentavam formular todos os detalhes do plano.
**
As garotas estavam na praia — tudo dentro do plano, é claro — e Flávia estava com elas. Clara escondia-se embaixo do guarda-sol, tomando uma água de coco. Não era adepta ao bronze, enquanto Luuh e Flavinha tostavam sob o sol. Robby tinha ido dar um mergulho. Para voltar com algo de lá.
– Gente, sabe o que eu tava pensando? — Flavinha puxou assunto.
– Fala.
– Última semana, acho muito que devemos dar nossa última festa de arromba na Riviera!
Luiza e Clara se entreolharam, empolgadas. Tinham pensado tanto na “Operação”, como diria Gisele, que tinham esquecido que uma festa de encerramento seria fundamental.
– Seria perfeito, Flavinha!
– Pensei em algo diferente dessa vez...
– Como assim? Algo com tema... Tipo baile de máscaras? — Clara perguntou empolgada.
– Na verdade, não. — Flavinha riu da cara de decepção da amiga. — Temos uma praia quase particular aqui. E esse lugar é lindo! Já viramos bests do dono do quiosque, achei que seria bacana uma festa na praia!
Flashback...
As lágrimas escorriam pelo rosto de Clara, que estava parada, agora olhando para Cadu, que ria a cada palavra da maldita carta da aula de literatura. Marina olhou para trás e seu olhar se encontrou com o de Clara. Foi quando ela percebeu que Clara estava chorando. Em meio segundo, deu mais alguns passos e puxou Cadu para baixo do palco, dando um soco certeiro em seu rosto. O garoto caiu na areia.
– Sua lésbica Filha da puta! – Cadu gritou — Você vai ser só mais uma vítima na mão dela!
Meirelles nada respondeu, mas tinha raiva no olhar. Clara já estava ao lado das amigas gritando por socorro.
– Eu disse que ia ter volta, Clarinha! – Cadu gritava tentando se soltar dos braços de um desconhecido. – Me solta, porra! Eu ainda quero acertar uma essa vadia...
– Solta, deixa ele vir! – Marina provocava, chamando-o com o dedo, enquanto também tentava se soltar de Fernanda.
– Marina, fica na sua! – Fernanda segurava a amiga com mais força.
– Já chega vocês dois! – Clara gritou com os olhos vermelhos. – Você é podre, Cadu. Muito pior do que eu esperava!
Fim do Flashback
– Ugh! — Clara chacoalhou o corpo. — Festas na praia me dão calafrios.
– Ué, por quê? — Flavinha perguntou e Luiza olhou pra ela.
– Não se lembra da história da carta da aula de literatura que o Cadu leu? — disse e Flavinha bateu com a mão na própria testa, envergonhada.
– Ai, amiga, eu esqueci, desculpa! — disse para Clara. — Mas no fim das contas, acabou sendo bom, vai? Você tá namorando sua docinho agora! — Flavinha sorriu e as garotas riram.
– Você tem razão. Acho que festa na praia vai ser uma boa mesmo! — Clara concordou, e Robby aproximou-se delas, acompanhada do tal ator-bonitão, que atendia pelo nome de Cory Sparks. De acordo com Fernanda, um nome meio gay.
– Meninas, vocês não vão acreditar no que acabou de acontecer! — Robby parecia ofegante.
– O que houve, amiga? Que cara é essa? — Luiza perguntou como se estivesse muito preocupada, fazendo Clara se perguntar por que não as tinha carregado para o teatro.
– Quase me afoguei!
– Mentira! — Flavinha jogou sua Elle de lado. — Você ta bem, amore?
– Estou, porque encontrei com o Cory, ele me salvou! — Robby sorriu com todos os dentes, e o bonitão acenou para as garotas.
– Por que eu acho que o conheço, mesmo? — Flávia ergueu uma sobrancelha.
– Porque você me conhece. — Ele sorriu. — Fui na última festa de vocês na mansão.
– Ahhh... — Flavinha suspirou, com cara de tarada.
– Bom, Roberta, só queria me certificar de que você tava bem. Acho que vou indo — ele disse. — Ah, se mudar de ideia sobre hoje à noite, me liga — Cory deu uma piscadinha e saiu correndo, sem camisa, pela praia. Todas olharam boquiabertas — sem ensaio algum — para o corpo perfeito dele.
– Meu Deus do Céu, tô indo ali me afogar e já volto! — Flávia exclamou e Luiza riu, vitoriosa.
Bingo.
– O que ele queria com você hoje, Robby? — Clara perguntou, segurando o riso.
– Ele queria que eu saísse com ele — Roberta respondeu, tímida.
– E VOCÊ NÃO VAI? — Flávia gritou.
– Claro que não! Já ouviu falar em uma certa Gisele que atende pelo nome de minha ficante no momento?
– FICANTE NÃO É NAMORADA! — A reação previsível de Flávia fazia com que as meninas segurassem o riso.
– Na verdade, ele te achou bem gata, amiga. Eu posso ligar pra ele e dizer que você... — Robby nem conseguiu terminar a frase.
– Fechadíssimo, manda o bonitão me buscar às 20h!
**
– Cara, não acredito nisso! — Gisele entrou na sala onde Vanessa e Marina jogavam sinuca, e Fernanda esperava sua vez.
– Ótimo, podemos em jogar em pares agora? – Fernanda bufou e Marina riu, posicionando-se para sua jogada.
– O que aconteceu, Gisele? — Meirelles perguntou e Fernanda pareceu cair em si.
– Lembram da Maureen? — Gisele indagou.
– Não. — As três responderam em uníssono e Gisele riu.
– A gostosa que a Marina agarrou aquele dia que ela queria irritar a Clara!
– Ahhhhh. A Maureen. — Marina fez uma careta, lembrando do dia.
– Então, ela me ligou... Querendo sair comigo. — Gisele fez cara de cãozinho abandonada. — Mas eu tenho a Robby, nem vai rolar.
– Ah, nossa garota está entrando num compromisso! — Vanessa sacaneou, e Gisele mostrou o dedo.
– Vanessa, já que você é a única solteira da turma, eu acho que você deveria quebrar esse galho e levá-la pra sair pra mim. — Gisele disse simplesmente, e Fernandes levantou a cabeça, confusa.
– Por que você não diz pra ela que não pode?
– Porque eu não sei dizer não pra garotas... Vou oferecer você em troca. — Gisele riu.
– Não sei se quero. — Vanessa murmurou.
– Qual é, para de ser chata, Vanessa! — Marina resmungou. — A Maureen... Bem, pelo que eu lembro, era bem gostosa!
– Ei, olha o respeito, cunhada! — Vanessa fez uma voz afetada e as garotas riram.
– Sério, ela é gostosíssima, Vanessa! Eu lembro! — Fernanda incentivou.
– Tá bom, vai! — Vanessa disse, errando uma bola. — Eu passo pra pegá-la?
– Não precisa, eu marco pra vocês no restaurante. — Gisele sorriu de forma angelical, e fez com que Fernanda quase cuspisse o refrigerante.
– Ok. Melhor assim.
– Fala, docinho — Marina atendeu o telefone, e Clara riu.
– Tudo certo com minha irmã?
– Tudo no esquema. Ela acha que vai encontrar a Maureen — Marina riu.
– Quem diabos é Maureen? — Clara sussurrou do outro lado. Marina não entendeu por que ela estava fazendo aquilo, talvez só quisesse dar um ar de seriado policial à conversa.
– Por que você tá sussurrando? — Marina sussurrou de volta, e a garota riu.
– Quem é Maureen? — Clara disse um pouco mais alto.
– A garota amiga da Gisele... — Marina parou a frase.
– Que você agarrou? Lembro da vaca – Clara disse baixo, e Marina não estava vendo, mas tinha certeza que Clara tinha rolado os olhos.
– Ei, já passou isso, ok? — Marina disse. — Além do mais, ela nem sabe de nada.
Clara riu.
– Somos muito maldosas. A Flavinha já tá de encontro marcado com o Cory. E ele já sabe direitinho como agir.
– Beleza! — Marina comemorou. — Ah, por que você ta sussurrando mesmo?
– Porque é sexy. — Clara riu. — Porque a Flávia tá aqui, óbvio. Melhor eu desligar.
– Ok, não fique demais no sol, se você se queimar eu não terei como me vingar de você essa noite. — Marina disse marota e Clara gargalhou.
– Cala a boca, vai. — Ela ainda ria. — Beijos, amor!
– Beijo, linda.
**
Estava tudo certo para a “Operação União do Último Casal”. Flávia estava deslumbrante, tinha usado todas as marcas possíveis e um salto finíssimo que com toda certeza não seria bom para o lugar que estava indo. Luuh teve dó e vontade de rir ao mesmo tempo, mas ficou quieta. Vanessa tinha se arrumado pra encontrar a gostosona no restaurante, mas ainda estava na sala vendo TV com as garotas, porque não teria que buscá-la. O interfone tocou e Marina correu, rindo baixo, presumindo que seria o tal Cory-Nome-de-Gay-Sparks.
– Flávia ! — Marina gritou. — O tal do Cory tá aí!
– Ai, meu Deus! — Ela ajeitou o vestido curtíssimo preto que usava. — Estou um arraso?
– Até eu sairia com você, amiga — Clara disse, rindo. — Vai lá, arrasa o coração do gatão Cory!
Flavinha desceu as escadas e as quatra garotas viraram o pescoço pra olhar. Estava deslumbrante. Gisele abaixou o rosto para não rir e estragar tudo, mas presumia que ela ficaria muito puta.
– Wooo-Wow! — Vanessa disse, e Clara cutucou Robby para que visse a reação dela. — Você está linda – disse Vanessa, meio corada.
Flavinha sorriu largamente.
– Obrigada.
– Bom encontro com o Cory-Gay, Flavinha! — Fernanda disse e Marina riu.
– Me erra, Fernanda! – Flávinha respondeu, rindo.
Flávia caminhou rindo (de Fernanda e Luiza) e xingando (o caminho de pedras que era horrível pra andar de salto) até o portão. Ao abri-lo, encarou um Cory lindo como sempre, porém vestido... De bermuda, camiseta e chinelos?
– Nossa, caprichou! — Cory aproximou-se para cumprimentá-la. — Não sei se mereço tudo isso...
"Ok, Flávia , respire. Pelo menos ele é gatíssimo!"
Cory a abraçou e Flávia xingou a si mesma por ter respirado. Ele estava suado e nojento. Ninguém merecia aquilo, ninguém. Mas uma coisa sua mãe tinha lhe ensinado: uma dama jamais comenta algo assim, então sorriu amarelo.
– Vamos? — perguntou, delicada.
– Claro! É melhor irmos mesmo, o ponto mais próximo é a dois quarteirões. — Cory respondeu simplesmente.
– Ponto? — Flávia elevou um pouco a voz. — Ponto de quê?
"Diga táxi, diga táxi..."
– De ônibus, ué! — Cory riu baixo da cara de choque da garota, puxando-a pela mão enquanto contava qualquer história boba sobre "como seu carro tinha quebrado".
***
Vanessa partiu para o restaurante pouco tempo depois. Estava feliz de encontrar a gostosona da Maureen. Tudo que precisava era de uma noite longa de diversão com uma bela garota. Esse negócio de única solteira da casa estava começando a irritá-la. É claro que podia optar por se unir a outra solteira da casa, mas isso seria meio óbvio — e convenhamos, bem difícil, tendo em vista que Flávia também tinha um encontro e estava linda. O tal cara do nome gay tinha sorte, mas ela também. Maureen era um belo passatempo.
– Boa noite, senhora. — Uma moça bonita dos olhos verdes veio atendê-la. — Posso ajudá-la?
– Claro. Eu tenho uma mesa reservada em nome de Vanessa Fernandes .
A garota sorriu, checando.
– Mesa para dois, não? Me acompanhe, por gentileza.
***
Flávia não poderia estar mais irritada. Tudo que conseguia pensar era que preferia ter sido atropelada pelo carrinho de cachorro quente que cruzava a rua do lado de fora. Aquele cara era gato, mas não valia nem um pouco a pena. Estava de bermuda, suado, a fez andar de salto e pegar ônibus, e como se não bastasse, tinha a levado para comer hamburguer e milk-shake num dinner anos 50 em que a procedência da comida era bastante duvidosa. O cheiro de gordura lhe dava voltas no estômago, e só pra completar, ele comia de um jeito terrível e falava de boca cheia. Era como se alguém tivesse entrado em sua mente e tirado de lá seu pior pesadelo, pra usar contra ela mesma.
– Gata, vou tirar água do joelho.
Cory disse e levantou. Flavinha sacou o celular no mesmo instante, ligando para Clara. — Fala, gatinha. — Clara atendeu quase rindo, presumindo o que viria. Todas estavam com ela, comendo pizza.
– Me mate. Mas tem que ser AGORA! — Flavinha gritou, enfurecida. — Esse é o pior encontro EVER!
– Do que está falando, amiga? — Clara fez voz de confusa e Marina chacoalhou a cabeça, falando "malvada", apenas mexendo os lábios.
– Esse Cory é horrível! Ele é nojento, ridículo, ele... Ei, olha por onde você anda, mulher de patins! Se derrubar milk-shake no meu vestido eu te processo! — Flavinha gritou, totalmente afetada, e Clara acabou rindo do outro lado.
– Não entendi nada. Achei que o Cory fosse um bom partido...
– Eu também! Eu preciso me livrar dele e desse lugar antes que eu tenha um derrame! — Flavinha sussurrou e Clara sorriu, maliciosa, fazendo um sinal de positivo para as outras cinco.
A primeira parte do plano estava completa.
– Amiga, fuja! Fale que vai ao banheiro e fuja! — Incentivou.
– Na verdade ele está "tirando água do joelho" agora mesmo — Flavinha disse com nojo, fazendo Clara pensar no ator brilhante que Cory devia ser.
– Que palavreado horrível, amiga! — Clara riu.
– Vá à merda! — Flavinha bufou. — Tô fora daqui.
– Ok, gente, esse é o momento! — Clara desligou o telefone, tomando um longo gole de refrigerante. — A Flavinha vai fugir de lá!
– Yey! — Robby exclamou.
– Maravilha! — Fernanda disse. — Então temos que cair fora daqui agora!
– Mas eu nem acabei de comer minha pizza... — Gisele reclamou de boa cheia, e Luuh acertou um tapa em sua cabeça. — Outch.
– Vá comendo isso,Gisele ! – Luuh disse, jogando o celular na bolsa. — Tudo certo na sala de jantar?
– Tudo perfeito! — Robby sorriu. — Jantar japonês super chique, com muito saquê! — A garota sorriu, maliciosa.
– Você não era assim, amiga! — Clara chacoalhou a cabeça e elas riram.
– Tá, o caseiro já sabe o que tem que fazer, não? — Marina perguntou.
– Tudo certo. As duas entram juntos! — Gisele disse, engolindo sua pizza tão rapidamente que teve medo de engasgar.
– Fechado. Vamos cair fora daqui. — Marina sorriu, puxando Clara pela mão, com o restante das amigas atrás delas.
***
– Alô.
– Vanessa? — Gisele perguntou e ouviu Fernandes bufar.
– Claro que sou eu. Cadê sua amiguinha gostosa, porra?
Gisele tampou o fone para rir.
– Ela não chegou? — perguntou despreocupadamente.
– Não. Eu tô esperando há uma hora, isso é humilhante! – Vanessa disse, batendo os dedos na mesa. Os garçons já olhavam pra ela, tinha certeza que todos já presumiam o bolo que tinha levado.
– Não acredito, Van! – Gisele disse. — Só tinha ligado pra avisar que íamos sair, você tá sem chave, né?
– Estou. Mas o caseiro ta aí, não?
– Acho que vai estar aqui sim. Ele vai comprar algo no mercado. Hm, espera aí na linha, vou tentar ligar pra Maureen.
– Ok. Anda logo.
Gisele tirou o telefone do ouvido, ficou rindo com Fernanda por dois minutos e pegou o telefone de volta.
– Van, você não vai acreditar!
– O que foi? — Vanessa perguntou, nervosa.
– A Maureen teve que viajar com os pais pra Nice e esqueceu de avisar!
tirou o telefone do ouvido, rindo do sonoro palavrão que Fernandes soltou do outro lado da linha.
– Tô indo pra casa.
– Beleza. Qualquer coisa, me liga.
– Senhoras! Segunda parte da Operação... Concluída! — Gisele disse, animada.
***
Flávia entrou em casa e jogou-se no sofá. Achou estranho ninguém estar ali, mas não eram obrigadas a ficar esperando-a, pensou, e então ficou quieta. Estava morta de fome, não tinha conseguido engolir nada naquele encontro imbecil, então tirou as sandálias e correu para a cozinha. A porta estava trancada.
– Ué! – Forçou a mesma, sem sucesso – Mas que droga!
Estava pronto para ir atrás do caseiro, quando ouviu alguém mexer no trinco da porta da entrada. — Oi? – Vanessa disse, confusa. – Você não tinha que estar no encontro com o gay lá? – Vanessa riu, e por mais estranho que fosse, Flávia a acompanhou.
– Antes ele fosse gay – Flavinha murmurou, mas alto o suficiente para que Vanessa ouvisse – e risse.
– Acho que não fui a única que se deu mal essa noite – ela se aproximou. Quando viu que Flavinha ia lhe perguntar o que tinha ocorrido, continuou: – Tomei um bolo da Maureen.
Flavinha fez cara de espanto, depois ambas desataram a rir.
– Perfeito – Flávia disse sarcástica.
– Ao menos temos a nós mesmas – Vanessa sorriu um pouco corada, depois que percebeu que aquilo tinha soado como uma cantada. – Quer comer alguma coisa? – consertou.
– Bem que eu queria, mas a porta tá emperrada! – Flávia fez bico e Vanessa sorriu.
– Deixa eu dar uma olhada.
Vanessa girou a maçaneta da porta com tanta força que quase caiu quando ela abriu de vez, fazendo Flávia gargalhar.
– Eu juro que tava emperrada! – disse, levando as mãos à cabeça. Vanessa riu.
As duas entraram na cozinha, e não havia nada demais lá, apenas um envelope vermelho perto de um rádio. Flávia abriu e o leu em voz alta.
“Coloquem o CD para tocar e corram para a sala de jantar. Vocês vão entender (e nos amar por isso!). Ass: Todo mundo!”
– Tenho medo! – Flavinha arqueou a sobrancelha e riu. Fernandes a acompanhou, apertando o botão do rádio.
“Two is better than one” começou a tocar, e elas se olharam, confusas. Flavinha suspirou – amava aquela música – e caminhou até abrir vagarosamente a porta da sala de jantar.
– Wow. – Foi o que Vanessa disse, entrando e vendo a decoração com luz baixa, as barcas japonesas, as velas... E então entendeu tudo. Virou-se de frente para onde Flavinha estava, mas ela encarava as velas, estupefata. Vanessa sorriu, e quando ia tomar coragem para dizer alguma coisa, ouviu o grito histérico e agudo da menina, dando um pulo para trás.
– FORAM ELAS! AQUELAS AMIGAS DA ONÇA ME FIZERAM TER O PIOR ENCONTRO DA MINHA VIDA! ME FIZERAM ANDAR DE ÔNIBUS COM UM CARA FEDORENTO! APOSTO QUE ELE NEM ERA FEDIDO! E EU FUI PARA AQUELE DINNER HORRÍVEL E... Por que você está sorrindo?
Ela parou de gritar e Vanessa riu baixo, tirando as mãos da cintura e aproximando seu rosto do dela.
– Algo me diz que essa noite pode ficar muito melhor. – Vanessa colocou uma mecha de cabelo de Flavinha atrás da orelha. – Só você querer. – Ela sorriu, tímida, e Flávia achou que nunca tinha visto nada tão fofo na vida. Sorriu largamente, colocando suas mãos no pescoço de Vanessa.
– Agora só depende de você.
Vanessa sorriu sentindo um misto de adrenalina e uma felicidade estranha naquela frase. Roçou o nariz no dela, que fechou os olhos, ainda sorrindo. Beijou-a sem pedir permissão – e soube que tinha feito o certo.
Pela janela, Bob, o caseiro, sorriu, pegando o celular para avisar as seis amigas malucas do novo casal.
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– Eu ainda não entendi porque estamos dando uma "festa de encerramento" na terça, se vamos embora só domingo! — Vanessa disse, confusa, enquanto carregava caixas de enfeites.
– Flávia, manda sua mulher calar a boca! — Luiza disse, rindo. — Já expliquei mil vezes que era o dia que dava pro best do quiosque dar uma patrocinada!
As oito amigas — quatro casais, na matemática correta — estavam organizando a praia para aquela que seria a última festa da viagem pra Riviera. Muitas pessoas haviam sido convidadas, incluindo Cory, que segundo ele mesmo "apareceria muito cheiroso". Tinha ficado lindo, como sempre. Não precisaram de muito esforço com essa, afinal, era uma festa na praia, então as garotas tiveram muito tempo para se embelezarem o quanto quiseram.
Alguém tampou os olhos de Marina, e ela sorriu.
– Alexia? — provocou, e Clara riu, beliscando-a. — Outch! Hm, a garota mais linda da Riviera?
Clara sorriu, fazendo com que Marina virasse de frente.
– Errado. A garota mais linda do mundo! — Riu, presunçosa, e Marina a abraçou.
– Pretenciosa.
– Realista. — Vem cá então, dona garota mais linda. – Marina sorriu, puxando-a para seus braços.
Ela tinha razão. Estava realmente deslumbrante com seu short jeans e uma bata branca despojada. Meirelles a achava cada dia mais bonita, como se isso fosse possível.
– Você é linda, sabia? — disse, finalizando o beijo, e Clara sorriu, derretida. Era engraçado o quanto tinham se tornado melosas.
– Sabia! — Clara riu da careta que Meirelles fez. — Sou uma delícia mesmo — gargalhou. — Humildade ficou em casa? — Marina riu. — Mas sou obrigada a concordar. — Sorriu, maliciosa, beijando o pescoço de Clara. — Delícia.
Clara riu, tocando seus lábios no de Marina, quando Roberta chegou, afobada.
– Clara! Clara! Te achei finalmente! Eu acho que acabei de ver o...
– Ah, Robby, peraí... — Clara ignorou. — Te procuro em cinco minutos. Tô no meio de um momento aqui.
Marina riu vitoriosa, beijando-a. Estavam apenas as duas ali, a festa estava lotada, mas não naquele local. Clara sentiu a água gelada tocar seus pés, e deu um pulinho, instintivamente, fazendo Marina rir, sem cortar o beijo. Quando pararam, tempos depois, Marina a encarou, o jogo de luzes da festa e da lua a deixavam ainda mais perfeita. Era a hora, sentiu-se mais do que pronta.
– Clara... — disse baixo, quase inaudível. — Eu te...
– Ah, meu Deus! — Clara interrompeu, espantada.
– Calma, deixa eu terminar... — Marina riu, tímida.
– Ca-Cadu — Clara gaguejou.
– Quê? — Marina a soltou. — Eu sou a Marina! — disse, furiosa.
Antes que Clara conseguisse falar algo, Meirelles ouviu palmas e uma voz bem conhecida atrás de si.
– Se não é meu casal preferido... — Cadu debochou, aproximando-se de Clara. — Surpresa, gatinha.
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