Notas iniciais
Boa noite meus amores. Decidi que hoje não será o penúltimo cap, mas mesmo assim eu vou postar um cap no domingo. Agradeço de coração casa comentário de vocês, principalmente o da Jééh que conseguiu tocar até minha alma rs. Enfim, boa leitura..


Aquilo não era possível. Simplesmente não era possível. Marina tinha certeza que ia acordar daquele pesadelo a qualquer momento, e estaria em sua cama, com a garota que amava ao seu lado, e assim que ela acordasse continuaria aquela frase que estava engasgada.
O problema não era mais dizer aquelas três palavras, aquelas nove letras. Marina precisava acordar logo porque a imagem de Cadu era tão real que estava dando náuseas.
Não lembrava de odiar esse cara tanto assim.
Foi só quando ouviu a voz de Clara, assustada, que chacoalhou a cabeça com força e piscou os olhos algumas vezes.
Aquele filho da puta estava mesmo ali.
– O que diabos você está fazendo aqui? Co-Como você? — Clara parecia ter dificuldade em terminar uma frase que soasse coerente. Instintivamente, Meirelles passou os braços por sua cintura e colou seu corpo no dela.
Cadu arqueou uma sobrancelha ao ver isso, mas apenas riu baixo.
– Estou tão de férias quanto você, sua namoradinha e suas amiguinhas. — Portman sorriu, e depois debochou: — Vim de avião.
Clara parecia furiosa. Mais do que isso. Parecia estar a ponto de desmaiar de ódio. Robby, Luiza e Vanessa apareceram por ali, mas se mantiveram à distância.
– Ei, eu não sabia que você tinha ficado muda, Meirelles. — Cadu se dirigiu a ela pela primeira vez, e Marina sentiu o sangue correr mais rápido pelas veias.
Para desespero da namorada, a largou, e aproximou-se de Carlos Eduardo.
– Cadu, não me interessa saber que merda você está fazendo aqui — disse, firme. — Mas se manda da nossa festa. Você não foi convidado. Na verdade, sua presença aqui não é exatamente bem vinda. Sem ofensas, claro.
Marina lançou um sorriso vitorioso para Cadu, que não pareceu desconcertado em momento algum. Ao invés disso, deu alguns passos para perto de Marina, fazendo com que Meirelles conseguisse enxergar o fiel amigo de Cadu mais atrás — Ian — e logo atrás dele, Fernanda, com cara de poucos amigos.
– A praia é pública — Cadu disse.
– Mas essa festa não é — Marina retrucou rapidamente.
– Sinto muito, eu não vou a lugar algum — Portman sorriu, malicioso. — Não é como se você pudesse me expulsar, de qualquer forma.
O garoto saiu da frente de Marina e aproximou-se de Clara. A segurou pelo braço, e depois de olhá-la dos pés a cabeça, disse:
– Você fica dia mais gostosa, Fernandes — ele gargalhou. — Pena que é a mesma vadia insuportável de sempre.
Foi o que bastou. A finalização daquela frase foi tudo que precisava para que Marina perdesse o controle. Segurou Cadu pelo braço, e o garoto virou de frente, com um sorriso cínico estampado na cara. Meirelles levantou o braço para esmurrar aquela carinha de playboy, quando sentiu alguém segurar seu pulso.
– ME LARGA! — gritou, estressada. — Vanessa, me larga, olha o que esse filho da puta falou e...
Ian estava puxando Cadu para longe, e Clara apareceu na frente de Marina, assustada. Segurou seu rosto com as duas mãos trêmulas, e pressionou sua boca contra a dela, num selinho longo e estranho.
– Calma, amor. Por favor — ela disse, seus olhos estavam vermelhos. — É isso que ele quer. Ele quer que você perca a calma — ela fungou. — Não vou deixar que isso aconteça.
Marina olhou para ela e sentiu um nó no estômago. Ainda queria acertar um soco bem dado no nariz de Carlos Eduardo, e depois mais alguns outros. Mas Clara estava tão assustada que mudou de ideia por uns instantes, com uma estranha vontade de protegê-la acima de tudo.
E ela tinha a chamado de amor.
É claro que ela tinha reparado.
Marina segurou Clara, sem dizer nada, e a abraçou com força, acariciando seus cabelos, sabendo que ela estava prestes a chorar. Não queria que isso acontecesse, então sussurrou mais que rapidamente:
– Ei, calma, linda. Já passou... Eu não vou — Marina pareceu meio indecisa, mas conseguiu terminar a frase. — Eu não vou fazer nada. Não vou deixar que ele me irrite.
Clara levantou os olhos marejados, e seus olhares cruzaram.
– Promete? — perguntou com uma voz tão tímida que nem parecia a voz dela.
Meirelles deu um selinho demorado em Clara, antes de dizer, com toda convicção, aquilo que ela tinha certeza (quase absoluta) de que era uma grande mentira.
– Prometo.

A presença de Portman ali pareceu estragar a festa — pelo menos para as oito amigas, o restante dos convidados estava se divertindo até demais. Cadu estava certo. Não podiam expulsá-lo da praia. Fernanda olhou para Clara, que estava rodeada pelas amigas, mas claramente não estava prestando atenção em absolutamente nada que elas diziam. Marina estava tomando alguma coisa com Vanessa, que tentava fazer a amiga relaxar. "Nem que pra isso eu precise embebedá-lá", Fernandes tinha dito. Era bom que Meirelles apagasse. Na verdade, achava uma sacanagem enorme aquele mauricinho idiota estar ali. Bem quando Marina e Clara tinham se acertado? Aquilo era merda na certa. Gisele chegou, fazendo com que Fernanda parasse com seus devaneios e encarasse a amiga.
– Achei o cara — disse, tomando um gole de cerveja.
– Onde ele está? — se apressou em perguntar, e Gisele apontou para a outra extremidade da festa, quase em outro quiosque.
– Está lá com o Ian e mais um cara que eu nunca vi — ela disse, parecendo irritada. — E umas cinco garotas ou mais. Alguém devia avisá-las da merda em que estão se metendo.
Fernanda concordou com a cabeça. Cadu era mesmo um grande merda. Um grande merda com um carro importado, que poderia ter todas as garotas do mundo, mas aparentemente ainda queria se vingar de sua amiga. Tudo bem, era justo o que Marina tinha prometido à Clara. Ela realmente não devia se meter com o cara.
"Mas eu não prometi nada", pensou, e um sorriso quase diabólico apareceu em seu rosto.
Se Cadu se aproximasse de Clara ou Marina, ele estaria literalmente fodido.

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– Luuh, você não tá me entendendo — Clara passou as mãos pelo cabelo, aflita. — Olha a cara da Marina ! Eu não quero estragar a festa de todo mundo porque o idiota do meu ex-namorado resolveu aparecer sabe-se lá por quê! — A garota choramingou, se jogando na cadeira.
Luiza suspirou e a segurou pela mão.
– Clara, você não está estragando a festa de ninguém, quem está tentando fazer isso é o Cadu! É só você ignorá-lo, e fazer com que a sua docinho a ignore! — As coisas vindas da boca de Luiza pareciam ser muito mais fáceis que na prática. A menina continuou — E ele só está aqui pra isso, gata! Ele quer encher o saco de vocês! Quer atrapalhar! Por favor, pare de se lamentar, levante esse seu traseiro gordo, vá até sua mulher, agarre-a como se fossem fazer o kama sutra em público e VÁ SE DIVERTIR!
Clara riu pela primeira vez. Gisele, que chegava por ali, sorriu sozinha, vendo as duas amigas.
– Hey, olha quem está rindo! — Gi comentou e Clara sorriu. Depois beijou demoradamente a bochecha de Luuh, e fez o mesmo com Clara.
– Obrigada, meus amores.
– Ei, a Gisele chega, faz uma piadinha e leva crédito também? — Luiza gritou para a amiga que já estava de pé, e ela gargalhou, voltando.
– Eu sei que você me ama e quer mais um beijo! — Clara sorriu e se jogou na amiga, que teve um ataque de riso.
– Ai, a Marina tá muito bem de namorada mesmo, viu? — a garota sacaneou, e as três riram, antes de Clara sair por entre as pessoas.

Clara aproximou-se de onde Meirelles estava, fazendo um sinal com a cabeça para que Fernanda e Flávia saíssem. Foi bem nesse momento que pensou que os amigos não estavam aproveitando a festa juntos como casais, de tão preocupados que estavam com eles dois. Não queria que fosse assim.
– Hey, docinho. — Clara sorriu, sentando no colo de Marina, que segurava firmemente uma Heineken. Marina lançou-lhe um sorriso um tanto aliviada, e a abraçou pela cintura.
– Hey. Está mais calma? — Marina perguntou de um jeito fofo, largando a garrafa e beijando suavemente seu pescoço, fazendo com que aquela parte arrepiasse.
– Estou. Desculpe por isso, Marina . Eu realmente não queria... Estragar sua festa.
Marina encarou-a nos olhos, com o nariz encostado no dela. Não acreditava que Clara tinha dito aquilo. A culpa não era dela!
– Ei! — ela roçou o nariz no de Clara. — Pare com isso. Você não está estragando a festa de ninguém. — Antes que Clara protestasse, Marina a calou com um beijo rápido. — Você nunca estraga nada pra mim.
Clara abriu um enorme sorriso, e Marina se sentiu bem. Era assim que devia ser. Clara encostou os lábios nos de Marina, sem delongas, e ela deixou que suas línguas se acariciassem num beijo um tanto diferente do que estavam acostumadas. Tinha sim, todo aquele desejo e vontade de sempre. Mas as duas estavam mais preocupadas em mostrar que eram cúmplices e estariam ali para o que fosse preciso. Os pelos da nuca de Meirelles eriçaram pela suavidade do toque de Clara, e ela apertou sua coxa com força, trazendo-a ainda mais pra perto de si, e quase caindo da cadeira onde estava. As duas pararam o beijo, sem fôlego, e começaram a rir, ainda com os narizes encostados.
– Juro que se alguém me contasse, eu ia achar que isso era uma piada — Cadu gargalhou, e todo clima de paz que rolava entre o casal pareceu se desmanchar em uma nuvem de fumaça.
Clara ficou em pé, e Marina apenas se endireitou na cadeira, quando ela segurou sua mão e disse, baixo o suficiente para que só Marina escutasse.
– Você prometeu.
Meirelles rolou os olhos e encarou Cadu. Não se achava a pessoa mais linda do mundo, mas não conseguia entender, com toda sinceridade, o que Clara tinha visto de bom naquele cara. "Porra nenhuma", pensou.
– A vida é feita de surpresas, meu caro Portman... — Marina sorriu, tomando um gole da cerveja. — Os bons ficam com os melhores prêmios. — Ela olhou pra Clara de rabo de olho, e viu que ela sorria discretamente. Então continuou: — Os merdas, assim como você, têm que se contentar em tentar estragar festas alheias ou irritar casais porque não têm caráter o suficiente para arrumar uma garota, e então percebem que perderam uma que é insubstituível.
A cara de Carlos Eduardo foi impagável. Marina não sabia como as amigas já estavam ali, mas as risadas histéricas e inconfundíveis delas tomaram seus ouvidos. Clara riu, aproximando-se dela, e então Ian chegou perto de Marina, fazendo com que levantasse.
– Quem você pensa que é, sua sapatão? — ele falou. — QUEM? Acha que é foda só porque tá comendo uma menina que todo mundo já comeu? — ele gargalhou. — QUEM É VOCÊ PRA FALAR QUALQUER MERDA?
Marina gargalhou. Mas gargalhou de verdade.
Aquilo era simplesmente ridículo.
– FALA ALGUMA COISA, PORRA! — Ian gritou e Meirelles o olhou.
– Cara... — ela respirou fundo. — Você é gay?
Clara não sabia de onde isso estava saindo. Simplesmente não sabia. Marina estava com umas respostas surreais, respostas que costumava usar quando elas brigavam. Estava orgulhosa. Estava realizada e com uma vontade absurda de rir loucamente, como suas amigas e mais algumas pessoas ao redor estavam fazendo. Ian olhou Marina, e quando foi respondê-la Meirelles fez sinal de um minuto e prosseguiu.
– Hey, Cadu! — Marina disse. — Pare de mandar sua putinha resolver seu trabalho sujo. Se você quer falar qualquer merda pra mim, fale com sua própria boca.
Então ela simplesmente andou. Segurou Clara pela mão, e passou por entre os curiosos, passou direto pelas próprias amigas, e começou a gargalhar freneticamente quando estavam sozinhas.
– Você é doida! — Clara gritou, rindo junto — Aquilo foi...
Marina não esperou que continuasse a frase. Segurou-a pelos quadris com tanta força e precisão que Clara entrelaçou as pernas em sua cintura. Lançou-lhe um sorriso que com certeza, era feito pra matar Clara, e beijou-a com tanta vontade que parecia que ia fundir seu corpo contra o dela, ou que as duas iam atravessar a parede da parte de trás do quiosque. Suas mãos subiam por baixo da blusa de Clara, apertando-a na cintura, contornando as rendas de seu sutiã. Ouviu um gemido baixo que ela soltou e aquilo só a deixou mais louca. Clara sempre enlouquecia Marina, mas Marina só percebeu isso claramente quando sentiu, minimamente, que Cadu pudesse ser uma ameaça. Ele não ameaçava porcaria nenhuma, Clara era dela. Só dela. E Marina precisava dela. Precisava dela de modo urgente, precisava dela em sua cama, precisava abrir o feixe rendado daquele sutiã, precisava que todos aqueles panos entre as duas evaporassem. Estar com ela, naquela hora, pareceu não ser suficiente.
Marina precisava estar dentro dela. No sentido literal da palavra.
Sabia que estava metaforicamente dentro dela — Clara a amava, Marina tinha certeza. Sabia pelo modo que ela agia, sabia pelo modo que ela reagia ao beijo, ofegante, pela forma em que puxava seus cabelos com força e arranhava suas costas, por baixo da camiseta.
Transmissão de pensamento. Estava começando a acreditar naquela coisa.
Marina parou o beijo, ofegante, e Clara desceu em beijos desesperados e mordidas em seu pescoço que faziam com que seu corpo inteiro tivesse um choque elétrico.
– Casa. Agora — Marina arfou, e Clara sorriu, mordendo o lábio, maliciosa.
– Respire fundo ou vai ser meio constrangedor quando passar no meio da festa — Clara gargalhou, e Marina acabou rindo junto. Ela era perfeita.
– Sabe, eu comprei uns morangos essa manhã... Morangos... Com calda.
Clara sorriu, sempre maliciosa, e saiu andando.
– Melhor me seguir, ou vou me divertir sozinha.
Marina sorriu, chacoalhando a cabeça, e a seguiu como um cachorrinho.
Não que Marina ligasse.
O que quer que Clara quisesse, dissesse, fizesse, naquela hora e naquele caso... Ela aceitaria.

__//__

Clara estava correndo entre as pessoas, tentando não derrubar ninguém, mas estava quase impossível. Não se lembrava de ter convidado aquele tanto de gente, mas nem estava se importando com isso. Apertou a mão de Marina com força, esbarrando em uma garota ruiva, mas nem se deu ao trabalho de pedir desculpas ou algo assim. Ao esbarrar pela segunda vez em alguém, percebeu a merda que tinha feito.
"Ok", pensou, "esse cara é o diabo ou o quê? Como ele consegue brotar do chão?"
Lá estava ele. Com sua camiseta pólo, o olhar vidrado e o sorriso cínico característico.
– Sai da minha frente, Cadu- ela disse baixo, mas autoritária. Ele apenas sorriu novamente, e chacoalhou a cabeça, negando.
– Saia você da minha frente.
Cadu empurrou-a para o lado, sem qualquer delicadeza, e Clara quase caiu, se não fosse a ajuda de um garoto ruivo que a segurou pelo braço.
– Meu papo não é com você — ele disse, nervoso, olhando para Marina, que sustentou o olhar.
Cadu a empurrou com força, fazendo com que Meirelles derrubasse duas garotas que conversavam atrás deles.
– Cuidado com o que você faz, Carlos Eduardo... — Marina sorriu, claramente nervosa, ajeitando a blusa.
– Vamos resolver isso de uma vez por todas, Meirelles. Sem você fugir, que nem fez meia hora atrás. — Cadu gargalhou e Marina coçou a cabeça.
Seu sangue estava fervendo. Não conseguia evitar.
Clara se colocou entre eles.
– Marina, vamos embora, por favor! — ela disse, exasperada, mas quando o puxou, notou que Marina não moveu um centímetro sequer. Ela a olhou, passando a mão em seu ombro.
– Desculpe. Vou ter que quebrar a promessa — e então virou para Cadu — e a sua cara.
Algumas garotas gritaram quando Marina ia partir para cima de Cadu, que deu alguns passos pra trás, provocando.
– Ela vai foder com sua vida, sabia? — Cadu riu, olhando Clara — É isso que ela faz. Te faz pensar que vai ficar com você pra sempre. E então te troca pelo primeiro ou primeira, no caso...
– Cala a boca! — Marina acabou socando o ar, quando Cadu deu um passo para o lado. — Não foi essa história que todo mundo ficou sabendo, Portman...
Cadu quis socá-la. Ele bem que tentou, mas alguém o segurou pelos dois braços, como se fosse algemá-lo. Ao olhar seu primo, assustado, viu que Gisele e Vanessa seguravam uma Marina furiosa do outro lado. Fernanda se colocou no meio deles.
– Parem com essa merda AGORA! — gritou, e olhou para Marina — Mari, você prometeu...
Cadu não entendeu porcaria alguma do que aquela idiota estava falando. Nem queria. Se desvencilhou do primos, mas ainda estava parado, porque aquela idiota entre os dois ainda estava fazendo discurso.
– Como eu disse, você prometeu — ela sorriu, maliciosa. — Não eu.
Fernanda virou uma madeirada no rosto de Cadu pegando-o totalmente desprevenido. Ao ver que o playboy ia cair, o segurou pela camiseta.
– Esse foi por você ter tentado estragar nossa festa.
E então ela a socou, entre gritos de empolgação da festa inteira.
– Esse... Foi por você ter tentando atrapalhar minhas amigas.
E então sorriu diabolicamente, nocauteando Cadu com um soco na barriga, fazendo com que ele caísse na areia.
– E esse — Fernanda parou para pensar, e todos a encaravam. — Esse foi porque eu sempre quis quebrar tua cara, desde a sexta série. — Ela gargalhou. — Pare de comer areia e vá embora daqui, Carlos Eduardo.
Um mar de aplausos, gritinhos e coisas do gênero tomou o local. Marina estava atônita. Clara estava com os olhos arregalados e expressão de espanto. Antes que conseguisse alcançar as duas, levou um tapa no ombro. Quando ia reclamar, viu Luiza.
– Ei! Outch! — Fernanda disse.
– E se ele tivesse quebrado tua cara? — a menina gritou, furiosa, e ela riu.
– O Cadu? Há, conta outra! — Fernanda fez graça e a garota quase esboçou um sorriso por trás da feição emburrada.
Ela a encarou por dois segundos e depois sorriu.
– Aquilo foi muito, muito sexy.
Elas ouviram as gargalhadas de Clara, Marina e as amigas quando Luuh completou a frase, mas nem ligaram, enquanto se beijavam com toda aquela paixão que era comum para o casal. Marina desistiu de interferir, vendo que Cadu já estava deixando o local, escoltado por seu primo e Ian. Olhou para Clara, e ela sorriu levemente.
– Tá vendo? Nem precisou quebrar a promessa... — ela sorriu. — Só espero que não tenha quebrado nenhum osso ou algo assim — ela riu, e Marina sorriu fraco. — Vamos? Os morangos...
Marina sorriu de novo. Mas era um sorriso falso. Alcançou uma cerveja na mão do garçon que passava, beijou a testa de Clara, e suspirou.
– Vá para casa. Eu vou... — ela olhou em volta, sem saber o que dizer. — Eu vou dar uma volta. Estou logo atrás de você.
Marina não esperou uma resposta. Simplesmente virou, ignorando qualquer coisa que ela dissesse ou o olhar de reprovação que provavelmente lhe lançaria. Precisava pensar. Precisava respirar. Precisava de um tempo sozinha. Se perdeu entre as pessoas rapidamente, respirando fundo. Não queria deixar que as coisas que Cadu dizia a afetassem. Não queria descontar em se distanciou o suficiente daquela loucura toda, e sentou perto do mar. A água gelada estava batendo em seus pés, e ela estava grato grata de está descalça. Não é que desconfiasse de Clara — muito pelo contrário -, mas era que... Porra, ela tinha praticamente dito que a amava! E então tudo começou a desandar, como se alguém tivesse dado um peteleco no primeiro dominó de uma fileira. Aquilo não era justo! E de onde aquele cara tinha aparecido? Por que diabos precisava tanto importunar as duas? Não queria perdê-la. Não depois de todo o esforço que tinha feito para que ficassem juntas. Viu uma movimentação ali perto, mas não virou o olhar. Tomou o último gole da cerveja, o que a deixou só um pouco mais puta. Naquele momento, aquela bebida era tudo de bom que ela tinha. Ok, isso deve ter soado bêbada demais, mas era verdade. Viu uma sombra contrastar com a luz da lua e então Clara estava ao seu lado. Abraçou as pernas, sem dizer nada, e passou a fitar o horizonte, assim como ela.
Puta merda, como ela era linda.
Aquilo era difícil demais.
Clara continuou em silêncio, até que Meirelles escutou um suspiro profundo, algo parecido com um soluço. Não, ela não podia estar chorando.
– Marina — Clara sussurrou, limpando os olhos. Sim, ela estava. Merda, como ela odiava vê-la chorando! — Eu não sei o que dizer.
Marina a encarou. Ela não olhou para a baixo vagamente, parecia se sentir muito mal por toda aquela situação. Marina ia abrir a boca para dizer alguma coisa, algo que ela nem fazia ideia do que podia ser, quando Clara ajoelhou em sua frente, obrigando-a a encará-la.
– Eu sei que eu não sou... — ela suspirou. — Eu não sou exatamente o modelo de garota que uma pessoa procura. Mas acredite em mim, eu jamais gostei de alguém como eu... Como eu gosto de você.
Meirelles a olhou, e ela ainda tinha os olhos avermelhados. Sua pele estava arrepiada por causa do vento. Puxou-a para perto, fazendo com que sentasse entre suas pernas, e beijou seu ombro descoberto, enquanto passava as mãos delicadamente por seus braços, numa tentativa de aquecê-la.
– Eu sei — Marina disse baixo. — Me desculpe por agir assim. Eu só precisava... Não sei, eu precisava pensar um pouco pra entender tudo que aconteceu hoje.
Clara forçou um sorriso, e Marina sabia que não era espontâneo. Sentiu o coração apertar, não queria fazê-la sofrer com suas babaquices. Não de novo. Segurou seu queixo, para que Clara a olhasse, e passou o nariz em seu rosto, fazendo que Clara fechasse os olhos.
“Vamos, Marina. Você quase conseguiu, hoje mais cedo. Eu te amo. Sim, não é difícil. São palavras pequenas. Deve ser menos cansativo que pedir um lanche do McDonalds’. Não seja idiota”.
Mas havia um bloqueio mental. Algo que a impedia, ao menos naquela hora, de desengasgar aquela frase. Ao invés disso, a apertou um pouco mais contra si, e a beijou delicadamente. Ambas suspiraram aliviadas durante o beijo, e ela pôde perceber que Clara estava sorrindo, mesmo de olhos fechados.
– Marina, eu sei que é difícil com o Cadu aqui. Acredite, pra mim também é — ela começou a dizer, mas Meirelles mordeu seu lábio inferior, em um sinal claro para que parasse.
– Está tudo bem, de verdade. Não precisamos mais tocar nesse assunto. — Ela murmurou, segurando-a pela nuca. Mas Clara deu-lhe apenas um selinho, e prosseguiu.
– Deixa eu continuar? — falou, daquele jeito só dela, que fez Marina rir brevemente. Quem era ela para parar Clara Fernandes ? — Como eu dizia... Mesmo sendo uma situação estranha... Eu só queria que você soubesse que eu jamais fiz qualquer coisa que ele tenha dito. E eu nunca magoaria você. — Ela mordeu a bochecha de Marina, que sorriu. — Você é importante demais pra mim.
Era como seu coração tivesse batido de novo, da maneira que costumava ser. Marina sorriu de volta.
– Eu me sinto tão idiota tendo essas crises de retardada perto de você — Marina disparou, fazendo a namorada gargalhar, e ela acabou rindo junto. — É sério!
Clara a beijou sem mais nem menos. Não pareceu se importar com a confissão babaca que ela tinha feito segundos atrás. Entrelaçou seus dedos no cabelo de Meirelles e aprofundou o beijo, fazendo Marina sentir um arrepio na espinha, quando ela parou o que estava fazendo.
– Sabe o que eu estava pensando? — Clara disparou, e Marina sorriu, marota.
– Que eu sou a pessoa mais linda que você já viu — Marina disse, e a menina riu alto.
– Você não tem cara da Andreia Horta — ela respondeu, e depois riu alto. — TÔ BRINCANDO, MINHA DOCINHO MAIS LINDA! — Clara quase berrou, e Marina caiu pra trás na areia, rindo com Clara em cima de si.
– Ela é velha demais pra você.
– Ok, esquece a Horta? — Clara riu, acariciando o rosto de Marina, enquanto Marina já apoiava uma mão em suas costas, por baixo da bata. — Eu estava pensando que se não fosse aquele idiota do Cadu, que roubou aquelas cartas de literatura, talvez nós não tivéssemos nos aproximado — ela sorriu. — Afinal, foi naquele dia, lá na praia, que nós duas começamos a... A nos aturar.
Clara sorriu largamente e Marina a acompanhou, ainda que surpresa ao lembrar disso. Puxou-a pelo pescoço, e num movimento rápido, trocou de posição, ficando por cima dela. Clara sorriu, e Meirelles teve certeza que não precisaria de mais nada. Nada que palavras precisassem resolver. Não agora.
– Você tem razão — ela disse, beijando seu colo, perto da bata, e subindo até seu queixo. — No fim das contas, aquele babaca prestou pra alguma coisa.
Clara riu, e Marina continuou distribuindo beijos aqui e ali, enquanto as duas brincavam. Não estavam prestando atenção, que mais adiante, alguém as observava.
– Ouviu alguma coisa? — Ian perguntou.
– Só o final da conversa — Cadu o encarou, com fúria no olhar. Ele segurava um pacote de gelo na bochecha, o que só o estava deixando mais irado. — Não importa. Estou vendo o suficiente.
– O que você vai fazer?
– Se aquelas idiotas pensam que eu vou deixar por isso mesmo — ele sorriu, sem humor. — Elas estão muito enganadas.
Ian deu de ombros, indo até o quiosque.
– Aproveitem seus últimos momentos, casal — ele sorriu, tacando a sacola com gelo na areia. — Não vai durar muito. Podem apostar.
__//__

A festa acabara da forma que todos esperavam. Tudo bem, esperavam ter menos confusões no decorrer dela, mas quando cada casal fechou sua porta — não que todas estivessem já na fase de algo mais, mas passaram a dividir as camas, para desespero do caseiro — tudo voltou ao normal. Marina e Clara finalmente conseguiram dar um bom destino aos pobres morangos que estavam na geladeira, e estavam muito felizes com isso. Clara estava aliviada das coisas terem se resolvido de uma maneira tão satisfatória. De uma maneira que a levou até o céu e a trouxe para a Terra em seguida, ela diria. O corpo de Marina coberto apenas por um lençol, seu braço a segurando firmemente na cintura e sua respiração quente em seu pescoço era tudo que ela precisava para adormecer profundamente e sonhar com os anjos, como alguns diriam. Marina era um sonho. O sonho dela.

**

O dia seguinte foi tranquilo. Praia pela manhã, almoço em casa, praia de novo à tarde. As garotas estavam se divertindo horrores, rindo das namoradas, que tentavam surfar. Aquilo sim era o que podia se chamar de vida boa.
Marina saiu da água com Gisele, correndo na direção de Clara.
– Não, Meirelles, nem vem! — ela gritou, quase levantando da cadeira de praia em que estava deitada. Marina apenas gargalhou ao pegá-la pela cintura, fazendo com que se molhasse completamente. — Ah, sua idiota! Se eu quisesse me molhar, eu tinha entrado no mar!
Clara fez bico e Marina riu, a apertando mais, enquanto recebia uns tapas aqui e ali.
– Eu sei que você adora quando eu faço isso, docinho — ela sorriu vitoriosa da cara de poucos amigos da namorada.
– Te odeio — Clara murmurou, quase rindo.
– Então eu também odeio você. — Meirelles disse simplesmente, dando-lhe um selinho e pegando uma toalha.
Clara riu, depois mordeu o lábio, observando o corpo de Meirelles. E que corpo. Se sentia a pior das idiotas quando lembrava que Marina sempre esteve ali, e ela perdeu seu tempo brigando com ela, quando podia... Vocês sabem.
– Ah, era só o que faltava — Marina disse, nervosa, e Clara voltou seu olhar pra ela, assim como todas as meninas.
Marina apenas virou a cabeça, e todas acompanharam seu olhar, avistando Carlos Eduardo e sua gangue num quiosque à esquerda.
– O que esse filho da... — Meirelles ia dizer, mas Flavinha a interrompeu.
– Marina, calma — ela disse, abaixando os óculos de acetato brancos. — Ele nem deve ter nos visto aqui. Não arrume encrenca.
"É claro que ele nos viu aqui" — Marina pensou, mas apenas sentou-se de frente para Clara, tentando ignorar a presença daquele ser humano mais adiante. Vanessa e Fernanda saíram da água, e as oito ficaram conversando e bebendo, tentando a todo custo ignorar o outro quiosque.
Mas Clara... Clara não era boa nisso. Meirelles estava se irritando.
O cúmulo foi no meio de uma história que Roberta estava contando.
– Clara, você lembra disso? — a menina perguntou, gargalhando e todos encararam Clara.
Os olhos de Clara estavam fixos no outro quiosque, o copo de Cuba quase despencando de suas mãos.
– Clara? — Dessa vez foi Vanessa quem lhe chamou. Marina estava puta.
– Clara! — Ela disse alto, e Clara chacoalhou a cabeça — O que você...? Para de ficar olhando pra ele, porra! — Marina disse alto o suficiente para que a praia inteira escutasse.
Clara arregalou os olhos.
– Ótimo, Marina , até ele escutou essa! — disse, nervosa.
– Foda-se! O que diabos você tanto olha pra lá?
Clara não sabia o que responder. Não estava acostumada com crises de ciúme. Não nesse nível. Percebeu, subitamente, que aquilo a estressava.
– Ele me incomoda! A presença dele me incomoda! — ela quase gritou.
– Gente, por favor — Robby se intrometeu, mas Meirelles a ignorou.
– E pra isso você tem que ficar olhando? — Ela riu, sarcástica. — Até parece que você...
– Até parece o quê, Marina? — Clara já estava de pé.
– Até parece que você está gostando dele aqui!
Clara riu tão alto e histericamente que assustou a própria Marina.
– Marina, faz um favor? — Ela disse, sorrindo de uma maneira irônica. — Vão à merda você e seu ciúme idiota! — ela berrou, pegando o vestido, e saiu em passos firmes em direção à orla.
Nem sabia o que estava fazendo, mas se ficasse mais trinta segundos ali, era possível que estrangulasse a própria namorada. Aquilo sim era uma situação ridícula. Quando foi atravessar a rua, sem olhar direito para os lados, ouviu uma buzina estrondosa e uma mão a puxou pelo braço.
– Você tá maluca? — Marina gritou, mas ela não tinha certeza se estava se referindo a seu quase atropelamento.
Clara respirou fundo, sentia os joelhos tremerem devido ao pânico.
Ótimo, tudo que ela precisava era de uma crise de choro.
– Quando... — Ela respirou fundo, limpando o rosto com a mão. — Quando você vai parar de ser idiota e se tocar que eu quero mais é que o Cadu exploda?
Clara estava tremendo. Era perceptível.
Muito bom, Marina. Sinta-se uma merda. Você quase fez sua namorada ser atropelada.
Marina não disse muita coisa. Estava agoniada com Clara tremendo e quase chorando, e simplesmente esqueceu o que estava engasgado, tudo que queria gritar sobre Cadu. Esqueceu quem era Carlos Eduardo. Puxou-a rapidamente para seus braços, apertando-a contra si em um abraço, um daqueles que ela tanto dizia gostar. Sentiu as lágrimas de Clara em seu pescoço e isso fez com que seus próprios olhos ardessem. Marina acariciou seus cabelos e enterrou o rosto em seu pescoço.
– Me desculpe – sussurrou. — Eu sei que essa coisa do Brian... Foi ridícula.
Clara não disse nada, mas beijou suavemente seu pescoço. Ela estava tremendo um pouco menos.
– Me promete uma coisa? — Meirelles perguntou e Clara afrouxou o abraço minimamente, para encará-la nos olhos. Ela apenas concordou com a cabeça, e Marina prosseguiu. — Promete que vai aprender a atravessar a rua? — Marina sorriu, marota, e Clara riu baixo, mordendo seu rosto.
– Olhar para os dois lados. — Ela fez cara de sábia. — Entendido, docinho.

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– Cory me ligou — Flávia apareceu na sala, e todas a encararam.
– Quem é Cory? — Vanessa se apressou em perguntar, fazendo sua irmã rir.
– Cory Sparks — Flavinha disse, rindo. — Mais conhecido como...
– O ator de nome gay! — Fernanda e Gisele disseram juntas, e as amigas riram.
– Por que esse cara te ligou? — Vanessa não queria ter soado tão patética.
– Awn, minha irmãzinha tá com ciuminho? — Clara sacaneou, fazendo Flávia corar e rir.
– Pelo menos eu não tô fazendo cena no meio da praia — Vanessa disparou, fazendo a cara de Clara fechar e Marina cuspir a Coca, enquanto as meninas riam.
– Ei! Podem me deixar fora disso? — Meirelles reclamou.
– Claro que não, safada! — Fernanda disse, gargalhando. — Tá, mas por que o Sparks ligou, Flavinha?
– Ele quer nos convidar, todas nós, para sua festa de aniversário no sábado — ela sorriu, com os olhos brilhando. — Vai ser na cobertura dele. Coisa chique. E nós estamos no meio disso! — Flavinha deu pulinhos animados, assim como o restante das garotas.
– Vai ter bebida? — Gisele perguntou e Flavinha a encarou como se ela fosse uma retardada mental.
– Claro que vai, Gisele .
– Tô dentro — ela riu, antes que começassem a planejar sobre sábado, sobre a festa que marcaria a última noite delas na Riviera Francesa.

**

– Nossa, esse vestido azul que você comprou ia ficar perfeito em mim, Luiza — Flávia disse pela quinta vez, e Luuh bufou, rolando os olhos.
– Pelo amor de Deus, Flávia ! O vestido é meu! — a garota berrou, fazendo Robby e Clara rirem, e Flavinha ficar com a cara emburrada.
– Grossa... — ela disse, fazendo bico, e Luuh riu, abraçando-a pela cintura.
Era sexta-feira e as garotas tinham ido fazer compras. Precisavam urgentemente de vestidos, sapatos, acessórios e tudo que estivesse à venda. A festa de Cory era no dia seguinte, e nenhuma delas queria fazer feio. Mais tarde Vanessa e suas amigas não se importaram em ter uma tarde só pra elas, conversando e tentando aprender a surfar. De novo.
– De quem é aquela Range Rover? — Roberta perguntou e Clara deu de ombros, vendo o veículo preto parado próximo ao portão da mansão de sua tia.
– Deve ser de alguém do quiosque — disse simplesmente.
Flávia estava acertando com o motorista do táxi, e Robby estava com ela. Luiza e Clara atravessaram até o portão.
Foi quando a porta da Range Rover abriu.
– Ah, não! — Clara segurou no braço de Luuh , tentando fazer com que ela também olhasse para frente, e muito provavelmente para tentar se equilibrar nas próprias pernas.
Clara não se deu ao trabalho de olhar quando Luiza fez sinal para que Flavinha e Robby se afastassem.
– Cadu, mas que merda! — Clara gritou. — Por que você não me deixa em paz?
Ele apenas riu, daquele jeito irônico que só Ele tinha.
– Bom te ver também, Fernandes .
– Cadu, querido — Luiza se intrometeu. — Não acha que você já extrapolou os limites? Essa sua babaquice de perseguição está ficando meio patética...
– Não se mete, Luizinha. — o garoto disse, e então se virou para Clara. — Fazendo comprinhas pra quê? Lingerie para seduzir sua loser?
Clara sorriu, com raiva.
– Claro, pra você que não seria – disse, e Cadu não pareceu se abalar.
Algumas vozes puderam ser reconhecidas, vindas outro lado da rua. Cadu esticou o pescoço, vendo Robby, Flavinha, Vanessa e Marina ali.
– Uh, chegou quem não devia — Cadu sorriu, malicioso, e Luiza olhou para Clara.
– Eu cuido disso — Clara disse, com a voz firme, e Luuh atravessou para segurar as meninas do outro lado.
É claro que elas não ficaram do outro lado.
Vanessa e Marina simplesmente a ignoraram.
– Eu cuido disso! — Clara disse, um pouco mais nervosa, e antes que uma delas abrisse a boca, Carlos Eduardo começou a se aproximar.
Ele tocou os cabelos da menina, com um olhar malicioso.
– Sabe, eu costumava sentir sua falta, mesmo você sendo uma...
– Cuidado com o que você fala, queridinho — Clara logo interrompeu, e ele colocou as mãos na cabeça, rindo.
– Marina, sabia que ela comprou umas lingeries novas? — Apesar de ter citado Meirelles, ele continuava com os olhos focados nos de Clara. — Eu ainda lembro o que você estava usando naquela noite que...
– Cadu, cala a boca. — Clara disse, o rosto ficando totalmente corado.
– Shhh, Clara. Não tem por que ter vergonha. Todo mundo tem que começar de algum lugar — ele sorriu, malicioso.
– Eu não sei do que você está falando. — Clara ia sair, mas ele a segurou pelo braço.
– Claro que sabe — Ele olhou para Marina de rabo de olho — Afinal... não dizem que a primeira vez é inesquecível?
Clara tampou o rosto com as mãos. Queria ter dado um soco no nariz de Carloa Eduardo, mas não teve forças. Não tinha coragem para olhar pra trás e encarar Marina.
– Aquela lingerie preta ficou muito bem em você — ele riu. — Pena que eu rasguei uma ou duas partes... Ainda me lembro de você sussurrando o meu nome o tempo todo e dizendo que me amava.
Clara sentiu os olhos arderem. Quando Marina se aproximou deles, ela não sabia identificar algo naquela expressão. Ela estava totalmente... Inexpressiva. Os olhos vidrados, provavelmente com aquela merda de imagem na cabeça.
Ela nunca tinha dito "Eu te amo" para Marina.
Mas tinha dito para o idiota do Cadu.
– Marina, olha como eu sou bonzinho — ele olhou para Meirelles , finalmente. — Ela gosta que você a prense contra a parede e diga coisas sacanas, e se você morder seu pescoço, ela vai... Por que você tá me olhando assim?
Cadu encarou Marina com um falso ar ingênuo. Demorou dois segundos até que Meirelles o empurrasse até a parede, segurando com as duas mãos no pescoço do garoto, enquanto as meninas berravam.
– Você — Marina respirou fundo, vendo Cadu ficar roxo e tentar dizer algo. — Cale a boca.
– Marina, por favor... — Clara encostou nela, fazendo-arealizar um movimento brusco com o braço.
– Cala a boca, Clara — Marina disse, seco, depois olhou Cadu. — Pare de nos perseguir... Pare de importunar a minha namorada. Eu não estou brincando.
Meirelles a soltou e o garoto despencou no chão, sem voz, puxando o ar dos pulmões com muita força. Clara tocou em seu braço para falar alguma coisa, mas Marina apenas a olhou, nervosa, e entrou batendo o portão.

Quando Clara entrou no quarto de Marina, ela estava de costas para a porta. Não percebeu que ela estava ali — ou não fez questão de mostrar isso a ela -, apenas continuou parada, em pé, olhando pela janela.
– Marina — Clara conseguiu dizer, após um minuto parada. Nunca tinha se sentido tão mal em toda sua vida. — Preciso conversar com você.
Meirelles virou de frente, no mesmo lugar, e a encarou.
– Fala.
– Eu não sei mais o que falar, poxa! — a garota disse, desesperada. — O Cadu... Ele quer... Ele quer acabar com a gente!
Marina arqueou a sobrancelha.
– Era isso que você tinha pra falar? — perguntou, o tom de voz baixo, mas Clara conseguia sentir a ira por trás daquela frase.
– Marina, por favor! — Clara disse, com a voz chorosa. — A culpa... Não é minha! Eu não estava com você quando eu... Você sabe.
O silêncio se instalou no local. Clara conseguiu escutar passos na escada, conseguiu escutar os carros na rua. Marina a olhou.
– Você o amava? — ela perguntou subitamente, e então Clara entendeu que seu problema era um pouco mais complexo do que o previsto.
– Claro que não — respondeu prontamente.
Marina riu.
– Sabia que eu adoro quando você mente pra mim? — disse, irônica. — Já tentou ser honesta uma vez e falar sério comigo?
Clara sentiu o peito apertar. Aquilo era muito injusto. Ela daria a vida por aquela mulher. Era óbvio que ela a amava. Por tanto tempo, nem sequer se lembrara da existência de Brian. Não achava que fosse um erro não ter dito "Eu te amo", afinal, nunca pensou que isso fosse algo que Marina sentiria falta.
Pra variar, estava errada.
– Ok, Meirelles, não seja injusta — disse, tentando soar coerente e adulta. — Era outro tempo! Eu era uma garota idiota e ingênua demais, e o Cadu... Ele era o desejado da escola! Eu posso ter dito que o amava, mas hoje vejo que estava enganada — ela respirou fundo. — Porque eu sei o que é amor, mas aprendi agora. Aprendi... Com você. — Clara sentiu as bochechas queimarem. Ótimo, que ridículo. — Porque eu amo...
– Não diga — Marina a interrompeu. — Eu não quero que você diga só porque você disse para ele antes. Clara deixou o queixo cair.
Mas que merda, tava difícil dela entender?
Aproximou-se de Marina, colocando os braços ao redor de seu pescoço. Percebeu que instintivamente, ela segurou-a pela cintura.
– Eu estou falando isso porque é verdade, não porque disse ao Cadu. Eu te...
– Shhh — Marina saiu do abraço dela. — De verdade. Eu não quero ouvir. Não agora — Marina a olhou. — Você teve tempo suficiente pra fazer isso... E agora eu não tenho mais certeza se você realmente quer.
– Você também teve tempo suficiente, Marina — Clara deixou a ira lhe tomar. — E adivinhe? Não ouvi as três palavras até hoje! — ela riu. — Se é pra entrar nesses méritos... Cadu me disse.
Marina riu, sarcástica.
– Antes ou depois dele te trair e o colégio inteiro ficar sabendo, docinho?
Clara tacou uma almofada nela. Queria simplesmente que ela fosse ma pedra.
– Cala a boca, sua idiota! — Clara disse, os olhos cheios de lágrimas. — Você acha que está sendo fácil pra mim?
– Pelo menos você não tem que conviver com a imagem de outro cara tirando a virgindade da sua namorada — Marina disse, nervosa.
– Você estava ocupada demais em comer todas as líderes de torcida naquela época, tão ocupada que nem se lembrou de mim — Clara disse. — Eu não posso voltar ao passado, caramba! Eu não posso apagar o Cadu da minha vida! Eu não posso fingir que eu não transei com ele — clara berrava, entre lágrimas. — MAS EU POSSO DIZER SIM QUE EU AMO VOCÊ! — Ela respirou fundo. — Espero que você lide com isso como uma mulher.
Clara abriu a porta, mas Marina a segurou pelo braço.
– Aonde você vai? — marina perguntou, com a mão gelada em seu pulso.
– Qualquer lugar em que eu não precise olhar pra tua cara — Clara respondeu, correndo escada abaixo.

Dez segundos se passaram até que Marina conseguisse engolir o que havia se passado.
– Ela... Ela disse que me... — Marina sussurrou, antes de sair correndo para a varanda. Aquele meio era mais prático. Avistou Clara lá embaixo, indo até o portão, e gritou — Clara! Volta aqui!
Ela chacoalhou a cabeça, incrédula.
– Eu não mereço você — disse, nervosa. — Qual o seu problema, Marina?
Marina apoiou-se na árvore que ornamentava sua varanda e se jogou para baixo. Ouviu um grito de horror de Clara — esquecera por uns instantes daquele pânico de altura que a namorada tinha — e correu até ela.
– Meu problema — ela disse, meio ofegante, e então a puxou para perto. — Meu problema é você, docinho.
Clara tentou protestar, mas seus joelhos amoleceram assim que ouviu aquilo. Marina a puxou com força e sua língua invadiu sua boca mais que urgentemente. Clara tentou estapeá-la e mandá-la pra longe — não que realmente quisesse aquilo, mas tinha uma reputação a manter — mas suas mãos fortes apertando a lateral de seu corpo e segurando sua nunca foram demais pra ela. Estava se derretendo como uma garotinha. "Da próxima vez, quero nascer com um pinto", Clara pensou, e acabou rindo durante o beijo.
– O que foi? — Marina perguntou, quase rindo. Clara sorriu.
– Nada — ela disse baixo. — Isso significa que...
– Shhh — Marina fez sinal de silêncio em seus lábios. — Eu sou uma idiota, eu não queria ter dito aquelas coisas. Não precisamos mais falar disso.
Clara sorriu. E Marina sussurrou para ela.
– Eu não ligo para o passado, o que importa é que eu que tenho você agora. — Marina a beijou suavemente. — E sou eu quem não vai deixar você ir embora. Nunca.
Clara sentiu os joelhos amolecerem, rindo idiotamente.
Era por esse mulher que tinha se apaixonado.
Marina ficou contente de Clara não ter lhe cobrado nada. Iria dizer que a amava de um jeito que provasse isso, e deixasse bem claro, pra Cadu e para o mundo, que Clara era dela. Ainda não sabia como, mas faria de qualquer forma.

Notas finais
Não tive tempo para revisar, desculpa qualquer erro. Até Domingo.