Os Opostos Se Atraem

20 Tudo que você precisa é uma data perfeita


Notas iniciais
Enfim Sexta-Feira e dessa vez sem atrasos rs. Gostaria de agradecer os comentários de cada uma de vocês, conversamos bastante no cap anterior, vocês são demais!! Não queria ter que dar essa notícia para vocês, mas tudo que começa sempre tem um final, certo? Então comunico que Os Opostos Se Atraem está chegando ao fim. Não fiquem triste, tentarei postar duas vzs por semana agora, não prometo, mas farei o possível. Enjoy

– Meirelles , você me surpreende a cada dia! — Robby arregalou os olhos, depois de ler pela quinta vez o bilhete da aula de literatura, fazendo Marina rir.
– Eu sei, eu sou fofa... — Marina riu presunçosa, e Gisele jogou uma almofada em sua direção. — Outch! Que violência, Gi!
– Você tá muito metida! — riu, tomando sua Coca-Cola.
Clara desceu as escadas e se deparou com uma situação que estava se tornando comum naquelas férias: Gisele , Marina, Roberta e Vanessa esparramadas nos sofás, com cara de ressaca, mesmo sendo três da tarde, enquanto gargalhavam por qualquer besteira. Riu sozinha ao perceber o quanto aquela cena a agradava. E quanto ela seria inimaginável há pouco tempo atrás.
– Bom dia, pessoas mais lindas da minha vida! — Ela sorriu saltitante, e Gisele riu.
– Tá comparecendo, hein, Marina? — ela disse, e as duas gargalharam da careta que Vanessa fez.
– Cala a boca, Gisele . — Clara fez careta, segurando o riso. Caminhou até a poltrona em que Marina estava e sentou em seu colo, dando-lhe um beijo rápido, e depois sorriu.
– Bom dia, docinho — Marina disse com a voz rouca, e Clara sentiu um arrepio na espinha. Já estava ficando acostumada com as reações ridículas e automáticas que tinha perto de Marina.
– Muito melhor agora. — Clara respondeu, fazendo Marina sorrir.
– Como vocês são melosas, pelo amor de Deus! — Gisele exclamou, com a voz afetada. — Joga glitter e ilumina!
Todas a encararam no mesmo instante, sem conseguir conter sonoras gargalhadas que poderiam ser escutadas da esquina.
– Gisele... Gisele! — Vanessa estava roxa de tanto rir. — Por favor, pare de sair com a Robby, ela está transformando você na Barbie Malibu!
– Ei! Agora a culpa é minha? — Roberta gritou, fazendo com que todas rissem ainda mais.
– Vai brincando, vai, Robby... — Gisele disse, rindo baixo. — Vamos ver se você aguenta.
Clara encarou Fernanda com os olhos arregalados, e todas subitamente ficaram quietas.
– O... O quê? — Roberta gaguejou.
Gisele aproximou o rosto da garota, que estava tão intrigada que nem conseguiu se mover, como geralmente faria.
– Você vai ver — Gisele sorriu debochada, puxou o lábio da garota com os dentes e depois riu, subindo as escadas.
Roberta estava congelada. Sentiu seu corpo arrepiar, mas pra variar, não conseguiu esboçar reação alguma. Estava chocada, ainda que bastante animada com aquela reação de Gisele.
– Vocês viram o que eu vi? — Fernanda pareceu sair de um transe.
– Eu... Eu vi! — Marina respondeu e Vanessa riu.
– Robby... — Clara chamou a garota. — Aprenda a respirar de novo e se prepare — ela riu. — Não acho que a Gisele tá brincando.
Roberta sentiu as bochechas arderem. Não respondeu nada.
No fim das contas, talvez esperasse que não fosse uma brincadeira.
**

– Nossa. — Vanessa arqueou uma sobrancelha, após ouvir detalhadamente a história que a irmã havia contado, sobre o dia anterior, e sobre todas as brigas com Marina. — Você é fogo, sério. — Vanessa riu. — Eu não aguentaria namorar você.
A garota riu baixo.
– Que bom, dona Chica ficará feliz com a impossibilidade de incesto na família. — Ela gargalhou. — Yey!
– Cala a boca! — Vanessa deu um tapa em seu ombro, rindo. — Você entendeu o que eu quis dizer.
– Entendi, meu bem — Clara sorriu. — Mas eu sou muito fofa, ok? Não sei por que esse medinho de mim... Sou muito fácil de lidar, pergunta pra Marina e...
Clara ouviu a tão característica gargalhada de Meirelles , e olhou por cima do ombro. Marina estava parada na porta da cozinha.
– Você é realmente super fácil de lidar, docinho — ela se aproximou, a abraçando pela cintura. — Talvez para domadores de leões do circo, para espiões da CIA, ou algo do tipo...
A garota estapeou o braço nu de Meirelles .
– Outch! — Marina riu. — Pare de ser fofa!
Vanessa gargalhou ruidosamente e Clara deu outro tapa no braço de Marina.
– Quer parar? — Marina disse, ainda rindo.
– Me faça parar, docinho.
Marina deu um sorriso maliciosa e apertou mais suas mãos nas costas da garota, fazendo com que ela ficasse nas pontas dos pés. Agarrou seus cabelos e colou seus corpos rapidamente, procurando por sua boca.
– Ah, pelo amor de Deus! — Vanessa reclamou. — Filme pornô grátis com minha própria irmã É TRAUMATIZANTE! — ela disse alto e Clara riu, ainda que estivesse com um pouco de raiva daquela interrupção.
– Dá um tempo, vai, Fernandes — Marina resmungou, fazendo a amiga rir.
– Olha o respeito, moça! — Vanessa disse, pegando uma maçã e caminhando até a porta da cozinha. — Ah, e só pra constar — Vanessa disse, e Clara rolou os olhos instintivamente.
– O que é, Vanessa?
– É muito desconfortável ver você acordando com a camisa da Marina. Vou contar pra mamãe. — Vanessa gargalhou.
– Você tá precisando de sexo, Vanessa. — Meirelles gargalhou vitoriosa da cara que a amiga fez.
Vanessa nada respondeu, apenas bufou e mandou o dedo do meio, fazendo o casal rir.
– Então, onde paramos mesmo? — Marina puxou Clara, distribuindo alguns beijos em seu pescoço.
– Onde você dizia que eu era muito fácil de lidar — Clara disse com a voz arrastada. — Talvez você tenha um pouco mais de trabalho agora, Marina Meirelles . — Ela riu maliciosa, mordendo o lóbulo da orelha de Marina. Sabia as reações que esse pequeno gesto poderiam ter. Marina a prensou contra a parede imediatamente, apertando com força a sua cintura.
– Eu gosto de ter trabalho — Marina sorriu, maliciosa.
– Isso vai ser divertido! — Clara acompanhou o sorriso, fazendo um caminho de beijos desde o pescoço até sua boca. Quando chegou lá, deu uma leve mordida a empurrou pra trás, indo até a porta da cozinha. — Comece a trabalhar, docinho. — Clara riu. — Algo me diz que hoje você vai fazer hora extra.
Clara sorriu vitoriosa e saiu, deixando uma Marina ofegante e sorridente na cozinha. E com alguns pensamentos bastante pervertidos.

**

– Eu não acredito que Gisele falou isso! NÃO ACREDITO! — Flavinha berrou, fazendo Luiza rir.
– Flávia , se controla, por Deus! — a garota exclamou. — Mas e aí, Robby, pronta para sentir todo o poder da Gisele ?
As garotas riram da cara que a amiga fez.
– Vocês são muito babacas. Aquilo foi uma brincadeira. — Roberta respondeu, olhando para o teto. Queria passar toda indiferença possível.
– Cala a boca, eu tava lá e vi que ela não tava brincando! — Clara disse, e as garotas olharam para a porta do quarto de Luiza de imediato.
– O bom é que as pessoas nem são gansas nessa casa! — Luuh disse e Clara mostrou a língua, rindo.
– Só vim aqui dizer a verdade, eu tava lá, a Gisele vai querer te seduzir sim, Robby, e com muito vigor!
– Para, Clara! — A garota escondeu o rosto com as mãos.
– Ah, Roberta, para de ser caipira, fala sério! — Luiza riu. — Fala pra gente... O que você vai fazer? Se ela realmente... quiser... algo?
Clara riu da explicação de Luiza, mas esperou, interessada, a resposta de Robby.
– Não faço ideia — Robby disse. — Estou muito confusa. Não sei como vou reagir.
– Ah, amiga, se joga! — Flávia disse e todas a encararam, um pouco estupefatas. — Qual é, gente? Não é como se já não fôssemos da gangue das losers, mesmo! A Clara já está com a Marina, a Luiza com a Fernanda, uma a mais, uma a menos...
Roberta riu.
– Você vai ficar com a Vanessa, por acaso? — perguntou. — Não vai querer ficar de fora, não é mesmo, Flavinha?
– Ah, fica quietinha aí e se resolva com sua loser! — Flávia disparou, fazendo as amigas rirem.
– Hey! — Marina apareceu na porta, sorridente. — Precisamos terminar uma coisa, Clarinha — Marina disse com a voz sexy, e a garota riu.
– Esqueceu que eu sou difícil? — Clara respondeu, sorridente, enquanto ouvia as risadas abafadas das amigas.
Marina apoiou o braço na porta, rindo.
– Claro que não esqueci. — Marina deu uma piscadela. — É por isso que eu vim te buscar.
– E quem disse que eu quero ir com você? — Clara respondeu, mesmo se derretendo, só para bancar o próprio joguinho.
Viu Meirelles lançar seu sorriso preferido. Aquilo era muita maldade, pensou, mas ficou quieta. Marina se aproximou, rindo, e colocou os braços ao redor da Clara, prendendo-a na poltrona. Abaixou até deixar sua boca a milímetros da de Clara, e sussurrou:
– Eu não perguntei se você queria. — Marina riu, maliciosa. — Hoje quem manda sou eu.
Marina pegou Clara no colo, enquanto ela murmurava algo como “Me ponha no chão!”, mas ignorou essa parte. Ouviu as risadas das amigas e riu junto, percebendo que Clara também ria. Por mais que reclamasse, não estava fazendo esforço algum para sair dali. Joguinho, como sempre. Abriu a porta do quarto e a jogou na cama.
– Quer dizer que hoje você quem manda? — Clara riu, percebendo que soou quase pervertida.
– Eu sempre mando — Marina sorriu, e deu um beijo leve em Clara, percebendo que ela iria se manifestar. — Só deixo você pensar que não.
Clara riu, mas calou-se ao sentir o arrepio que percorreu seu corpo quando Marina começou a beijar seu pescoço com vontade.
– Você não manda em nada — sussurrou, fazendo Marina rir abafado.
Marina intensificou os beijos, apertando as coxas de Clara até chegar em seus lábios. Ela nunca saberia explicar aquelas sensações. Viu Marina se distanciar, ficando ajoelhada na cama, ainda a prendendo entre suas pernas. Marina não precisou dizer nada: Clara conhecia bem aquelas provocações. Apenas riu, derrotada, a puxando pelo pescoço com força.
– Você sabe que é você quem manda, docinho — sussurrou, fazendo Marina rir e voltar ao que estava fazendo. Do jeito que só Marina sabia fazer.

**

Robby estava no jardim fingindo ler uma revista. Estava simplesmente agoniada, as letras da Vogue pareciam dançar em sua frente. Verdade era que não conseguia parar de pensar no que Gisele tinha dito. E mais verdade ainda que ela tinha sumido depois disso, e Roberta queria saber o que Gisele estava aprontando — se é que estava aprontando alguma coisa. Depois que tinha subido as escadas da mansão e deixado todas com cara de interrogação, sumira do andar de cima da casa. Provavelmente passou despercebida enquanto Roberta fofocava com as meninas, mas ninguém que estava na sala sequer tinha ideia de onde Gisele poderia estar. Nem Vanessa. Nem Fernanda. E bom, ela preferiu não entrar no quarto de Marina para perguntar, preferia não saber o que estava rolando lá dentro. Depois da quinta vez que encarou o portão, ainda fechado, bufou, jogando a revista na cadeira ao lado.
– Procurando alguém? — Ouviu a voz de Gisele e quase deu um pulo.
– Puta merda, Gisele ! Quer me matar do coração? — ela reclamou. — De onde você surgiu?
– Não importa de onde eu surgi — Gisele riu. — E se eu disser que sim, quero te matar do coração, vai soar muito pedreiro? — Gisele riu, e Robby teve certeza que era tudo uma brincadeira. Como sempre era. era a garota mais brincalhona que conhecia, chegava a irritar.
– Sim, vai soar como uma cantada de pedreiro sem cultura — respondeu, irritada, e depois percebeu que aquela resposta não tinha nada a ver, o que só a fez sentir mais babaca ainda.
E ouvir a risada de Gisele , agora que ela tinha certeza que era uma brincadeira, só aumentou sua raiva.
– O que você quer?
– Quero que você diga que eu sou linda e que você me ama — Gisele respondeu e Roberta caiu na risada.
– Qual seu problema, Gisele ?
– Fala! — Gisele riu, o que era estranho. A essa altura já estaria emburrada.
– Não vou falar coisa nenhuma! — Roberta disse alto, ainda rindo.
– Duvida que você vai falar?
– Por que você está tão confiante nisso?
– Duvida? — Gisele arqueou uma sobrancelha, desafiadora.
– Duvido — Robby respondeu de imediato. Gisele segurou sua mão, a puxando para fora da cadeira.
– Vem comigo.
começou a correr e a puxar Roberta junto com ela, na direção do portão principal da casa.
– O que você está fazendo? Eu não vou a lugar nenhum! — Roberta berrou, mas continuou sendo puxada.
– Você não duvidou? Vou te mostrar!
– Gisele , se você quiser me mostrar algo atrás do muro, eu juro por Deus que choco sua cabeça contra o concreto! — Robby ouviu a gargalhada gostosa de Gisele e acabou rindo junto.
– Acho que vou correr esse risco. — Ele deu uma piscadela, e continuou caminhando.

**

Marina virou para o lado e encarou o rosto sereno de Clara, que dormia com seu corpo coberto apenas por um lençol ao lado do seu. Não pode deixar de sorrir ao pensar o quanto Clara mexia com ela. Até o jeito em que ela dormia, a forma como ela respirava era estranhamente encantadora. Clara virou seu corpo, inconscientemente, aproximando ainda mais seu rosto do de Meirelles , que não conseguiu conter a vontade de acariciar seu rosto e cabelos por algum tempo. Até que reparasse o que estava fazendo de fato.
– Ah. Meu. Deus — sussurrou, virando seu corpo de frente e encarando o teto, com os olhos arregalados. — Eu... Eu... — Marina olhou de soslaio para Clara, que sorria, mesmo dormindo, o que a fez sorrir também. — Eu amo essa garota.
Marina arregalou os próprios olhos com o que ouviu sua voz dizer. Levantou da cama, tampando o rosto, depois encarou Clara de novo. Ela não tinha escutado nada, claro. Mas o fato de Marina ter dito isso em voz alta a assustou. Marina Meirelles não é aquela pessoa que sabe como agir quando está apaixonada. Na verdade, nunca esteve apaixonada para saber como era, e isso a deixava louca. Mas Clara não sabia de nada. Isso era muito, muito bom. Poderia esconder se quisesse.
– Esconder é legal — murmurou pra si mesma, depois riu da própria idiotice.
Percebeu que se ficasse ali por mais tempo, acabaria tentado a ficar olhando Clara dormir, o que era extremamente ridículo. Resolveu tomar um banho gelado para acordar direito e colocar as idéias no lugar. Caminhou até o banheiro, tentando não fazer barulho — tudo o que Marina não precisava era que Clara acordasse, não saberia como agir depois de revelar em voz alta que realmente a amava. Não que Clara tivesse ouvido alguma coisa.
Tomou um banho relativamente rápido — a água estava gelada, o que facilitou o processo. Pelo menos agora sabia o que queria fazer.
Esconder.
Fingir que nada aconteceu. Clara nunca saberia.
– Esconder — murmurou baixo e decidida, e virou a maçaneta da porta.
Clara ainda estava lá. Tentadoramente angelical, os cabelos espalhados pelo travesseiro — o dela -, ainda sorrindo enquanto dormia. Marina respirou fundo e sorriu, apoiando na porta.
– Namorar. Ela vai ser minha namorada.

**

– Pronto, chegamos!
Gisele parou de andar, soltando a mão de Roberta. Tinham praticamente andado na mesma calçada da casa por algum tempo, atravessado pra rua da praia e andado mais um pouco. Robby olhou ao redor sem entender. Aquele lugar não dizia nada para ela. Tudo bem, a praia era bonita, mas isso não significava muita coisa.
– O que você queria me mostrar, Gisele ? — a garota indagou, confusa, e riu de leve.
– Feche os olhos.
Roberta a encarou de sobrancelha erguida. Não precisou dizer nada.
– Relaxa. Eu não vou tirar minhas roupas enquanto você estiver de olhos fechados. — Gisele gargalhou. — Você vai querer fazer isso por si mesma.
Dessa vez Robby riu, irônica.
– Você está estranhamente segura disso, não é?
– Eu sei o que estou fazendo.
Roberta franziu a testa, fechou os olhos mas os abriu em meio segundo.
– Não, eu não vou te agarrar enquanto você estiver de olhos fechados — Gisele disse, fazendo Robby rir de nervoso. Agora Gisele lia pensamentos?
– Olha lá, hein? — ela disse, mas estava convencida de que Gisele iria se comportar, não sabia bem por quê.
Roberta fechou os olhos, sentindo uma sensação estranha tomando conta. O que quer que fosse que Gisele tinha aprontado, era suficiente para ela achar que a conquistaria. E Roberta gostava daquela ideia.
– Pode abrir.
Robby abriu os olhos, desconfiada e tentando conter uma certa animação que surgia nela. Olhou para frente. Gisele estava lá, parada, no mesmo lugar que estava antes. Gisele tinha as mãos na cintura, como tinha antes. Não havia sequer mudado de posição. Estranhou, então virou a cabeça para os lados. Nada havia mudado. Atrás dela, tinha apenas uma parede, que bom, obviamente ainda estava lá, intacta.
– Perdi a piada? — Ela disse e Gisele sorriu.
– Eu disse que você falaria que eu sou linda e que me amava quando visse algo, não era? — Gisele perguntou e Robby afirmou com a cabeça. — Então. Feche os olhos. E depois abra de novo.
Roberta começara a achar que a mentalidade de Gisele , que já não era das melhores, teria sido afetada por alguma espécie de droga. Mas preferiu não contestar, repetindo o gesto.
– Você é lerda pra caralho — Gisele disse, rindo, e a garota abriu a boca, indignada.
– Eu não sou lerda! O que você quer mostrar, Gisele ? — disse, um pouco nervosa. Gi riu.
– A garota mais gata, mais sexy e mais perfeita que você viu desde a última vez que abriu os olhos. — Gisele sorriu.
Robby tentou dizer algo, mas não conseguiu emitir som algum. Sua mente estava dividida entre dar uma gargalhada ou achar aquilo extremamente fofo. E de fato, ela era um pouco lenta pra decidir.
– Você é louca! — Roberta disse, rindo. — Louca e metida!
– Linda e adorável? — Gisele disse com a voz em um tom que ela achava que fosse sexy.
– LOU-CA e ME-TI-DA! — Robby soletrou, rindo.
– Eu sei que você me ama... — Gisele deu de ombros, e aquela atitude começou a parecer engraçada para Roberta
– Amo muito — ela disse, irônica, e Gisele riu.
– Qual é, você sabe que eu sou a garota mais linda que você já viu... — Gisele riu junto com Roberta.
– Com toda certeza — ela concordou, ainda debochada. Depois olhou para uma Gisele um tanto quanto satisfeita. Gisele tinha um sorriso vitorioso nos lábios.
Robby tinha dito exatamente o que Gisele queria. Maldita.
– Eu disse que você iria me dizer isso — Gi gargalhou. Quando percebeu que Robby ia se manifestar, tocou seus lábios com os dedo, para que se calasse. — Eu sei que eu não sou a garota mais linda que você já viu, você namorava um modelo! — Gisele chacoalhou a cabeça, com o rosto muito próximo. — E é claro que você não me ama. Mas acho que tem alguma chance dessa minha brincadeira babaca ter te provado duas coisas.
Gi ficou em silêncio, e a Robby mal conseguia respirar direito. Aquela proximidade, somada ao perfume maravilhoso que Gisele estava usando, acabara deixando-a atordoada.
– Que... Coisas? — Robby disse, quase em um sussurro.
Gisele levantou o dedo, tocando seu lábio de novo.
– Primeiro. — Gi sorriu de lado. — Eu estou bem longe de não ter atitude.
A garota quase riu, mas não estava em condições de se mover, poderia ser muito perigoso.
– E segundo — Gi mostrou o número com os dedos. — Eu posso ser idiota, mas eu sei que você gostou disso tudo. E eu sei que você quer a mesma coisa que eu.
Robby suspirou pesadamente.
– E o que você quer?
Gisele não respondeu com palavras, mas Robby já imaginava isso. Gisele Encostou seus lábios de leve nos de Roberta sem pressa alguma, esperando que Roberta permitisse o que Gisele estava prestes a fazer. Roberta não recuou, não tinha condições físicas para negar nada naquele momento. O beijo suave de Gisele era até tímido no começo, mas depois as duas se entregaram. A única coisa que conseguia pensar era por que diabos não tinha tido aquela ideia antes. Era tudo o que Gisele queria, e não fazia ideia.

**

– Um encontro? — Clara arqueou a sobrancelha, olhando para Marina pelo reflexo do espelho do banheiro. Marina sorriu, aproximando-se, e a abraçou pelas costas.
– É, tipo um encontro. Só nós duas, hoje. — Marina deu um beijo em seu ombro. — O que me diz?
Clara virou de frente, passando os braços pelo pescoço de Meirelles .
– Eu digo que é óbvio que eu quero. — Ela sorriu, dando um selinho em Marina. — Pra onde vamos?
– Isso é surpresa... — Marina sorriu, dando outro selinho. — Mas esteja pronta às sete, não podemos nos atrasar. E esteja linda.
Clara riu, vendo Marina sair do banheiro.
– Eu sempre estou linda.
Marina chacoalhou a cabeça.
– Metida.
– Realista — ela respondeu.
Marina já estava perto demais de novo. Apenas riu, e tomando-a pelos braços, a beijou. Era inevitável aqueles arrepios que Clara sentia toda vez que sua língua tocava a de Marina. Passou as mãos por seus cabelos, arranhando de leve a sua nuca, e Marina puxou seu lábio com os dentes, sorrindo.
– Às sete — repetiu — E linda como sempre.
Clara sorriu.
– Nós total perdemos a piada do “cala a boca” — disse, e as duas gargalharam.
– Eu gosto de finalizar a piada assim... — Marina riu, mexendo nos cabelos de Clara
– Eu também. — Clara respondeu, com a voz quase derretida. — Mas agora se manda daqui, que eu preciso começar a me arrumar, tenho só duas horas pra ficar “linda como sempre” — ela fez aspas com os dedos, fazendo Meirelles rir.
– Se você fosse com essa toalha, já estaria mais do que linda — disse, galanteadora.
– Mas você não gostaria das cantadas que eu iria receber por ser tão gostosa e estar de toalha na rua. — Clara disse, sorrindo vitoriosa, e Marina riu.
– Bela jogada. Te vejo daqui a pouco — Marina sorriu, e Clara ouviu a porta do quarto batendo, algum tempo depois.

**

Clara estava orgulhosa de si mesma. Estava sentada em sua cama, totalmente arrumada, e ainda faltavam três minutos pra sete. Nunca fora assim tão eficiente. Pensou em ir até o quarto de Marina ver se ela estava pronta, mas queria ver o rosto dela quando a visse com aquele vestido azul claro que estava. Costumava apostar no pretinho básico, mas resolvera inovar. Colocou um par de sapatos brancos e pegou uma bolsa da mesma cor, arrumou os cabelos em um meio rabo e estava sentindo-se deslumbrante. Ouviu alguém bater em sua porta e levantou-se, rapidamente, quase fazendo uma pose, o que a fez rir.
– Wow — Luiza disse, olhando para amiga — Querida, se a Marina não te pegar de jeito essa noite, eu pego!
– Vou deixar isso bem claro pra ela. — Clara deu uma piscadela, rindo. — Falando nisso, são sete em ponto, acho que vou até o quarto dela.
– Não, Clara, a Vanessa estava te chamando lá na cozinha. Quer que eu avise a Marina que você está lá embaixo?
– Tudo bem então. — Clara rolou os olhos.
Desceu as escadas até que rapidamente para um salto daquele tamanho. Ao chegar na cozinha, olho em volta e não viu nem sinal da irmã. Bufou, irritada. O que diabos Luiza estava fazendo? Quando ia sair de lá, o interfone tocou.
– Sim? — Atendeu rapidamente.
– Vocês tem visita aqui no portão. — Ouviu a voz do caseiro do outro lado.
– Tudo bem, vou pedir pra alguém ir aí — ela disse, sem paciência.
Ao chegar na sala, nenhum de suas amigas estavam lá.
– Merda — murmurou. — Fernanda? Flavinha?
Ninguém respondeu.
Xingou todas mentalmente e foi até o caminho de pedrinhas que dava até a saída. Não gostava de se aventurar em lugares assim quando estava de salto. Abriu o portão, nervosa, e toda sua raiva foi pelo ralo.
Marina estava do outro lado, encostado em um carro que ela nunca vira na vida, Marina estava com uma calça jeans preta que ficava justa no corpo, uma blusinha vermelha e um scarpin da mesma cor da blusa. Estava perfeita. Clara Sorriu ao ver o sorriso imenso que Marina abriu ao encará-la da cabeça aos pés.
– Eu pedi pra você ficar linda, não pra humilhar todas as mulheres da cidade — Marina disse, ainda sorrindo, e chegando mais perto. Acariciou o rosto de Clara e deu um selinho nela. — Vamos?
– Claro. Quero ver o que você aprontou. — Clara sorriu, caminhando até o carro. — Alugou? — perguntou, e Marina afirmou com a cabeça — Ai, meu Deus, deixe que eu chegue viva até onde você está me levando! Você é uma péssima motorista! — Clara disse, rindo da cara que Marina fez, enquanto abria a porta para que ela entrasse.
– Ei, aquele dia foi um acidente, e eu estava bêbada! — disse Marina, com um biquinho irresistível. Clara teve que conter a vontade que teve de mordê-la.
– Awn, tô brincando, meu bem! — Clara riu, dando um beijo rápido em Marina, que sorriu animada e deu a volta no carro.
– Antes de irmos... — Marina esticou o braço para trás e apanhou um buquê de rosas vermelhas no banco traseiro. — Pra você.
Clara abriu um sorriso imenso, aquel garota sabia mesmo agradar.
– Quero fazer disso um encontro mesmo. — Marina sorriu.
– Awn, que lindo! — Clara cheirou as flores em suas mãos. — Obrigada, isso foi muito fofo!
Marina ligou o rádio e deu partida no carro. Estavam conversando sobre trivialidades, mas Marina estava nervosa com o que tinha que fazer naquela noite. Queria que o pedido de namoro fosse tão perfeito que ela não tivesse como recusar de forma alguma. E ela não podia se atrapalhar e acabar fazendo algo dar errado. Estava pensativa, quando seus devaneios foram interrompidos por um espirro de Clara.
– Saúde. — Marina sorriu, e ela agradeceu.
– Então, a Gisele e a Robby sumiram! — Marina disse, tentando conversar sobre alguma coisa. — Algo me diz que elas...
– Atchim! — Clara espirrou de novo, depois riu. — Desculpa, desculpa! — disse. — Eu também acho que elas podem ter... ATCHIM!
Marina arqueou a sobrancelha, estranhando aquele ataque repentino de espirros da provável futura namorada.
– Você está bem? — perguntou e ela sorriu.
– Estou sim, só preciso achar um lenço e... — Clara fez uma careta — ATCHIM!
Marina encostou o carro no acostamento. Clara estava espirrando e rindo ao mesmo tempo, o que a deixou preocupada e com vontade de chamá-la de tonta ou algo do tipo. Era por isso que gostava dela.
– Clara, você tá gripada? — perguntou, desconfiada.
– Claro que não, docinho — Clara disse, com o nariz vermelho. — Eu tô bem.
E outro espirro.
– Clara — Marina disse com a voz firme, o que fez Clara lembrar da própria mãe.
– Ah, Marina, desculpa! — Ela escondeu o rosto com as mãos.
– Ei, o que foi? — Marina soltou o cinto e tirou as mãos do rosto de Clara.
– Eu... Sou alérgica a rosas.
Clara viu Marina abrir a boca, sem conseguir dizer nada por alguns segundos. Tinha tentado ao máximo esconder esse fato, afinal, a atitude de Marina tinha sido uma graça. Mas aqueles espirros malditos estavam a entregando, definitivamente.
– Ai, meu Deus! Eu sou uma idiota, desculpe! — Marina disse rapidamente, pegando o buquê que estava no colo dela. — Eu não sabia, é sério, Clara, eu...
Clara riu, chacoalhando a cabeça.
– Você não era obrigada a saber, está tudo bem. — Clara sorriu, ainda coçando o nariz.
– Claro que era, eu podia te matar! — Marina disse gesticulando muito, fazendo Clara rir ainda mais.
– Você quer parar de drama? — disse, segurando o rosto de Meirelles entre as mãos e dando um selinho nela. — Eu devia ter te dito, não esperado minha crise de...
– Vou jogar isso fora, perai. — Marina disse, e Clara a segurou pela mão.
– Não, deixa pelo menos uma comigo. Pra eu guardar de lembrança.
Marina sorriu, e negou.
– É melhor tirar tudo que possa te matar de dentro desse carro — respondeu, rindo baixo. Pelo menos Clara tinha encarado numa boa, e contanto que Marina tirasse o buquê dali, ficaria bem.
– Tudo? — Clara disse, rindo. — Então você vai a pé ou vai me deixar dirigir?
A garota gargalhou da careta que Marina fez e a viu jogar o buquê em uma lata de lixo. Sentiu dó, mas era melhor assim.
– Lírios da próxima vez? — Marina entrou no carro, com cara de cachorrinho sem dono. Clara poderia agarrá-la ali mesmo, mas apenas sorriu, concordando.

**

Marina estacionou o carro em frente a um restaurante italiano lindíssimo que tinha uma varanda imensa com vista para o mar. Viu os olhos de Clara brilharem. Pronto, pelo menos as coisas estavam começando a dar certo um pouco depois do planejado.
– Marina, esse lugar é... lindo! — Clara disse, animada, e Marina a abraçou, depois segurou sua mão para guiá-la até a porta.
– E italiano. Eu sei que você não é muito fã da culinária francesa. — Marina sorriu com todos os dentes. — E agora sei que você também não é fã de rosas. — Marina riu.
– Deixa de ser boba e esquece isso! — Clara sorriu e Marina concordou, indo até o restaurante.

– Olha, tem um barco passando ali no fundo — Clara estava realmente deslumbrada com o lugar. A mesa que Marina tinha arrumado para elas era na varanda, como ela teria preferido.
– Quer olhar a carta de vinhos, senhora? — o somélier perguntou, e Marina sorriu educadamente.
– Deixo que você escolha o melhor para nós. Não entendo muito dessas coisas.- disse, sincera, e Clara sorriu.
– Esse é o melhor encontro de todos que eu já tive. — Clara sorriu, tímida, e Marina teve certeza que ela não poderia ficar mais linda.
– Mas nós mal começamos... — Marina sorriu, segurando sua mão.
– Mas eu tenho certeza que é o melhor.
Marina passou as mãos pelos cabelos de Clara ao escutar isso, estava sentindo o coração bater tanto que parecia que tinha uma escola de samba dentro dela, deu alguns selinhos longos em Clara, que logo deu passagem para que aprofundasse o beijo. Talvez aquele fosse o momento certo, não precisaria esperar até o fim da noite.
– Você está linda, sabia? — disse Marina, instintivamente, e ela abriu os olhos, sorrindo.
– Obrigada. Você também está — disse simplesmente. Marina estava brincando com seus dedos, parecia um pouco nervosa. — Aconteceu alguma coisa?
– Não, claro que não. — Marina sorriu. — Eu só queria...
– Com licença. — O someliér voltou, e Meirelles rolou os olhos discretamente. — O vinho de vocês.
– Obrigada, pode servir — Marina respondeu rapidamente.
O rapaz estava enchendo a taça que estava em frente a Clara, quando outro garçon passou atrás dele e Marina não conseguiu ver o que aconteceu, mas os dois se chocaram, fazendo com que a taça caísse no vestido azul claro de Clara.
– Ai. Meu. Deus. — Clara disse, com os olhos arregalados. A mancha era pequena, o someliér tinha sido rápido. Mas não o suficiente.
– Minha nossa, me perdoe, senhora, eu nem sei o que dizer, eu... — O outro garçon surgiu, e os dois começaram a se desculpar juntos. Marina não sabia o que falar.
Aquilo definitivamente não poderia ficar pior.
– Não, está tudo bem — Clara disse. O gerente estava se aproximando da mesa delas.
– Marina, eu vou até o banheiro ver se consigo dar um jeito nisso aqui — ela disse muito calma, mas o jeito de sua voz deixava transparecer que estava brava. Marina a segurou pela mão.
– Eu nem sei o que dizer, isso foi horrível, desculpe — Marina disse, mesmo sabendo que não era sua culpa — Vamos sair daqui, podemos ir pra outro lugar e...
– Não precisa não. Eu vou dar uma olhada nisso aqui, estou com fome e quero comer logo. — Clara sorriu, percebendo o quanto Marina estava desconfortável, e aproximou-se dela. — Ei, relaxe. Não foi sua culpa, amor. Já volto.
Clara praticamente correu para o banheiro. Ela tinha a chamado de “amor” no meio de um restaurante. E ainda por cima não tinha ficado com vergonha disso. Riu sozinha, e aquela história do vestido pareceu muito menor — ainda se seu Prada ficasse manchado, processaria aquele lugar.

Marina ainda estava sorrindo idiotamente pela pequena demonstração de afeto pública que tinha acontecido. Ouviu as desculpas do gerente, que acabou dando o jantar pra elas. No fim das contas, a refeição tinha sido muito agradável, as duas tinham rido muito. Tirando que Marina se sentia culpada cada vez que olhava para a mancha no vestido. E ela olhava muito, era nos peitos da Clara. Preferiu não dizer nada sobre o namoro, não depois de uma cena daquelas. Ainda tinham um musical pra ver, e aquilo deixaria Clara muito feliz. Ela sempre quisera assistir Moulin Rouge na França. Tudo bem, era em Paris, mas a Riviera serviria.
– Nós vamos ao teatro? — Clara sorriu ao descer do carro.
Marina mostrou para ela os convites para a peça.
– Ah, meu Deus! — Clara bateu palmas, empolgada. — Você é a melhor, não acredito nisso! — Clara pulou em cima de Marina. Estava de vestido e elas estavam no meio da rua, mas não estava se importando. Já tinha perdido a dignidade pelo vestido manchado.
– Você merece. — Marina sorriu. — Ainda mais depois da história do vestido. E das flores. — Marina fez uma careta de dor.
– Vamos logo, estamos em cima da hora! — Clara a puxou pela mão, e as duas atravessaram a rua. Ficaram trocando beijos na pequena fila que tinha em frente ao teatro.
– Seus convites, por favor — o segurança pediu e Marina entregou, quase sem conseguir parar de beijar Clara — Boa peça!
Clara deu outro pulinho empolgado e virou de frente, para entrar.
– Ei, espere um instante, senhorita. — O mesmo segurança a barrou.
– O que houve? — Clara perguntou.
– Me desculpe, mas a senhorita não pode entrar com o vestido assim...- Ele apontou para a mancha, e Marina sentiu o sangue subir à cabeça.
– Quem disse isso? Que regra ridícula é essa? — respondeu Marina ríspida, e Clara arregalou os olhos.
– Marina, calma... — Ela sussurrou.
– Desculpe, são normas da casa.
– Nós vamos ver essa peça, você não está me entendendo! — Meirelles ainda falava muito alto, e Clara estava ficando assustada.
– Me diz uma coisa — Clara interrompeu. — Se eu colocar um casaco, está tudo bem, certo? — Ela perguntou.
– Positivo, senhorita. — O segurança respondeu.
Clara puxou Marina para fora da fila, correndo até o carro.
– Seu blazer que está no banco de trás! — ela disse, e Marina suspirou aliviada.
– Você é um gênio.
– Eu sei! — Clara riu.
As duas correram, e Marina pegou rapidamente o casaco. Já estava na hora da peça, os dois últimos casais da fila estavam entrando.
– Veste correndo! — Marina quase gritou.
“Ótimo, Marina. Não podia ser mais romântica. Você está mandando que ela corra de salto no meio da rua pra não perderem a peça. Você é uma merda!”
Marina estava quase batendo a cara nas colunas do teatro de tanta raiva. Por que diabos TUDO dava errado com ela? Tudo que ela havia planejado estava se tornando uma grande piada.
“Nem eu mesma namoraria comigo depois dessa”, pensou, e chegou até o segurança.
– Pronto, resolvido — Marina disse em um tom ameno, porque reparou que era outro cara.
– Me desculpe, senhor. A peça começou há cinco minutos. Sinto muito, mas não posso deixar vocês entrarem.
– Por favor, nós estávamos aqui na hora, é que o outro segurança... — Clara argumentava.
– Me desculpe, senhorita. Não há nada que eu possa fazer.
A expressão de Clara era de decepção. Não, agora sim Marina estava se sentindo pior do que estava. Não teve coragem de falar nada sobre o teatro. Não tinha mais clima nenhum para falar nada sobre namoro. Estaria com sorte se Clara ainda quisesse olhar na sua cara no dia seguinte.
– Vamos pra casa — disse Marina, com a voz baixa, e caminhou até o carro.


O silêncio era cortante dentro do carro, chegava a incomodar. Marina estava com os olhos focados na estrada, as mãos firmes no volante, tão firmes que Clara achava que quando ela soltasse, cairia um pedaço. Estava se sentindo mal por tudo que acontecera. Sabia que Marina tinha tentado fazer um encontro perfeito, e sabia como ela devia estar se sentindo.
– Marina, fala alguma coisa. — Sua voz era quase suplicante. Estava com medo que Marina gritasse com ela ou algo do tipo.
– O que você quer que eu diga? — Marina respondeu de imediato, nervosa — Desculpa, Clara. Esse foi o pior encontro da História.
Clara ia abrir a boca para retrucar, mas Meirelles ligou o rádio, e ela percebeu que isso era para que calasse a boca. Encostou a cabeça na janela, sentindo os olhos arderem. Podia parecer coisa de outro mundo, mas para Clara, aquele ainda tinha sido o encontro perfeito. O carro começou a fazer algumas movimentações estranhas, e Clara se segurou na cadeira, rezando para que não quebrasse. Marina se mataria.
Mas aparentemente papai do céu não estava escutando muito bem. O barulho do pneu furado foi muito característico, e ela só fechou os olhos, esperando que Marina xingasse muito alto.
Não foi o que aconteceu.
Clara ouviu a porta do carro batendo com força extrema, e viu que Marina tinha saído. Imediatamente fez o mesmo, mas Marina não estava indo consertar o pneu, estava andando em direção a praia.
– Marina! — Clara gritou — Marina, me espera!
Clara parou de andar, ainda estava de costas, e ela se aproximou, jogando os sapatos na areia junto dos de Marina. Marina virou de frente, olhando em seus olhos. Clara podia ver a ira neles.
– EU SOU UMA IDIOTA! — ela berrou, e chutou a areia, que voou para longe. — Esse é o pior encontro de todos os tempos! O PIOR DE TODOS!
Clara respirou fundo, segurando-a pelos ombros.
– Marina, esse não é o pior encontro de todos os tempos, fica calma — disse baixo, e Marina riu, irônica.
– Pelo amor de Deus, Clara! Para de mentir! — ela disse alto. — Você não precisa ficar fingindo que foi maravilhoso pra me agradar, eu estava lá e vi a MERDA que foi! — Marina a encarou nos olhos. — Eu quase te matei de alergia, derrubaram vinho tinto no seu vestido claro, a PORRA do teatro não aceitou que a gente entrasse por causa da mancha, depois perdemos a hora pra peça que eu sabia que você queria ver... — Marina riu, chacoalhando a cabeça. — E pra completar, A PORRA DO PNEU FURA? Nem que você tivesse saído com Murphy seria pior que isso!
Clara começou a rir. Nem ela sabia porque estava agindo daquela forma.
– TÁ RINDO DO QUÊ? — Marina gritou.
– Marina, PARA DE GRITAR! — agora Clara gritou. — Você não teve culpa de nada do que aconteceu, pare de se culpar! — Clara continuou num tom mais alto, vendo que ela iria se manifestar. — Eu sei que TUDO o que você fez foi pra me agradar, e eu achei isso lindo!
– Lindo? — Marina chacoalhou a cabeça. — Você deve ser muito louca mesmo.
Marina bufou, andando em direção à água. Quando percebeu que Clara estava em seu encalço, virou abruptamente.
– Você não entende — ela disse baixo. — Isso não podia ter sido assim. Teria que ter sido... perfeito.
Clara respirou fundo, aproximando seu rosto do de Marina. Seus olhos estavam ainda mais bonitos refletindo a pouca luz da lua.
– E qual é o problema, amor? — Ela percebeu um sorriso sutil no canto do lábio de Marina quando usou a palavra. — Não é como se esse fosse nosso primeiro encontro. Nós teremos outros que darão tudo certo, você vai ver e...
– Não, Clara! — Marina disse, com um pouco de raiva — Eu armei isso tudo porque eu queria pedir... Pedir pra você namorar comigo!
Clara deu um passo pra trás, instintivamente. Não sabia o que dizer. As palavras simplesmente tinham sumido.
– Mas agora já era! Foi o pior encontro das nossas vidas e não tem mais clima nenhum pra nada! — ela disse, entristecida. — Me desculpa. Eu não queria dizer isso assim.
Clara respirou fundo, seu coração dando sinais de vida parecia pular em seu peito. Ela sorriu e a encarou.
– Marina, você já olhou ao seu redor? — perguntou, e Marina a encarou, sem entender. — Nós estamos em uma praia lindíssima e deserta. A única luz é a da lua cheia. Estamos... Aqui. Só nós duas. Isso não é perfeito?
Marina olhou para os lados. Era bem verdade que o cenário era deslumbrante, mas ainda assim estava puta. Não conseguia se conformar com aquela noite.
– Eu sei, Clara, mas...
– Shiu, eu não terminei. — Clara deu um selinho nela, e depois acariciou seu rosto. — Você está brava, eu posso ver isso nos seus olhos. Mas pra mim, esse encontro foi sim o melhor de todos. — Ela sorriu, calando-a com o dedo. — Pensando agora no que você fez, teria sido sim, um encontro lindo, se tivesse dado certo...
– Mas não deu... — Marina interrompeu, mas ficou quieta quando viu que Clara iria continuar.
– Só que se ele tivesse dado certo, Marina, nós não estaríamos aqui. Foi incrível tudo o que você tentou fazer. E eu não vejo cenário melhor pra... Marina, eu adoro você. E eu sei que você não consegue dizer, mas eu... — Ela riu — Você quer namo...
– Não! — Marina deu um selinho nela, fazendo com que se calasse.
– O que... Por quê? — Clara parecia decepcionada com a interrupção. Marina sorriu e segurou seu rosto com as mãos.
– Eu... Eu sou uma babaca.
– Marina, por favor... — Clara rolou os olhos, vendo que o tema estava voltando para o início, bem quando achava que teriam um progresso.
– Shiu, eu não terminei. — Marina deu um selinho nela, o que a fez rir de leve, pela cópia da frase. — Eu sou uma babaca porque eu achei que eu precisava de um encontro perfeito pra fazer isso. Eu achei que tinha que ser no lugar certo, na hora certa... Mas isso é ridículo! — Marina riu. — Eu estou aqui, com a mulher mais linda e manchada da França — disse, fazendo Clara gargalhar. — Numa praia deslumbrante. E tudo o que eu precisava era dizer que eu também te adoro. E se você foi louca o suficiente para achar nosso encontro lindo... Talvez eu tenha uma pequena chance de você aceitar ser minha namorada.
Clara teve a sensação que o mundo tinha acabado ao redor dela. Poderia acontecer uma guerra nuclear naquela mesma praia, mas ela não repararia em nada. Só naqueles olhos lindos e naquele sorriso sincero. Ela era a garota mais sortuda do mundo.
– É claro que eu quero namorar você!
Clara abriu um enorme sorriso, e pulou em cima de Marina, que a segurou no ar, fazendo com que ficasse em seu colo. Aproximaram seus rostos e por alguns instantes, ficaram apenas rindo, qualquer um que passasse, acharia que estavam bêbadas. Marina passou o nariz de leve na pele de Clara, que fechou os olhos e entrelaçou os dedos em seus cabelos. Não precisou de autorização alguma. Clara era sua, agora oficialmente. Beijou-a com tanta vontade que achou que fosse perder o fôlego em cinco segundos, mas durou muito mais que isso. Clara abriu os olhos, ainda sem ter certeza que aquilo era realmente real, quando ouviu aquela voz rouca perto de seu ouvido, confirmando absolutamente tudo.
– Eu sempre disse que você seria minha, docinho.

Notas finais
E por hoje é só. Até semana que vem!