Os Opostos Se Atraem

16 Quem pode negar, essas borboletas?


Notas iniciais
Primeiramente eu gostaria de pedir desculpas pela minha ausência. Não me ausentei atoa, infelizmente semana passada eu tomei um block da Tainá e isso me deixou bastante abalada pelo fato do block ter sido extremamente injusto e desnecessário. Desculpe por ter deixado vocês na mão Sexta-Feira. E peço desculpas desde já pelo cap de hoje, pois eu realmente não gostei muito, fiz o máximo que pude. Enfim, boa leitura ..

Clara’s P.O.V mode ON

Senti meu corpo estremecer quando Marina acabou de vez com o espaço seguro que tínhamos entre nós duas. Suas mãos se embrenharam em meus cabelos e o toque gentil de sua língua na minha quase me fez ter um colapso. Alguém me explica se um coração pode bater tão forte assim? Espero que possa, porque eu sou muito nova pra morrer. Foi o suficiente para saber que tudo o que eu precisava era estar ali, nos braços dela. Ninguém nunca me faria sentir daquela forma, mas a docinho não precisava ficar sabendo disso. Talvez só um pouco, vai. Ela merece.
– Por quê você demorou tanto? – Marina sussurrou com a boca quase colada na minha, e eu abri os olhos devagar, encarando os dela bem próximos. Sorri ao perceber que ela estava ansiosa. Marina Meirelles podia ser fofa, que gracinha!
– Assim que você saiu do banheiro, eu já tinha tomado minha decisão. Eu teria chegado aqui em cinco minutos ou menos – Sorri tímida ao ver o enorme sorriso que estampava o rosto de Meirelles – Só que minha irmã me viu, e começou a me dar uma puta bronca!
Rolei os olhos ao lembrar da cena. Marina riu baixo e sentou, ainda me mantendo em seu colo, e eu acabei ficando com uma perna de cada lado de seu corpo.
– Bronca? – Ela sorriu maroto e eu mostrei a língua.
– Hot’n’Cold numa mesa de sinuca pode agradar a muita gente, mas a Vanessa... – Respondi olhando pras unhas e Marina gargalhou. Eu adorava aquela risada.
– Tá certa, tem que cuidar da irmãzinha! – Marina disse com um olhar malicioso e eu gargalhei de verdade. Num movimento rápido, ela me deitou na cama e me prendeu entre seus braços. – Sabe quantas pessoas podem querer se aproveitar dela nessa Riviera? – A estapeei e nós duas rimos.
– Babaca... – Murmurei, rolando os olhos. Marina riu mais alto.
– A Vanessa demorou tudo isso pra te dar bronca? Caralho! – Ela disse beijando meu pescoço e eu segurei o riso, ponderando contar ou não a outra coisa que me manteve mais tempo lá embaixo.
– Na verdade... – Mordi o lábio mudando de ideia. Ela não precisava saber. Marina mordiscou o lóbulo da minha orelha e eu apertei seu braço com mais força.
– Na verdade... – Ela me incentivou, ainda beijando meu pescoço, e eu não sabia se respirava ou tentava falar alguma coisa. Minhas unhas começaram a apertar em seu braço com um pouco mais de força que o necessário, e ela não parecia se importar com isso. Beijo no pescoço é maldade, Meirelles.
– Um idiota me parou lá embaixo – Comecei a dizer, com a voz fraca. Percebi que os beijos de Marina cediam a medida que ela ia ouvindo a historia. – Ele... Gostou de me ver dançando.
Pronto. Marina apoiou seu corpo nos braços e afastou o rosto do meu. Sua expressão era indecifrável, mas ela não disse nada, então presumi que queria que eu continuasse falando.
– É ele... – Parei a puxando pra mais perto, mas Meirelles continuou imóvel. Merda. – Estava bêbado e veio falar alguma coisa, mas a Fernanda deu um jeito nele.
– Dar jeito? O que ela fez? – Vi a expressão de Marina se contorcer em raiva e engoli seco. Eu e minha boca grande. Acariciei seu braço devagar e a puxei pra mais perto, roçando meu nariz em seu pescoço. Vi sua pele arrepiar e sorri. – Clara!
Ela me advertiu, mas eu encostei meus lábios devagar ali, soltando meu hálito quente. Marina cedeu e passou a mão pelas minhas costas, me apertando com força.
– Me fala... – Sua voz era quase um sussurro. Ri baixo.
– Ele queria algo mais né, Marina... – Senti seu corpo enrijecer, e antes que dissesse algo, colei meus lábios no dela e percebi cada músculo de se braço Relaxarem. Como ela era linda! Marina me apertou com mais força contra seu corpo e eu tinha a impressão que nada mais me obedeceria, minhas mãos pareciam perder o rumo em suas costas e ela me segurava com tanta força que parecia que ia fundir nossos corpos em um só.
– Eu deveria estar lá pra quebrar a cara dele... – Ela murmurou e eu tentei rir, sem força alguma.
– Ninguém quebrou a cara dele. Ele só foi convidado a se retirar depois que não aceitou minha resposta... – Murmurei e Marina me encarou nos olhos, tomando uma distância mínima, mas que parecia gritante. – Eu disse pra ele que eu estava acompanhada.
Senti minhas bochechas arderem absurdamente. Como eu podia ser tão ridícula? Marina acariciou meu rosto e sorriu, aquele sorriso que faz qualquer garota desmaiar, e que eu fingia inutilmente que não surtia efeitos maiores em mim. É claro que surtia. Talvez mais em mim do que nas outras.
– Acompanhada? – Ela disse com uma voz idiota e eu ri de verdade.
– Foi o que você disse quando saiu do banheiro e me deixou com cara de nada, não? – Respondi rapidamente e ela gargalhou.
– Cada dia mais surpreendente, docinho!
Um calor repentino tomou conta de mim ao ouvir o famoso apelidinho sem vergonha. O mais engraçado era que dessa vez, eu tinha gostado. Não tive necessariamente tempo pra pensar em nada, Marina já estava tentando me matar do coração de novo. Senti o beijo calmo se transformar em algo mais intenso, mais quente e irresistível. A maneira com que suas mãos se moviam era delicada e ao mesmo tempo desesperada. Mordi seu lábio devagar na medida que minha respiração ficava um pouco mais alta que o normal, e Meirelles deu um gemido baixo. Tive vontade de rir, mas me segurei enquanto ela apertava com força o lado das minhas coxas e me fazia ficar presa entre suas pernas. A pressão de seus lábios contra os meus era quase furiosa, mas não é como se estivéssemos perdendo algum toque. Era como simplesmente nossos corpos pedissem por mais, como se tivéssemos esperado tempo demais. Talvez aquilo fosse verdade. As mãos de Marina subiram por baixo da minha blusa, a puxando devagar para cima. Parei o beijo, completamente ofegante, e ri baixo. Vi as bochechas de Marina ganharem um tom rosado e sorri.
– Rapidinha você, hein?
Marina riu alto e puxou a blusa para cima, deixando meu sutiã preto a mostra.
– Eu já acho que demorei demais... – Ela disse, a voz rouca e arrastada perto do meu ouvido, enquanto dava beijos suaves ali.

Senti meu corpo inteiro estremecer, e concordei inutilmente, rindo baixo.
– Pervertida.
– Como sempre, realista. – Meirelles gargalhou.
– Não deixa de ser verdade.
Respondi e Marina me encarou nos olhos, um sorriso quase infantil no rosto. Como uma criança que vira os presentes de Natal embaixo da árvore. Simplesmente lindo.
– O que foi? – Perguntei, um sorriso igualmente idiota nos lábios.
Marina chacoalhou a cabeça, e voltou a beijar meu pescoço, dando a entender que não iria dizer nada. Gemi.
– Marina Meirelles! – Ela riu ao ouvir o nome completo e me deitou de volta, acariciando meu rosto.
– Isso vai soar estúpido... – Marina fez uma careta, o que só me deixou mais curiosa.
– Fala, vai! Por favor... – Pedi, a voz fofa, e ela arqueou uma sobrancelha.
– Eu só não consigo acreditar que... Que eu consegui ter você.
Um sorriso se estampou em meu rosto e eu senti meu coração bater mais forte gradativamente. Marina sorriu junto comigo, e me beijou, dessa vez devagar e delicadamente, o que só fazia meu cérebro girar e meu corpo responder sozinho a cada toque. Comecei a desabotoar sua camisa, sem me desfazer do beijo, e ela a jogou para longe. Os beijos de Meirelles começaram a fazer um caminho pelo meu pescoço e busto, enquanto suas mãos já buscavam os botões da minha calça. Tentei fazer o mesmo com a dela, mas era complicado demais para me concentrar enquanto ela me torturava com beijos no pescoço. Gemi em protesto e ela riu, me fazendo sorrir vitoriosa quando desabotoei a calça e a empurrei com meus próprios pés pra longe. Observei seu corpo coberto apenas pela calcinha preta e mordi o lábio. Não demorou muito para que Marina se desfizesse de meu sutiã, que tomou o mesmo rumo que as demais peças que eu vestia. Eu a beijava no pescoço muito mais ferozmente do que podia calcular, tinha certeza que algumas marcas sobrariam por ali. Marina soltou um braço das minhas costas e começou a tatear a mesinha do lado, derrubando alguns objetos que pareciam fazer muito barulho quando tocavam o chão. Ri baixo do desespero dela. Seu olhar encontrou o meu enquanto nos livrávamos das últimas peças de roupa que estavam entre nós.
– Hey. – Suspirei. Ela me encarou, o olhar tão fixo no meu que parecia poder ver através deles.
– O que foi, linda?
– Eu acho que gosto um pouquinho de você. – Murmurei e Marina gargalhou. A melhor risada que eu podia ouvir, que me fazia estremecer. Ri junto.
– Só um pouquinho? – Ela sussurrou, encostando a testa na minha.
– É. – Respondi, a voz fraca.
Ela sorriu.
– Acho que podemos trabalhar nisso, docinho.
Assenti, sem forças pra dizer mais nada, com um sorriso no rosto. O olhar de Marina no meu, o corpo dela no meu, era algo inexplicável. Nunca poderia ser dito em palavras, ela era só minha e eu era só dela. Dentro das nossas loucuras, brigas, dentro do nosso mundinho impenetrável. Algo só nosso, que nem nós mesmos éramos capazes de entender.

Em nenhum instante pensei em negar aquele momento. Com ela era tudo completamente diferente. Era melhor, muito melhor. Nada parecia precipitado, parecia certo, e isso fazia toda a diferença. Senti o corpo pesado e suado de Marina cair sutilmente sobre o meu. O coração dela batia tão forte que eu sentia em mim. Ou talvez o contrário, não faço idéia. Respirei fundo, tentando sair do êxtase do qual eu estava, mas foi inútil. Marina me puxou para si e apoiou minha cabeça em seu peito, mexendo em meu cabelo.
– Isso foi... – Ela começou. Interrompi.
– Shhh. – Dei um selinho longo nela – Não estrague o momento.
Ela riu.
– Essa frase é minha.
– Você é minha nesse momento, logo, suas frases me pertencem. – Disse baixo e Marina me encarou, rindo.
– Eu não sou sua só nesse momento.
Sorri, mesmo contra todo o cansaço que consumia meu corpo. Meus olhos estavam fechando.
– Eu acho que fui sempre sua. – Respondi, encarando-a nos olhos em uma distância mínima. Marina acariciou meu rosto e me beijou suavemente.
– Você gosta um pouquinho mais de minha agora? – Ela disse com a voz baixa, e eu ri um pouco mais alto.
– Um dia você chega lá, meu bem. – Provoquei e Marina gargalhou, me puxando pela cintura.
– Eu não te mereço, docinho!
Ri e mordi seu ombro, deixei que meus olhos se fechassem, sentindo o cheirinho bom que vinha de seu pescoço.
– Boa noite, linda. – Ela sussurrou.
– Boa noite, docinho. – Eu ri.
Achei que fosse capotar logo em seguida – Minhas pálpebras estavam pesadas, meu corpo estava mole – Mas não foi isso que aconteceu. De repente, uma lembrança veio em minha mente e eu comecei a rir. De início, tentei me conter, mas depois comecei a rir alto demais. Marina apoiou o corpo em um braço e me encarou nos olhos.
– Clara, tá maluca? Vai acordar a casa toda! – Ela disse, segurando o riso. – O que foi?
Eu não conseguia falar. Marina começou a rir junto e isso só piorou minha situação.
– O que foi? – Ela repetiu, me chacoalhando, e eu percebi que estava extremamente curiosa. Tentei recuperar o fôlego.
– Você... Você se lembra... Do dia que eu espalhei pro colégio que você não sabia satisfazer alguém?
Dessa vez Marina riu alto demais, então eu joguei o edredon por cima de nossas cabeças, numa tentativa inútil de abafar o som.
– Eu lembro! – Ela dizia entre risos.
– Quem diria hein? Eu estava tão errada! – A encarei com um olhar malicioso, mas pouco via seu rosto embaixo do edredon. Meirelles me puxou pra perto.
– Aposto que você queria provar... – Ela disse, presunçosa, e eu dei um tapa em seu braço – Outch! Você é má comigo, Clara!
Ri alto e a beijei, depois beijei algumas vezes o lugar onde havia estapeado. Marina suspirou, tirando o edredon de nossos rostos.
– Posso perguntar uma coisa? – Marina disse baixo, mexendo no meu cabelo. Sorri, assentindo. – Você começou a me odiar por causa daquela maldita casa na árvore ?
Franzi a testa e busquei uma casa da árvore na minha memória. Depois sorri.
– Não, acho que não. — Meirelles pareceu confusa, mas antes que dissesse algo, eu continuei. – Acho que sei o que você está pensando. Mas na verdade, eu fiquei brava com você na época porque... Porque você roubou minha irmã de mim.
– Que? – Marina arregalou os olhos, quase rindo.
– É. – Eu ri, me sentindo uma idiota – A Vanessa me ignorava perto de você. Ela não fazia isso com a Fernanda, porque a Fernanda gostava de mim. Você só era uma das garotinhas idiotas amiga da Vanessa. Isso me deu raiva.
– Own, que gracinha! – Marina disse com a voz afetada e eu ri – Como a gente é idiota, não é? Em pensar que eu poderia... Que a gente poderia... Sabe, antes.
Sorri e beijei sua bochecha.
– O tempo não diz nada, Marina. Talvez se fosse antes, não seria tão bom quanto agora.
– Você tem razão... – Marina dizia, quando me viu bocejar. Ela riu baixo. – Mas depois a gente conversa sobre isso. Sonha comigo, pra ficar menos constrangedor...
Sorri e ela beijou minha testa.
– Vou sonhar. Boa noite, amor.

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Abri os olhos devagar ao sentir um maldito feixe de luz em minha visão. Pisquei algumas vezes, tentando retomar o foco, e encarei Marina dormindo tranquilamente ao meu lado. Minha cabeça apoiada em seu peito ia e vinha conforme sua respiração calma e serena. Fiquei a observando por alguns minutos – Ah, vai, que garota não faz isso? – E como percebi que não acordaria tão cedo, resolvi levantar. O relógio marcava meio dia, mas a casa estava muito quieta, provavelmente todas dormiam. Eu estava com sono, mas não queria dormir. Era como se fosse perder muita coisa se não estivesse acordada. Olhei para trás e espiei Meirelles novamente, sorrindo de leve. Uma sensação boa tomou conta de mim, ela era minha. Poucas vezes em minha vida tinha tido essa conclusão. Mesmo em namoros sérios, sempre ficava totalmente desconfiada. Mas ela, por incrível que parecesse, parecia minha, e eu sabia que não queria mais ninguém. E mesmo que não tivesse nada definido em minha mente – Eu sabia que não éramos namoradas ou coisa do tipo. Mas também sabia que não era coisa de uma noite só – Eu estava completa e irrevogavelmente feliz. Quem diria. Abri o armário de Marina e encarei as camisas perfeitamente enfileiradas. Peguei uma branca e corri para o banheiro. Tomei um banho demorado e fiz minha higiene matinal, tudo meio arrastada. Penteei os cabelos, ainda molhados, e decidi que não iria fazer nada com eles. Meu estômago pedia por atenção, eu precisava comer alguma coisa urgentemente. Abri a porta do banheiro e Marina estava sentanda na cama, esfregando os olhos.
– Hey! – Sorri, me aproximando da cama. Ela me encarou com um sorriso enorme.
– Pode parar onde está. – Disse com a voz baixa e eu arqueei uma sobrancelha, sem entender nada.
– O que foi? – Perguntei e ela riu.
– Acabo de concluir que minhas blusas definitivamente ficam melhores em você. – Marina disse e eu ri, pulando na cama.
– Como se você nunca tivesse visto uma garota com suas roupas antes... – Murmurei, me aproximando. Marina me deitou na cama, me beijando calmamente.
– Todas as garotas não são você.
Um arrepio percorreu minha espinha na mesma hora. Sorri.
– Fico melhor do que a Andy? – Fiz uma careta e Marina gargalhou, mordendo meu lábio em seguida.
– Precisaria de quarenta Andy’s pra chegar na metade de uma Clara.
– Você é boa nisso! – Sussurrei, derrotada, enquanto beijava seu pescoço. Marina sorriu vitoriosa.
– Você não viu nada, docinho.
Ri alto e ela levantou, caminhando em direção ao banheiro.
– Anda rápido que eu tô com fome! – Disse e ela olhou para trás, rindo.
– Se você quiser me ajudar no banho! – Seu olhar era malicioso. Taquei um travesseiro em sua direção, e Meirelles riu ainda mais ao desviar dele.
– Anda logo, sua tarada! – Desatei a rir enquanto a porta fechava.
– Tá destrancada! – Ela gritou lá de dentro. Ninguém merece essa Meirelles.
– Vai rápido, Marina! Se você ficar enrolando eu te afogo na banheira!
Ela gargalhou.
– Psicopata! – Gritou.
– Tarada!
Ouvi o barulho do chuveiro sendo ligado.
– Acho que esse foi meu “Cala a boca” – Murmurei rolando os olhos e ri, ligando a televisão.

Marina saiu do banho em pouco tempo, apenas de langerie e secando o cabelo. Como podia ser tão linda? Dava até calafrios ficar olhando.
– Vamos tomar café? – Ela disse terminando de se arrumar e me puxou em seguida. Eu ri.
– Preciso me trocar!
Marina fez bico e me abraçou.
– Ah não, eu gosto dessa roupa! – Ela reclamou e eu ri baixo, a apertando com mais força.
– Imagina se eu desço com a sua camisa e minha irmã tá lá embaixo? Ela infarta com dezoito anos! – Eu disse e Marina gargalhou, concordando. – Vou até o meu quarto rapidinho, dá uma olhada pra ver se o corredor tá liberado! Tudo bem que elas vão ficar sabendo de nós logo menos, mas não precisa ser na base do choque!
Marina gargalhou.
– Não será tão chocante assim, eu acho! A Fernanda e a Gisele sabem, a Luiza desconfia. Só a Vanessa, a Robby e a Flávia vão ter algum problema com a imagem! – Ela olhou para o lado – Tudo certo, pode ir.
Dei um selinho nela, mas Marina me prensou contra a porta e me beijou de verdade. Senti meus joelhos cederem.
– Te vejo na cozinha. – Disse rápido e saltitei para o lado de fora, antes que passasse o dia no quarto.

Coloquei um vestido rapidamente e peguei um chinelo, desci as escadas correndo e ninguém estava na sala. Marina estava parada na porta da cozinha, sorrindo.
– Não temos comida! – Ela disse, fazendo uma careta. Meu estômago pulou.
– Tá brincando? – Disse, desanimada. Ela negou e me puxou pela mão.
– Vamos até a padaria comer alguma coisa, e trazemos uns pães para as desmaiadas que acordarão mortas de fome! – Ela disse e eu ri, entrelaçando meus dedos nos dela e saindo.
Fomos andando até uma padaria e comemos vários croissants maravilhosos – Obviamente, já que estávamos na França – conversando sobre qualquer besteira e dando risada. Pagamos pães, queijo e leite para levarmos pra casa, e saímos novamente. Marina tentava inutilmente espantar o sol daquela hora do dia com a mão, cobrindo o rosto pra tentar enxergar alguma coisa. Comecei a rir e ela me encarou.
– Isso, ria da desgraça alheia! – Ela disse e eu a virei de costas contra o sol.
Pendurei meus braços em seu pescoço e aproximei nossos rostos, ficando na ponta dos pés.
– Você é linda. – Sorri, sem sentir nenhuma vergonha daquilo. Para uma garota que mal conseguia expressar qualquer tipo de sentimento, até que eu não estava tão ruim. Ela sorriu e largou as sacolas no chão, me puxando para cima.
– Eu gosto quando você tenta me agradar. – Ela sorriu e me beijou de leve.
– Isso vai acontecer com mais freqüência, eu acho. Pelo menos estou tentando... – Respondi, sincera, e Marina encostou a testa na minha.
– Mesmo quando você tenta me irritar, você me agrada. Não adianta. – Ela disse e eu ri, a beijando novamente.
– Preciso de métodos melhores pra te tirar do sério, então... – Respondi num tom pensativo e Meirelles fez cara de indignação antes de começar a rir.
– Sabe, hoje quando eu acordei e você não estava do meu lado... – Marina parou como quem iria editar o pensamento, mas eu continuei em silêncio, e ela sorriu – Eu achei que aquilo tudo tivesse sido coisa da minha cabeça.
Pronto! Alguém me ensina a controlar essas benditas borboletas no estômago?
– Own! – Deixei escapar, fazendo Marina rir, complemente corada. – Isso foi muito fofo, Marina.
Ela fez uma careta.
– Acho que você despertou meu lado menininha... – Franzi a testa, e Marina riu, sussurrando próximo a minha boca.
– Quero todos os seus lados! – Ela completou e nós desatamos a rir, antes de retomarmos o fôlego para perdê-lo de novo... Em um beijo.

– Ah Marina, não, não!
Saí correndo em direção ao portão com Meirelles em meu encalço. Ela queria se vingar de mim. Só porque eu taquei areia nela? Que absurdo!
– Vou te jogar dentro da piscina! – Ela gritou de volta, quase rindo, e eu arregalei os olhos.
– Você não é louca, docinho!
– Você quem pensa! – Ela disse e eu gritei, abrindo o portão com força. Olhei para trás e vi Marina largar as sacolas da padaria no chão e correr atrás de mim. – Marina, por favor!
– Agora ela vem toda meiguinha, né? – Ela disse com a voz afetada e eu gargalhei, correndo pela lateral da casa, gritando.
Marina me alcançou e me segurou pela cintura, me virando de frente. Fui dando passos para trás, tentando me preparar para fugir.
– E agora, docinho? – Ela me puxou para perto e eu senti minha nuca arrepiar.
– Por favor... – Pedi com a voz mais fofa que consegui, eu sabia que isso derretia Meirelles. Ela sorriu, derrotada, e me puxou para si.
Continuei andando de costas, procurando algo em que me apoiar, minhas pernas tinham a terrível mania de tremer com aqueles beijos de Marina. Esbarrei em uma árvore e parei, separando o beijo com um sorriso no rosto. Meirelles manteve as mãos em meu rosto, então eu ouvi um barulho.
– Clara! – A voz de Roberta parecia de pânico. Marina me encarou com um olhar calmo, como quem me incentivava a olhar para minha amiga. Sorri e me virei, e ela fez o mesmo.
Foi quando eu percebi que todos estavam ali. Sem exceção. Gisele, que parecia tão em pânico quanto Robby, que estava ao seu lado. Fernanda tinha uma expressão estranha no rosto, Luiza parecia preocupada. Flávia estava entre a surpresa e o nojo, e eu não entendia o motivo de todo aquele desespero.
Marina apertou minha mão com força.
– Vanessa, não!
Vi minha irmã sair de trás de Fernanda como um flash e ouvi um grito de Roberta. Numa fração de segundo, minha mão caiu ao lado do meu corpo.
E então Marina estava no chão.

Clara’s P.O.V mode OFF

Notas finais
Tentarei voltar antes de sexta-feira para recompensar meu atraso. E Kah(MM_meirelles) próximo cap será seu rs Até logo