Os Opostos Se Atraem
17 Inesperado
Notas iniciais
Marina definitivamente não estava esperando por aquilo. O murro certeiro de Vanessa bem próximo a seu olho tinha a pegado desprevenida, sentia o rosto latejar. Segurou o nariz, completamente dolorido, sem conseguir esboçar nenhuma reação.
– Eu vou te matar, sua traidora! – Vanessa gritava, e Fernanda rapidamente segurou a amiga – Me solta, Fernanda!
Clara olhou assustada para a irmã, que se debatia contra o corpo de Fernanda, com o rosto vermelho de raiva. Abaixou rapidamente em frente a Marina, sentindo o coração dar cambalhotas dentro do peito.
– Ai Meu Deus, você está bem? – Perguntou, sentindo os olhos arderem. Mas não esperou resposta alguma, virando o pescoço para trás –Vanessa, você tá maluca? – Berrou.
– Eu não tô maluca porra nenhuma, você que deve ter ficado louca! – Ela tentava se soltar de Fernanda, enquanto Meirelles punha-se de pé com ajuda de Robby e Gisele.
– Marina, não vá... – Gisele segurou Marina, que encarava Vanessa com um olhar indecifrável.
– Eu não vou fazer nada. – Meirelles respondeu simplesmente.
– Eu nunca esperei isso de você, Marina! Porra, você é minha melhor amiga! – Vanessa gritava, ficando ainda mais nervosa com os braços de Fernanda em sua volta – ME SOLTA!
– Vanessa, olha pra mim, por favor! – Clara se aproximou da irmã, que virou o rosto – Deixa eu explicar...
– Eu não quero falar com você! Meu assunto é com a Meirelles!
Marina passou a mão pelo rosto, sentindo o pouco de sangue que escorria de seu nariz. Respirou fundo.
– Solta ela, Fernanda. – Disse baixo.
– O quê? – Clara e Flávia disseram juntas, e Marina segurou a mão de Clara quase imperceptivelmente.
– Vai ficar tudo bem. – Marina disse baixo, apenas para que ela ouvisse.
– Marina, não...
Clara dizia baixo, seu olhar era de dor, e isso deixou Meirelles ainda mais inquieta. Não gostava de vê-la daquela forma. Sorriu com o canto da boca, brevemente, e aproximou-se de Vanessa. Viu, com a visão periférica, Luuh abraçar Clara de lado.
– Vamos conversar então, Vanessa... – Marina disse calma, medindo as palavras. Olhou firmemente para Fernanda, que hesitou em soltar Fernandes, mas por fim o fez. Vanessa respirou fundo.
– Você é inacreditável, Meirelles. – Disse com desprezo – É a minha irmã, porra! – Vanessa disse e ia abrir a boca para se manifestar, mas Gisele a repreendeu com o olhar.
– Van, eu sei, mas...
Marina ia dizendo quando Vanessa lhe acertou um soco na barriga, não com toda a força de antes, mas que ainda assim fez Meirelles gemer. A própria Fernandes deu alguns passos para trás, piscando várias vezes, e sentindo a aproximação rápida de Fernanda. Marina levantou a cabeça e Clara correu para seu lado, sentindo as lágrimas escorrerem pelo rosto.
– É... É melhor eu sair daqui, eu não sei mais o que eu tô fazendo! – Vanessa disse por fim e andou em passos largos em direção ao portão, sendo seguida por Flávia. – Me deixa sozinha!
Ela berrou, mas Flavinha não obedeceu, e continuou a segui-la para o lado de fora.
– Me desculpa, me desculpa! – Clara tentava engolir o choro, passando as mãos trêmulas pelo rosto de Meirelles, que estava sentada em uma cadeira de praia. Marina sorriu fraco.
– Ei... – Disse, segurando suas mãos – Não é sua culpa. Pare com isso!
– Claro que é minha culpa! Se eu não tivesse uma irmã tão idiota, você não teria... – ia dizendo, quando foi interrompida.
– Sua irmã não é uma idiota. Ela é minha melhor amiga, e a culpa não é sua, nem minha. Acho que nem dela... – Marina disse olhando para baixo, e Clara tentou abraçá-la de uma forma que não fizesse nada doer ainda mais.
– Obrigada por não bater nela. Por mais que aquela idiota mereça, é claro...
Marina sorriu, selando os lábios da garota brevemente.
– Eu nunca bateria na Vanessa, Clarinha – Marina disse, tentando puxá-la para mais perto, e gemendo quando sentiu a musculatura da barriga contrair.
Luiza chegou correndo e Fernanda estava logo atrás dela.
– Aqui, Clara . – Ela estendeu um kit de primeiros socorros para a amiga. Marina desatou a rir, ao ver o que carregava.
– Pra que diabos esse pedaço de carne, Fernanda? Eu não tô com fome, e não como comida congelada! – Marina disse e todas em volta riram, ainda que estivessem visivelmente preocupadas. Principalmente Roberta, que estava completamente confusa.
– Acabou o gelo na festa, então você vai colocar essa carne congelada no nariz! – Fernanda disse engraçadamente e sorriu, ainda sem vontade de rir. Marina pegou a carne, fazendo graça, e encostou no nariz, contorcendo o rosto em uma careta.
– Apanhei da minha melhor amiga, não revidei, estou toda dolorida e com um pedaço de CARNE na cara! – Marina gargalhou – Mais humilhante, impossível!
Todas riram alto, especialmente Gisele e Fernanda. Marina sentiu-se um pouco melhor ao ver que também ria, e sorriu.
– Vamos melhorar a humilhação... – Clara sorriu – Vou cuidar de você.
Clara disse com um olhar divertido, e Marina riu, puxando-a para um beijo rápido. Então Robby desatou a rir.
– O que foi, sua doida? – Clara olhou para trás.
– É tão engraçado... Vocês duas juntas. – Robby ria e logo todas fizeram o mesmo.
– Relaxa, no começo é meio assustador, mas depois você acostuma! – Marina disse e Clara tacou um rolo de esparadrapos em sua direção, fazendo-a gargalhar.
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– Qual a parte do eu quero ficar sozinha, você não entendeu, Flávia? – Vanessa perguntou com rispidez, enquanto a garota sentava ao seu lado, perto do mar.
– Qual a parte do você está agindo como uma idiota, você não entendeu, Vanessa ? – Flavia arqueou uma sobrancelha e Vanessa bufou.
– O que você quer?
– Nada.
– Então me deixa sozinha! – Vanessa respondeu, e Flavinha rolou os olhos.
– Você poderia ser menos estúpida? O que eu fiz pra você? – Ela disse um pouco irritada, fazendo-a Vanessa encará-la.
– Desculpe. Você não tem nada a ver com isso. – Vanessa disse ainda olhando para frente, e as duas ficaram em silêncio por alguns instantes. – Você sabia disso?
Flavinha negou.
– Estou tão surpresa quanto você. – Respondeu baixo.
– Tenho certeza que quase todo mundo sabia! Porque aquela merda tinha que... – Fernandes já ia começar o descontrole, quando Flávia a encarou.
– Não chame a Marina de merda. Você só está nervosa com ela.
– Agora você vai defendê-la? – Vanessa perguntou, olhando nos olhos da garota pela primeira vez.
– É claro que não. Eu também estou muito preocupada com as duas, Vanessa. Marina e Clara não é algo que possa dar certo sem que ninguém saia ferido... – Flavinha balançou a cabeça, reprimindo um sorriso – Mas nem por isso concordo com seu ataque pra cima da Marina! E se ela tivesse revidado? Você tem noção do que você fez, Vanessa?
Vanessa parou e a fitou, incrédula.
– Eu não acredito que eu tô tomando uma bronca logo de você!
– Pode acreditar! – Flavinha disse séria, e o queixo de Vanessa caiu.
– Quer saber, Flávia? Não tô afim de conversinha, de sermão! Se você vai ficar aqui sentada, eu vou andar por aí! – Disse, levantando o mais rápido que conseguiu, e saiu em passos largos. – O que você tá fazendo atrás de mim? – Perguntou, colocando as mãos na cintura, e Flávia riu alto, fazendo a expressão de Fernandes, que beirava a ira, transformar-se em confusão.
– Eu sinceramente não sei. – Flávia ria – Acho que quero garantir que você não bata em ninguém, sabe como é... – Disse arqueando uma sobrancelha e Vanessa sorriu brevemente.
– Pode ficar tranqüila, eu não vou atacar ninguém que não mereça! — Respondeu e Flavinha sorriu.
– Prefiro ir junto, se não se importa... – Ela disse e Vanessa bufou.
– Como se adiantasse dizer não! Mas você vai calada!
– Não tô nem aqui! – Flavia fez sinal de zíper nos lábios, depois parou – Vanessa, me paga uma Coca?
Fernandes gargalhou. Não sabia se estava rindo de raiva ou de espanto, mas aquilo também fez Flávia rir. Nem ela sabia o que estava fazendo.
– Se você calar a boca, eu te pago uma na volta.
– Fechado! – Flavinha deu um pulinho, saltitando atrás de Vanessa.
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– O que diabos vocês estavam fazendo todas lá no quintal? – Marina perguntou do nada e Gisele riu, sapeando os canais da televisão.
– A gente ia fazer hambúrgueres, porque não tinha nada pro café da... – parou no meio da frase e trocou um olhar de pânico com Robby.
– OS HAMBÚRGUERES! – Gritaram e saíram correndo juntos, fazendo Marina, Clara , Luuh e Fernanda gargalharem.
– Devem ter virado carvão... – Fernanda deu de ombros.
– Você tá melhor? – Clara perguntou baixo, acariciando o rosto de Marina, que sorriu, assentindo.
– Eu tô ótima, linda... Relaxa! – Marina disse sorrindo fraco e deitando a cabeça no colo de Clara.
A verdade era que estava preocupada com o que estava por vir. Sabia que a reação de Vanessa, num primeiro instante, seria negativa, mas nem em suas piores hipóteses havia cogitado apanhar da amiga. Sentiu que Clara mexia em seus cabelos e sorriu, encarando a televisão e tentando engolir todo aquele sentimento ruim que tomava conta de seu corpo. Clara era tudo o que sempre quisera, mas Vanessa era sua melhor amiga. Aquela não era uma situação agradável de estar.
– São quase oito da noite, eu tô realmente preocupada! – Clara andava de um lado para o outro, e Fernanda a segurou pelos braços.
– Clara, quer parar? – Disse, com a voz calma – Não vai acontecer nada! A Vanessa não tá sozinha!
– É amiga, a Flavinha tá com ela, agora fica calma! – Luiza a encarou, sorrindo – Pare de surtar, você quer deixar a sua... Namorada? Ficante? Peguete? – Luiza riu e Clara fez o mesmo.
– Não sei classificar... – Clara Respondeu ainda rindo.
– Tá, você quer deixar a sua docinho ainda mais preocupada? – Luuh perguntou e Clara suspirou alto – Meu amor, a única coisa que você tem que fazer agora, é sentar nesse sofá e esperar que volte do banheiro com sua melhor cara de “tô nem aí”, ok? A Marina já sofreu demais por hoje.
Clara sorriu obedecendo, enquanto Fernanda encarava Luuh de sobrancelha erguida.
– Você daria uma ótima psicóloga... – Ela disse baixo e Luiza riu.
– Só se fosse pra enlouquecer meus clientes... Você me conhece. – Luiza disse e as duas riram baixo, voltando os olhares para a televisão.
– Eu quero uma pizza! – Gisele disse de boca cheia, e riu, vendo que Marina sentava em seu lado.
– Gisele sua ogra, você tá comendo um sanduíche e pensando na pizza! – Clara Disse e Meirelles gargalhou.
– Ei, pizza seria uma boa ideia... – Marina disse com a carinha fofa e sorriu.
– Tá, pizza pra você então!
– Ei, que folgada! Ela está se aproveitando da sua boa vontade, Clara! – Gisele disse e tomou uma almofada na cabeça, entre risos.
– Come teu sanduíche aí e cala a boca, Gi! – Marina disse e Clara pulou de volta no sofá, deitando no colo de Meirelles.
– Hoje a docinho tá merecendo, né? – Ela sorriu e Fernanda fez cara de nojo, enquanto Roberta e Luiza gargalhavam.
O barulho da porta abrindo foi discreto, mas todos ouviram. No fundo, estavam disfarçando com risadas o pânico em que estavam. Flávia entrou primeiro, e em seguida, Vanessa. Flavia andou calmamente até o sofá, mas virou para trás e olhou sugestivamente para Vanessa, que fitou os próprios pés. Em seguida, começou a caminhar na mesma direção que ela, mas passando direto para as escadas.
– Van! – Marina disse alto, e Clara sentiu que por um momento, seu coração havia parado de bater. Suas mãos gelaram na mesma hora. – A gente pode conversar agora?
– Eu não tenho nada pra falar com você, Meirelles. – Vanessa respondeu baixo e com firmeza, e virou as costas.
– Eu vou até lá! – Clara levantou num pulo, e antes que alguém pudesse se manifestar, já estava subindo as escadas.
– Vanessa, preciso falar com você.
Clara disse entrando no quarto e dando de cara com a irmã deitada de bruços na cama, com a cabeça enterrada em travesseiros. Ela murmurou alguma coisa ininteligível, fazendo-a rolar os olhos.
– E eu não vou sair daqui enquanto isso não acontecer.
Clara Disse, firme, e sentou em uma cadeira. Vanessa levantou a cabeça e sentou na cama, tentando arrumar o cabelo bagunçado. teve que reprimir um sorriso vitorioso que iria se espalhar em seu rosto. Pelo menos ela havia aceitado a conversa, o que já era meio caminho andado.
– Fala. – Vanessa disse, encarando a cama. Clara puxou a cadeira pra mais perto, ponderando as palavras. Sabia que se desse um sermão logo de cara, Vanessa a expulsaria do quarto, e a tiraria carregada se fosse preciso.
– Por quê você fez aquilo? Digo, porque você bateu na Marina? – Ela cuspiu as palavras, sem saber exatamente por onde começar. O rosto de Vanessa levantou, já adquirindo sinais de raiva.
– Como porque? Francamente, Clara! – Vanessa se colocou de pé, quase em um salto – Você é minha irmã! Marina tava te agarrando, aquilo não faz sentido!
– Desde quando você liga pra quem eu agarro ou deixo de agarrar? – perguntou, impetuosa, mas permanecendo sentada.
Vanessa gargalhou, sarcástica.
– Desde quando a IDIOTA da minha melhor amiga resolve ser a pessoa que você agarra... Ou que agarra você, foda-se! – Vanessa fez careta – Clara, pelo amor de Deus, você ODEIA a Marina!
– Eu não odeio a Marina. – Clara disse baixo, tentando manter a calma, coisa que considerava que seria impossível – Não era você quem sempre quis que nós nos déssemos melhor e...
– ... Uma coisa é vocês se tratarem decentemente, outra é aquela merda com a mão na tua bunda! – Vanessa disse, ficando cada vez mais vermelha. Clara riu, também já ficando irritada.
– Para de chamá-la de merda, de idiota! Você não percebe que a única idiota aqui É VOCÊ? – berrou, apontando o dedo para a irmã — Puta merda, Vanessa, você nunca foi assim! Eu tô feliz! A Marina me faz feliz, porque você tem que estragar isso?
Os gritos de Clara ecoaram por todo o corredor. Os outros tinham resolvido que ficariam no andar debaixo, mas não pode deixar a curiosidade de lado, e subiu alguns degraus da escada. Marina Sorriu ao ouvir o que Clara havia dito, mas o silêncio que seguiu a frase a deixou perturbada.
Vanessa encarou a irmã, que tinha lágrimas nos olhos. Mas ela a conhecia como ninguém, sabia que aquelas eram lágrimas de raiva. A segurou pelos ombros.
– Clara , eu amo você. Eu sou sua irmã mais velha, eu estou fazendo isso pra te proteger! – Vanessa disse, um pouco mais baixo. E Marina já não conseguia ouvir mais nada.
– Pra me proteger do que, Vanessa ? – Clara deixou uma lágrima escorrer, e Vanessa respirou fundo.
– Eu conheço a Marina tão bem quanto conheço você. Eu convivo com ela, mais do que eu convivo com você, inclusive! – Vanessa respirou fundo — Clara, a Marina é uma pessoa legal, mas porra, você sabe muito bem que ela nunca quer nada sério! Quantas garotas ela já pegou naquele colégio, hein? – Vanessa dizia sério, tentando conter o impulso de abraçar a irmã, que chorava – QUANTAS?
– Eu não sei, que merda! – Clara soltou dos braços de Vanessa, enxugando as lágrimas com as costas da mão.
– Eu já vi muitas meninas chorarem por ela. Já vi todas as desculpas que ela inventa pra se livrar delas, eu sei do que ela é capaz! Eu não quero que você sofra, Clara! – Vanessa disse, a abraçando Clara, mas a garota mantinha os braços do lado do corpo, sem conseguir reagir. – Fala alguma coisa! – Vanessa pediu, aflita, vendo que a irmã não se movia e que o silêncio era cada vez mais assustador.
Clara respirou fundo, e encarou Vanessa nos olhos.
– Ela não vai fazer isso comigo. – Clara Disse baixo, quase em um sussurro. Percebeu que Vanessa ia dizer alguma coisa, então continuou falando – E a única que está me machucando aqui, é você.
Disse por fim e correu para fora do quarto, fazendo com que Vanessa finalmente derrubasse a maldita lágrima pelo rosto. Clara correu até o fim do corredor e bateu sua porta com força.
A sala entrou em silêncio profundo, nem as respirações eram ouvidas. Ninguém sabia o que havia se passado no outro andar, mas estavam apreensivas. Ao ouvir o baque da porta, Marina levantou rapidamente, sem nem pensar.
– Marina, não é melhor que você... – Fernanda tentou dizer, mas Meirelles a ignorou.
– Já esperei tempo demais.
Marina Subiu as escadas rapidamente e parou diante do quarto de Vanessa. A porta estava aberta, e ela não enxergou ninguém lá dentro. Rapidamente, correu a distância do corredor até o quarto de Clara. Não bateu na porta, que estava destrancada. Clara tomou um susto e tentou limpar o rosto, que tinha marcas do rímel preto manchado. Pela primeira vez em sua vida, Marina desejou estar em dois lugares ao mesmo tempo. Queria consolar Clara e sim, queria encher Vanessa de tapa. Mas engoliu essa segunda vontade, caminhando rápido até a cama de Clara e sem dizer nada, a tomando em um abraço apertado e silencioso. Afagou seus cabelos e começou a ouvir soluços da menina.
– Eu não acredito nisso! – Marina segurou o rosto vermelho de Clara entre mãos, e sentiu a raiva subir. – O que diabos a Vanessa... Eu vou até lá, eu vou... – Marina ameaçou levantar, mas Clara a puxou pelo braço.
– Por favor, não... – Clara disse baixo, tentando fazer com que sua voz saísse normalmente – Só fica aqui comigo. Não me deixa sozinha, por favor... – Ela pediu e Marina sentiu que seu coração tinha sido quebrado. Era algo estranho, protetor. Clara deitou na cama e Marina fez o mesmo, a abraçando e mexendo em seus cabelos.
– O que aconteceu? – Marina perguntou baixo, e respirou fundo.
– Eu não quero falar sobre isso, desculpe.
– Tudo bem. – Marina sorriu fraco, ficando em silêncio.
Aos poucos, Clara sentia que melhorava gradativamente sua situação. Ainda doía, e muito, lembrar das coisas que a irmã tinha lhe dito, mas afastou o pensamento, porque Marina estava ali, e ela simplesmente se recusava a acreditar.
– Ei... – Clara sussurrou, sentando na cama e esfregando os olhos. Marina fez o mesmo, mas não tinha sinal algum de sono. – Promete que você nunca vai me decepcionar?
Marina sorriu, confusa, e aproximou sua boca da dela.
– Por que a pergunta?
– Só prometa.
– Eu nunca vou te decepcionar. Prometo.
Marina Disse e sentiu-se aliviada quando viu um sorriso tímido no rosto de Clara. A segurou pela nuca, beijando-a calmamente, mas de uma forma estranha, seu corpo todo parecia ceder e seu coração tinha a sensação esquisita de que tinha aquecido. Preferiu não lutar contra isso, afinal sabia que era perda na certa. Marina Deixou as preocupações de lado ao sentir os dedos frios de Clara em sua nuca, o que provocava arrepios. Clara Suspirou pesadamente quando desfez o beijo, e abriu os olhos.
– Obrigada. Por tudo, Marina. – Ela sorriu.
Marina beijou sua testa carinhosamente, e a abraçou. Encarou o relógio na mesinha, que marcava duas horas da manhã.
– Clara, acho melhor eu ir... Já tá tarde! – Marina sorriu forçado, e Clara sorriu verdadeiramente ao perceber esse detalhe.
– Dorme aqui comigo? – Perguntou Clara, manhosa, e Marina sentiu aquela sensação estranha de novo. Desistiria de entender.
– Clarinha, a Vanessa vai... – Marina ia dizendo, tentando parecer convencida de suas próprias palavras, mas Clara a interrompeu.
– Eu só quero acordar abraçada a você. Só isso.
Clara disse, sincera. Era tudo o que realmente precisava, o perfume de Marina, seus braços largos e o calor de seu corpo perto do seu. Não estava realmente pensando em nada além disso, só queria sentir-se segura. Queria que seus olhos fossem a primeira coisa que visse ao acordar, depois daquela confusão toda. Clara Chacoalhou a cabeça, deixando de lado os pensamentos progressivamente idiotas e melosos, e encarou Meirelles, que sorria.
– Só porque você implorou... – Marina disse fazendo bico, e Clara gargalhou.
– Implorei? – Ela riu – Vaza da minha cama, Meirelles!
– Ah, é assim? – Ela disse segurando o riso – Eu vou mesmo!
Marina levantou, e Clara desatou a rir, a puxando de volta.
– Volta aqui!
– Pede com jeitinho... – Marina disse maliciosa, e as duas riram alto.
– Você vai me deixar aqui sozinha e indefesa? – Clara disse, fazendo biquinho, e Marina pulou de volta na cama, a abraçando e rindo. – Há, eu sou uma conquistadora nata!
Disse, brincando, e Marina gargalhou.
– Fica quietinha, vai... – Marina Murmurou, e as duas riram, jogando o edredon por cima de suas cabeças.
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