Os Opostos Se Atraem
3 Guerra ii
Notas iniciais
– Eu tenho quase certeza que ela escondeu numa caixa amarela que tem no armário dela! Ela sempre coloca as coisas lá! – Clara dizia batucando na mesa do quarto.
– Tem certeza? – Robby perguntou enquanto fuçava em seu Myspace.
– Quase absoluta. Se não estiver lá, está no armário do banheiro. Tem uma gaveta de fundo falso e...
– Faz bastante sentido que ela coloque isso lá. – Luiza riu. – Afinal, ela deve conhecer as filhas que tem.
– E as amigas das filhas também! – Clara logo acrescentou, rindo.
– Então estamos esperando o que mesmo? Vamos lá! – Flavinha pulou fora da cama e abriu a porta.
– Espera, Flavinha! – Luiza disse rapidamente. – É melhor não irmos todas, pode dar muito na cara. Onde aquelas lá estão?
– Tocando violão no jardim. – Robby respondeu prontamente. – Estavam todas lá há cinco minutos.
– Perfeito! – Clara sorriu. – Então vamos fazer assim: Luuh, você desce e fica de olho nas garotas. A Flavinha me dá cobertura na porta do quarto. A Robby fica aqui, pra nada dar errado! – Ela completou e riu alto.
– Sua vaca. Eu não estrago assim... todos os planos. – Roberta reclamou.
– Ela tem razão, Clarinha. – Flavinha disse num tom de voz adorável. – Ela estraga QUASE todos. – Flávia completou e as três riram da cara que a amiga fez.
– Agora vai logo Luiza, desce e começa sua parte. Pra Robby não ficar de bico, ela fica olhando aí da janela e avisa quando a Luuh chegar lá embaixo, ok? – Clara disse e as amigas concordaram.
– Eu estou dizendo, vai dar certo. A Van disse que deve estar na tal caixa e... – Fernanda ia falando quando tomou um tapa de Gisele .
– Luiza! – Gisele gritou numa falsa animação. A garota revirou os olhos.
– Cadê todo mundo? Vocês não estavam tocando? – Luuh disparou em perguntas e Fernanda riu.
– A Van e a Mari foram lá no...
– ... MERCADO! – Gisele berrou antes que Fernanda terminasse a frase, mas Luiza não se deu por vencida.
– Ah, claro. – Ela bufou. – Vou subir.
– NÃO! – As duas gritaram juntas e ela deu um pulo.
– Como não?
– Fica aqui com a gente, Luuh. – Fernanda pediu do jeito mais doce que conseguiu. Luiza sentiu um leve arrepiar na nuca.
– Er... Ah... Não dá. – Ela saiu correndo e Fê e Gi foram atrás.
– Ai, mas que droga! – Flavinha reclamou ao tropeçar em algum objeto não identificado. – Tem certeza que sua mãe saiu?
– Claro que tenho, monga. Ela até deu tchau. Sabe, alguém tem que trabalhar nessa casa... – Clara riu baixo, abrindo a porta e fechando-a vagarosamente.
– AH! – Flavinha e Vanessa berraram ao mesmo tempo. Clara arregalou os olhos.
– O que você tá fazendo aqui? – Ela disse rapidamente e em seguida viu Marina abaixada ao lado da cama. – E o que ela está fazendo aqui?
– Nada! – Vanessa e Marina engoliram seco. Clara trancou a porta atrás de si quando ouviu um estrondo do lado de fora.
Fernanda, Gisele e Luiza gritavam e corriam pelo corredor. Roberta aparecera por ali sem entender porque as duas perseguiam Luiza freneticamente.
– Clarinha! Clarinha! Clarinha! – Luiza gritava do lado de fora.
– O que foi?- A amiga berrou do lado de dentro.
– Elas vão pegar, elas vão roubar o questio... – Luiza não conseguiu terminar a frase. Fernanda a derrubara em um pequeno sofá que tinha em frente ao quarto de Vanessa, enquanto ela se debatia. Gisele quase arrombava a porta do quarto de Clara, e Roberta estava devidamente trancada lá dentro.
– SABIA! – Clara gritou e subiu na cadeira em frente ao armário.
– DESCE DAÍ! – Vanessa a segurou no colo tirando-a de perto de um dos possíveis locais em que as perguntas estavam. Clara se debatia e chutava a irmã. – Outch! Pára com isso!
– Me põe no chão sua babaca! – Ela gritava e Marina pegou o banco rapidamente, mas Flavinha puxou as calças dela antes, e enquanto ela abaixava para pegá-las, xingando alto, ela subiu no banco.
– Você não vai pegar NADAAA! – Meirelles deu um berro e saiu correndo com o banco ao redor do quarto. Flávia nunca alcançaria a caixa sem aquilo.
– Me dá isso AGORA Marina Meirelles! – Flavinha berrava e corria atrás dela, que estava vermelha de tanto rir.
As duas passaram correndo em frente à Clara, que em um impulso, pulou da cama nas costas de Marina como se ela fosse um cavalinho, tampando os olhos da Marina, que perdeu a direção.
– SAAAAI DE CIMA SUA DOIDA! – Marina gritava e Clara ria enquanto ela tentava se desvencilhar da menina.
– Solta o banco, idiota!
Clara mordia o ombro de Marina e ela não conseguia se defender. Vanessa puxava a irmã para trás, mas ela fazia força com as pernas ao redor da cintura de Meirelles. Flávia teve um acesso de riso enquanto tentava puxar o banco da mão da garota.
– CONSEGUI!
Flavinha gritou e saiu correndo com o banco na mão. Vanessa rapidamente soltou Clara e foi atrás dela. A força que Vanessa estava fazendo pra puxar a irmã era muita, e assim que ela a soltou, ela despencou no chão. Marina sentiu o peso saindo das costas e pensou que ela tivesse apenas descido, mas quando ouviu o barulho percebeu que não se tratava daquilo.
– Clarinha! – Flavinha gritou em cima do banco e Vanessa não olhou para trás. Tentava a todo custo puxar as pernas da menina.
Marina parou no meio do caminho e olhou Clara que segurava a cabeça, deitada no chão. Olhou para Vanessa que tentava a todo custo tirar Flávia da cadeira. Ficou simplesmente parado no meio do quarto por dois segundos, sem saber pra que lado ir, e então recuou.
– Você está bem? – Marina abaixou na frente de Clara, estendendo a mão para ajudá-la a levantar.
– Marina, me ajuda aqui! – Vanessa arfava levantando uma das pernas de Flávia para o alto. Clara riu baixo vendo aquilo. Olhou para a mão de Marina estendida e ficou receosa em aceitar. Marina mantinha o olhar fixo nela. Então ela segurou a mão dela e Meirelles a puxou para cima.
– Er. Obrigada. – Ela ainda segurava a cabeça.
– Tudo bem, mas você... – Marina ia dizendo quando um grito alto e conjunto de Vanessa e Flavinha ecoou no quarto.
As duas tinham derrubado a grande caixa amarela no chão e espalhado todos os pertences de Chica por todos os lados. Clara e Marina se entreolharam rapidamente e saíram correndo na direção das amigas, ajudando a vasculhar entre tantos papéis. Por um minuto, quase esqueceram que estavam competindo.
– Não é isso, nem isso... – Vanessa jogava os papéis pra trás. – Caralho, pra que diabos a mamãe guarda tanta coisa?
– Mamãe. – Flavinha chacoalhou a cabeça e riu.
– ACHEI! – Clara berrou e em menos de dois segundos Marina e Vanessa estavam jogadas em cima dela, tentando faze-la largar o papel verde que tinha em mãos. – Saiam de cima de mim, suas brutamontes! – Ela berrava e Flavinha pegou o papel da mão dela, e saiu correndo.
– HÁ-HÁ-HÁ! – Ela ria sarcástica enquanto as garotas a perseguiam pelo quarto. Flavinha subiu na cama e abriu a folha que estava escrito “Vanessa e Clara” em cima. Em menos de dois segundos, Vanessa já estava puxando o papel da mão da garota.
– Me dá! – Vanessa gritava.
– Não é isso! – Flavinha disse quando viu o conteúdo do papel. Ela olhou diretamente para a amiga com os olhos arregalados e rapidamente derrubou Vanessa na cama. – CORRE !
Flavinha berrou e Clara saiu correndo em direção ao banheiro, para ver a tal gaveta do fundo falso. Marina correu junto com ela. Clara tentou bater a porta do banheiro, mas Meirelles empurrava a porta com força.
– Vaza Meirelles, vaza! – Ela tentava, quase sem forças, vencer Marina empurrando a porta.
– Não, não! – Marina enfiou metade do corpo pra dentro do banheiro. – Eu não vou a lugar algum!
– Marina, SE MANDA DAQUI! – Clara gritava, mas Marina estava com o corpo quase inteiro ao seu lado, agora.
Então Marina forçou a porta e Clara tropeçou, sem cair. As duas estavam dentro do banheiro quando a porta bateu com absoluta força atrás delas. Nenhum das duas se importou. Flavinha e Vanessa gritavam do lado de fora. Sem pensar, correram até a gaveta e começaram a tacar tudo pra cima. Clara tacou uma escova de cabelo em Meirelles na esperança dela largá-la, mas foi em vão. Marina a empurrava para trás enquanto a garota tentava levantar o fundo da gaveta.
– Tira a mão daí! – Clara mordeu o braço de Marina e ela deu um grito baixo, fazendo-a rir.
– Canibal! – Marina rolou os olhos, a puxando para trás.
– Clarinha, DESTRANCA A PORTA, DEIXA A GENTE ENTRAR! – Flávia gritou do lado de fora, mas nenhum das duas se moveu.
– Entra logo, não tá trancada! – Clara gritou e Vanessa respondeu.
– Claro que está!
Marina e Clara se olharam nos olhos desesperadas e largaram a gaveta, indo em direção à porta. Marina forçou a maçaneta várias vezes, mas nada acontecia. Clara também tentou, sob risadas sarcásticas da garota.
– Puta que pariu! – Clara gritou se afastando da porta. – Isso NÃO ESTÁ acontecendo.
– Ninguém merece. – Marina falou baixo e Clara rolou os olhos. – Vocês não tem nenhuma chave extra?
– Não que eu saiba.
– Cacete.
O barulho das amigas havia cedido ao lado de fora tinha uns cinco minutos. Todos estavam se mobilizando pra tentar achar uma cópia da chave ou pelo menos para achar o número de um chaveiro. Marina e Clara não haviam se falado, até então. Falaram apenas com Vanessa, Flávia e Fernanda através da porta. Fugir pela janela não era uma opção, era tão pequena que uma criança de cinco anos não escaparia. Meirelles sentou-se ao lado da pia e ficou olhando para o teto. Clara estava em pé. E foi só aí que ela lembrou das questões. Em um passo rápido ela se aproximou e soltou o fundo da gaveta. Marina arqueou a sobrancelha quando viu e em segundos estava ao lado de Clara.
– Ah, sai de perto Marina! – Clara fez careta quando percebeu que a guerra ia recomeçar.
– Não vou a lugar algum. – Marina sorriu maliciosa.
– Você é tão, tão... – Clara fechou as mãos em punhos de raiva.
– Linda? – Marina riu alto e a garota rolou os olhos.
– Irritante, imbecil, retardada e agora posso perceber que também é PRETENCIOSA. – Clarinha sorriu vitoriosa pela cara que Marina fez.
Então dois envelopes grossos foram retirados do fundo da gaveta. Marina tomou um da mão de Clara, que ficou furiosa, mas já não tinha mais paciência para reclamar. Cada uma sentou, a uma certa distância, e abriu o envelope que tinha em mãos em silêncio.
– Er. Marina... – Clarinha disse depois de três minutos.
– O que?
– A gente podia trocar de envelope, né? Afinal as perguntas que eu tenho que responder estão na sua mão. – Ela sorriu marota e Marina riu.
– E porque eu faria isso?
– Porque eu tenho aqui o que você precisa.
– Faz sentido. – Marina riu e quando ia deslizar o envelope pelo chão, parou no meio do caminho.
– O que foi? – Clarinha franziu a testa.
– Eu não posso entregar o que você quer tão fácil. Você supostamente tem que responder isso aqui. – Marina sorriu torto e Clara revirou os olhos.
– Você quem sabe. Mas vocês vão zerar amanhã, queridinha. – Ela zombou. – Vocês não devem saber nem metade do que está aqui.
– Não me desafie. – Marina sorriu e Clara fez o mesmo, involuntariamente, tentando se controlar. – Aliás, onde sua mãe descobriu essas coisas?
– Ela deve ter ligado para as mães de vocês.
– Ah. – Marina olhou para o papel. – Com quantos anos Vanessa ganhou o primeiro violão? – Marina perguntou do nada e Clara riu, gostando da brincadeira.
– Com onze. Lembro disso. Vividamente. – Ela riu alto e fez uma careta estranha, que fez Marina rir. – Qual a marca de bolsas preferida da Roberta?
– Prada. – Marina respondeu rápido e Clara arregalou os olhos. – Ah vai, essa era muito fácil.
– Se você diz. – Clara riu.
– Qual o único livro que Gisele leu na vida? – Marina riu para a pergunta.
– Orgulho e Preconceito. A Vanessa disse que viu a Gi chorando. – Clara rolou os olhos rindo. – Vejamos... Clara pesquisava alguma coisa na lista. Não, não vou perguntar nada sobre mim...
– ... Porque não? – Meirelles interrompeu.
– Porque você não vai saber. – Clara riu e fez graça da cara de Marina.
– Eu sei muito mais do que você imagina. – Marina respondeu em um sorriso tímido e olhou para baixo.
– Duvido.
– Então manda.
– Nome do meu panda de pelúcia.
– Johnny Depp. – Clara riu.
– Certo. Qual meu personagem de livro preferido?
– Fácil. Edward Cullen.
– Como você sabe essas coisas? – Clara olhava pensativa.
– É só observar.
– Você me... observa? – Ela olhou nos olhos de Marina que corou imediatamente.
– Não, não. Sei lá. Essas perguntas tão fáceis demais! – Marina olhou para baixo tentando disfarçar.
– Tá. Porque eu tenho medo de altura? – Clara perguntou vitoriosa. Marina abaixou os olhos pensativa. Um minuto se passou. Depois mais dois. – Anda, Marina.
– Er... Sei lá, porque você caiu de uma escada? – Marina riu baixo. – Isso explicaria sua loucura.
– Cala a boca. – Clara rolou os olhos, impaciente. – E você está errada.
– Então qual é a resposta certa?
– Ai, seu cotovelo está sangrando. – Clara disse olhando fixamente para o braço da Marina, que fez uma expressão estranha e engraçadíssima.
– Mas o que isso tem a ver com altura e... – Marina parou e passou a mão no próprio cotovelo. – Aaaaah tá! – Ela disse e Clara riu verdadeiramente. Marina fechou a cara nos dois primeiros segundos, mas não resistiu em acompanhá-la no riso.
– Dói? – Ela perguntou num sorriso tímido e Marina sorriu sem olhá-la.
– Bom, tendo em vista que eu estou presa com uma garota boni... – Marina parou no meio da frase e tossiu – Com uma garota. Eu poderia dizer que sim, o que obrigaria você a cuidar de mim. Mas como eu tenho medo de você quebrar meus ossos, eu digo que não.
Clara deu uma risada estranha, algo que misturava fúria e graça, mesmo.
– Espero sinceramente que você tenha que amputar esse braço. – Ela disse olhando para as unhas e Marina riu.
– Ah, você é adorável, docinho.
Marina riu baixo e sentiu um baque na porta atrás de si. Levantou-se, assim como Clara, e ficaram olhando a porta.
– Aleluia, acharam a chave ou resolveram arrombar? – Marina perguntou um pouco alto e Clara suspirou de alívio.
– A chave estava comigo. – Chica respondeu num olhar furioso. – As duas, fora do meu banheiro.
– Mãe, isso pode parecer estranho, mas não é nada do que você... – Clara estava confusa e atropelava palavras.
– Eu sei que vocês não estão postergando a existência, graças a Deus. Agora SUMAM do meu banheiro. Eu falo sério. Estou logo atrás de vocês. Teremos uma conversa definitiva. – Chica disse num tom de voz alto e um tanto assustador, para uma pessoa bastante calma. As mãos de Clara gelaram ao descer as escadas.
No andar debaixo, estavam todas as outras seis devidamente acomodadas nos sofás. Todas com caras de absoluto espanto. Todos querendo fugir dali. Roberta deu um espaço para o lado e olhou para Clara, sem dizer nada, e ela entendeu o recado, sentando-se ali. Marina sentou no chão em frente a Luiza.
– Marina, sente-se no sofá. – Chica disse num tom de voz severo. Marina obedeceu prontamente, sentando-se num pequeno sofá de dois lugares entre Gisele e Fernanda.
– É,mãe eu... – Vanessa tentou dizer alguma coisa, mas seu rosto estava vermelho.
– Silêncio, Vanessa. Agora eu falo, e vocês escutam. – Ela disse andando de um lado para o outro da sala, como uma policial em frente a vários delinqüentes. – Muito bem. Tentando roubar o questionário, não é mesmo? – Chica ia dizendo e percebeu que as meninas iam se manifestar ao mesmo tempo. – Quietas. Como eu estava dizendo... Eu arrumei uma maneira prática e justa de resolver o problema de vocês, mas ninguém aqui pareceu colaborar comigo, não é mesmo? Pena. – Chica chacoalhou a cabeça. – Eu confiei em vocês, mas vocês traíram minha confiança. E eu tenho algo a dizer: Eu já esperava. Sim, eu esperava que vocês trapaceassem, eu conheço muito bem minhas filhas e também as amigas delas. E eu tenho um ultimato.
– Mãe, por favor nos desculpe. Não era nossa intenção e... – Clara ia tentando usar seu poder de convencimento, mas foi interrompida.
– Nós só fizemos isso porque as amigas da Clara iam fazer! – Vanessa disse e Clara arregalou os olhos.
– O QUE? Você bebeu, Vanessa? Deixa de ser ridícula!
– É isso mesmo, o Gisele ouviu e...
– Grande coisa, como se vocês já não estivessem planejando isso. – Luiza interrompeu.
– Não estávamos não! – Vanessa bateu o pé e as meninas riram alto.
– Ah sim, claro. Vocês são todas SANTINHAS agora, não é mesmo? A-D-O-R-O! – Clara revirou os olhos impaciente e Fernanda abaixou a cabeça.
– CHEGA! CANSEI DE VOCÊS. CALEM A BOCA AGORA! – Chica disse e todas voltaram a sentar. – Escutem bem o que eu vou dizer agora. Eu NÃO VOU mais me preocupar com essa eterna briguinha ridícula de vocês. É o seguinte: vou dar duas alternativas pra vocês. Se me interromperem na primeira, eu faço valer a segunda e fim de papo. – Chica disse severa e ninguém se moveu. – A primeira: Todas vocês vão. Eu estou pouco me importando se vão se matar ou não. – Chica disse e todas arregalaram os olhos, mas ninguém disse nada. Não era uma possibilidade a ser considerada.
– E a segunda? – Roberta perguntou timidamente e Chica abriu um largo e malicioso sorriso.
– A segunda, minha querida Roberta é essa: Se não forem todas, ninguém vai. Repito: NINGUÉM. Lindo não é? Agora se matem, eu vou tomar um banho. – Chica disse subindo as escadas enquanto todas permaneceram em silêncio absoluto e caras de espanto. Até ouvirem o barulho da porta.
– SEM CHANCE! – Vanessa gritou.
– Eu NUNCA vou viajar com vocês. NUNCA! – Flávia gritou e todas começaram a falar ao mesmo tempo.
– Eu já sou obrigada a agüentar vocês o ano todo, e nas férias também? Não mesmo!
– Isso é ridículo, eu não vou.
– Nem eu.
– Eu quero ir. – Fernanda disse baixo e todas olharam pra ela. – O que foi? É verdade mesmo, eu quero ir.
– Ah, cala a boca Fernanda! – Luiza disse e a guerra continuou.
Estavam todos falando ao mesmo tempo. Não dava nem para entender uma pessoa sequer. Clara sentou-se no sofá contrariada e ficou observando a guerra em sua frente. Ninguém iria ceder. Ninguém iria simplesmente dizer que aceitava. Marina olhou para ela do meio da muvuca e manteve os olhos fixos. Ela desviou o olhar, sem graça, olhando para Fernanda, e então levantou.
– Eu estou com a Fernanda. – Disse simplesmente e Marina arregalou os olhos.
– O que? – Flávia olhou, incrédula.
– Isso mesmo. Eu também quero ir. – Clara disse confiante e olhou para Marina.
– Você bebeu né amor? Coitada, uma hora presa num banheiro com a Meirelles foi demais pra sanidade dela... – Luiza disse e Gisele riu.
– Eu estou falando sério. Eu não vou estragar minhas férias por causa dessas briguinhas. Caramba gente, é a Riviera Francesa! Vocês tem noção disso? É um paraíso, e a gente vai ficar aqui sendo que poderíamos estar nos divertindo MUITO lá? Não faz sentido!
– Aleluia, alguém sensata! Amo você Clarinha! – Fernanda disse e ela riu.
– Mas Clarinha, eu também quero muito, mas elas ai vão e... – Flavinha ia dizendo mas a amiga e interrompeu.
– E daí, Flavinha? Cara, aquilo é uma mansão, se a gente não quiser, nem precisa se ver direito! Mas eu não vou perder minhas férias por causa disso!
– Okay maninha, você me convenceu. Tô dentro! – Vanessa disse e Fernanda riu. E em seguida todas concordaram. Alguns mais a contragosto, outras mais convictos, e imediatamente começaram a bolar planos para que ninguém melasse as férias alheias, para que não precisassem se ver o tempo todo. Chica sorriu vitoriosa, no topo da escada, vendo que tinha conseguido.
– Ah, que susto Marina! – Clara pulou para trás na sala de estar escura, iluminada apenas pela luz da tv. Ela estava de pijama e tinha um balde de pipoca em mãos. – O que você ainda está fazendo aqui? É quase uma da madrugada!
– Fiquei jogando vídeo game com a Vanessa e esqueci da hora. – Marina sorriu levemente para ela. – É, parece que a gente vai se ver muito mais do que imaginávamos nessas férias, né? Por essa eu não esperava. Clara Fernandes me surpreendeu de novo.
– Eu sou uma caixinha de surpresas, amorzinho. – Ela riu presunçosa e Marina rolou os olhos.
– Acha que vamos sobreviver? – Marina perguntou com as mãos nos bolsos e ela riu baixo.
– Claro que vamos, Marina. Só precisaremos de alguns anos de terapia depois que voltarmos, mas isso é básico. – Clara riu e Marina também.
– É, acho que vamos precisar mesmo... – Marina disse pegando um pouco da pipoca. – Boa noite, Clara. Até daqui a pouco. – Mari sorriu verdadeiramente. Clara sentiu um arrepio estranho na espinha, mas manteve-se inteira.
– Boa noite, Marina.
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